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Recortes da literatura produzida a partir de Santa Catarina Viegas Fernandes da Costa (Sarau Eletrônico / Biblioteca Universitária / FURB)

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1 Recortes da literatura produzida a partir de Santa Catarina Viegas Fernandes da Costa (Sarau Eletrônico / Biblioteca Universitária / FURB)

2 Seria possível falarmos de uma literatura catarinense? Qual a importância de se ler os catarinenses? O desconhecimento a respeito dos autores catarinenses estaria relacionado a um certo colonialismo cultural? Primeiras questões

3 Breve cronologia Em 1847 Marcelino Dutra ( ) publica o livro de poemas Assembleia das Aves. Horácio Nunes Pires ( ), dramaturgo, autor de peças como Um cacho de mortes e do romance de costumes D. João de Jaqueta. Década de 1880, grupo Ideia Nova. Liderado por Virgílio Várzea ( ). Opunha-se ao romantismo e reuniu Realistas, Simbolistas e Parnasianos. Nomes: Virgílio Várzea, Cruz e Sousa, Luiz Delfino entre outros. Estes autores viveram a transição política da Monarquia para a República no Brasil.

4 Cruz e Sousa ( ) Filho de escravos alforriados. No Rio de Janeiro incorporou a estética do simbolismo (Misticismo, espiritualismo, subjetivismo, sonoridade da poesia, realidade expressa de maneira vaga, ênfase no imaginário, na sugestão e na fantasia. A literatura de Cruz e Sousa dá ênfase no senso trágico e anseia a libertação através da transcendência.

5 Geração da Academia 1921: criação da Sociedade Catarinense de Letras (mais tarde chamada de Academia Catarinense de Letras). Geração sem livros: a maior parte publicava em jornais e revistas. Principais nomes: Altino Flores, José Boiteux, Othon dEça (Homens e Algas), Tito Cavalho (Bulha dArroio – contos regionalistas) Fundam a revista Terra

6 Grupo Sul 1946: surgimento do Círculo de Arte Moderna (Grupo Sul). Duramente criticados por Altino Flores Principais nomes: Anibal Nunes Pires, Ody Fraga, Eglê Malheiros, Salim Miguel, Antonio Paladino, Adolfo Boos Jr., Silveira de Souza : publicação da Revista Sul. 1957: Longa-metragem O preço da ilusão.

7 Salim Miguel: Velhice e outros contos; Rede; A morte do Tenente e outras mortes; A vida breve de Sezefredo das Neves, poeta; Primeiro de abril; As confissões Prematuras; Mare Nostrum; Jornada com Rupert entre outros.

8 Adolfo Boos Jr.: Teodora & Cia; Companheira noturna; Quadrilátero; Um largo, sete memórias; Presenças de Pedro Cirilo; Burabas entre outros.

9 Catequese Poética O movimento inicia em Valorização do poema como forma de comunicação viva e atuante. Principal representante: Lindolf Bell ( ): As Annamárias; Incorporação; As vivências elementares; O código das águas entre outros. Experiências de comunicação poética: objetos poéticos, corpoema etc.

10 Outros autores catarinenses Marcos Konder Reis ( ): poeta de Itajaí. Livros: Menino de Luto; Praia Brava; Antologia poética; Caminho das pandorgas entre outros. Alcides Buss: poeta. Livros: Ahsim; Transação; Contemplação entre outros. Idealizador do Varal Literário. Almiro Caldeira ( ): contista e romancista. Livros: Rocamaranha; A arca açoriana entre outros. Açorianismo.

11 Lausimar Laus ( ): jornalista, professora e escritora. Seu principal livro é o romance O guarda-roupa alemão Guido Wilmar Sassi ( ): contista e romantista de temática regionalista. Livros: Amigo velho; São Miguel; Geração do deserto entre outros. Urda Alice Klueger: romancista, cronista e historiadora. Livros: Verde Vale; No tempo das tangerinas; No tempo da bolacha Maria; Cruzeiros do Sul entre outros

12 Deonísio da Silva: jornalista e escritor. Livros: Avante soldados: para trás (com o qual ganhou o Prêmio Casa de Las Américas); A cidade dos padres; Ovelhas de aluguel entre outros. Flávio José Cardozo: contista e cronista. Livros: Singradura; Longínquas baleias; Trololó para flauta e cavaquinho entre outros. Maicon Tenfen: contista, cronista e romancista. Livros: Entre a brisa e a madrugada; Mistérios, mentiras e trovões; Casa Velha Night Club entre outros.

13 Demais autores: Maura de Senna Pereira; Silveira de Souza; C. Ronald; Holdemar de Oliveira Menezes; Harry Laus; Enéas Athanázio; Martinho Brunning (Hai Kais); Amilcar Neves; Edla Van Steen; José Endoença Martins; Péricles Prade; Dennis Radünz; Fábio Brüggemann; Douglas Zunino; Godofredo de Oliveira Neto, Rubens da Cunha; Gregory Haertel; Marcelo Labes entre muitos outros.

14 A representação do enxaimel social

15 José Endoença Martins. Enquanto Isso Em Dom Casmurro Esta cidade também já foi alemã, italiana. Com alemães e italianos as enchentes anuais perderam leveza e novidade. Ganharam angústia. O enxaimel foi despejado da riqueza de detalhes estéticos que abrigava e virou simulacro empobrecido da nostalgia. A Oktoberfest adquiriu o teor escuro da revolta desesperada, da dor. Uma dor de cerveja e mijo azedos. Alegrias e festas exauriram-se. A abundância econômica despencou. (p. 10)

16 Godofredo de Oliveira Neto. Faina de Jurema A civilização dos seus antepassados, porém, junto com as suas qualidades, legou-lhes seus imensos defeitos. O espírito de comunidade funcionava unicamente nas relações entre o grupo e outro grupo de raça distinta. No interior do círculo o individualismo preponderava. Para se elevar, pisar sobre os ombros era a lei. A vitória assim obtida era agraciada com prêmios materiais. Isto era o mais importante. A noção de moeda e de seu poder colateral estava aqui tão às soltas como no velho mundo quando de lá partiram (p. 47)

17 Gregory Haertel. Aguardo Aguardo não é uma cidade extensa. Encravada no meio de um vale, Aguardo é cortada em toda a sua extensão por um rio que raramente acorda. Até esta enchente de 1980 o rio despertara duas outras vezes. Daqueles despertares lê-se nos livros. Moram em Aguardo os que ali nasceram e os que para cá fugiram. Existiam índios e negros. Os primeiros foram exterminados juntamente com as capivaras, à bala. Os negros desapareceram. Não existem bancos em Aguardo. O dinheiro é guardado sob os colchões em sacolas de supermercado. As casas de Aguardo são limpas. As panelas de Aguardo são ariadas dia sim dia não e usadas uma vez por mês.

18 As crianças de Aguardo são gordas (qualquer sinal de magreza é interpretado como desutrição) e as suas notas são altas (o boletim vai de oito a dez. Notas abaixo destas são motivo para reprimendas públicas e conselhos aos envergonhados pais). Em Aguardo evita-se comentários sobre suicídios e deficientes mentais. Os retardados, em Aguardo, são como o tamanho dos genitais: só sabem sobre eles quem os tem. (p. 31).

19 Adolfo Boos Júnior. Quadrilátero (Livro Um: Matheus) era cada um para o seu lado, sonhando a sua maneira e alimentando o sonho com a inveja, juntos apenas quando a necessidade obrigava alguém a pedir emprestado; em comum, somente o desencanto e a decadência, mas vistos apenas nos outros e raramente admitidos em si próprio; mas era um grupo, reunido sei lá por que maldição que – não obstante a inveja e a rivalidade quase sem sentido – chegara a ter anseios iguais (...)

20 não, não era uma família, pelo menos dentro da noção de família, união e coisas assim: porém, sob outro aspecto, era quase uma família, desunida, irmanada apenas na miséria e na revolta e – muito pior – na maldição de não se entregar, de não desistir; quem ajudava já estava pensando em pedir, cada um perseguindo o sonho a sua moda, vendo no vizinho tudo aquilo que não queria ser e – contudo – apresentando a mesma imagem. (p )

21 Maiores informações


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