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Pretextosmarjnaus. aviso aos marjnautas esta página expirou quando o poeta espirrou em seu zênite zen (auge transcen dente) ninguém (nenhum leitor)

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Apresentação em tema: "Pretextosmarjnaus. aviso aos marjnautas esta página expirou quando o poeta espirrou em seu zênite zen (auge transcen dente) ninguém (nenhum leitor)"— Transcrição da apresentação:

1 pretextosmarjnaus

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3 aviso aos marjnautas esta página expirou quando o poeta espirrou em seu zênite zen (auge transcen dente) ninguém (nenhum leitor) leitor marjnauta a espiou

4 quero um texto claro preciso água límpida doce didática quase matemática lógica metros ritos incisivos sobre a carne das palavras reduzidas a osso e oco cubos e axiomas sem eco e depois de toda essa assepsia injetar algumas gotas de anexato o mínimo milímetro preciso para ante tanta limpidez desse deserto estontear todas as rotas suas corpo repleto

5 sob o pre texto de en saio textos anex atos por onde possam passar uns fios de vida

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7 ela lendo me lembra a avó que será a vó da lenda de sempre a linda vó das vozes todas dos meninos todos de todos os cantos como se fosse um falso como se a voz a linha fosse um fio sem fim sem meada enleada em seu tecer como se fosse par um parecer de voz em voz de vez em vez me vem a voz talvez tal vez venha de muito longe embora apenas perto a vejo figura do meu ou vido vida vidra a voz desfigurada por mim por quem produz ida?

8 narciso se vê na f(r)onte na f(r)onte de todos os mitos narciso se transforma

9 errar a gramática errar a rima errar a raiva errar com raiva e força (e riso) errar tudo e tanto até o (de) sempre ser o último espanto até que reste apenas penas de um vôo errante ERRÁTICA

10 popsia nas margens dos netgócios o net()ócio e.

11 idílios de um burocrata

12 vento nas folhas passar as tardes longe vendo o vidro mostrar-me o lento fluxo de tempo e a chuva chegando esquecer todos os manda-chuvas volver-me todo (e só sei se entregar-me se tragar-me até o último pulso) ao luxo de um frêmito de vácuo caos e acaso miríades ninguéns acolhei estas ondas quase domadas quase concêntricas em si (mim) lançai-as ao descompasso anexato do fluxo desta chuva não reconhecer-se esquecer todos os abismos apagar as cismas soltá-las prisma cacos nacos de lembranças refugadas num cisma nego-me e pego apenas penas flutuantes amantes de uma lua de rua chuva jamais me houve

13 estar doente tem suas vantagens de ver assim meio de esgueio gente bicho coisa assim querendo cair a gente atravessa o mundo de lado meio deslumbrado meio soçobrado a vida trisca num quase num se ou numa frase nem doída nem satisfeita viver doente empestiado ou demente assim meio sem jeito é feito fazer de qualquer ponto da vida uma tangente

14 aqui dentro bom dia doutor diz a secretária bom dia de volta e pensa: vou te comer salafrária e ela consigo: seu pança seu velho canalha me faz um favor doutor... aqui dentro bom dia doutor e lá fora barulhos de carros e danças de folhas ao vento na tarde calor de sol e de asfalto pedaços de céu nas vidraças um doido vadia as ruas cigarras dormem nos galhos como a vida mais vida valia se a vida fosse toda fora mais lia mais ria mais dia vadia vazando mais vida

15 a vida toda um fora olharmo-nos nos olhos e esquecer as teias todas serpeando entre nós e o mundo esquecer inclusive nós mesmos nada mais oculto sob nosso olhar apenas ar e mar gelo e areia desertar desterrarmo-nos do mundo de tudo o que é profundo suspensos sem nenhum mistério gravidade alguma entre nosso olhar vazio de nós vadia calmo o caos

16 a m ú sica vital transcorre na arritmia da viola incontrol á vel e sua b á quica melodia embriaga as razões na harmonia do caos

17 hoje amanheceu tão fresco não a manhã nem o ar nem esta brisa em mim tão leve amanheceu o dia em mim como há muito não fazia soprou uma brisa breve no meu pensamento fez-me esquecer de pensar esquecer do dia duro por vir esquecer de mim tão leve eu estive esta manhã a alma tão calma tão nova tão alva quase não havia como em menino tudo era descoberta e magia tão fresco amanheceu-me o dia

18 oração da volta do supermercado carro trânsito compras serviço amanhã dívidas ontem são baco e santo orfeu protegei-me para que eu nunca perca o poder de perder-me num pôr de sol como este

19 não ter que ler não ter que fazer não ter que ver se vai dar ou faltar não comedir nem se angustiar augusto o dia em que como você velho não ter que ter

20 e agora zé literatura acabou contra-cultura é a favor utopia rodou pé na estrada é turismo ismo nenhum sobrou todo sonho so çobrou e agora zé droga é mercado marginal é orga nizado toda rima é suspeita de conspirar com uma cifra cisma alguma vai dar nalgum cisma e agora zé que fazer do que resta da festa que que eu faço com o agora

21 palmo a palmo o espaçodigitalizado as margens sempremaisestreitastornar-semaisrarefeitovazarpelosporos das mar genstornar-se mais mar ginal

22 ex-littera a metáfora desaforada o poema sem tema a tradição travestida a decadência da transcendência o resto dos mestres o simulacro sublime o todo didático do texto avali(z)ado a fábrica têxtil toda avariada

23 a coisa é feita de ruídos puídos ou recém nascidos doloridos ou não não importam muito os idos desde que bem imbricados os ruídos é um ofício difícil precisa estar concentrado até o último lance de dados os neurônios todos ligados por outro lado é extrema mente fácil basta estar distraído (como dizia o leminski) pra (ou)vir um bom ruído a gente faz o que pode alguma vez vai bem na maior parte se fode

24 leve como pluma na penumbra do sentido que se atreve insinuardesentendido nenhum papel me cabe vácuo virtual sou breve

25 leve mais leve que uma pluma nem um tema que o queira mais profundo teorema menos denso que a espuma de uma onda tenso como o grito de uma corda (no espaço de um lapso) lema algum leva este pre texto ao abismo do sentido um risco ronda este dizer se tornar menos que isto traço ao infinito do não dito suma

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27 UMALUZQUASENULA UMAVOZQUASEMUDA UMPOEMA QUASENADA

28 em silêncio dança no silêncio dança do silêncio

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30 a morte no instante da morte é um corte e no instante do corte o gosto do gozo no instante do gozo a gosma num ácido instante e numenal semblante como a rosa aberta instantânea na tênue eterna névoa fragrante no ar a dama consorte a lavar e amar nossa sorte a planar aspirar expirar um acorde da sonata espiral

31 o papel do poeta é algo mudando para algo mundano que algo do mundo (que) algo agouro um mal agouro do mundo e o papel do poeta não se encharca das tintas não é mais amarelo que amarela com o tempo e torna poroso e áspero que colorem as tintas que vão se descolorindo num sem tom descolor que são todas as cores: branca esbranquiçadas retornam por todos os poros e afloram tal qual primavera refloram por todos os cantos colorem de todas as cores reflorem não são mais tintas papéis e poetas não mais cores e poros e algo não sei mais

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33 Amo-te demente caridoso morrerei remorsoso e mórbido culpar-te-ei. Culpar-te-ás e partirás também ao imaterial abraço de teu rei e escravo? Escravo e rei não hei de entristecer em meu sofrer pois me darei a ti e a ti possuirei como tantos, como tantos, por dever morrerei, morreramos pelo carma dum caudal impiedoso e ressuscitaremos eu pedra e tu a flor do outro monte que um pássaro num arco sobre as árvores trouxe o olor vago dissipado pelo vento da manhã um frescor ainda um frescor à rocha desventurada

34 era uma casa muito engraçada não tinha teto não tinha nada v.m. aquele que não posso ser está vivendo não sei o que ele quer na funda noite escura daquele quarto ao fundo que sequer eu entro a casa agora estranha e a amada não escuta a voz daquele eu mudo que agora já não ama desenvolta ela passeia e se deita em sua cama e o quarto não clareia e mesmo assim enche de luz este outro a possui enquanto a casa se revela antiqüíssima morada de deuses que conduz aquele eu cego a viver à luz de velas ver sem velas ou sol imponderáveis nuances dela casa sem piso oitão ou teto vizinha do infinito um rociar de eternidade impregna os cômodos disformes foi tudo ti culpada amada a voltear por cômodos famintos de não sei quê de além amor a entristecê-la enquanto dormes coeste outro e sem meu toque nos perdoe luz inconsciente a lumiar o mar profundo em que mergulha aquele que se diz eu na busca indefinida de um mapa o mar inunda cômodos e casa e tudo bóia e se perdeu do eu amar e amada cômodos e casa e aquele outro ainda chora o que não sinto e às vezes tem (tenho certeza) amada em leito seu e amor um pouco que (náufrago) não sei e luz é assim, às vezes vem...

35 vela que o vento leva que o vento come vela suspensa no ar e no escuro mar vela que voa ao longo do horizonte vela que incendeia por sobre o monte vela do desatino do aventureiro vela que voga a lua na noite cheia vela inflada de uma lufada vela inflamável no fim do olhar vela que vela a luz do plenilúnio vela da tua vala vela velha comadre de um sino vela entre deus e meus olhos vela que me leva vela que me lava do escuro breu vela vento que passou vela luz que enluou vela vala de minhalma valo do meu corpo morto caravela da vida tênue vela ao vento ao sopro do vento que a voa que apaga

36 teus olhos são tão sol que molhas meu sol quando me olhas farol que me banha de tanta luz tamanha tanta cruz estranha soa no meu sol uma luz tamanha outra luz de tuas entranhas outra luz estranha a tua luz nua que luze em tua rua curva e turva e pura via para as tuas duas luas que me vias vias tão estreitas que diante de tua luz tamanha, estranha nas entranhas são vias lácteas de estrelas leito de estrelas estrada de sóis extracto de luz as tuas duas luas na minha rua nua leite puro leite pleno leite amplo divino leite leito impuro leito plano leito estreito leito profano entre o teu leite e o teu leito me deito no desamparo no teu jeito de me deixar sol de me deixar sou só no descampado desta luz tua: lua

37 leite puro leito impuro leite pleno leito plano leite amplo leito estreito divino leite leito profano entre o teu leite e o teu leito me deito no desamparo no teu jeito de me deixar sol de me deixar sou só no descampado desta luz tua: lua

38 ontem nasceu narciso fogo de ritos narciso de amor foge preso no próprio riso rio de narciso de mim não sei se preciso frio rio de lava nos lábios de narciso narciso se vê na fonte na fronte de todos os mitos narciso se transforma

39 estava tão mudo em hades lodo de muro antigo pelas frestas pelas festas de dionísio um quintal me invade! tardes de narciso riso de narciso siso de narciso ris? rio calmo como a morte rio forte narciso se vê na fronte na fonte de todos os mitos narciso se transforma

40 era narciso que falava fala de narciso de que falo era narciso entre as águas sai o eco de narciso pelas ondas zeros se es palham zeus! da lágrima de narciso por um tris te narciso narciso se vê na fonte na fonte de todos os mitos narciso se transforma

41 josarrá quem dera ter do mundo o silêncio que necessitas agora em que sentes sede de contemplar e o teu semblante destemido a pairar mal recobres o que descobre ao bulir em tais sonhos que tens teu olhar teu olhar, teu pobre olhar josarrá, mas há um cheiro negro no ar que colore os teus sonhos meninos e redescobre a cada olhar nos teus cantos, lugares, teu lar que enraíza o alicerce da casa e se espalha aos vãos de teu chão teu piso, e sobes enfim por teus móveis alcançando por fim teu telhado tuas vigas de cheiro ocreado tuas telhas de aranha que vêm que vão não em vão tua vida emaranha tantos casos de casa encantada pelo vão das paredes caminham caminham tanto e não chegam a lugar que luares tu queres panhar josarrá? não te notas, não queres notar não deves, não podes voar por teares tecidos de ar não deves negar tuas cores teu manto, teus tantos encantos de uma cor que de cores te enche solta o pranto que queres chorar e diz josarrá, diz que o cheiro permeia o ar que vem de tão longe e tanto tempo a jorrar e deságua num rompante de dor desnorteia o poente do sol que brotas agora em teu sonhar tua solidão, josarrá teu amar.

42 t e n t a t i v a

43 de um lado o lodo da noite do outro outro lodo e as gramas putrefatas vicejando esta faixa dura e noturna dividindo o deserto é uma serpente sem casa deglutindo metais e peidando gases vomitando vísceras ao pasto de lama indiferente tu: reflexo de serpente no olho perdido no horizonte perdido

44 vieste para fugir mas encontraste buscar e voltas encontrarás vieste para encontrar o que por onde passou nunca deixou atrás deixou este fino olor quase partido este calor bafo e o amargor seco na boca este vago eco de amor quase um toque de dor branco do seu palor grito cego de uma flor alheia do seu compor pobre de uma só cor que insetos sabem de cor

45 foges mas deves voltar sem nunca sair deste norte como nunca saíste do não norte e não um são sempre no mesmo lugar sempre no agora mesmo que o vento soprar mesmo que o norte voar

46 no entanto a um passo está o norte no entanto um abismo de morte desenha entre nós este corte que o nada só o nada em acorde transpõe esta linha este forte apague dos olhos o norte cale o norte da boca e ouça! o vento do norte zunir a sua melô dia louca trazendo o norte pra dentro soprando na vela rouca

47 norte ensaio de morte de onde voltamos cada vez mais deus ateus cada vez mais

48 pelo que há de vão infindo no seio dele pela música que soa nadeante no seu silêncio pelo que ele não é sendo nas profundezas pelo desmarcamento das margens esparramadas pela marca da fluidez no seio dos demarcados

49 apenas eu sem mim nesta cidade que me rodeia sem outros sem si mudos à minha volta nesta avenida absorta em si no seu barulho surdo ao lençol de silêncio dos olhos que me olham de dentro do meu nada mais p'ro fundo do negror de minha ausência pálidas nuvens passam ignoradas e sob plácidos lagos serenos dorme a morte que seremos e dentro dela com ela comungando e a corroendo um átimo de norte dói correndo e salta leve brisa raio vento fogo do pensamento e fura a vida da avenida

50 ave em fúria gula sem nome que nos consome comida de nossas feridas que nos ilumina e a cada pedra destroçada do asfalto a cada ato ao acaso ao cheiro de gasolina a cada passo apressado mal sabe os homens o norte deste instante da face de joén nos seus semblantes do urro de prazer dos dois amantes da flor sem haste que brotou na face do tempo sem depois nem antes agora deste norte desnorteante

51 todo o vento num momento todo o tento num instante o vento e seu ventre aberto entre dois semblantes sempre dois movimentos vendo o abismo deserto arco precário istmo arbitrário centelha dissipada de vísceras vácuo o nada desse buraco esse sovaco no cerrado olhar fixo de vossas vozes ávidas de barro e engasgadas de catarro esse pigarro cósmico semi desnatado e carcomido de fragmentos iaras e suas árias aéreas o norte e sua sorte incerta

52 d e n o r t e

53 meus velhos versos de segunda vento e pássaros relva e rio dissolvo-me neles na esperança na esperança como nas lembranças em que vingo a má ventura onde perdem-se as razões, a harmonia e a sextina e o ritmo com as pulsações dentro e fora fora-se toda a fruidez e qualquer pertencimento à entidades obscuras que passaram a fluir transe e embriaguez doçura e tortura perderam-se, perdi-os e todos se lançaram e lancei junto com eles a qualquer alvo de água, de madeira ou de metal estou à salvo, não estou talvez...

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55 fala da palestrante a mulher do senador hermenegildo de moraes na época das frutas abria os portões da sua casa para que o povo desfrutasse da quantidade de frutas que vocêtinha dentro daquela casa!

56 quando, ainda criança, me deparei com aquele livro misto de causos e exaltação dos grandes vultos morrinhenses (intelectuais, políticos, artísticos), cujo título MORRINHOS: DE CAPELA A CIDADE DOS POMARES pensei significar (por um desses equívocos que só as crianças podem cometer com sua prodigiosa imaginação) : MORRINHOS DE CAPELA: A CIDADE DOS POMARES então algo surrealista – uma cidade travestida de capela, carregando uma carapaça/capela – emergiu do texto... foi a melhor leitura que fiz do livro, até hoje benditos sejam erros meninos

57 neste livro um soneto lírio parnaso florido em pleno pós-guerra de guilherme xavier poeta-doutor quando a língua de bilac já era dada como morta e enterrada: Meu coração é uma cidade antiga, De casas brancas e compridos muros, Com pomares amplíssimos, escuros, E gente simples de feição amiga. Seus habitantes não são todos puros, Talvez entre eles haja alguma intriga. Mas a harmonia geralmente abriga, E ajunta, rindo-se, os rivais mais duros. Sua alegria buliçosa e clara Esconde mágoas que ninguém suspeita Nem descobrir impertinente ousara. E julga-se feliz, pois, sem vaidade, Confunde na modéstia mais perfeita, Tranqüilidade com felicidade.

58 é consenso considerar o parnasianismo um período literário muito renitente no caso do brasil (vide cândido e bosi) é preciso dizer que o parnaso foi mais [muito muito +] algo como um estado de espírito artístico-intelectual (uma economia mental) coisa de doutores e damas entre togas e cetins diga-se também (na companhia de bandeira) que o parnaso não deixou de ser uma continuação (+ contida) de seu suposto desafeto o romantismo – que por estas bandas é muito # de seu congênere europeu digamos então que impregnou o brasil fim de séc XIX um estado de espírito: romântico-parnasiano

59 melhor que período, estado de espírito ou economia mental digamos que houve uma atmosfera: ATMOSFERA ROMÂNTICO-PARNASIANA (ARP) uma atmosfera é espacial, um período é temporal ela se dissipa, ele é superado ela é mais palpável (respirável) que um estado de espírito a ARP começou a se dissipar no brasil a partir de uma pequena explosão de luzes e ruídos, ocorrida na são paulo de 20, chamada modernismo: outra atmosfera se criava e se expandia contra as ondas bolorentas da antiga ARP mas sua dissipação foi muito mais lenta e custosa nos rincões mais remotos do país em plena década de 70 uma pessoa de faro mais fino podia sentir a persistência da ARP em lugares ermos como, por exemplo, na Cidade dos Pomares!

60 mas uma província tem duas bandas duas atmosferas imbricadas a dos doutores damas e coronéis ARP freudiana perturbada complexo de inferioridade inconformada por não ser centro faz de tudo para que pelo menos em seu pequeno mundo haja quem seja umbigo haja quem seja mudo haja quem seja tudo haja quem nunca aja a outra banda-atmosfera a da gentalha analfabeta dos meninos e dos velhos bicho mato tapera (vide drummond ramos e barros) toda tosca sem pertences nem complexos ubiqüidade desumbigada alguns a chamam sertão (mar) essa é toda margem

61 e pra complicar como estão imbricadas uma entra na outra de modo que a gentalha respira ARP e togas e cetins se impregnam de sertão nos dias de festa (de banda e discurso) vê-se bem como o povo respira e aspira a ARP embora casa grande e móveis coloniais com aquele ar de calma e fixidez amados pelo parnaso aquele ambiente aconchegante só pode ser pra uns poucos a custa do suor e do sangue de muitos na lida dura e mal paga do campo que a gentalha anônima têm de cumprir dia após dia pra que a sinhazinha leia no seu aconchego os seus romances românticos entre móveis coloniais e gatos perfumados encantando os poetas parnasianos que a chamarão de ninfa em seus virtuosos sonetos

62 mas tudo tudo isto hoje são apenas lembranças de quem não viveu aquela atmosfera em seu esplendor e apenas passou menino pela cidade dos pomares quando restavam quase dissipados uns cheiros de ARP e restam ainda umas saudades doentias de velho daqueles móveis de jacarandá e peroba rosa nos quais quando se fecha os olhos vê-se ainda a donzela trêmula de amor sem objeto devorando seus folhetins umas saudades que são apenas mais uns cacos em meio aos fragmentos de agora outra atmosfera esta nem ARP nem sertão nem mesmo modernista cheia de máquinas mínimas e cálculos enormes

63 benedito ventura que (nesta vida) só foi velho e menino afável e bonachão com aquele ar de bobão mas só pra quem não olha nos olhos perdidos de sertão poeta da província um pouco douto outro caipira-caipora respirador de dois ares cheio de vícios e ofícios tribunas e altares mas também de sóis de luares taperas e margens como deixaria de ser o que é? mestre bené

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65 não chores amada mia que choras de amarga a vida pois saibas que a vida vinha devindo das idas mias até que a vida um dia envia por não sei vias ao pranto que tão doía à vida que então se via sem vida e que só temia que amargo não cessaria amada que amar-me-ia pois saibas amada mia que a dor do ir existe pois saibas que a dor insiste que a vida porém persiste e saibas que amar permite que saibas que embora triste mui triste que o amor existe não digas amada meiga que o pranto quer não quer queira despenca da ribanceira não chores amada amiga pois olhas e então me diga se alguma qualquer ferida se achou maior um dia que um dia de alegria na vida de amada mia há chama alegre da vida maior que a dor da vida que o sol do meio dia sabes que a dor existe eu sei e sabes que o pranto insiste e tens saberes que a sina é triste e bem sabes que a dor persiste e vem vindo demais e tensa e hei de querer e embora não sei da dor que existe intensa a lei que amar de amar e de amar demais que amar te tenho e te tenho paz

66 Ora! Tudo que quero é dizer que amo. Só um velho como eu pode dizer tal coisa, hoje. Amo-te De incondicional amor intransitivo Como o dos poetas, como tem que ser. Como o amor dos tolos, de um se dar desmedido. Como os profetas, cegos de amar e ver. De um amor lascivo como o de animais, Puro instinto e violência, sangue e gozo. O amor do Cristo que me purificais Límpido e eterno, cristalino, água e fogo. Do amor que flui de dentro para fora, De fora para dentro como o teu olhar em mim. Do amor que fica, mesmo indo embora, Tão dentro e forte ante a distância sem fim Da morte ou de um simples ir Para outro cômodo que não sei seguir. Amo-te de um amor impossível, De impossível exprimir. Mas tão impossível Que nem espremo palavras Para vos dizer. Quem saiba assim o diga Neste sereno não dizer... Amo-te de um amor menino. Mas que redundância! Queres coisa mais infantil Que amar infante? Amo-te simplesmente Mas isto também já foi dito por muitos (por todos os que amam) Mas não importa para quem ama. Se algo importasse para quem ama não haveria amor. Como poesia não haveria se o poeta pensasse antes. Se o amante pensasse antes não haveria amante, não haverias tu, amada e exaltada por esta alma desarmada, desarrumada. Nem alma, se me permita Deus, havia se amor não houvesse. Pois que amo-te enfim em meio à tempestade e em princípio é princípio meu amar a ti e amando-te transbordar o amor. E amar a todos e a tudo, a mim e amar o amor. Amo-te como quem ama.

67 casas depois de tantas casas luzes que tampam estrelas postes e mais postes teia de fios metálicos estalando lâmpadas no ar ruas depois de ruas teias de ruas sem fim deste quarto pequeninim este magro meninim solta a imaginação até o mais longe desvão mas não há desvão! cada vão cada vale vale um pedaço de casa desta teia de casa até onde? desta teia que o fio se esconde destas veias noturnas escorrem carros roncando pra onde sonha-se a noite que move cada carro pros confins asfálticos da sua pele esta noite tem tanta invenção luminosa ela tem tanto escurél de noite grande pelos morros ondula a malha de luzes há luzes a mais depois dos morros? morro de vontade dissolver-me nesta idade nesta cidade nesta sede de enredar-me nesta rede vede! noite grande da cidade

68 vede esta noite longa larga noite profunda vede esta noite de redes vede esta noite de malhas vede este céu repicado vede o repisque de estrelas vede este cheiro de noite e o cheiro do galho picado salpicado de orvalho esta noite picadas escuras esta cíclica noite de luas três luas e não lua vede esta noite sem ruas o cheiro verde vai entranhando as narinas a poeira não passa o vento não vem nem vai nesta noite imóvel que nos cerca teias de terras teias de verdes teias de tantos galhos que se cruzam no cruzeiro teias de quanto mistério deste carro ou desta tapera solta no sertão solta o menino a sua ilusão de ver o invisível que não sabe o indizível que não se vê saindo de si sobre a serrania quantas grotas sem seu olhar brotam agora neste instante de noite fulgurante? tantas formigas fervilhando e estrelas nos olhando estalando a nos brilhar noite grande do sertão

69 noite contida eu sei de cada canto seu cada recanto de breu ou brilho noite pequena eu sei só não sei porque o de todo dia toda noite eu não sei mais noite mais íntima sei onde acabas com as casas onde as asas se divisam onde as abas desta noite só não sei porque estas beiras me cheiram sem eira nem beira não sei porque que te beijam meus beiços com tanto ardor lua cheia de quintal encheste o meu portal para o sem fim de mim tão pequeninim noite do meu morrim tu és em cada poste cada luz cada lua e cada estrela cada telha cada casa e casa-te com cada para- lelepípedo negro de amor que te carrega de dia e se consome de noite no seu fulgor abraçando-nos brincando-nos de nós nos nós do futuro noite o futuro é escuro quero-te passada luz-minada noite minha pequenininha

70 o nariz frio do cachorro alegre e um portão monstruoso o muro alto velho verde de lodo e descascado cascas de árvores e passeios de praças bicicletas e bolas bobas meninas e meninos sonsos e tristes alegres e tristes postes de luzes cinzas e janelas mortas e abertas tortas ruelas voltas e voltas mortas e tristes vilas e rodas vivas e noites vivas e mortas manhãs e tardes quentes e longas

71 faz frio na rua nua frio de batê- queixo faz cheiro de chuva molhada vai ter pardal no fio vai ter pinguinho nas folhas que hoje eu sei que é orvalho amanhã de manhã tem frio tem cheiro de terra fresca flor de jabuticaba depois do aguaceiro

72 tapera é uma espera no meio do nada no veio do dia plantada no seio da noite rebrotada tapera abando nada beira de ninguém sem eira na esteira do musgo e do lodo na esteira tapera na capoeira grota de vaca fugida greta de visco ungido fundida no cisco fugido pro zóio doído de luz que tampa a tapera tapera uma sombra salpicada de sol picada de noite no veio do dia

73 jurubeba é uma biloca verde margosa feito fel que levada ao céu da boca leva a boca ao céu feito o amor depois da dor feita a vida desfeita de uma ferida jurubeba é um ensina dor jurubeba é um amar gor é uma esfera repleta de flor antes e depois de flor na embriagada língua eufórica sofrida queimada de antiflor jurubeba é um desvéu que desvela o amargo-doce é um favo de fel no céu da boca ávida de mel é mel tão apurado que amarga

74 sou o que lembro e o que lembro é mandinga preu ter sido o que sonhei um dia ido e dolorido não sei se setembro não sei se me relembro ou a lembrança que há de vir ao ar se insinuar é o enchimento amanhã do esvaziar que ficou perdido na manhã esperança acordes pobres de pardais infância fios de postes das catadupas ignoradas pela alegria brincando sem nada pensar sobre as pedras da rua sem ânsia sobre a perda a distância medita esferográfica sobre a mesa dos tempos idos só doridos e sarados neste retraçar florido de alma velha sem viço pra ginástica ó pardais e jabuticabas bobos e bolos cidade natal pós-modernamente em cacos nesta cabaça podre que a guarda saco de gatos lentos e sem unhas do desconsolo

75 arrasto um punhado de pó pelas ruas arauto das casas desertas e puídas pelo silêncio e pela treva carcomida de luz entrante de uma fresta (festa de meninos) gatos conhecem-na biblicamente entre móveis silentes calmamente roçam pêlos nas suas entranhas casa estranha trêmulo vácuo arrepio de frio sob a tarde de morrinhos quintal pomar escuro mar de podridão doce muro de frinchas funcho e hortelã lã estas redes de madeira teto tateante alto de barro piso em falso um braço de halo sobra do sol que arrasto

76 joaquim papudo vagueias ruas alheias paradas vivas

77 F I M


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