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“Há esperanças que é loucura ter. Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida.” José Saramago, em ‘Ensaio Sobre a Cegueira’

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Apresentação em tema: "“Há esperanças que é loucura ter. Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida.” José Saramago, em ‘Ensaio Sobre a Cegueira’"— Transcrição da apresentação:

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2 “Há esperanças que é loucura ter. Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida.” José Saramago, em ‘Ensaio Sobre a Cegueira’

3 Há vinte anos, a Eco-92 reuniu chefes de estado, lideranças mundiais e ativistas de ONGs, que discutiram sobre como conciliar preservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico.

4 Passados vinte anos, o Brasil sediará o encontro “Rio+20”, que tem por tema central a transição para a economia verde.

5 O evento gira em torno da proposta de adoção de um novo sistema produtivo, com base na baixa emissão de poluentes, na eficiência no uso dos recursos naturais e na erradicação da pobreza.

6 A conferência ocorre em um momento geopolítico crítico. Com 7 bilhões de pessoas, nunca se falou tanto nos limites físicos do planeta. No entanto, é evidente a falta de vontade política para se discutir o futuro.

7 Nos encontramos num momento de crise econômica, exacerbada pela pressão maior sobre os recursos naturais, ampliação da pobreza, redução da segurança, continuidade de conflitos violentos, e degradação ambiental sem precedentes.

8 Passados vinte anos desde a Eco-92, a oportunidade de construir um mundo mais seguro, mais justo e mais unido foi, em grande parte, desperdiçada.

9 Especialistas apontam que alcançamos um ponto crítico, poderemos não chegar a ter uma “Rio+40”, pois não haverá tempo. e que, caso não modifiquemos nossos padrões de produção e de consumo,

10 C OLAPSO (sm.): do latim collapsus – 1. Fracasso, esgotamento, acidente, pane, enguiço; 2. Estado de crise, paralisação, ruína, desmoronamento ou extinção de algo. Parte 1 – Colapso

11 “Estamos gravemente além do limite suportado pela natureza, consumindo os recursos disponíveis muito mais rápido do que a Terra é capaz de repô-los...”

12 “As consequências disso são previsíveis e terríveis.” James Leape, diretor-geral do WWF Internacional

13 A demanda por recursos naturais dobrou desde a década de – vítima do avanço das atividades humanas, como mineração, agricultura e pesca, sobre florestas e oceanos. A biodiversidade encolheu 30% em todo o mundo entre 1970 e 2008,

14 O desenvolvimento tecnocientífico, dissociado da consciência ecológica, fez com que saqueássemos os recursos naturais numa escala sem precedentes.

15 E a ruptura entre o trabalho e o cuidado fez com que o afã desmedido de produção se revertesse na ânsia incontida de dominação das forças da natureza.

16 Vangloriamo-nos com a ilusão de progresso, sem atentar para o fato de que somente avançamos no campo tecnocientífico, – e não na ética, na política, nas artes, na educação, na cultura, na humanidade...

17 Os limites do capitalismo são os limites da Terra. E já encostamos perigosamente nestes limites; tanto da Terra, quanto do capitalismo.

18 Os limites do capitalismo são os limites da Terra. E já encostamos perigosamente nestes limites; tanto da Terra, quanto do capitalismo. O cego apego a bens e confortos materiais tem nos conduzido até a beira do abismo.

19 Já não podemos prosseguir com a perversa lógica do capital, baseada no acúmulo, na ostentação e no desperdício:...

20 “Quem não tem quer; quem tem quer mais; quem tem mais diz que nunca é suficiente.” (onde haveremos de chegar assim?)

21 “Eco-suicídio” é o termo que especialistas usam para designar a incapacidade de se entender a fragilidade do meio ambiente, combinada com a ganância que leva à exploração dos recursos naturais muito além do limite sustentável.

22 A nossa voracidade consumistas desmedida tem dilacerado o patrimônio ambiental com tal ímpeto que será sentido por muitas gerações adiante.

23 Os atuais padrões de extração, produção, consumo e descarte, mostraram-se insustentáveis,...

24 ...além da capacidade de reposição e regeneração do planeta.

25 A pegada ecológica que deixamos: montanhas de lixo e resíduos.

26 Tempo médio que leva para se decompor na natureza: Plástico: de 200 a 400 anos / Fralda descartável: 450 anos Pilha: até 500 anos / Vidro: indeterminado

27 Quantidade de pneus produzidos no mundo anualmente: 900 milhões.

28 Tempo que os pneus levam para se decompor na natureza: indeterminado.

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30 Devemos começar a cultivar a solidariedade intergeracional, para com os que virão depois de nós. Eles também precisam satisfazer suas necessidades, e habitar um planeta minimamente saudável.

31 Há sempre uma escolha para cada grande desafio. Seremos capazes de modificar nossos hábitos, e responder à altura aos desafios que enfrentamos?

32 Imagem de celulares descartados. Somente nos EUA, cerca de aparelhos são jogados fora diariamente, trocados por modelos mais novos.

33 A vida útil hoje de um celular, da aquisição ao descarte, é de 7,5 meses. Quase todos os aparelhos descartados encontram-se em perfeitas condições de uso.

34 E juntamente com os aparelhos vão-se embora também carregadores, baterias, acessórios...

35 Pássaro manchado de óleo, os olhos avermelhados pela irritação.

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37 Homem se aventura a nadar nas águas poluídas de um lago na Caxemira.

38 A Terra está manifestando sinais inequívocos de que já não aguenta mais.

39 A Terra está manifestando sinais inequívocos de que já não aguenta mais. Na Ilha de Java, na Indonésia, moradores enfrentam estações secas cada vez mais longas e severas.

40 Em Sydney, Austrália, mulher tenta se equilibrar frente à forte chuva.

41 Família paquistanesa luta pela sobrevivência diante da forte tempestade.

42 O temor, tremor e assombro diante de forças que não podemos enfrentar, – que não se sujeitam a negociação ou controle.

43 “O homem é parte da natureza e sua guerra contra a natureza é inevitavelmente uma guerra contra si mesmo...”

44 “Temos pela frete um desafio como nunca a humanidade teve, de provar nossa maturidade e nosso domínio, não da natureza, mas de nós mesmos”.

45 Num vilarejo indiano, mulheres percorrem longas distâncias em busca de água.

46 Atualmente, quase 900 milhões de pessoas em todo o mundo encontram-se sem acesso a fontes de água limpa.

47 900 milhões de sedes que não haverão de ser saciadas com a simplicidade de um copo de água potável.

48 A água é tratada por muitos especialistas como “ouro azul”, cuja crescente escassez começa a ocasionar amplos deslocamentos de refugiados climáticos.

49 A escassez de água potável já causa 1.6 milhões de mortes por ano, além de crescentes disputas e conflitos bélicos.

50 Na província indiana de Natwarghad, pessoas se aglomeram em torno de um poço em busca de água.

51 No estado do Pará, uma mulher carrega água, tendo ao fundo um afluente, outrora formoso e hoje quase seco, do rio Amazonas.

52 O que está em jogo neste crucial momento que atravessamos é o destino do processo civilizatório, o futuro da vida no planeta.

53 R EGENERAR (v.): Fazer-se novo. Parte 2 – Regeneração

54 “O belo é uma manifestação das leis secretas da natureza...”

55 “...que, se não se revelassem a nós por meio do belo, permaneceriam eternamente ocultas.” Goethe

56 Educar as futuras gerações de modo que possam lançar um olhar generoso sobre a vida.

57 Que saibam vivenciar um novo paradigma de relacionamento com o mundo e com todos os seres.

58 Que possam enxergar a beleza e a poesia que repousam na natureza, e respeitar os seus limites e a sua fragilidade.

59 Tradições remotas ensinam que o mundo é um jardim, e o ser humano, um cuidador, um jardineiro.

60 Devemos cultivar e cuidar da Terra com sabedoria e senso de justiça, estética e bondade.

61 O universo caminhou 15 bilhões de anos para produzir o planeta que habitamos,...

62 ...essa admirável obra que nós, seres humanos, recebemos como herança, para preservar e cuidar como guardiões e fiéis jardineiros.

63 Lembrar que o caminho da triste decadência, na qual o mundo enveredou, não leva consigo todos.

64 Aqui e ali brota a consciência, bela e esplendorosa como sempre, eternamente livre.

65 Apesar do mundo que diante de nossos olhos se apresenta, prosseguir trabalhando por outros mundos possíveis.

66 Num mundo onde impera quase exclusivamente o culto ao intelecto, à aparência e à posse,...

67 ...procurar cultivar a vida moral, a interioridade; resgatar a compaixão, a espiritualidade.

68 Gravar na alma o antigo ditado indígena que nos ensina:...

69 “Anda com mansidão sobre a terra – ela é sagrada.”

70 “Ame, e siga sua bem- aventurança.”

71 A superação da atual crise haverá de nos conduzir para a fundação de um novo ensaio civilizatório.

72 Caminhos que levam a outros mundos possíveis.

73 Onde ecologia exterior e interior se harmonizarão, e devolverão equilíbrio e paz à Terra.

74 E se realizará nosso anseio ancestral pela verdade, pelo bem, pelo belo, pelo afeto, pelo sagrado.

75 “Damos voltas e voltas, mas, na realidade, só há duas coisas:...”

76 “...ou você escolhe a vida, ou se afasta dela.” José Saramago

77 Fomatação:

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