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De Cidade Olímpica a Metrópole Multicultural. A caracterização, a valorização e, inclusive, a própria definição das cidades passa hoje pelo que se move.

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1 De Cidade Olímpica a Metrópole Multicultural

2 A caracterização, a valorização e, inclusive, a própria definição das cidades passa hoje pelo que se move nelas. As políticas urbanas parecem inspiradas por uma necessidade inevitável de capacitar os espaços para atrair mais fluxos, sejam investimentos, turismo ou, em geral, qualquer atividade que gere movimento econômico a cidade. Portanto o Poder Público atua adaptando o espaço urbano aos potenciais consumidores, doando elementos urgentes que o transformarão provavelmente de modo passageiro e o convertem-no em mercadoria pronta para ser comprada e utilizada. “A Cidade parece menos o lugar de viver e de conviver, e mais com um centro de atividade e movimento”.

3 VenderProduzir Mercadoria Encontrar ConsumidorCompetirPosicionar no Mercado Adaptar o Espaço Para vender a mercadoria pronta (cidade), utiliza-se o “Marketing Urbano”, porém, o marketing só explica uma parte da transação comercial, apenas expressa a estratégia do vendedor. A forma de atuação adotada pelos governantes é a atuação empresarial.O objetivo é estabelecido pela satisfação dos consumidores. Mas qual o verdadeiro significado para “Consumidores” e “Demanda” ???

4 O normal seria abandonar estes consumidores, por outro lado o que os próprios cidadãos necessitam foge da oferta disponível, a única saída é persuadir de que a política beneficia a todos, convencimento de que o caminho seguido é o melhor. Assim na política urbana existe muito mais que marketing, existe a estratégia discursiva que se expande e alcança a todos. Esta estratégia é de suma importância para alcançar os objetivos. Deste modo a cidade agora se converteu em Mercadoria (produto a vender), Empresa (pelo seu modo de gestão) e Pátria (pela criação do sentimento de posse e valorizar a cidade). Oferta (o que podemos vender) Demanda (o que necessita)

5 A análise do caso de Barcelona, mostra precisamente como os processos de transformação urbana, tem sido acompanhados de multiplicidade de representações urbanas. A apresentação está dividida em 3 partes: Na 1ª mostramos o processo de transformação urbana entre a transição democrática iniciada em 1979 até 2004, período que a cidade foi conhecida no plano internacional e chamada de “modelo Barcelona”. Na 2ª diremos como foi sendo construída a imagem da “cidade olímpica”, promovendo como um produto que teve diversas utilidades simbólicas, e efeitos econômicos diretos. Na 3ª parte nos ocupamos de alguns dos efeitos da estratégia discursiva descrita. Mostrando como o “modelo Barcelona” obteve êxito em relação à execução de seus objetivos econômicos, teve de contar com a escassa participação da população, o que o tornou um modelo vulnerável.

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7 Na década de 1970 coincidem em Barcelona três tipos de crises: Econômica: Desindustrialização da cidade em benéfico do seu entorno metropolitano acompanhado de intensa terceirização central, esse processo se inicia em 1960 quando o espaço urbano ocupado pela antiga indústria já havia se convertido em central a localização na periferia era incentivada pelos menores gastos de instalação. Outro problema de 1975 a 1985 os indicadores demográficos estiveram em baixa que provocou a diminuição da população (de 1,75 milhão de Habitante em 1981 ä pouco mais de 1,5 milhão em 1996). Este fato aliado a terceirização ocasionou o aumento da desigualdade social dos seus habitantes. Econômica - Urbana - Política (Juntas desencardiam o processo de transformação urbana)

8 Urbana: Os problemas urbanos resultante de um rápido crescimento especulativo e pouco atento as necessidades sociais, deram lugar nos últimos anos as fortes mobilizações populares. Política: Em 1979 chega a democracia a nível municipal as eleições foram vencidas em Barcelona pelo partido socialista, partido que consegue manter-se no poder municipal desde aquela época. Primeiro governo municipal democrático logo empreendeu a tarefa de criar um patrimônio de solo público, de equipar bairros e cobrir déficits do período especulativo. Após os primeiros compassos de alegria pela democracia recuperada, foi-se gestando progressivamente explicitando um projeto de transformação urbana dirigindo a deixar a cidade mais competitiva e internacionalizada.

9 A frustrada hipótese do crescimento ilimitado, sobre a qual estava assentada toda a política urbana interior, bem servida pelo modelo urbano funcionalista, e, em um plano mais concreto, a constatação de que a industrialização não era mais motor do crescimento urbanístico, gerou rápida atualização dos objetivos da política urbana. Nova Política Novos Objetivos Urbanísticos Novas formas de gestão e planejamento Ajuda Privada Nova Política urbana pensar e discutirtempo para controlar

10 Nesse marco, todos os esforços políticos se colocam a serviço em um único objetivo que é de buscar um lugar privilegiado da cidade no contexto globalizado. Portanto, os jogos de 92 foram a estratégia escolhida para afrontar as insuficiências de incentivo para os investimentos privados. Sobretudo em equipamentos e infra-estruturas públicas. Além do mais, era uma nova desculpa para fazer a cidade ficar conhecida internacionalmente e um instrumento eficaz para reforçar a coesão social, o sentimento de posse pela cidade.

11 Desse modo um evento como os jogos olímpicos obteve cinco grandes objetos para Barcelona:  Colocar a cidade no mapa - (projeção internacional);  Construir infra-estrutura necessária - (acessibilidade externa e mobilidade interna);  Criar as bases para um novo crescimento econômico;  Criar um sentimento de patriotismo da cidade e conseguir um amplo conceito político -institucional - social; e  Alterar a estrutura do plano urbano. Gerando novo modelo de política urbana.

12 Novas formas urbanas e novas formas de gestão parecem indicar a existência de uma nova fase de transformação urbana, mais submetida as exigências do setor privado, como mostra a proliferação de edifícios de grande altura e a concentração de novos negócios terciários, no litoral da cidade. Anterior ( daquela que foi aceita pelos cidadãos e reconhecida internacionalmente, evolução lógica ) Nova Transformação Urbana Sendo os mesmos objetivos, a mudança das formas construtivas e de gestão é apenas uma mostra da adaptação às diferentes conjunturas.

13 Barcelona de 2004 nos parece ser a evolução lógica daquela iniciada para 1992, ou antes. O traçado da malha urbana teve sua intervenção radical em um espaço “infra-utilizado” e com enorme potencial. Nele se construíram novos espaços públicos, um novo porto desportivo, o edifício do Fórum (símbolo), um centro de convenções, um campus universitário, um parque zoológico, instalações técnicas, além de numerosos novos edifícios residenciais, oficinas e hotéis. Fórum

14 Mas as transformações ligadas a 2004 vão muito além da área do Fórum.Nos 7 Km de linha litoral renovados ou em processo de renovação - com a Villa Olímpica, a iniciativa privada atuou de maneira muito mais intensa por duas razões de peso:  a primeira porque trata de um espaço urbano com usos industriais obsoletos e escassa implantação residencial;  a segunda porque a localização em frente ao mar é suscetível de produzir valores maiores que em qualquer outra parte da cidade.

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16 Em Barcelona de 1992 era fundamental obter uma imagem de cidade “revitalizada” tanto pelo seu efeito para o exterior como por sua funcionalidade para obter o consenso cidadão. As próprias intervenções físicas na cidade contribuíram para criar essa sensação de coesão social. O grande volume de obras em um curto período de tempo foram motivo para apresentar a reconstrução da cidade com um espetáculo, na qual os “espectadores” - os cidadãos - foram fazendo seu projeto de intervenção urbana. O reconhecimento internacional que obtiveram os novos espaços públicos foram motivo para maior aceitação cidadã. Os próprios Jogos Olímpicos demonstraram ter uma capacidade quase ilimitada de iludir altíssimos setores da população, que foram identificando o evento esportivo como um projeto de cidade que progressivamente foi se convertendo no “objetivo de todos”, o que a propaganda oficial repetia de modo insistente.

17 Campanhas posteriores mantiveram o mesmo propósito apresentando uma Barcelona socialmente compacta e com objetivos concretos e compartilhados. A criação de um sentimento de comunidade ou de um “patriotismo de cidade” que permitisse que o cidadão se identificasse com sua cidade era um requisito necessário para legitimar o projeto de transformação, assim como para conseguir combater o círculo vicioso, que Peter Hall chamou de collective deprivation, quer dizer, a sensação de decadência e de falta de expectativas futuras. A mesma idéia era expressa por Pasqual Maragall, o “prefeito olímpico”, ao assinalar que se a falta de expectativas podia conduzir a uma sensação coletiva de alienação e apatia.

18 Com relação ao crescimento de Barcelona, a política permite que se possa voltar a falar da necessidade de um organismo que possa gerenciar todo o território metropolitano. Porém a realidade de Barcelona existiu todo esse tempo, se que oculta atrás do impulso da renovação da cidade central. Parece que agora chegou a hora de deslocar a centralidade para uma área maior a fim de ampliar a oportunidade de negócios, o imobiliário em um lugar destacado (pois houve aumento do grau de ocupação do solo – 1972 e 1992).

19 Nas cidades europeias o impacto das imigrações exteriores é tão visível que as políticas de estado e também os governos municipais respondem com leis reguladoras e restritivas. Diante da diversidade cultural em Barcelona, construiu-se um discurso com o propósito de multiculturalidade: Em contraste com a visão integracionalista dos políticos (conservadores), a do multiculturalismo é mais progressista, pois sugere e propõe tolerância. “Barcelona diversa” ( imagem de diversidade cultural – com a boa convivência entre os cidadãos )

20 Esta imagem de cidade multicultural contrasta com a imagem de cidade-bloco (que se apresentou durante todo o processo de transformação olímpica), a qual representava a diversidade dos cidadãos como um só bloco homogêneo sem conflitos de interesses. Assim, dois discursos contraditórios são apresentados: o da cidade internacional que se renova e adapta seu espaço para atrair fluxos de capital, e o de cidade multicultural que acolhe e na qual cabem diversas culturas que trazem novos cidadãos. Então, surge a questão: esses dois discursos podem contribuir com os objetivos de uma política urbana, a qual continua tendo como objetivo supremo o fomento do crescimento econômico. Cidade Internacional Cidade Multicultural

21 Começou-se a obter apoio internacional quando múltiplas publicações e autores destacaram suas virtudes, contribuindo com o eco universal das vozes propagadas desde Barcelona. Outro efeito de propaganda ocorreu quando os espaços públicos barceloneses criados ou remodelados no período 1981 – 87, são condecorados com prêmios, reconhecendo pela primeira vez a uma cidade a liderança e a estratégia na transformação urbana da cidade. Esse reconhecimento, foi decisivo para a aceitação dos cidadãos desses novos espaços, que alcançaram assim alto grau de identificação dada sua projeção internacional. Em todo processo de reconstrução da cidade, os novos espaços públicos não apenas cumprem o seu papel, mas apresentam elevado conteúdo simbólico, identidade.

22 Com a expressão “de olímpica a metrópole multicultural” com a qual intitulamos este artigo pretendemos analisar de modo preciso estas duas mudanças de ênfases que não necessariamente indicam uma substituição das propriedades. De cidade a metrópole indica como de forma progressiva se busca a centralidade em um território maior que da cidade em sentido restrito, praticamente acabado o processo de conversão desta, para poder continuar dispondo de território com atrativo econômico. De Olímpica a Multicultural quer mostrar como a essa imagem de cidade internacional que dispunha de amplo consenso social teve-se de acrescentar, agora, uma dose de tolerância multicultural que permita sustentar esta imagem de não conflituosidade.

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24 Neste tópico final propomos ver alguns efeitos das estratégias discursivas já assinaladas, mostrando a existência de um notável contraste entre um ostensivo consenso em torno do projeto de Barcelona 92 e uma cacofonia de vozes dissidentes em torno da Barcelona Se para a analise da cidade olímpica analisamos o consenso alcançado no setor institucional, político e da imprensa, o silêncio do mundo intelectual e a invisibilidade dos movimentos sociais críticos, é notório o contraste do que ocorreu com a Barcelona do Não restam dúvidas de que a tela do 92 rompeu-se. Em 2004 há uma autêntica cacofonia de vozes com críticas que respondem a interesses muito diferentes. A evolução do comportamento da imprensa local em relação ás transformação urbana deve ter alguma relação com isso.

25 Por outra parte, dessa vez também o mundo intelectual tem mostrado muitos sintomas de estar em pequena sintonia com o projeto de transformação. O acompanhamento da imprensa permitiu comprovar como muitos de seus colaboradores habituais somava-se, com assiduidade, aos bandos de críticos. Porém, o que denominamos “ruptura da tela do 92”, não apenas arquitetos e escritores começaram a levantar a voz. O tecido social também demonstrou sua capacidade de protesto e de mobilização. As formas de participação existentes, portanto, não reconhecem a dinâmica social existente, talvez porque esta tenha pouco de dialogador, talvez porque já haja pouco por dialogar. O que é cada vez mais claro é que o não integrável é silenciado, quando não perseguido, bem como que se vai consolidando um modelo de cidade excludente, também do ponto de vista das idéias.

26 Em múltiplas ocasiões vem-se apresentando o desenvolvimento urbano de Barcelona nas duas últimas décadas como um “modelo” a aplicar e seguir em outros âmbitos. No contexto atual de profunda mudança dos movimentos sociais, não é justo nem atinado limitar sua existência ao campo associativo formal como parece depreender-se do centro da participação cidadã estabelecida. Enquanto os que algo têm a dizer contra um modelo de cidade e de sociedade que não lhes agrada estão sendo cada vez menos invisíveis e, portanto, estão resultando cada vez mais como um incomodo. MODELO DE: UrbanismoPlanejamento Liderança Internacional Organização grandes eventos Busca novos motores de crescimento

27 O “modelo Barcelona” é um modelo que não admite participação real, mas, sim, participação de cumplicidade, ou quando muito, de colaboração. Por outra parte, cabe assinalar que nos novos movimentos sociais urbanos observa-se não apenas uma mudança de objetivos e de formas organizacionais que dizem respeito a movimentos sociais tradicionais, como também uma mudança de escala em ralação a seus temas de preocupação. Participação por irrupção Participação por convite BARCELONA Um Modelo de Participação Excludente por definição ou, como diziam Borja e Castells, por “necessidade funcional”

28 As reivindicações passam com grande naturalidade do mais pontual (minha casa, rua) ao mais global (a dívida externa do Terceiro Mundo, a exploração do trabalho subcontratado por parte das multinacionais). A reflexão em escala urbana, que tanto caracterizou os movimentos sociais da década de 1970, parece que foi se fundindo quase inevitavelmente diante do empurrão da leitura única da cidade e das novas preocupações dos movimentos sociais urbanos. O debate é que se ouvimos os que governam a cidade, participa- se porque se está de acordo. Entretanto, se ouvem vozes, se existem mostras de resistência, continuamos sem um modelo alternativo de cidade. Barcelona portanto, é um grande exemplo de cidade que obteve eficiência e sucesso nas suas decisões, adaptando as muitas mudanças da globalização, tornando-se assim, reconhecida internacionalmente.

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