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O contato linguístico como ponto de partida para direcionar o ensino em regiões de fronteira. Profa. Dra. Regiane Coelho Pereira Reis.

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1 O contato linguístico como ponto de partida para direcionar o ensino em regiões de fronteira. Profa. Dra. Regiane Coelho Pereira Reis

2 Palavras importantes...  Fronteira;  Contato linguístico e/ou línguas em contato;  Língua: língua/norma/fala;  Preconceito linguístico;  Língua materna;  Cultura;  Ensino.

3 Fronteira...  O termo fronteira pode ser compreendido como o limite entre duas partes distintas, por exemplo, dois países, dois estados, dois municípios.  E, ainda, as fronteiras representam muito mais do que uma mera divisão e unificação dos pontos diversos. Elas determinam também a área territorial precisa de um Estado, a sua base física.  Em situação fronteiriça, a realidade geográfica gera intensas atividades entre os dois territórios, desencadeando trocas comerciais, culturais e as ligadas à língua. Apesar de se constituírem comunidades divergentes em seus papéis sociais, com identidades nacionais próprias atreladas a idiomas oficiais distintos, as trocas culturais e linguísticas são inevitáveis.  As fronteiras linguísticas dificilmente coincidem com as fronteiras políticas.

4 línguas em contato  O termo línguas em contato (ou contato linguístico) comumente é definido como o uso de duas ou mais línguas alternadamente pela mesma pessoa, especialmente, quando o contexto no qual se situa abrange culturas distintas coexistentes numa tênue linha divisória, sobretudo, geofísica.  Acerca do assunto, Weinreich (1972, p. 01) afirma que “a linguagem – usada pelos indivíduos é o lugar do contato”.

5 Para Trudgill e Campoy (2007, p. 75):  O termo línguas em contato (language contact) é adequado para nomear situações nas quais grupos de dois ou mais falantes que não tenham em comum a mesma língua materna estão ou entram em contato linguístico. Segundo essa definição, no curto prazo podem ocorrer dificuldades de comunicação, mas, no longo prazo, as línguas que estão em contato se influenciem mutuamente como consequência do bilinguismo de parte dos falantes envolvidos. Essa influência poderá dar lugar ou envolver fenômenos como “empréstimos linguísticos, mudança de código, línguas francas, multilinguismo ou processos de criolização” (os pídgins).

6 Contatos linguísticos...  A situação de contatos linguísticos configura-se como uma realidade imposta ao falante das cidades brasileiras e bolivianas da fronteira, pois a norma linguística aqui falada está posta nos contextos familiares e sociais, em geral, no ambiente de trabalho, nos ambientes educacionais e naqueles voltados para o lazer e a religião.  O que é língua?...

7 Língua... Idioma(s) Membro do corpo

8 Qual(is) língua(s) você fala?  Qual língua é a mais bonita?

9 Língua: língua/norma/fala  Para tratar do assunto, convém um feedback teórico a fim de obter um contracenar histórico entre a teoria dicotômica de Saussure, língua e fala, e a posterior proposta tripartida língua, fala e norma, de Coseriu.

10 Em resumo... ... a concepção língua e fala do ponto de vista de seu fundador apresenta as seguintes características: a primeira é vista como i) acervo linguístico, ii) instituição social e iii) sistema social; a segunda segue i) desvinculada do coletivo, ii) de uso individual, iii) acidental, por ser planejada no momento da enunciação e iv) momentânea.  Cf. CLG (2001).

11 Continuando...  Com a finalidade de possibilitar uma perspectiva de análise mais ampla que abarcasse as transformações e mudanças que se sobressaem nitidamente nos níveis fônico, lexical, morfológico, sintático e semântico presentes na linguagem, é que foi criado o conceito de norma. Isto se deve ao fato de que essas modificações linguísticas apresentam características mais latentes no nível intermediário que se situa entre o sistema linguístico e a fala.

12 A proposta tripartida de Coseriu (1979 [1952], p. 72) encontra-se articulada no esquema a seguir:

13 A norma...  [...] o indivíduo cria sua expressão numa língua, fala uma língua, realiza concretamente em seu falar moldes, estruturas da língua de sua comunidade. Num primeiro grau de formalização, essas estruturas são simplesmente normais e tradicionais na comunidade, constitui o que chamamos norma; mas, num plano de abstração mais alto, depreende-se delas mesmas uma série de elementos essenciais e indispensáveis de oposições funcionais: o que chamamos sistema. Mas norma e sistema não são conceitos arbitrários que aplicamos ao falar, mas formas que se manifestam no próprio falar [...].   (COSERIU, 1979 [1952], p. 72)

14 Por que respeitar as variedades linguísticas?

15 Léxico...  Comida que se faz com arroz e carne seca picadinha...  Como se chama a peça de madeira que era utilizada como tranca de janelas em casas antigas...  Como se chama a peça íntima usada pelas mulheres...

16 Exemplos:  _“Bom dia, comadre! Tá devarde hoje? Vamo entrá?  _ Não, brigado, tô de vereda.”  Diálogo do centro-sul paranaense  Tradução: debalde: está de folga;  De vereda: está com pressa, apenas de passagem.

17 Exemplos:

18 Norma de grupo:

19 Preconceito linguístico...  É fato que a norma “padrão” da língua será usada em menos contextos sociais do que a própria norma do indivíduo. Talvez o uso contínuo da norma regional implique a valorização do usuário em detrimento a outras normas. Marcos Bagno (2003) aborda o assunto sob a ótica do preconceito linguístico instaurado ideologicamente na sociedade brasileira.  O problema, de certo ponto de vista, parte da busca individual do falante em ser aceito socialmente por meio da linguagem ou adotar uma norma que tenha prestígio social.

20 Preconceito linguístico... Como ocorre?  Disseminado pela “falsa” unidade linguística do Brasil:  200 línguas indígenas e 50 de imigração + português + línguas em contato.  “Esse mito (o da unidade linguística do Brasil) é muito prejudicial à educação ao não reconhecer a verdadeira diversidade do português falado no Brasil ((ou outros idiomas falados na Bolívia)), a escola tenta impor sua norma linguística como se ela fosse, de fato, a língua comum a todos os 160 milhões de brasileiros, independente de sua idade, de sua origem geográfica, de sua situação socioeconômica, de seu grau de escolarização, etc” (BAGNO, 2003, p. 15).

21 Língua materna: Altenhofen (2002, p.159)  “[...] um conceito dinâmico que varia conforme um conjunto de traços relevantes que engloba, em uma situação normal, válida para um determinado momento da vida do falante:  a) a primeira língua aprendida pelo falante, b) em alguns casos, simultaneamente com outra língua, com a qual c) compartilha usos e funções específicas, e) apresentando-se porém geralmente como língua dominante, f) fortemente identificada com a língua da mãe e do pai, e, por isso, d) provida de um valor afetivo próprio. Em relação ao bilinguismo precoce e simultâneo, é pertinente admitir a possibilidade de falantes com duas línguas maternas, contendo os traços mencionados acima”.  Para formular a definição o autor ( Altenhofen, 2002, p.159) se fundamentou em teóricos como Machey (1972), Titone (1993) Romaine (1994), Decrosse (1989), Grosjean (1996), Apeltauer (1997), Kemp (1999), entre outros.

22 Língua materna...  O conceito de língua materna está constantemente relacionado ao senso comum que restringe o significado dessa expressão como  i) a primeira língua apreendida pelo falante;  ii) a língua de dominação num território geopolítico;  iii) língua de afetividade (pai/mãe);  iv) língua de grupos minoritários, entre outros.  Todos esses conceitos atribuídos à língua materna, se tomados isoladamente, distorcem a profunda carga de significação que essa expressão carrega, entre as quais se encontram a de Decrosse (1989, p. 21) que alerta “a língua materna pode ser uma barreira simbólica das fronteiras” In: ALTENHOFEN, 2002, p.147.

23 Cultura...  Cultura é o modo próprio de ser do homem em coletividade, que se realiza em parte consciente, em parte inconscientemente, constituindo um sistema mais ou menos coerente de pensar, agir, fazer, relacionar-se, posicionar-se perante o Absoluto, e, enfim, reproduzir-se (Gomes, 2014, p. 36).  Alfred Kroeber (1950) – encontrou 250 variações.

24 As Variáveis... Diageracional Diatópica Diastrática Diassexual Diafá- sica Dialingual...

25 Em situação de contato, o falante poderá ser...  Bilíngue: o uso de duas línguas;  Trilíngue: o uso de três línguas;  Plurilíngue: o uso de mais de três línguas.

26 Em situação de contato...  Os conceitos de bilinguismo e multi/plurilinguismo defendidos por Mackey (2005, p. 1483) quando registra que bilinguismo pode indicar o uso alternado de duas ou mais línguas pelo mesmo indivíduo.  i) bilinguismo é o termo mais usado na utilização de duas línguas;  ii) plurilinguismo se refere a vários idiomas falados pelo mesmo indivíduo.  O autor, porém, registra que esses termos têm sido utilizados de modo genérico e talvez fosse mais adequado falar em termos numéricos: bilinguismo (duas línguas), trilinguismo (três línguas) e quadrilinguismo (quatro línguas) etc.

27 Uma amostra...  QSL: 024  Como chama aquela planta de folhas compridas e finas com que se faz um chá que serve como calmante?  Ah! O capim cidrera, né? Capim cedrón?  HF2GI – P. 01 

28

29 O Ensino... Oralidade... Para o desenvolvimento das habilidades de falar e ouvir, os alunos, com a intervenção do professor, poderiam: Contar histórias inventando-as ou reproduzindo-as (causos); Relatar acontecimentos; Debater, discutir, acerca dos temas mais variados; Argumentar (concordando ou refutando); Apresentar variações de palavras que revelem o contato linguístico da fronteira....

30 Trabalho com a escrita...  Emitir opiniões;  Justificar ou defender opções tomadas;  Criticar pontos de vista de outros;  Apresentar resumos;  Dar avisos;  Fazer convites;  Apresentar pessoas...

31 Considerações finais... Articular as palavras de forma diversa [...] Chamar sinal de trânsito de farol [...] Nada disso faz ninguém necessariamente melhor ou pior, mas apenas diferente dos outros. João Ubaldo Ribeiro

32 Referências:  ALTENHOFEN, Cléo Vilson. Áreas Linguísticas do português falado no Sul do Brasil: um balanço das fotografias geolinguísticas do ALERS. In: AGUILERA, Vanderci de Andrade (Org.). A geolinguística no Brasil: trilhas seguidas caminhos a percorrer. Londrina: EDUEL,  ALTENHOFEN, Cléo Vilson. Interfaces entre dialetologia e história. In: MOTA, Jacyra Andrade; CARDOSO, Suzana Alice Marcelino. Documentos 2: Projeto Atlas Linguístico do Brasil. Salvador: Quarteto, 2006, p  ALTENHOFEN, Cléo Vilson; KLASSMANN; Mário Silfredo (Orgs.) Atlas linguístico Etnográfico da Região Sul do Brasil (ALERS). Porto Alegre: Editora da UFRGS; Florianópolis: Ed. UFSC,  BAGNO, Marcos. O Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: Edições Loyola,  GOMES, Mércio Pereira. Antropologia. São Paulo: Editora Contexto,  CHAMBERS, J. K.; TRUDGILL, P. La Dialetologia. Madrid: Visor Libros SL,  COSERIU, Eugênio. O homem e sua linguagem. (Coleção Linguagem) 2ª ed. Rio de Janeiro: Presença,  COSERIU, Eugênio. Teoria da Linguagem e linguística Geral. Trad. Agostinho Dias Carneiro. Rio de Janeiro: Presença,  MACKEY, William F. The description of bilingualism. In: FISHIMAN, Joshua A. [ed.] Reading in the sociology of language. 3ª ed. The Hague: Mouton, 1972, p  MACKEY, William F. Bilingualism and multilingualism / Bilingualismus und Multilingualismus. In: AMMON, Ulrich; DITTMAR, Norbert; MATTHEIER, Klaus J.; TRUDGILL, Peter (Hrsg.). Sociolinguistics: an international handbook of the science of language and society = Soziolinguistik. 2ª ed. Berlin; New York, de Gruyter, (HSK; v. 3.2.), p ,  REIS, Regiane Coelho Pereira Reis. Variação linguística do português em contato com o espanhol e o guarani na perspectiva do Atlas Linguístico-contatual da fronteira entre Brasil/Paraguai (ALF-BR PY). Londrina, PR: UEL, (Tese de doutorado). 


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