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As sete chaves do paraíso Autor: Luiz Gonzaga Pinheiro Música: meditation.

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2 As sete chaves do paraíso Autor: Luiz Gonzaga Pinheiro Música: meditation

3 Em uma tarde de poente dourado, quando as cortinas do céu estavam bordadas de ouro, o Mestre, de braços dados com a poesia, subiu ao monte para entregar as sete chaves do paraíso aos homens comuns. Olhando tantos rostos magnetizados com sua presença, assim falou:

4 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus! Bem- aventurados os que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!Reino dos Céus consoladosjustiça

5 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! Bem- aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus!misericordiososDeuspacíficos

6 Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de Mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós. Mimcéusprofetas

7 Quando Jesus subiu ao monte sabia que aquele era o momento ápice da sua vida. Preparara-se durante milênios na aquisi ç ão daquele tesouro para um dia doá-lo integralmente à humanidade.

8 Trazia no coração as sete chaves do céu e foi distribuindo uma a uma aos famintos de luz para que cada um forjasse suas cópias.

9 Bem-aventurados os humildes! A humildade é a primeira chave. Sem ela ninguém chega a Deus. A humildade é como o capim onde todos pisam; sempre verde e a ninguém agride.

10 É a passagem para todos os reinos, pois até mesmo a prepotência a respeita. Toda a obra divina está impregnada dessa virtude. Mesmo Ele, o senhor do universo, se curva para acolher sofredores.

11 Bem aventurados os que choram! A aceitação do sofrimento é a segunda chave. Todos sofrem nesta vida, pois nela há dores físicas e morais.

12 Mesmo o missionário que vem das estrelas sofre o frio ou o calor, a fome ou a sede, e caminha em meio à ingratidão dos homens. A aceitação vem da confiança na justiça celestial, da fé raciocinada, do entendimento das leis divinas.

13 Pequenos sofrem por débitos contraídos; despertos não se importam em sofrer por amor ao próprio amor. Isso não é masoquismo. É evolução!

14 Bem-aventurados os mansos! A mansuetude é a terceira chave. É preciso ter mãos de afago, gestos de jardineiro, palavras acolhedoras, coração com placa sob a entrada: seja bem- vindo.

15 É preciso se despir de todo espinho; se tornar poeta, pairar acima de todos os rancores para namorar a brandura. É preciso entender a beleza, viajar no tempo, ser seu próprio domador para ser manso.

16 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça. A justiça é a quarta chave. Na verdade uma chave dupla, pois foi a única virtude a qual Jesus se referiu duas vezes no sermão. A justiça é a precursora da paz.

17 Sem ela nada há que comemorar. Antes de ser bom o homem deve ser justo. A justiça aquieta os homens, dá-lhes confiança uns nos outros, faz com que se sintam humanos. Essa é a chave mais dif í cil de ser forjada.

18 Bem-aventurados os misericordiosos! A misericórdia é a quinta chave. A que evita o embrutecimento, estanca lágrimas, sutura feridas, abre tanto o inferno quanto o paraíso.

19 A misericórdia é a artesã das asas de qualquer anjo e a amiga mais esperada pelos criminosos. É a primeira palavra pronunciada pelos arrependidos e o calmante das dores pungentes.

20 Bem-aventurados os puros de coração! A pureza é a sexta chave. O coração puro é sempre leve, pois não se sobrecarrega com fardos inúteis. Desconhece julgamentos ou mágoas.

21 Não se contamina caminhando em hospitais ou pres í dios; não acusa, não se assombra, passa em silêncio, mesmo entre as maiores agressões. O cora ç ão puro é como a água limpa que lava todas as feridas e é respeitado até mesmo pelos habitantes da sombra.

22 Bem-aventurados os ofendidos! Mas por uma boa causa. A luta pela instalação do Reino de Deus entre os homens é a sétima chave. Buscai em primeiro lugar o reino do Deus e sua justiça, disse o mestre, e todas as coisas vos serão dadas.

23 Esta é a lição na qual Jesus mais se aprimorou, exemplificar o ensinamento, vivenciar a palavra. Não se conhece um único gesto seu que não seja a essência do seu amor. Por isso se definiu como o caminho, a verdade, a vida, e reafirmou mais uma vez o caminho da reden ç ão espiritual: ninguém vem ao Pai senão por mim.

24 Após entregar-lhes os moldes, Jesus sorriu da singeleza de como o fizera e ficou a olhar os olhos brilhantes dos homens. Viu neles lagos, diamantes, arcos brilhantes, e se enterneceu com o sofrimento do povo. Daquele dia em diante o mundo jamais foi o mesmo. Instalara-se a luz do farol divino para que nenhum navegante se perdesse nas tempestades da ignorância.

25 Por isso não temos o direito de nos dizermos pobres, desamparados, sofridos, injusti ç ados ou mesmo incomodados por alguma pedra no caminho. Todos nós temos as cópias das sete chaves do para í so, só nos falta forjá-las. E isso nem mesmo Jesus pode fazer por nós. Só depende de cada um.

26 Formatação: o caçador de imagens


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