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A LMADA NEGREIROS E AS VANGUARDAS PORTUGUESAS 2010 Um passeio ao projeto artístico-estético do escritor.

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1 A LMADA NEGREIROS E AS VANGUARDAS PORTUGUESAS 2010 Um passeio ao projeto artístico-estético do escritor.

2 J OSÉ S OBRAL DE A LMADA NEGREIROS Depois de Fernando Pessoa é o maior expoente do modernismo português. Escreveu para a Revista Orpheu e Portugal Futurista. Assim como muitos modernistas, sua obra é uma tentativa constante de adaptação da linguagem para ser capaz de descrever as múltiplas contradições do homem do século XX.

3 PAULISMO As raízes do paulismo antecedem o aparecimento de Orpheu e remetem ao movimento saudosista. Em A nova poesia portuguesa, Fernando Pessoa descreve o saudosismo como sendo o princípio do auge do maior período de sempre da poesia portuguesa. A culminação do movimento sonhado por Pessoa seria o paulismo, uma corrente na qual o aperfeiçoamento do saudosimo levaria a um estilo poético cujo:-

4 arcabouço espiritual é composto de três elementos – vago, sutileza e complexidade... Implica simplesmente uma ideação que tem o que é vago ou indefinido por constante objeto e assunto,... Que traduz uma sensação simples por uma expressão que a torna vivida, minuciosa, detalhada, - mas detalhada em elementos interiores, sensações... Finalmente, entendemos por ideação complexa a que traduz uma impressão ou uma sensação simples por uma expressão que a complica acrescentado-lhe um elemento explicativo, que, extraído dela, lhe dá um novo sentido. Fernado Pessoa, A nova poesia portuguesa, p observamos, que neste momento, o poeta e teorizador do paulismo está preocupado com a ideia de encontrar um equilíbrio entre a subjetividade e a objetividade. A poesia deve ser estruturar a partir da mistura entre intelectualização de um sentimento e vice-versa. não há dúvida que esta concepção de poesia é de raiz simbolista e que influenciou a composição de Frisos.

5 F RISOS E O PAULISMO Publicada nas páginas da Revista Orpheu 1. Várias são as tentativas da crítica ao definir o gênero da obra: poemetos, poema em prosa, parábolas, prosas poéticas, contos, etc. Composta por doze textos mais curtos (quadros), onde alguns se aproximam do conceito de poema em prosa, outros apresentam elementos de prosa narrativa. Tensão entre a herança simbolista e um sonho vanguardista.

6 Ruínas Pandeiros rotos e coxas de cristal aos pés da muralha. Heras como Romeu, Julietas as ameias. E o vento toca, em bandolins distantes, surdinas finas de princesas mortas. Poeiras adormecidas, notas fidalgas de minuetes de mãos esguias e de cabeleiras embranquecidas. Aquelas ameias cingiram uma noite pecados sem fim; e ainda guardam os segredos dos mudos beijos de muitas noites. E a Lua velhinha todas as noites reza a chorar: Era uma vez em tempo antigo um castelo de nobres naquele lugar... E a Lua, a contar, pára um instante - tem medo do frio dos subterrâneos. Ouvem-se, na sala que já não existe, compassos e danças e risinhos de sedas. Aquelas ruínas são o túmulo sagrado de um beijo adormecido cartas lacradas com ligas azuis de fechos de oiro e armas reais e lisos.

7 TREVAS De dia não se via nada, mas pra tardinha já se apercebia gente que vinha de punhais na mão, devagar, silenciosamente, nascendo dos pinheiros e morrendo neles. E os punhais não brilhavam: eram luzes distantes, eram guias de lençóis de linho escorridos de ombros franzinos. E a brisa que vinha dava gestos de asas vencidas aos lençóis de linho, asas brancas de garças caídas por faunos caçadores. E o vento segredava por entre os pinheiros os medos que nasciam. E vinha vindo a noite por entre os pinheiros, e vinha descalça com pés de surdina por mor do barulho, de braços estendidos pra não topar com os troncos; e vinha vindo a noite ceguinha como a lanterna que Ihe pendia da cinta. E vinha a sonhar. As sombras ao vê-la esconderam os punhais nos peitos vazios. A Lua e uma laranja de oiro num prato azul do Egipto com pérolas descriminadas. E as silhuetas negras dos pinheiros embaloiçados na brisa eram um bailado de estátua de sonho em vitrais azuis. Mãos ladras de sonhar levaram a laranja, e o prato enlutou-se.

8 o Em Ruínas, um passado lendário distante é sobreposto às ruínas no momento em que o poeta contempla a cena. o Em Trevas, descreve-se um terror, tipo pesadelo, que o poeta sente a noite ainda acordado. o Nestes dois quadros a paisagem serve apenas como base a partir da qual o poeta se lança numa análise de um estado psíquico pessoal e que as descrições assim construídas resultam da sobreposição da subjetividade do sonho poético à aproximação objetiva da natureza. o Trata-se, então, do universo paúlico, onde o poeta projeta suas experiências íntimas no mundo exterior, ou seja, em Frisos a natureza é o espelho da alma. o Outra característica paúlica, herança simbolista, são as cores e os sons das palavras como elementos funcionais da escrita:- A Lua e uma laranja de oiro num prato azul do Egipto com pérolas descriminadas. E as silhuetas negras dos pinheiros embaloiçados na brisa eram um bailado de estátua de sonho em vitrais azuis. Mãos ladras de sonhar levaram a laranja, e o prato enlutou-se.

9 CANÇÃO DA SAUDADE Se eu fosse cego amava toda a gente. Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gêmea que nasceu sem vida, e amo-a a fantaziá-la viva na minha idade. Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde moras, dize se vives ou se já nasceste. Eu amo aquela mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longíssimos. Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas. Eu amo aquelas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas. Eu amo os cemitérios as lagens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos floridos virgens nuas, mulheres belas rindo-se para mim. Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi. Se eu fosse cego amava toda a gente.

10 o Em A canção da saudade temos um desnivelamento entre o tema e a linguagem que o comunica. Para dizer o sentido misterioso do amor o poeta emprega um linguagem simples e direta e, em vez de utilizar a metáfora complicada e a imagem invulgar, ele valoriza uma fala coloquial. o A Canção da Saudade... Caracteriza-se por um profundo sentir da incapacidade e solidão humanas, uma linguagem leve, mas certeira, contrastando com o sentimento de angústia com que o texto nos marca Almada Negreiros o Temática típica do paulismo, também de influência simbolista, é a valorização do sonho sobre a realidade. Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos.

11 FUTURISMO - Valorização do desenvolvimento industrial e tecnológico; - Propaganda como principal forma de comunicação; - Uso de onomatopéias (palavras com sonoridade que imitam ruídos, vozes, sons de objetos) nas poesias; - Poesias com uso de frases fragmentadas para passar a idéia de velocidade; - Pinturas com uso de cores vivas e contrastes. Sobreposição de imagens, traços e pequenas deformações para passar a idéia de movimento e dinamismo;

12 SALTIMBANCOS (...) pedras brancas de cornetim a subir tra-la-la e pedradas nas latas de acetilene de gente a ir-se embora prá escuridão e o bombo sempre ali com estrondo e pratos arrelia força nesse tambor malandros pedradas e mais pedradas bancadas vazias só dois bicos de acetilene acesos no cornetim epiléptico a gritar nas faces vermelhas do pai a ajudar a mulher a acabar de vez co bombo e mexe-te mulher do diabo força toda a força rompe-me esse bombo pedrada e mais pedrada e uma na cabeça do pai sempre em solo de cornetim crescendo malandros cabrões a minha vida a minha arte pontapé em zora com força força toda a força coa minha força bestas tenho fome dó dó dó- ré-mi tra-la-la pum-pum-pum filhos da puta cata-pum-pum-pum pratos prate-os força mata tra-la-la tra-li-lata acetilene catapum tapete rufa-me essa caixa sol-lá-sol filhos de um corno um murro na mulher e pedradas maissi-ré- sol e só um bico de acetilene a minha vida catapum tenho fome sacanas tenho fome trrrrrrrrrrrrr-pum-tchim-tchim-tchim-tra-la-sol-ré-mi-la-la-la-la raios os partam os pratos puta que a pariu trrrrrrrrrrrrrrrrrrr-pum nem gorjeta nem cinco reis filhos da por causa da zora toca-me essa caixa puta estupor trrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr-pu-catapum -catapum pedrada catapum- pum-pum e último bico de acetilene lá-ré-sol às escuras sol-sol-sol filhos da puta catapum-pum-pum trrrrrrrrrrrrr-la-la-la-lalalala-pum"

13 o O emprego da palavra em liberdade proposto por Marinetti, em Saltimbancos visa suplantar a poesia do humano com a poesia das forças cósmicas, a simultaneidade das coisas. o O sub-título da novela, Contrastes simultâneos, já é uma referência às experiências visuais. o Os personagens são simultâneas e pertencentes a um tempo presente que se dissolve. o Uso exagerado de onomatopeias. o Vocabulário moderno, que refletem termos do cotidiano das fábricas dos produtos químicos.


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