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Análise energética na aqüicultura: cultivo de bagre no Alabama, EUA.

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1 Análise energética na aqüicultura: cultivo de bagre no Alabama, EUA.
Enrique Ortega, Faculdade de Engenharia de Alimentos Unicamp, VII EnBraPOA Laguna, SC, 22 de outubro de 2004

2 Histórico A criação de bagre nos Estados Unidos começou nos anos 40 e rapidamente se transformou na atividade aquícola mais importante. A maioria dos viveiros estão no Centro Oeste do Alabama. Essa atividade tem vivido várias décadas de crescimento econômico.

3 Inovações e expansão O uso de ração balanceada de boa qualidade permitiu um aumento da produtividade (maior densidade de peixes) e também houve avanços no tratamento das doenças e nas práticas do manejo da água. A adoção dessas técnicas aumentou o lucro e motivou o crescimento da área cultivada.

4 Críticas e riscos Porém, nos duas últimas décadas, a criação de bagre recibiu muitas críticas, foram levantados muitos questiõnamentos sobre as técnicas adotadas pelos produtores. A população percebe que a sustentabilidade ecológica está diminuíndo e que o impacto ambiental aumenta e perjudica outras atividades dentro da bacia hidrográfica.

5 Pontos a ser discutidos
Preocupa o alto potencial poluidor da ração com alto nível de proteínas (N,P). Gera suspeitas tanto a quantidade quanto a qualidade das substâncias químicas adicionadas aos tanques. Também se questiona e o alto consumo de energia elétrica para o enchimento e aeração dos viveiros.

6 Se desconhece e preocupa o impacto causado pela sal usada para reduzir a intoxicação devida ao nitrito. O fosfato é sedimentado no fundo dos tanques de cultivo de bagre e fica inerte, mais até 66% do fosfato das rações pode sedimentar!

7 Se a depesca de arrastão não é devidamente feita, os sólidos dos sedimentos (P) se tornam suspensos e podem sair do tanque e ir para os córregos e rios, causando problemas de eutroficação e a consequente perda da potabilidade da água.

8 A renovabilidade ou sustentabilidade é determinada pela proporção de energia renovável utilizada em relação ao total de energia consumida. Essa aquicultura se torna cada vez mais insustentável. A renovabilidade pode ser medida pela metodologia emergética. Neste trabalho se mostram os resultados da aplicação dessa metodologia.

9 Mudanças na Aquicultura
Perda de sustentabilidade Perda de competitividade

10 Opção 1: Nova Revolução Verde (uso de mais insumos derivados de recursos energéticos fósseis)
versus Opção 2: Eco-aquicultura (Agenda 21, Planejamento Ecossistêmico Regional, ... e algo mais!) O mundo deve escolher entre a “Nova Revolução Verde” baseada na energia de origem fóssil, ou adotar a “Agricultura sustentável”, baseada em métodos orgânicos e biológicos, que gradualmente provocarão a independência dos recursos não renováveis. Considerando a redução de valiosas origens de energia não renovável, como o solo e a depleção da biodiversidade, uma conseqüência do presente modelo econômico, as técnicas agroecológicas devem ser o principal setor da economia no futuro. ( Odum & Brown,1998; Ortega,1998).

11 ANALISE EMERGÉTICA Uma metodologia de análise de ecossistemas muito útil porque considera toda a energia utilizada na Biosfera para a produção de um recurso. Parte dessa energia pode vir de outras regiões e de outros tempos.

12 Os valores dos fluxos dos recursos da natureza podem ser convertidos em fluxos de energia solar equivalente ou emergia. O nome do fator de conversão é transformidade solar. A conversão de todos os fluxos a energia solar equivalente permite a comparação de sistemas (Odum 1971, 1983, 1996).

13 Emergia, escrita com “m”, é definida como toda a energia disponível utilizada em ecossistemas, para a produção de um recurso. Trata-se do “custo energético” da produção de um recurso ou em outras palavras, da “memória energética” (Scienceman, 1987; Odum, 1986).

14 Os resultados da Análise Emergética fornecem informações científicas para :
- Medir a sustentabilidade; Definir políticas de proteção ambiental; - Estabelecer taxas para a água; - Estabelecer taxas para a poluição, - Orientar a gestão de bacias.

15 Dados da criação de bagres no Centro Oeste do Alabama
Productividade = kg peixe/ha/ano Tamanho da fazenda = 4-60 ha (80% da área ocupada com lagoas) (tamanho mais economico = 40 ha) Tamanho do viveiro = 0,1-15 ha (média 5 ha) Trabalho familiar O tamanho das fazendas de cultivo de bagres estudadas varia de 4 a 60 hectares, sendo a área alagada 85% da fazenda. Um tamanho econômico para ótimos benefícios foi estimado em torno de 40 ha. A área dos tanques varia de 0,1 a 15 ha (média 5,4) e a profundidade de 1,2 a 1,5 m. O sistema mais comum no Alabama ó o tanque com divisor de águas. A força de trabalho é pequena e geralmente constituída de um gerente e alguns trabalhadores rurais que alimentam os peixes, em grandes fazendas, mais de 80 hectares. Em fazendas menores as famílias assumem diretamente a responsabilidade pela manutenção, produção e controle dos tanques. A intensidade de trabalho é grande durante o verão, devido a um aumento no consumo de ração e também devido a problemas com a qualidade da água, principalmente eutrofização, que requer aeração. As famílias envolvidas têm um bom padrão de vida. As crianças pequenas, geralmente 2 por família, vivem com os pais até anos, quando saem de casa para fazer faculdade.

16 Fazendas de criação de bagre
Drenagem completa em 7,5 anos. Consumo do aerator: 2000 kWh/ha Produtos: sal, cal, fertilizantes, alguicidas. Bombeamento (água): 1300 kWh/ha Ração: pelets produzidos na região. Efluentes com solidos solúveis e suspensos um pouco acima dos padrões aceitáveis! Produtos químicos, como cal, fertilizantes, sais e pesticidas são freqüentemente utilizados. O cultivo de outras espécies de peixe, como por exemplo, a carpa é uma prática comum para o controle do plâncton. Em muitos casos as infiltrações de água compensam a quantidade de água que é extraída dos lençóis freáticos evitando que o tanque transborde. As infiltrações de água, na média, é de 1,5 mm/dia (0,556 m3/ m2/dia), o que não representa nenhum risco de contaminação dos lençóis freáticos pela percolação dos compostos adicionados aos tanques, como cal, sais e componentes fosforados dos fertilizantes e ração. A eletricidade para o bombeamento e a aeração consumida é de a kWh/hectare por produção. Todos os anos os tanques são abastecidos com alevinos – 10 a 15 cm de tamanho – produzidos em 7-10 meses por fazendas chamadas chocadeiras.

17 INFRAESTRUTURA O orçamento da fazenda aquicola inclui: a construção e manutenção de tanques, a produção ou compra de alevinos, a alimentação mecanizada do peixe, o transporte de suprimentos e outros produtos, além do consumo da família do aquicultor.

18 Viveiros de produção de bagre
Tubo de drenagem do excedente de água O cultivo de bagre (Ictalaurus punctatus) é em geral feito em grandes tanques artificiais em terras antes destinadas a agricultura ou pastagens. Geralmente, os bagres crescem em tanques com uma densidade de a peixes/hectare e após 6 a 8 meses, alcançam de 400 a 600 gramas. Um estudo recente de Boyd et al. (1998), mostrou que os tipos de tanques mais utilizados no Oeste do Alabama são tanques com divisor de águas e reservatórios com barragem. Estes tanques/reservatórios retém água corrente ou água bombeada de poços ou rios adjacentes a fazenda. Todos os tanques têm estruturas de drenagem feita de tubos de aço, que nos períodos de chuva intensiva drenam a água excedente (normalmente durante o inverno). A drenagem completa só é feita a cada 5-10 anos. A mudança ou renovação das águas do tanque é evitada por razões econômicas. (Boyd & Tucker, 1995). O tratamento de efluentes na colonização das bacias, nas áreas alagadas ou a irrigação propositada não são utilizados. A reconstrução de represas é feita quando necessário e os sedimentos não são retirados dos tanques.

19 Aerador Um agitador elétrico e um mecânico
Aeradores são utilizados para manter-se a concentração de oxigênio dissolvido nas águas. A energia para a aeração dos tanques varia de 1,5 a 6,0 HP/ha. A maioria dos criadores não usa mais que 3,0 HP/ha (Boyd & Tucker, 1998). Normalmente fertilizantes não são usados e a troca de água não é aplicada.

20 Ração balanceada Fábrica de ração e alimentador mecânico
O tipo de alimento usado pela indústria do bagre consiste de um comprimido com 28 a 36 % de proteína bruta. A razão entre o peso do alimento e o peixe produzido é chamada de Taxa de Conversão Alimentar ( Feed Conversion Rate - FCR) e geralmente decresce com o aumento da densidade de peixes e taxas de alimentação.

21 Colheita mecanizada Então, os bagres são pescados com rede, geralmente sem a drenagem do tanque, sendo retirados do mesmo com um guindaste e colocados vivos em caminhões especiais para serem transportados até a planta de produção de peixe, localizada na própria fazenda ou redondezas.

22 Colheita manual (não usada)

23 Análise dos sistemas de produção

24 Permite comparar fluxos diferentes.
ANALISE EMERGÉTICA Permite comparar fluxos diferentes. Contribuições da natureza Insumos e serviços da economia Joules de energia solar equivalente (seJ) Mesmas unidades Fluxo de emergia Fluxo de energia x Transformidade =

25 DIAGRAMA EMERGÉTICO Uma descrição da criação de bagres no Oeste do Alabama é dada nas figuras 1 e 2. Todas as entradas de uma típica fazenda de cultivo de bagre com 25 hectare de tanques foram consideradas, incluindo contribuição da natureza (chuva, bacia hidrográfica, poços e correntezas, sedimentos) e as entradas econômicas (materiais, maquinário, combustível, serviços, taxas). Os fluxos, são transformados em energia solar equivalente (sej solar equivalente Joules) usando-se “transformidades”, um grupo de fatores de conversão energética obtido na literatura científica (Odum,1996).

26 Transformidade sej/unidade
Contabilidade Emergética: Fluxo Energia (J/ano/ha) Massa (kg/ano/ha) Dinheiro ($/anoha) Transformidade sej/unidade Emergia (sej/ha/ano) 1,E+13 Recursos Renováveis Não-renováveis Materiais da economia Serviços da economia

27 Transformidade sej/unidade
Fluxo Energia (J/a/ha) Massa (kg/a/ha) Dinheiro ($/a/ha) Transformidade sej/unidade Emergia 1,E+13 sej/ha/a Chuva 1,33 m3/m2 ano 4,94E10 x 18200 119,9 Água da bacia 0,64 m3/m2 ano 4,94E10 x 4,85E4 153,2 Água de poço (total) 0,42 m3/m2 ano 100,5 Água de poço (inicial) 0,30 m3/m2 ano 71,8 Sedimentos naturais 3076 Kg/a/ha 9,04E05 x 7,38E4 20,5

28 Transformidade sej/unidade
Fluxo Energia (J/ano/ha) Massa (kg/ano/ha) Dinheiro ($/ano/ha) Transformidade sej/unidade Emergia (sej/ha/ano) 1,E+13 Perda de solo 0 Kg/ano/ha

29 Transformidade sej/unidade
Fluxo Energia (J/ano/ha) Massa (kg/ano/ha) Dinheiro ($/ano/ha) Transformidade sej/unidade Emergia (sej/ha/ano) 1,E+13 Lagoas e canais 160,0 $/ano/ha 1,25E+12 20,0 Casa e celeiro Maquinário Alevinos 3 500,0 peixe/ano/ha 21,9 Ração balanceada 6 250,0 Kg/ano/ha 3,39E06 x 2,00E05 423,8 Cal 113,0 Kg/ano/ha 1,00E+12 11,3 Fertilizantes 12,0 Kg/ano/ha 1,10E+12 1,3

30 Transformidade sej/unidade
Fluxo Energia (J/ano/ha) Massa (kg/ano/ha) Dinheiro ($/ano/ha) Transformidade sej/unidade Emergia (sej/ha/ano) 1,E+13 Herbicidas 0,5 Kg/ano/ha 8,24E+14 42,8 Pesticidas (CuSO4) 30,0 Kg/ano/ha 1,48E+13 44,4 NaCl (controle nitrito) 800,0 Kg/ano/ha 1,00E+12 80,0 Outros produtos 15,0 $/ano/ha 1,25E+12 1,9 Eletricidade 3 000,0 KWh/ano/ha 1 000,00 x 2,00E05 0,1 Combustível 230,0 Kg/ano/ha 4,48E07 x 6,60E04 68,0

31 Transformidade sej/unidade
Consumo familiar Energia (J/ano/ha) Massa (kg/ano/ha) Dinheiro ($/ano/ha) Transformidade sej/unidade Emergia (sej/ha/ano) 1,E+13 Água 36 000,0 Kg/ano/ha 4940,00 x 1,00E05 1,8 Eletricidade 4 000,0 KWh/ano/ha 1 000,00 x 2,00E05 0,1 Alimentação 116,8 Kg/ano/ha 1,02E07 x 5,00E05 59,4 Vestimenta 80,0 $/ano/ha 1,25E+12 10,0 Saúde Educação Lazer Telefone 30,0 $/ano/ha 3,8 Combustivel 200,0 $/ano/ha 25,0

32 Transformidade sej/unidade
Fluxo Energia (J/ano/ha) Massa (kg/ano/ha) Dinheiro ($/ano/ha) Transformidade sej/unidade Emergia (sej/ha/ano) 1,E+13 Mão de obra exrterna 50,0 $/ano/ha 1,25E+12 6,3 Administração externa 120,0 $/ano/ha 15,0 Serviços públicos 100,0 $/ano/ha 12,5 Seguros Subsídios 0,0 $/ano/ha 0,0 Empréstimos

33 Fluxo agregado Emergia (sej/ha/ano) 1,E+13 Recursos Renováveis R = 466,0 Recursos Não – renováveis N = 0,0 Materiais da economia M = 755,5 Serviços da economia S = 182,5 Somatória dos fluxos Y = 1404,0

34 Produção: Peixe 12 767 unidades Peso por unidade 0,4 Kg/unidade
Massa produzida 5 107 Kg/ano/ha Fator de conversão 5,65 E+06 J/Kg Energia 2,89 E+10 J/ha/ano

35 Preço: Preço por unidade 1,76 US$/Kg Vendas 9 000 US$/ano/ha

36 Emergias totais de entrada e saída:
Emergia do produto 1,4 E+16 Emergia das vendas 1,1 E+16

37 Fluxos emergéticos agregados (vezes 1016)
N = ,0 I = 466,0 M = 755,5 S = 182,5 F = 938,0 Y = 1404,0

38 Diagrama de fluxos agregados

39 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Índices emergéticos: TR = Y/Qp Transformidade EYR= Y/F Razão de Rendimento Emergético ,50 EIR= F/I Razão de Investimento Emergético ,01 ELR= (N+F)/R Razão de Carga Ambiental ,01 %R= 100 (R/Y) Renovabilidade (%) ,2 ER = Epro/ E$ Razão de Troca Emergética ,25

40 Rentabilidade econômica:
Renda líquida Vendas – Custo econômico = = = 29,6 Gastos anuais Custo de Produção Econômica

41 Transformidade sej/unidade
Perdas do sistema (causam externalidades): Fluxo Energia (J/ano/ha) Massa (kg/ano/ha) Dinheiro ($/ano/ha) Transformidade sej/unidade Emergia (sej/ha/ano) 1,E+13 Evaporação da água 1,17 m3/m2/ano 4,94E+10 x 4,85E+04 280,6 Infiltração de água 0,56 m3/m2/ano 133,2 Transbordamento 0,44 m3/m2/ano 104,9 Captação de água 0,20 m3/m2/ano 47,6 Outros usos da água 0,32 m3/m2/ano 76,6 Sólidos suspensos 2744,0 Kg/ano/ha 9,04E+05 x 7,38E+04 18,3 Fertilizantes 8,4 Kg/ano/ha 1,10E+12 0,9 Outros produtos 3,0 $/ano/ha 1,25E+12 0,4 Emergia total perdida 662,5

42 RENOVABILIDADE % R = 100 (R/Y) = 33%
R = Emergia dos recursos renováveis. Y = Emergia total usada A renovabilidade é maior que a dos sistemas agrícolas convencionais. Pode ser melhorada em diversas formas. Deve discutir-se sobre as Práticas de Manejo Recomendaveis (BMP). A renovabilidade é um índice utilizado pela análise emergética para avaliar a sustentabilidade de alguns sistemas de produção. Ele é expresso em porcentagem, e é definido como a relação entre o conteúdo de emergia de recursos renováveis(R), como por exemplo, chuva, sedimentos, água superficial e subterrânea, biodiversidade e solo, dividido pelo total de emergia usada para se obter um produto específico expresso por (Y). O índice de renovabilidade obtido para a produção de bagres no Centro Oeste do Alabama é alto (19%), quase comparável a sistemas de agricultura ecológica. Em outras palavras, 81% da emergia para produzir bagres vem de fontes de recursos naturais não renováveis (combustível fóssil), o que poderia caracterizar um sistema não sustentável em termos de consumo de recursos naturais não renováveis.

43 Um dos problemas nas próximas décadas será a carência de combustíveis fósseis (petróleo) que é atualmente a base da maioria dos sistemas produtivos em todo o mundo. Então, sistemas de produção com baixo percentual de índice de renovabilidade acarretarão sérios problemas no futuro.

44 A energia eólica, captada em terra, poderia ser usada em bombas d’água para aereação.
A integração da aquicultura com outras atividades rurais tais como a agricultura ecológica, a silvicultura e a criação de outros animais (galinhas e porcos), pode fornecer meios de diminuir o uso de ração comercial. Pode adotar-se a policultura de peixes.

45 RENDIMENTO EMERGÉTICO
EYR = Y/F = 1,0 + (I/F) = 1.23 Y = Emergia total mobilizada = I + F F = Contribuição da Economia (materiais e serviços) A razão de Lucro Emergético é uma medida da incorporação de emergia da natureza e é expressa como sendo a razão entre o total de emergia investido (Y) da natureza e economia (F), por unidade de retorno econômico, que considera materiais e serviços utilizados. O EYR obtido para o cultivo de bagres no Centro Oeste do Alabama (1,23) é melhor do que sistemas produtivos de fazendas que usam a agricultura convencional (1,10). Este índice pode aumentar, no mínimo em 1,0 até valores próximos a 2,0-3,0, através da incorporação de procedimentos ecológicos, como a integração entre área florestal e sistemas de criação de bagre. Saldo energético pequeno, pode ser melhorado de diversas maneiras, sobre tudo com a integração com outros ecossistemas através do Planejamento e da Gestão Regional.

46 TAXA DE INVESTIMENTO EMERGÈTICO
EIR = F/I = 4.83 F = M+S = materiais e serviços pagos I = R+N = recursos naturais renováveis e não renováveis. EIR a relação entre a soma de materiais e serviços (M+S) envolvidos no processo produtivo, que são expressos como retorno econômico (F), e a soma de recursos naturais, renováveis e não renováveis, expresso como (I). (I) é igual a (R+N). Um pouco menor que o valor médio para a agricultura convencional. Para ser melhorado deve haver políticas fortes de Desenvolvimento Sustentável (Agenda 21) e Planejamento Regional.

47 Quando o EIR do cultivo de bagre (4,8) é comparado a outros sistemas de produção animal dos EUA obtém-se a indicação de que a indústria do bagre tem melhor competitividade do que as criações de galinha, porcos e gado que têm EIR maior (12); mais corre o risco de não pode competir com aquicultura de países periféricos.

48 A agricultura e a a quicultura dos EUA poderiam encarar os problemas ocasionados pela abertura de mercado em conseqüência da globalização, mas não o fazem de forma positiva. Os sistemas de produção baseados em recursos fósseis não tem condições de competir com a aquicultura de outros países que são usam um investimento econômico menor (F) e contam com grande contribuição natural (I). Assim, correm o risco de ir a falência se não forem protegidos mediante subsídio, travas alfandegarias e o controles dos produtores externos.

49 A criação de bagres nos EUA pode aumentar a sustentabilidade, através da adoção de tecnologias simples e apropriadas e políticas ambientais. Uma formas para alcançar um impacto ambiental menor é a aplicação das Melhores Práticas de Manejo (BMP’s) propostas por Boyd (1998).

50 BMPs propostas por Claude Boyd
Reduzir a erosão e suas conseqüências sobre as perdas de solo e sobre a deterioração da qualidade da água, por meio da proteção das áreas adjacentes aos tanques de criação e reduzindo as áreas expostas das bordas. Minimizar a erosão do fundo dos tanques e nas margens causada pela aeração incorreta.

51 Evitar o desperdício de água durante a pesca;
Evitar que os tanques fiquem vazios durante o inverno; Fechar as válvulas quando o tanque estiver vazio e ao renovar a terraplanagem; Usar o sedimento do tanque na terraplanagem.

52 Estender o cano de drenagem além das margens, de preferência até os rios;
Construir canais para diminuir a erosão; Usar estruturas de concreto para reduzir a corrente de água ao longo dos canais de drenagem Liberar os efluentes do tanque em fossas naturais.

53 TAXA DE INTERCÂMBIO DE EMERGIA
EER=Y/($ * sej/$ ) = Y = Emergia contida no produto. ($)(sej/$) = Emergia contida no dinheiro recevido pelas vendas do produto Este índice é definido como a relação entre a emergia contida em um certo produto dividida pela emergia contida no dinheiro recebido por sua venda. O índice obtido no caso do bagre indica que seu sistema de cultivo está perdendo emergia através da troca com sistemas externos, que é composto pelos proprietários das plantas de processamento – os principais compradores do peixe. O sistema de cultivo de bagre no Oeste do Alabama gasta 2,23 vezes mais emergia para produzir peixes do que recebe nas vendas. Pode ser melhorada por BMPs e educação ampliada dos produtores visando a auto-organização, para atuar nos foros de comercio nacional e internacional e participar da discussão das politicas públicas sobre meio ambiente e economia.

54 TRANSFORMIDADE Tr = Y/Qp = 8.7 x 105 sej/J
Y = Emergia usada para produzir um recurso Qp = Energia disponível em um kg de bagre Para avaliar a eficiência de um sistema de produção, um índice pode ser usado para expressar a quantidade de recursos necessários para a obtenção de um produto específico. (Y) expressa a quantia total de emergia usada para obter-se um determinado produto, que é a soma de recursos renováveis e não renováveis (R+N) mais a soma de materiais e serviços (M+S). Valor esperado, talvez possa ser aprimorado em novos cálculos no futuro.

55 O índice de transformidade obtido para a produção de bagre no Alabama foi, sej/J, e é um pouco menor do que índices de transformidade de outros sistemas de produção animal dos EUA, como por exemplo, frangos, porcos e vacas leiteiras ( sej/J).

56 Recomendações Claude Boyd Julio Queiroz José Maria Gusman
Enrique Ortega

57 Aparentemente a quantidade de sal adicionada aos tanques não elevou a concentração de cloreto acima dos níveis tolerados pelas espécies nativas de água doce da região (Boyd, 1999). Assume-se no momento que se a concentração de cloreto de sódio nas águas dos tanques for controlada pelo aquicultor, o impacto nos lençóis freáticos será baixo. Mas pesquisas independentes são necessárias!

58 A dependência de recursos não renováveis tem como componente principal o petróleo e seus derivados, como fertilizantes, pesticidas e produtos químicos. Atualmente, muitos sistemas produtivos ainda estão em operação porque alguns países controlam fortemente o preço do petróleo, criando subsídios para todos os produtos obtidos dele, direta e indiretamente.

59 Contudo, este recurso é limitado e há perspectivas que apontam para uma crise num futuro próximo.
De acordo com especialistas, como Campbell (1997), a próxima crise do petróleo não pode ser evitada e estratégias para reduzir a dependência do mesmo devem ser tomadas, levando em consideração os novos formas de planejamento e modelos de produção e consumo.

60 Recursos não renováveis (petróeo).
Sistemas agrícolas dos EUA (incluindo a Aquicultura) Planejamento e Gestão Regional e Global Boas Práticas de Manejo (BMPs) Sistemas de aquicultura realmente mais eficientes e renováveis A aplicação de BMP’s (Boyd et al.,1998) permitirá o aperfeiçoamento da eficiência dos sistemas de aquicultura em geral, pela redução das perdas de solo pela erosão e da perda de água pelo transbordamento, escoamento, evaporação, infiltração e coleta. Como materiais e serviços também são relevados no cálculo de emergia total utilizada para produzir algo, eles precisam ser melhor gerenciados.

61 Resumo das BMP’s - I 1. Diminuir a densidade e a alimentação. 2. Conservar a água Preferir os tanques (cavados) aos reservatórios de parede (tipo represa). 4. Alimentação com menos proteína. 5. Proteção das bordas dos viveiros 6. Proteção da microbacia

62 Resumo das BMP’s - II 7. Não esvaziar a água imediatamente após a colheita (depesca final) 8. Colocar os aereadores mecânicos em posições que minimizem a erosão do fundo e das bordas do tanque 9. Integração com outras atividades humanas (produção de milho, arroz, silvicultura, gado, porcos, aves) e ecossistemas (alagados, florestas).

63 Resultados esperados das BMPs
Reduzir as perdas de solo e água por erosao, trasbordos, escoamento superficial, evaporacão, etc. Maiores taxas de conversão (aumento da eficiência da alimentação) Melhor qualidade da água (efluentes com menos [N] e [P]) (menor eutroficaçào das lagoas e córregos) Por exemplo, uso de ração para peixe com menores concentrações de proteínas de origem animal diminuirá o potencial de poluição das águas dos tanques de cultivo. Melhor ração para peixe significa melhor razão de conversão, que também significa melhor qualidade de água, efluentes com concentrações mais baixas de nitrogênio e fósforo e menor eutrofização das águas dos mananciais. Isto também implica em menores custos de produção, a longo prazo, devido a melhoria na eficiência de alimentação dos peixes o que tem um impacto direto na quantidade de materiais necessários a produção dos mesmos, como aeradores mecânicos e quantidade de ração. Uma redução nos serviços como a quantidade de aeração, entretanto, poderá reduzir o controle e o controle de crescimento de algas, ocorrendo também nos sistemas que utilizam ração de baixa qualidade e tiverem um gerenciamento pobre. Menos custos e externalidades

64 AGENDA 21 Compromisso com o planeta.
As recomendações existentes para a adoção de sistemas de agricultura mais sustentáveis, sugeridas pela Agenda 21, a nível global e a nivel nacional e regional, poderiam servir de guia para serem feitos ajustes progressivos.

65 Esses ajustes levarão a redução de impactos ambientais e sociais causados pelos sistemas de produção atuais de todo o mundo. Os sistemas de aquicultura são um caminho para a produção de proteína animal de boa qualidade.

66 AQUICULTURA CONVENCIONAL
Proteina animal de boa qualidade para atender a demanda de peixe Possibilidade de integração de sistemas Possibilidade de reciclagem de nutrientes

67 ECO-AQUICULTURA Estudo do potencial produtivo de especies locais e de viveiros e opções de alimentação e densidade adequados. Trabalhar a nivel de bacia hidrográfica e em equipes interdisciplinares. Usar a modelagem e as técnicas computacionais para simular cenários futuros de acordo com diversas políticas públicas. Desenvolver a certificação de qualidade e sustentabilidade, com garantia de sanidade. Criar a Redes locais da Rede Brasileira de Ecoaquicultura. Interagir com grupos internacionais com interesses similares. Quantificar as externalidades!

68 É importante discutir sistêmicamente a aquicultura local junto com a globalização e a mundialização (Agenda 21) É uma tarefa difícil ...mas necessária! Obrigado pela atenção, fico a disposição


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