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Fundamentos Filosóficos da Educação

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Apresentação em tema: "Fundamentos Filosóficos da Educação"— Transcrição da apresentação:

1 Fundamentos Filosóficos da Educação
Célio Juvenal Costa (organizador)

2 Apresentação O assunto deste livro é a Filosofia da Educação. Para desenvolvê-lo, optamos por tratar a educação e a filosofia historicamente, por meio da exposição sobre autores e teorias que se fizeram presentes ao longo da história da sociedade ocidental. Como a filosofia em si é muito ampla e como a educação em si é uma particularidade, ou seja, um objeto restrito, o leitor observará que nos capítulos procuramos evidenciar, primeiramente, os aspectos políticos, sociais e humanos da filosofia, bem como as concepções de ser humano, de natureza e de sociedade presentes nos filósofos e nas correntes filosóficas. Esse procedimento abre um campo de análise que nos permite abordar a educação como uma atividade humana essencialmente social.

3 Capítulos e Autores CAPÍTULO 1 MITOLOGIA GREGA E EDUCAÇÃO
Vladimir Chaves dos Santos CAPÍTULO 2 O NASCIMENTO DA FILOSOFIA: OS FILÓSOFOS DA NATUREZA E SÓCRATES Célio Juvenal Costa CAPÍTULO 3 PLATÃO, ARISTÓTELES E O HELENISMO CAPÍTULO 4 A ORGANIZAÇÃO DO PENSAMENTO CRISTÃO José Joaquim Pereira Melo CAPÍTULO 5 A FILOSOFIA MEDIEVAL: UMA PROPOSTA CRISTÃ DE REFLEXÃO Terezinha Oliveira CAPÍTULO 6 FILOSOFIA NO RENASCIMENTO Jorge Cantos CAPÍTULO 7 FILOSOFIA MODERNA: BACON E DESCARTES Edeniuce Bernabé Gumieri CAPÍTULO 8 FILOSOFIA POLÍTICA MODERNA: HOBBES, LOCKE E ROUSSEAU José Carlos Rothen CAPÍTULO 9 ILUMINISMO, IDEALISMO E MATERIALISMO HISTÓRICO Alonso Bezerra de Carvalho CAPÍTULO 10 POSITIVISMO, FENOMENOLOGIA E EXISTENCIALISMO CAPÍTULO 11 FILOSOFIA E EDUCAÇÃO Divino José da Silva Pedro Ângelo Pagni

4 Mitologia Grega e Educação Vladimir Chaves dos Santos (1)
Mitologia: etimologicamente, significa o conhecimento dos mitos. O mitos não tem uma autoria individual, como entendemos modernamente; ele é o resultado de diversas intervenções e, por fim, chega aos rapsodos: Homero e Hesíodo, por exemplo. O mitos pertence ao que chamamos de domínio público.

5 Mitologia Grega e Educação Vladimir Chaves dos Santos (2)
A ciência, tal como é entendida pela modernidade, surgiu da negação do mitos, como fala sem justificativa e sem autoria, e da afirmação do logos, a fala que tem razão e autor. Se há duvidas de que haja ciência nos mitos, isso não quer dizer que se duvide de que neles haja sabedoria.

6 Mitologia Grega e Educação Vladimir Chaves dos Santos (3)
Mitos: motivações políticas (Orfeu, Zeus) Mitos: motivações morais (Aquiles, Ulisses, Hefesto/Afrodite/Ares, Ícaro/Dédalo, Atenas/Afrodite) Mitos: memória e tradição oral (imortalizar) A mitologia é na verdade uma grande teia de mitos, de tal modo costurados, que é impossível contar o mito de um personagem sem contar o de outros Ilíada x Odisséia Musas: deusas das festas e do canto.

7 Mitologia Grega e Educação Vladimir Chaves dos Santos (4)
Além de ser útil para o exercício da imaginação e para o reconhecimento da beleza da sabedoria popular, o estudo da mitologia tem um valor histórico: sem ele, não há como compreender o nascimento da filosofia. Embora, em certo sentido, a filosofia nasça em contraposição ao pensamento mitológico, há muitos temas que se conservam na passagem da mitologia à filosofia: o tema da virtude, o tema da constituição do universo com base em elementos simples etc. Apesar das rupturas evidentes, ambas são formas de paidéia, isto é, de educação. De fato, a filosofia como forma de paidéia, tal como no-la apresentou Platão, preserva vivo o sentido social do saber, presente na velha paidéia da mitologia.

8 Orfeu

9 Zeus (Júpiter)

10 Cronos mutila Urano

11 Poseidon

12 Hades

13 Aquiles (ops..)

14 Aquiles

15 Ulisses (as sereias)

16 Hefesto

17 Afrodite (Vênus)

18 Apolo

19 Ares

20 Hermes

21 Minotauro

22 Dédalo e Ícaro

23 Eros e Psiqué

24 Héracles (Hércules)

25 Musas

26 Capítulo 1 – Proposta de Atividades
Quais as diferenças entre mitos e logos? Qual a relação entre mitologia e sabedoria popular? Há filosofias nos mitos? Explique

27 O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (1)
A filosofia é a reflexão do homem sobre o homem. Uma reflexão diferente da religiosa, pois busca, por vias racionais, científicas, chegar a concepções que expliquem a existência do ser humano, em si e em suas relações e ambientes A filosofia é o logos em oposição ao mitos A filosofia é filha da periferia Cidades gregas (pólis) A moeda, a escrita e o artesanato (técnica)

28 O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (2)
1a. fase: Filosofia da Natureza Filósofos Pré-Socráticos Séculos VII a V a.C. 2a. fase: Filosofia Antropológica ou Sistemática Sócrates, Platão e Aristóteles Séculos V e IV a.C. 3a. Fase: Filosofia Ética Epicurismo, Estoicismo, Ceticismo e Ecletismo Séculos IV e III a.C.

29 O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (3)
Filosofia naturalista Preocupação cosmológica Busca da arkhé (princípio primordial, originário, constitutivo, dirigente e ordenador de todas as coisas e de todo o universo, até em sua diversidade e contraditórios aspectos)

30 O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (4)
Escola de Mileto (Ásia Menor) Tales ( a.C.) Arkhé = Água Anaximandro ( a.C.) Arkhé = Ápeiron (ilimitado,infinito) Anaxímenes ( a.C.) Arkhé = Pneuma Ápeiron

31 O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (5)
Pitágoras ( a.C.) de Samos (Ásia Menor Arkhé = Número Distinção entre corpo e alma Escola Eleática (Eléia na Magna Grécia) Xenófanes ( a.C.) Parmênides ( a. C.) Zenão ( a.C.) Arkhé = ser Não há movimento Filosofia da essência

32 O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (6)
Heráclito ( a.C.) de Éfeso (Ásia Menor) Arkhé = fogo (material e metafórico) O movimento existe e é contínuo Filosofia da existência Empédocles ( a.C.) de Agrigento (Magna Grécia) Arkhé = 4 raízes (ar, água, terra e fogo) Nascimento=associação / morte=dissociação

33 O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (7)
Escola Atomista Leucipo (500-? a.C.) de Agrigento Demócrito ( a.C.) de Abdera Arkhé = Átomo Ser = átomo = descontínuo corpóreo Não-Ser = vazio = contínuo incorpóreo

34 O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (8)
Período antropológico ou sistemático. Atenas – século V (apogeu e início das crises) Legisladores Guerras Médicas Tragédias Gregas Péricles Sócrates “só sei que nada sei” “conhece-te a ti mesmo” Ironia x maiêutica

35 Sócrates (a morte)

36 Capítulo 2 – Proposta de Atividades
1.Relacione as diferenças entre o pensamento filosófico e o pensamento mitológico. 2. Qual a importância da moeda, da escrita e do artesanato para o surgimento da filosofia? 3. Por que o período dos chamados pré-socráticos é chamado de cosmológico? 4. Escolha um pensador pré-socrático e defenda suas idéias como se estivesse em um tribunal. 5. Faça com um colega uma tentativa de aplicação do método socrático, discorrendo sobre a virtude, ou sobre a justiça, a felicidade, o amor etc. 6. Se você estivesse, como jurado, no tribunal que julgou Sócrates, você votaria contra ou a favor dele? Por quê?

37 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (1)
Atenas – século IV (declínio) Guerra do Peloponeso (conseqüências) Sofistas Gregos Críticas à validade positiva das leis Valorização da retórica Comédias Gregas Platão Aristóteles

38 Platão e Aristóteles

39 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (2)
Platão ( a.C.) Crítico de sua sociedade, considerando-a injusta, ou propiciadora da injustiça A República – obra fundamental de filosofia política e educacional 3 partes Livro I e parte do II – crítica à sociedade Livro II – construção lógica da cidade Livro II ao final (X) – construção da sociedade ideal. É preciso deixar claro que, ao falar de uma sociedade utópica, Platão não está se alienando da realidade social, mas, sim, contrapondo-se ela: falar do ideal é falar do real.

40 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (3)
A República A alma da pessoas e os metais Platão apresenta a idéia de que a alma das pessoas contém metais que determinam sua natureza. Ouro, prata, bronze e ferro estão presentes, misturados às almas dos indivíduos, e indicam a função deles na sociedade. Se existe ferro ou bronze na alma, a pessoa está mais apta a desenvolver trabalhos manuais, ou seja, deverá compor a classe produtiva; se o metal for a prata, está apta para se tornar um guardião da cidade; e, se for uma alma dourada, deverá ser o magistrado, o líder daquela sociedade

41 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (4)
A República O papel da Educação Como identificar esses metais na alma humana? Por meio da “educação da infância e da juventude”, responde Platão, pois cabe a ela identificar e revelar a natureza humana. É por meio da educação que a sociedade toda pode conhecer qual é a aptidão do indivíduo e a melhor função que ele pode desempenhar na cidade.

42 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (5)
O mito da Caverna e a Educação O processo da educação é semelhante ao de sair da caverna; deve ser vagaroso, escalonado, passar, paulatinamente, do que é mais fácil para o que é mais difícil. Quem conduz o homem para fora da caverna é, para Platão, o filósofo, pois só ele consegue atingir o pleno conhecimento das coisas; só ele consegue olhar o sol e compreender toda a sua plenitude; e, portanto, ele é quem deve conduzir a sociedade para o bem.

43 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (6)
O mundo inteligível (idéias) x mundo sensível (realidade) O grande mérito de Platão é ter construído um sistema que, a partir daquele momento, praticamente definiu as partes da filosofia: metafísica, com o objetivo de conhecer o ser e o que está no princípio de tudo; a lógica, ou seja, a forma de comunicar esse conhecimento aos homens; e a ética, que é a vivência individual e, principalmente, social, das regras advindas do verdadeiro conhecimento

44 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (7)
Aristóteles ( a.C.) Crítico da sociedade ateniense e do método platônico de conhecer a realidade. Política Preocupação com a indefinição dos papéis sociais É uma análise realista da sociedade, não recorrendo à utopia.

45 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (8)
Política Conceito de natureza como sendo o estágio final de algo (cidade) O homem como um animal político A autoridade é diferenciada na cidade: autoridade do senhor e autoridade do cidadão Justiça: o interesse do Estado (os pés e as mãos somente adquirem sentido fazendo parte do corpo)

46 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (9)
Política Neste contexto, a educação para o Estagirita adquire um tom bem mais realista e concreto do que em seu mestre, pois não há a idealização de uma forma e de um conteúdo educacional, até porque não há qualquer metal a ser descoberto na alma das crianças. O que há é a clareza de que a melhor educação para uma cidade é aquela que se amolda à própria constituição da cidade. Ou seja, numa democracia, a educação deverá formar o espírito democrático nas crianças; numa aristocracia, o espírito será aristocrático e assim por diante. É claro que Aristóteles também indica que, como existem constituições melhores e piores, a melhor educação é aquela que corresponde à melhor constituição. No entanto, qualquer que seja a constituição, a educação das crianças e jovens deve ficar a cargo do Estado, pelo interesse direto que o governo deveria ter na formação do espírito de seus jovens.

47 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (10)
Há apenas uma realidade: a dos seres singulares Noção de ato x potência Justiça está no meio-termo entre a falta e o excesso Tanto a falta como o excesso de exercícios físicos prejudicam o vigor; o beber e o comer demais ou de menos prejudicam a saúde; a coragem está a meio caminho da covardia e da temeridade. São estes alguns exemplos desta noção de virtude, noção esta que é, porque não, também educativa, pois colabora para o viver bem, dignamente e com sobriedade

48 Epicuro Zenão

49 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (11)
Período Ético Helenismo: a expansão da cultura grega A pólis dá lugar à cosmópolis A filosofia grega do período helênico caracteriza-se pela preocupação com o homem em si, com o indivíduo. Por isso, esse período chamado de ético caracteriza-se por dar respostas acerca do que é a verdadeira felicidade e de como alcançá-la. Para isso, elaboram-se espécies de receituários sobre o que fazer para se tornar um indivíduo sábio e, portanto, feliz

50 Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (12)
Escolas Filosóficas Epicurismo = Epicuro ( a.C.) Estoicismo = Zenão ( a.C.) Atitudes Filosóficas Ceticismo Ecletismo

51 Capítulo 3 – Proposta de Atividades
Faça uma pesquisa com o objetivo de estabelecer as semelhanças e as diferenças entre a democracia de Atenas do século V a.C. e a de hoje em dia. Quais os motivos que fizeram dos sofistas gregos homens importantes na sociedade ateniense? Qual a avaliação que Platão e Aristóteles fizeram da sociedade em que viveram? Estabeleça com um colega um mini-debate entre as concepções de educação de Platão e de Aristóteles, no qual cada um deve simular defender um desses pensadores. Para dar mais profundidade ao debate, leve em conta as concepções de ser humano e de natureza humana para Platão e Aristóteles. Por que a filosofia no helenismo voltou-se para o homem individual e buscou mostrar-lhe o caminho da felicidade?

52 A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (01)
Origens do Cristianismo: espiritualmente judeu, politicamente romano, culturalmente helênico. Do mundo judeu, o cristianismo recebeu a inspiração doutrinal e ascética do Antigo Testamento, complementada pelo Novo Testamento. A organização de suas instituições, como a sinagoga e a família, também contribuiu para a inspiração cristã

53 A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (02)
Do mundo romano, herdou as vantagens oferecidas pelo Estado, beneficiando-se principalmente de sua tolerância religiosa em relação aos povos submetidos, em particular os judeus. Beneficiou-se também: da segurança garantida pela paz romana, da língua de amplo alcance, da organização administrativa e institucional e da rede de comunicação do Império. Do helenismo, mesmo negando grande parte de sua cultura, não dispensou boa parte de suas reflexões, pois muitas delas contribuíam para a disseminação da nova fé. Merece destaque também o esquema terminológico e conceitual que o fundamentava

54 Paulo

55 A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (03)
Paulo de Tarso = papel fundamental na expansão e na unificação do cristianismo Apesar das diferenças entre o saber clássico e o saber cristão que se pontua a partir de Corintios, foi no conteúdo clássico que, contraditoriamente, Paulo de Tarso encontrou os elementos necessários para a composição do seu discurso evangelizador. A eficácia dessa estruturação discursiva é incontestável, ela foi decisiva para os novos rumos tomados pelo cristianismo, o que se pode constatar no findar do período apostólico, por volta dos anos 70, quando ganharam destaque as reflexões dos primeiros pensadores cristãos

56 A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (04)
Período pós-apostólico (século I): Santo Inácio São Policarpo São Clemente de Roma Para esses primeiros pensadores cristãos, o que importava era refletir a mensagem de Jesus em sua simplicidade e originalidade, explicando-se assim, em parte, sua atitude de quase indiferença em relação à cultura clássica

57 A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (05)
Padres Apologistas (séc. II): resultado da perseguição dos cristão pelos romanos São Justino (72-165) São Teófilo (?-181) Taciano A partir desse momento, objetivando evidenciar a superioridade cristã em comparação ao paganismo, esses porta-vozes da Igreja lançaram mão das mesmas armas dos seus opositores. Para defender publicamente seus princípios de fé, o alvo de suas críticas eram os aspectos que eles consideravam mais negativos no estilo de vida dos pagãos Para os apologistas defensores dessa posição, era possível, mesmo com muita dificuldade, chegar à condição de cristão e de sábio na escala humana. No entanto, uma coisa era certa, apenas a ciência revelada garantia o exercício da retidão

58 A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (06)
Padres Latinos e Gregos (séc. III) Gregos: defensores da síntese entre a fé cristã e a filosofia grega Clemente de Alexandria ( ) Orígenes ( ) Latinos: defensores da pureza da religião, sem na necessidade da especulação filosófica Tertuliano ( ) À medida que se evidenciava a importância do legado clássico para a cultura cristã, até mesmo radicais, como Tertuliano, admitiam que os cristãos precisavam do conhecimento da cultura pagã para a sua vida profissional e para a eficácia de sua ação, bem como para a fundamentação da fé

59 São Gregório de Nisa (344-407) São Gregório Nazianzeno (330-390)
A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (07) Patrística - séc. IV e a síntese dos doutores da Igreja Pensadores da Igreja oriental São Basílio ( ) São Gregório de Nisa ( ) São Gregório Nazianzeno ( ) São João Crisóstomo ( ) Pensadores da Igreja ocidental São Jerônimo ( ) Santo Agostinho ( )

60 A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (08)
Santo Agostinho No entanto, foi Santo Agostinho quem obteve maior destaque nesse processo, motivo pelo qual ele é considerado um dos mais profundos filósofos cristãos e um dos gênios da teologia de todos os tempos. Ele pôs à disposição do cristianismo a profundidade e a vivacidade do seu pensamento, o que garantiu que a relação entre o “saber cristão” e o “saber pagão” ganhasse nova dimensão Baseando-se no raciocínio de que a cultura clássica possibilitava o desenvolvimento humano e de que Deus havia colocado o homem no mundo para a santificação, Santo Agostinho postulava que parte desses saberes poderia colaborar para a preparação do caminho para a realização desse plano divino. Não se justificava, portanto, uma atitude de desdém ou de superioridade perante o saber humano.

61 Santo Agostinho

62 Capítulo 4 – Proposta de Atividades
1. Como vimos no início do capítulo, a religião cristã recebe influência de três realidades: a religião judaica, a cultura grega e a organização romana. Faça um pequeno texto, comentando estas características formativas do cristianismo. 2. Estabeleça as diferenças entre as concepções de homem existentes na filosofia grega e no cristianismo. 3. Encontre passagens nos Atos dos Apóstolos e nas cartas de Paulo, na Bíblia, sobre como era concebida a sabedoria dos gregos para os primeiros padres da Igreja. 4. Debata com um colega a seguinte questão: por que somente na Patrística, particularmente com Santo Agostinho, o cristianismo pode, de fato, contar com uma filosofia?

63 A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (01)
A filosofia da Idade Média é a Escolástica Pressupostos: A Idade Média não foi constante, unitária. ora foi marcada por invasões, ora assumiu a forma de relações feudais, ora a forma de relações urbanas e mercantis O fio condutor foi a reflexão cristã (Escolástica) A Idade Média não foi obscura, supersticiosa etc. A Idade Média inicia-se com a desagregação do Império Romano do Ocidente. O Mosteiro de São Bento (529) como marco do início da filosofia cristã escolástica. O termo escolástica está ligado à escola. Num primeiro momento da Escolástica, as idéias platônicas da sociedade utópica influenciaram na conversão de povos bárbaros ao Cristianismo.

64 Boécio

65 A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (02)
Boécio ( ) = decadência do mundo romano e início da Escolástica Principal obra: Consolação da Filosofia Assim, seus escritos encontram-se na transição entre uma sociedade, cujas preocupações são o conhecimento da filosofia, e outra, onde predominam, acentuadamente, os costumes bárbaros e os interesses materiais. Em razão disso, o único pensamento abstrato que os homens possuem, em geral, é a religião. Boécio marca não somente o fim da filosofia grega e da patrística, mas fundamentalmente o surgimento de um novo tempo, baseado na riqueza, na força e na religião.

66 Alcuíno

67 A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (03)
Alcuíno ( ) = a tentativa de organizar um império (o de Carlos Magno) nos moldes romanos. Renascimento Carolíngio Trivium (gramática, retórica e dialética) e Quadrivium (geometria, matemática, astrologia e música) A aula de Alcuíno é um exemplo nítido do filosofar medieval. Ao mesmo tempo em que busca ensinar os valores cristãos, também mostra a importância do conhecimento da natureza. Nesse sentido, o mestre retoma os quatro elementos da natureza que, segundo os pré-socráticos, eram responsáveis pela criação do universo: o ar, a água, o fogo e a terra.

68 Santo Anselmo

69 A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (04)
Santo Anselmo ( ) = organização do sistema feudal e o renascimento das cidades e do comércio. Sua época é outra, distinta da de Boécio e Alcuíno. Os homens vivem um novo momento, o do renascimento das cidades, do studium generale e da sistematização das relações feudais. Suas formulações, exemplo de reflexões Escolásticas, precisavam mostrar, pela razão e pelo intelecto, a existência de Deus em todas as coisas. É por isso que a sua reflexão evidencia alguns aspectos novos e relevantes quanto ao pensamento educacional. Como teórico de seu tempo, afirma que, para que os homens compreendam qualquer elemento da natureza em sua essência, precisam entender e desenvolver a razão, ou seja, coloca a fé e a razão como premissas para a existência do homem. Assim, a máxima que Anselmo pretende mostrar é que, para crer em Deus e entender a criação da própria natureza, o homem necessita fazer uso da razão.

70 A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (05)
O século XIII : Igualmente, nesse século assistimos a um profundo movimento de reforma da Igreja e, com ele, o surgimento das Ordens Mendicantes (Dominicanos e Franciscanos). Dessas ordens saíram os principais filósofos dos séculos XIII e XIV, como Roger Bacon, Alberto Magno, São Boaventura, Siger de Brabant, Tomás de Aquino, Guilherme de Ockham, entre outros. Estes personagens são os grandes mestres das principais Universidades européias do medievo, como Oxford, Paris e Bolonha. Todas foram fundadas na primeira metade do século XIII. Delas saíram, também, os principais administradores leigos que o Ocidente conheceu

71 São Tomás de Aquino

72 A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (06)
Tomás de Aquino ( ) = fortalecimento das cidades e surgimento das universidades. Para Pieper, pelo fato de Tomás de Aquino encarnar a agitação da “vita activa”, ele toma para si a tarefa de ensinar e de pregar a totalidade da concepção cristã. Essa totalidade implica necessariamente a junção entre os conhecimentos sagrados e profanos para se produzir uma doutrina nova e universalizante, capaz de explicar aos homens a totalidade de seu ser. Não nos esqueçamos de que, do ponto de vista de Tomás de Aquino, a matéria é algo tão importante quanto o espírito. Aliás, a revolução de seu pensamento está exatamente nessa capacidade de unir em um só conhecimento alma e corpo, Teologia e Filosofia. De seu ponto de vista, o que existe no ser humano, na natureza, no conhecimento, é semelhante à unidade entre a pessoa Trina e Una de Deus. Esse pensamento representa uma grande revolução no seio da cristandade latina, pois, até então, para os doutores da Igreja, a alma era o elemento mais importante do homem e o mestre Tomás eleva também o corpo ao mesmo nível de importância.

73 A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (07)
Outro aspecto que consideramos importante discutir é a idéia que sempre norteia os escritos de Aquino, qual seja, a junção entre o conhecimento aristotélico e a sua fé. Apoiando-se em Aristóteles, ele mostra que é Deus quem dá aos homens o intelecto capaz de apreender e ensinar. Assim, ao responder às objeções feitas no artigo primeiro, Tomás de Aquino formula a idéia de que o homem pode ser verdadeiramente professor. Nesses dois artigos sobre a questão do ensino, mais uma vez fica explícito o princípio fundamental da Escolástica, ou seja, a idéia de que é a razão humana, aliada à fé cristã, que produz o conhecimento. Em suma, o homem produz o conhecimento. Isso é bastante revolucionário para a época, principalmente porque ainda se buscava explicar todas as coisas a partir da vontade divina. Esta formulação foi possível a Tomás de Aquino por sua concepção mais abrangente sobre o conhecimento.

74 Capítulo 5 – Proposta de Atividades
2. Ao analisarmos o processo educativo nos primeiros séculos que marcam o nascimento da Idade Média, é notável a influência do pensamento religioso na construção dessa educação. Com base nessa premissa, analise de que forma a religião e a educação caminham juntas para a elaboração de um novo modo de filosofar. 4. Ao longo da Idade Média, a Escolástica, ou a filosofia cristã, prevaleceu como sendo a forma de ser da educação, do filosofar e da religião. Contudo, embora tenha permanecido ao longo dos quase dez séculos que marcaram a existência dessa época histórica, não foi única e homogênea em sua forma de ser. Ao contrário, variou de acordo com as nuanças que ocorreram na história. Foi exatamente por isso que pontuamos, ao longo do capítulo, diferentes autores que expressaram essas mudanças. Retome esses autores, analise as propostas educacionais e o filosofar escolástico no qual se manifestam as transformações educacionais. Centre-se na idéia de que a educação e o filosofar cristão do medievo não são um bloco único e homogêneo, mas expressam uma época que produziu diferentes homens e modelos educacionais, embora imbuídos, ao longo de toda a época, do filosofar escolástico.

75 Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (01)
A filosofia geral do Renascimento é o Humanismo. Expressão de mudanças sociais nos campos econômico-social, político, religioso e cultural. Como decorrência dessa nova realidade, as bases do pensamento filosófico e do pensamento em geral modernos são engendradas, nascendo progressivamente o homem individual, autônomo e consciente de si e que começa a pôr a sua razão e as suas capacidades intelectuais a serviço de uma nova compreensão e transformação do mundo.

76                                                                                                                                                

77 Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (02)
É por isso que a filosofia predominante no Renascimento é o humanismo. Com efeito, de um lado, desencadeia-se um processo de superação do pensamento teista clássico (greco-romano) da solução dualista do problema metafísico (que afirma que existem Deus e o mundo, mas que estes são separados entre si) e da solução da transcendência cristã (onde religião e civilização, teologia e filosofia, Igreja e Estado, clero e laicato estão harmonizados pela transcendente unidade cristã). Por outro lado, o Renascimento inicia uma concepção do pensamento moderno, monista e imanentista do mundo e da vida, ou seja, não somente Deus e o mundo são a mesma coisa, como o problema de Deus é resolvido num mundo natural e humano.

78 Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (03)
O humanismo é, em terceiro lugar, o reconhecimento do homem como ser natural, prelúdio da ciência moderna. De fato, há uma ruptura do centro cósmico, uma transformação do geocentrismo em heliocentrismo; há um deslocamento também do centro religioso de Roma e do catolicismo para o campo do laicato e das igrejas reformadas; há igualmente uma passagem do poder político do papado e do Sacro Império para os reinos modernos independentes e para as cidades burguesas do capitalismo em expansão; há ainda uma passagem do centro teórico do aristotelismo tomista da escolástica, do mundo medievo teocêntrico hierarquizado de seres e de idéias, para a concepção humanista e naturalista.

79 Thomas More

80 Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (04)
Thomas More ( ) Obra principal: A Utopia Em A utopia, que é um “lugar nenhum”, apresentando a comunicação de Rafael Hitlodeu, More faz, no primeiro livro, uma análise crítica da sociedade inglesa de seu tempo. Da tirania e da corrupção na área política, do abuso da propriedade privada, dos desequilíbrios e do desemprego na área econômica e da miséria na área social decorrem para ele os grandes males da sociedade. Destarte, ele está preocupado com o homem, com a sociedade e com o Estado e seu sistema de governo, e particularmente com o desemprego na Inglaterra, mas não atribui a miséria social ao consenso da época, de que esta é causada pelo grande número de ociosos, e sim aos grandes proprietários, que vivem no luxo supérfluo, no ócio e no prazer, indiferentes à miséria que os cerca.

81 Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (05)
Como reação à sociedade inglesa de seu tempo, no segundo livro de A Utopia, More constrói o modelo de uma sociedade ideal, essencialmente agrícola, estável e de alto nível de vida material e espiritual, propondo um Estado ideal e exemplar. Volta-se para o passado clássico e inspira-se, em grande parte, numa teoria naturalista, na filosofia epicurista e, de modo precípuo, no modelo da República, de Platão, cujos cidadãos vivem e se organizam baseados no princípio da comunhão de bens. Esse comunismo, que em More abrange o Estado inteiro, é necessário para a realização da justiça e para a existência de um governo eficiente e desinteressado, e que é condição da felicidade e do convívio social. Em síntese, A utopia é a crítica do presente, assentada no passado, pela elaboração de uma outra sociedade futura, possível, justa, livre, igualitária, racional e perfeita.

82 Maquiavel

83 Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (06)
Nicolau Maquiavel ( ) O Príncipe é sua obra mais conhecida Na verdade, tanto em O Príncipe quanto em A primeira Década de Tito Lívio, Maquiavel busca explicar não as formas ou regimes de governo, mas apenas como surge e como se mantém o Estado Moderno. Desse modo, aspirando a uma Itália unificada, Maquiavel esboça a figura do Príncipe capaz de promover o Estado forte e estável. É uma espécie de manual de governo para uso do Príncipe, para que este saiba conquistar e conservar o Estado, obedecendo, segundo interpretação corrente, ao princípio de que os fins justificam os meios. Trata-se de uma concepção naturalista, segundo a qual o Estado tem origens naturais, ou seja, no modo como os homens vivem em sociedade

84 Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (07)
O Estado é, assim, a obra-prima da humanidade; está acima da religião e da moral transcendente. Isto implica uma racionalidade estratégica, instrumental, de meios e fins, de razão prática, fruto de uma boa observação; significa também que a política adquire a sua própria moral. Portanto, contrariamente a More, que, ao explicar como o homem deve agir, cria sistemas utópicos, Maquiavel rejeita a política normativa dos gregos e defende uma nova política, que se baseie na verdade efetiva, ou seja, em como o homem age de fato. Seu método estipula a observação dos fatos, de forma a superar, por meio de práticas empíricas, os esquemas meramente dedutivos da Idade Média. Seu realismo antiutopista alia-se a uma tendência utilitarista, uma vez que ele pretende desenvolver uma teoria voltada para ação imediata e eficaz. Nisso consiste a concepção educacional de Maquiavel para o príncipe laico

85 Erasmo

86 Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (08)
Erasmo de Roterdã ( ) Erasmo escreveu inúmeras obras. As especificamente pedagógicas são: A civilidade pueril, Educação do príncipe cristão, Sobre a abundância das palavras e das coisas, Sobre a educação liberal das crianças, e Sobre o método para estudar. As obras consideradas de polêmica literária são A pronúncia correta do latim e do grego, O ciceroniano e Os antibárbaros. Entre as obras diversas podem ser lembradas os Adágios, as Cartas de São Jerônimo, Colóquios, Diatribe sobre o livre arbítrio, Elogio da loucura, Manual do soldado cristão, o Novo Testamento, poemas, como Sobre a velhice, além de seu Epistolário.

87 Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (09)
Como a maioria dos renascentistas, ele é partícipe da concepção moderna do poder transformador do homem e da realidade pela educação. Encontrando na filosofia de Cristo e nas letras os meios privilegiados para essa transformação, Erasmo pretende - diferentemente de More, com sua sociedade ideal, e de Maquiavel, com seu Estado laico, mas tendo com eles muitos pontos em comum, como a aspiração por uma nova sociedade ou a proposta de formação do príncipe -, por meio de uma educação liberal e cristã, formar um homem preparado para todas as estações, prioritariamente o príncipe cristão, educado nas Letras, na virtude e na piedade. Desse modo, compreende-se a conclusão enfática de Erasmo de que a escola, tal qual a que existe em sua época, não é necessária, porque ela não é ideal. No entanto, é preciso uma escola pública. A escola realmente pública deve ser construída: a escola do Príncipe, liberal e cristã, adaptada aos tempos, uma nova escola. Uma escola capaz de criar um homem para todas as estações. É a escola moderna em gestação, não exatamente como Erasmo a propõe, mas com certeza devendo muito à sua proposta.

88 Capítulo 6 – Proposta de Atividades
1. Identifique a concepção de homem, de natureza e de sociedade de cada um dos três autores e infira sobre as suas implicações para a educação. 2. Localize as passagens dos textos, em que cada autor valoriza o passado clássico, utilizando o recurso da cultura clássica, e pesquise sobre elas. 3. Compare o tipo de crítica dos três autores à educação vigente no período renascentista. 4. Explique as características, os pontos convergentes e divergentes da nova educação proposta por cada um deles.

89 ciência moderna

90 Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Edeniuce Bernabé Gumieri (01)
O método científico (em oposição ao método escolástico) Estes pensadores (Galileu, Newton, Bacon, Hobbes, Locke e Descartes) tinham uma característica comum: acreditavam que, para existir conhecimento verdadeiro, este teria que ser mensurável matematicamente. Assim, era preciso uma reformulação de toda a produção do conhecimento. Portanto, a preocupação de alguns filósofos era a reconstrução do saber sobre bases mais sólidas, possíveis de serem comprovadas pela razão; um saber que, desta forma, adquirisse uma independência em relação à revelação, como pretendia a Escolástica.

91 Bacon

92 Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Edeniuce Bernabé Gumieri (02)
Francis Bacon ( ) = empirismo A obra principal de Bacon é a Instauratio Magna Scientiarum, que deveria ter compreendido seis partes; porém dessas apenas duas foram concluídas, as demais foram apenas esboçadas. Esta obra compreende pesquisas gnosiológicas, críticas e metodológicas, cuja finalidade era lançar as bases lógicas da nova ciência, da nova filosofia, que deveria dar ao homem o domínio da realidade. O importante para Bacon era a ciência da natureza, daí o Novum Organum, que compreendia a segunda parte da Instauratio e na qual ele propunha uma forma para se chegar à novas teorias, um método que, a seu ver, possibilitava a construção do conhecimento dos fenômenos.

93 Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Edeniuce Bernabé Gumieri (03)
Na perspectiva baconiana, era necessário livrar-se dos erros e, assim, poder iniciar a grande reconstrução do conhecimento. Passando de dominado a dominador da natureza, o homem deve conhecer as leis da natureza por métodos comprovados. Bacon (1979, p. 76) declara: “[...] nossa disposição é de investigar a possibilidade de realmente estender os limites do poder ou da grandeza do homem e tornar mais sólidos os seus fundamentos” .

94 Descartes

95 Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Edeniuce Bernabé Gumieri (04)
René Descartes ( ) = racionalismo Na busca pela reformulação do conhecimento e pela precisão da ciência, René Descartes se apropria da incerteza iminente sobre a realidade, da dificuldade de crer nos argumentos da filosofia tradicional e, transformando a dúvida em método de investigação, adota o ceticismo como caminho para se chegar à verdade e dá continuidade à nova concepção de física, que tinha sido iniciada por Galileu Galilei ( ) na obra O ensaiador: a natureza está escrita em linguagem matemática. Ou seja, Descartes dá continuidade à tarefa de refazer a sistematização do saber, procurando unir a ciência e a filosofia, a física e a metafísica. Para estes pensadores, a matemática era um poderoso instrumento de conhecimento, plenamente adequado à decifração da realidade natural.

96 Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Edeniuce Bernabé Gumieri (05)
Tendo se utilizado da dúvida metódica, Descartes percorre o caminho que leva à incerteza de tudo o que existe, não considerando verdadeiro nada do que se pensa. Contudo, ao proceder desta maneira, a dúvida vai, ao mesmo tempo, afirmando-se como pensamento e afirmando sua própria existência. Uma vez que a dúvida é real, o pensamento que a gera é real também. Quando a dúvida é superada, pode-se construir o saber sobre bases mais seguras que as da escolástica. A nova base é a subjetividade fundada na razão matematizada. Logo, a imaginação é incapaz de demonstrar qualquer conhecimento certo, mas a razão pode, de forma sistematizada, chegar à verdadeira investigação filosófica, científica e técnica.

97 Capítulo 7 – Proposta de Atividades
1. Bacon e Descartes postulavam que, para haver a possibilidade do conhecimento, era necessário ter um método. Por que a questão do método tornou-se tão relevante? Em sua opinião, de fato, o método é necessário? 2. Como Bacon definia o erro? E Descartes? 3. Quais as conseqüências, para o pensamento pedagógico do período moderno, das mudanças na forma de conceber a possibilidade do conhecimento? 4. De que forma a crença na capacidade dos poderes da razão humana influenciam a forma de agir, pensar e ser do homem? 5. Baseado nas reflexões sobre o período moderno, faça uma análise sobre a influência da concepção de homem, sociedade e natureza na forma de se educar na atualidade bem como o papel da escola e dos conteúdos.

98 Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (01)
Hobbes, Locke e Rousseau, em suas obras, partem da mesma hipótese naturalista para formularem uma resposta a essa questão. Inicialmente os seres humanos viviam em um estado de natureza e somente em um estágio posterior teriam passado a viver em sociedade. No estado de natureza eram livres e donos de um poder individual. Em linhas gerais, para os autores, o poder significava a capacidade de julgar as ofensas recebidas e de aplicar as penas. A liberdade e o poder individual geravam um problema: ao mesmo tempo em que um indivíduo podia julgar os outros, também estava submetido ao julgamento dos outros. Esse problema teria levado os seres humanos a estabelecer um contrato social (nas palavras de hoje, a Constituição de cada uma das nações ), no qual cada indivíduo abria mão da sua liberdade e do seu poder individual e transferia esse poder para uma organização social, como, por exemplo, o Estado ou a Sociedade Civil. Por defenderem a idéia de que a origem do poder do Estado é um “contrato social”, esses autores são denominados “contratualistas”.

99 Hobbes e o Leviatã

100 Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (02)
Thomas Hobbes ( ) Defensor do Estado Absoluto Principal obra: Leviatã. No estado de natureza, o ser humano vive em um contínuo estado de guerra e de insegurança, uma vez que, a qualquer momento, está sujeito a ser atacado pelo seu semelhante. Esse mundo de “guerra de todos contra todos” (bellun omniun contra onnes) não significa o domínio do mais forte; neste caso, o mais fraco pode utilizar a razão e/ou algum instrumento para derrotar o mais forte. A sua concepção de ser humano é resumida na seguinte máxima: homo homini lupus (“o homem é o lobo do homem”).

101 Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (03)
Tendo como princípio que sempre o homem será lobo do homem, Hobbes entende que a segurança só é possível se o poder estiver nas mãos de uma única pessoa ou de uma assembléia. A transmissão do poder individual não pode ser parcial, pois, se isso ocorrer, o pouco de liberdade que cada um mantém colocará em risco a segurança. A busca da paz é coerente com o instinto de conservação. O Estado Absoluto é representado por Hobbes pela figura bíblica do Leviatã: um animal com aparência monstruosa que defende os peixes pequenos de serem devorados pelos maiores. O Estado poderia parecer uma figura monstruosa, mas é ele que protege os fracos dos mais fortes.

102 Locke

103 Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (04)
John Locke ( ) Defensor do Pensamento Liberal Suas principais obras: Segundo Tratado sobre o Governo e Ensaio sobre o Entendimento Humano Locke, ao contrário de Hobbes, é um severo crítico do Estado Absolutista. Combate a idéia de que o direito divino é que garante a legitimidade do exercício do poder.

104 Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (05)
O Estado surge, com base em um pacto entre os indivíduos, para regular a relação entre eles mesmos. Assim, cada indivíduo abre mão da sua prerrogativa individual de julgar e aplicar as penalidades aos outros. O Estado, que é constituído por força da “alienação” das prerrogativas individuais, tem o papel de manter as prerrogativas do indivíduo no estado de natureza, isto é, de manter a liberdade individual, a igualdade, as condições para a manutenção da vida e a propriedade. Quando o Estado não cumpre a sua função, o indivíduo tem o direito de romper o pacto e dissolvê-lo. Locke é caracterizado como um dos pais do liberalismo por considerar que a organização do Estado tem a função de proteger a propriedade privada. Contudo, o Estado não pode extrapolar essa função básica; a sua ação e seu poder devem ser limitados pela liberdade dos indivíduos. Nessa proposta, o Estado tem a função de diminuir os riscos à propriedade e de manter a liberdade do estado de natureza.

105 Rousseau

106 Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (06)
Jean-Jacques Rousseau ( ) Defende a Democracia Direta e Natural O pensamento de Rousseau é expresso em três obras complementares. Na primeira o Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, Rousseau apresenta a sua concepção de ser humano e oferece uma explicação para a degradação da espécie humana e a sua conseqüente desigualdade. No livro Do Contrato Social, apresenta a sua concepção de poder e de organização da sociedade. No livro Emílio ou da Educação, apresenta uma proposta de educação que visa a plena realização da condição humana.

107 Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (07)
Opondo-se a Hobbes, Rousseau considera que a vida em sociedade é que conduz ao estado de guerra. Nela é que se tem a consciência do bem e do mal, da possibilidade de dominar o outro. Uma vez que os freios da natureza são eliminados pela vida associada, torna-se necessário instituir os freios da lei. Neste contexto é que propõe a celebre tese: “o homem é por natureza bom, a sociedade é que o corrompe”. Gracejando com a máxima de Hobbes de que o “homem é o lobo do homem”, podemos afirmar que, para Rousseau, o homem civilizado é o lobo do homem. Contrariando os seus antecessores, Rousseau compreende que um pacto social só é legitimo se cada um conservar o que é seu: a liberdade e o poder. Para tanto, Rousseau faz a distinção entre governo e soberano. Para ele, o soberano é a vontade geral e o governo é apenas um executor dessa vontade. O exercício da soberania é realizado pelo povo, isto é, não é possível nomear alguém para exercer o poder em substituição à vontade geral e essa deve ser expressa pelo todo. Como conseqüência dessa visão, uma lei só é válida se for ratificada pelo povo. Podem-se mencionar, como exemplo dessa perspectiva, os plebiscitos, nos quais o povo é convocado para decidir se uma lei deve entrar em vigor ou não.

108 Capítulo 8 – Proposta de Atividades
1. Considerando que Hobbes, Locke e Rousseau compreendem que os seres humanos agem por interesse: a) Aponte a compreensão que cada tem do papel do interesse na vida humana. b) O que diferencia a visão dos autores? c) Como o professor deveria tratar os interesses dos alunos, segundo a visão de cada autor? 2) Para os autores, quais são as características de um bom professor? 3) Para os contratualistas, a vida em sociedade decorre de um pacto social, as regras que todos devem obedecer têm sua origem em um acordo. Se os autores fossem consultados no processo de elaboração do regimento interno de uma escola, o que cada um proporia?

109 Enciclopédia (capa)

110 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (01)
O Iluminismo representa um movimento intelectual ocorrido no século XVIII, com repercussões no campo da política e da cultura. Seu objetivo era difundir a razão, a "luz", como uma forma de dirigir o progresso da vida em todos os aspectos. Daí o nome iluminismo, tradução da palavra alemã "aufklärung", que significa esclarecimento, iluminação.

111 Voltaire

112 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (02)
Voltaire ( ) A questão da liberdade, que foi o elemento distintivo do “século das luzes”, a tolerância religiosa e a busca de uma relativa igualdade entre os homens, em especial entre burgueses e nobres, foram os temas norteadores das idéias de Voltaire. Ele criticava as prisões arbitrárias, a tortura, a pena de morte e defendia a liberdade de expressão e de pensamento. Era inimigo da Igreja Católica, a que chamava de "a infame", e defensor da religião natural, igual para todos os homens, sem doutrinas e os dogmas da  religião cristã. Deste modo, podemos pensar que uma educação no estilo da filosofia de Voltaire deve estar fundada no reconhecimento da capacidade da razão de nos libertar dos preconceitos, dos dogmas, do fanatismo, da superstição e da intolerância e edificar-se como guia da vida social do homem. O caráter libertador da razão funda-se no processo de busca de um domínio mais aperfeiçoado sobre as paixões.

113 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (03)
O século da luzes também provocou alterações fundamentais na maneira de ver, agir e pensar dos filósofos alemães. Se, na França, vemos a problematização e o debate sobre valores e idéias que pareciam eternas, a Alemanha ofereceu à história da humanidade um conjunto de formulações sobre o mundo, o homem, a ciência, a arte, a política, a educação, que também influenciam de forma marcante os dias atuais. Em lugar de colocar no centro a realidade objetiva ou os objetos do conhecimento, afirmando que são racionais e que podem ser conhecidos por si mesmos, devemos começar colocando no centro a própria razão. A idéia de uma razão absoluta, que vinha sendo desenvolvida pela filosofia clássica, passou a ser considerada dogmática para a filosofia crítica de Kant, que inaugurou o Idealismo Alemão e deu origem a conceitos sobre os quais todos os autores que se seguiram precisaram tomar posição

114 Hegel

115 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (04)
Hegel ( ) (ver página 154) Para ele, a filosofia representa a tentativa de se fazer do pensamento o instrumento capaz de apreender não só aquilo que é ou existe, mas também o processo pelo qual as coisas vêm a ser, tornando-se isso ou aquilo. Semelhante a outras concepções filosóficas, que tiveram a pretensão de captar o saber referente ao particular e ao geral, do concreto e do abstrato, a filosofia de Hegel também procurou apreender o absoluto. “Talvez como nenhum outro filósofo, Hegel preocupa-se com a superação do imediato e do singular em direção às figuras mais abrangentes do pensamento” (SILVA apud CHAUÍ, 1985, p. 109).

116 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (05)
“O que era oposição entre a consciência de si e o mundo torna-se síntese, e o espírito passa a ser em si e para si, superando a consciência subjetiva, mas permanecendo sujeito, agora absoluto” (ABRÃO, 2004, p. 351). É o momento da filosofia propriamente dita. Vemos, portanto, uma dialética regendo o desenvolvimento do espírito, que vai desde a imediaticidade até o auto-reconhecimento absoluto Dialética do Senhor e do Escravo = tese, antítese e síntese. O racional é real e o real é racional. Essa concepção de Estado indica que não há como pensar o indivíduo em estado de natureza, porque ele é sempre um indivíduo social. Nesse processo, o Estado sintetiza, numa realidade coletiva, a totalidade dos interesses contraditórios entre os indivíduos.

117 Marx

118 Marx (1818-1883) – Materialismo Histórico
Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (06) Marx ( ) – Materialismo Histórico O materialismo marxista considera o mundo como uma realidade dinâmica, um complexo de processos, que exige observarmos a realidade dialeticamente, isto é, quando a realidade influencia a idéia e quando a idéia influencia a realidade. Assim, o espírito não é conseqüência passiva da ação da matéria, podendo reagir sobre aquilo que o determina, libertando o ser humano por meio de sua ação sobre o mundo, possibilitando, no futuro, a ação revolucionária. Essa idéia é sintetizada por Marx na seguinte afirmação: “os filósofos se limitaram a interpretar o mundo diferentemente, cabe transformá-lo” (MARX, 1987, p. 163).

119 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (07)
Para Marx, não há uma essência ou natureza humana em geral, pois o ser do homem é sempre historicamente determinado pelas relações que ele realiza com outros homens e com a natureza e estas relações condicionam o indivíduo, a sua pessoa, a qual, por sua vez, condiciona o exterior, as relações sociais. Enfim, o indivíduo humano é um ser social. Portanto, não é com fundamento nas idéias que explicaremos a história; é com base na práxis material que conseguiremos compreender a formação das idéias, e as idéias que dominam numa época histórica são as idéias da classe dominante.

120 Capítulo 9 – Proposta de Atividades
1. Voltaire considera que os sistemas morais são relativos e que é impossível a moral universal. Diante dessa concepção, dê sua opinião sobre o texto a seguir, fazendo a relação com a educação: 2. À luz do que foi exposto na parte sobre Hegel e Marx e do trecho abaixo, faça a distinção entre as idéias dos dois pensadores. 3. Leia os textos abaixo e explique por que Marx afirma que não são as idéias humanas que movem a História, mas são as condições históricas que produzem as idéias, inclusive as educacionais:

121 Comte

122 Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (01)
Augusto Comte ( ) = Positivismo A edificação e a reorganização da sociedade, como propunha o positivismo, passa por um reordenamento progressivo. Segundo ele, a ordem social pode ser obtida apenas quando se estabelecem princípios novos que norteiem os conhecimentos humanos, o que leva a filosofia a perder o seu status tradicional, isto é, a se colocar apenas como um corpo próprio de saber. O caráter positivo atribuído à filosofia indica, por um lado, uma clara reação às tendências dos iluministas, que contestavam as instituições sociais que ameaçavam a liberdade dos homens e, por outro, a pretensão de se instaurar uma ordem social, fundada numa estratificação rígida da sociedade e em uma concepção organicista de mundo.

123 Leis dos 3 estados: teológico, metafísico e positivo.
Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (02) Deste modo, para reformar a sociedade, faz-se necessário, antes de tudo, descobrir as leis que regem os fatos sociais, tomando o cuidado de se afastar das concepções abstratas e das especulações metafísicas, consideradas estéreis. Leis dos 3 estados: teológico, metafísico e positivo. Essa evolução do conhecimento humano, defendida por Comte, está inteiramente ligada à evolução política, social e moral do mundo, que por sua vez promove e beneficia o progresso científico.

124 Husserl

125 Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (03)
Edmundo Husserl ( ) = Fenomenologia A concepção husserliana procura uma nova forma de se conhecer e propõe, portanto, a superação da dicotomia entre sujeito e objeto. Segundo ele, toda consciência é intencional, o que significa que não há pura consciência – o sujeito –, separada do mundo, mas toda consciência visa o mundo. No entanto, também não há o objeto em si, independente da consciência. O objeto é um fenômeno – etimologicamente, “algo que aparece” – para uma consciência e esta é consciência de alguma coisa. O resultado dessa discussão, proposta por Husserl, é a superação do dualismo psicofísico, da separação espírito-corpo, homem-mundo, eu-outro, que marcou a tradição racionalista. Não há pura consciência, separada do mundo, mas toda consciência tende para o mundo e não há objeto em si, este o é, sempre, para um sujeito que lhe dá significado .

126 Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (04)
A expressão existencialismo é geralmente aplicada a um conjunto de idéias filosóficas produzidas, em especial a partir da década de 1930, que têm em comum a análise da existência ou modo de ser do homem no mundo. Dois filósofos expressam de forma contundente a filosofia existencialista: Martin Heidegger (1889 – 1976) e Jean-Paul Sartre(1905 – 1980).

127 Heidegger Sartre

128 Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (05)
Heidegger Se o homem vive apenas nos limites da vida cotidiana, aceitando aquilo que os outros desejam, terá como conseqüência mais desastrosa a dissolução de si próprio, tornando-se um ente exilado de si mesmo e de seu ser. Viver assim é ter uma existência inautêntica. Heidegger considera a angústia como o sentimento que, ao revelar a nossa impessoalidade e o abandono de nosso próprio eu diante do mundo, nos levará a despertar e a desvendar a existência autêntica do homem. Segundo Heidegger, a lucidez, proporcionada pela angústia, diante da possibilidade da morte é o que levará o homem a retomar o seu poder de transcendência sobre o mundo e sobre si mesmo. O homem pode transcender, o que significa dizer que está capacitado a atribuir um sentido ao ser, isto é, produzir diante de si mesmo o mundo, projetando suas próprias possibilidades e, nesse projetar-se, ele não estaria sozinho.

129 Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (06)
Sartre No homem, a existência vem antes da essência. Isso significa que não há uma predefinição do homem e não se pode saber o que ele é antes de ele existir. Na verdade, há uma condição humana que será construída pelas escolhas e pelo projeto que o homem coloca a si mesmo. O homem nada é enquanto não fizer de si alguma coisa. Assim, o conteúdo da consciência não é a própria consciência, como acredita Descartes, mas os objetos que ela visa e reflete. A consciência não se revela a não ser revelando o mundo; ela não pode ser, por isso diretamente objeto de si mesma. Enfim, o homem está condenado a ser livre. O valor da vida é o sentido que cada homem escolhe para si mesmo. Na filosofia existencialista sartreana, esta liberdade obrigada e onipresente só desaparecerá com a morte. A angústia do homem é esta responsabilidade sem limites de controlar seu destino e criar sua existência. Ao escolher, o homem atualiza uma possibilidade, porém mata todas as demais.

130 Capítulo 10 – Proposta de Atividades
1. Comente o texto abaixo, considerando o processo de desenvolvimento do espírito humano, fazendo a interface com a educação. 2. Com base no que foi informado sobre Husserl, comente o texto abaixo. 3. Qual a sua posição sobre a relação que os existencialistas fazem entre a liberdade e a angústia? 4. Dissertação Tema: Escolha umas das concepções filosóficas abordadas no capítulo e exponha os motivos pelos quais concorda ou, se preferir, discorda dela. Enfatize a perspectiva educacional que dela pode ser inferida.

131 Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (01)
Quando retomamos a história da filosofia, o fazemos com base em questões suscitadas no presente, para interpelarmos o passado, reconhecermos o quanto ele se faz presente e, quem sabe, avaliarmos a possibilidade de uma ruptura com ele, que concorra para a construção de um modo de existência melhor no futuro próximo. O uso que fazemos de Adorno e Folcault, na busca de um sentido para o filosofar em educação, deve-se ao fato de que, apesar das diferenças que há entre eles, ambos parecem estar de acordo quanto a ser a tarefa da filosofia um trabalho de reflexão sobre o presente. Por essa razão, mantendo esse espírito de Adorno e Folcault e a ele recorrendo quando necessário, procuraremos apresentar, no decorrer deste capítulo, alguns sentidos para a prática do filosofar sobre e na educação.

132 Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (02)
Saviani (1980) chama a atenção para a necessidade do vínculo entre filosofia e educação (filosofar sobre e na educação) se dar com base na reflexão sobre os problemas educacionais, contribuindo de fato para que os educadores adotem uma atitude filosófica, reflexiva, para com a problemática educacional, própria do nosso tempo presente.

133 Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (03)
Finalidades da filosofia da educação A primeira finalidade consiste em “por em dúvida idéias, práticas e valores não considerando nada do real como óbvio, normal, natural, mas problemático” (KOHAN, 1998, p. 101). Por mais óbvia que seja esta função da filosofia da educação, seu papel é pôr em questão, pôr em dúvida os valores, conceitos e idéias que foram revestidos pelo manto da certeza e da verdade. A segunda finalidade: é “avaliar os pressupostos e implicações de valores, saberes e práticas dominantes” (KOHAN, 1998, p. 104). ... Um outro desafio, não menos imperioso, é o de uma filosofia da educação que interrogue e se contraponha ao processo de padronização e liquidação do indivíduo produzido pelos mecanismos da indústria cultural que, como sabemos, se faz presente na escola sob a roupagem da pedagogia da facilitação, da cultura do resumo, do esquema e do data-show.

134 Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (03)
A indústria cultural confere a tudo um ar de semelhança, induzindo o indivíduo a se ver integrado à totalidade social. Ou seja, o indivíduo não é alguém que preserva sua individualidade, sua maneira própria de ser, sua autonomia moral frente ao mundo, mas torna-se mais um no rebanho, submetendo-se ao coletivo Contra a indústria cultural, a filosofia da educação tem que interrogar sobre o sentido da oposição entre a formação e as idéias e práticas dominantes, avaliando seus pressupostos e suas implicações para os processos formativos.

135 Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (04)
Terceira finalidade: A filosofia da educação põe em questão as formas de pensar excludentes e os irracionalismos que buscam justificar que se pratique contra o outro, seja ele o negro, a mulher, o homossexual, o velho, o pobre, a criança etc., todo tipo de atrocidade, bastando para isso argumentos que os desqualifiquem, que os vejam como inferiores. Queremos dizer como isso que a filosofia da educação tem como função colocar em dúvida os conceitos prévios (os pré-conceitos) que naturalizam e impedem o estranhamento diante do mundo, tão fundamental na luta contra a barbárie.

136 Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (05)
Quarta finalidade: é “o pensar com e contra uma história do pensamento” (KOHAN, 1998, p. 109). Faz-se necessário um mínimo de iniciação em autores como Platão, Aristóteles, em autores medievais, em autores empiristas, em Rousseau, Kant, Hegel. Trata-se aqui de enfatizar, nestes autores ou correntes de pensamento, conforme nos ensina Porchat (1999, p. 135), pontos que ainda estejam presentes nas discussões contemporâneas e exemplificá-los. Esse diálogo deveria ser estabelecido de forma a favorecer o filosofar e não a tratar a filosofia da educação como algo acabado. Por essa razão, é importante também que se dê atenção aos autores contemporâneos e às tendências por eles desencadeadas.

137 Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (06)
Assim, destacamos quatro pontos complementares tratados ao longo do texto sobre filosofar na e sobre a educação: “por em dúvida idéias, práticas e valores não considerando nada do real como óbvio, normal, natural, mas problemático”; “avaliar os pressupostos e implicações de valores, saberes e práticas dominantes”; “enfrentar o preconceito no âmbito das práticas escolares”; “pensar com e contra uma história do pensamento”.

138 Capítulo 11 – Proposta de Atividades
1. No presente capítulo buscamos construir um sentido para o filosofar sobre e na educação. Releia-o e comente por escrito os principais argumentos por nós utilizados em defesa do filosofar sobre e na educação. 2. O poema de Brecht, reproduzido no início do capítulo, é um convite ao filosofar. Comente-o. 3. Afirmamos, com base em um breve comentário sobre o texto de Adorno, intitulado “Tabus acerca do magistério”, que há preconceitos com relação à profissão de professor. Você concorda com este argumento? Tanto em caso afirmativo quanto negativo, apresente suas razões. 4. “Como formar professores que saibam lidar com seus valores e com os valores de seus alunos?”. Sabemos que esta não é uma pergunta fácil, mas refletindo sobre o que dissemos sobre o sentido do filosofar na educação, argumente sobre ela. 5. Por meio do que foi exposto no capítulo, responda: o que significa filosofar sobre o presente? 6. O que é a Indústria Cultural e que efeitos ela exerce sobre nossa formação?

139

140 Escola de Atenas (Rafael)

141 E-MAILS DOS PROFESSORES
Maria Luisa Furlan Costa Célio Juvenal Costa


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