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INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DE SURTOS DE BOTULISMO - Passos da Investigação Notificação e Sistema de Informação - Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica.

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2 INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DE SURTOS DE BOTULISMO - Passos da Investigação Notificação e Sistema de Informação - Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar Atualizado em Novembro de 2006

3 INVESTIGAÇÃO DE SURTOS DE DTA Dificuldades: Mais de 250 agentes etiológicos (Bactérias, Vírus, Parasitas, Prion, Toxinas naturais e outros contaminantes) Síndrome diarréica: Sintomas: Diarréia (aspecto, presença de muco ou sangue, duração) Síndrome Neurológica Síndrome Ictérica Síndrome Alérgica Outras

4 Como investigar um surto/caso de Botulismo Cenário (fictício): Na manhã de segunda feira, dia 25 de fevereiro de 2002, a Vigilância Epidemiológica da cidade de Álvaro Macedo recebeu uma chamada telefônica do médico da Santa Casa local e também da Central CVE comunicando sobre a possibilidade de existência de um Surto de Botulismo na cidade. O médico informou que atendeu 2 pacientes, do sábado (23) par a o domingo (24), com um ou mais dos seguintes sintomas: náusea, diarréia, boca seca, ptose palpebral, diplopia, visão turva, disfagia, disfonia, fraqueza muscular e dispnéia. Informa também acessou, de madrugada, o site do CVE, bem como, acionou a Central do CVE CR BOT, colhendo orientações técnicas para os exames laboratoriais (coletou exames para testes específicos e complementares) e vai providenciar a ENMG dos pacientes. Solicitou soro anti botulínico para os dois casos.

5 VE (cidade, da Regional de Saúde e da Central) RECEBENDO A NOTIFICAÇÃO (uso do formulário 1 BOT) Como investigar um surto ou caso de Botulismo

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7 Passo 1: A VE se preparando para a investigação em campo (Para ir a campo a equipe de VE deve): 1) conhecer a doença (quadro clínico, vias de transmissão, diagnóstico diferencial, condutas médicas, exames laboratoriais e complementares, tratamento, etc.); 2) munir-se de equipamentos e material necessário para a investigação; 3) destacar pessoal adequado/perfil (equipe múltipla) para a investigação nos vários âmbitos; 4) estabelecer o papel e as tarefas de cada um na investigação; 5) agir com a maior rapidez/urgência. Como investigar um surto ou caso de Botulismo

8 Passo 2: estabelecendo a relação entre os casos/existência do surto : Que informações adicionais a equipe de VE deve buscar na conversa telefônica com o notificante? A) detalhar melhor o quadro clínico de cada paciente, faixa etária, história anterior; B) saber que exames já foram feitos e se já tem resultados; C) saber se há alguma relação entre os casos - história alimentar (refeição ou alimento suspeito), hábitos, ocupação dos pacientes, se freqüentaram o mesmo lugar, se há algum membro da família com sintomas semelhantes; D) verificar se há casos semelhantes em outros hospitais da cidade/há casos antecedentes na cidade? Como investigar um surto ou caso de Botulismo

9 Passo 3: Verificar o diagnóstico Esse diagnóstico é correto? Revisar os achados clínicos e laboratoriais e discuti-los com o médico assistente dos pacientes- colher dados hemograma completo, liquor, teste do tensilon, gasometria, bioquímica, Pressão Arterial, Pulso, Temperatura, evolução, etc.. Propor ou mesmo providenciar técnicas que ajudem no diagnóstico diferencial testes específicos (sangue, fezes e lavado gástrico) Quais os diagnósticos diferenciais? Síndrome de Guillain-Barré Myasthenia gravis Paralisia por carrapatos Acidente vascular cerebral Toxinas de peixes e frutos do mar Metais pesados e organofosforados Como investigar um surto ou caso de Botulismo

10 Passo 3: Verificar o diagnóstico Que informações são importantes na história anterior do paciente? Episódio recente de gripe ou similar? Doença gastrointestinal anterior recente? Tinha alguns desses sintomas neurológicos antes? Tem história familiar de hipertensão, derrames ou outras desordens neurológicas? Entrou em contato com carrapatos ou visitou área infestada? Expôs-se à pesticidas na ocupação ou em recreação? Comeu conserva. Que alimentos consumiu nas últimas 72 horas? Tem alguém em casa com sintomas parecidos? Como investigar um surto ou caso de Botulismo

11 Passo 3: (Cenário) Caso 1 - informações obtidas de prontuário e junto ao médico assistente/notificante Nome- PSC, 55 anos, sexo masculino, costureiro Início dos sintomas: , de manhã, 8 horas; náuseas, cefaléia, vômitos, diarréia e fraqueza muscular de membros inferiores e superiores, dormência nos dedos e mialgia. No dia seguinte apresentou paralisia de face, disfagia, e fraqueza da musculatura do pescoço. Começou a apresentar muito cansaço e dificuldade para respirar, no final da tarde do dia 23, quando procurou o hospital. Data de internação: , 19 horas, com a queixa acima, constatando-se febre (38° C) ao exame físico, evoluindo em poucas horas para insuficiência respiratória. Entubado e com ventilação mecânica. Como investigar um surto ou caso de Botulismo

12 Exames laboratoriais: Colhido material para testes específicos de botulismo (sangue, fezes e lavado gástrico) Leucograma de entrada: Leucócitos: ; Neutrófilos totais: (entraram com antibiótico) Eletrólitos: Sódio e Cálcio - normais; Potássio baixo (hidrataram) Líquor de entrada: normal Glicose: elevada(145,0 mg/dl) PA: 12 x 8 mmHg; Pulso: 80 bpm História alimentar: No dia participou de um churrasco (14 horas) onde comeu carne bovina mal passada, lingüiça e frango. No dia 20.02, às 19 horas, comeu um sandwiche de salchicha e picles (frio) em uma lanchonete tipo trailer. História anterior: o paciente refere que não há ninguém em sua casa com sintomas semelhantes e nada sabe sobre seus amigos que participaram do churrasco. Não conhece mais ninguém que tenha comido na referida lanchonete. Não tinha história anterior de desordem neurológica ou de hipertensão assim como nenhum membro de sua família. Há cerca de 10 dias teve gripe e de lá para cá tem tido dor de garganta. Nega contato com pesticida e carrapatos. Não refere queda acidental. Como investigar um surto ou caso de Botulismo

13 Tomografia Craniana - normal Teste do tensilon - Normal ENMG - ? Teste para Toxina Botulínica no sangue, fezes e lavado gástrico:___________________ Coprocultura para outras bactérias _________ Aplicar ou não o soro? VISA - visita à lanchonete - inspeção sanitária VE - inquérito junto aos participantes do churrasco (não há sobras desses alimentos consumidos) Como investigar um surto ou caso de Botulismo

14 Passo 3: (Cenário) Caso 2 - informações obtidas de prontuário e junto ao médico assistente/notificante Nome- ACB, 16 anos, sexo feminino, estudante Início dos sintomas: , de manhã, 9 horas; náuseas, vômitos, diarréia, boca seca, ptose palpebral, visão turva, diplopia, fraqueza muscular de membros inferiores e superiores, disfagia. À tarde do dia 24, apresentou dificuldade para respirar, quando procurou o hospital. Data de internação: , 18 horas, com a queixa acima, constatando-se temperatura normal (36° C) ao exame físico, evoluindo em poucas horas para insuficiência respiratória. Entubada e com ventilação mecânica. Como investigar um surto ou caso de Botulismo

15 Exames laboratoriais: Colhido material para testes específicos de botulismo (sangue, fezes e lavado gástrico) Leucograma de entrada: Leucócitos: 6.500; Neutrófilos totais: 3900 Eletrólitos: Sódio e Cálcio - normais; Potássio baixo (hidrataram) Líquor de entrada: normal Glicose: normal; PA: 12 x 8 mmHg; Pulso: 80 bpm História alimentar: no dia anterior (23.02), na hora do almoço - às 12 horas, ingeriu salada de verduras com uma conserva de pimentões comprada em uma barraca de produtos naturais na cidade Vizinha, fria, sem prévio aquecimento. Comeu também bife e batatas fritas, arroz e feijão feitos no almoço. Á noite, comeu bifes e batatas fritas, arroz e feijão (reaquecidos). Não comeu salada. Dois dias antes, participou de uma festa de casamento à noite, na sua cidade Alvaro Macedo, tendo comido salgadinhos, docinhos e bolo. História anterior: a paciente refere que mais duas pessoas de sua casa que ingeriram a mesma comida estão com náuseas e boca seca, sintomas iniciados também no dia Eles não participaram do casamento. Não sabe se outros convidados que participaram do casamento tiveram problemas. Não tinha história de desordem neurológica ou de hipertensão assim como nenhum membro de sua família. Sentia-se saudável anteriormente, sem queixas. Não teve contato com pesticida e carrapatos. Não sofreu queda acidental. Como investigar um surto ou caso de Botulismo

16 TC - não foi pedida Teste do tensilon - Normal ENMG - ? Teste para Toxina Botulínica no sangue, fezes e lavado gástrico: _________________________ Coprocultura para outras bactérias:__________ Aplicar ou não o soro? A VE providenciou a coleta urgente de amostras de fezes das outras duas pessoas da casa da paciente (a família era composta de 4 membros - 3 com sintomas comeram a conserva, 1 sem sintoma não comeu; os 2 familiares com náuseas e boca seca foram examinados) VE - levantamento dos participantes da festa de casamento? Levantamento de outros casos nos hospitais da cidade do caso e na cidade onde foi adquirida a conserva de pimentões Comunicação à VISA da cidade vizinha para inspeção à barraca natural de conservas. Como investigar um surto ou caso de Botulismo

17 PRIMEIRAS INFORMAÇÕES DE CAMPO OBTIDAS VE - levantamento dos participantes do churrasco e da festa de casamento - ninguém apresentou sintomas semelhantes (Inquéritos/Questionários próprios) Levantamento de outros casos nos hospitais da cidade do caso e na cidade onde foi adquirida a conserva de pimentões Hospital São Vicente (hospital privado de Álvaro Macedo) - não registrou nenhum caso com manifestações neurológicas Santa Casa da cidade Vizinha: 7 casos com manifestações neurológicas haviam dado entrada nos dias 18 a 19 de fevereiro. Suspeita - intoxicação por uso de organofosforados. O Hospital não notificou nem a VE nem a VS da cidade. A VE do CVE e da DIR da região passaram a assessorar as duas VE das cidades para uma investigação de campo mais detalhada. Como investigar um surto ou caso de Botulismo

18 Passo 4 - Definindo e identificando casos: Estabelecer uma definição de caso: 1) informação clínica sobre a doença; 2) características das pessoas afetadas; 3) informações sobre o local, e 4) especificações sobre o tempo de ocorrência do surto Caso de Botulismo - doença provocada pelo C. botulinum que no início apresenta o envolvimento de pares cranianos e progride em direção caudal até envolver membros (paralisia descendente e simétrica). Caso confirmado: clínica compatível e confirmação laboratorial (confirmação laboratorial) ou clínica compatível e história de ingestão de um mesmo alimento de um caso confirmado (critério clínico-epidemiológico). Surto de Botulismo: duas ou mais pessoas com a doença resultante de ingestão de alimento comum. Como investigar um surto ou caso de Botulismo

19 Passo 4 - Definindo e identificando casos: Características dos 4 casos na cidade Álvaro Macedo - 22 a 24 de fevereiro de 2002 Como investigar um surto ou caso de Botulismo ____________________________________________________________________________________ Caso IS Náu Vômi BSeca Ptose Dipl Disf VTurva Paralisia Dispnéia Outros Hosp. membros ____________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Fonte: entrevistas com médicos, revisão dos prontuários, entrevistas com pacientes/familiares

20 Passo 4 - Definindo e identificando casos: Características dos 7 casos na cidade Vizinha - 18 a 19 de fevereiro de 2002 Como investigar um surto ou caso de Botulismo ____________________________________________________________________________ Caso IS Ptose Diplopia Disfagia Visão Turva Boca seca Paralisia Dispnéia Hosp. membros ____________________________________________________________________________ * ____________________________________________________________________________ (*) Óbito no 2 º. dia de internação

21 Passo 4 - Definindo e identificando casos: Informações obtidas junto ao hospital indicavam que os 7 pacientes moravam em uma fazenda com diversos tipos plantação, onde se suspeitava que todos se expuseram a pesticidas. Quando a equipe visitou a fazenda, constatou que 2 dos 7 casos não trabalhavam nas lavouras (eram cozinheiras do refeitório da fazenda e não se expunham a pesticidas), inclusive, uma, o caso 1, tinha ido a óbito). O levantamento nas 72 horas anteriores ao primeiro caso (com início de sintomas em ) mostrou que o cardápio do dia anterior incluía uma salada com conservas de pimentão, adquirida na mesma barraca que a do caso 2 da cidade de Alvaro Macedo. Foi feito um levantamento entre os 25 empregados da fazenda para saber quantos fizeram uso do refeitório, o que tinham ingerido e a relação com a doença. Dos 7 casos, apenas um tinha participado de uma pulverização com organofosforado (caso 4) há 5 dias atrás (dados mais adiante). Como investigar um surto ou caso de Botulismo

22 Passo 5 - Descrevendo e analisando os dados em termos de Tempo, Lugar e Pessoa - Epidemiologia Descritiva Caracterizar o surto por tempo, lugar e pessoa: 1) Informações sobre exposições suspeitas (organofosforados e conservas nestes casos) 2) Compreender o surto pela tendência no tempo, lugar e na população --- gerar hipóteses e testar as hipóteses 3) Organizar todo o tipo de informação obtida - nome de doentes, de médicos assistentes, laboratório para exames, comerciantes/vendedores envolvidos, hospitais, hábitos de população, etc.. 4) Mapas - da cidade para orientar investigações e para distribuição dos casos 5) Informações demográficas, clínicas e fatores de risco/exposiçoes Como investigar um surto ou caso de Botulismo

23 Passo 5 - Descrevendo e analisando os dados em termos de Tempo, Lugar e Pessoa - Epidemiologia Descritiva Como desenhar a curva epidêmica dos casos? Como investigar um surto ou caso de Botulismo

24 Passo 5 - Descrevendo e analisando os dados em termos de Tempo, Lugar e Pessoa - Epidemiologia Descritiva Tempo de incubação da doença na Cidade Álvaro Macedo Caso 1 (costureiro) - IS dia horas horas - churrasco - ninguém doente - menos provável para botulismo (sem sobras de alimentos, nenhuma conserva foi servida; somente saladas cruas) horas - sanduíche frio salchicha/picles - mais provável. Tempo de incubação provável (?) - 37 horas História anterior de dor de garganta/gripe - há 10 dias (?) - outro produto ingerido? Outra doença? (nenhuma relação com o Caso 2.

25 Passo 5 - Descrevendo e analisando os dados em termos de Tempo, Lugar e Pessoa - Epidemiologia Descritiva Tempo de incubação da doença na Cidade Álvaro Macedo Caso 2 (estudante) - IS dia horas h - festa de casamento - ninguém doente - menos provável pela história epidemiológica (os parentes do caso 2 têm sintomas e não foram ao casamento) horas - bife, batatas fritas, arroz e salada com conservas de pimentões comprada na barraca da cidade vizinha - sem sobras do vidro consumido. Um vidro não aberto da mesma conserva foi encaminhado para análise laboratorial. Tempo de incubação - 21 horas. Caso 3 - irmã da estudante IS dia horas - náusea e boca seca. Tempo de incubação - 22 horas. Caso 4 - mãe da estudante - IS 10 horas - 22 horas Mediana:

26 Passo 5 - Descrevendo e analisando os dados em termos de Tempo, Lugar e Pessoa - Epidemiologia Descritiva Tempo de incubação da doença na Cidade Vizinha: Cardápio - dia :00 horas Caso 1 (cozinheira) - 6h dia horas (óbito no 2o. dia) (comeu a salada com conservas - não exposta a organofosforados) Caso h dia horas (comeu a salada com conserva - não exposto a organofosforado) Caso 3 (cozinheira) - 8h dia horas (comeu a salada com conserva - não exposta a organofosforado) Caso h dia horas (exposto a organofosforado - comeu a salada com conserva) Caso h dia horas (comeu salada com conserva e não exposto a organofosforado) Caso h dia horas (comeu a salada com conserva organofosforado e não exposto a organofosforado) Caso h dia horas (comeu a salada com conserva e não exposto a organofosforado) Foram indagados sobre a utilização de recipientes de organofosforados para armazenamento de água/alimentos- nada encontrado.

27 Mediana dos 7 casos da fazenda: Mediana considerando todos os casos suspeitos (excluído o sem relação alimentar comum) Passo 5 - Descrevendo e analisando os dados em termos de Tempo, Lugar e Pessoa - Epidemiologia Descritiva

28 Distribuição dos casos segundo dados clínicos e laboratoriais Cidade Vizinha ______________________________________________________________________________ Casos Data IS Diagn. Sinais e Sintomas Hosp Lab EMG Outrs # Not. N V BS Pt Dip Df VT Plm Dsp Out ? * ? Fezes** ? Fezes** ? Sang/Fezes** sim sim ? Sang/Fezes** sim sim ? Fezes** ? Sang/Fezes** sim sim # Casos cidade Álvaro Macedo Casos Data IS Diagn. Sinais e Sintomas Hosp Lab EMG Outrs # Not. N V BS Pt Dip Df VT Plm Dsp Out 1 24/ ? Sang/Fezes***sim sim 2 24/ ? Sang/Fezes***sim sim 3 24/ ? Fezes*** / ? Fezes*** - -

29 Tempo: curso da epidemia - surto - 18 a 24 de fevereiro Lugar: extensão geográfica do problema - duas cidades envolvidas - o problema pode ser maior uma vez que o alimento suspeito (o mais provável) é vendido em toda a redondeza. Pessoas: exposição aos fatores de risco (alimento, organofosforado, etc.. Passo 5 - Descrevendo e analisando os dados em termos de Tempo, Lugar e Pessoa - Epidemiologia Descritiva

30 A partir dos primeiros dados já começamos a desenvolver hipóteses para explicar o surto - o por que e como ocorreu, assim como, a partir dos primeiros dados medidas vão sendo tomadas em relação aos pacientes e em relação a prevenção de novos casos. As hipóteses devem ser testadas em várias direções: Conhecimento sobre a doença/agente/formas de transmissão, fatores de risco - compatibilidade Conjunto de informações que mostram a viabilidade das hipóteses Na revisão de diagnósticos - outras possíveis exposições Curva epidêmica - período de exposição Mediana - período de incubação (compatível ou não com a doença) Quais as hipóteses? Organofosforados e/ou conserva de pimentões? Churrasco/Casamento? Passo 6 - Desenvolvendo hipóteses Como investigar um surto ou caso de Botulismo

31 Passo 7: Avaliando as hipóteses - Epidemiologia Analítica Avaliar a credibilidade das hipóteses - comparando dados/fatos - Métodos: Estudo Retrospectivo de Coorte: utilizado comumente para eventos ocorridos em espaços delimitado, populações bem definidas. Cada participante é perguntado se foi exposto ou não e se ficou doente ou não. Calcula-se a Taxa de ataque (incidência da doença) e o Risco Relativo (RR) (Doença entre expostos e não expostos). Estudo de Caso-Controle: utilizado para populações não definidas, espalhadas. Selecionam-se os casos (pacientes) e buscam-se controles (sadios) e perguntando-se sobre as várias exposições. Calcula-se matematicamente o risco de cada exposição - Odds Ratio (OR) - medida entre a exposição e a doença Como investigar um surto ou caso de Botulismo

32 Passo 7: Avaliando as hipóteses - Epidemiologia Analítica Fazenda: 1)Organofosforados a) O quadro clínico e os resultados laboratoriais são compatíveis com o causado por organofosforados? 23 funcionários trabalhavam lavoura, porém, somente 10 participaram de pulverização - 1 doente 2 funcionários que não trabalhavam na lavoura - 2 doentes

33 Passo 7: Avaliando as hipóteses - Epidemiologia Analítica Tabela 2x2 Intoxicação por organofosforado/Lavoura DoenteNão doentesTotal _____________________________________________ Pulverização1910 Não pulverização _____________________________________________ Total Tx Ataque Pulverização: 1/10 = 10% Tx Ataque N-Pulv. 5/13 = 38,5% RR = 0,26 2 não lavoura = 2 doentes Tx ataque = 100%

34 Passo 7: Avaliando as hipóteses - Epidemiologia Analítica Quadro clínico compatível com botulismo Hipótese – Botulismo, conserva de pimentões servida no refeitório no dia 17/02 Fizeram uso do Refeitório - almoçaram no dia 17.02: Alimentos DoentesNão doentesTotal __________________________________________________________ Almoçaram Refeitório7916 Não almoçaram __________________________________________________________ Total Tx Ataque Refeitório: 7/16 = 43,8% Tx Ataque N-refeitório 0/25 = 0% RR = Um risco de pelo menos 44 vezes para quem comeu no refeitório em relação a quem não comeu.

35 No. pessoas que comeram os itens específicos Doentes SadiosTotal TxAtaque (%) ____________________________________________________________ Salada com conserva de pimentões71887,5 Carne cozida791643,8 Batatas791643,8 Arroz791643,8 Feijão481233,3 Salada de Cenoura ralada381127,3 ___________________________________________________________ Passo 7: Avaliando as hipóteses - Epidemiologia Analítica

36 No. pessoas que comeram salada com conserva pimentões Doentes SadiosTotal TxAtaque (%) ____________________________________________________________ Salada com conserva de pimentões71887,5 Não comeram0880,0% ___________________________________________________________ 7916 Tx ataque e RR = 87,5 Quem comeu - um risco de 87,5% - Testes estatísticos Passo 7: Avaliando as hipóteses - Epidemiologia Analítica

37 Casa - Cidade Álvaro Macedo No. pessoas que comeram salada com conserva pimentões Doentes SadiosTotal TxAtaque (%) ____________________________________________________________ Salada com conserva de pimentões303100,0 Não comeram0110,0% ___________________________________________________________ 314 Tx ataque e RR = 100,0 Quem comeu - um risco de 100,0% - Testes estatísticos Passo 7: Avaliando as hipóteses - Epidemiologia Analítica

38 Passo 8 - Refinando as hipóteses: Como investigar um surto ou caso de Botulismo Em caso de os estudos não confirmarem a hipótese, reconsiderar e estabelecer novos estudos, buscar novos dados incluindo estudos de laboratório e ambientais.

39 Passo 9 - Implementando o controle e medidas de prevenção: Em relação ao Caso 1 (costureiro) - churrasco - ninguém doente - menos provável para botulismo (sem sobras de alimentos, nenhuma conserva foi servida; somente saladas cruas) - foi feita inspeção sanitária em supermercados onde os produtos carnes, lingüiças e frangos foram adquiridos, aparentemente tudo em ordem na data da inspeção (dia 26/02) - produtos com os devidos registros - coletadas as amostras para análise) - sanduíche frio salchicha/picles - mais provável. Foi feita inspeção sanitária no dia nada encontrada de irregular - alimentos bem conservados, devidamente refrigerados, produtos de procedência idônea, devidamente registrados nos órgãos oficiais - coletada amostras de sanduíches controles preparados em datas de 19/20/21/22 a 25.02) Casos 2 (estudante), 3 e 4 - festa de casamento - ninguém doente. Inspeção no Buffet - nada encontrado de irregular - menos provável pela história epidemiológica (os parentes do caso 2 têm sintomas e não foram ao casamento). - Salada com conservas de pimentões comprada na barraca da cidade vizinha - sem sobras do vidro consumido. Um vidro não aberto da mesma conserva foi encaminhado para análise laboratorial. ESSAS MEDIDAS DEVEM SER FEITAS DESDE O COMEÇO DO SURTO: FONTES SUSPEITAS----ERROS-----CORREÇÃO Interromper a cadeia de infecção.

40 A inspeção sanitária no dia à barraca natural revelou que as conservas eram feitas no domicílio do dono, ali no mesmo endereço. Tratava-se de um sítio, com barraca na beira de estrada, com plantação própria de pimentões e criação de animais. Os pimentões eram despejados em chão de terra batida, lavados e picados em um balcão de madeira e depois cozidos/fervidos em grandes tachos, em fogão à lenha, com sal. Depois de cozidos eram distribuídos em vidros de diversos tamanhos (300 e 500 ml, 1, 2 e 3 l) e então eram acrescentados óleo, vinagre, alho batido e refogado e orégano, sem medidas. Após eram submetidos ao banho-maria, tampados, como mecanismo de produção à vácuo, e depois rotulados, com data de fabricação e data de validade. Não tinham registro na Vigilância Sanitária. Como medida cautelar a barraca foi interditada, bem como os produtos. Um ofício relatando o episódio foi encaminhado à Justiça da cidade/região, para se evitar transtornos futuros. A cidade com turismo considerável, devido ao seu clima moderado e muitas cachoeiras, vivia de conservas caseiras nas beiras de estradas e no centro histórico. Sem controle sanitário. Foram colhidas amostras - vários vidros produzidos em distintas datas para análise laboratorial. A data de produção das conservas eram as mesmas no episódio dos 7 casos e 3 casos. Passo 9 - Medidas de Prevenção e Controle

41 O trabalho não acabou: a) Rastrear outros possíveis casos nas redondezas em função do consumo de conservas b) Verificar registros de turistas nos hotéis no período de aquisição das conservas suspeitas - contatar as VE e VISAS dos locais de residência para c) Rastrear conservas - d) Regularizar os estabelecimentos - inspeções sanitárias, educação do produtor (medidas BPF, HACCP) e) Educação da população f) Alertas Passo 9 - Medidas de Prevenção e Controle

42 Distribuição dos casos segundo dados clínicos e laboratoriais Cidade Vizinha ______________________________________________________________________________ Casos Data IS Hosp Lab ENMG Outrs Diagnóstico # Not Óbito Botulismo C. botulinum nas fezes - - Botulismo Fezes Negativo - - Botulismo Soro e fezes negativo + - Botulismo (apl. Soro) C. botulinum nas Fezes + - Botulismo (apl. Soro) Toxina A nas.Fezes - - Botulismo Toxina A sangue e Fezes+ - Botulismo # Casos cidade Álvaro Macedo Casos Data IS Hosp Lab EMG Outrs Diagnóstico # Not. 1 24/ Negativo Sangue Negativa Líquor= Células SGB Campylo Fezes Campylobacter 2 24/ T oxina tipo A + Neg Botulismo (apl. Soro) Sang/Fezes 3 24/ Toxina tipo A Fezes - - Botulismo 4 24/ Toxina tipo A Fezes - - Botulismo Amostras colhidas na Barraca e na Casa - toxina tipo A Passo 10 - Encerrando e Concluindo a Investigação: Divulgando os achados e medidas

43 Passo 10 - Encerrando e Concluindo a Investigação: Divulgando os achados e medidas e enviando os dados: Preenchendo a FE BOT SINAN e o Form. 05/CVE para surtos Encerrando o surto e casos, atualizando o SINAN.

44 Comunicar as conclusões e achados a todos os que precisam saber: 1) fazer um resumo e divulgar - descrever o surto, como ocorreu, clínica, laboratório, condutas, %, OR ou RR, o que foi feito para controlar e impedir novos casos; 2) Discutir os achados com os médicos envolvidos no atendimento a pacientes, das cidades, regiões visando a melhoria do diagnóstico e do atendimento; reduzir a sub-notificação; 3) Discutir com todas as autoridades locais e regionais visando o aprimoramento do sistema de vigilância (epidemiológica e sanitária); 4) A divulgação ajuda melhorar o conhecimento de todos e a gerar boas medidas de controle 5) Discutir os achados com os pacientes, comerciantes, população - medidas educativas e alertas 6) Enviar os dados para todos os níveis de VE e VISA Passo 10 - Encerrando e Concluindo a Investigação: Divulgando os achados

45 Nosso endereço na Internet Nossos telefones 0XX (Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar) (Central CVE/CR BOT) Nosso e. mail BOTULISMO Aula organizada por Maria Bernadete de Paula Eduardo – DDDTHA/CVE


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