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ECUMENISMO E DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO CARLOS CUNHA JULHO | 2014.

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Apresentação em tema: "ECUMENISMO E DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO CARLOS CUNHA JULHO | 2014."— Transcrição da apresentação:

1 ECUMENISMO E DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO CARLOS CUNHA JULHO | 2014

2 PARTE I ECUMENISMO Perguntas fundamentais: 1.O que é ecumenismo? (essência) 2.Por que falar sobre ecumenismo? (causa) 3.Para que “serve” o ecumenismo? (finalidade) Outras perguntas...

3 PARTE I ECUMENISMO conceitos e propostas Etimologia: ο ἰ κουμένη – “oikoumene” – “todo o mundo habitado” Do grego clássico Relacionado à morada A raiz original é “oikos” – casa, lugar habitável etc. Relação com “oikodomeo” (v) – ação de construção da “oikia” (espaço comunitário)

4 PARTE I ECUMENISMO conceitos e propostas MUNDO GREGO  Povo civilizado de cultura aberta

5 PARTE I ECUMENISMO conceitos e propostas MUNDO ROMANO  Conotação política, conquista.

6 PARTE I ECUMENISMO conceitos e propostas MUNDO CRISTÃO  Tarefa missionária, mundo habitado por Deus.  Século XVIII  William Carey propôs a cooperação entre os cristãos para fazer frente à evangelização de um mundo cada vez maior a ser cristianizado.

7 PARTE I ECUMENISMO conceitos e propostas MUNDO CRISTÃO  Contexto de intolerância e intransigência entre os cristãos (escândalo).  Século XVIII  Joerg W. Leibniz - A forma cruel de defender o Evangelho acabava por negá-lo.  “Ecumênico” indica o caráter de universalidade do cristianismo.

8 SIMBOLOGIA

9 PARTE I ECUMENISMO conceitos e propostas Princípio ecumênico é maior do que o ecumenismo Conceito RELACIONAL e DINÂMICO, que envolve uma RESPONSABILIDADE COMUM, para além da comunhão entre os cristãos, e que abraça TODA a comunidade humana. Princípio bíblico-teológico da UNIDADE da criação de Deus (Gn 2,18) que envolve ACEITAÇÃO, RESPEITO, DIÁLOGO, RESPONSABILIDADE entre o humano e a criação (Dt 10,19). Superação das divisões em nome da fidelidade à UNIDADE amorosa entre o PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO (Jo 17,21).

10 PARTE I ECUMENISMO conceitos e propostas A definição nunca é uma linguagem vazia ou conceito puro. É uma construção interpretativa. Quem define “ecumenismo”? Por que define? A partir de qual lugar socioepistêmico?

11 PARTE I ECUMENISMO conceitos e propostas Ecumenismo envolve:  Reconhecimento do “outro”  Assumir uma postura dialógica  Conhecer outras tradições, sem preconceito e sem ingenuidade  Engajar-se em prol do Reino de Deus  Orar pela unidade  Buscar a verdade, a justiça e a paz juntos

12 PARTE I ECUMENISMO conceitos e propostas Ecumenismo não envolve:  Criar uma só Igreja  Perder a pertença religiosa para viver em paz com todos  Pensar que todas as Igrejas são iguais  Fazer prosélitos  Relacionar-se sem senso crítico

13 PARTE I ECUMENISMO conceitos e propostas “Ecumenismo é muito mais que unidade dos cristãos ou diálogo com judeus e muçulmanos! O ecumenismo é a pergunta por um outro mundo possível. O ecumenismo é atitude, postura política diante do mundo todo habitado. Por isso, o ecumenismo é rechaçado e indesejado nas igrejas cristãs que não aceitam abrir mão de seu lugar de poder na formulação civilizatória hegemônica”. Nancy Cardoso Pereira

14 PARTE I ECUMENISMO vias de encontro Ética e moral – seguimento de Jesus Oração – espiritualidade Evangelização – missão Teologia – Bíblia, tradição e sistematização

15 PARTE I ECUMENISMO história do movimento ecumênico  Ecumenismo está ligado historicamente à experiência protestante.  Missionários (liberalismo teológico) experimentaram o cotidiano de uma nova realidade sociopolítica, econômica e cultural.  Consciência diante do “escândalo da divisão dos cristãos”.  Esforço por proclamar a necessidade da paz e unidade entre as confissões cristãs.

16 PARTE I ECUMENISMO história do movimento ecumênico Movimentos do século XIX 1.Surgimento das Sociedades Bíblicas (Londres) – ação missionária e distribuição de Bíblias. 2.Criação da Aliança Evangélica Mundial na Europa – cooperação missionária. 3.Articulações de juventude para ações comuns – Associação Cristã de Moços etc. 4.Movimentos em prol da unidade em torno da educação cristã – União das Escolas Dominicais etc.

17 PARTE I ECUMENISMO história do movimento ecumênico Conferência Missionária Mundial de Edimburgo (1910)  Conferência paradigmática – marco da consolidação do movimento.  Com 1400 delegados da Europa e América do Norte.  Sem a presença da América Latina (cristianizado) – Congresso Missionário do Panamá (1916).  Temas: “Promoção da paz” e “Responsabilidade social”  Estímulos: missão cristã, desafios contemporâneos e unidade visível dos cristãos.  Passo importante para o diálogo inter-religioso.

18 PARTE I ECUMENISMO história do movimento ecumênico Evangelho Social  Surge nos EUA.  Resposta à crise urbana após a Guerra de Secessão.  Filho do liberalismo teológico.  Oposição ao modelo tradicional – separação entre igreja e mundo, tendências dualistas, pregação “espiritualizada” e proselitismo.  Despertar entre os cristãos uma releitura dos desafios dos Evangelhos.  Teólogo e pastor batista Walter Rauschenbusch – reflexão teológica que respondesse à situação dos pobres e explorados no grandes centros urbanos estadunidenses

19 PARTE I ECUMENISMO história do movimento ecumênico Evangelho Social Desafios: 1.A implantação do Reino de Deus na Terra 2.Sociedade redimida 3.Transformação da sociedade por meio da ação cristã 4.Releitura dos Evangelhos e do ministério de Jesus Cristo

20 PARTE I ECUMENISMO história do movimento ecumênico CMI CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS  Início – comitê, em 1937 com 7 membros  Fundação interrompida pela 2ª Guerra ( )  Fundação em 1948, em Amsterdã, com 351 representantes de 147 igrejas de 44 países  É o maior e mais representativo órgão do movimento ecumênico moderno  Sede em Genebra – 345 igrejas, representam 560 milhões de fiéis de mais de 110 países

21 PARTE I ECUMENISMO história do movimento ecumênico Identidade do CMI “O conselho Mundial de Igrejas é uma comunidade de igrejas que confessam a Jesus Cristo como Deus e Salvador, segundo o testemunho das Escrituras, e procuram responder juntas à sua vocação comum, para a glória do Deus único, Pai, Filho e Espírito Santo”.

22 PARTE I ECUMENISMO história do movimento ecumênico Objetivos do CMI 1.Criar facilidades para a ação comum das Igrejas; 2.Promover o estudo comum; 3.Desenvolver a consciência ecumênica dos fiéis; 4.Estabelecer relações com movimentos ecumênicos; 5.Convocar, quando necessário, conferências mundiais para expressar as suas próprias conclusões; 6.Sustentar as igrejas em seus esforços de evangelização.

23 PARTE I ECUMENISMO história do movimento ecumênico ASSEMBLEIAS DO CMI AnoLocalTemaIgrejas 1ª1948HolandaA desordem do Homem e o desígnio de Deus147 2ª1954EUACristo, a esperança do mundo161 3ª1961ÍndiaJesus Cristo, a luz do mundo197 4ª1968SuéciaEis que faço novas todas as coisas235 5ª1975KeniaJesus Cristo liberta e une285 6ª1983CanadáJesus Cristo, a vida no mundo301 7ª1991AustráliaVenha, Espírito Santo, renove toda a criação317 8ª1998ZimbabueVolte-se para Deus, alegrai-vos na esperança339 9ª2006BrasilDeus em sua graça, transforma o mundo348 10ª2013Coreia do SulDeus da vida, guia-nos à justiça e à paz349

24 PARTE I ECUMENISMO história do movimento ecumênico E a Igreja Católica Romana?  A Igreja Católica se manteve distante por anos.  Código de Direito Canônico, de 1917, continha um cânon (n. 1325) que proibia “os católicos de manter disputas ou encontros, especialmente públicos, com não-católicos, a não ser com permissão da sé apostólica ou, em casos urgentes, do ordinário do ‘lugar’”.  A Encíclica Mortalium Animos (1927), do Papa Pio XI, confirma a consistência teológica da lei canônica.

25 PARTE I ECUMENISMO história do movimento ecumênico E a Igreja Católica Romana?  Em 1948, o Vaticano proíbe a participação de católicos no CMI.  Mesmo com a resistência, teólogos católicos foram ecumênicos – p.ex. o dominicano francês Yves Congar.  A situação muda a partir com o Concílio Vaticano II ( ).  Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (1960).  Publicação do Decreto sobre Ecumenismo Unitatis Reintegratio (1965).  A ICAR não é membro do CMI, mas observadora.

26 PARTE I ECUMENISMO movimento ecumênico no Brasil  Tensões provocadas pelo divisionismo/denominacionalismo e anticatolicismo.  A teologia liberal foi obstruída no Brasil por grupos anti- intelectualistas e contrários a qualquer leitura crítica da Bíblia.  1950 a teologia liberal ganha espaço nos seminários teológicos – Seminário Presbiteriano de Campinas.  Movimento Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL) – bases bíblico-teológicas da responsabilidade sociopolítica dos cristãos.

27 PARTE I ECUMENISMO movimento ecumênico no Brasil  A gênese da Teologia da Libertação.  Teólogos de destaque: Richard Shaull, José Miguez Bonino, Julio de Santa Ana, Emilio Castro, Rubem Alves, Frederico Pagura etc.  Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE), fundada em 1961, com o objetivo de estabelecer o diálogo, a parceria e a cooperação entre as instituições protestantes de educação teológica.

28 PARTE I ECUMENISMO movimento ecumênico no Brasil Fundada em 1982, Porto Alegre (RS) Sede em Brasília “Associação de igrejas cristãs reunidas em busca do serviço a Deus, à confissão de fé comum e ao compromisso missionário, visando aumentar a comunhão cristã e o testemunho do Evangelho no Brasil”.

29 PARTE I ECUMENISMO movimento ecumênico no Brasil Objetivos do CONIC  Trabalhar pelo ecumenismo  Aprofundamento teológico para a construção da unidade e missão da igreja  Posicionar-se em relação à realidade brasileira  Promover a dignidade e os direitos da pessoa humana  Promover ação comum entre igrejas  Fortalecer o relacionamento com outras entidades semelhantes

30 PARTE I ECUMENISMO movimento ecumênico no Brasil Igrejas do CONIC  Igreja Católica Romana  Igreja Católica Ortodoxa Siriana  Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil  Igreja Presbiteriana Unida  Igreja Episcopal Anglicana  (Igreja Metodista): retirou-se por pressão pentecostal  (Igreja Cristã Reformada): saiu também

31 PARTE I ECUMENISMO movimento ecumênico no Brasil Outros organismos ecumênicos: Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) Associação Evangélica Brasileira (AEvB) Visão Nacional de Evangelização (VINDE) Aliança Bíblica Universitária (ABU) Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL) Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) Coordenadoria Ecumênica de Serviços (CESE) Jornadas Ecumênicas: KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, Rede Ecumênica da Juventude (REJU) E outros.

32 Qual é o grande desafio para o movimento ecumênico?

33 FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO Antiecumenismo evangélico Exclusivismo católico Antipentecostalismo evangélico e católico

34 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO Perguntas fundamentais: 1.O que é diálogo inter-religioso? (essência) 2.Por que falar sobre diálogo inter-religioso? (causa) 3.Para que “serve” o diálogo inter-religioso? (finalidade) Outras perguntas...

35 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO Etimologia Diálogo = “dia” + “logos”  “dia” expressa uma dupla ideia – alude ao que separa e divide, mas igualmente à ultrapassagem de um limite  “logos” indica um dinamismo racional do ser humano, a capacidade humana de pensamento e raciocínio

36 “O conceito do diálogo apresentou-se como apropriado para definir o encontro e a convivência de diversas comunhões religiosas na sociedade moderna... Todo teólogo cristão formado deveria poder dizer com que outra religião ele se ocupou de modo intensivo. No entanto, é preciso estar ciente de que a ciência da religião não capacita para o diálogo, porque ela apresenta as religiões de maneira cientificamente objetiva, ela própria não é religiosa e não levanta a pergunta por Deus, não capacitando, portanto, para as controvérsias na disputa das religiões. Da capacidade para o diálogo faz parte também a dignidade para o diálogo. Digno de participar do diálogo é somente quem conquistou uma posição firme na sua própria religião e vai para o diálogo com a autoconsciência correspondente. Somente a domiciliação na sua própria religião capacita para o encontro com uma outra. Quem cai no relativismo da sociedade multicultural pode até estar capacitado para o diálogo, mas não possui a dignidade para o diálogo. Os representantes das outras religiões não querem conversar com modernos relativizadores da religião, mas com cristãos, judeus, islamitas etc. convictos. O “pluralismo” como tal não é uma religião e nem se constitui numa teoria particularmente útil para o diálogo inter-religioso. Quem parte dessa divisa logo nada mais terá a dizer e ademais ninguém mais lhe dará ouvidos... O diálogo só se torna sério quando se torna necessário. Ele torna-se necessário quando surge um conflito que ameaça a vida, e cuja solução pacífica deve ser buscada conjuntamente mediante o diálogo... O diálogo deve girar em torno da pergunta pela verdade, mesmo que não seja possível chegar a um consenso em relação a ela. Pois o consenso não é o objetivo do diálogo. Se um dos parceiros for convencido pelo outro, acaba o diálogo. Quando dois dizem a mesma coisa, um deles está sobrando... O objetivo do diálogo inter-religioso não é uma religião unitária nem a metamorfose e o acolhimento das religiões na oferta pluralista de prestação de serviços de uma sociedade de consumo religioso, mas a ‘diversidade reconciliada’, a diferença suportada e produtivamente conformada”. (MOLTMANN, Jürgen. Experiências de reflexão teológica: caminhos e formas da teologia cristã. São Leopoldo: Unisinos, p.28-29).

37 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO Etimologia “Inter – religioso”  Exprime posição intermediária.  Exprime relação recíproca (há um lugar comum).  Diferenças entre o “pluri”, “inter” e “trans”.

38 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO Também conhecido como...  “Ecumenismo planetário” (M-D. Chenu)  “Macroecumenismo” (Pedro Casaldáliga)  “Ecumenismo mais ecumênico” (R. Panikkar)

39 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO CONCEITO “Conjunto das relações inter-religiosas, positivas e construtivas, com pessoas e comunidades de outras confissões religiosas, para um mútuo conhecimento e um recíproco enriquecimento”

40 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO Envolve... 1.Não é estar de acordo com o que ou quem se compreende; 2.Exercício de deixar valer o outro; 3.Intercâmbio de dons; 4.Prontidão em se deixar transformar pelo encontro.

41 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO OBJETIVOS Primeiro “Instaurar uma comunicação e um relacionamento entre fiéis de tradições religiosas diferentes, envolvendo partilha de vida, experiência e conhecimento”

42 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO OBJETIVOS Segundo “Propiciar um clima de abertura, empatia, simpatia e acolhimento, removendo preconceitos e suscitando compreensão, enriquecimento e comprometimento mútuos e partilha da experiência religiosa”

43 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO Diálogo inter-religioso é um lugar de tensão “O pluralismo religioso provoca dissonâncias cognitivas, causa ‘problemas’ na medida em que desestabiliza ‘as autoevidências das ordens de sentido e de valor que orientam as ações e sustentam a identidade”

44 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO PONTOS DE ENCONTRO DO DIÁLOGO 1.Convicção da unidade, igualdade e da dignidade de todos e todas; 2.Inviolabilidade do indivíduo e de sua consciência; 3.O amor, a compaixão, o desprendimento e a veracidade são maiores e mais nobres do que o ódio, a inimizade, o rancor e o interesse próprio; 4.Responsabilidade para com os pobres e oprimidos; 5.Esperança do vencimento do bem.

45 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO Vias do diálogo

46 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO HISTÓRIA  Fenômeno relativamente novo;  Não há sinais explícitos sobre a questão antes de 1925;  Traços de uma sensibilidade ao pluralismo religioso desde o 3º século d.C.  Tema que faz repensar tratados teológicos (Barth, Tillich, Moltmann, Rahner, Geffré, Küng etc.);  Pauta de conferências.

47 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO HISTÓRIA Marco referencial: PARLAMENTO MUNDIAL DAS RELIGIÕES  Chicago (EUA), 1893  18 dias de reunião entre várias tradições para mútuo conhecimento e sinalização do lugar da religião no desenvolvimento humano  Presença de mais de 4 mil pessoas  CMI, 1979, “Diretrizes para o diálogo com outras religiões e ideologias de nosso tempo”  ICAR – declaração conciliar Nostra Aetate – divisor de águas

48 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO A questão do PARADIGMA 1.Exclusivista (eclesiocêntrico) – Jesus Cristo e a Igreja como caminhos necessários para a salvação: “Fora da Igreja não há salvação”. 2.Inclusivista (cristocêntrico) – Apesar de admitir o valor das outras religiões, elas se mostram como mediações de salvação para os seus membros (“cristãos anônimos”). Jesus Cristo é o único caminho. Há uma superioridade includente.

49 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO A questão do PARADIGMA 3.Pluralista (teocêntrico) – As outras religiões são legítimas e autônomas no processo de salvação. Jesus é o caminho para os cristãos, enquanto para os outros o caminho é a sua própria tradição – “Realidade Última”. 4.Pluralismo inclunsivo (cristocentrismo teocêntrico) – Articula o pluralismo e o inclusivismo no “pluralismo de princípio”, isto é, a diversidade de religiões é sinal da automanifestação do divino.

50 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO A questão do PARADIGMA Paul Knitter propõe outra classificação: 1.Substituição – “somente uma religião verdadeira”; 2.Complementação – “o Uno dá completude ao vário”; 3.Mutualidade – “várias religiões verdadeiras convocadas ao diálogo”; 4.Aceitação – “várias religiões verdadeiras”.

51 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO A questão do PARADIGMA A crítica de Aloysius Pieris Qual é o lugar da construção do paradigma do diálogo inter- religioso? Nos espações do conceito (hegemonia acadêmica) ou nos espaços da vida (transformação social)?

52 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO A questão do PARADIGMA Quadro problematizado 1.Diante do “outro”, Cristo e o cristianismo permanecem na encruzilhada; 2.Diante dos processos de secularização; 3.Diante da crise doutrinal e arrumação sistemática; 4.Diante da ausência das vivências cotidianas e populares nas construções teológicas.

53 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO A questão do PARADIGMA Há dois caminhos 1.Discurso acadêmico hegemônico sobre o diálogo inter- religioso, ao ter como ponto de partida as questões doutrinárias/conceituais; 2.Nas vivências cotidianas, nas religiosidades populares, do dia a dia concreto das pessoas.

54 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO Teologia de fronteira  Paul Tillich ( ) – teólogo da fronteira;  A fronteira é cheia de possibilidades;  “A fronteira é o melhor lugar para a aquisição de conhecimento” – On the Boundary, p.13;  Método da correlação – “teologia-que-dá-respostas” – answering theology.

55 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO FINALIDADE  O Diálogo Inter-Religioso pressupõe:  A consciência da humildade  Abertura ao valor da alteridade  Fidelidade à própria tradição  Busca comum da verdade  Ecumene da compaixão

56 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO Encontros e Desencontros

57 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO A QUESTÃO CRISTOLÓGICA

58 Pergunta fundamental: “Podemos manter tudo o que confessa de Jesus Cristo a fé cristã sem com isso incorrer numa atitude de superioridade e impossibilitar o diálogo inter-religioso?”  Numa sociedade pluralista nenhuma instituição religiosa consegue ter o controle social de seus símbolos – ex. pluralidade de leituras sobre Jesus Cristo.  Jesus Cristo como constitutivo e não normativo da salvação.  Como pode um evento particular, porque histórico, ter uma pretensão universal, portanto trans-histórica?

59  Jesus Cristo como a “autocomunicação de Deus”. Sua pessoa faz surgir visivelmente no interior da história o ser mesmo de Deus, que é amor – existência concreta.  Separação da encarnação do mistério pascal - Jesus sem Cristo é vazio e Cristo sem Jesus é mito.  Jesus Cristo, embora seja Deus, não revela a totalidade divina, exatamente devido à sua condição humana limitada e contextualizada.  Afirmar ser Jesus Cristo a verdade última de Deus não significa que tenhamos já a compreensão e a expressão definitiva dessa mesma verdade.

60 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO A QUESTÃO SOTERIOLÓGICA

61 Pergunta fundamental: “Como relacionar a confissão cristã da salvação única e universal de Jesus Cristo à pretensão salvífica das outras tradições religiosas sem violentar os testemunhos neotestamentários ou reduzir soteriologias milenares a meras fantasias?”  Deus mesmo constitui a salvação do ser humano.  O Concílio Vaticano II reconhece a possibilidade de salvação para aqueles que não são membros, seja da Igreja, seja do cristianismo (LG 16).  Qual é o papel das religiões no desígnio salvífico de Deus?

62  O desígnio salvífico de Deus é levado adiante pela ação do mesmo Espírito Santo, universalmente ativo, que oferece a todos poderem dele participar, embora de um modo só conhecido por Deus (GS 22).  A ação do mesmo Espírito, enquanto acolhida pelo ser humano, é experimentada e expressa diversamente, conforme o contexto cultural e religioso onde acontece.  Cada religião capta apenas uma “perspectiva” da realidade, que a impede de captar outras perspectivas, de tal modo que cada salvação é verdadeira dentro de sua perspectiva sem que as outras a contradigam.

63 PARTE II DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO A QUESTÃO PNEUMATOLÓGICA

64 Pergunta fundamental: “Se a atividade básica do Espírito consiste numa mistagogia crística, como encontrá-la nas outras tradições religiosas?”  A universalidade do Espírito, como a do vento que sopra onde quer (Jo 3,8), foi recebida e cada vez mais valorizada na consciência de fé da Igreja.  Podemos reconhecer que toda oração autêntica é suscitada pelo Espírito Santo, o qual está misteriosamente presente no coração de cada ser humano.

65  A importância de estar atentos aos “sinais dos tempos” para poder ouvir o que nos diz o Espírito, daí o imperativo para a Igreja de dialogar com a sociedade.  Não poderiam as experiências novas do Espírito enriquecer ainda mais a percepção de sua atuação salvífica e consequentemente a compreensão de sua Pessoa?  As religiões são grandezas porosas apontando na sua múltipla diversidade para a fonte única de toda vida que é o Espírito da Verdade.

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