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Fundamentos Filosóficos da Educação Célio Juvenal Costa (organizador)

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Apresentação em tema: "Fundamentos Filosóficos da Educação Célio Juvenal Costa (organizador)"— Transcrição da apresentação:

1 Fundamentos Filosóficos da Educação Célio Juvenal Costa (organizador)

2 Apresentação O assunto deste livro é a Filosofia da Educação. Para desenvolvê-lo, optamos por tratar a educação e a filosofia historicamente, por meio da exposição sobre autores e teorias que se fizeram presentes ao longo da história da sociedade ocidental. Como a filosofia em si é muito ampla e como a educação em si é uma particularidade, ou seja, um objeto restrito, o leitor observará que nos capítulos procuramos evidenciar, primeiramente, os aspectos políticos, sociais e humanos da filosofia, bem como as concepções de ser humano, de natureza e de sociedade presentes nos filósofos e nas correntes filosóficas. Esse procedimento abre um campo de análise que nos permite abordar a educação como uma atividade humana essencialmente social.

3 Capítulos e Autores CAPÍTULO 1 MITOLOGIA GREGA E EDUCAÇÃO Vladimir Chaves dos Santos CAPÍTULO 2 O NASCIMENTO DA FILOSOFIA: OS FILÓSOFOS DA NATUREZA E SÓCRATES Célio Juvenal Costa CAPÍTULO 3 PLATÃO, ARISTÓTELES E O HELENISMO Célio Juvenal Costa CAPÍTULO 4 A ORGANIZAÇÃO DO PENSAMENTO CRISTÃO José Joaquim Pereira Melo CAPÍTULO 5 A FILOSOFIA MEDIEVAL: UMA PROPOSTA CRISTÃ DE REFLEXÃO Terezinha Oliveira CAPÍTULO 6 FILOSOFIA NO RENASCIMENTO Jorge Cantos CAPÍTULO 7 FILOSOFIA MODERNA: BACON E DESCARTES Edeniuce Bernabé Gumieri CAPÍTULO 8 FILOSOFIA POLÍTICA MODERNA: HOBBES, LOCKE E ROUSSEAU José Carlos Rothen CAPÍTULO 9 ILUMINISMO, IDEALISMO E MATERIALISMO HISTÓRICO Alonso Bezerra de Carvalho CAPÍTULO 10 POSITIVISMO, FENOMENOLOGIA E EXISTENCIALISMO Alonso Bezerra de Carvalho CAPÍTULO 11 FILOSOFIA E EDUCAÇÃO Divino José da Silva Pedro Ângelo Pagni

4 Mitologia Grega e Educação Mitologia Grega e Educação Vladimir Chaves dos Santos (1) Mitologia: etimologicamente, significa o conhecimento dos mitos. O mitos não tem uma autoria individual, como entendemos modernamente; ele é o resultado de diversas interven ç ões e, por fim, chega aos rapsodos: Homero e Hes í odo, por exemplo. O mitos pertence ao que chamamos de dom í nio p ú blico.

5 Mitologia Grega e Educação Mitologia Grega e Educação Vladimir Chaves dos Santos (2) A ciência, tal como é entendida pela modernidade, surgiu da negação do mitos, como fala sem justificativa e sem autoria, e da afirmação do logos, a fala que tem razão e autor. Se há duvidas de que haja ciência nos mitos, isso não quer dizer que se duvide de que neles haja sabedoria.

6 Mitologia Grega e Educação Mitologia Grega e Educação Vladimir Chaves dos Santos (3) Mitos: motivações políticas (Orfeu, Zeus) Mitos: motivações morais (Aquiles, Ulisses, Hefesto/Afrodite/Ares, Ícaro/Dédalo, Atenas/Afrodite) Mitos: memória e tradição oral (imortalizar) A mitologia é na verdade uma grande teia de mitos, de tal modo costurados, que é imposs í vel contar o mito de um personagem sem contar o de outros Il í ada x Odiss é ia Musas: deusas das festas e do canto.

7 Mitologia Grega e Educação Mitologia Grega e Educação Vladimir Chaves dos Santos (4) Além de ser útil para o exercício da imaginação e para o reconhecimento da beleza da sabedoria popular, o estudo da mitologia tem um valor histórico: sem ele, não há como compreender o nascimento da filosofia. Embora, em certo sentido, a filosofia nasça em contraposição ao pensamento mitológico, há muitos temas que se conservam na passagem da mitologia à filosofia: o tema da virtude, o tema da constituição do universo com base em elementos simples etc. Apesar das rupturas evidentes, ambas são formas de paidéia, isto é, de educação. De fato, a filosofia como forma de paidéia, tal como no-la apresentou Platão, preserva vivo o sentido social do saber, presente na velha paidéia da mitologia.

8 Orfeu

9 Zeus (Júpiter)

10 Cronos mutila Urano

11 Poseidon

12 Hades

13 Aquiles (ops..)

14 Aquiles

15 Ulisses (as sereias)

16 Hefesto

17 Afrodite (Vênus)

18 Apolo

19 Ares

20 Hermes

21 Minotauro

22 Dédalo e Ícaro

23 Eros e Psiqué

24 Héracles (Hércules)

25 Musas

26 Capítulo 1 – Proposta de Atividades Quais as diferenças entre mitos e logos? Qual a relação entre mitologia e sabedoria popular? Há filosofias nos mitos? Explique

27 O nascimento da Filosofia O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (1) A filosofia é a reflexão do homem sobre o homem. Uma reflexão diferente da religiosa, pois busca, por vias racionais, cient í ficas, chegar a concep ç ões que expliquem a existência do ser humano, em si e em suas rela ç ões e ambientes A filosofia é o logos em oposi ç ão ao mitos A filosofia é filha da periferia Cidades gregas (pólis) A moeda, a escrita e o artesanato (técnica)

28 O nascimento da Filosofia O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (2) 1a. fase: Filosofia da Natureza Filósofos Pré-Socráticos Séculos VII a V a.C. 2a. fase: Filosofia Antropológica ou Sistemática Sócrates, Platão e Aristóteles Séculos V e IV a.C. 3a. Fase: Filosofia Ética Epicurismo, Estoicismo, Ceticismo e Ecletismo Séculos IV e III a.C.

29 O nascimento da Filosofia O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (3) Filosofia naturalista Preocupação cosmológica Busca da arkhé (princípio primordial, originário, constitutivo, dirigente e ordenador de todas as coisas e de todo o universo, até em sua diversidade e contraditórios aspectos)

30 O nascimento da Filosofia O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (4) Escola de Mileto (Ásia Menor) Tales ( a.C.) Arkhé = Água Anaximandro ( a.C.) Arkhé = Ápeiron (ilimitado,infinito) Anaxímenes ( a.C.) Arkhé = Pneuma Ápeiron

31 O nascimento da Filosofia O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (5) Pitágoras ( a.C.) de Samos (Ásia Menor Arkhé = Número Distinção entre corpo e alma Escola Eleática (Eléia na Magna Grécia) Xenófanes ( a.C.) Parmênides ( a. C.) Zenão ( a.C.) Arkhé = ser Não há movimento Filosofia da essência

32 O nascimento da Filosofia O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (6) Heráclito ( a.C.) de Éfeso (Ásia Menor) Arkhé = fogo (material e metafórico) O movimento existe e é contínuo Filosofia da existência Empédocles ( a.C.) de Agrigento (Magna Grécia) Arkhé = 4 raízes (ar, água, terra e fogo) Nascimento=associação / morte=dissociação

33 O nascimento da Filosofia O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (7) Escola Atomista Leucipo (500-? a.C.) de Agrigento Demócrito ( a.C.) de Abdera Arkhé = Átomo Ser = átomo = descontínuo corpóreo Não-Ser = vazio = contínuo incorpóreo

34 O nascimento da Filosofia O nascimento da Filosofia Célio Juvenal Costa (8) Período antropológico ou sistemático. Atenas – século V (apogeu e início das crises) Legisladores Guerras Médicas Tragédias Gregas Péricles Sócrates Sócrates só sei que nada sei conhece-te a ti mesmo Ironia x maiêutica

35 Sócrates (a morte)

36 Capítulo 2 – Proposta de Atividades 1.Relacione as diferenças entre o pensamento filosófico e o pensamento mitológico. 2. Qual a importância da moeda, da escrita e do artesanato para o surgimento da filosofia? 3. Por que o período dos chamados pré-socráticos é chamado de cosmológico? 4. Escolha um pensador pré-socrático e defenda suas idéias como se estivesse em um tribunal. 5. Faça com um colega uma tentativa de aplicação do método socrático, discorrendo sobre a virtude, ou sobre a justiça, a felicidade, o amor etc. 6. Se você estivesse, como jurado, no tribunal que julgou Sócrates, você votaria contra ou a favor dele? Por quê?

37 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (1) Atenas – século IV (declínio) Guerra do Peloponeso (conseqüências) Sofistas Gregos Críticas à validade positiva das leis Valorização da retórica Comédias Gregas Platão Aristóteles

38 Platão e Aristóteles

39 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (2) Platão Platão ( a.C.) Crítico de sua sociedade, considerando-a injusta, ou propiciadora da injustiça A República – obra fundamental de filosofia política e educacional 3 partes Livro I e parte do II – crítica à sociedade Livro II – construção lógica da cidade Livro II ao final (X) – construção da sociedade ideal. É preciso deixar claro que, ao falar de uma sociedade utópica, Platão não está se alienando da realidade social, mas, sim, contrapondo-se ela: falar do ideal é falar do real.

40 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (3) A República A alma da pessoas e os metais Platão apresenta a idéia de que a alma das pessoas contém metais que determinam sua natureza. Ouro, prata, bronze e ferro estão presentes, misturados às almas dos indivíduos, e indicam a função deles na sociedade. Se existe ferro ou bronze na alma, a pessoa está mais apta a desenvolver trabalhos manuais, ou seja, deverá compor a classe produtiva; se o metal for a prata, está apta para se tornar um guardião da cidade; e, se for uma alma dourada, deverá ser o magistrado, o líder daquela sociedade

41 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (4) A República O papel da Educação Como identificar esses metais na alma humana? Por meio da educa ç ão da infância e da juventude, responde Platão, pois cabe a ela identificar e revelar a natureza humana. É por meio da educa ç ão que a sociedade toda pode conhecer qual é a aptidão do indiv í duo e a melhor fun ç ão que ele pode desempenhar na cidade.

42 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (5) O mito da Caverna e a Educação O processo da educa ç ão é semelhante ao de sair da caverna; deve ser vagaroso, escalonado, passar, paulatinamente, do que é mais f á cil para o que é mais dif í cil. Quem conduz o homem para fora da caverna é, para Platão, o fil ó sofo, pois s ó ele consegue atingir o pleno conhecimento das coisas; s ó ele consegue olhar o sol e compreender toda a sua plenitude; e, portanto, ele é quem deve conduzir a sociedade para o bem.

43 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (6) O mundo inteligível (idéias) x mundo sensível (realidade) O grande m é rito de Platão é ter constru í do um sistema que, a partir daquele momento, praticamente definiu as partes da filosofia: metaf í sica, com o objetivo de conhecer o ser e o que est á no princ í pio de tudo; a l ó gica, ou seja, a forma de comunicar esse conhecimento aos homens; e a é tica, que é a vivência individual e, principalmente, social, das regras advindas do verdadeiro conhecimento

44 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (7) Aristóteles Aristóteles ( a.C.) Crítico da sociedade ateniense e do método platônico de conhecer a realidade. Política Preocupação com a indefinição dos papéis sociais É uma análise realista da sociedade, não recorrendo à utopia.

45 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (8) Política Conceito de natureza como sendo o estágio final de algo (cidade) O homem como um animal político A autoridade é diferenciada na cidade: autoridade do senhor e autoridade do cidadão Justiça: o interesse do Estado (os pés e as mãos somente adquirem sentido fazendo parte do corpo)

46 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (9) Política Neste contexto, a educa ç ão para o Estagirita adquire um tom bem mais realista e concreto do que em seu mestre, pois não h á a idealiza ç ão de uma forma e de um conte ú do educacional, at é porque não h á qualquer metal a ser descoberto na alma das crian ç as. O que h á é a clareza de que a melhor educa ç ão para uma cidade é aquela que se amolda à pr ó pria constitui ç ão da cidade. Ou seja, numa democracia, a educa ç ão dever á formar o esp í rito democr á tico nas crian ç as; numa aristocracia, o esp í rito ser á aristocr á tico e assim por diante. É claro que Arist ó teles tamb é m indica que, como existem constitui ç ões melhores e piores, a melhor educa ç ão é aquela que corresponde à melhor constitui ç ão. No entanto, qualquer que seja a constitui ç ão, a educa ç ão das crian ç as e jovens deve ficar a cargo do Estado, pelo interesse direto que o governo deveria ter na forma ç ão do esp í rito de seus jovens.

47 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (10) Há apenas uma realidade: a dos seres singulares Noção de ato x potência Justiça está no meio-termo entre a falta e o excesso Tanto a falta como o excesso de exercícios físicos prejudicam o vigor; o beber e o comer demais ou de menos prejudicam a saúde; a coragem está a meio caminho da covardia e da temeridade. São estes alguns exemplos desta noção de virtude, noção esta que é, porque não, também educativa, pois colabora para o viver bem, dignamente e com sobriedade

48 EpicuroZenão

49 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (11) Período Ético Helenismo: a expansão da cultura grega A pólis dá lugar à cosmópolis A filosofia grega do período helênico caracteriza-se pela preocupação com o homem em si, com o indivíduo. Por isso, esse período chamado de ético caracteriza-se por dar respostas acerca do que é a verdadeira felicidade e de como alcançá-la. Para isso, elaboram-se espécies de receituários sobre o que fazer para se tornar um indivíduo sábio e, portanto, feliz

50 Platão, Aristóteles e o Helenismo Platão, Aristóteles e o Helenismo Célio Juvenal Costa (12) Escolas Filosóficas Epicurismo = Epicuro ( a.C.) Estoicismo = Zenão ( a.C.) Atitudes Filosóficas Ceticismo Ecletismo

51 Capítulo 3 – Proposta de Atividades 1. Faça uma pesquisa com o objetivo de estabelecer as semelhanças e as diferenças entre a democracia de Atenas do século V a.C. e a de hoje em dia. 2. Quais os motivos que fizeram dos sofistas gregos homens importantes na sociedade ateniense? 3. Qual a avaliação que Platão e Aristóteles fizeram da sociedade em que viveram? 4. Estabeleça com um colega um mini-debate entre as concepções de educação de Platão e de Aristóteles, no qual cada um deve simular defender um desses pensadores. Para dar mais profundidade ao debate, leve em conta as concepções de ser humano e de natureza humana para Platão e Aristóteles. 5. Por que a filosofia no helenismo voltou-se para o homem individual e buscou mostrar-lhe o caminho da felicidade?

52 A Organização do Pensamento Cristão A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (01) Origens do Cristianismo: espiritualmente judeu, politicamente romano, culturalmente helênico. Do mundo judeu, o cristianismo recebeu a inspira ç ão doutrinal e asc é tica do Antigo Testamento, complementada pelo Novo Testamento. A organiza ç ão de suas institui ç ões, como a sinagoga e a fam í lia, tamb é m contribuiu para a inspira ç ão cristã

53 A Organização do Pensamento Cristão A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (02) Do mundo romano, herdou as vantagens oferecidas pelo Estado, beneficiando-se principalmente de sua tolerância religiosa em rela ç ão aos povos submetidos, em particular os judeus. Beneficiou-se tamb é m: da seguran ç a garantida pela paz romana, da l í ngua de amplo alcance, da organiza ç ão administrativa e institucional e da rede de comunica ç ão do Imp é rio. Do helenismo, mesmo negando grande parte de sua cultura, não dispensou boa parte de suas reflexões, pois muitas delas contribu í am para a dissemina ç ão da nova f é. Merece destaque tamb é m o esquema terminol ó gico e conceitual que o fundamentava

54 Paulo

55 A Organização do Pensamento Cristão A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (03) Paulo de Tarso = papel fundamental na expansão e na unifica ç ão do cristianismo Apesar das diferen ç as entre o saber cl á ssico e o saber cristão que se pontua a partir de Corintios, foi no conte ú do cl á ssico que, contraditoriamente, Paulo de Tarso encontrou os elementos necess á rios para a composi ç ão do seu discurso evangelizador. A efic á cia dessa estrutura ç ão discursiva é incontest á vel, ela foi decisiva para os novos rumos tomados pelo cristianismo, o que se pode constatar no findar do per í odo apost ó lico, por volta dos anos 70, quando ganharam destaque as reflexões dos primeiros pensadores cristãos

56 A Organização do Pensamento Cristão A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (04) Per í odo p ó s-apost ó lico (s é culo I): Santo In á cio São Policarpo São Clemente de Roma Para esses primeiros pensadores cristãos, o que importava era refletir a mensagem de Jesus em sua simplicidade e originalidade, explicando-se assim, em parte, sua atitude de quase indiferen ç a em rela ç ão à cultura cl á ssica

57 A Organização do Pensamento Cristão A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (05) Padres Apologistas (s é c. II): resultado da persegui ç ão dos cristão pelos romanos São Justino (72-165) São Te ó filo (?-181) Taciano A partir desse momento, objetivando evidenciar a superioridade cristã em compara ç ão ao paganismo, esses porta-vozes da Igreja lan ç aram mão das mesmas armas dos seus opositores. Para defender publicamente seus princ í pios de f é, o alvo de suas cr í ticas eram os aspectos que eles consideravam mais negativos no estilo de vida dos pagãos Para os apologistas defensores dessa posi ç ão, era poss í vel, mesmo com muita dificuldade, chegar à condi ç ão de cristão e de s á bio na escala humana. No entanto, uma coisa era certa, apenas a ciência revelada garantia o exerc í cio da retidão

58 A Organização do Pensamento Cristão A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (06) Padres Latinos e Gregos (s é c. III) Gregos: defensores da s í ntese entre a f é cristã e a filosofia grega Clemente de Alexandria ( ) Or í genes ( ) Latinos: defensores da pureza da religião, sem na necessidade da especula ç ão filos ó fica Tertuliano ( ) À medida que se evidenciava a importância do legado cl á ssico para a cultura cristã, at é mesmo radicais, como Tertuliano, admitiam que os cristãos precisavam do conhecimento da cultura pagã para a sua vida profissional e para a efic á cia de sua a ç ão, bem como para a fundamenta ç ão da f é

59 A Organização do Pensamento Cristão A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (07) Patrística - séc. IV e a síntese dos doutores da Igreja Pensadores da Igreja oriental São Basílio ( ) São Gregório de Nisa ( ) São Gregório Nazianzeno ( ) São João Crisóstomo ( ) Pensadores da Igreja ocidental São Jerônimo ( ) Santo Agostinho ( )

60 A Organização do Pensamento Cristão A Organização do Pensamento Cristão Joaquim José Pereira Melo (Neto) (08) Santo Agostinho No entanto, foi Santo Agostinho quem obteve maior destaque nesse processo, motivo pelo qual ele é considerado um dos mais profundos fil ó sofos cristãos e um dos gênios da teologia de todos os tempos. Ele pôs à disposi ç ão do cristianismo a profundidade e a vivacidade do seu pensamento, o que garantiu que a rela ç ão entre o saber cristão e o saber pagão ganhasse nova dimensão Baseando-se no racioc í nio de que a cultura cl á ssica possibilitava o desenvolvimento humano e de que Deus havia colocado o homem no mundo para a santifica ç ão, Santo Agostinho postulava que parte desses saberes poderia colaborar para a prepara ç ão do caminho para a realiza ç ão desse plano divino. Não se justificava, portanto, uma atitude de desd é m ou de superioridade perante o saber humano.

61 Santo Agostinho

62 Capítulo 4 – Proposta de Atividades 1. Como vimos no in í cio do cap í tulo, a religião cristã recebe influência de três realidades: a religião judaica, a cultura grega e a organiza ç ão romana. Fa ç a um pequeno texto, comentando estas caracter í sticas formativas do cristianismo. 2. Estabele ç a as diferen ç as entre as concep ç ões de homem existentes na filosofia grega e no cristianismo. 3. Encontre passagens nos Atos dos Ap ó stolos e nas cartas de Paulo, na B í blia, sobre como era concebida a sabedoria dos gregos para os primeiros padres da Igreja. 4. Debata com um colega a seguinte questão: por que somente na Patr í stica, particularmente com Santo Agostinho, o cristianismo pode, de fato, contar com uma filosofia?

63 A Filosofia Medieval A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (01) A filosofia da Idade Média é a Escolástica Pressupostos: A Idade M é dia não foi constante, unit á ria. ora foi marcada por invasões, ora assumiu a forma de rela ç ões feudais, ora a forma de rela ç ões urbanas e mercantis O fio condutor foi a reflexão cristã (Escol á stica) A Idade M é dia não foi obscura, supersticiosa etc. A Idade M é dia inicia-se com a desagrega ç ão do Imp é rio Romano do Ocidente. O Mosteiro de São Bento (529) como marco do in í cio da filosofia cristã escol á stica. O termo escol á stica est á ligado à escola. Num primeiro momento da Escol á stica, as id é ias platônicas da sociedade ut ó pica influenciaram na conversão de povos b á rbaros ao Cristianismo.

64 Boécio

65 A Filosofia Medieval A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (02) Boécio ( ) = decadência do mundo romano e início da Escolástica Principal obra: Consolação da Filosofia Assim, seus escritos encontram-se na transição entre uma sociedade, cujas preocupações são o conhecimento da filosofia, e outra, onde predominam, acentuadamente, os costumes bárbaros e os interesses materiais. Em razão disso, o único pensamento abstrato que os homens possuem, em geral, é a religião. Boécio marca não somente o fim da filosofia grega e da patrística, mas fundamentalmente o surgimento de um novo tempo, baseado na riqueza, na força e na religião.

66 Alcuíno

67 A Filosofia Medieval A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (03) Alcuíno ( ) = a tentativa de organizar um império (o de Carlos Magno) nos moldes romanos. Renascimento Carolíngio Trivium (gramática, retórica e dialética) e Quadrivium (geometria, matemática, astrologia e música) A aula de Alcuíno é um exemplo nítido do filosofar medieval. Ao mesmo tempo em que busca ensinar os valores cristãos, também mostra a importância do conhecimento da natureza. Nesse sentido, o mestre retoma os quatro elementos da natureza que, segundo os pré-socráticos, eram responsáveis pela criação do universo: o ar, a água, o fogo e a terra.

68 Santo Anselmo

69 A Filosofia Medieval A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (04) Santo Anselmo ( ) = organiza ç ão do sistema feudal e o renascimento das cidades e do com é rcio. Sua é poca é outra, distinta da de Bo é cio e Alcu í no. Os homens vivem um novo momento, o do renascimento das cidades, do studium generale e da sistematiza ç ão das rela ç ões feudais. Suas formula ç ões, exemplo de reflexões Escol á sticas, precisavam mostrar, pela razão e pelo intelecto, a existência de Deus em todas as coisas. É por isso que a sua reflexão evidencia alguns aspectos novos e relevantes quanto ao pensamento educacional. Como te ó rico de seu tempo, afirma que, para que os homens compreendam qualquer elemento da natureza em sua essência, precisam entender e desenvolver a razão, ou seja, coloca a f é e a razão como premissas para a existência do homem. Assim, a m á xima que Anselmo pretende mostrar é que, para crer em Deus e entender a cria ç ão da pr ó pria natureza, o homem necessita fazer uso da razão.

70 A Filosofia Medieval A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (05) O século XIII : Igualmente, nesse século assistimos a um profundo movimento de reforma da Igreja e, com ele, o surgimento das Ordens Mendicantes (Dominicanos e Franciscanos). Dessas ordens saíram os principais filósofos dos séculos XIII e XIV, como Roger Bacon, Alberto Magno, São Boaventura, Siger de Brabant, Tomás de Aquino, Guilherme de Ockham, entre outros. Estes personagens são os grandes mestres das principais Universidades européias do medievo, como Oxford, Paris e Bolonha. Todas foram fundadas na primeira metade do século XIII. Delas saíram, também, os principais administradores leigos que o Ocidente conheceu

71 São Tomás de Aquino

72 A Filosofia Medieval A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (06) Tom á s de Aquino ( ) = fortalecimento das cidades e surgimento das universidades. Para Pieper, pelo fato de Tom á s de Aquino encarnar a agita ç ão da vita activa, ele toma para si a tarefa de ensinar e de pregar a totalidade da concep ç ão cristã. Essa totalidade implica necessariamente a jun ç ão entre os conhecimentos sagrados e profanos para se produzir uma doutrina nova e universalizante, capaz de explicar aos homens a totalidade de seu ser. Não nos esque ç amos de que, do ponto de vista de Tom á s de Aquino, a mat é ria é algo tão importante quanto o esp í rito. Ali á s, a revolu ç ão de seu pensamento est á exatamente nessa capacidade de unir em um s ó conhecimento alma e corpo, Teologia e Filosofia. De seu ponto de vista, o que existe no ser humano, na natureza, no conhecimento, é semelhante à unidade entre a pessoa Trina e Una de Deus. Esse pensamento representa uma grande revolu ç ão no seio da cristandade latina, pois, at é então, para os doutores da Igreja, a alma era o elemento mais importante do homem e o mestre Tom á s eleva tamb é m o corpo ao mesmo n í vel de importância.

73 A Filosofia Medieval A Filosofia Medieval Terezinha Oliveira (07) Outro aspecto que consideramos importante discutir é a id é ia que sempre norteia os escritos de Aquino, qual seja, a jun ç ão entre o conhecimento aristot é lico e a sua f é. Apoiando-se em Arist ó teles, ele mostra que é Deus quem d á aos homens o intelecto capaz de apreender e ensinar. Assim, ao responder à s obje ç ões feitas no artigo primeiro, Tom á s de Aquino formula a id é ia de que o homem pode ser verdadeiramente professor. Nesses dois artigos sobre a questão do ensino, mais uma vez fica expl í cito o princ í pio fundamental da Escol á stica, ou seja, a id é ia de que é a razão humana, aliada à f é cristã, que produz o conhecimento. Em suma, o homem produz o conhecimento. Isso é bastante revolucion á rio para a é poca, principalmente porque ainda se buscava explicar todas as coisas a partir da vontade divina. Esta formula ç ão foi poss í vel a Tom á s de Aquino por sua concep ç ão mais abrangente sobre o conhecimento.

74 Capítulo 5 – Proposta de Atividades 2. Ao analisarmos o processo educativo nos primeiros s é culos que marcam o nascimento da Idade M é dia, é not á vel a influência do pensamento religioso na constru ç ão dessa educa ç ão. Com base nessa premissa, analise de que forma a religião e a educa ç ão caminham juntas para a elabora ç ão de um novo modo de filosofar. 4. Ao longo da Idade M é dia, a Escol á stica, ou a filosofia cristã, prevaleceu como sendo a forma de ser da educa ç ão, do filosofar e da religião. Contudo, embora tenha permanecido ao longo dos quase dez s é culos que marcaram a existência dessa é poca hist ó rica, não foi ú nica e homogênea em sua forma de ser. Ao contr á rio, variou de acordo com as nuan ç as que ocorreram na hist ó ria. Foi exatamente por isso que pontuamos, ao longo do cap í tulo, diferentes autores que expressaram essas mudan ç as. Retome esses autores, analise as propostas educacionais e o filosofar escol á stico no qual se manifestam as transforma ç ões educacionais. Centre-se na id é ia de que a educa ç ão e o filosofar cristão do medievo não são um bloco ú nico e homogêneo, mas expressam uma é poca que produziu diferentes homens e modelos educacionais, embora imbu í dos, ao longo de toda a é poca, do filosofar escol á stico.

75 Filosofia no Renascimento Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (01) A filosofia geral do Renascimento é o Humanismo. Expressão de mudan ç as sociais nos campos econômico-social, pol í tico, religioso e cultural. Como decorrência dessa nova realidade, as bases do pensamento filos ó fico e do pensamento em geral modernos são engendradas, nascendo progressivamente o homem individual, autônomo e consciente de si e que come ç a a pôr a sua razão e as suas capacidades intelectuais a servi ç o de uma nova compreensão e transforma ç ão do mundo.

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77 Filosofia no Renascimento Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (02) É por isso que a filosofia predominante no Renascimento é o humanismo. Com efeito, de um lado, desencadeia-se um processo de supera ç ão do pensamento teista cl á ssico (greco- romano) da solu ç ão dualista do problema metaf í sico (que afirma que existem Deus e o mundo, mas que estes são separados entre si) e da solu ç ão da transcendência cristã (onde religião e civiliza ç ão, teologia e filosofia, Igreja e Estado, clero e laicato estão harmonizados pela transcendente unidade cristã). Por outro lado, o Renascimento inicia uma concep ç ão do pensamento moderno, monista e imanentista do mundo e da vida, ou seja, não somente Deus e o mundo são a mesma coisa, como o problema de Deus é resolvido num mundo natural e humano.

78 Filosofia no Renascimento Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (03) O humanismo é, em terceiro lugar, o reconhecimento do homem como ser natural, prel ú dio da ciência moderna. De fato, h á uma ruptura do centro c ó smico, uma transforma ç ão do geocentrismo em heliocentrismo; h á um deslocamento tamb é m do centro religioso de Roma e do catolicismo para o campo do laicato e das igrejas reformadas; h á igualmente uma passagem do poder pol í tico do papado e do Sacro Imp é rio para os reinos modernos independentes e para as cidades burguesas do capitalismo em expansão; h á ainda uma passagem do centro te ó rico do aristotelismo tomista da escol á stica, do mundo medievo teocêntrico hierarquizado de seres e de id é ias, para a concep ç ão humanista e naturalista.

79 Thomas More

80 Filosofia no Renascimento Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (04) Thomas More ( ) Obra principal: A Utopia Em A utopia, que é um lugar nenhum, apresentando a comunica ç ão de Rafael Hitlodeu, More faz, no primeiro livro, uma an á lise cr í tica da sociedade inglesa de seu tempo. Da tirania e da corrup ç ão na á rea pol í tica, do abuso da propriedade privada, dos desequil í brios e do desemprego na á rea econômica e da mis é ria na á rea social decorrem para ele os grandes males da sociedade. Destarte, ele est á preocupado com o homem, com a sociedade e com o Estado e seu sistema de governo, e particularmente com o desemprego na Inglaterra, mas não atribui a mis é ria social ao consenso da é poca, de que esta é causada pelo grande n ú mero de ociosos, e sim aos grandes propriet á rios, que vivem no luxo sup é rfluo, no ó cio e no prazer, indiferentes à mis é ria que os cerca.

81 Filosofia no Renascimento Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (05) Como rea ç ão à sociedade inglesa de seu tempo, no segundo livro de A Utopia, More constr ó i o modelo de uma sociedade ideal, essencialmente agr í cola, est á vel e de alto n í vel de vida material e espiritual, propondo um Estado ideal e exemplar. Volta-se para o passado cl á ssico e inspira-se, em grande parte, numa teoria naturalista, na filosofia epicurista e, de modo prec í puo, no modelo da Rep ú blica, de Platão, cujos cidadãos vivem e se organizam baseados no princ í pio da comunhão de bens. Esse comunismo, que em More abrange o Estado inteiro, é necess á rio para a realiza ç ão da justi ç a e para a existência de um governo eficiente e desinteressado, e que é condi ç ão da felicidade e do conv í vio social. Em s í ntese, A utopia é a cr í tica do presente, assentada no passado, pela elabora ç ão de uma outra sociedade futura, poss í vel, justa, livre, igualit á ria, racional e perfeita.

82 Maquiavel

83 Filosofia no Renascimento Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (06) Nicolau Maquiavel ( ) O Pr í ncipe é sua obra mais conhecida Na verdade, tanto em O Pr í ncipe quanto em A primeira D é cada de Tito L í vio, Maquiavel busca explicar não as formas ou regimes de governo, mas apenas como surge e como se mant é m o Estado Moderno. Desse modo, aspirando a uma It á lia unificada, Maquiavel esbo ç a a figura do Pr í ncipe capaz de promover o Estado forte e est á vel. É uma esp é cie de manual de governo para uso do Pr í ncipe, para que este saiba conquistar e conservar o Estado, obedecendo, segundo interpreta ç ão corrente, ao princ í pio de que os fins justificam os meios. Trata-se de uma concep ç ão naturalista, segundo a qual o Estado tem origens naturais, ou seja, no modo como os homens vivem em sociedade

84 Filosofia no Renascimento Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (07) O Estado é, assim, a obra-prima da humanidade; est á acima da religião e da moral transcendente. Isto implica uma racionalidade estrat é gica, instrumental, de meios e fins, de razão pr á tica, fruto de uma boa observa ç ão; significa tamb é m que a pol í tica adquire a sua pr ó pria moral. Portanto, contrariamente a More, que, ao explicar como o homem deve agir, cria sistemas ut ó picos, Maquiavel rejeita a pol í tica normativa dos gregos e defende uma nova pol í tica, que se baseie na verdade efetiva, ou seja, em como o homem age de fato. Seu m é todo estipula a observa ç ão dos fatos, de forma a superar, por meio de pr á ticas emp í ricas, os esquemas meramente dedutivos da Idade M é dia. Seu realismo antiutopista alia-se a uma tendência utilitarista, uma vez que ele pretende desenvolver uma teoria voltada para a ç ão imediata e eficaz. Nisso consiste a concep ç ão educacional de Maquiavel para o pr í ncipe laico

85 Erasmo

86 Filosofia no Renascimento Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (08) Erasmo de Roterdã ( ) Erasmo escreveu inúmeras obras. As especificamente pedagógicas são: A civilidade pueril, Educação do príncipe cristão, Sobre a abundância das palavras e das coisas, Sobre a educação liberal das crianças, e Sobre o método para estudar. As obras consideradas de polêmica literária são A pronúncia correta do latim e do grego, O ciceroniano e Os antibárbaros. Entre as obras diversas podem ser lembradas os Adágios, as Cartas de São Jerônimo, Colóquios, Diatribe sobre o livre arbítrio, Elogio da loucura, Manual do soldado cristão, o Novo Testamento, poemas, como Sobre a velhice, além de seu Epistolário.

87 Filosofia no Renascimento Filosofia no Renascimento Jorge Cantos (09) Como a maioria dos renascentistas, ele é partícipe da concepção moderna do poder transformador do homem e da realidade pela educação. Encontrando na filosofia de Cristo e nas letras os meios privilegiados para essa transformação, Erasmo pretende - diferentemente de More, com sua sociedade ideal, e de Maquiavel, com seu Estado laico, mas tendo com eles muitos pontos em comum, como a aspiração por uma nova sociedade ou a proposta de formação do príncipe -, por meio de uma educação liberal e cristã, formar um homem preparado para todas as estações, prioritariamente o príncipe cristão, educado nas Letras, na virtude e na piedade. Desse modo, compreende-se a conclusão enfática de Erasmo de que a escola, tal qual a que existe em sua época, não é necessária, porque ela não é ideal. No entanto, é preciso uma escola pública. A escola realmente pública deve ser construída: a escola do Príncipe, liberal e cristã, adaptada aos tempos, uma nova escola. Uma escola capaz de criar um homem para todas as estações. É a escola moderna em gestação, não exatamente como Erasmo a propõe, mas com certeza devendo muito à sua proposta.

88 Capítulo 6 – Proposta de Atividades 1. Identifique a concep ç ão de homem, de natureza e de sociedade de cada um dos três autores e infira sobre as suas implica ç ões para a educa ç ão. 2. Localize as passagens dos textos, em que cada autor valoriza o passado cl á ssico, utilizando o recurso da cultura cl á ssica, e pesquise sobre elas. 3. Compare o tipo de cr í tica dos três autores à educa ç ão vigente no per í odo renascentista. 4. Explique as caracter í sticas, os pontos convergentes e divergentes da nova educa ç ão proposta por cada um deles.

89 ciência moderna

90 Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Edeniuce Bernabé Gumieri (01) O método científico (em oposição ao método escolástico) Estes pensadores (Galileu, Newton, Bacon, Hobbes, Locke e Descartes) tinham uma característica comum: acreditavam que, para existir conhecimento verdadeiro, este teria que ser mensurável matematicamente. Assim, era preciso uma reformulação de toda a produção do conhecimento. Portanto, a preocupação de alguns filósofos era a reconstrução do saber sobre bases mais sólidas, possíveis de serem comprovadas pela razão; um saber que, desta forma, adquirisse uma independência em relação à revelação, como pretendia a Escolástica.

91 Bacon

92 Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Edeniuce Bernabé Gumieri (02) Francis Bacon ( ) = empirismo A obra principal de Bacon é a Instauratio Magna Scientiarum, que deveria ter compreendido seis partes; por é m dessas apenas duas foram conclu í das, as demais foram apenas esbo ç adas. Esta obra compreende pesquisas gnosiol ó gicas, cr í ticas e metodol ó gicas, cuja finalidade era lan ç ar as bases l ó gicas da nova ciência, da nova filosofia, que deveria dar ao homem o dom í nio da realidade. O importante para Bacon era a ciência da natureza, da í o Novum Organum, que compreendia a segunda parte da Instauratio e na qual ele propunha uma forma para se chegar à novas teorias, um m é todo que, a seu ver, possibilitava a constru ç ão do conhecimento dos fenômenos.

93 Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Edeniuce Bernabé Gumieri (03) Na perspectiva baconiana, era necessário livrar-se dos erros e, assim, poder iniciar a grande reconstrução do conhecimento. Passando de dominado a dominador da natureza, o homem deve conhecer as leis da natureza por métodos comprovados. Bacon (1979, p. 76) declara: [...] nossa disposição é de investigar a possibilidade de realmente estender os limites do poder ou da grandeza do homem e tornar mais sólidos os seus fundamentos.

94 Descartes

95 Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Edeniuce Bernabé Gumieri (04) Ren é Descartes ( ) = racionalismo Na busca pela reformula ç ão do conhecimento e pela precisão da ciência, Ren é Descartes se apropria da incerteza iminente sobre a realidade, da dificuldade de crer nos argumentos da filosofia tradicional e, transformando a d ú vida em m é todo de investiga ç ão, adota o ceticismo como caminho para se chegar à verdade e d á continuidade à nova concep ç ão de f í sica, que tinha sido iniciada por Galileu Galilei ( ) na obra O ensaiador: a natureza est á escrita em linguagem matem á tica. Ou seja, Descartes d á continuidade à tarefa de refazer a sistematiza ç ão do saber, procurando unir a ciência e a filosofia, a f í sica e a metaf í sica. Para estes pensadores, a matem á tica era um poderoso instrumento de conhecimento, plenamente adequado à decifra ç ão da realidade natural.

96 Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Filosofia Moderna: Bacon e Descartes Edeniuce Bernabé Gumieri (05) Tendo se utilizado da d ú vida met ó dica, Descartes percorre o caminho que leva à incerteza de tudo o que existe, não considerando verdadeiro nada do que se pensa. Contudo, ao proceder desta maneira, a d ú vida vai, ao mesmo tempo, afirmando-se como pensamento e afirmando sua pr ó pria existência. Uma vez que a d ú vida é real, o pensamento que a gera é real tamb é m. Quando a d ú vida é superada, pode-se construir o saber sobre bases mais seguras que as da escol á stica. A nova base é a subjetividade fundada na razão matematizada. Logo, a imagina ç ão é incapaz de demonstrar qualquer conhecimento certo, mas a razão pode, de forma sistematizada, chegar à verdadeira investiga ç ão filos ó fica, cient í fica e t é cnica.

97 Capítulo 7 – Proposta de Atividades 1. Bacon e Descartes postulavam que, para haver a possibilidade do conhecimento, era necess á rio ter um m é todo. Por que a questão do m é todo tornou-se tão relevante? Em sua opinião, de fato, o m é todo é necess á rio? 2. Como Bacon definia o erro? E Descartes? 3. Quais as conseq ü ências, para o pensamento pedag ó gico do per í odo moderno, das mudan ç as na forma de conceber a possibilidade do conhecimento? 4. De que forma a cren ç a na capacidade dos poderes da razão humana influenciam a forma de agir, pensar e ser do homem? 5. Baseado nas reflexões sobre o per í odo moderno, fa ç a uma an á lise sobre a influência da concep ç ão de homem, sociedade e natureza na forma de se educar na atualidade bem como o papel da escola e dos conte ú dos.

98 Filosofia Política Moderna Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (01) Hobbes, Locke e Rousseau, em suas obras, partem da mesma hipótese naturalista para formularem uma resposta a essa questão. Inicialmente os seres humanos viviam em um estado de natureza e somente em um estágio posterior teriam passado a viver em sociedade. No estado de natureza eram livres e donos de um poder individual. Em linhas gerais, para os autores, o poder significava a capacidade de julgar as ofensas recebidas e de aplicar as penas. A liberdade e o poder individual geravam um problema: ao mesmo tempo em que um indivíduo podia julgar os outros, também estava submetido ao julgamento dos outros. Esse problema teria levado os seres humanos a estabelecer um contrato social (nas palavras de hoje, a Constituição de cada uma das nações ), no qual cada indivíduo abria mão da sua liberdade e do seu poder individual e transferia esse poder para uma organização social, como, por exemplo, o Estado ou a Sociedade Civil. Por defenderem a idéia de que a origem do poder do Estado é um contrato social, esses autores são denominados contratualistas.

99 Hobbes e o Leviatã

100 Filosofia Política Moderna Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (02) Thomas Hobbes ( ) Defensor do Estado Absoluto Principal obra: Leviatã. No estado de natureza, o ser humano vive em um cont í nuo estado de guerra e de inseguran ç a, uma vez que, a qualquer momento, est á sujeito a ser atacado pelo seu semelhante. Esse mundo de guerra de todos contra todos (bellun omniun contra onnes) não significa o dom í nio do mais forte; neste caso, o mais fraco pode utilizar a razão e/ou algum instrumento para derrotar o mais forte. A sua concep ç ão de ser humano é resumida na seguinte m á xima: homo homini lupus ( o homem é o lobo do homem ).

101 Filosofia Política Moderna Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (03) Tendo como princ í pio que sempre o homem ser á lobo do homem, Hobbes entende que a seguran ç a s ó é poss í vel se o poder estiver nas mãos de uma ú nica pessoa ou de uma assembl é ia. A transmissão do poder individual não pode ser parcial, pois, se isso ocorrer, o pouco de liberdade que cada um mant é m colocar á em risco a seguran ç a. A busca da paz é coerente com o instinto de conserva ç ão. O Estado Absoluto é representado por Hobbes pela figura b í blica do Leviatã: um animal com aparência monstruosa que defende os peixes pequenos de serem devorados pelos maiores. O Estado poderia parecer uma figura monstruosa, mas é ele que protege os fracos dos mais fortes.

102 Locke

103 Filosofia Política Moderna Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (04) John Locke ( ) Defensor do Pensamento Liberal Suas principais obras: Segundo Tratado sobre o Governo e Ensaio sobre o Entendimento Humano Locke, ao contrário de Hobbes, é um severo crítico do Estado Absolutista. Combate a idéia de que o direito divino é que garante a legitimidade do exercício do poder.

104 Filosofia Política Moderna Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (05) O Estado surge, com base em um pacto entre os indivíduos, para regular a relação entre eles mesmos. Assim, cada indivíduo abre mão da sua prerrogativa individual de julgar e aplicar as penalidades aos outros. O Estado, que é constituído por força da alienação das prerrogativas individuais, tem o papel de manter as prerrogativas do indivíduo no estado de natureza, isto é, de manter a liberdade individual, a igualdade, as condições para a manutenção da vida e a propriedade. Quando o Estado não cumpre a sua função, o indivíduo tem o direito de romper o pacto e dissolvê-lo. Locke é caracterizado como um dos pais do liberalismo por considerar que a organização do Estado tem a função de proteger a propriedade privada. Contudo, o Estado não pode extrapolar essa função básica; a sua ação e seu poder devem ser limitados pela liberdade dos indivíduos. Nessa proposta, o Estado tem a função de diminuir os riscos à propriedade e de manter a liberdade do estado de natureza.

105 Rousseau

106 Filosofia Política Moderna Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (06) Jean-Jacques Rousseau ( ) Defende a Democracia Direta e Natural O pensamento de Rousseau é expresso em três obras complementares. Na primeira o Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, Rousseau apresenta a sua concep ç ão de ser humano e oferece uma explica ç ão para a degrada ç ão da esp é cie humana e a sua conseq ü ente desigualdade. No livro Do Contrato Social, apresenta a sua concep ç ão de poder e de organiza ç ão da sociedade. No livro Em í lio ou da Educa ç ão, apresenta uma proposta de educa ç ão que visa a plena realiza ç ão da condi ç ão humana.

107 Filosofia Política Moderna Filosofia Política Moderna José Carlos Rothen (07) Opondo-se a Hobbes, Rousseau considera que a vida em sociedade é que conduz ao estado de guerra. Nela é que se tem a consciência do bem e do mal, da possibilidade de dominar o outro. Uma vez que os freios da natureza são eliminados pela vida associada, torna-se necess á rio instituir os freios da lei. Neste contexto é que propõe a celebre tese: o homem é por natureza bom, a sociedade é que o corrompe. Gracejando com a m á xima de Hobbes de que o homem é o lobo do homem, podemos afirmar que, para Rousseau, o homem civilizado é o lobo do homem. Contrariando os seus antecessores, Rousseau compreende que um pacto social s ó é legitimo se cada um conservar o que é seu: a liberdade e o poder. Para tanto, Rousseau faz a distin ç ão entre governo e soberano. Para ele, o soberano é a vontade geral e o governo é apenas um executor dessa vontade. O exerc í cio da soberania é realizado pelo povo, isto é, não é poss í vel nomear algu é m para exercer o poder em substitui ç ão à vontade geral e essa deve ser expressa pelo todo. Como conseq ü ência dessa visão, uma lei s ó é v á lida se for ratificada pelo povo. Podem-se mencionar, como exemplo dessa perspectiva, os plebiscitos, nos quais o povo é convocado para decidir se uma lei deve entrar em vigor ou não.

108 Capítulo 8 – Proposta de Atividades 1. Considerando que Hobbes, Locke e Rousseau compreendem que os seres humanos agem por interesse: a) Aponte a compreensão que cada tem do papel do interesse na vida humana. b) O que diferencia a visão dos autores? c) Como o professor deveria tratar os interesses dos alunos, segundo a visão de cada autor? 2) Para os autores, quais são as caracter í sticas de um bom professor? 3) Para os contratualistas, a vida em sociedade decorre de um pacto social, as regras que todos devem obedecer têm sua origem em um acordo. Se os autores fossem consultados no processo de elabora ç ão do regimento interno de uma escola, o que cada um proporia?

109 Enciclopédia (capa)

110 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (01) O Iluminismo representa um movimento intelectual ocorrido no século XVIII, com repercussões no campo da política e da cultura. Seu objetivo era difundir a razão, a "luz", como uma forma de dirigir o progresso da vida em todos os aspectos. Daí o nome iluminismo, tradução da palavra alemã "aufklärung", que significa esclarecimento, iluminação.

111 Voltaire

112 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (02) Voltaire ( ) A questão da liberdade, que foi o elemento distintivo do s é culo das luzes, a tolerância religiosa e a busca de uma relativa igualdade entre os homens, em especial entre burgueses e nobres, foram os temas norteadores das id é ias de Voltaire. Ele criticava as prisões arbitr á rias, a tortura, a pena de morte e defendia a liberdade de expressão e de pensamento. Era inimigo da Igreja Cat ó lica, a que chamava de "a infame", e defensor da religião natural, igual para todos os homens, sem doutrinas e os dogmas da religião cristã. Deste modo, podemos pensar que uma educa ç ão no estilo da filosofia de Voltaire deve estar fundada no reconhecimento da capacidade da razão de nos libertar dos preconceitos, dos dogmas, do fanatismo, da supersti ç ão e da intolerância e edificar-se como guia da vida social do homem. O car á ter libertador da razão funda-se no processo de busca de um dom í nio mais aperfei ç oado sobre as paixões.

113 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (03) Idealismo O s é culo da luzes tamb é m provocou altera ç ões fundamentais na maneira de ver, agir e pensar dos fil ó sofos alemães. Se, na Fran ç a, vemos a problematiza ç ão e o debate sobre valores e id é ias que pareciam eternas, a Alemanha ofereceu à hist ó ria da humanidade um conjunto de formula ç ões sobre o mundo, o homem, a ciência, a arte, a pol í tica, a educa ç ão, que tamb é m influenciam de forma marcante os dias atuais. Em lugar de colocar no centro a realidade objetiva ou os objetos do conhecimento, afirmando que são racionais e que podem ser conhecidos por si mesmos, devemos come ç ar colocando no centro a pr ó pria razão. A id é ia de uma razão absoluta, que vinha sendo desenvolvida pela filosofia cl á ssica, passou a ser considerada dogm á tica para a filosofia cr í tica de Kant, que inaugurou o Idealismo Alemão e deu origem a conceitos sobre os quais todos os autores que se seguiram precisaram tomar posi ç ão

114 Hegel

115 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (04) Hegel ( ) (ver p á gina 154) Para ele, a filosofia representa a tentativa de se fazer do pensamento o instrumento capaz de apreender não s ó aquilo que é ou existe, mas tamb é m o processo pelo qual as coisas vêm a ser, tornando-se isso ou aquilo. Semelhante a outras concep ç ões filos ó ficas, que tiveram a pretensão de captar o saber referente ao particular e ao geral, do concreto e do abstrato, a filosofia de Hegel tamb é m procurou apreender o absoluto. Talvez como nenhum outro fil ó sofo, Hegel preocupa-se com a supera ç ão do imediato e do singular em dire ç ão à s figuras mais abrangentes do pensamento (SILVA apud CHAU Í, 1985, p. 109).

116 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (05) O que era oposi ç ão entre a consciência de si e o mundo torna- se s í ntese, e o esp í rito passa a ser em si e para si, superando a consciência subjetiva, mas permanecendo sujeito, agora absoluto (ABRÃO, 2004, p. 351). É o momento da filosofia propriamente dita. Vemos, portanto, uma dial é tica regendo o desenvolvimento do esp í rito, que vai desde a imediaticidade at é o auto-reconhecimento absoluto Dial é tica do Senhor e do Escravo = tese, ant í tese e s í ntese. O racional é real e o real é racional. Essa concep ç ão de Estado indica que não h á como pensar o indiv í duo em estado de natureza, porque ele é sempre um indiv í duo social. Nesse processo, o Estado sintetiza, numa realidade coletiva, a totalidade dos interesses contradit ó rios entre os indiv í duos.

117 Marx

118 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (06) Marx ( ) – Materialismo Hist ó rico O materialismo marxista considera o mundo como uma realidade dinâmica, um complexo de processos, que exige observarmos a realidade dialeticamente, isto é, quando a realidade influencia a id é ia e quando a id é ia influencia a realidade. Assim, o esp í rito não é conseq ü ência passiva da a ç ão da mat é ria, podendo reagir sobre aquilo que o determina, libertando o ser humano por meio de sua a ç ão sobre o mundo, possibilitando, no futuro, a a ç ão revolucion á ria. Essa id é ia é sintetizada por Marx na seguinte afirma ç ão: os fil ó sofos se limitaram a interpretar o mundo diferentemente, cabe transform á -lo (MARX, 1987, p. 163).

119 Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Iluminismo, Idealismo e Materialismo Histórico Alonso Bezerra de Carvalho (07) Para Marx, não h á uma essência ou natureza humana em geral, pois o ser do homem é sempre historicamente determinado pelas rela ç ões que ele realiza com outros homens e com a natureza e estas rela ç ões condicionam o indiv í duo, a sua pessoa, a qual, por sua vez, condiciona o exterior, as rela ç ões sociais. Enfim, o indiv í duo humano é um ser social. Portanto, não é com fundamento nas id é ias que explicaremos a hist ó ria; é com base na pr á xis material que conseguiremos compreender a forma ç ão das id é ias, e as id é ias que dominam numa é poca hist ó rica são as id é ias da classe dominante.

120 Capítulo 9 – Proposta de Atividades 1. Voltaire considera que os sistemas morais são relativos e que é imposs í vel a moral universal. Diante dessa concep ç ão, dê sua opinião sobre o texto a seguir, fazendo a rela ç ão com a educa ç ão: 2. À luz do que foi exposto na parte sobre Hegel e Marx e do trecho abaixo, fa ç a a distin ç ão entre as id é ias dos dois pensadores. 3. Leia os textos abaixo e explique por que Marx afirma que não são as id é ias humanas que movem a Hist ó ria, mas são as condi ç ões hist ó ricas que produzem as id é ias, inclusive as educacionais:

121 Comte

122 Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (01) Augusto Comte ( ) = Positivismo A edifica ç ão e a reorganiza ç ão da sociedade, como propunha o positivismo, passa por um reordenamento progressivo. Segundo ele, a ordem social pode ser obtida apenas quando se estabelecem princ í pios novos que norteiem os conhecimentos humanos, o que leva a filosofia a perder o seu status tradicional, isto é, a se colocar apenas como um corpo pr ó prio de saber. O car á ter positivo atribu í do à filosofia indica, por um lado, uma clara rea ç ão à s tendências dos iluministas, que contestavam as institui ç ões sociais que amea ç avam a liberdade dos homens e, por outro, a pretensão de se instaurar uma ordem social, fundada numa estratifica ç ão r í gida da sociedade e em uma concep ç ão organicista de mundo.

123 Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (02) Deste modo, para reformar a sociedade, faz-se necess á rio, antes de tudo, descobrir as leis que regem os fatos sociais, tomando o cuidado de se afastar das concep ç ões abstratas e das especula ç ões metaf í sicas, consideradas est é reis. Leis dos 3 estados: teol ó gico, metaf í sico e positivo. Essa evolu ç ão do conhecimento humano, defendida por Comte, est á inteiramente ligada à evolu ç ão pol í tica, social e moral do mundo, que por sua vez promove e beneficia o progresso cient í fico.

124 Husserl

125 Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (03) Edmundo Husserl ( ) = Fenomenologia A concep ç ão husserliana procura uma nova forma de se conhecer e propõe, portanto, a supera ç ão da dicotomia entre sujeito e objeto. Segundo ele, toda consciência é intencional, o que significa que não h á pura consciência – o sujeito –, separada do mundo, mas toda consciência visa o mundo. No entanto, tamb é m não h á o objeto em si, independente da consciência. O objeto é um fenômeno – etimologicamente, algo que aparece – para uma consciência e esta é consciência de alguma coisa. O resultado dessa discussão, proposta por Husserl, é a supera ç ão do dualismo psicof í sico, da separa ç ão esp í rito-corpo, homem-mundo, eu-outro, que marcou a tradi ç ão racionalista. Não h á pura consciência, separada do mundo, mas toda consciência tende para o mundo e não h á objeto em si, este o é, sempre, para um sujeito que lhe d á significado.

126 Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (04) Existencialismo A expressão existencialismo é geralmente aplicada a um conjunto de id é ias filos ó ficas produzidas, em especial a partir da d é cada de 1930, que têm em comum a an á lise da existência ou modo de ser do homem no mundo. Dois fil ó sofos expressam de forma contundente a filosofia existencialista: Martin Heidegger (1889 – 1976) e Jean-Paul Sartre(1905 – 1980).

127 Heidegger Sartre

128 Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (05) Heidegger Se o homem vive apenas nos limites da vida cotidiana, aceitando aquilo que os outros desejam, ter á como conseq ü ência mais desastrosa a dissolu ç ão de si pr ó prio, tornando-se um ente exilado de si mesmo e de seu ser. Viver assim é ter uma existência inautêntica. Heidegger considera a ang ú stia como o sentimento que, ao revelar a nossa impessoalidade e o abandono de nosso pr ó prio eu diante do mundo, nos levar á a despertar e a desvendar a existência autêntica do homem. Segundo Heidegger, a lucidez, proporcionada pela ang ú stia, diante da possibilidade da morte é o que levar á o homem a retomar o seu poder de transcendência sobre o mundo e sobre si mesmo. O homem pode transcender, o que significa dizer que est á capacitado a atribuir um sentido ao ser, isto é, produzir diante de si mesmo o mundo, projetando suas pr ó prias possibilidades e, nesse projetar-se, ele não estaria sozinho.

129 Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Positivismo, Fenomenologia e Existencialismo Alonso Bezerra de Carvalho (06) Sartre No homem, a existência vem antes da essência. Isso significa que não h á uma predefini ç ão do homem e não se pode saber o que ele é antes de ele existir. Na verdade, h á uma condi ç ão humana que ser á constru í da pelas escolhas e pelo projeto que o homem coloca a si mesmo. O homem nada é enquanto não fizer de si alguma coisa. Assim, o conte ú do da consciência não é a pr ó pria consciência, como acredita Descartes, mas os objetos que ela visa e reflete. A consciência não se revela a não ser revelando o mundo; ela não pode ser, por isso diretamente objeto de si mesma. Enfim, o homem est á condenado a ser livre. O valor da vida é o sentido que cada homem escolhe para si mesmo. Na filosofia existencialista sartreana, esta liberdade obrigada e onipresente s ó desaparecer á com a morte. A ang ú stia do homem é esta responsabilidade sem limites de controlar seu destino e criar sua existência. Ao escolher, o homem atualiza uma possibilidade, por é m mata todas as demais.

130 Capítulo 10 – Proposta de Atividades 1. Comente o texto abaixo, considerando o processo de desenvolvimento do esp í rito humano, fazendo a interface com a educa ç ão. 2. Com base no que foi informado sobre Husserl, comente o texto abaixo. 3. Qual a sua posi ç ão sobre a rela ç ão que os existencialistas fazem entre a liberdade e a ang ú stia? 4. Disserta ç ão Tema: Escolha umas das concep ç ões filos ó ficas abordadas no cap í tulo e exponha os motivos pelos quais concorda ou, se preferir, discorda dela. Enfatize a perspectiva educacional que dela pode ser inferida.

131 Filosofia e Educação Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (01) Quando retomamos a hist ó ria da filosofia, o fazemos com base em questões suscitadas no presente, para interpelarmos o passado, reconhecermos o quanto ele se faz presente e, quem sabe, avaliarmos a possibilidade de uma ruptura com ele, que concorra para a constru ç ão de um modo de existência melhor no futuro pr ó ximo. O uso que fazemos de Adorno e Folcault, na busca de um sentido para o filosofar em educa ç ão, deve-se ao fato de que, apesar das diferen ç as que h á entre eles, ambos parecem estar de acordo quanto a ser a tarefa da filosofia um trabalho de reflexão sobre o presente. Por essa razão, mantendo esse esp í rito de Adorno e Folcault e a ele recorrendo quando necess á rio, procuraremos apresentar, no decorrer deste cap í tulo, alguns sentidos para a pr á tica do filosofar sobre e na educa ç ão.

132 Filosofia e Educação Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (02) Saviani (1980) chama a atenção para a necessidade do vínculo entre filosofia e educação (filosofar sobre e na educação) se dar com base na reflexão sobre os problemas educacionais, contribuindo de fato para que os educadores adotem uma atitude filosófica, reflexiva, para com a problemática educacional, própria do nosso tempo presente.

133 Filosofia e Educação Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (03) Finalidades da filosofia da educa ç ão A primeira finalidade consiste em por em d ú vida id é ias, pr á ticas e valores não considerando nada do real como ó bvio, normal, natural, mas problem á tico (KOHAN, 1998, p. 101). Por mais ó bvia que seja esta fun ç ão da filosofia da educa ç ão, seu papel é pôr em questão, pôr em d ú vida os valores, conceitos e id é ias que foram revestidos pelo manto da certeza e da verdade. A segunda finalidade: é avaliar os pressupostos e implica ç ões de valores, saberes e pr á ticas dominantes (KOHAN, 1998, p. 104).... Um outro desafio, não menos imperioso, é o de uma filosofia da educa ç ão que interrogue e se contraponha ao processo de padroniza ç ão e liquida ç ão do indiv í duo produzido pelos mecanismos da ind ú stria cultural que, como sabemos, se faz presente na escola sob a roupagem da pedagogia da facilita ç ão, da cultura do resumo, do esquema e do data-show.

134 Filosofia e Educação Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (03) A indústria cultural confere a tudo um ar de semelhança, induzindo o indivíduo a se ver integrado à totalidade social. Ou seja, o indivíduo não é alguém que preserva sua individualidade, sua maneira própria de ser, sua autonomia moral frente ao mundo, mas torna-se mais um no rebanho, submetendo-se ao coletivo Contra a indústria cultural, a filosofia da educação tem que interrogar sobre o sentido da oposição entre a formação e as idéias e práticas dominantes, avaliando seus pressupostos e suas implicações para os processos formativos.

135 Filosofia e Educação Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (04) Terceira finalidade: A filosofia da educa ç ão põe em questão as formas de pensar excludentes e os irracionalismos que buscam justificar que se pratique contra o outro, seja ele o negro, a mulher, o homossexual, o velho, o pobre, a crian ç a etc., todo tipo de atrocidade, bastando para isso argumentos que os desqualifiquem, que os vejam como inferiores. Queremos dizer como isso que a filosofia da educa ç ão tem como fun ç ão colocar em d ú vida os conceitos pr é vios (os pr é -conceitos) que naturalizam e impedem o estranhamento diante do mundo, tão fundamental na luta contra a barb á rie.

136 Filosofia e Educação Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (05) Quarta finalidade: é o pensar com e contra uma hist ó ria do pensamento (KOHAN, 1998, p. 109). Faz-se necess á rio um m í nimo de inicia ç ão em autores como Platão, Arist ó teles, em autores medievais, em autores empiristas, em Rousseau, Kant, Hegel. Trata-se aqui de enfatizar, nestes autores ou correntes de pensamento, conforme nos ensina Porchat (1999, p. 135), pontos que ainda estejam presentes nas discussões contemporâneas e exemplific á -los. Esse di á logo deveria ser estabelecido de forma a favorecer o filosofar e não a tratar a filosofia da educa ç ão como algo acabado. Por essa razão, é importante tamb é m que se dê aten ç ão aos autores contemporâneos e à s tendências por eles desencadeadas.

137 Filosofia e Educação Filosofia e Educação Divino José da Silva e Pedro Ângelo Pagni (06) Assim, destacamos quatro pontos complementares tratados ao longo do texto sobre filosofar na e sobre a educação: por em dúvida idéias, práticas e valores não considerando nada do real como óbvio, normal, natural, mas problemático; avaliar os pressupostos e implicações de valores, saberes e práticas dominantes; enfrentar o preconceito no âmbito das práticas escolares; pensar com e contra uma história do pensamento.

138 Capítulo 11 – Proposta de Atividades 1. No presente cap í tulo buscamos construir um sentido para o filosofar sobre e na educa ç ão. Releia-o e comente por escrito os principais argumentos por n ó s utilizados em defesa do filosofar sobre e na educa ç ão. 2. O poema de Brecht, reproduzido no in í cio do cap í tulo, é um convite ao filosofar. Comente-o. 3. Afirmamos, com base em um breve coment á rio sobre o texto de Adorno, intitulado Tabus acerca do magist é rio, que h á preconceitos com rela ç ão à profissão de professor. Você concorda com este argumento? Tanto em caso afirmativo quanto negativo, apresente suas razões. 4. Como formar professores que saibam lidar com seus valores e com os valores de seus alunos?. Sabemos que esta não é uma pergunta f á cil, mas refletindo sobre o que dissemos sobre o sentido do filosofar na educa ç ão, argumente sobre ela. 5. Por meio do que foi exposto no cap í tulo, responda: o que significa filosofar sobre o presente? 6. O que é a Ind ú stria Cultural e que efeitos ela exerce sobre nossa forma ç ão?

139

140 Escola de Atenas (Rafael)

141 S DOS PROFESSORES Maria Luisa Furlan Costa Célio Juvenal Costa


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