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Os anos eufóricos: de Vargas a JK, o Brasil e o mundo nos anos 50

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Apresentação em tema: "Os anos eufóricos: de Vargas a JK, o Brasil e o mundo nos anos 50"— Transcrição da apresentação:

1 Os anos eufóricos: de Vargas a JK, o Brasil e o mundo nos anos 50
Desenvolvimentismo e soberania nacional: teorias e ações para a superação do subdesenvolvimento Arthur Ituassu (www.ituassu.com.br)

2 Antes No antigo modelo, as exportações, como variável exógena, eram 1) responsáveis pela geração e pelo crescimento de importante parcela da renda nacional; 2) únicas responsáveis pelo crescimento da economia; 3) o próprio centro dinâmico da economia; e 4) limitadas em um ou dois produtos primários (no Brasil, o café era o produto de maior relevância).

3 Antes Além disso, outra característica do modelo agrário exportador é a presença, ao redor do centro dinâmico, de reduzida atividade industrial para consumo interno e agricultura de subsistência. Foi esse modelo "voltado para fora" que a crise dos anos 30 atingiu em cheio.

4 Antes A baixa do preço do café no mercado internacional, durante a crise, reduziu as receitas de exportação e, ao mesmo tempo, a capacidade brasileira de importação (50% de redução média na AL nos ans 1930, segundo Tavares). Esta situação obriga o país a se voltar para o sistema produtivo doméstico e a desenvolver novas atividades produtivas com apoio de faixas de demanda interna até então atendidas pelas importações.

5 Antes Base econômica especializada em umas poucas atividades de exportação, com baixo grau de diversificação e com complementaridade inter-setorial e integração vertical extremamente reduzidas. Tais deficiências não podem ser contempladas com a importação simples; falta de moeda estrangeira, exportação não supre a necessidade de dólares, de moeda estrangeira.

6 Antes em função da especialização e da heterogeneidade; o processo em curso (industrialização) provocaria quatro tendências: ao desemprego, à deterioração nos termos de intercâmbio, ao desequilíbrio externo e à inflação.

7 Antes a) desemprego; já existente em função da incapacidade das atividades de exportação de absorver o excedente de mão-de-obra, é um aspecto que simboliza a heterogeneidade estrutural daqueles sistemas econômicos e que tende a persistir ao longo de todo o processo de industrialização.

8 Antes 1) insuficiência de poupança e de acumulação de capital; 2) a periferia tende a empregar as técnicas capital-intensivas do centro para aumentar a produtividade; o progresso técnico no centro não pode ser dissociado da oferta de trabalho, nem da disponibilidade de capital; na periferia, o capital escasso e o trabalho abundante não desempenham papel na escolha de técnicas. 3) centro; deslocamento do desemprego original para a produção de bens de capital; setor inexistente na periferia.

9 Antes b) deterioração dos termos de troca; Por muito tempo as economias periféricas têm que continuar a depender de exportações de bens primários. Como existe grande excedente de mão-de-obra disponível para tais atividades, e como é muito lenta a expansão da demanda internacional de bens primários, a pressão para baixo sobre salários e preços na periferia tende a persistir, acentuando o desequilíbrio externo. (importação/exportação - dependência).

10 Antes c) mais desequilíbrio externo: resultante das exigências de importação das economias em industrialização que se especializaram em umas poucas atividades exportadoras e que enfrentam inelasticidade de demanda por suas exportações.

11 Antes Não havendo nada no sistema que assegure proporcionalidade entre o crescimento da demanda por importações e o crescimento da capacidade de importar, o problema do desequilíbrio externo tende a reaparecer ao longo do processo de industrialização, ao invés de desaparecer com ele, pelo menos até que um estágio bem avançado da industrialização tenha sido atingido.

12 Antes d) inflação -> a tese estruturalista / políticas de estabilização não resolvem e atrapalham o crescimento; problema estrutural; desequilíbrio crônico no balanço de pagamentos; a contínua redução na capacidade de importação per capita (contínua redução da demanda relativa pelas exportações dos países periféricos) causa, segundo a tese estruturalista, persistente desvalorização na taxa de câmbio, elevando custos e preços internos -> gerando inflação

13 Antes Café Entre 1920 e 1929, o produto nacional bruto dos EUA cresceu de 103,6 para 152,7 bilhões de dólares (a preços constantes), o que representa um aumento de renda real per capita de mais de 35%. Enquanto isso, o consumo de café se mantivera estável, em torno de 12 libras, e o preço pago pelo consumidor norte-americano, com pequenas variações, em torno de 47 centavos de dólar por libra.

14 Antes FURTADO A partir da crise de 1893, que foi particularmente prolongada nos EUA, começaram a declinar os preços no mercado mundial. O valor médio da saca exportada em 1896 foi 2,91 libras, contra 4,09 naquele ano. 1,48 em 1899

15 Antes A defesa dos preços proporcionava à cultura do café uma situação privilegiada entre os produtos primários que entravam no comércio internacional. A vantagem relativa que proporcionava esse produto tendia, conseqüentemente, a aumentar. Por outro lado, os lucros elevados criavam para o empresário a necessidade de seguir com suas inversões.

16 Antes Destarte, tornava-se inevitável que essas inversões tendessem a encaminhar-se para a própria cultura do café. Dessa forma, o mecanismo de defesa da economia cafeeira era, em última instância, um processo de transferência para o futuro da solução de um problema que se tornaria cada vez mais grave.

17 Antes A retenção da oferta possibilitava a manutenção de elevados preços no mercado internacional. Esses preços elevados se traduziam numa alta taxa de lucratividade para os produtores, e estes continuavam a investir em novas plantações.

18 Antes SOLUÇÃO -> política de crescimento envolvendo transformações estruturais independência das importações para resolver o problema externo alimentos -> reforma agrária e incentivo governamental reforma no sistema tributário

19 Antes As décadas de 30, 40 e 50 são o período básico da implantação do sistema industrial brasileiro.

20 Antes Este é um dos poucos períodos na história republicana onde uma sucessão de crises econômicas esgarçam o tecido político além da sua possibilidade de resistência, ensejando, ao longo dos anos 30, não só um profundo redesenho das políticas econômicas, como das formas de organização do Estado.

21 Antes ...a instabilidade econômica gerada pelos sucessivos choques externos que se iniciam em 1914 e se estendem pela primeira metade dos anos 20, mina as bases das alianças políticas tradicionais entre os grandes estados e - sob o estímulo adicional das ideologias emergentes da Europa do pós-guerra - debilita a crença nas vantagens do liberalismo econômico.

22 Antes [Q]uando após um breve interlúdio de estabilidade o país recebe o impacto avassalador da crise internacional de complicado aqui pela crise da superprodução de café, que amplifica enormemente os efeitos negativos generalizados da Grande Depressão sobre as economias primário-exportadoras

23 Antes não é só o sistema político que se desintegra. Com ele, termina também o modo caracteristicamente liberal de gestão dos fluxos comerciais e financeiros entre a economia brasileira e a economia mundial, mantido desde a era imperial.

24 Antes O gigantesco desequilíbrio externo que se prolonga pelo início dos anos 30 força a imposição de restrições cambiais e controles de importação mais ou menos permanentes, acabando por causar profunda e duradoura ruptura da forma tradicional de inserção do Brasil na economia mundial.

25 dupla ruptura: o fim da Primeira República marca, portanto, o início de uma dupla transição. Por um lado, a de uma economia primário-exportadora baseada no café, com um regime cambial e comercial relativamente livre, para uma economia voltada "para dentro" com severo controle sobre as transações externas.

26 Dupla ruptura Por outro lado, a transição de um sistema político onde a plutocracia paulista tinha papel hegemônico, para algo mais difuso em termos de distribuição regional e social da apropriação corporativa dos favores do Estado, ampliados em decorrência do fim do laissez faire nas transações com o resto do mundo.

27 Antes Assim, o equilíbrio do balanço de pagamentos, do qual em última instância o equilíbrio monetário dependia, tornava-se cada vez mais dependente da manutenção de preços favoráveis do principal produto de exportação e da propensão dos investidores estrangeiros a emprestar ao Brasil.

28 Antes Dada a velocidade com que ambas essas variáveis podem mudar, vale dizer que a posição externa brasileira ficava cada vez mais vulnerável.

29 Antes Quando, eventualmente, os empréstimos estrangeiros e os preços de exportação entravam em colapso após um processo de vigoroso cescimento das importações ter ganho impulso e erodido substancialmente o superávit comercial, a brusca contração monetária que inevitavelmente se seguia tinha efeitos reais extremamente dolorosos, como testemunhado em e

30 Desenvolvimento O conceito-chave que organiza o relato e que lhe concede unidade é o de desenvolvimentismo - a ideologia de transformação da sociedade brasileira definida pelo projeto econômico que se compõe dos seguintes pontos fundamentais:

31 Desenvolvimento A industrialização é a via de superação da pobreza e do subdesenvolvimento não há meios de alcançar uma industrialização eficiente e racional no Brasil através das forças espontâneas de mercado; por isso, é necessário que o Estado a planeje

32 Desenvolvimento o planejamento deve definir a expansão desejada dos setores econômicos e os instrumentos de promoção dessa expansão o Estado deve ordenar também a execução da expansão, captando e orientando recursos financeiros, e promovendo investimentos diretos naqueles setores em que a iniciativa privada seja insuficiente

33 Desenvolvimento Cinco correntes do pensamento existente com relação ao desenvolvimentismo: - as três variantes do desenvolvimentismo: (setor privado, setor público "não nacionalista" e setor público nacionalista) - o neoliberalismo (à direita do desenvolvimentismo); - e a corrente socialista (à esquerda);

34 Desenvolvimento Economistas mais representativos: Eugênio Gudin
Roberto Simonsen Roberto Campos Celso Furtado Ignácio Rangel (independente)

35 Desenvolvimento No nível analítico, os dois grandes enfoques em disputa eram o neoliberalismo, liderado no país por Eugênio Gudin, e a teoria Prebisch-Cepal sobre o desenvolvimento econômico.

36 Desenvolvimento Uma proposição política para países subdesenvolvidos, ou seja, a de industrializar, como meio de superar a pobreza ou reduzir a diferença entre eles e os países ricos, e de atingir independência política e econômica através de um crescimento econômico auto-sustentado.

37 Desenvolvimento A questão principal das disputas teóricas e políticas relativas ao futuro dos países desenvolvidos foi, nos anos 40 e 50, a da conveniência da intervenção do Estado para estabelecer um novo padrão de crescimento.

38 Desenvolvimento O principal ataque contra a doutrina dominante tinha como alvo os princípios do livre comércio, ou seja, da eficiência da alocação de recursos em nível interno e externo

39 Desenvolvimento -> planejamento e protecionismo
meios de alcançar a industrialização e, conseqüentemente, de se alterar o curso da história dos países subdesenvolvidos

40 Desenvolvimento Mais: segundo conjunto de discordâncias, dirigidas às políticas do FMI. A abordagem estruturalista consistiu em explicações não convencionais sobre as causas da inflação e dos problemas do balanço de pagamentos, e também objetivava das suporte a medidas de política heterodoxas destinadas à aceleração do processo de industrialização

41 Desenvolvimento quadro analítico de confrontação às teses liberais
o argumento da indústria infante: a mais velha entre as idéias em favor do protecionismo que tiveram legitimidade acadêmica, foi usada no Brasil, sobretudo em polêmicas dos industrialistas até a década de 40

42 Desenvolvimento a caracterização do subdesenvolvimento como uma condição da periferia "centro-perifera" é o conceito fundamental na teoria da Cepal; é empregado para descrever o processo de difusão do progresso técnico na economia mundial e para explicar a distribuição de seus ganhos

43 Desenvolvimento disparidade crescente entre o centro e a periferia, que se acirra pelo fato de que o centro tende a reduzir a taxa de expansão das importações de produtos primários à medida que prossegue o progresso técnico poupador de insumos primários, de modo que as taxas de crescimento da periferia tendem a ser menores do que as já modestas taxas do centro

44 Desenvolvimento A segunda idéia fundamental da teoria cepalina é a de que teria ocorrido uma mudança de direção do crescimento periférico a partir da I Guerra Mundial, num processo que ganharia um impulso decisivo na depressão do anos 30

45 Desenvolvimento novo padrão de desenvolvimento "para dentro”
dado o maior protecionismo no centro, menor elasticidade-renda da demanda por produtos primários, menor coeficiente de importação no novo centro cíclico, os Estados Unidos

46 Desenvolvimento Foi a guerra, com suas dificuldades de manter as importações, que revelou as possibilidades industriais daqueles países, ao passo que a Grande Depressão dos anos 30 reforçou a convicção de que aquelas possibilidades tinham que ser usadas de modo a compensar, por meio do desenvolvimento interno, o manifesto fracasso do estímulo interno que até então tinha ativado a economia americana

47 Desenvolvimento Esta convicção se confirmou durante a II GM, quando a indústria latino-americana, com todas as suas improvisações e dificuldades, tornou-se uma fonte de emprego e consumo para grande e crescente parte da população

48 Desenvolvimento o processo é visto como singular problemas
(Estado-planejamento) padrão de consumo processo clássico (simultâneo) x países subdesenvolvidos

49 Desenvolvimento O processo se inicia com a substituição de importações de bens finais não duráveis; bens de consumo; Com a importação de bens de capital e intermediários

50 Desenvolvimento Tavares (1964)
a tendência ao desequilíbrio externo é inerente à industrialização periférica; a industrialização na AL consiste na substituição de importações gerada por déficits externos; e o processo promove uma mudança na composição das importações, mas não reduz o seu volume

51 Desenvolvimento Déficits externos são vistos tanto como estímulo original para as atividades de substituição de importações quanto como uma barreira à continuidade do processo. A capacidade de superar essa contradição depende do peso dos requisitos de importação advindos das mudanças da estrutura produtiva, do grau de diversificação da economia e do tamanho do mercado interno relativamente à capacidade de expandir as importações

52 Desenvolvimento PLANEJAMENTO
- lidar com o desequilíbrio externo (estabelecer um equilíbrio razoável na expansão das várias atividades básicas) - falta de poupança interna (o que exigiria cuidadosa seleção das atividades a serem estimuladas

53 Desenvolvimento era necessário estimar a capacidade para importar, na base de um hipótese geral de demanda externa, e calcular o grau de esforço necessário à substituição de importações que a taxa de crescimento desejada irá exigir

54 Desenvolvimento PROTECIONISMO
se o excedente de mão-de-obra na periferia fosse usado em atividades exportadoras, os termos de intercâmbio fatalmente se deteriorariam o melhor emprego para o excedente de mão-de-obra seria o industrial

55 Desenvolvimento conseqüentemente (Prebisch, 28), se o desenvolvimento espontâneo da indústria é impraticável e "anti-econômico", para contrabalançar as diferenças de produtividade só restaria a proteção, através de tarifas alfandegárias ou de subsídios, já que as restrições à importação são em geral menos aconselháveis como medidas de política industrial, a não ser que sejam só temporárias

56 Desenvolvimento uma teoria que pretende mostrar a superioridade da absorção dessa mão-de-obra em atividades de mercado interno moderno, em relação a atividades exportadoras, independente do alto custo das primeiras, já que considera inevitável uma queda nos termos de troca por causa da ineslaticidade da demanda internacional por produtos primários

57 Desenvolvimento o protecionismo evita o "equívoco" da alocação de recursos em setores de exportação

58 Desenvolvimento Há indicações de que, em 1949, começou a surgir novo posicionamento frente à questão das importações: o sistema de licenças prévias passava a ser encarado conscientemente como instrumento de promoção de substituição de importações

59 Desenvolvimento Embora o sistema de controle das importações tenha sido instituído em meados de 1947 com o intuito exclusivo de fazer frente ao desequilíbrio externo, procurando racionar e dar melhor uso à moeda estrangeira disponível, terminou por ter grande importância para o crescimento da indústria no pós-guerra

60 Desenvolvimento o controle teve diferentes fases, através das quais foi sendo crescentemente utilizado com a finalidade de promoção do desenvolvimento industrial por substituição de importações

61 Desenvolvimento taxa de câmbio sobrevalorizada + medidas descriminatórias à importação de bens de consumo não essenciais e dos com similar nacional: daí resultou "um estímulo considerável à implantação interna de indústrias substitutivas desses bens de consumo, sobretudo os duráveis, que ainda não eram produzidos dentro do país e passaram a contar com uma proteção cambial dupla, tanto do lado da reserva de mercado como do lado do custo da operação

62 Desenvolvimento Esta foi basicamente a fase da implantação das indústrias de aparelhos eletrodomésticos e outros artefatos de consumo durável (Tavares, 1972, p. 71)

63 Desenvolvimento surto de importações em 51/52
Efeito subsídio, associado a preços relativos artificialmente mais baratos para bens de capital, matérias-primas e combustíveis importados Efeito protecionista, através das restrições à importação de bens competitivos

64 Desenvolvimento Efeito lucratividade, resultante do fato de que a taxa de câmbio sobrevalorizada tendeu a alterar a estrutura das rentabilidades relativas, no sentido de estimular a produção para o mercado doméstico em comparação com a produção para a exportação + crédito do Banco do Brasil O crédito real à indústria cresceu 38%,, 19%, 28% e 5% entre 47-50; sendo que 47 e 48 foram anos de políticas austeras [de combate à inflação]

65 Desenvolvimento Sem procurar negar a indubitável hegemonia das idéias liberais no governo Dutra, a relativa negligência com a industrialização do Brasil, nem a deliberada intenção de diminuir a intervenção do Estado na economia, é preciso reconhecer também que o componente militar da base da sustentação política de Dutra, o mesmo do Estado Novo, que não havia abandonado suas preocupações estratégicas com o "aparelhamento econômico da nação"

66 Desenvolvimento Ainda mais, o governo Kubitshek caracterizou-se pelo integral comprometimento do setor público com uma explícita política de desenvolvimento.

67 Desenvolvimento Plano de Metas
A economia cresceu a taxas aceleradas, com razoável estabilidade de preços e em um ambiente político aberto e democrático. Política cambial principal (senão único) instrumento de política econômica à disposição do setor público.

68 Desenvolvimento As manipulações na taxa de câmbio e a imposição de quotas, tarifas e impostos de importação e exportação, formavam o conjunto principal de estratégias operacionais dos gestores da política econômica

69 Desenvolvimento A evolução da economia brasileira na década de 50 e até meados da década de 60 foi marcada por modificações profundas na política cambial, e cada uma dessas alterações constitui um marco decisivo no processo de desenvolvimento econômico [do país]

70 Desenvolvimento regime de taxas cambiais múltiplas até 1957
a reforma cambial de 1953, embora tenha apresentado resultados imediatos positivos, teve seus efeitos amortecidos pela fase depressiva que atingiu o setor externo brasileiro a partir de 1954 pois os preços internacionais do café caíram violentamente a partir desse ano, com consequente deterioração dos termos de intercâmbio

71 Desenvolvimento problema (crônico) -> a progressiva diminuição das receitas de exportação, somada à intensificação do processo substitutivo, comprometia o poder do setor público de orientar o processo de industrialização

72 Desenvolvimento A única solução viável seria a entrada líquida de capitais autônomos, de modo a compensar o desafogo no balanço de pagamentos, de modo a não interromper a importação de bens essenciais, e, por outro, manteria a taxa de investimentos requerida pela continuação do processo de substituição de importações

73 Desenvolvimento Lei 1807 de 53/54 estabeleceu incentivos para a entrada de capital A regulamentação definitiva foi efetivada em 1954, quando outros setores, além daqueles definidos na Lei 1807 (energia, transportes e comunicação) foram qualificados a receber tratamento cambial favorecido. Esses setores eram selecionados pela Sumoc com base no critério de seu "interesse para a economia nacional"

74 Desenvolvimento Instrução 113 da Sumoc, de > incluía na lista de setores favorecidos praticamente todos os setores industriais, excetuando-se apenas aquelas que, a critério da Sumoc, fossem "notoriamente supérfluos".

75 Desenvolvimento Agosto de 1957, nova reforma cambial.
objetivo -> simplificar o sistema de taxas múltiplas... De cinco categorias -> para duas categorias (geral e especial) na geral -> eram importadas matérias-primas, equipamentos e bens genéricos que não contassem com suficiente suprimento interno. Pela categoria especial eram importados os bens de consumo restrito e os bens cujo suprimento fosse satisfatório pelo mercado interno

76 Desenvolvimento categoria preferencial -> tratamento privilegiado -> papel, trigo, petróleo, fertilizantes e equipamentos de investimentos prioritários

77 Desenvolvimento Conselho de Política Aduaneira (CPA) tarifas de até 150% Uma das principais idéias implícitas na reforma foi acelerar a substituição de bens de capital, diminuindo-se a ênfase dada em anos anteriores à substituição de bens de consumo

78 Desenvolvimento alguns bens de capital foram incluídos na categoria especial (o que tornou a sua importação mais cara) enquanto taxas favoráveis foram mantidas para a importação (com ou sem cobertura cambial) dos chamados bens de capital-capital, produtos intermediários, matérias-primas, todos necessários à produção de equipamentos

79 Desenvolvimento A indústria de bens de capital cresceu à taxa de 26,4% ao ano entre 1955 e 1960 em grande medida devido ao comportamento dos segmentos "equipamentos e veículos" e "equipamentos de transporte"

80 Desenvolvimento De um ponto de vista mais amplo, a reforma de 1957 implicou um aprofundamento do processo de substituição de importações, na medida em que se alcançava estágios mais avançados na industrialização

81 Desenvolvimento políticas de desenvolvimento BNDE (criação)
Fundo de reaparelhamento econômico pgm de reap. eco (CMBEU)

82 Desenvolvimento 1956 -> Conselho de Desenvolvimento Plano de Metas
total comprometimento do setor público energia, transporte, alimentação, indústrias de base e educação

83 Desenvolvimento No período o PIB cresceu à taxa anual de 8,2%, o que significou uma elevação de 5,1% ao ano da renda per capita; inflação média no mesmo período -> 22,6%

84 Desenvolvimento fortes déficits no BP
rápida redução do coeficiente de importação preços do café caíram constantemente a partir de 1955

85 Desenvolvimento problemas do Plano de Metas:
por exemplo: a total ausência de definição dos mecanismos de financiamento que seriam utilizados para viabilizar um conjunto tão ambicioso de objetivos, com a exceção de declarações triviais inseridas para aplacar a crítica de seus opositores do que para configurar, efetivamente, uma diretriz de atuação.

86 Desenvolvimento elevação da carga fiscal poderia ter sido uma solucão
forte resistência, necessitaria de aprovação no Congresso financimaneto inflacionário expansão da base monetária

87 Desenvolvimento A possibilidade de eliminar o déficit de caixa do Tesouro e assim interromper a expansão indesejada de base monetária dependia, teoricamente, de um dos seguintes fatores: 1) aumento da receita tributária (resistência) estrutura anacrônica 2) títulos da dívida pública (pressão sobre os juros)

88 Desenvolvimento 3) tentar comprimir a depesa e diminuir o déficit. Com o objetivo de não amortecer o ritmo de crescimento da economia, planejava-se um corte nos gastos de custeio, mantendo-se inalterados os gastos de investimento -> estruturação de gastos públicos -> problema

89 Desenvolvimento Na prática, acontecia o inverso -> o governo, incapaz de conter os gastos correntes, basicamente os de pessoal, dada a pressão política do funcionalismo público, acabava por cortar gastos de investimento

90 Desenvolvimento PEM -> programa de estabilização monetária 1958 Lucas Lopes na Fazendo + Roberto Campos, Diretor-Superintendente no BNDE

91 Desenvolvimento inflação em 57 -> 7% em 58 -> 24,3%
café em queda...

92 Desenvolvimento procurar-se-ia, a partir de 1960, limitar a expansão de meios de pagamentos no necessário para o ritmo de crescimento do produto real, com vista a assegurar um grau razoável de estabilidade nos preços internos e reequilíbrio no BP

93 Desenvolvimento A estratégia gradualista do PEM de controle da inflação acabou por não encontrar um caminho próprio de aceitação para a delicada tarefa de compatibilizar alto nível de investimentos com estabilidade de preços

94 Desenvolvimento Kubitschek parecia estar convencido de que uma política agressiva de investimentos seria mais eficaz na atração de capital estrangeiro do que uma política fiscal e monetária ortodoxa

95 Desenvolvimento aliados do BB prefeitos governadores industriais
cafeicultores Em nenhum momento o BB se submeteu às diretrizes e metas do PEM

96 Desenvolvimento No final de dezembro de 1962 foi apresentado o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, elaborado sob a coordenação de Celso Furtado, ministro extraordinário para Assuntos do Desenvolvimento Econômico, como resposta à deterioração externa e à aceleração inflacionária

97 Desenvolvimento O Plano Trienal, apesar de elaborado por Celso Furtado, o mais influente e bem-sucedido economista brasileiro ligado à tradição estruturalista da Cepal, caracterizava-se por diagnóstico bastante ortodoxo da aceleração inflacionária no Brasil, enfatizando o excesso de demanda via gasto público como sua causa mais importante

98 Desenvolvimento corte de subsídios -> correção de preços defasados (derivados de petróleo, trigo) redução do déficit público controle da expansão do crédito ao setor privado aumento do depósito compulsório dos bancos privados de 24% para 28% escalonamento da dívida externa (FMI)

99 Desenvolvimento O Plano e as negociações internacionais dele decorrentes foram duramente criticados por setores de esquerda, que denunciavam o caráter recessivo da política econômica e a submissão dos interesses nacionais aos dos Estados Unidos da América

100 Desenvolvimento No final de abril, Goulart deu os primeiros sinais de haver desistido de seus esforços de conciliação dos objetivos estratégicos consubstanciados nas chamadas "reformas de base" com a estabilização econômica

101 Desenvolvimento subsídios à importação de petróleo e de trigo voltam
aumento de 60% ao funcionalismo (FMI recomendava 40%) salário mínimo reajustado em 56,25% nível de empréstimo sobe desaceleração crescimento do PIB em 62 -> 6,6%; em 63 -> 0,6%

102 Depois Grandes erros foram cometidos mas não comprometeram de forma significativa este desempenho até o final dos ano 70. Esta tradição foi rompida no início da década de 80, pelo menos em parte devido às restrições impostas pela não solução dos problemas relativos à incompatibilidade entre estoque da dívida externa, capacidade de geração líquida de divisas e manutenção do crescimento econômico

103 Depois baixa produtividade concentração de renda inflação

104 Depois No fim dos anos 80, doses maiores das políticas comercial e industrial habituais pareciam apenas acentuar a ineficiência industrial, deteriorar a competitividade e ratificar a estagnação da taxa de crescimento da produtividade

105 Depois Da mesma forma, doses maiores de estímulos fiscais ao crescimento pareciam apenas acentuar a escalada inflacionária

106 Depois Tudo parecia apontar para o indesejado, a progressiva concentração de renda e o cada vez mais claro fracasso das políticas públicas estabelecidas em restaurar o crescimento, evitar a hiperinflação e reduzir as nossas extraordinárias desigualdades sociais

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