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ARQUITETURA NEOCLÁSSICA Rio de Janeiro Uma homenagem ao ano da França no Brasil que se festeja em 2009. Pesquisa de imagens, desenhos, formatação e complemento.

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2 ARQUITETURA NEOCLÁSSICA Rio de Janeiro Uma homenagem ao ano da França no Brasil que se festeja em Pesquisa de imagens, desenhos, formatação e complemento de texto: Cau Barata – Série Arquitetura no Rio de Janeiro - I Texto básico, em itálico, do Prof. Mário Barata ( ). Dedicado aos apaixonados pela história do Rio de Janeiro e aos estudantes de arquitetura.

3 O Rio de Janeiro, como as outras cidades brasileiras do litoral, cobriu-se de belo manto neoclássico no decorrer do século XIX e foi esse o estilo que caracterizou a face dessa urbe durante o Império. NEOCLÁSSICO Arco Triunfal da Rua de S. Pedro. (Projeto Araújo Porto Alegre) DEMOLIDO Hoje, a amplitude dessa predominância só nos é revelada pelas fotografias existentes, pois as sucessivas vagas de transformações urbanas no século XX, realizadas por superposição e não por extensão, acarretaram lastimável demolição em massa de casas e quarteirões nessas capitais litorâneas. Colégio Santo Inácio DEMOLIDO Este fenômeno ocorreu, mais cedo e intensamente, no próprio Rio de Janeiro, para não falar de São Paulo, que no século XIX era bem menor que a sede da Corte. O Rio, até setenta anos atrás – e isso é recente, do ponto de vista histórico – ainda possuía, no centro e em seus bairros antigos, muitos aspectos definidos pela herança do neoclassicismo, se bem que o ecletismo e outras tendências artísticas já estivessem presentes, como o ar de coisa nova. Hotel dos Estrangeiros DEMOLIDO O necolássicismo, sobretudo pelo uso de platibandas e pelo relacionamento de proporções dos vãos (portas e janelas) e dos retângulos das fachadas, se expandira muito. Hoje, quase só nos restam desse estilo os edifícios significativos que, pela grandeza ou pelas funções públicas, foram preservados da especulação imobiliária. Palacete Oliveira Barbosa (Projeto Grandjean de Montigny) DEMOLIDO Deixando de ser o estilo geral da cidade, ele ficou como o estilo de alguns prédios e de poucos conjuntos ou aglomerações de edifícios. Mas são construções que marcam significativamente a história e a aparência da cidade. Teatro Francês, depois São Luiz. (Projeto Grandjean de Montigny) DEMOLIDO

4 NEOCLÁSSICO Características formais do Neoclassicismo Ao lado de uma propensão a utilizar, nas artes visuais, aspectos da antiguidade greco-romana, o neoclassicismo caracterizava-se formalmente pelo purismo e pela sobriedade. Essas características marcaram plasticamente a arquitetura e a escultura, e conduziram o desenho e a pintura a um linearismo e a uma simplificação de volumes e do relacionamento de áreas de cor, que constituíram a sua beleza. Teatro São Pedro de Alcântara (depois João Caetano) – Praça Tiradentes. DEMOLIDO Havia sobretudo platibandas, mas também frontões, pilastras e às vezes colunas – estas em raros edifícios, mais ricos – com capitéis, nas edificações que se multiplicavam nesse estilo. A vibração da cor tendera a diminuir na pintura, havendo exceções nas obras que insinuam o romantismo. Prédio da segunda Praça do Comércio, na rua Primeiro de Março ( antiga rua Direita ), que foi reformado pelo arquiteto Grandjean de Montigny que lhe deu uma nova feição, acrescentando, à fachada, uma galeria coberta, em Tinha, na frente, peristilo saliente com oito colunas dóricas, que sustentavam uma varanda ou terraço, orlado de grades de ferro presas a pilares. Uma gradaria de ferro, entre as colunas, fechava o vestíbulo, cujo pavimento era de mosaico de mármore. DEMOLIDO Características formais do Neoclassicismo A platibanda com apainelados geométricos ou lisa é mais freqüente que a de balaustres vasados. Nas platibandas podem surgir, em cima de estilóbatos que marcam os espaços, estátuas, freqüentemente de cerâmica, e vasos campaniformes. Em meados do sec. XIX, foi autorizada a compra de um prédio, no largo da Lapa ( rua do Passeio ), por 125 apólices de contos de réis, para sede da Biblioteca Nacional. Em , abriu-se ao público a nova casa. Edifício de três pavimentos, havendo, na frontaria, três corpos marcados por pilastras: o central, com três portas, três janelas nos dois últimos e frontão reto; os corpos laterais, com uma porta no pavimento térreo, duas janelas no segundo e, superiormente, um terraço com gradaria de ferro. As janelas têm sacadas de grades de ferro. Começaram as reformas. Deixam de existir os dois terraços, alterando a configuração do corpo central que se ressaltava, transformando todo o prédio em um grande caixa. DEMOLIDO Antes (1862) Depois ( ) No mesmo local, foi inaugurada, em 1922, a sede do Instituto Nacional de Música, hoje Escola de Música.

5 Caracetrísticas formais do Neoclassicismo Entre os prédios representativos como padrão do neoclássico, estava o da Academia de Belas Artes, edifício projetado pelo arquiteto Grandjean de Montigny, demolido em 1938, deixando vazio até hoje o terreno que ele ocupava. Academia Imperial de Belas Artes – Projeto original (1826). NEOCLÁSSICO Academia Imperial de Belas Artes – des. Anônimo (1846). - ainda um pavimento - Academia Imperial de Belas Artes. Obras de acréscimo de novo pavimento (1882). Academia Imperial de Belas Artes – cerca de Alteração na fachada ( dois pavimentos). Academia Imperial de Belas Artes (1905). Nova transformação (acréscimo de uma platibanda ). Academia Imperial de Belas Artes. Nova transformação ( três pavimentos). DEMOLIDO

6 NEOCLÁSSICO DEMOLIDO Adquirindo o seu pórtico já desmontado, das mãos do demolidor, o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional levou-o para a aléa de palmeiras do Jardim Botânico. É pórtico de dois andares, havendo no de cima seis colunas encimadas pelo frontão, em cujo tímpano há alto relevo dos irmãos Ferrez, que também fizeram os relevos da enxutas do arco de entrada. As seis colunas da ordem jônica, do segundo pavimento da Academia, com os pedestais sem as duas esculturas. Nesta imagem, mais antiga, constam as duas esculturas, Apolo e Minerva, de autoria de Marc Ferrez (I), hoje desaparecidas. ApoloMinerva Novamente, as colunas do segundo pavimento, encimadas pelo frontão. Frontão com alto relevo no tímpano, uma composição alegórica de Zeferino Ferrez. Pórtico da Academia Imperial de Belas Artes no Jardim Botânico Frontão Coroamento da fachada em forma triangular. Empena Cada um dos lados inclinados do frontão. Cornija Parte superior do entablamento. Entablamento Conjunto de molduras que rematam e ornamentam a parte superior do prédio. Colunata Série de colunas dispostas enfileiradas e equidistantes. Coluna Jônica Tímpano Arco Pleno O tímpano recebeu uma composção alegórica, em alto relevo, de Zeferino Ferrez. Marc Ferrez (I) foi o responsável pelos baixos relevos em terra-cota da arquivolta, representando dois gênios das artes. Zeferino Ferrez foi o responsável pelo baixo relevo que ficava sobre a janela central do primeiro andar. Foto do livro De Engenho a Jardim (2008), de Cau Barata e Cláudia Gaspar.

7 NEOCLÁSSICO Configuração Urbana Com a expansão do Rio de Janeiro, na época de D. João e do Império, durante a vigência crescente do estilo neoclássico na arquitetura e outras artes, realiza-se uma modernização da cidade. Banco do Brasil Nesse edifício, na esquina da rua da Alfândega com a da Candelária, funcionou o Banco do Brasil, de a , data em que se transferiu para o atual prédio da Rua Primeiro de Março. Tem três pavimentos: a face principal, voltada para a rua da Alfândega, apresenta no primeiro pavimento, revestido de cantaria, seis janelas de peitoril com varões de ferro e um portão central. Coroa esta parte do edifício uma renque de medalhões sustentando o segundo pavimento que, com o terceiro, formam um só corpo, marcado pelas grandes pilastras caneladas, de ordem coríntia, que correm entre as janelas. Abrem-se sete janelas nos dois pavimentos superiores: as do segundo, com uma sacada corrida e as do terceiro com grades de ferro no vão das portadas. Projeto do arquiteto Manuel de Araújo Porto Alegre. DEMOLIDO A inserção de edifícios do novo gosto na importante rua Direita e sobretudo na rua do Ouvidor, que se definiria com os seus prédios oitocentistas de dois a quatro andares, valorizavam-nas como grande eixo do centro da cidade, na época. Em 1834, resolveu a Câmara Municipal construir uma praça de mercado, sendo encarregado do projeto do edifício o arquiteto Grandjean de Montigny. Em 1835, estava concluída a parte do edifício voltada para a então Praça Pedro II (hoje, Praça XV de Novembro). Mercado da Praça XV Em 1839, deu-se princípio a outra parte do mercado que recebeu, interiormente, nova proposta de arquitetura, não se colocando portas para o largo central. Em 1841, o mercado estava todo concluído. Mercado da Praça XV – 1840 (Bertichen). Mercado da Praça XV – 1850 (Pustkow).

8 Portal do Mercado da Praia do Peixe – Desenho esquemático: Cau Barata. NEOCLÁSSICO Configuração Urbana A face voltada para a praça XV apresenta um portão central coroado por um frontão reto, lendo-se no friso o dístico: - A Camara Municipal a mandou fazer em A Camara Municipal a mandou fazer em 1835 Interiormente, o mercado é lajeado de cantaria, havendo quatro portões, um em cada lateral, que se comunicam por ruas, frente-a- frente, formando uma cruz com um largo central, onde se ergue um lindo chafariz todo de granito. Planta do Mercado com suas quatro portas voltadas para as ruas do Mercado e do Ouvidor, Praça das Marinhas e Largo do Paço (Praça XV). No centro, o elegante chafariz de Grandjean. No ápice da pirâmide do chafariz, havia um ouriço de bronze, cujos espinhos eram parafusados no corpo do mesmo, e, nas faces da base quadrangular, que servia de base da pirâmide, quatro golfinhos de bronze jorravam água no tanque (bacia). Desenho grafite, entre , de François-René Moreaux, com rara cena do pátio central, observando-se as quatro alamedas e o chafariz central, que tem por base um tanque arredondado, do qual nasce um corpo cilíndrico com quatro colunas salientes, que sustentam uma base quadrangular com quatro esferas na parte superior, sobre as quais ergue-se uma pirâmide. Ao fundo, uma das portas neoclássicas. Mercado da Praça XV – 1860 (Stahl e Wanschaffe) Mercado da Praça XV – cerca 1865 (Vedani) Mercado da Praça XV – cerca 1870 (Marc Ferrez) Esta seria a última fotografia do mercado com um pavimento. Entre 1870 e 1871, levantou-se um segundo pavimento sobre todo o edifício. Mercado da Praça XV – cerca 1895 (Marc Ferrez) Com o segundo pavimento. Arco do Teles Paço Imperial Chafariz do Valentim Mercado Mercado da Praça XV (Marc Ferrez) Portal lateral, neoclássico, voltado para o mar, com dois pavimentos. Mercado da Praça XV – cerca 1905 (Postal) Praça XV: à direita, o Paço Imperial, ao fundo, na esquerda, o chafariz do Valentim (com pirâmide) e, à esquerda, o mercado. Lateralmente, há oito portas de arquivoltas no primeiro pavimento, as quais, assim com as das outras faces, eram fechadas com muro, até certa altura. Em 1871, abriram-se as portas dando mais elegância ao edifício. Há no segundo pavimento, oito janelas rasgadas de verga direita, tendo, entre os vãos, grades de ferro. São de igual arquitetura as alas voltadas para a rua do Mercado e praça das Marinhas. Mercado da Praça XV – cerca 1909 (Postal) DEMOLIDO E o chafariz ? O Mercado foi demolido em Foi empreitada feita por Thomaz Newlande Jr. com o Ministério da Viação, ficando Newlande de posse de todo o material, inclusive o chafariz de Grandjean de Montgny. Newlande vendeu todo o material da demolição, deixando no local um monte de entulho. O chafariz desapareceu sob a marreta dos renovadores da cidade. Isso se deu na administração do prefeito Serzedello Corrêa. Chafariz do Mercado do Peixe ou da Candelária. Desenho de Magalhães Corrêa. O Prof. Teixeira da Rocha, sabedor da destruição, correu ao local, mas já era tarde; os vândalos não tinham em sua frente senão pedras britadas. O ouriço de bronze conseguiu salvar-se, porque o prof. Teixeira da Rocha levou-o para a sua residência, onde ainda se encontrava em Os golfinhos foram colocados no chafariz do Mestre Valentim, da Praça XV de Novembro, nas quatro bases da escadaria, porém foram retirados antes de 1930 e guardados na Diretoria de Obras ou no depósito das Matas e Jardim, e desapareceram. DESTRUÍDO A MARRETADAS

9 Capela – Desenho esquemático: Cau Barata. Espalhando-se pelos bairros, no decorrer do século, os solares de elegantes proporções e vãos, ora com arcos altos, ora com sobrevergas retas, e os sobrados de dois ou três andares surgem em zonas como a rua do Catete (está conservado o trecho em frente ao Palácio do Catete, antigo Largo do Valdetaro e a rua do Riachuelo (antiga Mata Cavalos). NEOCLÁSSICO Configuração Urbana Reconstituição da quase desconhe- cida e totalmente esquecida Capela do Arsenal de Guerra, de fachada bem equilibrada, nos moldes neoclássico, e que fica- va na Ponta do Calabouço. Capela do Arsenal de Guerra DEMOLIDA

10 NEOCLÁSSICO Configuração Urbana A expansão com edifícios oficiais chega à praia da Saudade (Urca), de 1842 a 1908, em prédios dominados por um senso de horizontalidade, que ali fora iniciada pelo antigo Hospício. Solar do Conde da Estrela no Rio Comprido. DEMOLIDO Em Botafogo e na Tijuca, casas de chácaras ou palacetes mantinham a contribuição dos mestres de obras de origem lusa, e se somavam aos exemplos dos discípulos da Missão Francesa e, às vezes, com eles se fundiam harmoniosamente. Praia de Botafogo com diversos palacetes de características neoclássicas TODOS DEMOLIDOS Por volta de 1880 aparecem as varandas de ferro sobre colunetas desse metal, marcando na cidade o início de aplicação da Revolução Industrial à arquitetura feita através de importações. Essas varandas circundavam os blocos edificados de sabor neoclássico. Elas também foram feitas em Belém do Pará, Recife e outras cidades brasileiras. Palacete construído para o Duque de Saxe e sua esposa, a Princesa D. Leopoldina, no antigo Caminho do Parque Imperial, posteriormente Rua Duque de Saxe e, hoje, Rua General Canabarro no Engenho Velho. Parece ter sido uma reforma de outro antigo palacete. Palacete Leopoldina – 1866 (Klumb) Texto da historiadora Mary Del Priore Incrustado num lindo parque, de frente para quatro palmeiras, o imóvel nada tinha de espetaculoso. De estilo neoclássico, parecia uma das construções que os discípulos do arquiteto Grandjean de Montigny espalharam pelo Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX. O frontispício, que ocupava dois andares, era dividido em sete janelas sisudas, mas elegantes. Uma escadaria, cortando o prédio ao meio, levava ao vestíbulo de entrada. Em lugar de telhado, uma fileira de colunatas fazia as vezes da cimalha. O interior era decorado ao gosto da época, com pinturas cenográficas ou de naturezas-mortas. Nos tetos, o estuque trabalhado por artesãos recém-imigrados da Itália. Bairros como o Catumbi, Rio Comprido e Tijuca começavam a ser ocupados por mansões. Palacete Leopoldina – Esquema (C.Barata) Edificado ou remodelado, entre 1864 e 1866, foi concebido bem ao gosto neoclássico da época, com pilastras de ordens superpostas, dórica no primeiro pavimento e jônica no segundo, que dividem a fachada em três corpos: no central, sobre o entablamento, o clássico frontão reto. Grande platibanda cerca todo o edifício. O segundo pavimento, com sete janelas na face principal e quatro em cada face lateral, apresenta varanda corrida com gradil de ferro. Clicar para continuar Tempos depois, passava à frente do Palacete uma linha de bonde, puxada a burros, da Companhia Vila Isabel, trazendo no letreiro Parque Imperial. Em 1893, já na República, o Cel. Médico José Porfírio de Melo Matos transferiu para este Palacete os doentes do Hospital Central do Exército, que ali funcionou até Palacete Leopoldina Sthal & Wahnschaffe Em 1900, no Palacete, funcionava a Diretoria Geral de Artilharia. De 1908 a 1911, funcionou o patrimônio do Orfanato Osório, que deu lugar à Escola Superior de Agricultura. Foi, depois, sede da Escola Normal de Artes e Ofícios Wenceslau Brás. DEMOLIDO Palacete demolido e em seus terrenos acha-se hoje a Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca, inaugurada em

11 NEOCLÁSSICO O Neoclassicismo no Rio A edificação do Teatro São João em 1813 é um dos exemplos da expansão gradual que o novo estilo, ligado ao racionalismo e à época das luzes, estava efetuando na arquitetura do Rio de Janeiro, como também na América de origem ibérica em geral. Teatro Provisório (Campo de Santana) José dos Reis Carvalho. O Teatro Provisório foi obra do construtor Vicente Rodrigues, cujo projeto foi escolhido entre 7 concorrentes. Inaugurado a A frontaria do edifício consta de três corpos, um central e dois laterais, marcados por grandes pilastras que rasgam os dois pavimentos até tocar o entablamento que sustenta o clássico frontão reto. No tímpano, uma lira. O corpo central apresenta três portas de arcada, que dão entrada no saguão, e três janelas de peitoril no segundo pavimento. Dos corpos laterais constam duas janelas de peitoril em cada pavimento. Um ático oculta o telhado do edifício. Em , recebeu a denominação de Teatro Lírico Fluminense. Em 1865, foi indeferido pedido do engenheiro da Diretoria de Obras Municipais para a demolição do teatro. Foi finalmente demolido, em 1875, em vista de estar ameaçando ruir. Clicar para continuar DEMOLIDO

12 NEOCLÁSSICO O Neoclassicismo no Rio Não ficamos circunscritos, nessa época, ao influxo direto de Portugal e da Espanha. Anota-se que a nossa antiga metrópole evoluiria curiosamente na arquitetura oficial para a junção do neoclassicismo de origem inglesa, e com o de influência continental chegado tardiamente a Lisboa, inclusive com obras do francês Pedro Pézerat. Essa série de circunstâncias fornece uma rica pluralidade aos aspectos do neoclassicismo nesta cidade, e isso a partir da contribuição da Missão Artística Francesa. Rua do Sacramento (atual Av. Passos). Quadro atribuído a Victor Meireles. À direita, o edifício do Tesouro. À esquerda, a Igreja do Sacra- mento. Clicar para continuar Rua do Sacramento (atual Av. Passos). Desenho esquemático: Cau Barata. O elegante antigo Edifício do Tesouro foi levantado, pelo governo, na rua do Sacramento. Consta a fachada de um corpo central com três portas e duas janelas no pavimento inferior, e cinco janelas, com balaustres de mármore, nos dois últimos pavimentos. Frontão reto, com as armas imperiais no tímpano e estátuas de mármore sobre acrotérios. Os corpos laterais têm uma porta e seis janelas no primeiro pavimento e sete no segundo. O pavimento térreo é revestido de cantaria. Transformações: perda de destaque do corpo central com o acréscimo de um terceiro pavimento. Edifício do Tesouro – construído entre 1869 e DEMOLIDO

13 NEOCLÁSSICO O Neoclassicismo no Rio Essa Missão de 1816, com Grandjean de Montigny ( ), Debret ( ), os Taunay e, quase logo ao início, os irmãos Ferrez, tornou-se pois um fato importante na evolução estética do Brasil. Mais do que um simples episódio passageiro, a sua função foi assimilada, tornando-se duradoura, e nos deu as condições de uma nova inserção na dialética artística européia, desta vez no século XIX. Palacete Felipe Néri de Carvalho, no antigo Largo da Prainha, hoje Praça Mauá. O grande eixo que cruza a cidade até alcançar o Palacete representa a recém-aberta Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco. O Coronel Felipe Néri de Carvalho, vereador e negociante na praça do Rio de Janeiro, foi proprietário de uma das mais belas casas da cidade, em magnífica chácara, toda ajardinada, erguida no antigo largo da Prainha (Praça Mauá), canto da ladeira do João Homem, entre 1827, ano em que o então Capitão Néri morava na rua do Conde, e 1842, data do seu assassinato. À entrada, um vasto pátio no qual sobressaíam o mármore artisticamente cinzelado e genuínos azulejos. Pela ladeira de ingresso, corria bela balaustrada de cantaria e sobre a qual, simetricamente dispostos, estavam artísticos vasos de louça portuguesa. Esse e outros palacetes da velha São Sebastião guardavam, em linhas gerais, o aspecto nobre e o estilo arquitetônico portugueses do século XVIII, com as suas vidraças em guilhotina, os seus balcões em ferro, as bandeiras das portas e em outros arranjos das ornamentações. (Restier Gonçalves). A apalacetada residência colonial de Néri, tanto no seu exterior como interior, denotava o bom gosto do seu ilustre proprietário e morador. Quem a edificou pensou em solidez. O pavimento térreo abrigava armazéns e trapiches do Cel. Néri, abastado capitalista, negociante e político, que também era proprietário de uma bela chácara na Praia de Botafogo. Pouco depois do assassinato de seu proprietário, o Palacete Néri foi à praça pública, sendo arrematado, em 1844, pelo comendador Manuel Brito da Fonseca Teles, por dezesseis contos de réis. Nesse belo solar, funcionou, entre 1849 e 1867, a Academia de Marinha, posteriormente Escola de Marinha e depois Escola Naval, então números 1 e 2 da Rua da Saúde. Em meados de 1867, o palacete foi desocupado. Estando desocupado, com exceção do pavimento térreo onde permaneciam os estabelecimentos comerciais, submeteu-se o velho casarão a dois anos de grandes obras de reformas e recuperação, dando-lhe novas características arquitetônicas, originando-se, daí, alguns elementos do neoclassicismo, então dominantes na cidade. Edifício de três pavimentos: no primeiro pavimento, todo revestido de cantaria, abrem-se nove grandes portas em arco; o segundo e o terceiro estão divididos, em três partes, por pilastras de ordens superpostas: dórica no segundo e jônica no terceiro pavimento. O segundo pavimento é formado por portas com sacadas de grade de ferro e o terceiro, por janelas. Há frontões, triangulares e curvos, alternadamente, sobre as vergas dos vãos dos últimos pavimentos. No corpo central, sobre o entablamento, um frontão reto, ornado no tímpano, ladeado por ático (platibanda) - que oculta o telhado - com balaustrada, ornado de pináculos nos acrotérios. Finda a grande reforma, foram os dois andares superiores alugados, em princípio de 1870, por seis contos de réis, por ano, ao Dr. Alfredo Guimarães, que nele instalou um serviço médico-hospitalar, conhecido por Casa de Saúde do Dr. Alfredo Guimarães. Finalmente, em 1883, foi o palacete adquirido pelo Liceu Literário Português, que o reinaugurou, solenemente, na noite de , com a presença do Imperador D. Pedro II. Ali, permaneceu até Em 1929, o palacete foi alienado, demolido e erguido, em seu lugar, o primeiro dos autênticos arranha-céus Sul- americanos, o edifício do jornal A Noite de 22 andares. DEMOLIDO O neoclassicismo, no Brasil, ficou sendo a arte da nova nação, empenhada em consolidar as suas recentes instituições. A continuidade dos projetos e trabalhos nos grandes prédios oficiais ou na arquitetura residencial, que repercutiu em casos epigonais como o da ampliação do prédio do Instituto João Alves Afonso, comprova que não estamos ante uma moda epidérmica ou um filão seco de criação arquitetônica, mas em face de algo de sério, que deu ao Rio de Janeiro um quadro arquitetural, do qual, entre outros, sobrevivem alguns ilustres monumentos. Praça de Touros – projeto de Grandjean de Montigny Grandjean projetou, em 1818, a Praça do Curro, um grande estádio, de forma elítica, e erguido, no Campo de Santana, para as festas do natalício do Príncipe D. Pedro. Havia 296 camarotes, numerosas ordens de bancadas e um palacete para a família Real. A entrada era formada por um Arco de Triunfo, encimado por um grupo escultórico, representando o Carro do Sol. Em , iniciaram-se os festejos comemorativos do primeiro aniversário de D.Pedro, que compareceu, à Praça de Curro, com a Família Real, onde apreciaram os soberbos carros, as vistosas danças, e os valentes cavalheiros duelando com furiosos touros. Antes da tourada, houve desfile de carros alegóricos, entrando primeiro o Carro da América; em seguida, entrou o soberbo, e majestoso carro do Triumpho à Romana, que o Corpo do Comércio ofereceu: todo guarnecido de talha dourada; seguiu o terceiro carro, representando o Triunfo do Rio de Janeiro, que foi oferecido pelos oficiais de ourives de ouro e prata; veio o quarto carro, dos Marceneiros e outros oficiais análogos, considerado uma obra prima, concebida pelo engenheiro Domingos Monteiro, autor de pré- dios neoclássicos na Cidade do Rio de Janeiro. Finalmente, entrou o quinto e último carro alegórico, dedicado pelos Ofícios de Sapatei- ros e Alfaiates, conduzindo portu- gueses e Nymphas do Rio. E que comecem as touradas. Franz Fruhbek foi autor da gravura O Campo de Santana no Rio de Janeiro, na qual observa-se a Praça de Curro. Esse projeto, de Grandjean de Montigny, teve a direção do arquiteto Manuel da Costa e execução do mestre-de-obras José Felicano de Oliveira. DEMOLIDA

14 NEOCLÁSSICO Ação de Grandjean e de Debret As qualidades didáticas de Grandjean e de Debret deviam ser de primeira ordem, pela difusão que eles obtiveram do neoclassicismo de tipo francês, através de seus discípulos. O arquiteto era documentado e seguríssimo no conhecimento e no desenho profissionais. c c Palacete da Princesa Isabel - Laranjeiras Em terras adquiridas à família Araújo Roso, o comendador José Machado Coelho ( ) fez construir sua casa de residência, na rua da Guanabara (hoje Pinheiro Machado), em Laranjeiras. Em 1865, o Governo Imperial comprou a propriedade de Machado Coelho, para servir de residência à Princesa Isabel. Entre 1891 e 1908, serviu de sede ao Pombal Militar e ao Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional. Foi, pouco a pouco, desfigurado. Finalmente, em 1908, foi totalmente reformado pelo Prefeito Souza Aguiar, perdendo por completo suas características da arquitetura neoclássica, transformando-se num estranho prédio em estilo eclético. TOTALMENTE DESFIGURADO Iníco da desfiguração. Retirada do telhado e da escada de acesso. Do Neoclássico ao Eclético. De Paço da Princesa Isabel para Palácio Guanabara

15 Entre seus alunos citemos José Maria Jacinto Rebelo, Araújo Porto Alegre e Joaquim Cândido Guillobel; este ultimo era de formação lusa, mas desejou aperfeiçoar-se com o mestre da Missão. NEOCLÁSSICO ATENÇÃO: Este solar não é neoclássico. Estamos diante de um típico solar senhorial, das grandes famílias cariocas do período colonial. O que acontecerá com esse edifício mostra a influência que um estilo oficial exerce numa Cidade em constante transformação. Este magnífico solar, que vem do período dito colonial, situado na Praia de Botafogo, esquina com o antigo Caminho Novo de Botafogo (hoje rua Marquês de Abrantes), sofrerá todas as transformações ocorridas no curso de sua história. Justamente por ter sido uma Casa Real – permitam-me assim nomeá-la – sobreviverá por muitos anos à especulação imobiliária, mantendo-se de pé por quase cem anos, sem deixar de acompanhar, no entanto, as transformações estéticas de cada período em que sobreviveu. Seus diversos proprietários, homens influentes na Corte e na República, não poderiam deixar de acompanhar os sucessivos modismos que chegavam à Cidade do Rio de Janeiro, principalmente aqueles que tinham uma conotação oficial, como é o caso do neoclássico. Assim, foi colonial e neoclássico, terminando seus dias como eclético. O Rio de Janeiro não só viu surgir centenas de novos prédios, construídos ao gosto neoclássico, como foi testemunha de uma nova roupagem dada a cidade - belo manto neoclássico -, da zona Norte às zonas Sul e Oeste, transformando antigos palacetes, casas maiores e menores, na nova arquitetura neoclássica. Estamos apreciando o Solar da Rainha Carlota Joaquina. Imagem de 1816 Solar Carlota Joaquina - ainda não é neoclássico. Este magnífico solar pertenceu à Rainha Carlota Joaquina, edificado em terreno comprado por 200$ pelo marechal João Valentim de Faria Lobato, oficial-mór da Casa Imperial, para nele erguer o citado palacete e residência da Rainha. O palacete em O palacete herdado pelo Imperador D. Pedro I, após sua morte, em 1834, passou a seus herdeiros, conforme aparece atestado em A propriedade, entre os Caminhos Novo ( rua Marquês de Abrantes ) e Velho de Botafogo ( rua Senador Vergueiro ), foi avaliada em 40 contos, considerando apenas as casas contíguas, cocheira e algumas outras dependências. Os terrenos da chácara foram avaliados em 7 contos. Enseada de Botafogo e o solar em 1846 Tudo foi comprado da Família Imperial pelo Visconde de Abrantes, que aparece atestado, na residência, em 1842, onde residiu por alguns anos. Miguel Calmon du Pin e Almeida, então visconde de Abrantes (desde 1841), foi elevado ao t í tulo de Marquês de Abrantes em Nesse per í odo, efetuou reformas no antigo Solar da Carlota Joaquina, agora Palacete Marquês de Abrantes, acrescentando-lhe um segundo pavimento, antes de Ação de Grandjean e de Debret Clicar para continuar Palacete Marquês de Abrantes ( ex-Carlota Joaquina ), com o novo pavimento. Miguel Calmon du Pin e Almeida, Marquês de Abrantes, Ministro e Senador, faleceu a , no Rio de Janeiro. Entre 1854 (ano em que o Palacete Marquês de Abrantes, Ex-Solar Carlota Joaquina, aparece com o acréscimo do segundo pavimento) e 1865 (ano em que faleceu aquele titular), o velho Palacete aparece, finalmente, atingido pelo vírus do neoclássico que, avançando avassaladoramente sobre a estética da Cidade, transformou-o e adaptou-o a arquitetura oficial do período imperial. Clicar para continuar Praia de Botafogo e o palacete já neoclássico Em 1865, faleceu o Marquês de Abrantes, ficando a propriedade para a viúva Maria Carolina da Piedade Pereira Bahia ( ), que casou, em segundas núpcias, com Joaquim Antônio de Ara ú jo Silva, agraciado com os t í tulos de Barão do Catete (no Brasil), e Visconde de Silva (em Portugal). Praia de Botafogo e o palacete já neoclássico Palacete Visconde de Silva Com o falecimento da Marquesa, em 1880 – Paris -, a propriedade ficou em mãos de seu segundo marido, Visconde de Silva, que ali ainda residia em princ í pios do s é culo XX. O Visconde reformou todo o velho palacete que pertencera à Carlota Joaquina, aderindo à s novas ondas estil í sticas que, no alvorecer da Rep ú blica, insistiam em desfigurar o neocl á ssico que, tamb é m, desfigurara o colonial. Do Neoclássico ao Eclético Clicar para continuar O Visconde de Silva faleceu, no Rio de Janeiro, em Por é m, pouco antes de morrer, dividiu os terrenos de sua residência - antigo Solar da Carlota Joaquina e, depois, Palacete Marquês de Abrantes - em novas cinco propriedades, repassadas a Almeida & Irmão (80), Celso Bayma (82, 84), Joaquim Nunes T á ssara (86) e Manuel Fernandes de S á Antunes (88). Solar Carlota Joaquina - Palacete Marquês de Abrantes – Palacete Visconde de Silva Interiores DEMOLIDO

16 NEOCLÁSSICO Ação de Grandjean e de Debret Largo do Machado em O casario, à esquerda, no princípio da rua das Laranjeiras, fica localizado em terras que também pertenceram à Rainha Carlota Joaquina. Vemos a antiga capelinha da rainha. Outros arquitetos neoclássicos, que não eram discípulos de Grandjean, também trabalharam no Rio de Janeiro. Entre eles, José Domingos Monteiro, que era oficial de engenheiro de origem portuguesa, nascido no Porto, e a quem se deve a conformação do primeiro bloco da nova Santa Casa da Misericórdia, inaugurada em Com a retirada da Corte para Portugal, em 1821, a Família Real desfez-se de alguns dos seus bens no Rio de Janeiro. Os terrenos do Largo do Machado foram adquiridos por cinco compradores, dentre eles Antonio José de Castro, que, em 1835, adquiriu terras equivalentes a oito lotes com a capela da rainha. Alugava estas propriedades desde Outra imagem do casario do Largo do Machado em 1823, na qual também aparece a capelinha da Rainha. Capela privada da residência de Antonio José de Castro, construída, em 1720, no Largo do Machado. Foi reconstruída, em 1818, pela Rainha Carlota Joaquina, na rua das Laranjeiras n. º 9. Em 4 de abril de 1835, foi comprada pela quantia de 5:187$686, incluindo despesas de transmissão de propriedade. A Capela da Rainha Carlota Joaquina, no Largo do Machado, em Antonio José de Castro, nascido cerca de 1797, faleceu por volta de 1850, quando estas terras aparecem atestadas em nome da viúva, Leonarda Angélica, e da filha Guilhermina Angélica de Castro. O lote da antiga Capela, que recebeu o número E, foi vendido, em leilão, por dois contos de réis, ao Comendador José Batista Martins de Souza Castelões, onde ergueu sua bela residência neoclássica. A simplicidade do primeiro pavimento sugere uma adaptação neoclássica ao edifício, e não uma construção neoclássica. José Batista Martins de Souza, que acrescentou Castelões ao seu nome, por ser natural de São João Batista de Castelões, Braga-Portugal, faleceu, em 1878, no Rio de Janeiro. Era bisavô do famoso Tristão de Atayde (Alceu Amoroso Lima). A propriedade foi vendida para a família Carmo. O palacete do Largo do Machado - cerca de Na entrada, há um mastro com a bandeira italiana. Mais adiante, a capela da Rainha Carlota Joaquina. DEMOLIDO Nem mesmo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), criado em 1937, salvou este palacete, demolido cerca de Outros exemplos foram os franceses Pedro José Pézerat e Carlos Rivière. O primeiro trabalhou na década de 20 para D. Pedro I. Fez, como sustenta Debret, a primeira fachada e o complemento da Escola Militar, depois Politécnica e de Engenharia, no Largo de São Francisco. A Pézerat é atribuiída a reforma e complemento da casa onde iria residir a Marquesa de Santos, e ele fez o pavilhão definidor de forma definitiva do Palácio Imperial da Quinta e projetos para o palácio de Santa Cruz, estes não ultimados. Este Solar ainda não é neoclássico. Este palacete, do chamado estilo colonial, serviu de residência ao Conde da Barca que chegou ao Rio de Janeiro acompanhando a Família Real em Localizado na rua do Passeio, aquele titular adquiriu-o, em 1811, do espólio de Maria Francisca Braga. Foi o maior responsável pela vinda da Missão Francesa, à qual se deve a implantação oficial do neoclassicismo em Enquanto isso, seu solar ainda permanece com características do período anterior. Uma das raras fotografias em que a Casa do Conde da Barca ainda aparece com as características dos velhos sobrados coloniais. Enquanto viveu nessa casa, não houve tempo de torná-la neoclássica, morrendo nela, sem a oportunidade de ver a implantação dominante do novo estilo na cidade imperial. Na verdade, esta fotografia, de 1862, mostra três grandes construções na Rua do Passeio, uma delas já citada neste estudo: 1. Antiga Biblioteca Nacional, onde hoje está o prédio da Escola de Música; 2. Cassino Fluminense, prédio que ainda existe, onde funcionou por muitos anos o Automóvel Clube; e 3. o Solar do Conde da Barca. Solar Conde da Barca – rua do Passeio. No ano seguinte à aquisição – , já havia lojas no andar térreo e um Laboratório Químico no quintal. Ainda no andar térreo, instalou o maquinario tipográfico que trouxe de Lisboa, origem da Impressão Régia no Brasil. Antonio de Araújo de Souza de Azevedo, Conde da Barca, faleceu, a , em sua residência, na rua do Passeio. Entre seus bens, figurava essa casa, cujos terrenos avançavam até a rua dos Barbonos (hoje rua Evaristo da Veiga). Após sua morte, o governo adquiriu, em leilão, o imóvel, onde foi instalado, em 1821, no pavimento superior, a Secretaria dos Negócios da Justiça, aí permanecendo até Ainda no século XIX, funcionou neste solar a Academia Nacional de Medicina, o Pedagogium e a Academia Brasileira de Letras. Entre 1852 e 1897, o prédio foi todo reformado, ao gosto do neoclassicismo tardio, meio que avançando para o eclético. Colocou-se um ático ( platibanda ), escondendo o telhado. Clicar para continuar

17 Carlos Rivière, que trabalhou na Diretoria de Obras Públicas da Província do Rio de Janeiro e foi autor da Matriz de Niterói, fez, no Rio de Janeiro, com o engenheiro Julio Koeler, o projeto da igreja Matriz de N.S. da Glória, no atual Largo do Machado, cuja fachada tem colunas à antiga com frontão, e cuja torre central fez Germain Bazin pensar na igreja St. Martin de Londres. NEOCLÁSSICO Hospital de Bom Jesus do Calvário O hospital foi erguido por decisão da mesa da Venerável Ordem Terceira do Senhor Bom Jesus do Calvário e Via Sacra, reunida em O hospital quatro faces: a principal voltada para a extinta rua do General Camara, a outra, mais extensa, voltada para a extinta travessa do Bom Jesus, a terceira, para a extinta rua de São Pedro, e a última, voltada para a rua da Uruguaiana Hospital da Ordem 3.ª do Senhor Bom Jesus do Calvário e Via Sacra Cercado de gradil e ladrilhado de mosaico de mármore, o átrio é separado da igreja por uma grade de ferro. Clicar para continuar Não sendo o templo paralelo à rua, para dar-se ao hospital a mesma direção, tornou-se o átrio mais largo do lado da travessa do Bom Jesus. Ladrilhou-se o átrio, de mámore, de 1861 a A frontaria é dividida em três corpos. No corpo central há três portas de arcada no primeiro pavimento, há três janelas, com uma grade de ferro corrida, no segundo pavimento, lendo-se, sobre a janela central, a data No friso do entablamento há o dístico, com letras douradas, Hospital da Ordem 3.ª do Senhor Bom Jesus do Calvário e Via Sacra. Hospital da Ordem 3.ª do Senhor Bom Jesus do Calvário e Via Sacra 1847 Coroa o corpo um frontão curvo, ornando o tímpano os emblemas da ordem. Hospital da Ordem 3.ª do Senhor Bom Jesus do Calvário e Via Sacra Os corpos laterais têm uma janela de peitoril no primeiro pavimento, uma de sacada no segundo, o entablamento e acrotérios sustentando duas estátuas. Um ático oculta todo o telhado do edifício, que foi construído pelos artistas Inácio Ferreira Pinto e Severiano Francisco Xavier (contra- mestre), que trabalhou, também, na reedificação da Igreja de Bom Jesus do Calvário ao lado do hospital. DEMOLIDO Atropelado pela abertura da Avenida Presidente Vargas em

18 O que sobrevive do neoclassicismo no Rio de Janeiro é em grande parte obra de discípulos de Grandjean, na arquitetura; de Debret, na pintura e dos Ferrez, na escultura e na medalhística. NEOCLÁSSICO Ação de Grandjean e de Debret Pensão Faro – Praça José de Alencar Erguida em terras da grande chácara de André Nogueira Machado, um dos mais antigos proprietários que se tem notícia desse terreno, então com cem braças de testada para o largo do Catete ( hoje praça José de Alencar ) e duzentas de fundos, no século XVIII. André vendeu a propriedade, em 1778, para Manuel Ribeiro Guimarães. Foi herdada, em 1813, por Teresa do Nascimento, viúva de Guimarães, que a repassou, em 1815, para seu filho, o sargento-mór Manuel Antonio Ribeiro, falecido em Postal da Coleção Dom Beto (Luiz Alberto da Costa Fernandes ) A propriedade ficou em mãos da viúva Maria Amália de Bulhões Ribeiro, falecida em Seu filho Francisco Manuel de Bulhões Ribeiro, herdeiro, ainda detinha essa propriedade, em 1873, então número 4. Nessa época, a Chácara Bulhões Ribeiro reduzia-se a trinta braças de frente, para o largo do Catete, e poucos fundos, porque a maior porção foi vendida a Manuel Guedes Pinto, ainda no tempo de Teresa do Nascimento. Entre 1873 e 1876, a porção restante da antiga chácara 4, agora com o novo número 5, foi vendida ao negociante e capitalista Luiz Antonio Martins, Cavaleiro da Real Ordem Italiana de S. Maurício e S. Lázaro. A propriedade foi dividida em dois lotes, numerados 5 e 5 A, e vendida a José Salgado Zenha, que também adquiriu os números 3 A e 3B. Salgado Zenha, proprietário de casa de comissões, residia em Lisboa em PENSÃO FARO No lote 5, a Pensão Faro ficava numa casa, erguida provavelmente na década de 80 do século XIX, num estilo que, saudosamente, resgatava a arquitetura neoclássica. Em 1925, a propriedade tinha o número 8 e pertencia ao Dr. Benjamim Emiliano Corrêa do Lago, também proprietário de farmácia na esquina da Rua Marquês de Abrantes. Benjamin, falecido em 1943, era tio-avô do bibliófilo e editor Pedro Aranha Corrêa do Lago. O prédio ainda existia em DEMOLIDO Fim do texto ( em itálico ) do Prof. Mário Barata ( ).

19 Dórica Jônica NOTA Quando comecei a preparar este slideshow, minha intenção era apresentar imagens dos belos edifícios remanescentes do neoclássico carioca, tais como: o Palácio Itamarati, a Casa da Moeda (Arquivo Nacional), a Santa Casa de Misericórdia, entre outros. No entanto, à medida que a idéia foi-se desenvolvendo, resolvi reler alguns antigos trabalhos sobre a arquitetura carioca, principalmente a do período imperial, quando houve domínio pleno do neoclassicismo. Foi nesse momento que deparei com algumas críticas sobre o descaso com nossa história e a consequente demolição de muitos dos nossos antigos prédios neoclássicos. Percebi, então, que nenhum dos artigos apontava esses prédios e, logo, perguntei-me: - o que se derrubou de neoclássico? Palácio Itamarati Casa da Moeda Santa Casa da Misericórdia * sobreviventes * Não podiam ser poucos os prédios, já que o neoclássico é considerado um estilo oficial, estabelecido no Brasil, sobretudo no Rio de Janeiro - a Corte no período Imperial. Lembro-me, no tempo da Faculdade de Arquitetura (FAU-UFRJ), dos diversos trabalhos que elaboramos sobre o barroco mineiro, sobre o art- nouveau em Belém do Pará, sobre as mansões da Avenida Paulista e sobre o neoclássico no Rio de Janeiro. Partíamos para o campo, a fim de estudar e conhecer melhor a obra dos antigos artistas, lamentando o que não mais existia, sem nos darmos conta da necessidade da elaboraração de um catálogo da obra perdida: talvez até já exista. Quem sabe, nos arquivos do Patrimônio Histórico? Solar Grandjean (PUC) Casa França-Brasil Solar dos Abacaxis * A resistência * Assim, logo no princípio da elaboração deste slideshow, optei pela mudança da proposta inicial, e resolvi coletar as poucas imagens que restam dos prédios perdidos, apelando para uma abordagem mais dramática no uso dos negativos. Muitas outras imagens consegui coletar, no entanto, pelo tamanho do arquivo (4,2 MB), e pelo uso excessivo, porém necessário, dos desenhos esquemáticos da arquitetura de alguns edifícios, achei que estava na hora de terminar. Fica para uma terceira parte a continuação deste catálogo virtual, já que pretendo, na segunda parte, apresentar um novo slideshow com as obras neoclássicas ainda existentes no Rio de Janeiro, entre elas as nove que foram estampadas no decorrer desta nota final. (Cau Barata) Automóvel Clube (antigo) Casa de Rui Barbosa Escola Politécnica (IFICS) O primeiro prédio, no Passeio Público, agoniza, e continua batalhando pela sobrevivência.

20 ARQUITETURA NEOCLÁSSICA Rio de Janeiro Uma homenagem ao ano da França no Brasil que se festeja em Pesquisa de imagens, desenhos, formatação e complemento de texto: Cau Barata – Agradecimentos ao amigo: cel. Carlos Alberto Paiva. Texto básico, em itálico, do Prof. Mário Barata ( ). Dedicado aos apaixonados pela história do Rio de Janeiro e aos estudantes de arquitetura. FIM DA PRIMEIRA PARTE Série Arquitetura no Rio de Janeiro - I


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