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De onde estou, posso vê-los perfeita mente! Chegam cabisbaixos, respeitosos, cumprimentam-se uns aos outros e vão se aproximando do caixão coberto de.

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2 De onde estou, posso vê-los perfeita mente! Chegam cabisbaixos, respeitosos, cumprimentam-se uns aos outros e vão se aproximando do caixão coberto de flores: rosas vermelhas. É onde descansa o corpo sem vida da velha tia! As lágrimas descem pelas faces amarelecidas dos mais velhos, enquanto os mais jovens em- saiam um choro manso: Apenas molham os olhos... Revejo-os um a um de onde estou!

3 Olhe aquele sobrinho que eu não via há dez anos! como será que soube de minha morte? aquele outro, ali no canto de mãos postas, parece rezar! como está gordo e forte! Não o via há mais de quinze anos! Olha a sobrinha Naná, casada, com o marido ao lado. Parece triste com a morte da velha tia. Por que? Sempre arranjava uma desculpa para não ir visitar-me: Um dia eram os filhos, outro dia o trabalho que era demais; a casa para cui- dar; o marido que vinha para jantar. Imaginem! morando na mesma cidade! Outra sobrinha, em soluços, debruçava-se sobre o caixão! Mas porque será que chorava tanto?

4 Afinal, vivia uma vida boa, nunca se lembrava da velha tia. Estava sempre na praia... Jamais se lem- brava de levá-la para tomar um solzinho! Mas ela reconhecia: Velhos incomodam mesmo! andam devagar; não enxergam direito; querem ir ao ba- nheiro nas horas mais impróprias e outras cositas mas... Ela estava na dela. A tia tão branquinha, parecia ser transparente no caixão! Entre rosas vermelhas, destacava-se o rosto bonito e pálido; os lábios vermelhos pelo baton, parecia mostrar um leve sorriso... Afinal, ela sempre achara que viver tinha limites, porque depois de uma certa idade começavam a aparecer as ferrugens, as dores, os reumatismos. Tudo despencava e a pele antes lisa e bonita, tornava-se flácida... As pernas ficavam endurecidas para o passo; já não obedeciam ao comando do cérebro. Ainda bem que com ela,

5 este fora preservado! Tinha um bom discernimento das coisas, ótima memória para a idade e percebia tudo o que se passava ao seu redor. Agora passava os dias na cadeira de balanço a tricotar enquanto a vista permitisse. Já não podia ler um bom livro! E ninguém para discutir assuntos atuais. Mas quem se disporia a ler para ela ouvir? A família era grande, mas naquela casinha azul, de esquina, ninguém batia á porta para uma visita, apenas os pobre a pedir esmolas. Agora, tudo ficara no lugar onde sempre estivera: A xícara para o chá sobre o pires; a panelinha para o mingau no fogão, a lata de bolachas para acompanhar o chá no armário! Sua existência fora se resumindo a quase nada. Dois ou três vestidos para trocar; o velho chinelo meio gasto pelo uso. Na sala a televisão ficara sobre a mesinha. Gostava de acom- panhar os programas de TV mas ouvia com dificuldade...

6 Continuavam chegando os parentes! Quanta gente que ela não via há anos! Nem mais os reconhecia!!! Alguns, percebia-se, vieram de longe. Ela podia ouvir perfeitamente as conversas! - Como ela era boa! e como era alegre! - Gostava tanto da vida, e agora assim tão de repente... - Vamos sentir falta dela... Falavam-se uns com os outros, trocando notícias. Aproveitando a oportunidade do encontro. Afinal era difícil a família se reunir! Olha fulana, dizia a outra: - Como está gorda!!! Vou indicar-lhe um regime que é tiro e queda!!! Um grupo se aproximava; era um de seus sobrinhos mais velhos. Junto dele a família. Todos sérios e circunspectos... a mulher deixava escapar algumas lágrimas. Cumprimentaram as demais pessoas e dirigiram-se até o caixão onde repousava a velha

7 Tia! Em suas mãos alvas e enrijecidas pela morte, um rosário de contas de cristal... A mulher, ajeitou o rosário, pousou as mãos sobre as mãos inertes da velha tia e chorou... Bem, não se viam há anos. A última vez que se encontraram foi quando nasceu o caçula e ela, a tia, tinha ido conhecer. Imagine! Estava um rapagão!!! Alguns vizinhos e conhecidos faziam parte daquela última homenagem a velha tia. Ela se lembrava, quando ficava sentada na varanda, olhando a rua, uns e outros passavam e alguns paravam para uma prosa! Poucos a visitavam. Ao entardecer, entrava e ia rezar no oratório a Ave- Maria! Isto era uma rotina diária. Lembrava-se em suas orações de todos e ia repetindo os nomes, pedindo que Jesus lhes desse saúde, paz...

8 Firmou o olhar para baixo a procura da sobrinha que não lhe faltava nunca! Ela lá estava, sentada no banco, perto do caixão. Tinha a fisionomia triste, olhos inchados. Levantava-se ás vezes para olhar de perto a tia. Seus olhos marejavam de lágrimas que desciam pelo rosto. A Tia pensou : - Quanta amizade havia entre as duas e agora ela estava de partida. Mas jamais a abandonaria em todas as suas necessidades. Velaria por ela lá onde ficaria. Sentiu um calor percorre-la: eram os amigos chegando. Amigos de muitos anos! Pensou: A amizade é um senti- mento maravilhoso. Nasce, vive e raramente se extingue. O amor já era um sentimento mais exigente. pensou: Agora ela ia encon- trar-se com ele. Seu grande amor; tão paciente, tão amigo e compa- nheiro!!! Não ficou para ver o término de seu féretro! Olhou mais para o alto e uma luz forte quase a cegou!

9 Forçou a vista! então ficou deslumbrada! sua mãe, estendia-lhe os braços sorridente; a irmã mais velha, sua madrinha, chamava-a pelo nome; os irmãos que já tinham ido sorriam-lhe de braços es- tendidos para o abraço! Seus tios e tias, seus avós, todos a aguardavam como se espera um tesouro! Que festa!!! Quanta luz havia!!! Quanto calor humano!!! Nem siquer virou-se para olhar para baixo. Pensou: " deixe que os mortos, enterrem os seus mortos! " Agora, tudo era paz! Agora tudo era alegria! O amor triunfara! A verdadeira vida principiava!!! Autora: FAUSTA NOGUEIRA PACHECO

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