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Hospital Espírita André Luiz Diretoria de Assistência Espiritual (DAE) Setor de Evangelização Belo Horizonte-MG - 2014.

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1 Hospital Espírita André Luiz Diretoria de Assistência Espiritual (DAE) Setor de Evangelização Belo Horizonte-MG

2 EM NOSSO TRABALHO 1 “Porque toda casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus.” – Paulo. (Hebreus 3:4) O Supremo Senhor criou o Universo, entretanto, cada criatura organiza o seu mundo particular. O Arquiteto Divino é o possuidor de todas as edificações, todavia, cada Espírito constrói a habitação que lhe é própria. O Doador dos Infinitos Bens espalha valores ilimitados na Criação, contudo, cada um de nós outros deverá criar valores que nos sejam inerentes à personalidade. A natureza maternal, rica de bênçãos, em toda parte constitui a representação do patrimônio imensurável do Poder Divino e, em todo lugar, onde exista alguém, aí palpita a vontade igualmente criadora do homem, que é o herdeiro de Deus. O Pai levanta fundamentos e estabelece leis. Os filhos contribuem na construção das obras e operam interferências. É compreensível, portanto, que empenhemos todo o cuidado em nosso esforço individualista, nas edificações do mundo, convictos de que responderemos pela nossa atuação pessoal, em todos os quadros da vida. Colaboremos no bem com o entusiasmo de quem reconhece a utilidade da própria ação, nos círculos do serviço, mas sem paixões destruidoras que nos amarrem às ilhas do isolacionismo. apresentemos nosso trabalho ao Senhor, diariamente, e peçamos a Ele destrua as particularidades em desacordo com os seus propósitos soberanos e justos, rogando-Lhe visão e entendimento. Seremos compelidos a formar o campo mental de nós mesmos, a erguer a casa de nossa elevação e a construir o santuário que nos seja próprio. No desdobramento desse serviço, porém, jamais nos esqueçamos de que todos os patrimônios da vida pertencem a Deus. Emmanuel 1 XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de luz. Pelo Espírito Emmanuel. Capítulo 71: Em nosso trabalho

3 1 XAVIER, Francisco Cândido. Instrumentos do Tempo. Pelo Espírito Emmanuel. Capítulo 13: Aprendamos a Obedecer 2 FRANCO, Divaldo Pereira Florações evangélicas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Capítulo 5: Ilusões 3 KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo VI: O Cristo Consolador “Sem dúvida, ensinar é capítulo importante do nosso trabalho, que não podemos e nem devemos olvidar. Imperioso, porém, reconhecer que somente ensinaremos com segurança aprendendo, por nossa vez, na escola da disciplina, à frente do Cristo, submetendo nossa posição inferior ao sopro criativo de sua bondade e sabedoria.” 1 “Estuda com sinceridade as lições espíritas para libertar-te da ignorância espiritual. Elas te facultarão largo tirocínio e invejável campo de liberdade interior, promovendo meios de ação superior que produz paz e harmonia pessoal. Dir-te-ão o que fazer, como realizar e porque produzir com eficiência.” 2

4 Na atualidade, encontramos acessíveis vários textos, exegeses, obras diversas que trazem reflexões sobre livros e versículos contidos no Antigo e Novo Testamentos. No entanto, muitas das “pérolas de Jesus” e outras contidas na Bíblia em geral, não foram estudadas ou não possuem registros escritos, disponíveis, de seus estudos. Desta feita, muitos companheiros anseiam por diretrizes que os auxiliem ao entendimento mais profundo destas passagens ou mesmo das que já foram estudadas. Desejam analisá-las e compreendê-las à luz da Doutrina Espírita, a fim de acessarem o conteúdo espiritual contido nas Escrituras Sagradas. Neste caminhar em busca da sabedoria, vamos depreendendo que são muitas e amplas as possibilidades de entendimento daquelas passagens, pois cada ser é uma individualidade e traz em si uma história de vida, com conteúdos desta existência e de outras, que mesmo sem lembranças precisas, fazem parte de seu espírito imortal.

5 Algumas pessoas vislumbram um entendimento literal nas passagens bíblicas; outras já conseguem, a partir de deduções, inferir novos conceitos e maior compreensão dos fatos narrados; outros, ainda, já chegam a se perguntar: o que esta mensagem quer dizer, ou seja, qual a moral da história? Outros, mergulhando mais profundamente, conseguem atingir uma interpretação mística sobre as questões teológicas, ampliando dia-a-dia, mais e mais, o entendimento. Por analogia, é como se o estudioso estivesse adentrando um pomar cheio de frutos e belezas, tendo a possibilidade de ver e se alimentar do que melhor lhe convier, ou do que conseguir alcançar. A escolha, com certeza, ficará a critério de cada um, conforme a condição espiritual e evolutiva daquele que adentra o “santuário”. E o próprio ser, em momentos distintos, pode igualmente ter escolhas diferenciadas e, desta forma, conseguir acessar vários níveis diferentes de interpretação das passagens estudadas.

6 É importante observar que não se trata de uma questão temporal ou espacial. O entendimento se processa num momento espiritual, atemporal. Por vezes vamos permanecer na superfície, nos satisfazendo com a compreensão obtida; em outras ocasiões sentiremos a necessidade do aprofundamento, não necessariamente conseguindo ir além; em alguns momentos, porém, seremos capazes de realizar a verdadeira viagem do entendimento profundo, tendo “olhos de ver e ouvidos de ouvir”.

7 É que o ato de estudar nos permite acessar a essência do Evangelho numa dimensão vertical, sujeita a diferentes graus de imersão. À medida em que o trabalho prossegue e nos qualificamos em entendimento e sentimento, vamos acessando a mensagem numa dimensão mais profunda e rica. Porém, sempre que sintonizamos com o Evangelho, estamos em sintonia com o Amor. “Todos temos necessidade de instrução e de amor. Estudar e servir são rotas inevitáveis na obra de elevação”. 1 XAVIER, Francisco Cândido. Pensamento e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. Capítulo 4: Instrução

8 O Evangelho é benção para todos os que dele buscam acesso, “sadios” ou “enfermos”. Sejam estes enfermos do corpo, da mente, ou do espírito; sejam eles catalogados pela ciência médica, ou aqueles não descritos na literatura acadêmica. “Aqui e ali encontramos inúmeros doentes que se candidatam ao auxílio da ciência médica, mas em toda parte, igualmente, existem aqueles outros, portadores de moléstias da alma, para os quais há que se fazer o socorro do espírito. E nem sempre semelhantes necessitados são os viciados e os malfeitores, que se definem de imediato por enfermos de ordem moral, quando aparecem”. Emmanuel 1 1 XAVIER, Francisco Cândido. Bênção de Paz. Pelo Espírito Emmanuel. Capítulo 29: Enfermos da Alma

9 Na internet e em vários livros, encontram-se coletâneas de referências que são estímulos ao estudo, ao aprofundamento, à reflexão. Alguns mais detalhados, trazendo as observações de autores ou de grupos; num outro extremo temos as referências ainda em estado bruto, colocadas tão somente numa lista alfabética, pedindo ao estudioso que as percorra, que as analise e elabore. Numa tentativa de se encontrar um ponto mediano surgem os roteiros de estudo, nos quais o trabalho está para ser feito, mas contendo sugestões de alguns passos básicos para a caminhada. Desta feita, o Setor de Evangelização do HEAL, numa modesta contribuição, disponibiliza um roteiro de estudos a seus evangelizadores, como estímulo ao estudo, à reflexão pessoal e ao aprofundamento das lições de Jesus à luz da Doutrina Espírita.

10 Atentemos para o fato de que o roteiro aqui apresentado é apenas um norte indicador de como estudar, buscar dados e cruzar informações, pois a interpretação estará a cargo de cada qual, fundamentada nas Escrituras Sagradas, nas obras doutrinárias e na vivência individual, fazendo uma junção das Três Revelações da Lei Divina: Moisés, Cristo e o Espiritismo.

11 “E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse.” “Então Filipe, abrindo a sua boca, e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus.” 1 “Encontrei o tesouro da vida, preciso examiná-lo com mais vagar, quero saturar-me da sua luz, pois aqui pressinto a chave dos enigmas humanos. -Quase em lágrimas, leu o Sermão da Montanha, secundado pelas comovedoras lembranças de Pedro. Em seguida, ambos passaram a comparar os ensinamentos do Cristo com as profecias que o anunciavam.” – Estevão 2 1 Atos dos Apóstolos 8:30-31, 35 2 XAVIER, Francisco Cândido. Paulo e Estevão. Pelo Espírito Emmanuel. Primeira parte - Capítulo 3: Em Jerusalém

12 Allan Kardec nos alerta dizendo que o “Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil”. 1 Desta forma, conhecer e destacar os Princípios Fundamentais da Doutrina e as Leis Morais inseridos nas passagens evangélicas estudadas, facultarão um maior e mais profundo entendimento das lições de Jesus. 1 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo 1, item 5 2 SIGNATES, Luiz. Caridade do Verbo: método e técnicas de exposição doutrinária espírita “Busquemos esclarecimento, mas igualmente o consolo. Esclarecer é a tarefa de revelar a Doutrina, emitindo seus postulados básicos e a moral espírita. Consolar é transferir ânimo, fé, esperança, soerguimento, otimismo”. 2

13 Não podemos deixar de registrar como fonte de pesquisa as obras codificadas por Allan Kardec, que devem permear os estudos à luz da Doutrina Espírita. Destacamos “O Evangelho Segundo o Espiritismo, com as explicações das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida”, livro base de nossos estudos, e que contém explicações “das passagens obscuras e o desdobramento de todas as consequências, tendo em vista a aplicação dos ensinos a todas as condições da vida. [...] Um código de moral universal, sem distinção de culto”. 1 1 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Opinião Espírita. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Capítulo 2: O Mestre e o apóstolo 2 KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução Jesus, a porta. Kardec, a chave Jesus, a porta. Kardec, a chave. Emmanuel 1

14 “Em Ávila, [...] nunca nos reunimos no culto doméstico sem suplicar o socorro da inspiração div ina. [...] Meu tutor asseverava que devemos fazer o estudo evangélico não apenas com as nossas malícias e necessidades humanas, mas com o auxílio silencioso e invisível do Céu!... [...] Chegamos à conclusão de que o Evangelho, em sua expressão total, é um vasto caminho ascensional, cujo fim não poderemos atingir, legitimamente, sem conhecimento e aplicação de todos os detalhes. Muitos estudiosos presumem haver alcançado o termo da lição do Mestre, com uma simples leitura vagamente raciocinada. Isso, contudo, é erro grave. A mensagem do Cristo precisa ser conhecida, meditada, sentida e vivida. Nesta ordem de aquisições, não basta estar informado.” 1 1 XAVIER, Francisco Cândido. Renúncia. Pelo Espírito Emmanuel. Parte 2, capítulo 3: Testemunhos de fé A O INICIAR SUA PESQUISA, ORE, ELEVE - SE

15 Se a mensagem precisa ser conhecida e meditada, a Doutrina Espírita nos oferece extensos recursos para isso; se precisa ser sentida e vivida, a caridade é virtude essencial; não é por acaso que os Espíritos ensinam que “a caridade é a fonte de todas as virtudes”, e que “fora da caridade não há salvação”; logo, não basta estar informado... É necessário esforço de auto-iluminação. “No complexo das vidas diversas, o estudo prepara; todavia, somente a aplicação sincera dos ensinamentos do Cristo pode proporcionar a paz e a sabedoria, inerentes ao estado de plena iluminação dos redimidos”. 1 1 XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. Questão 228

16 “Existe diferença entre doutrinar e evangelizar?” “Há grande diversidade entre ambas as tarefas. Para doutrinar, basta o conhecimento intelectual dos postulados do Espiritismo; para evangelizar é necessário a luz do amor no íntimo. Na primeira bastarão a leitura e o conhecimento; na segunda, é preciso vibrar e sentir com o Cristo. Por estes motivos, o doutrinador muitas vezes não é senão o canal dos ensinamentos, mas o sincero evangelizador será sempre o reservatório da verdade, habilitado a servir às necessidades de outrem, sem privar- se da fortuna espiritual de si mesmo.” 1 1 XAVIER, Francisco Cândido. Opinião Espírita. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. Questão 237.

17 Os mentores espirituais do HEAL deixaram registrado, nos estatutos, desde 1949, que era preciso “fazer compreender aos sofredores do mundo os motivos de suas dores e levar os que se queixam à conformação mediante o reconhecimento de suas dores [...].” 1 1 SCHEILLA, ANDRÉ LUIZ, JOSEPH GLEBER FRITZ SCHEINEL (ESPÍRITOS). Diretrizes traçadas para elaboração do estatuto do Hospital Espírita André Luiz. Belo Horizonte: Acervo GFIL, In: VALLE, L. R. História de Formação do HEAL 2 ABREU, Honório. O Evangelho e a instituição de saúde mental. Anais do IV ENESAM. Desafios em saúde mental: contribuições da terapêutica espírita. 2 ed. Belo Horizonte: Fonte Viva, “A veiculação da mensagem do Evangelho, ao nível do conhecimento espírita, atingirá as fibras mais íntimas do enfermo mental, sugerindo e predispondo-o a uma proposta de vida capaz de determinar a superação de seus males, pelo leque de esperanças que se abre para ele próprio e familiares. A identificação de fatores que explicam as razões de sua enfermidade e de esclarecimento que proporcionem a adoção de um modo de viver, em plano de maior autenticidade e segurança, são componentes capazes de levá-lo a compreender em padrões de praticidade os vastos potenciais contidos na afirmativa evangélica: ‘bem aventurados os que choram’...” 2

18 “O evangelizador é um tarefeiro voluntário, que pode ser comparado a um instrumento hábil a levar àqueles que se encontram momentaneamente na obscuridade espiritual ensinamentos evangélicos clareados pela luz do espiritismo e que funcionam como ferramentas para o despertar da consciência. O cooperador que opera ao influxo das recomendações do Evangelho agirá em um circuito vigoroso das vibrações afetivas, como instrumento desativador dos reflexos negativos que prevalecem no espelho mental desses pacientes. Agindo com paciência, cultivando, sem afetação, no terreno da simpatia e buscando a sensibilização para novos padrões de conduta, auxiliará o enfermo na luta para identificação dos elementos que possam levá-lo ao reexame de seus conceitos e ajudá-lo no esforço de desagregação das cristalizações doentias que cultiva no recôndito da alma [...].” 1 1 ABREU, Honório. O Evangelho e a instituição de saúde mental. Anais do IV ENESAM. Desafios em saúde mental: contribuições da terapêutica espírita. 2 ed. Belo Horizonte: Fonte Viva, O EVANGELIZADOR

19 “Enquanto o espírito do homem se engolfa apenas em cálculos e raciocínios, o Evangelho de Jesus não lhe parece mais que repositório de ensinamentos comuns; mas, quando se lhe despertam os sentimentos superiores, verifica que as lições do Mestre têm vida própria e revelam expressões desconhecidas da sua inteligência, à medida que se esforça na edificação de si mesmo, como instrumento do Pai. Quando crescemos para o Senhor, seus ensinos crescem igualmente aos nossos olhos. Vamos fazer o bem, meu caro! Encha seu cálice com o bálsamo do amor divino.” Narcisa 1  O benefício do estudo do Evangelho para o próprio evangelizador:  a experiência com o roteiro e a preparação antes do estudo na ala;  a transformação ocorrida em cada membro da equipe;  a própria transformação daquele que prepara o estudo, que pode ser “tocado” pelo Evangelho (“expressões desconhecidas da sua inteligência ”). 1 XAVIER, Francisco Cândido. Os mensageiros. Pelo Espírito André Luiz. Capítulo 1: Renovação

20 Um manancial de informações e bênçãos será encontrado, conforme sua pesquisa e o material disponíveis. Extraia o que for necessário à sua individualidade e ao estudo a ser desenvolvido. Não exagere no detalhamento para a construção final, para não se perder em meio a tanta informação. Lembre-se: a cada dia um aprendizado novo. Um desafio de capacitar nosso sentimento e de sensibilizar nossa razão

21 ASSUNTO DELIMITAÇÃO DO ASSUNTOPerguntas-chaves Ideia-mãe PESQUISA EXPLORATÓRIA BIBLIOGRÁFICA LEITURA GLOBAL DO MATERIAL ENCONTRADO LEITURA SELETIVA E DETALHADATécnicas de leitura Sugestões para o entendimento do Evangelho Identificação dos Princípios Fundamentais da Doutrina Espírita, das Leis Morais e de temas correlatos ANÁLISE DO SENTIDO GERAL E PARTICULAR Extrair o “espírito da letra” Situar-se na mensagem Identificar as características de que se revestem as expressões e palavras Verificar o contexto à época de Jesus Analisar o texto com razão e sentimento CRUZAMENTO DAS INFORMAÇÕES ESCUTA ÍNTIMA, SOMADA ÀS INTUIÇÕES REFLEXÕES PESSOAIS CONSTRUÇÃO DE ESQUEMA ROTEIRO DE ESTUDOS DO EVANGELHO À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA

22  DEFINIÇÃO DO ASSUNTO O assunto nos vem por escolha própria, quando nos dispomos a melhor compreender uma temática, ou é dado por terceiros, por um cronograma de estudos, definido pela coordenação da tarefa à qual estamos ligados, ou mesmo para uma palestra a ser apresentada ou para a redação de um artigo.

23  DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO Um assunto pode conter muitas informações diferentes, sendo possível abordá-lo por vários pontos de vista; mas lembre-se de que estamos estudando a temática à luz da Doutrina Espírita, e que, por isso, os pontos capitais do Espiritismo devem ser destacados. Muitas vezes, a forma de abordá-lo, ou seja, a delimitação, somente virá após o levantamento bibliográfico. No entanto, é preciso uma pequena prévia, pois o assunto pode ter muitas nuances de pesquisa... A delimitação é conhecida por algumas pessoas como “ideia-mãe”.

24  PESQUISA EXPLORATÓRIA BIBLIOGRÁFICA Nessa etapa será feita a compilação de referências bíblicas, doutrinárias e subsidiárias, assim como acréscimos de informações conceituais, filosóficas e gerais, de forma metódica e disciplinada, a fim de selecionar textos para posterior detalhamento. Para facilitar essa busca, identifique o eixo central do assunto: qual o principal tópico discutido? Defina palavras ou expressões- chaves. Elas facilitarão a busca por citações correlatas para uma maior compreensão da temática. Utilize também dicionários bíblicos, filosóficos, de língua portuguesa, livros de gramática e internet; o acesso a estudos prontos, artigos, palestras em websites deve ser feito de forma criteriosa e crítica, analisando possíveis incoerências ou contradições doutrinárias; já nos exortava Paulo de Tarso: “Examinai tudo. Retende o bem”. 1 1 I Tessalonissense 5:21

25  LEITURA GLOBAL DO MATERIAL ENCONTRADO É necessário conhecer todos os textos pesquisados. De acordo com a extensão da pesquisa realizada, essa pode ser a tarefa mais exaustiva, mas possibilitará a seleção e o detalhamento nas próximas etapas. Neste momento, aproveite para fazer algumas marcações sinalizando aqueles textos que mais lhe chamem à atenção, reduzindo assim, consideravelmente, os textos anteriormente escolhidos.

26  LEITURA SELETIVA E DETALHADA Após a leitura global, é momento de trabalhar com a pré- seleção feita, ou seja, com os textos e trechos específicos que se encontram em conformidade com a delimitação. Existem algumas técnicas de leitura que podem auxiliar: Técnica da leitura repetida; Técnica da leitura sublinhada; Técnica da leitura com resumo; Técnica com leitura comentada (analisada, interpretada). “São formas de exercitar o pensamento e interiorizar o assunto”. 1 1 SIGNATES, Luiz. Caridade do Verbo: método e técnicas de exposição doutrinária espírita

27 TÉCNICAS DE LEITURA Leitura repetida: ler diversas vezes e com atenção, anotando idéias interessantes contidas nos textos; Leitura sublinhada: leitura inicial para análise global e, em seguida, sublinhando as palavras e frases chaves do texto; Leitura com resumo: após compreender o sentido global e conhecer as ideias desenvolvidas no texto, faz-se um resumo do mesmo; Leitura comentada: após identificar as idéias principiais do texto/autor, fazer comentários fundamentado por outros estudos. Faça sua escolha. SIGNATES, Luiz. Caridade do Verbo: método e técnicas de exposição doutrinária espírita

28 ALGUMAS SUGESTÕES PARA QUEM BUSCA ENTENDER O EVANGELHO Assim como na lavoura, antes do plantio, o agricultor necessita arar a terra para depositar a semente; o nosso crescimento em entendimento e moral depende de boa vontade e trabalho. Muitas vezes, o mais difícil é começar. Uma parte substancial do Evangelho só está acessível ao nosso coração. Para alcançá-la, é fundamental o trabalho de vivência da Boa Nova. Trabalho que qualifica o sentimento. Ao estudar, procure fazer questionamentos. O ato de perguntar e procurar encontrar respostas direciona o estudo e desenvolve a capacidade de análise crítica. Procure contextualizar a passagem estudada em sua própria vida; depois será necessário contextualizar em relação ao momento do público a quem se destina o estudo. Para cada público existe uma abordagem mais apropriada.

29  Procure identificar os PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA DOUTRINA ESPÍRITA que se correlacionam com o assunto. Recordando-os: Deus, Jesus, Espírito, Perispírito, Evolução, Livre Arbítrio, Causa e Efeito (Ação e Reação), Reencarnação, Pluralidade dos Mundos Habitados, Imortalidade da Alma, Vida Futura, Plano Espiritual, Mediunidade, Influência dos Espíritos em Nossas Vidas, Ação dos Espíritos nos Fenômenos da Natureza. 1 Destaque o(s) que mais se evidencia(m) na passagem em estudo. 1 Obs.: destacamos 15 princípios fundamentais ou básicos seguindo a linha precursora de estudos realizados na União Espírita Mineira e Grupo Espírita Emmanuel, em Belo Horizonte.

30  Verifique a existência no assunto estudado das LEIS MORAIS, como apresentado na Parte Terceira de “O Livro dos Espíritos”. Recordando-as: Lei de Adoração; Lei do Trabalho; Lei de Reprodução; Lei de Conservação; Lei de Destruição; Lei de Sociedade; Lei do Progresso; Lei de Igualdade; Lei de Liberdade; Lei de Justiça, de Amor e de Caridade. Destaque a(s) que mais se evidencia(m) na passagem em estudo. Aproveite para ler os capítulos acerca da Lei Divina ou Natural e da Perfeição Moral, em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec e a obra “Leis Morais da Vida”, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis.

31  Verifique a existência de TEMAS correlatos que possam ser aplicados no assunto estudado. Podem ser sugeridos os seguintes temas: Anjos guardiões, Caridade, Casa mental, Família, Fé, Humildade, Paciência, Perdão, Prece, Reforma Íntima, Relações Afetivas etc.

32  ANÁLISE DO SENTIDO GERAL E PARTICULAR 1 UNIÃO ESPÍRITA MINEIRA. O Evangelho: Como, porque e para que estudá-lo à luz da doutrina espírita. Série Evangelho e Espiritismo, vol. 5, 1981 Analise o sentido geral e particular da passagem em análise. Procure extrair o “espírito da letra” (II Cor 3:6), ampliando ainda mais o entendimento. Lembre-se de que Jesus usava muitas alegorias para ensinar. Situe-se na mensagem para exemplificá-la. Busque um acesso a aplicações práticas do dia-a-dia. Identifique características de que se revestem as expressões e as palavras. Tente encontrar palavras indicadoras de lugar (e aspectos geográficos); ambiente (físico ou psíquico); época (e aspectos históricos); tempo (dia, hora, circunstâncias); atitudes e gestos; ação; demais termos, observado o seu sentido no texto. 1

33 Verifique o contexto à época de Jesus, relativo à passagem em estudo. Leia a passagem bíblica anterior à estudada; ela sempre dará uma ideia do contexto. Busque outras referências que indiquem este contexto. Procure situá-la na atualidade. 1 1 UNIÃO ESPÍRITA MINEIRA. O Evangelho: Como, porque e para que estudá-lo à luz da doutrina espírita. Série Evangelho e Espiritismo, vol. 5, 1981

34 “Todos os símbolos do Evangelho, dado o meio em que desabrocharam, são, quase sempre, fortes e incisivos. Jesus não vinha trazer ao mundo a palavra de contemporização com as fraquezas do homem, mas a centelha de luz para que a criatura humana se iluminasse para os planos divinos. E a lição sublime do Cristo, ainda e sempre, pode ser conhecida como a “espada” renovadora, com a qual deve o homem lutar consigo mesmo, extirpando os velhos inimigos do seu coração, sempre capitaneados pela ignorância e pela vaidade, pelo egoísmo e pelo orgulho”. 1 1 XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. Questão 304

35  CRUZAMENTO DAS INFORMAÇÕES Pesquise, estude, busque referências, cruze informações...  ESCUTA ÍNTIMA, SOMADA ÀS INTUIÇÕES Ouça seu coração, sua experiência, seus conhecimentos. Some tudo às intuições que lhe chegam à alma. “[...] Paulo de Tarso nunca procurava escrever só; buscava cercar-se, no momento, dos companheiros mais dignos, socorria-se de suas inspirações, consciente de que o mensageiro de Jesus, quando não encontrasse no seu tono sentimental as possibilidades precisas para transmitir os desejos do Senhor, teria nos amigos instrumentos adequados.” 1 1 XAVIER, Francisco Cândido. Paulo e Estevão. Pelo Espírito Emmanuel. Capítulo: Epístolas

36 Estude e sinta as lições de Jesus como um recurso pedagógico, terapêutico e de educação para o espírito imortal...  REFLEXÕES PESSOAIS Faça suas reflexões pessoais. Durante e após este caminhar, procure ouvir as lições crísticas em sua intimidade. Nesta etapa, com certeza, já terá ido além da análise literal...

37 “O Cristo é a substância da nossa liberdade. Dia virá em que o seu reino abrangerá os filhos do Oriente e do Ocidente, num amplexo de fraternidade e de luz. Então, compreenderemos que o Evangelho é a resposta de Deus aos nossos apelos, em face da Lei de Moisés. A Lei é humana; o Evangelho é divino. Moisés é o condutor; O Cristo, o Salvador. Os profetas foram mordomos fiéis; Jesus, porém, é o Senhor da Vinha. Com a Lei, éramos servos; com o Evangelho, somos filhos livres de um Pai amoroso e justo!...” 1 XAVIER, Francisco Cândido. Paulo e Estevão. Espíritos diversos. Primeira Parte - Capítulo 5: A Pregação de Estevão

38  CONSTRUÇÃO DE UM ESQUEMA Com base na leitura dos textos selecionados, tente responder às perguntas que nortearam seu estudo, e que possam estar contidas no esquema. Estruture seu estudo para que as ideias surgidas não fiquem soltas. Procure listar os pontos principais encontrados. As anotações escritas anteriormente serão de grande utilidade. Faça um alinhavo entre elas, agrupando as informações e os dados semelhantes. Assim, depois de toda a leitura e marcações é hora da construção de um esquema de estudo. Nesta hora será possível observar como a delimitação conduzirá o estudo.

39  PODEMOS OBSERVAR TRÊS MOMENTOS DISTINTOS COM RELAÇÃO À APRESENTAÇÃO DO ESQUEMA/RESUMO:  estudo individual quantidade de referências gerais variável, de acordo com a disponibilidade e disposição para a pesquisa e o estudo; reflexões pessoais; “toque”, pessoal e intransferível;  estudo em grupo enfoque nas questões doutrinárias; ampliação dos conceitos com a percepções dos demais membros do grupo; esclarecimento de dúvidas;  estudo na ala com os pacientes enfoque no aspecto consolador do Evangelho e da Doutrina Espírita; espaço para a escuta do paciente; atender à necessidade do paciente, porém respondê-lo com o que o Evangelho apresenta; acolhimento às suas dores, como o cirineu que carrega a cruz do outro, por um momento, porém a cada um, segundo sua individualidade;

40 RELEMBRANDO EMMANUEL... [...] “o sincero evangelizador será sempre o reservatório da verdade, habilitado a servir às necessidades de outrem, sem privar-se da fortuna espiritual de si mesmo.” 1 De qual fortuna se trata? A que eu já tinha... A que eu pedi... A que eu busquei... A que eu encontrei... “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.” 2 “Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” 3 (Parábola dos talentos) 1 XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. Questão Mateus 7:7-8 3 Mateus 25:20-21

41 SUGESTÃO DE LOCAIS DE PESQUISA BUSCANDO NAS ESCRITURAS: BUSCANDO NAS OBRAS DOUTRINÁRIAS: BUSCANDO NAS OBRAS SUBSIDIÁRIAS: BUSCANDO NOS DICIONÁRIOS BÍBLICOS: Dicionário Wycliffe, disponível em: Outras fontes de pesquisa: Bíblia; chave bíblica; concordância bíblica; dicionários da língua portuguesa; “Guia Bibliográfico para Estudar o Novo Testamento”, em 4 volumes, de Marta M. Guimarães; “Evangelização: conteúdo programático - DIJ” (conhecido como “livro azul” da União Espírita Mineira); “Espiritismo de A a Z”, coordenação de Geraldo Campetti Sobrinho (FEB); obras de Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco, Yvonne do Amaral Pereira, Léon Denis, dentre outros.

42 No site do HEAL, link DAE/Estudos DAE, encontram- se disponíveis exemplos de passagens bíblicas seguindo o roteiro sugerido. Bons estudos! Setor de Evangelização do Hospital Espírita André Luiz Amar Saber 1 XAVIER, Francisco Cândido. Instruções Psicofônicas. Espíritos diversos. Capítulo 30: Coração e cérebro

43 HEAL / DAE - Setor de Evangelização


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