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SÍNDROME DA DELEÇÃO 13q e DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL HRAS/ESCS/SES/DF Vinicius Silveira Amaral INSTRUTORES: Dra. Sueli Falcão; Dr. Paulo R. Margotto 18/02/2005.

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1 SÍNDROME DA DELEÇÃO 13q e DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL HRAS/ESCS/SES/DF Vinicius Silveira Amaral INSTRUTORES: Dra. Sueli Falcão; Dr. Paulo R. Margotto 18/02/2005 Brasília - DF

2  IDENTIFICAÇÃO: E.P.B.J., 5 meses e 11 dias, sangue O -, sexo M, natural de Brasília e procedente do Recanto das Emas (Brasília-DF).  DATA DA HISTÓRIA: 15/02/2005  QUEIXA PRINCIPAL: Tosse há ± 8 dias.

3  H.D.A.: Paciente apresentou um quadro de “chiado” (SIC) no peito há ± 8 dias, durante a respiração, mas não apresentava dispnéia. No mesmo dia começou a apresentar tosse não- produtiva, com maior freqüência à noite, de grande intensidade, com um “cansaço” (SIC) muito forte, posteriormente. Pai da criança refere que o paciente teve “febre” desde o início do quadro, mas que não foi aferida. Foi tratado com medicação caseira (paracetamol e banha de galinha) até o 3º. dia do quadro em que houve uma piora da tosse, quando os pais o levaram até o HMIB. Foi diagnosticada uma pneumonia comunitária com broncoespasmo (Temp.: 37,9° C; FR: 38 irpm; creptos grosseiros e sibilos em hemitórax direito e esquerdo em exame realizado no pronto socorro), ocorrendo a internação no mesmo dia (10/02/2005) na pediatria.

4  A.P.Fi.: Nasceu de cesárea; IG: 33 semanas; Peso: 1500 g. Mãe não teve nenhuma intercorrência aparente na gestação, pois não realizou um pré-natal adequado. (nenhuma consulta)  A.P.Pa.: Síndrome da deleção do braço longo do cromossomo 13. Imunização inadequada (não foi vacinado contra nenhuma doença).

5  A.P.Fa.: Avó materna tem HAS. Possui 5 irmãos sem problemas de saúde.  HÁBITOS E CONDIÇÕES DE VIDA: Mora em casa de alvenaria, com mais 7 pessoas, tem água filtrada e luz elétrica, não possui animais no domicílio. Pais não são casados legalmente, mas moram na mesma casa. Pais não consomem bebida alcoólica, não fuma, nem fazem uso de drogas ilícitas. Não pôde ser amamentado, por ser portador de micrognatia, e com isso, ter dificuldade de sucção.

6  REVISÃO DE SISTEMAS: Não possui outras alterações dignas de nota. EXAME FÍSICO  Sinais Vitais: Temp.: 36,3° C Peso: 3750 g Comp.: 62 cm FC: 104 bpm FR: 36 irpm.

7  Geral: Paciente em BEG, acianótico, mucosas normocoradas, hidratado, reativo, pulsos de MMSS e MMII palpáveis e sem alterações, sem linfoadenopatia.  Cabeça: Abertura de fontanela anterior (± 3,5 cm), hipertelorismo, orelhas displásica em formato triangular, micrognatia.

8  Cardiovascular: RCR em 2T, BNF sem sopro.  Pulmonar: Respiração predominantemente abdominal, expansibilidade simétrica, creptos grosseiros e sibilos em hemitórax direito e esquerdo.  Abdômen: Globoso, flácido, RHA +, espaço de Traube livre, indolor, fígado palpável (3 cm abaixo do RCD), sem outras massas palpáveis.

9  Genital: Genitália ambígua com ânus anteriorizado.  Ap. Locomotor: Desvio medial de punhos direito e esquerdo, clinodactilia do 5º. quirodáctilo, 1º. pododáctilos curtos, 4º. e 5º. pododáctilos parcialmente fundidos.

10 EXAMES COMPLEMENTARES EXAMES LABORATORIAIS (10/02/2005) Ht: 31,1% Hb: 9,9 g/dL Hm: 3,43 milhões/mm³ VCM: 90,67 fL HCM: 28,86 pg CHCM: 31,83% Leucócitos: 7900 /mm³ (55/08/35/1/1) Plaquetas: 311x10³ /mm³

11 EXAMES DE IMAGEM  CT de Crânio (set/2004): Agenesia de corpo caloso; fusão dos cornos posteriores dos ventrículos laterais; holoprosencefalia.  Eco Transfontanela (set/2004): Sugestivo de agenesia de corpo caloso.  Ecografia de Abdômen (set/2004): Pieloatresia renal esquerda; hérnia ingüinal bilateral.

12  Raio-X de Tórax (10/02/2005): Hiperinsuflação pulmonar; discreto infiltrado intersticial difuso bilateral.  Ecocardiograma (15/02/2005): Sítus sólitus; concordância AV e ventrículo-arterial; função ventricular preservada. TRATAMENTO Penicilina Cristalina UI IV – 4/4h.

13 EVOLUÇÃO Paciente evoluiu de uma forma satisfatória até o 6º. dia de internação hospitalar, já estando no D6 de uso do antibiótico, apresentando resposta satisfatória em relação ao uso da medicação com a pneumonia previamente diagnosticada.

14 Genitália ambígua, criptorquidismo e ânus anteriorizado Hipertelorismo e micrognatia Orelha displásica em formato triangular

15 SÍNDROME DA DELEÇÃO 13q DELEÇÃO 13q

16 Publicado em Padrões Reconhecíveis de Malformações Congênitas, 5ª. Ed., MANOLE

17 ETIOLOGIA  Deleção parcial do braço longo do cromossomo 13. ANORMALIDADES A doença que se desenvolve depende do segmento afetado no cromossomo.

18  Crescimento: Deficiência desde o período pré- natal.  SNC: Deficiência mental. Microcefalia e holoprosencefalia.  Faciais: Hipertelorismo. Ptose palpebral, epicanto, microftalmia, coloboma. Retinoblastoma, maxilar proeminente, micrognatia. Orelhas proeminentes, inclinadas e com inserção baixa.

19  Pescoço: Curto, alado.  Membros: Polegares curtos ou ausentes, clinodactilia do 5º. quirodáctilo, fusão do 4º. e 5º. metacarpos. Pé eqüino varo, 1º. pododáctilo curto.  Cardíacas: Defeito cardíaco.  Genitália: Hipospádia, criptorquidia.

20 OUTRAS ANORMALIDADES  Displasia do nervo óptico e da retina; assimetria facial; depressões pós-auriculares; palato estreito; ânus imperfurado; genitália ambígua; anomalia renal.

21 SÍNDROME DE PATAU

22 Publicado em FETO: Anomalias Estruturais, uma Abordagem Completa, 1ª. Ed., REVINTER Publicado em Padrões Reconhecíveis de Malformações Congênitas, 5ª. Ed., MANOLE Publicado em Obgyn.Net Publicado em Ecografia Tridimensional en Obstetricia en el Nuevo Milenio, 1ª. Ed., MARCO GÁFICO

23  Trissomia do 13 (47, XY, +13)  80% dos casos são trissomias totais do 13. Cerca de 20% dos casos, resultam de uma translocação não-balanceada.  Ocorre em 1:10000 nascimentos.  O risco de ocorrência aumenta com o avanço da idade materna.

24  Malformações intensas do SNC (desenvolvimento incompleto do prosencéfalo, I e II nervos cranianos).  Atraso do crescimento e retardo mental acentuado.  A fronte é oblíqua; há hipertelorismo ocular; pode haver microftalmia, coloboma da íris ou ausência dos olhos.

25  Implantação baixa das orelhas.  Encontram-se fendas labiais e palatina.  Mãos e pés podem mostrar polidactilia.  Pés com plantas arqueadas.

26  Defeitos cardíacos congênitos (defeitos de septo atrial ou ventricular, persistência de ducto arterioso) e urogenitais (criptorquidismo ou escroto anormal; útero bicornado e ovários hipoplásticos; hidronefrose, rins policísticos, hipoplasia).  Podo ocorrer micrognatia, calcanhar proeminente, microcefalia.  90% dos nativivos morrem durante o 1º. ano de vida.

27  95% dos conceptos afetados são abortados espontaneamente.  Crianças que chegam à idade adulta sofrem de convulsões, podem ser surdos e cegos. O desenvolvimento físico e mental é gravemente limitado.

28 ASSOCIAÇÃOCHARGE

29 Publicado em Padrões Reconhecíveis de Malformações Congênitas, 5ª. Ed., MANOLE

30 CHARGE: Coloboma; cardiopatia; atresia coanal; crescimento e desenvolvimento retardados e/ou anomaliasdo SNC; anomalias genitais e/ou hipogonadismo; anomalias auditivas e/ou surdez. ETIOLOGIA  Desconhecida.  Muitas alterações podem ser devidas a uma morfogênese alterada durante o 2º. mês de gestação.

31  Os defeitos podem ser atribuídos à parada de desenvolvimento entre o 35º. e 45º. dias a partir da concepção.  Ocorrem alguns casos de recorrência familiar.  Capacidade reprodutiva é reduzida nos pacientes.

32 HISTÓRIA NATURAL  Pode levar a morte. (insuficiência respiratória, hipocalcemia intratável ou cardiopatia congênita).  Apesar da deficiência do crescimento pré-natal, o recém-nascido é AIG.  A maior parte tem deficiência mental e/ou defeito do SNC.  Características semelhantes as das síndromes das trissomias do 13 e 18.

33 ANORMALIDADES  Malformação Colobomatosa: desde coloboma de íris até a anoftalmia (coloboma retiniano é o mais comum).  Defeitos Cardíacos: Persistência do canal arterial; duplo orifício no ventrículo direito com um canal AV; defeito do septo atrial; arco aórtico à direita.  Atresia Coanal: membranosa e/ou óssea.

34  Deficiência do Crescimento: pós-natal.  Deficiência Mental: Vários graus de retardo mental.  Hipoplasia Genital: Ocorre no sexo masculino.  Anomalias do Ouvido e/ou Surdez: Má formação do pavilhão auricular; surdez.

35 OUTRAS ANORMALIDADES  Micrognatia; lábio leporino; fenda palatina; anormalidades dos nervos cranianos; paralisia facial; dificuldade de sucção; anomalias renais; fístula traqueoesofágica.

36 CONCLUSÃO Conclui-se que o paciente possui a Síndrome da Deleção 13q, pois apresenta clinicamente vários sinais que o insere nessa síndrome. O paciente não poderia ser portador da trissomia do 13 (Sínd. de Patau), pois através do cariótipo, verifica-se que ele não possui três cromossomos 13, não podendo ser, portanto, uma trissomia. Não poderia ser a Associação Charge, pois para tal, o paciente precisaria apresentar a seguinte tríade: atresia de coana, coloboma e alguma anomalia cardíaca.

37 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS JONES, Kenneth Lyons. Síndrome da deleção 13q. Padrões Reconhecíveis de Malformações Congênitas. São Paulo: MANOLE, cap. 1, p JONES, Kenneth Lyons. Associação CHARGE. Padrões Reconhecíveis de Malformações Congênitas. São Paulo: MANOLE, cap. 1, p HOFEE, Patricia A. Expressão fenotípica das anomalias cromossômicas. In: RUSHTON-MOWERY, P. A.; SURTI, U. Genética Médica Molecular. Rio de Janeiro: GUANABARA KOOGAN, cap. 9, p THOMPSON, Margaret W.; McINNES, Roderick R.; WILLARD, Huntington F. Citogenética clínica: princípios gerais e anormalidades autossômicas. Genética Médica. Rio de Janeiro: GUANABARA KOOGAN, cap. 9, p JORDE, Lynn B. et al. Citogenética clínica: a base cromossômica das doenças humanas. Genética Médica. Rio de Janeiro: GUANABARA KOOGAN, cap. 6, p. 105;


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