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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE ( 31/10/1902 * 17/08/1987 ) CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE ( 31/10/1902 * 17/08/1987 ) MINI ANTOLOGIA POÉTICA.

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2 CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE ( 31/10/1902 * 17/08/1987 ) CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE ( 31/10/1902 * 17/08/1987 ) MINI ANTOLOGIA POÉTICA

3 CANTO DO RIO EM SOL Acompanhamento Hélvius Villela (na voz de Drummond)

4 Canto do Rio em Sol

5 I Guanabara, seio, braço de a-mar: em teu nome, a sigla rara dos tempos do verbo mar. Os que te amamos sentimos e não sabemos cantar: o que é sombra do Silvestre sol da Urca dengue flamingo mitos da Tijuca de Alencar. Guanabara, saia clara estufando em redondel: que é carne, que é terra e alísio em teu crisol? Nunca vi terra tão gente nem gente tão florival. Teu frêmito é teu encanto (sem decreto) capital. Agora, que te fitamos nos olhos, e que neles pressentimos o ser telúrico, essencial, agora sim és Estado de graça, condado real. I Guanabara, seio, braço de a-mar: em teu nome, a sigla rara dos tempos do verbo mar. Os que te amamos sentimos e não sabemos cantar: o que é sombra do Silvestre sol da Urca dengue flamingo mitos da Tijuca de Alencar. Guanabara, saia clara estufando em redondel: que é carne, que é terra e alísio em teu crisol? Nunca vi terra tão gente nem gente tão florival. Teu frêmito é teu encanto (sem decreto) capital. Agora, que te fitamos nos olhos, e que neles pressentimos o ser telúrico, essencial, agora sim és Estado de graça, condado real.

6 II Rio, nome sussurrante, Rio que te vais passando a mar de estórias e sonhos e em teu constante janeiro corres pela nossa vida como sangue, como seiva - não são imagens exangues como perfume na fronha... como pupila do gato risca o topázio no escuro. Rio-tato- -vista-gosto-risco-vertigem Rio-antúrio Rio das quatro lagoas de quatro túneis irmãos Rio em ã Maracanã Sacopenapã Rio em ol em amba em umba sobretudo em inho de amorzinho benzinho dá-se um jeitinho do saxofone de Pixinguinha chamando pela Velha Guarda como quem do alto do Morro Cara de Cão chama pelos tamoios errantes em suas pirogas Rio, milhão de coisas luminosardentissuavimariposas: como te explicar à luz da Constituição? II Rio, nome sussurrante, Rio que te vais passando a mar de estórias e sonhos e em teu constante janeiro corres pela nossa vida como sangue, como seiva - não são imagens exangues como perfume na fronha... como pupila do gato risca o topázio no escuro. Rio-tato- -vista-gosto-risco-vertigem Rio-antúrio Rio das quatro lagoas de quatro túneis irmãos Rio em ã Maracanã Sacopenapã Rio em ol em amba em umba sobretudo em inho de amorzinho benzinho dá-se um jeitinho do saxofone de Pixinguinha chamando pela Velha Guarda como quem do alto do Morro Cara de Cão chama pelos tamoios errantes em suas pirogas Rio, milhão de coisas luminosardentissuavimariposas: como te explicar à luz da Constituição?

7 III Irajá Pavuna Ilha do Gato - emudeceram as aldeias gentílicas? A Festa das Canoas dispersou-se? Junto ao Paço já não se ouve o sino de São José pastoreando os fiéis da várzea? Soou o toque do Aragão sobre a cidade? Não não não não não não não Rio, mágico, dás uma cabriola, teu desenho no ar é nítido como os primeiros grafismos, teu acordar, um feixe de zínias na correnteza esperta do tempo o tempo que humaniza e jovializa as cidades. Rio novo a cada menino que nasce a cada casamento a cada namorado que te descobre enquanto rio-rindo. assistes ao pobre fluir dos homens e de suas glórias pré-fabricadas. III Irajá Pavuna Ilha do Gato - emudeceram as aldeias gentílicas? A Festa das Canoas dispersou-se? Junto ao Paço já não se ouve o sino de São José pastoreando os fiéis da várzea? Soou o toque do Aragão sobre a cidade? Não não não não não não não Rio, mágico, dás uma cabriola, teu desenho no ar é nítido como os primeiros grafismos, teu acordar, um feixe de zínias na correnteza esperta do tempo o tempo que humaniza e jovializa as cidades. Rio novo a cada menino que nasce a cada casamento a cada namorado que te descobre enquanto rio-rindo. assistes ao pobre fluir dos homens e de suas glórias pré-fabricadas.

8 III Irajá Pavuna Ilha do Gato - emudeceram as aldeias gentílicas? A Festa das Canoas dispersou-se? Junto ao Paço já não se ouve o sino de São José pastoreando os fiéis da várzea? Soou o toque do Aragão sobre a cidade? Não não não não não não não Rio, mágico, dás uma cabriola, teu desenho no ar é nítido como os primeiros grafismos, teu acordar, um feixe de zínias na correnteza esperta do tempo o tempo que humaniza e jovializa as cidades. Rio novo a cada menino que nasce a cada casamento a cada namorado que te descobre enquanto rio-rindo. assistes ao pobre fluir dos homens e de suas glórias pré-fabricadas. III Irajá Pavuna Ilha do Gato - emudeceram as aldeias gentílicas? A Festa das Canoas dispersou-se? Junto ao Paço já não se ouve o sino de São José pastoreando os fiéis da várzea? Soou o toque do Aragão sobre a cidade? Não não não não não não não Rio, mágico, dás uma cabriola, teu desenho no ar é nítido como os primeiros grafismos, teu acordar, um feixe de zínias na correnteza esperta do tempo o tempo que humaniza e jovializa as cidades. Rio novo a cada menino que nasce a cada casamento a cada namorado que te descobre enquanto rio-rindo. assistes ao pobre fluir dos homens e de suas glórias pré-fabricadas. Formatação: RE

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