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I – INTRODUÇÃO À CONST. PASTORAL GS A Constituição Pastoral Gaudium et Spes representa, no conjunto do fantástico evento que foi o Concílio Vaticano II,

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1 I – INTRODUÇÃO À CONST. PASTORAL GS A Constituição Pastoral Gaudium et Spes representa, no conjunto do fantástico evento que foi o Concílio Vaticano II, um enorme avanço no que tange a concepção da Igreja sobre o mundo moderno e suas principais configurações politicas, econômico- sociais, culturais e antropológicas.

2 I – INTRODUÇÃO À CONST. PASTORAL GS Não é por menos que este Documento teve uma difícil tramitação, no conjunto das sessões conciliares, dado a sua concepção revolucionaria sobre diversos aspectos do mundo secular, diante dos quais a Igreja tinha pouca experiência nos séculos antecedentes, pois se voltava quase exclusivamente para questões eclesiais e espirituais.

3 I – INTRODUÇÃO À CONST. PASTORAL GS A ideia de um Documento sobre o mundo moderno surge no final da 1° sessão conciliar, em 1962, por iniciativa do Cardeal belga Joseph Suenens, num célebre discurso pronunciado em 4 de dezembro, na Aula conciliar. Na verdade, somente em 1963 a comissão teológica e a comissão sobre os leigos produziram, conjuntamente, um texto sobre a presença da Igreja no mundo.

4 I – INTRODUÇÃO À CONST. PASTORAL GS Este primeiro texto foi totalmente rejeitado pelos Padres conciliares, cabendo ao Cardeal Suenens, com apoio dos teólogos da Universidade de Louvaina, redigir um novo texto, que serviu de base para a discussão dos bispos, em 1964, na 3° sessão do Concílio, merecendo mais de uma centena de intervenções discursivas e inúmeras sugestões por escrito.

5 I – INTRODUÇÃO À CONST. PASTORAL GS Somente em 1965, um novo texto revisado foi entregue aos Bispos na 4° sessão conciliar, sendo ainda muito discutido com inúmeras intervenções e sugestões. Finalmente, o texto foi então votado, capítulo por capítulo, em 4 de dezembro de 1965 e, enfim votado in totum em 7 de dezembro, véspera do encerramento do Concílio Vaticano II, obtendo votos favoráveis, 75 votos negativos e 07 votos nulos dos Padres conciliares.

6 I – INTRODUÇÃO À CONST. PASTORAL GS Como se vê, o processo de elaboração e discussão desse Documento foi muito difícil para uma Igreja secularmente voltada para questões espirituais e pastorais, equidistante dos problemas concretos do mundo.

7 I – INTRODUÇÃO À CONST. PASTORAL GS A Constituição Pastoral Gaudium et Spes está estruturada num proêmio e introdução sobre a condição do homem no mundo moderno. Segue- se uma 1ª parte que enfoca a Igreja e a vocação do homem na caminhada histórica sob o impulso do Espírito.

8 ENFOQUES DA PRIMEIRA PARTE DA GAUDIUM ET SPES O 1° capítulo dessa primeira parte é inteiramente dedicado à dignidade da pessoa humana, destacando a consciência moral e a grandeza da liberdade humana. Conclui o capítulo abordando a questão do mistério da morte e o problema do ateísmo moderno.

9 ENFOQUES DA PRIMEIRA PARTE DA GAUDIUM ET SPES O 2° capítulo aborda o tema da comunidade humana, destacando o significado do bem comum, da igualdade social e da justiça social, bem como a necessidade de superação da ética individualista. O 3º capítulo se volta para a riqueza da atividade humana contingenciada pelos seus limites, pecados, mas também pelos seus valores.

10 ENFOQUES DA PRIMEIRA PARTE DA GAUDIUM ET SPES O 4º capítulo Apresenta o documento que contempla a relação mútua entre a Igreja e o mundo em favor da sociedade humana. Prossegue o Documento com uma segunda parte onde são privilegiados alguns dos desafios do mundo moderno.

11 ENFOQUES DA SEGUNDA PARTE DA GAUDIUM ET SPES O 1° capítulo da segunda parte valoriza a dignidade do matrimônio e da família, máxime da santidade da família e do amor conjugal como fonte da vida humana. O 2° capítulo enfoca o desafio da cultura e sua relação com a fé e os valores evangélicos, salientando o significado da educação cristã e as tensões entre fé e civilização.

12 ENFOQUES DA SEGUNDA PARTE DA GAUDIUM ET SPES O 3º capítulo aborda a questão econômico-social na ótica do desenvolvimento a serviço do homem e problematiza as acentuadas diferenças entre nações pobres a ricas, os conflitos do trabalho e da propriedade privada.

13 ENFOQUES DA SEGUNDA PARTE DA GAUDIUM ET SPES No 4° capítulo o Documento se volta para a questão da paz e da solidariedade internacional, criticando a desumanidade das guerras e a corrida armamentista. Valoriza a cooperação econômica entre as nações e o papel dos organismos internacionais. Finalmente, revela sua preocupação com a explosão demográfica e o papel dos cristãos na construção da comunidade internacional.

14 ENFOQUES DA SEGUNDA PARTE DA GAUDIUM ET SPES O Documento conclui com uma exortação final, conclamando todos os homens para a construção de um mundo mais humano e justo, em sintonia com a vontade de Deus.

15 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO A Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo de hoje enfoca, como o próprio titulo alude, as relações da Igreja com o mundo de hoje, na perspectiva de alguns parâmetros essenciais: família, trabalho, cultura, economia, política, comunidade internacional, analisados na ótica da dignidade da pessoa humana (GS 200).

16 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO A Gaudium et Spes (GS) consta de duas partes essenciais: a Igreja e a vocação do homem, alguns problemas mais urgentes. As duas constituem um todo doutrinário e pastoral, que busca iluminar a trajetória humana no século XX (GS 201/202).

17 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO A abertura da Constituição é antológica, dando o tom de toda a teologia subjacente no documento: as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Assume-se que nada há de verdadeiramente humano que não seja do interesse e da preocupação da Igreja.

18 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO A comunidade cristã se sente verdadeiramente solidária com a humanidade e a sua historia (GS 203). Essa profunda identidade com a caminhada de toda humanidade, cristãos e não cristãos, perpassa a linha dorsal da Constituição, buscando no mistério de Cristo encarnado, crucificado e ressuscitado, a libertação da servidão do pecado e a transformação da pessoa humana e do mundo.

19 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO O Concílio Vaticano II deseja dialogar com todas as realidades humanas à luz do Evangelho, guiado pelo Espírito Santo, buscando salvar a pessoa humana e renovar a sociedade moderna. Eis a colaboração sincera da Igreja para edificar a fraternidade universal, no espírito de servir e não ser servido (GS 205).

20 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO No exercício de sua missão, a Igreja tem o dever perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho, de modo particular as mudanças profundas e rápidas que atingem a humanidade. Se, de um lado, as sociedades dispõem de tantas riquezas e possibilidades de poder econômico, de outro lado, ainda padecem de fome, miséria e analfabetismo.

21 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO Nunca se exaltou tanto a liberdade humana, mas, ao mesmo tempo, se constata um processo tão vasto de escravidão social e psicológica. De um lado se verifica um sonho de unidade e comunhão e, de outra parte, observamos profundas divisões políticas, sociais, econômicas e ideológicas. Enfim, o mundo experimenta tanto progresso material sem o correspondente crescimento espiritual (GS 206/208).

22 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO A evolução do pensamento cientifico e tecnológico gerou um sistema cultural com uma matriz de pensamento diverso dos séculos precedentes. A técnica transforma a face da terra e o espaço interplanetário. A inteligência humana tem novas concepções sobre o tempo e a historia, as ciências biológicas, psicológicas e sociais, prevendo e regulando o próprio crescimento demográfico. Supera-se, assim, uma visão mais estática em prol de uma concepção mais dinâmica da historia (GS 210/212).

23 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO A consequência de todo esse processo histórico da modernidade foram profundas mudanças sociais, psicológicas, morais e religiosas, que resultaram nos desequilíbrios do mundo moderno. A sociedade industrial gerou a civilização urbana, multiplicando cidades, concentrando populações, com vários fatores consequentes: êxodo rural e migração, comunicação social, autonomia humana e social. Este conjunto de mudanças tem seus reflexos maiores entres os jovens, que desafiam o processo educacional dos pais e da sociedade.

24 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO concentrando populações, com vários fatores consequentes: êxodo rural e migração, comunicação social, autonomia humana e social. Este conjunto de mudanças tem seus reflexos maiores entres os jovens, que desafiam o processo educacional dos pais e da sociedade.

25 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO O valor das instituições, as leis, os valores éticos e filosóficos é questionado, advindo dai consequências graves no comportamento social. O espírito critico do homem moderno atingiu a religião exigindo uma fé mais pessoal, esclarecida e comprometida. A secularização parece revelar um humanismo sem Deus com consequências profundas na cultura (GS 213/220).

26 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO A consciência critica das discrepâncias da realidade produz contradições e desequilíbrios que atingem a essência da pessoa humana. Há uma dicotomia entre a inteligência prática e o pensamento teórico e filosófico; um distanciamento entre eficácia e consciência ética; uma crise entre os imperativos da vida coletiva

27 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO e o valor da pessoa humana; um fosso entre ação e contemplação; egoísmos coletivos de nações ao lado de programas de solidariedade e desenvolvimento. Enfim, nesse processo histórico, o homem é ao mesmo tempo causa e vitima (GS 221/225).

28 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO É neste cenário que o gênero humano explicita suas aspirações mais legitimas e universais na defesa, afirmação e cultivo da própria dignidade. Daí a reivindicação de justiça social e participação nos bens da civilização, levando os povos mais oprimidos pela fome a interpelarem os povos mais ricos. Nesta mesma perspectiva, as mulheres pleiteiam a paridade dos direitos com os homens; os operários e lavradores desejam melhor qualidade de vida e participação na gestão da sociedade (GS 226/229).

29 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO Face às ambiguidades do mundo moderno, surgem as interrogações mais profundas da humanidade, que encontra no coração do próprio ser humano as contradições mais significativas que o induzem a fazer o que não deseja e a não construir o que sonha (RM 7,14). Decorre daí o materialismo prático, fonte de opulência para uns e miséria absoluta para outros; alguns apostando no reino de todos os desejos deste mundo, e outros vivendo o desespero da falta de sentido de vida.

30 II – PROÊMIO E INTRODUÇÃO Em suma, questiona-se o homem moderno: qual o sentido da dor, da morte, do mal, de tanto progresso e miséria? Só Jesus Cristo, morto e ressuscitado, pode responder as angústias do ser humano! Ele é a chave de toda a historia! (GS 230/231).

31 III – A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA A Constituição pastoral Gaudium et Spes – GS, logo no 1º capítulo assume seu posicionamento em defesa da dignidade da pessoa humana. Movido pela fé e pelas moções do Espírito Santo, o Povo de Deus esforça-se em fazer

32 III – A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA o discernimento dos acontecimentos históricos, bem como das aspirações e necessidades humanas, perscrutando os verdadeiros desígnios de Deus. A fé e o Espírito manifestam a vocação integral do ser humano (GS 232).

33 III – A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA O Concílio deseja identificar os valores humanos de maior significado para a realização da pessoa humana, em consonância com os valores da fonte evangélica.

34 III – A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Os valores humanos, decorrentes da inteligência humana, são intrinsecamente bons, mas, sujeitos à corrupção do pecado, precisam de uma evangélica purificação. Deste modo, o Povo de Deus e a humanidade inteira prestam-se serviços mútuos (GS 233/234).

35 III – A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Toda realidade terrestre está ordenada ao homem como centro e ponto culminante. A Igreja, instruída pela revelação divina, pode oferecer à humanidade o verdadeiro sentido da condição humana, capaz de responder às expectativas e angústias, fraquezas e valores do ser humano, que busca discernir sua autêntica vocação (GS 235/236).

36 III – A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA As Sagradas Escrituras ensinam que o ser humano, criado à imagem de Deus, constitui- se em senhor da criação, não para destruí-la, mas para preservá-la em favor do homem e da glória de Deus. Igualmente, Deus criou a pessoa humana não para a solidão, mas para a comunhão. Por isso, homem e mulher os criou, decorrendo daí a natureza social da condição humana (GS 237/238).

37 III – A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Criado em seu estado de perfeição, o ser humano extrapolou sua própria liberdade, negando Deus como ser supremo, invertendo a relação criador/criatura. Essa fragmentação original tornou-se oriunda das falhas e limites que marcam a natureza humana, inclinada para o mal, comprometendo o fim último da humanidade e a relação harmônica com Deus, consigo mesma e com a natureza (GS 239).

38 III – A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Decorre daí a luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e trevas, que comprometem o posicionamento humano e a verdadeira liberdade. Deste modo, o pecado impede o ser humano de atingir sua plenitude.

39 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Por isso, Deus vem em socorro para libertar o homem pela graça salvífica de Jesus Cristo. Eis a razão última da vida humana que encontra, na revelação, sua vocação mais sublime e, ao mesmo tempo, a consciência de sua profunda fragilidade (GS 240).

40 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Constituído de corpo e alma indissolúveis, o ser humano é chamado a defender radicalmente o valor da vida, material e espiritual, e como tal os valores do corpo e do espírito. Afinal, o ser humano é destinado à ressurreição final no último dia.

41 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Decorre daí que a pessoa humana deve superar as más inclinações do coração e as revoltas do corpo para atingir a verdadeira harmonia de corpo e alma. Por sua espiritualidade o ser humano aperfeiçoa o seu espírito e dignifica o seu corpo, templo vivo do Espírito Santo.

42 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Nesta intimidade profunda entre Deus e o homem se dá o discernimento humano sobre a vida e a história. O homem não é fruto de uma criação imaginária, mas sonho de Deus, que o plasmou para a imortalidade (GS 242/243).

43 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA De fato, pela inteligência humana, o homem se manifesta como ser superior a todas as coisas criadas, revelando nas ciências e nas artes a riqueza de sua criação e a verdade mais profunda de sua existência. É verdade que, em consequência do pecado, o saber humano é limitado e por vezes equivocado, mas sempre superado pela sabedoria do Espírito.

44 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Quanto mais sábios forem os seres humanos, mais profundamente humanos serão os destinos da humanidade, num rico intercâmbio entre as nações mais ricas economicamente e outras nações pobres na economia e ricas nos bens culturais (GS 244/247).

45 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Neste prisma conceitual, a Constituição Pastoral Gaudium et Spes situa a importância capital da consciência moral da pessoa humana. Na verdade, o ser humano tem uma lei gravada em seu coração, que é constituinte de sua própria dignidade, levando-o a amar e fazer o bem e evitando o mal. A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do ser humano onde ele está sozinho diante de Deus.

46 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA A consciência moral se manifesta no exercício do amor a Deus e ao próximo como a si mesmo. Na fidelidade da consciência, cristãos e não cristãos hão de encontrar as soluções para os inúmeros problemas da humanidade, em nível pessoal e social (GS 248).

47 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA É pela consciência moral que o homem será julgado pelo Juiz divino quando se torna prisioneiro da consciência errônea ou quando se busca ardorosamente a verdade e a justiça.

48 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA A reta consciência moral é sempre uma busca difícil, mas que assegura a verdadeira dignidade humana, na medida em que investiga sempre mais o sentido do bem e da verdade, na busca de soluções justas para o convívio humano (GS 248).

49 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA A liberdade essencial da condição humana é o fundamento da dignidade humana. A liberdade, todavia, não é a exaltação do livre fazer, seja do bem ou do mal, mas. Antes, o direito de decidir segundo sua consciência moral, orientada pelos

50 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA valores da fé cristã ou os valores mais nobres das expressões culturais e religiosas dos povos. Quando a liberdade humana está em sintonia com o desígnio divino, a pessoa humana experimenta a perfeição plena e feliz.

51 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA A liberdade verdadeira é um antídoto ao impulso interno cego, ou à severa coação externa, libertando homens e mulheres do cativeiro das paixões e das dominações históricas. Com o auxílio da graça de Deus, pelo impulso do Espírito Santo, seremos verdadeiramente livres para o bem e a verdade (GS 249).

52 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Diante da dignidade humana, a morte se revela um enigma acompanhado de dor e esperança. Dor pela dissolução do corpo, e esperança pela certeza da vida eterna. A imortalidade é o sentido maior da dignidade humana, revelando-se resposta definitiva à angústia do homem.

53 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Por maior que seja o progresso científico e tecnológico, o ser humano tem sede de imortalidade pois, por natureza é semente de eternidade. A ressurreição é o desejo mais profundo que, vencendo os limites do pecado, restitui a plenitude de vida, pela graça e misericórdia de Deus salvador (GS 250).

54 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO A razão principal da dignidade humana é a comunhão com Deus! Afinal, homem e mulher são frutos do amor de Deus!

55 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO A Verdade e o Amor são dois anseios antropológicos perenes e universais. Todavia, muitos seres humanos não têm essa concepção teísta e até rejeitam, explicitamente, a possibilidade da existência de Deus, ao menos do Deus revelado no cristianismo ou no judaísmo.

56 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO O mesmo se diga das divindades manifestas por inspiração e cultuados nas grandes expressões religiosas. Esse fenômeno merece um exame mais diligente da Igreja (GS 252).

57 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÌSMO O ateísmo é um fenômeno diversificado envolvendo não só os que negam expressamente a Deus, como também os que pensam que sobre Deus nada podemos declarar.

58 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÌSMO Alguns negam claramente todo o pensamento filosófico metafísico e afirmam apenas o reinado das ciências positivas que tudo explicam. Não haveria, portanto, verdades absolutas, mas apenas saber científico relativo.

59 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO Neste processo histórico, geralmente, há uma exaltação do homem e uma negação de Deus. Alguns reduzem a concepção de Deus a uma fantasia; não chegam a compreender o Deus revelado nos Evangelhos (GS 253).

60 Na verdade, num mundo secularizado, sequer o problema de Deus causa inquietação e, o fenômeno religioso, não merece atenção ou investigação.

61 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO Todavia, há de se reconhecer que, muitas vezes, o ateísmo se origina da indignação diante do mal no mundo e de expressões religiosas alienantes e repressoras, ou da absolutização de bens humanos atribuídos a Deus.

62 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO É preciso considerar que, os que negam a Deus e a religião, nem sempre seguem os ditames de sua consciência e, por isso, não são isentos de culpa moral. Portanto, o ateísmo não é algo inato à consciência humana, mas tem origem em causas diversas, entre estas a crítica da religião em diversas perspectivas e até mesmo movimentos contra a religião católica.

63 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO Nesta gênese do ateísmo, os crentes que negligenciam a educação da fé promovendo a distorção doutrinal, ou vivendo uma heresia vital no campo espiritual, moral e social têm grande responsabilidade porque obscurecem a genuína face de Deus e da religião (GS 254).

64 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO O ateísmo sistemático moderno busca uma autonomia radical do homem sem Deus. Nesta ótica, a liberdade é o próprio fim do ser humano, único artífice e demiurgo da própria história. Com isto afirmam que sua posição existencial não reconhece

65 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO um Senhor, autor e fim de todas as coisas. Prefere-se confiar na potência do progresso científico e tecnológico. A tendência, nesse caso, é de um reducionismo da libertação humana à libertação econômico-social e político- cultural.

66 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO A religião, nessa ótica, é vista com restrição e rechaço, como um impeditivo que aposta apenas numa libertação futura e quimérica, sem compromisso com a construção da cidade terrestre. Não raro os governos que assumiram esta concepção perseguem a experiência religiosa autêntica e apostam na educação ateia da juventude.

67 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO A Igreja busca simultaneamente ser fiel a Deus e aos seres humanos e, por isso mesmo, reprova dolorosamente tudo o que impede a experiência universal de transcendência, pois isso contradiz a razão histórica e priva a pessoa humana de sua grandeza inata.

68 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO Descobrindo nas raízes do pensamento ateu as motivações mais profundas da negação de Deus, a Igreja reconhece a gravidade destas questões e deseja, com extrema caridade, examinar seriamente os argumentos do ateísmo.

69 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO Não há, na verdade, nenhuma incongruência entre a emancipação humana e o reconhecimento de Deus, pois decorrem daí exatamente a liberdade e a inteligência dos seres humanos como partícipes da felicidade e da comunhão divina.

70 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO De outro lado, a esperança escatológica em nada diminui o sentido humano da vida e dos valores imanentes, antes, apoia e fornece motivos novos. Sem essa dimensão meta- histórica o problema humano da dor e da morte se torna insolúvel, a dignidade humana é prejudicada e o desespero redunda em solução final.

71 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO Só Deus dá uma resposta plena e total aos enigmas da vida das pessoas, também dos ateus, nos quais a graça opera de modo invisível (Lumen Gentium II, l6).

72 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO Os Padres Conciliares afirmam que o remédio para o ateísmo está não só na clareza da doutrina cristã, mas também na autenticidade e pureza da Igreja e de seus membros como testemunhas vivas e visíveis do Pai, do Filho encarnado e das moções do Espírito Santo.

73 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO Esta é a fé testemunhada pelos mártires e pelos confessores na prática do amor radical e no compromisso pela justiça, que tornam presentes no mundo profano a fé do Evangelho.

74 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO Embora a Igreja rejeite o ateísmo, acolhe com sinceridade todos os nãos crentes como protagonistas da construção de um mundo justo e fraterno.

75 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO Um diálogo sincero e prudente contribui para a superação de toda a forma de discriminação entre crentes e não crentes. A Igreja denuncia governantes que não respeitam a liberdade essencial das pessoas

76 V – A GAUDIUM ET SPES E O ATEÍSMO no campo da fé e conclama os não crentes a refletirem com objetividade sobre o Evangelho de Jesus Cristo, que responde às aspirações mais profundas do coração humano: Fizeste-nos para vós, Senhor, e o nosso coração permanece inquieto enquanto em vós não descansar! (Agostinho de Hipona – Confissões l, 1).


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