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Almeida Garrett 1799 - 1854. Almeida Garrett 1799 - 1854 Biografia Obra Sair Enquadramento Histórico Romantismo.

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1 Almeida Garrett

2 Almeida Garrett Biografia Obra Sair Enquadramento Histórico Romantismo

3 Biografia João Baptista da Silva Leitão, que mais tarde acrescentou os apelidos Almeida Garrett, nasceu na cidade do Porto, em 1799, ano da Revolução Francesa. Almeida Garrett

4 Biografia Passou a infância numa quinta nas margens do Douro, onde ouviu com agrado velhas histórias e lendas populares narradas pelas suas criadas velhas, que mais tarde viriam a inspirar a sua obra. Almeida Garrett

5 Biografia Entre 1809 e 1816 (período em que Portugal sofreu as invasões francesas), a sua família trasladou-se para a ilha Terceira, no arquipélago dos Açores. Almeida Garrett

6 Biografia Nos Açores, por influência de um tio materno, Bispo na cidade de Angra do Heroísmo, estudou para seguir a carreira eclesiástica, mas cedo viu que não tinha vocação religiosa. Almeida Garrett

7 Almeida Garrett Biografia Entre 1816 e 1820, regressado à pátria, frequentou a Faculdade de Direito na Universidade de Coimbra, onde conheceu as obras dos enciclopedistas franceses (Voltaire, Rousseau, e outros), tendo contactado igualmente com as obras dos primeiros escritores românticos.

8 Almeida Garrett Biografia Em Coimbra, Garrett adere aos ideais revolucionários liberais, tendo em 1820 participado activamente na Revolução Liberal Portuguesa, que se bateu contra o regime absolutista que vigorava então.

9 Almeida Garrett Biografia Aquando das contra-revoluções lideradas por partidários absolutistas, Garrett exilou-se, primeiro em Inglaterra, depois em França, e por fim novamente em Inglaterra.

10 Almeida Garrett Biografia Em Inglaterra e em França conheceu os autores clássicos ingleses e franceses, mas também autores românticos como Southe e Wordsworth, Rousseau e Victor Hugo.

11 Almeida Garrett Biografia Em 1825, escreveu em França o seu poema Camões, que é considerado o marco introdutório do romantismo português.

12 Almeida Garrett Biografia Após a guerra civil portuguesa, que opôs durante 14 anos ( ) liberais a absolutistas, Garrett, regressado à Pátria, torna-se numa figura de peso na nação.

13 Almeida Garrett Biografia No seu Curriculum Vitae, Almeida Garrett tem de tudo um pouco: deputado, cronista-mor, poeta e prosador, estudioso e compilador da literatura popular e tradicional, par do reino, diplomata, ministro dos negócios estrangeiros, Visconde e até criador de moda – quando o governo liberal o nomeou Encarregado de Negócios de Portugal em Bruxelas, Garrett deu largas à sua vocação de Dandy, frequentando os salões da alta sociedade.

14 Almeida Garrett Biografia Em 1854, Garrett morreu em Lisboa, com 55 anos. Início

15 Almeida Garrett Obra POESIA: 1825 – Camões 1835 – Folhas Caídas 1845 – Flores sem fruto – Romanceiro Outras obras

16 Obra Folhas caídas BARCA BELA Pescador da barca bela, Onde vais pescar com ela, Que é tão bela, Ó pescador? Não vês que a última estrela No céu nublado se vela? Colhe a vela, Ó pescador! Deita o lanço com cautela, Que a sereia canta bela… Mas cautela, Ó pescador! Não se enrede a rede nela, Que perdido é remo e vela Só de vê-la, Ó pescador. Pescador da barca bela, Inda é tempo, foge dela, Foge dela, Ó pescador!

17 Almeida Garrett Obra Folhas caídas Colectânea de poemas, datada de 1835

18 Almeida Garrett Obra Folhas caídas A maior parte das composições poéticas é inspirada na paixão avassaladora que Almeida Garrett sentiu por Rosa Montúfar, Viscondessa da Luz.

19 Almeida Garrett Obra Folhas caídas São inúmeras as marcas românticas presentes nos poemas desta colectânea: a)Tratamento do tema dicotomia amor/paixão; b)Confessionalismo literário; c)Defesa do mito de Rousseau do bom selvagem – crença na corrupção inerente ao homem social que se opõe à sua bondade inata;

20 Almeida Garrett Obra Folhas caídas d) Apologia da liberdade de sentir/amar sem quaisquer constrangimentos sociais – ex: o casamento; e) Dicotomia mulher-anjo / mulher fatal; f) Concepção de amor como força avassaladora, tirana e irracional; g) Presença de alguns temas e formas populares – ex: a pesca; utilização da quadra (quatro versos numa estrofe) e da redondilha maior e menor (sete e cinco sílabas métricas).

21 Almeida Garrett Obra Folhas caídas A linguagem do autor é simples, por vezes coloquial e familiar, não sendo, no entanto, vulgar ou descuidada. O estilo é hiperbólico, exclamativo, socorrendo-se de inúmeros artifícios como: METÁFORA – Pescador da barca bela / onde vais pescar com ela…-; INTERROGAÇÃO RETÓRICA – Anjo és tu ou és mulher?-;

22 Almeida Garrett Obra Folhas caídas ADJECTIVAÇÃO EXPRESSIVA - e só te quero / de um querer bruto e fero / que não chega ao coração…; ANTÍTESE – Não te amo, quero-te!; EXCLAMAÇÃO – Olha bem estes sítios queridos! / vê-os bem neste olhar derradeiro!…; PERSONIFICAÇÃO – olha o verde do triste pinheiro, entre muitos outros.

23 Almeida Garrett Obra Folhas caídas Garrett assume-se nesta obra como uma personagem que dialoga (apesar de a presença do interlocutor estar apenas subentendida), dirigindo palavras de doce amor ou raiva e desespero ao objecto do seu amor/paixão, ou ainda dando conselhos a um tu que está a iniciar-se na aventura do amor. VoltarInício

24 Almeida Garrett Obra TEATRO: 1821 – Catão 1842 – O Alfageme de Santarém 1843 – Frei Luís de Sousa Outras obras

25 Almeida Garrett Obra Frei Luís de Sousa Datada de 1843, esta obra é considerada o melhor drama português de sempre

26 Almeida Garrett Obra Frei Luís de Sousa Dividida em três actos, Frei Luís de Sousa tem como assunto a tragédia que se abate sobre a família de Manuel de Sousa Coutinho, fidalgo português de alta estirpe, que será obrigado a, juntamente com a sua mulher, Dona Madalena de Vilhena, ingressar num convento – tornando-se Frei Luís de Sousa, conhecido prosador do século XVII.

27 Almeida Garrett Obra Frei Luís de Sousa A tragédia deve-se ao regresso inesperado do primeiro marido de Dona Madalena, D. João de Portugal, que todos julgavam morto, pois desaparecera há vinte e um anos e que vem tornar ilegítima a união e a descendência da família de Manuel de Sousa Coutinho, personagem dotada das mais elevadas virtudes.

28 Almeida Garrett Obra Frei Luís de Sousa A obra apresenta inúmeros elementos trágico- simbólicos, que lhe conferem densidade dramática, tais como: a recorrência do dia da semana sexta-feira (dia da paixão de Cristo), o fim do dia (transição da vida para a morte), a repetição dos números três e sete, as cores seleccionadas, entre muitos outros.

29 Almeida Garrett Obra Frei Luís de Sousa A concepção de amor que é apresentada segue a teoria romântica do amor, considerado como uma força irracional que move o mundo, não podendo ser controlado pela razão e que, geralmente, conduz à perdição.

30 Almeida Garrett Obra Frei Luís de Sousa A concepção de amor que é apresentada segue a teoria romântica do amor, considerado como uma força irracional que move o mundo, não podendo ser controlado pela razão e que, geralmente, conduz à perdição. Voltar

31 Almeida Garrett Obra Frei Luís de Sousa Linguagem elevada, nobre, adequada ao estatuto social das personagens. Voltar

32 Almeida Garrett Obra NARRATIVAS: – O Arco de Santana (2 volumes) 1846 – Viagens Na Minha Terra Outras obras

33 Almeida Garrett Obra Viagens na Minha Terra Datada de 1846, Viagens na Minha Terra é uma narrativa de viagens que constitui um marco de referência na História da Literatura em Portugal. Diz o escritor no início do texto: Vou nada menos que a Santarém e protesto que de tudo quanto vir, ouvir, pensar e sentir se há-de fazer crónica.

34 Almeida Garrett Obra Viagens na Minha Terra A obra apresenta três planos que se vão entrecruzando: Plano da viagem física de Lisboa a Santarém Plano das considerações do autor Plano da novela sentimental

35 Almeida Garrett Obra Viagens na Minha Terra Plano da viagem física de Lisboa a Santarém Garrett havia sido convidado pelo ministro Passos Manuel a visitá-lo em Santarém. Este será o pretexto para uma longa narrativa. Garrett descreve, analisa, comenta e critica os locais por onde vai passando, referindo os transportes que utilizou e o tempo que demorou. A partir da obra é possível reconstruir o percurso físico do escritor, lendo as passagens que dizem respeito a cada local.

36 Almeida Garrett Obra Viagens na Minha Terra Plano das considerações do autor A par da viagem física e a partir dela, o escritor tece inúmeras reflexões que permitem ao leitor acompanhá-lo na sua viagem psicológica. Temos considerações filosóficas, históricas, literárias, políticas, sociais … que tornam esta obra extremamente rica, uma vez que Garrett era extremamente culto e informado acerca das questões do seu tempo.

37 Almeida Garrett Obra Viagens na Minha Terra Vemos, por exemplo, a caracterização do mundo em que vivia baseada na metáfora de Sancho Pança (símbolo do materialismo), que havia vencido o seu senhor, D. Quixote, representante do idealismo e espiritualismo; Garrett criticará a literatura do seu tempo, troçando do carácter esteriotipado das obras ultra-românticas; ridiculariza os barões que haviam ascendido socialmente com o liberalismo, que de nobreza nada tinham; mostra-se extremamente desiludido com a corrupção dos ideais nobres da revolução liberal.

38 Almeida Garrett Obra Viagens na Minha Terra Plano da novela sentimental Garrett coloca um dos seus supostos companheiros de viagem no papel de narrador de uma história de amor tipicamente romântica, que conterá todos os ingredientes que o autor havia ridicularizado, quando criticou a estética ultra- romântica: amor fatal, mulher-anjo, sociedade corrupta, etc.

39 Almeida Garrett Obra Viagens na Minha Terra Marcas do autor: Diversidade de estilos Humor / ironia / sarcasmo Variedade de discursos Riqueza de temas / conteúdos Complexidade da concepção do texto, que não se enquadra numa só classificação – é narrativa, mas também é uma crónica, um ensaio, uma obra poética, um drama… VoltarInício

40 Almeida Garrett Obra EPISTOLOGRAFIA: Cartas de Amor à Viscondessa da Luz Outras obras

41 Almeida Garrett Obra ENSAIO: 1829 – Da Educação 1830 – Portugal na Balança da Europa Início

42 Almeida Garrett Enquadramento Histórico Garrett nasce no ano em que se deu a Revolução Francesa e crescerá a par das suas consequências – ideais liberais, republicanos e anti-clericais.

43 Almeida Garrett Enquadramento Histórico Na sua infância sofreu as consequências das Invasões Francesas – para além da sua família ter sido obrigada a fugir para os Açores, mais tarde Garrett dar-se-á conta dos saques artísticos a que o país foi sujeito, bem como da abusiva presença inglesa em Portugal – os ingleses em troca do auxílio prestado no combate aos exércitos gauleses impuseram a sua presença na política e no governo do país durante décadas.

44 Almeida Garrett Enquadramento Histórico Em 1820, movido pela exaltação dos ideais revolucionários, Garrett participará activamente na Revolução Liberal de 1820, como dirigente estudantil e orador, para além de outras actividades clandestinas.

45 Almeida Garrett Enquadramento Histórico Entre 1828 e 1834 dá-se a guerra civil, que opôs partidários saudosistas do absolutismo aos militares liberais.

46 Almeida Garrett Enquadramento Histórico À vitória dos liberais sucedeu-se um período de feroz anticlericalismo, tendo sido encerrados e destruídos inúmeros conventos e nacionalizados os bens da Igreja.

47 Almeida Garrett Enquadramento Histórico A partir da década de 50 inicia-se o movimento da Regeneração, que significará para Portugal uma época de estagnação a todos os níveis, afastando- se o país do desenvolvimento industrial que se acelerava a nível europeu.

48 Almeida Garrett Enquadramento Histórico Garrett, que conhecia de perto a realidade de países como Inglaterra e França, onde se tinha exilado, e Bélgica (como diplomata), compreendia que o atraso do país se devia ao pouco valor dado à instrução, à cultura e às artes, que se repercutia em todas as outras áreas da governação.

49 Almeida Garrett Enquadramento Histórico A nível internacional verificava-se a democratização das instituições governativas, que daria lugar à proliferação de partidos políticos e a um percurso irreversível para a liberdade a todos os níveis.

50 Almeida Garrett Enquadramento Histórico O desenvolvimento científico, industrial e das comunicações é impressionante a nível europeu, o mesmo não acontecendo com Portugal, devido a contendas internas e à mediocridade dos seus governantes no período pós revolucionário. Início

51 Almeida Garrett Romantismo Movimento intelectual e artístico, que surgiu na Europa, no final do século XVIII, e que se manifestou tanto na música como na literatura e nas artes plásticas.

52 Almeida Garrett Romantismo O Romantismo surge a par da democratização da literatura, tanto no que diz respeito aos autores como ao público – o que teve a ver com o progresso social das classes mais baixas e com o avanço da indústria da impressão, que contribuiu para a vulgarização do livro.

53 Almeida Garrett Romantismo Porque o grande público não entendia a estética clássica por ser demasiado académica, ou por mostrar alguma saturação devido à rigidez das formas greco-latinas, uma nova geração de escritores tratou novos temas de uma forma nova.

54 Almeida Garrett Romantismo As primeiras manifestações literárias românticas deram-se em Inglaterra e na Alemanha. Só em pleno século XIX chega a França, Itália, Espanha e Portugal.

55 Almeida Garrett Romantismo Os autores românticos cultivam a evasão que se realiza no sonho, no exotismo ou na idealização do passado.

56 Almeida Garrett Romantismo Os principais nomes do romantismo literário são Goethe ( Werther), na Alemanha; Southe e Wordsworth, na Grã-Bretanha; Mme de Stael, Chateaubriand, Lamartine e Victor Hugo, em França; e Almeida Garrett e Alexandre Herculano, em Portugal.

57 Almeida Garrett Romantismo A doutrina romântica vai para além da arte, tendo desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento do pensamento e da historiografia do século XIX – abriu, por exemplo, as portas às revoluções liberais e republicanas, que se verificaram um pouco por toda a Europa.

58 Almeida Garrett Romantismo Nas artes plásticas os principais nomes do romantismo são Gros e Delacroix e na música Chopin (A Valsa do Minuto), Wagner (prelúdio do III acto de Lohengrin) e Schubert (Der sturmische morgen). Início


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