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O SENHOR ROUBADO A INQUISIÇÃO QUESTÃO JUDAICA E A.

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Apresentação em tema: "O SENHOR ROUBADO A INQUISIÇÃO QUESTÃO JUDAICA E A."— Transcrição da apresentação:

1 O SENHOR ROUBADO A INQUISIÇÃO QUESTÃO JUDAICA E A

2 O ASSALTO DA IGREJA MATRIZ DE ODIVELAS A igreja estava totalmente virada do avesso, os santos tinham sido despojados das suas vestes e o vaso das hóstias havia sido violado. Alertada a Corte e agitada a população, de pronto se atribuiu a culpa aos judeus. Só podiam mesmo ser aqueles hereges, sempre prontos a cometer o sacrilégio da violação das hóstias sagradas. Iniciou-se imediatamente a caça ao judeu e prendeu vários suspeitos, alguns deles denunciados por mera vingança pessoal e até de disputa familiar. Apesar de alguns serem cristãos-novos, todos foram libertados, por total impossibilidade de poderem ter praticado o horrendo crime de 10 de Maio. Na manhã de 11 de Maio de 1671, o padre da paróquia de Odivelas deparou com um cenário terrível: a Igreja Matriz tinha sido assaltada durante a noite.

3 D. Pedro II escreveu, logo no dia 11 de Maio, uma carta destinada às igrejas portuguesas: ”... em demonstração do sentimento de tão execrando caso, mandei que toda a Corte tomasse luto até se restituir à mesma Igreja o Sacramento que dela fora roubado, ordenando que em todas as Igrejas desta cidade se expusesse, pedindo-lhe com demonstrações de arrependimento das culpas e pecados de todos, queira por meio destas rogativas aplacar o rigor do castigo que nossas culpas merecem; e porque assim é razão que se faça em todos meus Reinos, vos encomendo que façais o mesmo, pedindo a Deus se lembre de todos aqueles que o veneramos Sacramentado e, quando por vossa via se possa descobrir algum indício de tão horrendo crime, mo façais saber, para mandar continuar as grandes diligências que mando fazer sobre a averiguação dele.” 11 DE MAIO

4 DÉCIMA QUE SE ACHOU NA PORTA DA CAPELA REAL NO TEMPO EM QUE SUCEDEU O ABOMINÁVEL SACRILÉGIO DO FURTO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO, EM ODIVELAS Pedro, Príncipe da Igreja No Horto puxou da espada Grande acção para Louvada Matar gente tão sobeja Puxe Vossa Alteza (e veja Pois Pedro Príncipe é) Pelo montante da fé Que convém em caso tal Não ficar em Portugal A Nação Hebreia de pé. VERSOS ANTIJUDAICOS

5 Sermão de Frei João de S. Francisco, que se refere ao roubo da igreja de Odivelas nos seguintes termos: "Pois quando os malditos Hereges (sejam de qualquer seita, ou Nação que forem) se atrevem a tantas ofensas sacrílegas a Deus (...) "Demos a esta verdade uma prova tão valente, que de um golpe corte a teima Judaica e a seita de Calvino, inimigos capitais desta verdade (...) "Furtar o divino Sacramento (...) é erro tão próprio de Hereges, como pecado próprio do seu conselheiro Lúcifer, nascido do ódio que tem a Deus (...) "Grande temor deu a todos este estupendo caso! A todos atemorizou o furto do pão divino! Mas tema o Herege, não tema o Católico, que nosso é o seguro e sua a perdição Sermão do Padre D. Manuel Caetano de Sousa, proferido em Lisboa no ano de 1695, ou seja, 24 anos após o caso de Odivelas: "Infamou-se o sacrílego roubador convencer aos Hebreus criminosos no desacato: ilustra-se esta piíssima Irmandade convencer aos Israelitas justificados no obséquio." SERMÕES

6 Viam-se penitentes: ► Correr de noite descalços pelas ruas do Porto; ► Com grossas correntes atadas aos pés e ao pescoço; ► De tronco nu transportando pesadas barras de ferro com pesos nas pontas e enormes traves e cruzes de madeira; ► Algumas pessoas arrastavam o peito pelo chão, apenas com a ajuda das mãos ou dos cotovelos; ► Açoitavam-se com correntes de ferro; ► Envolviam o corpo de silvas até ao pescoço; ► Derramavam o seu próprio sangue com espadas; ► Uma pessoa apareceu de caveira na mão direita e ossos humanos na esquerda. PENITÊNCIAS Competição de auto-flagelação entre os religiosos das Irmandades e Confrarias, originou sermão tão pungente que gerou esta reacção: AMBIENTE DE AUTO-FLAGELAÇÃO PROMOVIDO PELAS ORDENS RELIGIOSAS “Acabado o Sermão, deram princípio os Religiosos no coro a uma disciplina, estava ainda a Igreja com muita gente e muitos nas penitências, foi tão grande o estrondo das bofetadas, repelões e cabeçadas nas paredes, que foi necessário pararem com a disciplina e acenderem as luzes para se atalhar o fervoroso desatino com que a multidão da gente se atormentava”.

7 CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS 3 DE AGOSTO: Roque Monteiro Paim: "Os Homens da nação Hebreia, descendentes dos pérfidos e amaldiçoados Judeus, são autores e réus do lastimoso, execrável e atrevido caso que sucedeu em a Igreja de Odivelas". É Doutrina muito provável e resolução dos melhores Doutores, canonizada com sólidos e verdadeiros fundamentos de direito Civil e Canónico, que nos casos graves e de maior qualidade, em falta e suprimento da prova legítima de testemunhas, se deve recorrer às presunções..." “(…) Seguindo esta doutrina, que em si é verdadeira, contra os homens da nação Hebreia, especialmente aqueles que depois de conhecerem a luz da Igreja tornaram à pérfida cegueira do judaísmo; concorrem eficazes presunções de direito, pelas quais todo o juízo se deve persuadir a que eles, e não outras algumas pessoas, cometeram este abominável e atrocíssimo caso". ( ainda não estava descoberto o autor do roubo)

8 CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS 16 DE OUTUBRO: Entre as dez e as onze horas da noite, uma criada do Mosteiro de S. Dinis, situado bem perto da Igreja de Odivelas, sentiu que havia gente na cerca e chamou um moleiro e alguns pedreiros que estavam a trabalhar nas obras do Mosteiro e alguns religiosos, que cercaram o intruso e o agarraram. Trazia consigo chaves, gazuas, uma faca e reis. Na bolsa do dinheiro, encontraram-lhe uma cruz de prata embrulhada num papel. identificaram a cruz como sendo a do vaso dourado roubado da Igreja de Odivelas.

9 ANTÓNIO FERREIRA RELATA ACONTECIMENTOS Estando junto à igreja naquele domingo, a ver alguns homens a jogar à laranjinha, reparou que dois rapazes tinham aberto a porta lateral da igreja e entraram. Entrou atrás deles e escondeu-se para roubar o manto de Nossa Senhora do Egipto. Enquanto um dos rapazes se pôs a rezar e outro a acender a lâmpada da Capela Maior, ele escondeu-se numa mesa, onde acabou por adormecer. Ao acordar durante a noite, dirigiu-se ao altar maior e roubou as contas de Nossa Senhora do Rosário, despiu o Menino Jesus e cortou o espaldar do dossel, deixou o Rei sem púrpura e sem insígnias e, com a ajuda de uma faca e uma lima, forçou o Sacrário, de onde furtou os vasos sagrados e, ao abrir o que continha as hóstias, quebrou-lhe a cruz. Tratava-se da cruz que possuía quando fora surpreendido na cerca do Mosteiro de S. Dinis a roubar galinhas. António Ferreira prossegue o relato, afirmando que, quando retirava do vaso as dez ou doze partículas consagradas, levantou-se um “pé de vento” que o atirou para o chão e o fez desmaiar. Pouco depois, recuperou os sentidos, levantou-se e comeu as referidas hóstias, levou os vasos e dirigiu-se aos restantes altares, de onde roubou o manto da Senhora do Egipto, despiu as restantes imagens e roubou o Santo Sudário de uma gaveta, envolvido num tafetá encarnado. Tirou a bola da lâmpada da capela maior e uma toalha de um altar, envolvendo tudo na frontaleira da mesa, destrancou a porta principal da igreja e saiu. Ao verificar que já amanhecera, com medo de ser descoberto, escondeu os vasos e os vestidos no silvado para os ir buscar mais tarde, mas acabariam por ser descobertos um mês depois.

10 ╬ Só com o tormento poderiam ser apuradas as circunstâncias efectivas do roubo. ╬ Só com o tormento poderiam ser apuradas as circunstâncias efectivas do roubo. SUBMETIDO A TORTURA Apesar de os juízes do caso de Odivelas se terem pronunciado contra a necessidade de torturar António Ferreira, o Promotor da Justiça defendeu que fosse torturado, com o fundamento básico de que o réu era “diminuto”, porque: ╬ Não se encontraram as meias encarnadas do Menino Jesus; ╬ Havia contradições na confissão; ╬ Se ia roubar e não para fazer “desacatos”, porque não roubara as três cruzes de prata e os quatro castiçais?; ╬ Como se explicava que um ladrão adormecesse durante a noite do roubo?; ╬ O crime é considerado “maior que matar o Papa”, porque até nem estaria previsto pelas leis municipais por não se prever que pudesse acontecer; ╬ Devem ser torturados os réus cuja confissão não seja verosímil;

11 Acórdão do Procurador da Coroa: “há-de ser metido a tormento (...) “para se obrarem tantas coisas de noite numa Igreja escura são necessárias muitas pessoas e se este miserável foi só, terei por ver o sinal que o diabo o acompanhou em corpo fantástico, de que há exemplos...” Exige averiguar a “qualidade dos pais”, porque “pode ser herege”. E, “considerando que pode ter algum malefício para não sentir os tratos” da tortura a que iria ser submetido, deveria o réu despir-se completamente e cortar o cabelo: “Aponto todas estas cautelas, porque me persuado que poderá ter este homem algum pacto com o diabo”. CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS 6 DE NOVEMBRO:

12 Manuel de Andrade: António Ferreira era tão ingénuo, que nem sabe “que coisa é clausura, nem igreja, nem censura, nem sacrilégio”. Estava tão bêbedo que saiu com as peças roubadas e pôs-se a dormir junto à estrada, em vez de se afastar do local do roubo. Assim, nesta ignorância e falta de malícia, o réu deveria ser perdoado de pena, pelo menos da condenação à morte na fogueira. António Aleixo: não roubou as cruzes de prata, como facilmente poderia ter feito, mas levou as custódias por lhe parecerem mais bonitas; amolgou e deixou ficar uma coroa de prata só para lhe tirar uma pedra sem valor: “(...) Comendo as Hóstias e partículas consagradas, tenho por mais provável que não chegou a cometer sacrilégio, por ter para si não estava ali Deus Sacramentado”, Insensatas certas atitudes, como pôr-se a dormir à saída da igreja, pouco afastado da estrada e caminhos públicos, com a trouxa do roubo. Certamente estaria bêbedo. Em conclusão: era um homem desqualificado para ser condenado a morrer num auto-de-fé, mesmo de acordo com as inaceitáveis regras da Inquisição. CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS 18 DE NOVEMBRO: Relatórios dos juízes inquisidores

13 Manuel Álvares Pegas, advogado de defesa do réu: António Ferreira, era “... rústico e homem do campo (...) ignorante e tolo (...) bêbedo e tomado de vinho na tarde em que obrou este execrando sacrilégio”. “O réu não era acostumado a beber vinho e na taverna o comprou para beber, como bebeu sem ter comido nada, e foi cinco ou seis vezes buscar vinho para uns homens que jogavam e, de cada uma das vezes, lhe deram uma tigela de vinho, que levava mais de meio quartilho, como o que ficou tomado de vinho, do que são testemunhas o carniceiro do Convento, o juiz que o prendeu, dois coxos das pernas e a taverneira...” Assim se explica o facto de ter adormecido na igreja e o tal “vento” que o derrubou quando violou o vaso das hóstias, como se de um autêntico milagre se tratasse. Comeu-as, porque tinha fome, aumentada pelo muito vinho que bebera. Manuel Álvares Pegas concluiu que A. F. agira sem malícia nem dolo e, por isso, deveria merecer o perdão, pelo menos da pena ordinária (a morte na fogueira). Em consequência, solicitou aos juízes do caso de Odivelas o embargo da sentença.

14 “(…) O que tudo visto, com os mais dos autos, disposição de direito, e como o réu não alega cousa que da condenação o releve, antes se mostra estar convencido por sua própria confissão, reiterada tantas vezes, e depois do tormento, e pelas peças da Igreja que lhe foram achadas ser ele o que só cometeu este execrando furto, e abominável sacrilégio, despindo e roubando as santas Imagens profanando bárbara e cegamente os Altares, atrevendo-se sacrilegamente a furtar os vasos sagrados em que estava o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, pondo-lhe as mãos indigna e irreverentemente, comendo as sagradas partículas, os quais furtos, irreverências e desacatos cometidos pelo réu, sendo um homem vil, de maus procedimentos, trabalhador de jornal, e criado de soldada, ofenderam universalmente os corações dos Fiéis Católicos, perturbando com sentimento comum a todo o Reino, e causando um geral escândalo em toda a cristandade, havendo porém respeito a ser o réu um rústico, bárbaro, de pouco juízo, o condenam somente, a que com baraço e pregão pelas ruas públicas, e costumadas seja arrastado e levado à praça do Rossio desta Cidade, aonde lhe serão decepadas ambas as mãos, e queimadas à sua vista, e depois será subido a um mastro alto, aonde morrerá morte natural de garrote, e depois seu corpo será queimado, e feita por fogo em pó, para que dele não haja memória, e o condenam outrossim em perdimento e confiscação de todos os seus bens que aplicam à Irmandade do Santíssimo Sacramento novamente instituída na mesma Igreja ofendida do lugar de Odivelas, e pague os autos”. CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS 20 DE NOVEMBRO:

15 Certidão do padre espiritual do réu: "Eu, o Padre Miguel Leite, Religioso professo da Companhia de Jesus e Procurador das Cadeias desta Corte e Cidade de Lisboa, certifico com toda a verdade de Religioso de tal Religião, que o padecente António Ferreira está muito conforme com a vontade de nosso Senhor, muito bom Cristão, muito bem conforme e reduzido à sua divina vontade e que, juntamente entendo em Deus e em minha consciência que cometeu este tão horrendo e execrável sacrilégio por ignorância e não por malícia e que, visto isto, é digno de que vossas Senhorias hajam de usar de sua piedade e misericórdia para com ele na matéria de se lhe cortarem as mãos, podendo-se mandar-lhas cortar depois de morto no poste pelas razões sobreditas e por outras que apontara se o tempo dera mais lugar, especialmente o risco da alma de um homem bruto, simples, vil com este tormento, se perder daí farão vossas Senhorias o que for mais serviço de Deus e a justiça pedir. Cadeia da Corte hoje vinte e dois do presente. Miguel Leite". CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS 22 DE NOVEMBRO: 23 DE NOVEMBRO: Confirmação da sentença e execução de António Ferreira no Rossio, frente ao Palácio dos Estaus.

16 10 Maio Outubro Junho 1671


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