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Fernando Pessoa Captou as várias ondas que traziam de pontos dispersos a certeza de que a Humanidade vivia uma profunda crise de cultura e de valores.

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1 Fernando Pessoa Captou as várias ondas que traziam de pontos dispersos a certeza de que a Humanidade vivia uma profunda crise de cultura e de valores. Por isso, para compreender-lhe a poesia há que ter em mira as turbulências verificadas na cultura ocidental durante os anos em que formou o seu caráter e divisou um caminho. Influência simultânea do Cubismo e do Futurismo. Começa a criar sua singular poesia com a publicação de Orpheu. “O Poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente.”

2 Seu objetivo é ordenar o caos a sua volta: tudo se passa como se ele tentasse reconstruir o mundo ou ordená-lo partindo do nada. Tal processo pressupõe a multiplicação do poeta em várias criaturas: Era preciso ser todos que existiram, existem e existirão, aprender a sentir como eles, ser um eu-Humanidade. “Multipliquei-me, para me sentir, Para me sentir, precisei sentir tudo, Transbordei-me, não fiz senão extravasar-me” Heterônimos: querem referir a existência de outros nomes, isto é, de outros poetas, de forma que este se torna um e vários ao mesmo tempo. Os heterônimos constituem meios de conhecer a complexidade do real, impossível para uma única pessoa.

3 Alberto Caeiro Nasceu em Lisboa, a 16 de abril de 1889, e morreu em 1915, na mesma cidade, tuberculoso. Órfão de pai e de mãe, viveu com uma tia no campo. Só teve instrução primária e, por isso mesmo, escrevia mal o português. É mestre dos demais. É o poeta que foge para o campo, pois, sendo poeta e nada mais, poeta por natureza, deve procurar viver simplesmente como as flores, as fontes, etc., que são felizes apenas porque, faltando-lhes a capacidade de pensar, não sabem o que são. “O essencial é saber ver. Saber ver sem estar a pensar. Saber vê quando se vê. E nem pensar quando se vê, Nem ver quando se pensa.”

4 Ricardo Reis Nasceu na cidade do Porto, a 19 de setembro de Estudou em colégio de jesuítas, formando-se em Medicina; politicamente, defendia a Monarquia; por não concordar com a República, auto-exilou-se no Brasil. Era estudioso da cultura clássica. Esses traços biográficos explicam perfeitamente as inquietações que marcam a sua poesia, resultando em um escritor de inspiração neoclássica, com a constante preocupação de “viver o momento” (o que nos remete ao carpe diem do sec. XVIII), já que a vida se resume a esses breves momentos. “Mas tal como é, gozemos o momento, Solenes na alegria levemente, E aguardando a morte Como quem a conhece”.

5 Álvaro de Campos Nasceu em Tavira (extremo sul de Portugal), a 15 de outubro de Engenheiro naval formado na Escócia, vive em inatividade (não confundir com desempregado, aquele que quer trabalhar mas não encontra emprego, inativo não trabalha por outras razoes. Álvaro de Campos, no caso, jamais se sujeitaria a ficar confinado num escritório, debruçado sobre uma prancheta, manipulando régua de cálculo, batendo ponto, etc). Campos é um poeta futurista, um homem do século XX, das fábricas, da energia elétrica, das máquinas, da velocidade; é um inadaptado, vive à margem de qualquer conduta social. Daí ser o poeta do não, “histericamente histérico” no dizer de Fernando Pessoa, que ainda acrescenta: “ pus em Álvaro de Campos toda a emoção”. Mas engana-se quem pensar que Campos é só emoção, sistema nervoso, febre; ele é principalmente lucidez.

6 “Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa! Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo! E, sim, coitado dele! Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam, Que são pedintes e pedem, Porque a alma humana é um abismo. Eu é que sei. Coitado dele! Que bom poder-me revoltar num comício dentro da minha alma! Mas até nem parvo sou! Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais. Não tenho, mesmo, defesa humana: sou lúcido. Já disse: sou lúcido. Nada de estéticas coração: sou lúcido. Merda! Sou lúcido.”

7 Poema em linha reta Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

8 Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida... Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

9 "Navegar é preciso; viver não é preciso" Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.


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