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A poesia brasileiro modernista pós- heroica. Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles,

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Apresentação em tema: "A poesia brasileiro modernista pós- heroica. Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles,"— Transcrição da apresentação:

1 A poesia brasileiro modernista pós- heroica. Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles,

2 Aspectos gerais Poesia desenvolvida após a chamada fase heroica do modernismo brasileiro. Uma conquista de dimensões temáticas novas: política em Drummond e em Murilo Mendes; religiosa em Murilo Mendes, Cecília Meireles e Augusto Frederico Schmidt; experiências metafísicas em Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Henriqueta Lisboa, etc.

3 Carlos Drummond de Andrade Nascido em Itabira em 1902, o poeta morreu, quando possuía 85 anos, no Rio de Janeiro. Possuía uma aguda percepção de um intervalo entre as convenções e a realidade, elementos mesclados aos humor, traço constante na poesia drummondiana. Seus poemas de temática política se encontram Rosa do povo. Entretanto, essa fase durou pouco. Em Claro Enigma ( ) o desencanto passou a permear a poesia de Drummond.

4 Carlos Drummond de Andrade Assim, os poemas drummondianos passam a escavar o real mediante um processo de interrogações e negações que acaba revelando o vazio à espreita do homem no coração da matéria e da história. O mundo define-se como um vácuo atormentado, um sistema de erros.

5 Carlos Drummond de Andrade agudo olfato, o agudo olhar, a mão, livre de encantos, se destroem no sonho da existência. (A Ingaia Ciência) De tudo quanto foi meu passo caprichoso na vida, restará, pois o resto se esfuma, uma pedra que havia em meio do caminho. (Legado) E calamos em nós, sob o profundo instinto de existir, outra mais pura vontade de anular a criatura. (Fraga e Sombra) É sempre nos meus pulos o limite É sempre nos meus lábios a estampilha É sempre no meu não aquele trauma Sempre no meu amor a noite rompe. Sempre dentro de mim meu inimigo. E sempre no meu sempre a mesma ausência. (Enterrado vivo)

6 Carlos Drummond de Andrade A abolição de toda crença, o apagar-se de toda esperança trazem consigo o autofechamento do espírito que se crispa entre a sensação e a Coisa, recusando-se a operar o salto, a ruptura, a passagem, que lhe parecem apenas como ilusões a perder. Nas páginas finais de Claro enigma, o momento da negatividade traduz-se pela dor do desgaste cósmico, como se a sina da queda não tivesse poupado nenhum ser vivo, condenando todo o existente a regredir ao silêncio do reino mineral:

7 Carlos Drummond de Andrade As mais soberbas pontes e edifícios, o que nas oficinas se elabora, o que pensado foi e logo atinge distância superior ao pensamento, os recursos da terra dominados, e as paixões e os impulsos e os tormentos e tudo que define o ser terrestre ou se prolonga até nos animais e chega às plantas para se embeber no sono rancoroso dos minérios, dá volta ao mundo e torna a se engolfar, na estranha ordem geométrica de tudo, e o absurdo original e seus enigmas, suas verdades altas mais que todos monumentos erguidos à verdade: e a memória dos deuses, e o solene sentimento de morte, que floresce no caule da existência mais gloriosa,

8 Cecília Meireles Nasceu em 1901, no Rio de Janeiro, e morreu em Suas obras são marcadas por um certo distanciamento do real imediato. Além disso, seus versos estão norteados por um processo imagético para a sombra, o indefinido, quando não para o sentimento da ausência e do nada.

9 Cecília Meireles Traze-me um pouco das sombras serenas que as nuvens transportam por cima do dia! Um pouco de sombra, apenas,- vê que nem te peço alegria. Traze-me um pouco da alvura dos luares que a noite sustenta no teu coração! A alvura, apenas, dos ares: - vê que nem te peço ilusão. Traze-me um pouco da tua lembrança, aroma perdido, saudade da flor! -Vê que nem te digo - esperança! -Vê que nem sequer sonho - amor!

10 Cecília Meireles Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou edifico, se permaneço ou me desfaço, - não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno e asa ritmada. E sei que um dia estarei mudo: - mais nada.

11 Cecília Meireles Herança Eu vim de infinitos caminhos, e os meus sonhos choveram lúcido pranto pelo chão. Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos, essa vida, que era tão viva, tão fecunda, porque vinha de um coração? E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos, do pranto que caiu dos meus olhos passados, que experiência, ou consolo, ou prêmio alcançarão?

12 Henriqueta Lisboa Poeta mineira (1901 – 1985) que foi a primeira a ocupar uma cadeira na ABL. É conhecida como poeta da morte, contudo, escreveu também poemas infantis. Manuel Bandeira considerou Henriqueta Lisboa uma das mais perfeitas poetas brasileiras. São principais livros são: Flor da morte e Face Lívida.

13 Henriqueta Lisboa Acalanto do morto Em seio propício dorme. De olhos sob musgo, boca descarnada e ouvidos de pedra, dorme. Com violência de hordas tua morte avança. Dorme, dorme, dorme, para que não vejas esta sombra informe crescendo dos vales, subindo com as águas, nivelando abismos. Próximo dilúvio, perdida palmeira! Só a morte existe, só a morte vive, com cem braços móveis, com cem braços fixos, com palavras quentes e frios delíquios, ciprestes fugindo para a lua _ a morte!_ com vagares, com propostas e enigmas de fera na jaula.

14 Henriqueta Lisboa Acalanto do morto Tudo está conforme desígnios preciosos. Viverá comigo tua morte. Dorme. Guardarei impávida tua morte. Dorme. Tua morte é minha, não a sofras. Dorme Dorme. Dorme.

15 Henriqueta Lisboa No enterro de uma criança, de Medeiros e Albuquerque Trago a blasfêmia nos meus lábios frios - hei de lançá-la sobre o teu caixão! Soltem os padres: – vendilhões sombrios o grasnido venal do cantochão! Soltem, que, há muito, dágua benta os rios correm das tumbas no gelado chão e nos sepulcros, afinal, vazios, nada dos vermes diminui ação. Por isso, junto do teu corpo leve, que à sepultura descerá em breve, trazendo os roucos sacrilégios vim. Se as preces vãs que sobre ti sacodem nada alcançarem, quero ver, se, enfim, pôde a blasfêmia o que orações não podem.

16 Henriqueta Lisboa É uma criança Por que tantos soluços? É uma criança. Brincou e adormeceu Os anjos estão presentes (não soluceis) com delicados pés de lã e asas de neve. Que tragam flores outras crianças. Nada mais lindo que uma pálida criança adormecida entre flores. E, enquanto os anjos dedilham cítaras de ouro, suavíssimas, as outras crianças em torno da que repousa, dancem. Dancem como flexibilidade de junco à beira do rio. Dancem com inocência de borboletas à entrada do bosque. Dancem com leveza de zéfiro levantando cortinas.

17 Henriqueta Lisboa É uma criança Dancem com os cabelos livres e os tenros braços no alto em forma de foice. Ou de arco. (A foice para ceifar as espigas O arco para protegê-las.) Dancem de modo tão perfeito (nos lábios coral e pérola) que a criança sonhe e murmure consigo: a morte, como é bela

18 Henriqueta Lisboa Caixinha de música Pipa pinga Pinto pia. Chuva clara como o dia de cristal. Passarinhos campainhas colherinhas de metal. Tamborila tamborila uma goteira na lata. Está visto que é só isso, não preciso de mais nada.

19 Murilo Mendes Poeta nascido em Juiz de fora (1901 – 1975). Em sua poesia, o pensamento não rói o real, mas multiplica-o, exalta-o e, com materiais tomados à fantasia, opera uma potencialização das imagens cotidianas.

20 Murilo Mendes Visão lúcida Debruçada à varanda Que enxergas no horizonte? Órfãos, loucos, aleijados Em carros tintos de sangue, E cegos guiados por cegos. Que enxergas mais no horizonte? Vejo a morte graciosa. Vês a morte graciosa? Sim, ela inda é muito moça, Prepara o vestido novo Para receber a guerra Que cresce no bojo desta.

21 Murilo Mendes Poema do fanático Não bebo álcool, não tomo ópio nem éter, Sou o embriagado de ti e por ti. Mil dedos me apontam na rua: Eis o homem que é fanático por uma mulher. Tua ternura e tua crueldade são iguais diante de mim Porque eu amo tudo o que vem de ti. Amo-te na tua miséria e na tua glória E te amaria mais ainda se sofresses muito mais. Caíste em fogo na minha vida de rebelado. Sou insensível ao tempo – porque tu existes. Eu sou fanático da tua pessoa, Da tua graça, do teu espírito, do aparelhamento da tua vida. Eu quisera formar uma unidade contigo E me extinguir violentamente contigo na febre da minha, da tua, da nossa poesia.

22 Murilo Mendes Reflexão número 1 Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio Nem ama duas vezes a mesma mulher. Deus de onde tudo deriva E a circulação e o movimento infinito. Ainda não estamos habituados com o mundo Nascer é muito comprido.

23 Murilo Mendes Meninos Sentado à soleira da porta Menino triste Que nunca leu Júlio Verne Menino que não joga bilboquê Menino das brotoejas e da tosse eterna Contempla o menino rico na varanda Rodando na bicicleta O mar autônomo sem fim É triste a luta das classes.

24 Murilo Mendes Cartão postal Domingo no jardim público pensativo. Consciências corando ao sol nos bancos, bebês arquivados em carrinhos alemães esperam pacientemente o dia em que poderão ler o Guarani. Passam braços e seios com um jeitão que se Lenine visse não fazia o Soviete. Marinheiros americanos bêbedos fazem pipi na estátua de Barroso, portugueses de bigode e corrente de relógio abocanham mulatas. O sol afunda-se no ocaso como a cabeça daquela menina sardenta na almofada de ramagens bordadas por Dona Cocota Pereira.

25 Murilo Mendes Endereço das cinco Marias Sou o tipo acabado do sujeito que não arranja nada nesta vida. Gosto de cinco Marias nesta vida. A primeira tinha uma pinta na cara, eu adorava aquela pinta. Maria do Rosário jurava pela alma da mãe dela que só havia de casar comigo. Um belo dia apareceu um tenente que usava polainas e dançava com muito garbo. Foi a conta: ela fugiu pra São Paulo com o tenente e me deixou na mão. A segunda, Maria do Carmo, era uma pequena dos bons tempos que a gente conversava no portão de noite, romântica de olhos pretos não gostava de bailes. Aquela sim, mas apanhou um resfriado de tanto conversar comigo no portão e bateu a bota. Lá está num cemitério em Belo Horizonte onde tem muita paisagem. As três Marias restantes estão no céu.


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