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Capítulo Segundo “Dinâmica e Gênese dos Grupos” Gérald Bernard Mailhot Uma Etapa Decisiva para a Psicologia Social.

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1 Capítulo Segundo “Dinâmica e Gênese dos Grupos” Gérald Bernard Mailhot Uma Etapa Decisiva para a Psicologia Social

2 MAILHIOT, G. B. Lewin: A Obra e o Homem. In: Dinâmica e Gênese dos Grupos. 2ª Edição. Ed. Livraria Duas Cidades, São Paulo

3 (...) Continuação (...)  Como vimos anteriormente, Kurt Lewin consagrou oito anos dos vinte cinco anos de sua vida universitária, de 1939 a 1946, à exploração psicológica dos fenômenos de grupo.

4 Os Precursores... Auguste Comte (1759 – 1857)  Foi um filósofo francês, fundador do Positivismo e da Sociologia.  Ao tentar edificar e definir a Sociologia, afirma por razões de ordem metafísica, sem nenhuma referência que o social deve absorver o psíquico, e construir uma Psicologia Social era, portanto, inútil.  Acreditava apenas na ciência da vida (biologia) e na ciência da sociedade (sociologia).

5 Émile Durkheim (1858 – 1917)  Foi um filósofo francês considerado um dos pais da sociologia moderna, e fundador da escola francesa de sociologia.  Define a Psicologia Social como uma ciência que “não é senão uma palavra que designa toda espécie de generalidades, variadas e imprecisas, sem objeto definido”.  Ao estabelecer a autonomia da sociologia, afirma que a Psicologia não pode ser senão individual.

6 Gabriel Tarde (1843 – 1904)  Foi um filósofo e sociólogo francês, contemporâneo de Durkheim, mas acredita que “a sociologia será uma psicologia ou nada será”.  Será também sua preocupação sua elaborar ao lado da Psicologia Individual uma ciência psicológica do Social que ora chamará de “sócio- psicologia” ora de “psicologia-social” para enfim adotar o termo “inter- psicologia”.  Também, ao contrário de Durkheim, explica que é o individual o social e o coletivo.

7 Felix Le Dantec (1869 – 1917)  Foi um biólogo e filósofo francês.  Surgiu tardiamente na Psicologia depois de célebres trabalhos como biologista sobre a assimilação funcional, publica ao fim de sua vida um trabalho sobre a vida em sociedade intitulado “O egoísmo”.  Para ele o social se explica pelos instintos psíquicos primitivos que o levará a concluir com pessimismos: “O egoísmo é o fundamento da sociedade e a hipocrisia sua mola-mestra”.

8 Gustave Le Bon (1841 – 1931)  Foi um sociólogo e psicólogo social francês.  Em suas obras de Psicologia Social “O homem e as Sociedades” e a mais conhecida “A Psicologia das Multidões”, chegará, por sua vez, a assimilar todo fenômeno de grupo a um fenômeno hipnótico e manipuladas pelas elites.

9 Pioneiros e Fundadores...  Como vimos, são os franceses, sociólogos e filósofos sociais, os primeiros a introduzir o termo “Psicologia Social” nas categorias mentais dos postulados acadêmicos.  São eles que apresentam as primeiras interpretações psicológicas dos fatos sociais.  Por outro lado são os anglo-saxões que elaboram de modo sistemático e articulado os primeiros tratados de Psicologia Social.

10 William MacDougall (1871 – 1929)  Foi um Psicólogo Social e Sociólogo inglês, que se muda para os Estados Unidos, e no ano de 1920 aceita o convite para ensinar Psicologia Social na Universidade de Harvard.  Segundo ele, as forças constituídas pelos instintos sociais evidenciam as condutas sociais ou os comportamentos em grupo e os comportamentos coletivos.  Sendo, para ele, estes instintos sociais são inatos e múltiplos, ainda em número de dezoito.

11  A primeira Universidade a responder ao apelo de do filósofo da Educação John Dewey (1859 – 1952), será a:  Universidade de Harvard.  Criando sua primeira cátedra de Psicologia Social em 1917, para a qual será nomeado Henry Holt como primeiro titular.  E em 1920 William MacDougall torna-se seu sucessor.

12  Esta fase inicial, que vai de 1908 a 1930, onde a Psicologia Social se constitui em ciência autônoma e recebe seu estatuto acadêmico, é dominada por duas influências aparentemente contraditórias:  Uma a de que as condutas sociais e os comportamentos coletivos são interpretados em termos de forças sociais inatas, de instintos determinantes, (influência de Tarde e de Le Bon);  E, por outro lado, o ensino e a pesquisa em Psicologia nos Estados Unidos, sobretudo a partir de 1920, inspiram-se em grande parte nas teorias behavioristas, e nesta perspectiva, Dewey, será o primeiro a salientar que a Psicologia Social inicialmente deve preocupar-se em definir qual seria o meio social ideal mais próprio a favorecer a socialização do ser humano e seu acesso à maturidade social.

13 Reducionistas e Anexionistas...  A fase que sucede de 1930/1940, que é conhecida como a fase dita “instintiva” e “psicopedagógica”;  Uma evolução da Psicologia Social em dois tempos que, por momentos se justapõem e são geralmente vividos, não sem conflitos, de modo simultâneo, pelos meios acadêmicos desta época nos Estados Unidos.  Após 1930, paradoxalmente, a Psicologia Social passa por aquilo que G. W. Allport chama de “crise de individualismo”;  “Psicologia Coletiva e Análise do Eu”, “Totem e Tabu” e “Mal Estar na Civilização”, são traduzidas para o inglês e causam polêmica.

14 Reducionistas e Anexionistas...  Sob a influência das teorias de Freud, a pesquisa em Psicologia Social preocupa-se, cada vez mais, em formular uma Psicologia exaustiva do “leadership”.  A partir de 1930, é a influência do indivíduo sobre o grupo que os psicólogos sociais deste tempo tentam descobrir através de experimentações em situações controladas.  Por outro lado, a Psicanálise que se torna cada vez mais acreditada nos departamentos de Psicologia, fornece a partir das idéias Freudianas – as descobertas clínicas.

15 Reducionistas e Anexionistas...  Mas esta colaboração da Psicanálise foi colocada em questão;  Principalmente por uma nova ciência: a Antropologia Cultural.  Através de estudos comparados das culturas, consegue dar visibilidade ao relativismo das culturas;  E discutir aquilo que os psicanalistas haviam apresentado como dados de natureza, essenciais e fundamentais a todo ser humano que era, muitas vezes, precipitado, equivocado.  Isto é típico da segunda fase: seja a Psicanálise ou a Antropologia, quase sempre se toma o rumo do reducionismo/anexionismo;  Individualismo X Culturalismo

16 Kurt Lewin...  Psicólogos Sociais como Mac Dougall, buscavam descobrir as leis fundamentais que tornem inteligível as condutas sociais em qualquer contexto sócio-cultural.  Rompendo com qualquer aproximação especulativa/filosófica, trabalham em laboratórios, com seus esquemas e referências.  Kurt Lewin sugere que os psicólogos sociais repensem radicalmente a experimentação feita em Psicologia Social;  Muito cedo ele convida os psicólogos sociais a centralizar seus esforços sobre o estudo dos “micro-grupos”, por ele chamado de “face-to-face-groups”; por parecer uma opção estratégica que permitiria eventualmente, tornar inteligível a Psicologia dos “macro-fenômenos”.

17 Contemporâneos...  Kurt Lewin, conduz a Psicologia Social a um plano mais realista, por sua utopia de edificar um saber coerente.  Teóricos e práticos de maior prestígio entre os psicólogos sociais contemporâneos consideram que a Psicologia Social de 1968 deve muito a Kurt Lewin, em destaque 3 pontos: 1) Diversificação das Ciências Sociais, que hoje parece certo reconhecer três ciências sociais fundamentais: a Sociologia, a Antropologia Cultural e a Psicologia Social. Entende-se aqui os fenômenos como multidimensionais que não podem ser atingidos se não por aproximações sucessivas e complementares, de interdependências e dinâmicas;

18 2) Basicamente a Psicologia Social parece se ir entre duas direções científicas. Primeira: muitos autores/as consideram seu significado mais estrito, em observação, identificação, definição e interpretação das condutas sociais ou os comportamentos em grupo. Assim, as condutas sociais tornam-se distintas das condutas pessoais e dos comportamentos de grupo. Segunda: para que haja comportamento de grupo é necessário que vários indivíduos experimentem as mesmas emoções de grupo, e que elas os integre; 3) A distinção entre “sócio-grupo” e “psico-grupo”: o “sócio-grupo” seria o grupo de tarefa, o grupo estruturado e orientação em função da execução. O “psico-grupo”, ao contrário, seria um grupo de formação, um grupo em função dos próprios membros.

19 Obrigada! Professora Lenise Santana Borges


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