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XXII Congresso Nacional de Criminalística V Congresso Internacional de Perícia Criminal autor e apresentador: Edilson FRANCIONI Coelho perito-francioni.com.br.

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2 XXII Congresso Nacional de Criminalística V Congresso Internacional de Perícia Criminal autor e apresentador: Edilson FRANCIONI Coelho perito-francioni.com.br perito criminal O autor não está representando o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Brasília – DF MMXIII

3 Do autor: •engenheiro eletrônico (UERJ); •perito criminal desde 2001; •bacharel em Direito (UNESA); •pós-graduado em Direito Público e Privado (Escola de Direito da AMPERJ / ISMP). FRANCIONI perito criminal

4 O “princípio do perito oficial natural”: considerações jurídicas sobre intervenção em exames periciais e crime organizado. FRANCIONI perito criminal

5 Este trabalho se baseia em 2 artigos do autor: •Limites à avocação administrativa na Perícia Oficial: uma garantia ao devido processo legal contra o crime organizado (graduação em Direito – 2009); •Limites à execução de exames periciais por diretores da Perícia Oficial: violação de competência administrativa e implicações no processo criminal (pós-graduação – 2012). FRANCIONI perito criminal

6 •O “caso Juan Moraes” – será que a perita errou? Análise dos procedimentos adotados pela PCERJ e pelo DGPTC sobre possível erro de perita legista. (2011) (e outras 23 páginas vinculadas) Usaram-se fotografias da imprensa e exemplos extraídos de um artigo do autor para o seu portal de internete: FRANCIONI perito criminal

7 Que é um perito natural? Um agente público natural é aquele que deve atuar em um processo judicial ou administrativo naturalmente. Isso significa que a sua designação deve ser determinada pelo sistema de trabalho, impessoalmente, livre de toda e qualquer possibilidade de escolha pessoal. FRANCIONI perito criminal

8 A designação de perito para realizar exame é natural se for totalmente impessoal: •realização em setor com atribuição para a tarefa (ex.: tipo de exame, região geográfica); •perito lotado no setor; •perito atuando no momento (plantão); •perito com aptidão física para o exame (inexistência de readaptação impeditiva). FRANCIONI perito criminal

9 No Direito, não é novidade a existência de um juiz natural, um promotor de justiça natural e, também, um defensor público natural. Esse trabalho, inédito, pretende demonstrar que também existe um perito natural, sem o qual há prejuízo para a atuação impessoal de juízes, promotores de justiça e defensores públicos – portanto, o processo é fragilizado e, como conseqüência, a própria sociedade. FRANCIONI perito criminal

10 Objetivo da Perícia Oficial: gerar prova técnica para processo criminal. A Perícia se vincula ao objetivo do processo, que é, com fundamento constitucional, preservar direitos e garantias individuais, como: • devido processo legal, • ampla defesa e contraditório, • vida, integridade física, liberdade etc.. FRANCIONI perito criminal

11 Testemunhos são “provas renováveis”: ocorrem no inquérito policial e, depois, são repetidas em juízo. Exames periciais são, como regra geral, “provas não renováveis” – por isso, são produzidas antecipadamente (no IP) e aceitas como "definitivas". Na maioria das vezes é impossível aferir o grau de veracidade contido em um laudo pericial. FRANCIONI perito criminal

12 O assistente técnico só consegue identificar vícios materiais em laudos periciais. Fraudes bem executadas não apresentam vícios materiais: laudos ideologicamente falsos podem ser produzidos com perfeição por especialistas no objeto do exame. Contudo, esses especialistas não são capazes de ocultar vícios administrativos que muitos laudos falsos ostentam. FRANCIONI perito criminal

13 A eficácia da ampla defesa requer capacidade de identificar vícios administrativos. Melhor seria a prevenção a fraudes. O controle dos exames periciais, para ser eficaz e garantir o devido processo legal, o direito à ampla defesa e ao contraditório (e, conseqüentemente, a dignidade humana) deve ser efetuado desde a sua gênese. FRANCIONI perito criminal

14 Para que o processo seja impessoal, também atribui-se impessoalidade aos seus agentes. Reconhecem-se o “princípio do juiz natural”, o “princípio do promotor natural” e, também, o “princípio do defensor público natural”. Presidente de TJ, PGJ e DPG não podem atuar em um processo nem substituir o agente “natural” por outro da sua escolha. FRANCIONI perito criminal

15 A importância de atuações impessoais de juízes, promotores e defensores é perdida se as provas forem produzidas por perito escolhido com a mera possibilidade de haver fraude. O “sistema judiciário” não admite qualquer possibilidade de escolha pessoal de julgadores, acusadores ou defensores públicos. Quem produz provas poderia ser escolhido? FRANCIONI perito criminal

16 Há 3 tipos de improbidade administrativa: 1.com enriquecimento ilícito do agente; 2.com “mera” lesão ao erário; e 3.com violação aos princípios que regem a administração pública – mesmo que não haja locupletação do agente nem dano ao erário. FRANCIONI perito criminal

17 O exame pericial é um ato administrativo e sua finalidade é atender ao interesse público. Diretor escolher perito para realizar exame é ato de improbidade, bem como perito escolher exame a realizar – ainda que não haja fraude. O “princípio do perito oficial natural” está implícito na Constituição de 1988, mas ainda não foi percebido pelos juristas brasileiros. FRANCIONI perito criminal

18 A proteção à prova técnica também implica, indiretamente, proteção ao perito oficial contra perseguições administrativas. A garantia ao devido processo legal abrange garantias pessoais aos membros do MP, da Magistratura e da Defensoria Pública, como: independência funcional e inamovibilidade. Peritos oficiais não têm essas garantias, importantes para a proteção do processo. FRANCIONI perito criminal

19 Alguns institutos de Direito Administrativo: FRANCIONI perito criminal •competência, •avocação administrativa e •delegação administrativa.

20 Competência é a "faculdade atribuída ao agente público (...) para o desempenho válido e eficaz de suas funções“. (José Cretella Júnior) “Não é competente quem quer, mas quem pode, segundo a norma de Direito.” “A regra de competência (...) não é uma criação subjetiva do administrador, mas um critério objetivo da lei.” (Caio Tácito) FRANCIONI perito criminal

21 “no direito público, (...) não há presunção de competência administrativa: esta há de originar-se de texto expresso.” (José dos Santos Carvalho Filho) Exceções (Diogo de Figueiredo Moreira Neto, Odete Medauar) aceitam a competência com origem implícita na norma – com base no princípio constitucional da razoabilidade. Assim, atendem à prodigiosa desorganização de alguns órgãos públicos que não têm regras. FRANCIONI perito criminal Competência (continuação):

22 “Quem pode o mais pode o menos.” Essa máxima é inaplicável, pois confunde conceitos distintos: competência e hierarquia. Um diretor não tem mais competência do que um perito oficial seu subordinado: co-existem competências diferentes, como decorrência direta da diferença entre níveis de hierarquia. O diretor administra, não executa exames. FRANCIONI perito criminal Competência (continuação):

23 FRANCIONI perito criminal Há várias espécies de competência, tais como: •em razão da matéria (ratione materiæ); •em razão do lugar (ratione loci); •em razão do tempo (ratione temporis). Competência (continuação):

24 Avocação administrativa: ato administrativo pelo qual um superior hierárquico toma para si uma função normalmente atribuída a seu subordinado. Os princípios do Direito Administrativo regem a avocação: legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade etc.. A avocação requer previsão normativa. FRANCIONI perito criminal

25 Delegação administrativa: ato administrativo excepcional pelo qual um órgão público transfere atribuições suas para um outro órgão (a regra é a não-delegação). A delegação também é regida pelos princípios do Direito Administrativo (tal como qualquer ato administrativo) e, também, requer previsão normativa. FRANCIONI perito criminal

26 Interferências em exames periciais ocorrem em 2 modalidades: 1.escolha de perito para realizar exame pericial; 2.realização por superior hierárquico, direta e pessoalmente, de exame pericial. Ambas essas modalidades são ilícitas. FRANCIONI perito criminal

27 Implica 2 atos administrativos: 1) avocação administrativa – para que o diretor “adquira” a competência para executar o exame, que é do perito natural; 2) “redistribuição” (delegação?) – para que o diretor transfira essa competência “adquirida” ao perito escolhido. 1) Escolha de perito: FRANCIONI perito criminal

28 A avocação só é aplicável a atos decisórios, não a atos executórios, segundo a doutrina. Exames periciais são atos executórios. Portanto, não admitem avocação. Se exames periciais admitissem avocação, essa competência poderia ser transmitida ao perito escolhido pelo meio que usualmente é chamado de redistribuição. 1) Escolha de perito (continuação): FRANCIONI perito criminal

29 O autor não encontrou referências bibliográficas à redistribuição – que seria uma delegação. A delegação só cabe a um conjunto de atos e se dirige a um órgão, não a um servidor. Se um diretor não pode adquirir competência para executar exame pericial nem transferi-la, o perito escolhido não pode realizar exame que integre a competência do perito natural. 1) Escolha de perito (continuação): FRANCIONI perito criminal

30 Como visto, um diretor não pode avocar exame de perito natural para qualquer fim. Há exame que integre competência originária de um diretor? Um diretor pode realizar exame sem avocá-lo? Um diretor pode ser perito natural? 2) Realização de exame pelo próprio superior hierárquico: FRANCIONI perito criminal

31 A realização de exame pericial por superior hierárquico requer 2 competências: 1) do órgão que ele comanda; 2) da função que ele exerce (da chefia). Se qualquer dessas competências inexistir, o superior hierárquico não poderá executar exames periciais. FRANCIONI perito criminal 2) Realização direta (continuação):

32 2.1) competência do órgão: O órgão (lato sensu, em qualquer nível e com qualquer designação) deve ter competência para a realização do exame pretendido. Essa independe de competências pessoais (isto é, independe das competências associadas às funções de perito e de diretor) para realizar exames e da sua capacidade de fato (técnica). FRANCIONI perito criminal 2) Realização direta (continuação):

33 2.1) competência do órgão (continuação): Perito legista lotado em IC é incompetente para realizar exame médico-legal. Perito criminal lotado em IML é incompetente para realizar exame criminalístico. Essa vedação independe do exercício de função de chefia – portanto é um impedimento também aplicável a superiores hierárquicos. FRANCIONI perito criminal 2) Realização direta (continuação):

34 2.1) competência do órgão (continuação): Então, perito criminal ou legista lotado em órgão competente apenas para coordenar os órgãos de execução de exames periciais (inclusive seu diretor) não tem competência para executar exames de qualquer natureza: seu órgão é totalmente incompetente para a execução de exames periciais. FRANCIONI perito criminal 2) Realização direta (continuação):

35 2.2) competência da função de chefia: Se o ato que criar a função de diretor de IC não lhe atribuir competência expressa para executar exames de criminalística, então o seu diretor será incompetente para realizá-los, mesmo que seja perito criminal. A restrição também se aplica à função de diretor de IML que seja perito legista, quanto à execução de exames médico-legais. FRANCIONI perito criminal 2) Realização direta (continuação):

36 2.2) competência da função de chefia (continuação): Deve-se compreender: cada cargo público tem a sua função pública, com sua competência. A princípio, quem ocupa um cargo de perito exerce uma função de perito, correspondente. Entretanto, o perito (ocupante do cargo) pode passar a exercer outra função (ex.: diretor), perdendo a função de perito – muito embora seu ocupante não perca o cargo de perito. FRANCIONI perito criminal 2) Realização direta (continuação):

37 2.2) competência da função de chefia (continuação): Ademais, nessa norma, não seria suficiente haver previsão expressa de competência do diretor para a execução de exames periciais: como nenhum perito pode escolher exames, ele deveria executá-los como qualquer perito (ex.: cumprindo escalas de serviço). Tal competência legal poderia violar o princípio constitucional da razoabilidade. FRANCIONI perito criminal 2) Realização direta (continuação):

38 “O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente.” (Voltaire) O controle absoluto da execução de perícias que devem instruir vários processos criminais não pode ser considerado lícito em uma sociedade democrática. Inegavelmente, tal possibilidade constitui-se em enorme perigo. FRANCIONI perito criminal

39 Perito que realize os exames que quiser e escolha peritos para os outros pode gerar um conjunto coerente de provas técnicas falsas e controlar processos criminais – com ínfima probabilidade de que se se descubra a verdade. Estudiosos são unânimes: agentes públicos se constituem em peças fundamentais para o crime organizado. A Perícia Oficial detém grande poder e não pode ser excluída de um planejamento criminoso bem elaborado. FRANCIONI perito criminal

40 O autor não afirma, nem mesmo sugere, que a Perícia Oficial esteja sendo controlada pelo crime organizado, que organização criminosa interna à Perícia Oficial exista, ou, até, que haja planos para isso. No entanto, urge que o Estado brasileiro leve em consideração esse aspecto (até agora, admitido como mera possibilidade) no seu planejamento de segurança interna. FRANCIONI perito criminal

41 Breve relato de caso, baseado em notícias da imprensa: o “caso Juan Moraes”. Em 2011, um menino de 11 anos desapareceu, supostamente, após operação policial. Durante 8 dias, o Dr. Cláudio Nascimento de Souza, delegado da área, não providenciou exames periciais no local. Sob pressão da imprensa, a Chefe de Polícia, Dra. Martha Mesquita da Rocha, tomou providências sobre esse caso. FRANCIONI perito criminal

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43 Um corpo foi encontrado e suscitou-se dúvida sobre a correção de exame médico-legal. Com frases contraditórias, o Diretor do DGPTC, Dr. Sergio da Costa Henriques, desqualificou o trabalho da perita que o realizou. Ela foi afastada e outro perito foi escolhido para realizar o exame. A imprensa passou a divulgar, com fotografias, a realização de vários exames periciais. FRANCIONI perito criminal

44 FRANCIONI perito criminal O DGPTC é um órgão que apenas administra os órgãos que executam exames periciais (como o ICCE, o IMLAP, o IPPGF e PRPTCs) e não tem competência para realizar pericias. Apesar disso, o Diretor do DGPTC examinou uma viatura da PMERJ, com o perito criminal Dr. Miguel Archanjo da Silva Guimarães Júnior, perito escolhido para esse exame. Foto: Caso Juan: perícia acha sangue em carros da PM; exame de DNA confirmará se amostra é de menino desaparecido - Rio - Extra Online Disponível em:. Acesso em: set

45 O Diretor do DGPTC e esse perito escolhido também examinaram o local. Foto: ‘Meu filho não está mais vivo’, diz mãe do menino Juan - Casos de Polícia - Extra Online Disponível em:. Acesso em: jul FRANCIONI perito criminal

46 O Diretor do DGPTC e o perito escolhido para acompanhá-lo conseguiram encontrar estojos de munição supostamente usada por policiais – apesar do longo tempo decorrido, de chuva e da falta de preservação do local. O Dr. Antônio Carlos de Oliveira, defensor público, discorda desse encontro de material. Foto: Caso Juan: oito dias após sumiço de menino, polícia faz perícia no local - Casos de Polícia - Extra Online Disponível em:. Acesso em: set FRANCIONI perito criminal

47 Também, o Diretor do DGPTC executou, ele próprio, a reprodução simulada do crime, estando presente o mesmo perito escolhido. Foto: Wanderson, de muletas, e seu pai acompanham a reconstituição do caso Juan - Casos de Polícia - Extra Online Disponível em:. Acesso em: out FRANCIONI perito criminal

48 O Diretor do DGPTC foi acompanhado pelo mesmo perito escolhido na exumação do suposto cadáver de Juan Moraes. Foto 1: Exumação do corpo de Juan Disponível em:. Acesso em: out Foto 2: Corpo do menino Juan é exumado. Veja as fotos - Casos de Polícia - Extra Online Disponível em:. Acesso em: out FRANCIONI perito criminal

49 O autor não dispõe de informações sobre outros exames periciais desse caso criminal, nem sobre os peritos que os tenham realizado. Entretanto, a Perícia Oficial do Estado do Rio de Janeiro não dispõe de um sistema automático que garanta impessoalidade na escolha de peritos. Assim, pelo menos em tese, o Diretor do DGPTC pode tê-los escolhido. FRANCIONI perito criminal

50 O “caso Juan Moraes” se constitui em regra, não em exceção: o atual Diretor do DGPTC também executou exame pericial no conhecido “caso Patrícia Amieiro”, na época em que era Diretor do ICCE – coincidentemente, sendo acompanhado pelo mesmo perito escolhido. Foto 1: Globo Vídeos - VIDEO - Protesto lembra os três anos do desaparecimento de Patrícia Amieiro Disponível em:. Acesso em: jul Foto 2: Globo Vídeos - VIDEO - Família da engenheira Patrícia Amieiro organiza protesto na Barra da Tijuca Disponível em:. Acesso em: jul Foto 3: Justiça inocenta policiais envolvidos no desaparecimento de Patrícia Amieiro Disponível em:. Acesso em: jul FRANCIONI perito criminal

51 Em 2012, o atual Diretor do DGPTC participou de perícia na “chacina da Chatuba”. Em junho de 2013, ele também atuou em exame pericial, no “caso da favela do Rola” – sobre indícios de crime em operação policial. Todos foram casos de grande repercussão. Foto 1: Seis agentes respondem por alterar cenas de crime na Favela do Rola, e corregedor alega que não houve homicídio Disponível em:. Acesso em: set Foto 2: Parentes identificam homem arrastado em operação na Favela do Rola Disponível em:. Acesso em: set Fotos 3 e 4: Extra - Reconstituição na Favela do Rola teve dois tiroteios | globo.tv Disponível em:. Acesso em: set Fotos 5 e 6: Polícia é atacada por traficantes durante reconstituição de operação com 5 mortes na favela do Rola - Notícias - R7 Rio de Janeiro Disponível em:. Acesso em: set FRANCIONI perito criminal

52 A existência de poucos peritos responsáveis por atender a muitos casos de repercussão com violação a escalas de plantão e às lotações em setores competentes sugere a criação de um monopólio de peritos – que poderiam reservar os “melhores exames” para si e seus companheiros. Evidentemente, tal monopólio, hipotético, violaria a moralidade administrativa e poderia caracterizar improbidade administrativa e crime de usurpação de função pública. FRANCIONI perito criminal

53 O autor não afirma, nem mesmo sugere, que o atual Diretor do DGPTC e Ex-Diretor do ICCE, que o perito criminal que o acompanhou ou que quaisquer outros peritos fraudem exames ou integrem organização criminosa. Contudo, seus procedimentos são atos ilícitos: é evidente a impropriedade da realização de exames com base em escolhas casuísticas – embora, infelizmente, trate-se de prática usual na Perícia Oficial do Estado do Rio de Janeiro. FRANCIONI perito criminal

54 Essa inadequação pode não ser notada em exames rotineiros, mas há situação diversa nos chamados casos de grande repercussão. Profissional especializado de nível superior, como um perito, deve perceber que, quando ocupa o lugar de outro perito em caso de repercussão, realiza auto-promoção por meio da imprensa e fortalece o seu currículo, com nítidas locupletação da função pública e violação ao devido processo legal. FRANCIONI perito criminal

55 Parece improvável que um perito escolhido para acompanhar superiores hierárquicos, ilicitamente, a vários exames que, de acordo com as escalas de trabalho, não realizaria, esteja propenso a sofrer remoção para postos de trabalho que não lhe convenham – seja por legítima necessidade de serviço, seja em hipotética perseguição administrativa. Vislumbra-se uma “troca de favores” contrária à moralidade e à probidade administrativas. FRANCIONI perito criminal

56 É preciso mudar a Perícia Oficial do Brasil, para o bem do devido processo legal, da sociedade, da Perícia Oficial e dos peritos, como agentes públicos com dever de isenção. Essa mudança requer o reconhecimento do “princípio do perito oficial natural”. A mudança provavelmente ocorrerá em etapas e o autor ousa sugerir algumas propostas para a sua implementação: FRANCIONI perito criminal

57 1.“Limpeza” dos quadros oficiais (proposta utópica) – pode ser muito aproximada por um processo de seleção rigoroso, remunerações atraentes e punições exemplares (a exemplo dos procedimentos adotados pelo DPF – Departamento de Polícia Federal); FRANCIONI perito criminal

58 2.Tutela judicial imediata para anular avocações ilícitas e assegurar que somente peritos naturalmente competentes realizem exames periciais (inviável a curto prazo); FRANCIONI perito criminal

59 3.Reconhecimento da nulidade de exames periciais avocados ilicitamente e dos laudos decorrentes, com a punição exemplar de autoridades e peritos que participem de fraude; só depende da vontade de promotores e juízes (viável imediatamente, sem modificação legislativa); FRANCIONI perito criminal

60 4.Positivação de normas rígidas para a Perícia Oficial e tipificação criminal adequada das práticas lesivas (viável a curto prazo, com modificação legislativa); FRANCIONI perito criminal

61 5.Adoção de um sistema automático para a distribuição de exames periciais assemelhado ao que já existe na Justiça, visando a evitar a escolha pessoal de peritos oficiais (só viável a médio prazo, com modificação legislativa e algum investimento financeiro estatal). FRANCIONI perito criminal

62 Sobre o reconhecimento da nulidade de laudos realizados com avocação ilícita e a punição exemplar de autoridades e peritos que atuem em fraude, disse o autor em 2009: “Essa pretensão não se constitui em exagero. Não tem boa-fé o perito que realiza exame totalmente desvinculado da competência do setor em que está lotado. (...) FRANCIONI perito criminal

63 (...) Não tem boa-fé o perito que, tendo violado competência para a realização de exame, oculta esse fato (...). Não tem boa-fé o perito que afirma ter examinado material ou local sem sequer tê-lo visto. (...) FRANCIONI perito criminal

64 (...) Não tem boa-fé o perito que aceita gerar laudo para substituir o de outro perito. Não pode haver boa fé na avocação informal de exame pericial. Quem assim age o faz sabendo que viola não apenas a lei ou a Constituição, mas o direito legítimo de outrem. (...) FRANCIONI perito criminal

65 (...) Quem assim age sabe que participa de grupo cujo objetivo é praticar ato proibido, prevalecendo-se da função pública e da dificuldade de comprovar a fraude pelos meios técnicos por vezes usados em juízo. Quem assim age sabe que pode estar, em tese, participando do crime organizado.” FRANCIONI perito criminal

66 FRANCIONI perito criminal “A partir de um certo ponto não há mais retorno. Esse é o ponto que deve ser alcançado.” (Franz Kafka)

67 Edilson FRANCIONI Coelho perito-francioni.com.br (55) (21) Este trabalho foi produzido com recursos materiais próprios. Este trabalho tem finalidade acadêmica, não lucrativa. Sua reprodução é autorizada para fins estritamente não comerciais, desde que haja respeito aos direitos dos proprietários das fotografias (como indicado nos respectivos créditos), manutenção do crédito (onde ele pré-existir) ou inclusão de crédito (em eventuais excertos de texto). O autor deste trabalho não detém direitos sobre as fotografias mostradas. Trabalho desenvolvido entre maio e setembro de Gravação em meio digital realizada em setembro de 2013.


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