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Roteiro das aulas Minha relação com a área de História. Evolução do Ser Humano. Quando e como os humanos chegaram à América. Parque Nacional Serra da Capivara.

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1 Roteiro das aulas Minha relação com a área de História. Evolução do Ser Humano. Quando e como os humanos chegaram à América. Parque Nacional Serra da Capivara – Piauí. Lagoa Santa – Minas Gerais. Pintura Rupestres. Educação Patrimonial. Objetivos Revisar: Arqueologia Brasileira. Aprofundar: Parque Nacional Serra da Capivara. Construir: Questões para o trabalho de campo.

2 Eduardo Galeano Diego não conhecia o mar. O pai, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Me ajuda a olhar! Texto extraído do "Livro dos Abraços", de Eduardo Galeano.

3 BRASIL PRÉ COLONIAL PRÉ-HISTÓRIA DO BRASIL PERÍODO PALEOÍNDIO ORIGENS DAS SOCIEDADES INDÍGENAS

4 “ O teatro é a primeira invenção humana e é aquela que possibilita e promove todas as outras invenções e todas as outras descobertas. O teatro nasce quando o ser humano descobre que pode observar-se a si mesmo: ver-se em ação. Descobre que pode ver-se no ato de ver – ver-se em situação”.

5 Augusto Boal “Ao ver-se, percebe o que é, descobre o que não é, e imagina o que pode vir a ser”. “Cria-se uma tríade: EU observador, EU em situação, e o Não EU, isto é, o OUTRO”.

6 Reflexões sobre a nossa identidade Da escravidão à exclusão social

7 Como modificar a nossa realidade? História: formação da cidadania.

8 Eric Hobsbawm Não sabemos para onde estamos indo. Só sabemos que a História nos trouxe até este ponto (...). Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar. Era dos Extremos, Editora Companhia das Letras.

9 HISTÓRIA E ARQUEOLOGIA Quando você prestou vestibular para a História, houve certa estranheza ou pressão familiar? Do ponto de vista familiar, foi uma crise. Eles tomaram aquilo como um ato de rebeldia, significava que eu estava abandonando os valores da família. E que, portanto, eu tinha optado por me tornar inaceitável. Foi ruim, péssimo. Foi um momento doloroso. Sentia- me imensamente solitário e rejeitado. (...) Qual é a importância do trabalho do historiador? Mais do que nunca é preciso ter claro pontos de referência no tempo e no espaço, por que eles em certo sentido estão se dissolvendo, assim como manter uma lucidez capaz de, simultaneamente, compreender a gênese e a importância decisiva do quadro de experiências e ideias que consolidaram o vínculo entre a cultura e a democracia. Nesse sentido, a função que os historiadores cumprem em manter vivo esse debate, exercendo a sua vocação crítica, preservando o vínculo entre as gerações e zelando pela coesão social através da interlocução entre as diferenças, é estratégica e crucial como instrumento de construção inteligente de futuro. Conversas com Historiadores, Editora 34. Nicolau Sevcenko

10 ARQUEOLOGIA BRASILEIRA TRABALHO DE CAMPO CONSTITUIÇÃO DE NOSSA IDENTIDADE

11 Niède Guidon Exposição ANTES - Histórias da Pré-História, CCBB. “Nossa História não começou há 500 anos...Nossa História começou muito antes. Os povos que aqui viveram tinham um apurado senso estético e desenvolveram tecnologias que permitiram sua sobrevivência por dezenas de milhares de anos”. Marcello Dantas

12 Norberto Luiz Guarinello Portanto as interpretações da História são sempre produtoras de memória, de lembrança ou esquecimento, são instrumentos de identidade, de legitimidade e de poder, reflexos da subjetividade, intenção e seleção de fontes históricas do historiador que a produziu. A História, deste modo, nunca se debruçou sobre a história humana como um todo, mas sobre histórias particulares, HISTÓRIAS DE ALGO. Sempre estudou histórias específicas inseridas dentro de unidades de sentido (os ALGOS) que conferiam coerência a um corpo de documentos e a uma narrativa, descrição, explicação ou interpretação. Doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), é professor de História Antiga do Departamento de História da mesma instituição. História da Cidadania, Editora Contexto.

13 Qual a importância de estudarmos a ocupação do Brasil Pré-Colonial nos dias atuais? Os povos indígenas e seu legado para a nossa sociedade, que pode assumir diversas formas, seja na formação étnica da população brasileira, seja nos produtos agrícolas que deles herdamos, seja nos nomes de lugares e pessoas (memória). As sociedades indígenas têm uma história a contar, de mudanças de choques. Desde a experiência da adaptação cultural e tecnológica relativamente bem sucedida ao meio ambiente tropical, que inclui a domesticação das plantas importantíssimas em nossa economia atual; passando para os trágicos eventos que reduziram sociedades florescentes a poucas populações em franco processo de mudanças. MAE/USP

14 À PROCURA DE NOSSA ORIGEM

15 PRINCIPAIS SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS CENÁRIO MUNDIAL

16 PRINCIPAIS SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS DAS AMÉRICAS

17 A Origem das Espécies Este homem está dizendo que ele é meu parente!!! Charge do final do séc. XIX critica a Teoria da Evolução. Charles Darwin foi um dos pensadores mais importantes da história da humanidade. Hoje, sua Teoria da Evolução das Espécies é amplamente aceita pelos cientistas. Ela tem sido comprovada e aperfeiçoada por inúmeras pesquisas.

18 Charges do final do séc. XIX

19 Quais são as nossas exclusividades anatômicas?

20 EVOLUÇÃO DO SER HUMANO

21 SAPIENS

22 EVOLUÇÃO DO SER HUMANO

23 O POVOAMENTO DA AMÉRICA “Nossa espécie é na verdade, o resultado final de uma longa evolução” “O Brasil é uma criação recente. Antes da chegada dos europeus, há mais de quinhentos anos, essas terras imensas que formam nosso país tiveram sua própria história, construída ao longo de muitos séculos. Uma história que a arqueologia começou a desvendar apenas nos últimos anos”. Guarinello Os Primeiros Habitantes do Brasil, Guarinello

24 À PROCURA DE NOSSA ORIGEM

25 “O Brasil foi habitado por muitos povos e culturas diferentes, antes da chegada dos europeus” Guarinello

26 Quando e como os humanos chegam à América? Sabe-se que o homem é o único animal terrestre que conseguiu dispersar-se por todo o mundo. Sua presença é antiga em todos os continentes (...). O pressuposto de que o homem teria vindo para a América unicamente a pé, atravessando a Beríngia atrás dos rebanhos de animais que migravam, não faz justiça à capacidade intelectual humana, reduzindo o homem americano a um descendente de uma animal não mais capaz que os camelos, mastodontes e bisões que migravam para a América. Niède Guidon

27 MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS

28 MAPAS POVOAMENTO DAS AMÉRICAS

29 Ocupações Pré-Históricas do Brasil Falta de um contexto histórico. Falta de um contexto histórico. Falta uma real formação sistemática. Falta uma real formação sistemática. As primeiras classificações feitas sobre a cultura material são estudadas de maneira fragmentada – cerâmica, lítico, registros rupestres. As primeiras classificações feitas sobre a cultura material são estudadas de maneira fragmentada – cerâmica, lítico, registros rupestres.

30 Datações Recentes Piauí – 50 mil – indústria lítica ao lado de fogueiras. Abrigos – Pinturas Rupestres. Estratigrafia – Niéde Guidon. Piauí – 50 mil – indústria lítica ao lado de fogueiras. Abrigos – Pinturas Rupestres. Estratigrafia – Niéde Guidon. Minas Gerais – 25 mil – lascas e raspadores – Luzia anos – Walter Neves. Minas Gerais – 25 mil – lascas e raspadores – Luzia anos – Walter Neves. Bahia – 500 mil - ossos de animais que teriam marcas feitas pelo ser humano – Maria Beltrão. Bahia – 500 mil - ossos de animais que teriam marcas feitas pelo ser humano – Maria Beltrão. São Paulo/Rio Claro – 14 mil – indústria lítica. São Paulo/Rio Claro – 14 mil – indústria lítica. Góias – Morro Furado – 40 mil – indústria lítica e gravuras rupestres. Pedro Schmitz. Góias – Morro Furado – 40 mil – indústria lítica e gravuras rupestres. Pedro Schmitz.

31 A arqueóloga Maria Conceição Beltrão investigou sítios na Bahia e propôs que ali houvesse vestígios de um antepassado humano, o Homo Erectus, entre 500 mil e 1 milhão de anos. Teriam chegado à América do Sul por uma ponte de gelo, que possivelmente ligava à África Meridional à Patagônia. Ossos fossilizados de animais da megafauna que teriam marcas feitas pelo ser humano.

32 PESQUISAS ARQUEOLÓGICAS RECENTES Clóvis : armas de anos Na década de 1930, arqueólogos descobriram pontas de flechas feitas de pedra lascada nas proximidades de Clóvis, no estado do Novo México, nos Estados Unidos. Ao lado das pontas de flechas, foram encontrados ossos de mamutes. As armas encontradas no sítio de Clóvis foram, durante muitos anos, os objetos mais antigos produzidos por humanos na América. Esse foi um dos motivos que levaram os pesquisadores a concluir que a ocupação da América começou pelo norte do continente. Mas a descoberta de objetos mais antigos, ao sul do continente americano, pôs em dúvida essa explicação.

33 MONTE VERDE Monte Verde : casas de anos Em Monte Verde, no Chile, foram descobertos centenas de artefatos de pedra e restos de alimentos mais antigos que as lascas de pedra encontradas em Clóvis. Além das ferramentas de pedra, o sítio de Monte Verde reúne um vasto tesouro da arqueologia americana. Lá foram encontradas fundações de casa em madeira, plantas comestíveis, como batatas selvagens, nozes e cogumelos, ossos de animais, além de diferentes espécies de plantas medicinais. Essas descobertas levaram a novas hipóteses: O povoamento da América do Sul pode ter sido anterior ao da América do Norte. Os povoadores da América entraram no continente por vários caminhos, não só pelo estreito de Bering

34 “Em síntese pode-se admitir que, penetrando no país por uma via ainda desconhecida, grupos humanos chegaram até o sudeste do Piauí há cerca de 60 mil anos”. “Não se pratica uma arqueologia de área, essencial para que se possa oferecer uma reconstituição coerente da evolução dos povos pré-históricos e sua dispersão”. Niède Guidon

35 O Parque Nacional Serra da Capivara foi criado em 1979 e, em 1991, declarado patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO. Localizado no Sudeste do estado do Piauí, em região semi-árida, ele cobre a área dos municípios de São Raimundo Nonato, Brejo do Piauí, Coronel José Dias e João Costa. A área total do parque se estende por 130 mil hectares dos quais apenas 20% estão abertos à visitação pública. Sítios pré-históricos, 535 ao todo, guardam mais de 30 mil pinturas e gravuras rupestres, retratos do cotidiano do homem pré-histórico que viveu em terras brasileiras. Alojadas nas paredes dos abrigos e reentrâncias escavadas pela ação do intemperismo, as pinturas, na sua maioria avermelhadas, espalham-se nos paredões de rochas sedimentares, como na já conhecida Toca do Boqueirão da Pedra Furada. As gravuras, por sua vez, adornam frequentemente a superfície de blocos rochosos isolados próximos às fontes de água estocada das chuvas. PARQUE NACIONAL SERRA DA CAPIVARA

36 O relevo do local é formado por chapadas, desfiladeiros e serras; o clima é semi-árido e a vegetação de pequeno porte é típica da caatinga. Também pequeno é o porte dos animais daquela fauna: gaviões, tamanduás, jaguatiricas, gatos-do- mato, lagartos, onças-pintadas, cobras e tatus. Em épocas pré-históricas, as condições ambientais eram bem diferentes da atual. Até 12 mil anos antes do presente, o clima era tropical úmido, responsável pela vegetação abundante, que serviu de fonte de alimentação para inúmeras espécies de animais de grande porte, na sua maioria herbívora: preguiça gigante, tigre-dente-de-sabre, mastodonte e tatu gigante. Nas pinturas, é possível reconhecer as representações de capivaras, veados galheiros, caranguejos, jacarés e certas espécies de peixes, fonte de alimentação humana, bem como de inúmeras outras espécies hoje inexistentes ou extintas naquela região.

37 Seria mais fácil criar uma tecnologia para o frio do que uma para navegar? Além do mais, em épocas de mar baixo, nos períodos de glaciações, os rosários de ilhas que existem no pacífico deviam ser mais extensos, o que facilitaria a navegação de grupos que avançariam colonizando ilha por ilha. Pequenas embarcações para navegação costeira poderiam, por causas naturais como tufões e tempestades, se desgarrar e acabar chegando a uma ilha. O grupo povoaria a ilha e aí viveria durante séculos ou milênios, até que um novo acidente o levasse um pouco adiante. Poderíamos imaginar grupos dissidentes que migraram ou também movimentos messiânicos. Pode–se propor atualmente que os primeiros grupos chegaram até o continente americano há, pelos menos, 60 mil anos. Rosário: grande quantidade; seqüência ininterrupta; enfiada, série, sucessão Messiânicos: relativo a um messias ou a movimento ideológico que prega a missão de que estaria investido um homem (ou grupo de homens) na salvação da humanidade. Niède Guidon

38 NIÈDE GUIDON PARQUE NACIONAL SERRA DA CAPIVARA “Existem vários tipos de documentos históricos: os escritos, os visuais, os orais, os sonoros e a cultura material. Os brinquedos, as ferramentas, as roupas, os móveis, os utensílios domésticos, os monumentos arquitetônicos, são documentos que nos fornecem informações sobre o modo de vida dos homens, são esses objetos que os historiadores chamam de cultura material. Estudar uma cultura a partir de seus objetos não é, portanto, uma tarefa simples. Mas há outras dificuldades. Em primeiro lugar, os antigos habitantes do Brasil possuíam uma tecnologia simples, embora eficiente. Muitos deles eram nômades, deslocando-se continuamente durante o ano. Por isso, possuíam poucos vestígios de si nos sítios que ocuparam”. Guarinello

39 Niède Guidon Arqueóloga paulista. Descobridora de vestígios humanos que atestam a ocupação da América do Sul em período muito anterior ao que afirmava a comunidade científica. Niède Guidon (12/3/1933-) nasce em Jaú, a segunda de cinco irmãos. Presta o vestibular para medicina, mas decide ingressar no curso de história natural da Universidade de São Paulo (USP), onde se especializa em zoologia. Começa a carreira em 1959 como professora do nível secundário. Transfere-se para a seção de arqueologia do Museu Paulista e, em 1960, vai para Paris, onde obtém o certificado de Pré-História da Sorbonne.

40 Em 1966, é contratada como pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), em Paris. Obtém o título de doutora e de livre-docente em Arqueologia também pela Sorbonne. Em 1981, descobre em São Raimundo Nonato (PI) artefatos de pedra lascada que atestam a presença de culturas pré- colombianas há 25 mil anos. Em 1988, anuncia o achado de pedaços de carvão oriundos de uma fogueira, datados de 48 mil anos. Suas descobertas levantam polêmica na comunidade científica. Até então, admitia-se que o homem só teria chegado à América do Sul cerca de 12 mil anos atrás. Condecorada com o título de Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito, do governo francês, aposenta-se em 1998 como mestre de conferências da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. Dirige a Fundação Museu do Homem Americano, em São Raimundo Nonato, e o Parque Nacional da Serra da Capivara, unidade de conservação incluída na lista do patrimônio histórico mundial pela UNESCO. Em fevereiro de 2000, anuncia a descoberta dos restos humanos mais antigos das Américas - dentes datados de 15 mil anos e um pedaço de crânio. Em 2002 divulga o projeto de construção de um parque temático em São Raimundo Notato, onde os turistas vivenciarão situações da pré-história.

41 PUBLICAÇÃO: em 1992 uma notícia fez tremer a comunidade científica brasileira. Escavações realizadas pela arqueóloga Niède Guidon no sítio Boqueirão da Pedra Furada, no Piauí, revelaram a data mais antiga até então alcançada pela arqueologia nacional: anos.

42 Uma análise detalhada dos artefatos, achados no sítio do Boqueirão Pedra Furada, no Parque Nacional da Serra da Capivara, foi apresentada durante o Simpósio Internacional "O Povoamento das Américas". O trabalho foi feito por Emílio Fogaça, da Universidade Católica de Goiás, e Eric Boeda, da Universidade de Paris. Os dois são especialistas na tecnologia da Idade da Pedra. "Só dá para explicar as características desse material com base numa ação intencional. São instrumentos já finalizados, com gumes bem preparados", disse Fogaça.

43 Para eles, não há razões para duvidar da associação das ferramentas com o carvão antigo. "Todas elas foram achadas dentro de estruturas de fogueira, ou nas proximidades delas, claramente de origem humana. Além disso, se fossem objetos mais recentes, teríamos indicações disso na estratigrafia [a sucessão de camadas do sítio arqueológico]. Mas ela é perfeita, não se vê perturbação."

44 Niède Guidon, responsável pelo projeto de pesquisa Origem e Evolução Migratória dos Primeiros Grupos Humanos no Sudeste do Piauí, desenvolvido pela FUMDHAM (Fundação Museu do Homem Americano) desde 2005, disse que foi achada uma mandíbula na Toca do Alto do Capim que é completamente diferente das encontradas até agora na região do sudeste do Piauí. Trata-se de um Homo Sapiens Sapiens, mas é diferente das outras mandíbulas escavadas. O achado estava associado com ossos humanos queimados. “Eles praticavam antropofagia, deviam comer os outros e essas cerimônias podem estar ligadas a esses rituais antropofágicos. Pelos dentes, esse indivíduo deveria ter 45 anos, mas foi assado e comido. Nós estamos vendo se também pode ser uma doença, mas o canibalismo se praticava no mundo todo. Era inclusive uma forma ritual. Existem relatórios daqui que os índios só comiam os índios que eram valentes, uma forma de incorporar a coragem.

45 “ Na área arqueológica de São Raimundo Nonato, os primeiros indícios de cultivo de amendoin, feijão e cabaça foram datados de AP e o aparecimento de plantas cultivadas seria mais antigo, entre 4 e anos. Uma datação de anos AP está associada a uma cerâmica de técnica aprimorada: paredes finas, pasta bem cozida e decorações variadas”. Niède Guidon

46 ANCILOSTOMA DUODENALIS Parasita do Ser Humano que exige determinada temperatura para que a larva possa se desenvolver. Parasita do Ser Humano que exige determinada temperatura para que a larva possa se desenvolver. A existência do parasita há mais de 7 mil anos no Piauí demonstra um povo vindo de um local quente, por rotas de clima quente. A existência do parasita há mais de 7 mil anos no Piauí demonstra um povo vindo de um local quente, por rotas de clima quente.

47 Niède afirma ainda que no Parque Nacional Serra das Confusões foram encontradas pinturas rupestres e rituais funerários muito diferentes dos povos da Serra da Capivara. Lembra que foi encontrado na Serra das Confusões um enterramento muito diferente com treze pessoas enterradas juntas. “As crianças embaixo, depois os adolescentes e em cima os adultos completamente enfeitados, a pele pintada de vermelho, com desenhos, e vários tipos de adorno”, falou a arqueóloga. Ela informou que os indivíduos possuíam adornos nos braços, pescoço, joelho e cintura. Os adornos foram feitos com conchas, sementes e dentes de animais, e tinham sido polidos. “São coisas extremamente bonitas”, relata. Acrescentou ainda que acredita que os indivíduos dos quais acharam as ossadas teriam participado de um ritual extremamente complexo. (Parque Nacional da Serra das Confusões, no sudoeste do Piauí.)

48 LAGOA SANTA - MG Walter Neves, em busca dos primeiros americanos.

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52 OS PIONEIROS DAS AMÉRICAS Muitas discussões ocorreram e continuam ocorrendo até hoje. Essas datas colocaram em cheque a teoria da chegada do homem nas Américas, que estimava o início da ocupação por volta de anos atrás. Este momento correspondeu ao período final da última grande glaciação terrestre, que formou uma ponte de gelo no Estreito de Behring, unindo o extremo nordeste da Ásia ao Alasca. Grupos de caçadores especializados, acompanhando as manadas de mamutes, teriam passado pela "ponte" e, assim, iniciado a ocupação das Américas. Dos planaltos norte- americanos teriam iniciado sua migração rumo ao sul, espalhando-se por todo o continente e alcançando o Brasil por volta de anos atrás.

53 Sem dúvida, todo esse processo de ocupação de fato ocorreu. O problema é que, com uma data de mais de anos no Brasil, a passagem pelo Estreito de Behring não teria marcado o início da ocupação humana nas Américas. Seria apenas mais uma das diversas vias de acesso que para aqui afluíram.

54 Assim, o povoamento das Américas teria sido realizado de forma muito mais complexa do que até então se imaginava. É possível que tenham ocorrido migrações muito mais antigas pelo próprio Estreito de Behring ou, então, que tenham sido utilizadas rotas alternativas.

55 Desta forma, a questão novamente fica no ar: Como e quando tudo começou? Mas não é apenas a questão da data que tem incomodado os cientistas. Eles também se perguntam: quem eram estes primeiros seres humanos que aqui chegaram?

56 “Os vestígios mais antigos do território brasileiro foram encontrados no Piauí, numa região rochosa cheia de cavernas, em São Raimundo Nonato. Numa caverna chamada Toca da Pedra Furada alguns pedaços de carvão parecem datar mais de 40 mil anos! Outro local muito importante é o Estado de Minas Gerais, e em particular a região de Lagoa Santa, com um grande número de sepulturas com mais de duzentos esqueletos, habitantes que viviam no Brasil entre 7 e 11 mil anos atrás” Guarinello

57 Arqueologia Vida na América há 50 mil anos Análise que comprova que ferramentas foram feitas por humanos teve participação de professor da UCG Está confirmado, mesmo para os mais ferrenhos opositores da idéia: entre 33 mil e 58 mil anos atrás já havia seres humanos nas Américas, mais especificamente, no Brasil. Estudo apresentado n o 2º Simpósio Internacional O Povoamento das Américas, que será encerrado hoje na sede da Fundação Museu do Homem Americano, na cidade de São Raimundo Nonato, no Piauí, indica que ferramentas de pedra descobertas pela arqueóloga Niède Guidon no Boqueirão da Pedra Furada, naquele município, foram mesmo feitas por seres humanos e têm entre 33 mil e 58 mil anos de idade. A polêmica, que já dura mais de duas décadas, foi desfeita com a participação de um professor do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA), da Universidade Católica de Goiás (UCG). Doutor em História e Arqueologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Emílio Fogaça realizou com Eric Boëda, da Universidade de Paris, a análise que atestou a tese da pesquisadora paulista de origem francesa. O arqueólogo Walter Neves, da Universidade de São Paulo (USP), até então principal adversário intelectual de Niède Guidon, reconheceu em entrevista à Folha de S.Paulo que se trata de uma prova incontestável de que sua colega tem razão. Em 1978, quando Niède Guidon encontrou as peças junto com supostas fogueiras em um abrigo existente na área que mais tarde seria transformada no Parque Nacional Serra da Capivara, acreditava-se que a presença humana nas Américas tinha, no máximo, 15 mil anos. Prevalecia a cultura Clóvis, batizada com o mesmo nome do sítio arqueológico do Novo México, Estados Unidos, onde foram encontradas pontas de pedra lascada fabricadas por habitantes da região entre 10,5 e 11,4 mil anos atrás. Pela tese, os donos das setas, caçadores de grandes animais, como mamutes, tinham entrado no continente em um único grupo há cerca de 12 mil anos pela Beríngia, corredor de terra que se formou entre o Alasca e o estreito de Bering, por causa do rebaixamento no nível do mar durante a última era glacial. Niède Guidon foi muito criticada ao afirmar que os restos de carvão, submetidos a testes de carbono 14, tinham 50 mil anos (uma datação feita depois, na Austrália, recuou ainda mais a idade dos achados, para 58 mil anos). Arqueólogos afirmavam que o carvão era produto de combustão natural e que as outras peças eram pedaços de pedras que rolaram e se quebraram naturalmente. Para não deixar dúvidas de que Niède Guidon sempre esteve correta, Eric Boëda e Emílio Fogaça estudaram 63 peças. Por meio de uma metodologia desenvolvida por Boëda, considerado um dos maiores especialistas do mundo em tecnologia lítica (de pedra) pré-histórica, os dois avaliaram passo a passo o processo de produção das ferramentas. "Reconstituímos como cada lasca foi retirada, a sobreposição das intervenções em cada peça e a razão de cada uma delas", comenta Fogaça. "São intervenções que a natureza jamais reproduziria." Emílio Fogaça - que falou ao POPULAR por telefone, do Piauí, onde participou de debate sobre o trabalho em parceria com Boëda - diz que não há mais dúvidas: as ferramentas encontradas por Niède Guidon são de fato a evidência mais antiga da ocupação da América. "Sempre digo que não conseguiremos encontrar evidências da presença do homem pré-histórico no Brasil se não escavarmos até o fundo e ela fez isso." Um desafio para os arqueólogos agora é descobrir como os humanos que habitaram a Pedra Furada chegaram aqui. Para Fogaça, a hipótese mais provável é a de que eles tenham vindo pelo mar, que na época tinha um nível muito mais baixo do que hoje, devido ao congelamento de grande parte da água do planeta. O estudo de Boëda e Fogaça será publicado em português e, depois, será traduzido para o inglês e o francês. Fonte: jornal 'O Popular', Goiânia, 21/12/2006. Texto: Isabel Czepak

58 Até há pouco tempo, pressupunha-se que os habitantes das Américas teriam resultado de 3 ondas migratórias: uma de populações asiáticas, outra de grupos que teriam originado os chamados povos Na-Dene, que ocupam a porção noroeste da América do Norte, e outra que teria originado os Esquimós. Mas a reconstituição da face de Luzia, alguns anos atrás, trouxe novas variáveis. “Luzia” foi apresentada ao grande público e apareceu estampada na capa de revistas famosas, no Brasil e no exterior. A partir de um crânio datado em anos e retirado de escavações feitas na região de Lagoa Santa (MG), foram modelados os tecidos musculares, a pele e os demais órgãos. E o resultado surpreendeu muita gente: Luzia apresenta, de fato, traços muito mais parecidos com os grupos que habitavam a África e a Austrália, do que com aqueles típicos nos grupos asiáticos (Caso você queira conhecer de perto Luzia e o trabalho dos especialistas a respeito, embarque no site do Setor de Antropologia Biológica do Museu Nacional, no Rio de Janeiro). Luzia traz à tona a possibilidade de ter ocorrido mais ondas migratórias para as Américas, e desta vez por grupos da Ásia central que descendiam diretamente dos primeiros seres humanos modernos, vindos da África. E isto, certamente, teria ocorrido dezenas de séculos antes de anos.

59 Se a arqueologia já é uma ciência naturalmente polêmica, ninguém dentro da arqueologia consegue ser mais polêmica do que a brasileira Niéde Guidon. Há 30 anos ela escava na região de São Raimundo Nonato, no meio do sertão do Piauí, onde garante ter encontrado vestígios da presença humana na região, que remonta 50 mil anos no passado. Nesse período, Niéde e sua equipe foram os responsáveis pela criação, em 1979, do Parque Nacional da Serra da Capivara, o mais bem estruturado parque nacional do país — considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em O parque é um triunfo da arqueologia brasileira que só saiu do papel graças à teimosia e dedicação de Niéde, que o administra com a energia de uma coronel de saias. Em suas cavernas e lapas, preserva o maior conjunto de pinturas rupestres do mundo, algumas datadas com até 8 mil anos de idade. Elas representam danças rituais, orgias, cenas de caça e diversos tipos de animais, inclusive alguns extintos, como um parente da lhama andina e a preguiça­ gigante, e são um verdadeiro livro, impresso na paredes das cavernas, sobre a cultura dos primeiros brasileiros. Fonte: Revista Terra ano 12 no 151 nov de 2004

60 "O Parque Nacional Serra da Capivara constitui a maior concentração conhecida de sítios arqueológicos e o maior acervo de pinturas rupestres do continente. Seus registros identificam os primeiros vestígios humanos no continente americano há mais de anos. São descobertas suficientes para questionar a teoria clássica sobre o povoamento do continente americano, que data o surgimento do homem, na região, há anos. Lamentavelmente, esse santuário arqueológico reúne conjuntos de pinturas que são, hoje, apenas vestígios parciais de uma pintura milenar que está desaparecendo com o tempo. São fósseis, artefatos, inscrições que compõem riquíssimo museu a céu aberto que precisa ser preservado. Esses objetos culturais guardam a memória de nossos ancestrais pré-históricos. São ferramentas valiosas que nos auxiliam a conhecer o que fomos, para compreender em que nos transformamos”. Anne-Marie Pessis, Petrobrás. Imagens da Pré-História, Anne Marie-Pessis SÃO RAIMUNDO NONATO – PI

61 REGISTROS RUPESTRES  Conta o arqueólogo André Prous que a pesquisadora francesa Anette Laming-Empire costumava dizer que a arte rupestre parecia o campo mais fácil de ser estudado na arqueologia: o “aficcionado” não tem dificuldades em discursar sobre vestígios – tão visíveis sem precisar de escavação, e tão mudos que aceitam qualquer interpretação -, mas acrescentava que, na realidade, trata-se de seu capítulo mais complexo, e no qual se cometem os maiores erros.  O que é atualmente o território brasileiro está repleto de testemunhos arqueológicos que guardam importantes evidências da história da colonização humana em nosso continente. São os sítios arqueológicos com vestígios dos caçadores que iniciaram a ocupação da América do Sul, os monumentais sambaquis do litoral, as inúmeras aldeias de grupos ceramistas dispersas por todo o país que contém informações sobre o passado do que é hoje o território brasileiro e a diversidade cultural que foi, passo a passo, aqui se instalando.  Um tipo especial de manifestação, em decorrência de seu apelo estético, destaca-se entre as demais. São as pinturas rupestres e gravuras que foram feitas em grutas, abrigos, blocos, lajes e costões. Caçadores, pescadores e horticultores deixaram belas marcas de sua presença. Madu Gaspar

62 A arte rupestre e o contexto histórico A arte foi relativamente tardia na história do Homem. Enquanto o aparecimento de nossa espécie remonta a anos, os mais antigos vestígios de arte tem cerca de anos (Europa e Austrália). Os vestígios da arte desses caçadores­coletores que chegam até nós vêm na forma de paredes pintadas e gravadas, a arte rupestre; estatuetas de argila, pedra e marfim; ossos, dentes e conchas decoradas com gravuras, a arte mobiliária. A arte rupestre é um dos aspectos da Arqueologia com maior apelo junto ao público interessado. Efetivamente, seja pelo impacto estético, seja por receber uma “mensagem”, são os únicos vestígios deixados consciente e voluntariamente pelos povos pré­coloniais. Por arte rupestre entende­ se todas as inscrições deixadas pelo homem em suportes fixos de pedra (paredes de abrigos, grutas, matacões).

63 Muito dessa arte só chega até nós em condições especiais, ou seja, em suportes protegidos dos elementos naturais como paredes de abrigos e grutas onde pode­se encontrar pinturas quase intactas, enquanto que em suportes expostos ao ar livre só se veem gravuras. As representações figurativas são as formas que associamos a seres humanos, animais, plantas ou objetos (reais ou imaginários), enquanto que a geométrica retrata quadrados, círculos, espirais, triângulos, pontos, setas, etc. Outro aspecto a ser estudado é a técnica utilizada que pode variar entre a pintura, o crayon e a gravura. E dentro destas técnicas ainda pode­se constatar uma vasta variação de modos de fazer as representações. A matéria prima para as pinturas são geralmente corantes minerais, como hematitas (vermelho, amarelo), cal (branco) e manganês (preto).

64 Um sítio pode apresentar vários painéis que são divisões topográficas dos sítios, isolando conjuntos de representações. Um painel será estudado levando em conta o tipo de representação, as técnicas e cores utilizadas e sua distribuição no painel, e com estes dados devidamente quantificados e analisados, podemos determinar o estilo do conjunto pela predominância de certas representações, disposição das mesmas, técnicas utilizadas, etc. Por vezes, no mesmo paredão, pode­se ver uma sucessão de painéis sobrepostos com diferentes estilos.

65 PINTURAS RUPESTRES No período inicial da arqueologia brasileira ( ), o tema que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a antiguidade da ocupação da região de Lagoa Santa através das pinturas rupestres. Para Paul Bahn, há 40 mil anos aborígines da Austrália já estavam pintando paredões e há 27 mil anos cavernas já estavam sendo decoradas na Europa. A equipe que estuda os grafismos da Serra da Capivara, no Piauí, data algumas pinturas ali realizadas em cerca de 26 mil anos.

66 Quando se quer discutir o início da ocupação de uma região ou os primeiros grafismos, o ponto central não é aceitar uma ou outra referência cronológica, e sim ter a clareza de que, quanto mais antiga uma manifestação pré-histórica, mais difícil é a obtenção de dados que consolidem uma hipótese de trabalho.

67 Algumas pinturas parecem indicar momentos cerimoniais, mas é impossível ao arqueólogo interpretá-las. Também animais aparecem com frequencia, como emas, tucanos e veados.

68 A cor vermelha predomina, embora estes artistas também tenham utilizado o branco, o amarelo, o preto e o cinza. A técnica utilizada revela um traço leve e seguro.

69 Como estabelecer a data de rochas que foram picoteadas ou pintadas com pigmentos inorgânicos? No caso de grafismos realizados em paredões ou cavernas com sedimento, é possível correlacioná-los aos materiais arqueológicos recuperados do solo.

70 A arte desses caçadores mostra figuras humanas em movimento, revelando diversas cenas do cotidiano.

71 Toda a diversidade denota a profundidade temporal do hábito de usar tintas e decorar as rochas e a multiplicidade cultural.

72 As pinturas dos sítios da região do Parque Nacional da Serra da Capivara são muito diversificadas tanto na temática e na técnica de realização quanto na maneira com as figuras estão dispostas sobre a parede.

73 Existem figuras com traços de identificação suficientes para permitir o reconhecimento imediato de elementos do mundo sensível, enquanto outras apenas evocam formas incompletas ou formas não reconhecíveis. Nesse conjunto de imagens dispostas ao acaso, estão misturados ritos, evocados mitos, plasmados grafismos emblemáticos e um universo simbólico de crenças e acontecimentos sociais confundidos com o tempo.

74 TRADIÇÕES Delimitar grandes conjuntos, denominados na arqueologia brasileira de tradições. Relação com a perspectiva cultural no tempo e no espaço. A tradição arqueológica implica em certa permanência de traços distintivos que são geralmente temáticos.

75 Manifestações Pictóricas Tradição Amazônica Tradição São Francisco Tradição Planalto Tradição Litorânea Tradição Geométrica Tradição Meridional Tradição Agreste Tradição Nordeste

76 A tradição Nordeste ocorre nos estados do Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e norte de Minas Gerais. São pinturas monocromáticas e gravuras que representam seres humanos, animais e algumas figuras geométricas. Cenas de caça, guerra, sexo, rito, entre outras.

77 Tradição Agreste A tradição Agreste manifesta-se nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Piauí. Caracterizando-se pela presença de grandes figuras, geométricas, sendo que as figuras humanas lembram espantalhos. As emas e os répteis são representados de maneira estática e há também pássaros de asas abertas e longas pernas, alguns lembrando figuras humanas.

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88 A luta, a caça, a dança e o sexo ilustram diferentes painéis. As figuras humanas seguram armas como bastões e propulsores, carregam cestas, dançam em volta de uma árvore.

89 A arqueologia é a ciência que estuda as culturas a partir do aspecto material, construindo suas interpretações através da análise dos artefatos, seus arranjos espaciais e sua implantação na paisagem. Atualmente, o campo da arqueologia não está mais demarcado pelo surgimento da escrita, tendo se voltado também para a análise de “sociedades históricas”. Madu Gaspar “Uma preocupação muito importante para os arqueólogos é descobrir a época exata em que viveram os povos antigos. Para isso, utilizam-se de duas técnicas fundamentais. A primeira delas se chama Estratigrafia e se baseia na noção de que, num mesmo sítio, os restos humanos tendem a se acumular verticalmente. A principal forma de datação é denominada Carbono 14 e se baseia na quantidade de radiação existente na peça encontrada”. Guarinello

90  A Arqueologia pode ser definida como a ciência que estuda o passado humano a partir dos vestígios e restos materiais deixados pelos povos que habitaram a Terra.  Nas Américas, convencionou-se chamar de Arqueologia Histórica a pesquisa feita em locais ocupados pelos europeus e africanos que entraram em contato com os indígenas durante o processo de colonização. Assim, estudos vêm sendo desenvolvidos no subsolo de grandes cidades, na sedes de antigas fazendas, em quilombos, campos de batalha, navios naufragados e fortes, permitindo que se conheçam inúmeros aspectos do cotidiano que, via de regra, não constam dos documentos oficiais.  Para realizar seu trabalho, o arqueólogo lança mão de diversos procedimentos. Em campo, procura identificar e escavar sítios arqueológicos, onde documenta estruturas e coleta objetos que pertenceram ao cotidiano de uma determinada sociedade. Em seguida, inicia a fase de estudos e trabalhos sistemáticos em laboratório, onde procura relacionar os objetos coletados ao grupo que os produziu e ao seu modo de vida. Logo, a pesquisa arqueológica exige muito esforço e dedicação em campo, mas não afasta um trabalho intelectual intenso em laboratório.

91  As responsabilidades do arqueólogo vêm aumentando a cada dia, já que ele é incumbido de resgatar e conservar a herança cultural humana, lidando com um patrimônio tão frágil e finito quanto os próprios recursos naturais existentes em nosso planeta.  Ao arqueólogo não cabe apenas investigar as pirâmides do Egito ou os monumentos clássicos gregos e romanos. Ao contrário, a Arqueologia está se diversificando cada vez mais e, no Brasil, é possível encontrar pesquisadores em atividade na Mata Atlântica, nas dunas do Nordeste ou em meio à floresta Amazônica.  As técnicas de datação mais utilizadas pelos pesquisadores e disponíveis atualmente são:

92 URANO-TÓRIO: é empregado no estudo de objetos com milhões de anos. Funciona pelo mesmo princípio do método carbono-14, mas toma por base as meias-vidas do urânio 238 e do tório 230, mais longas. TERMOLUMINESCÊNCIA: esta técnica é confiável no exame de achados com poucos milhares de anos. Não se detém na radioatividade dos materiais, mas em uma emissão de luz. Assim, o fóssil é aquecido e libera, em forma de luz, energias que capturou e reteve em sua estrutura cristalina. Considerando o ambiente em que o material foi encontrado e a quantidade de energia existente nas diversas épocas, é estabelecida sua idade. TESTES DE DNA: através do mapeamento genético, já é possível determinar parentescos e outras características. Para os próximos anos será a grande ferramenta para a solução de variadas questões. ESTRATIGRAFIA: a partir do estudo da estratigrafia poderemos identificar características distintas das ocupações humanas no solo. Estas camadas do solo, quando compostas de materiais arqueológicos, nos revelarão aspectos das diferentes fases das ocupações humanas (mudanças culturais). A estratigrafia funcionará para o arqueólogo como uma espécie de livro, em que cada uma das camadas identificadas em um perfil do solo representará um capítulo da história da vida humana. A história da vida dos grupos passados será interpretada a partir dos acontecimentos que ficaram marcados nessas camadas, situadas numa posição inferior à superfície em que pisamos atualmente, daí os resíduos deixados desde a pré-história estarem em camadas mais antigas.história

93 CARBONO-14: a utilização desta técnica é mais ou menos precisa na análise de materiais com até 50 milênios (com margem de erro abrangendo menos de 20 ou mais que 5000 anos). O carbono-14 é um elemento presente em todos os organismos vivos, se desintegrando em uma taxa constante após a morte. Esta taxa corresponde que, a cada 5730 anos a quantidade dos átomos radioativos de carbono cai pela metade, fenômeno conhecido como meia-vida. Um aparelho chamado acelerador espectrômetro de massa, conta os átomos de carbono-14 da matéria orgânica analisada, determinando assim sua idade.

94 COMO É FEITA A MEDIÇÃO DE TEMPO COM O CARBONO 14? Mundo Estranho, Abril 2008, Reinaldo José Lopes

95 Características do carbono 14 A datação dos fósseis em geral é possível devido à peculiaridade do carbono 14 (C-14) ser radioisótopo ou simplesmente radioativo. Fenômeno que se caracteriza pela emissão de radiação alfa (α), composta por núcleos de hélio (He), radiação beta (&?946;), composta de elétrons, e radiação gama (&?947;), uma forma de radiação eletromagnética parecida com raios X, porém mais energética. Esse processo acaba por produzir outro fenômeno relacionado à radiação, o decaimento radioativo, que é o resultado de uma transformação natural de um isótopo de um elemento químico em um isótopo de outro. O processo se dá de modo natural até que a série radioativa alcance um elemento não radioativo. Ou seja, após o processo temos outro tipo de elemento. O C-14 é produzido por reações nucleares resultantes do bombardeamento de nitrogênio 14 (N-14) por nêutrons presentes nos raios cósmicos na atmosfera. Depois de formado, o C-14, interagindo com gás oxigênio em condições específicas, sofre oxidação e forma o composto CO2, que, por sua vez, acaba circulando pela atmosfera, pela litosfera e pela biosfera. Os seres vivos recebem o C-14 por meio do alimento e da água, mantendo um nível constante dele no corpo. Enquanto existir vida a porcentagem de C-14 no organismo da planta ou do animal será igual à porcentagem presente na atmosfera. Quando o ser morre, esse equilíbrio é perturbado, pois não há mais o acúmulo de carbono, porém o decaimento radiativo é mantido. Contudo, essa atividade diminui com o passar do tempo. Após anos, ela, que era de 14 desintegrações por minuto para cada grama do carbono (14 dpm/g), passa para 7 dpm/g. Em anos ela será de 3,5 dpm/g - e assim por diante. Desse modo, quanto maior o período depois da morte, menos material dessa natureza permanece no corpo. Então, a datação é possível por meio da determinação da atividade de C-14 da amostra.

96 Quando o C-14 não funciona? Algumas exceções são conhecidas para datação com o C-14, como o fato dos organismos não receberem a quantidade de C-14 igual à média do ambiente, mas estes casos geralmente são facilmente explicados. Outra exceção é o caso do C-14 não fornecer resultados confiáveis para materiais com menos de 100 anos, pois ele não terá sofrido decaimento o suficiente para a sua determinação. O método também não é adequado para materiais com mais de anos. Isso devido ao fato de que após esse período já terão passado 7 meias-vidas do C-14 e seu nível de radiação terá decrescido até quase zero. Já as idades de milhões de anos são baseadas em outros métodos inorgânicos. Porém, as idades determinadas por carbono-14 parecem ser precisas quando comparadas aos nossos relatos históricos.

97 PRESERVANDO O PATRIMÔNIO E CONSTRUINDO A IDENTIDADE. A origem da palavra patrimônio vem de pater, que significa pai. Vem do latim, uma língua hoje morta, que deu origem à língua portuguesa. Patrimônio é o que o pai deixa para o seu filho. Patrimônio: bem ou conjunto de bens naturais ou culturais de importância reconhecida num determinado lugar, região, país ou mesmo para a humanidade, que passa(m) por um processo de tombamento para que seja(m) protegido(s) e preservado(s). Etimologia lat. patrimonìum,ìi 'patrimônio, bens de família, herança; posses, haveres'; ver pater-f.hist. sXIII patrymonyo, sXIV patrimônio. Maria Helena Pires Martins, Editora Moderna

98 “ Patrimônio cultural é o conjunto de bens móveis e imóveis existentes no país cuja conservação seja de interesse público quer por sua vinculação a fatos memoráveis, quer pelo seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico” Decreto-lei nº25, promulgado durante o Estado Novo no Brasil. “Outra aplicação do conceito aponta para a necessidade de não se considerar como objeto de prática patrimonialista apenas as obras do homem, os monumentos e edificações urbanas, mas também, seguindo a ascendência do movimento ecológico, espaços naturais como bosques, matas, reservas de água, a fauna, etc. (patrimônio ambiental)”. Teixeira Coelho.

99 “O passado é isso: uma recriação dos fatos acontecidos a partir do nosso presente, isto é, do modo como somos hoje e do conhecimento que adquirimos a respeito do mundo e de nós mesmos. É a partir do presente que reunimos esses fragmentos da memória e os unificamos em uma interpretação. Esse é o único modo de acesso ao que foi e não é mais, ao que ficou lá atrás no tempo. Mas que faz parte de nós e de nossa história. a história que queremos deixar para os nossos filhos e netos. Se eles são o futuro, nós somos o seu passado”. “Identidade nacional, portanto, implica uma história comum a todos: a história dos povos que habitavam o Brasil antes da chegada dos portugueses”. Maria Helena Pires Martins. Os sítios arqueológicos da Serra da Capivara são Tombados pela UNESCO e inscritos na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade.

100 “Todos nós temos um conjunto de lembranças, de histórias e de objetos que são significativos para a nossa vida. Por um lado, essa é a herança que deixamos para as gerações futuras. Por outro, herdamos das gerações passadas o ambiente no qual vivemos, a cultura, os hábitos, a religião, o comportamento, a língua. Tudo isso faz parte do nosso patrimônio brasileiro, da herança comum que nos une como um único povo”.

101 TRABALHO DO ARQUEÓLOGO Escovar "Eu tinha vontade de fazer como os dois homens que vi sentados na terra escovando osso. No começo achei que aqueles homens não batiam bem. Porque ficavam sentados na terra o dia inteiro escovando osso. Depois aprendi que aqueles homens eram arqueólogos. E que eles faziam o serviço de escovar o osso por amor. E que eles queriam encontrar nos ossos vestígios de antigas civilizações que estariam enterrados por séculos naquele chão. Logo pensei de escovar palavras. Porque eu havia lido em algum lugar que as palavras eram conchas de clamores antigos. Eu queria ir atrás dos clamores antigos que estariam guardados dentro das palavras. Eu já sabia também que as palavras possuem no corpo muitas oralidades remontadas e muitas significâncias remontadas. Eu queria então escovar as palavras para escutar o primeiro esgar de cada uma. Para escutar os primeiros sons, mesmo que ainda bígrafos. Comecei a fazer isso sentado em minha escrivaninha. Passava horas inteiras, dias inteiros fechados no quarto, trancado, a escovar palavras. Logo a turma perguntou: o que eu fazia o dia inteiro trancado naquele quarto? Eu respondi a eles, meio entresonhado, que eu estava escovando palavras. Eles acharam que eu não batia bem. Então eu joguei a escova fora. “ esgar: trejeito, jeito do rosto, careta de escárnio. Manuel de Barros

102 FONTES CONSULTADAS Cunha, Manuela Carneiro. História dos Índios do Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, Funari, Pedro Paulo. Arqueologia. São Paulo, Ed. Contexto, Funari, Pedro Paulo; Noelli, Francisco Silva. Pré-História do Brasil. Ed. Contexto, Funari, Pedro Paulo. Cultura popular na Antigüidade Clássica. São Paulo, Ed. Contexto, Gaspar, Madu. A arte rupestre do Brasil. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, Gaspar, Madu. Sambaqui :arqueologia do litoral brasileiro. Rio de Janeiro, Jorge Zahar editor, Guidon, Niède. Peintures préhistoriques du Brésil. Paris, ERC, Guidon, Niède. Antes. São Paulo, CCBB, Guarinello, Norberto Luiz. Os Primeiros Habitantes do Brasil. São Paulo, Atual, Laver, James. A roupa e a moda: uma história concisa. São Paulo, Companhia das Letras, Martins, Maria Helena. Preservando o patrimônio e construindo a identidade. São Paulo, Moderna, Melatti, Julio Cezar. Índios do Brasil. São Paulo, EDUSP, Monteiro, John Manuel. Negros da Terra. São Paulo, Companhia das Letras, Montero, Paula. Brasil 50 mil anos. São Paulo, EDUSP, Neves, Eduardo Góes. Arqueologia da Amazônia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar editor, Neves, Walter. O povo de Luzia. São Paulo, Globo, Fausto, Carlos. Os índios antes do Brasil. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, Kern, Arno Alvarez. Antecedentes Indígenas. Porto Alegre, Editora da Universidade, Pessis, Anne-Marie. Imagens da Pré-História. FUMDHAM/PETROBRÁS, Vidal, Lux. Grafismo Indígena. São Paulo, Edusp, Scatamacchia, Maria Cristina Ribeiro. O encontro entre culturas. Coleção: A vida no tempo do índio. São Paulo, Atual, Ribeiro, Berta. O índio na História do Brasil. São Paulo, Global, Ribeiro, Berta. O índio na Cultura Brasileira. Rio de Janeiro, Ribeiro, Marily Simões. Arqueologia das práticas mortuárias: uma abordagem historiográfica. São Paulo, Alameda, Schwarcs, Lilia Moritz. Um enigma chamado Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, Villas Bôas, Orlando. Histórias e Causos. São Paulo, FTD, Revistas: Ciência Hoje, Scientific American, História Viva, Nossa História, Nova Escola. Jornais: Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo Professor: Caco Neves Apoio: Profª Cintia Bueno e Vladimir Aparecido Arruda – CEI.

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