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1 «Filhos diferentes de deuses diferentes»: manejos das religiões em estratégias de inserção social diferenciada CEMME – Projecto FCT – ACIME IME / ANT.

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1 1 «Filhos diferentes de deuses diferentes»: manejos das religiões em estratégias de inserção social diferenciada CEMME – Projecto FCT – ACIME IME / ANT / / 2003

2 2 1. Do pensamento à acção: o projecto e os seus contornos 1.1. Objectivos e orientações metodológicas 1.2. Construindo a série comparativa e as lentes da comparação

3 3 2. Primeiros resultados: a descoberta de quatro factores estruturantes da variabilidade das estratégias inter-étnicas 2.1. Fundamentalismo religioso 2.2. Acusação de racismo 2.3. Comunitarismo religioso 2.4. Abertura social e inter-étnica 2.5. Quadro final da análise factorial

4 Fundamentalismo religioso Nº.FRASESPESO 57«As mulheres têm que ser controladas pelos pais e maridos, para defender a honra dos homens, das famílias e da comunidade» «Posso namorar com um/a português/a, mas para casar tem que ser alguém da minha religião/raça/comunidade» «Se alguém ofender a minha religião, devo vingar essa ofensa» «Defendo sempre o meu bairro, mesmo contra alguém da minha raça / religião» «As raparigas devem casar cedo e por isso não devem estudar muito» «Os homens têm sempre a última palavra, às mulheres só resta obedecer» «Em certos casos Deus exige que sejamos violentos» «Na minha raça / comunidade há muito racismo até contra pessoas da própria comunidade».431

5 5 Esquema estrutural dinâmico interpretativo do factor 1 FUNDAMENTALISMO Organização da coesão reprodutiva grupal Fragmentação competitiva Compromisso controlo masculino da sacralização da fragmentação competição identitária Endogâmico fecundidade feminina identidade grupal territorial intragrupal racista

6 Acusação de racismo Nº.FRASESPESO 122«Porque temos outra cor de pele, eles nunca nos respeitarão» «Em Portugal, os «brancos» não gostam de nos ver nos prédios e bairros onde moram» «Em Portugal, os «brancos» não gostam que os nossos filhos vão para as escolas deles» «Só não fomos mais longe porque os «brancos» guardam para eles as melhores oportunidades» «Só não fomos mais longe porque há muitas pessoas que são racistas» «Os portugueses são arrogantes» «Aprendemos em Portugal a não gostar de política».611

7 7 Esquema estrutural dinâmico interpretativo do factor 2 RACISMO Ecologia identitária das relações inter-étnicas Elaboração do «destino» «arrogância» do outro naturalização da agressão identitária rejeição discriminatória bloqueio da luta emancipatória utilização do racismo como «explicação» do fracasso relativo olhar negativo do outro [ambivalência relacional elevada] [defesa contra o olhar negativo do próprio]

8 Comunitarismo religioso Nº.FRASESPESO 105«Quando alguém elogia os da minha raça / religião, sinto-me contente» «A nossa comunidade devia tentar eleger deputados e vereadores que lutassem pelos nossos interesses» «A religião tem um papel fundamental na minha vida» «Só não fomos mais longe para não suscitar a inveja de familiares e de outras pessoas da comunidade».532

9 9 Esquema estrutural dinâmico interpretativo do factor 3 COMUNITARISMO RELIGIOSO Olhar positivo transcendental [ Experiência ideal da construção relacional e negociada do «eu»] Olhar positivo do «Outro» social Ideal de construção relacional e negociada do espaço próprio do «nós» Nucleação religiosa de auto-estima pessoal Olhar negativo não- negociado dos próximos [«Inveja»]

10 Abertura social e inter-étnica Nº.FRASESPESO 22«Para ser religioso não é preciso ir ao templo» «As mulheres são mais religiosas do que os homens» «Hoje em dia, o divórcio já não é um grande problema; quando os casais se dão mal, é melhor para todos que se separem» «Somos uma comunidade sem chefes» «A maior parte dos meus amigos são portugueses».546

11 11 Esquema estrutural dinâmico interpretativo do factor 4 ABERTURA SOCIAL E INTER-ÉTNICA viragem individualizante e des-hierarquizante abertura à inter-etnicidade Olhar positivo transcendental [ Experiência ideal da construção relacional e negociada do «eu»] Individuação da experiência religiosa de construção do «eu» superioridade feminina na utilização do recurso «espiritual» predomínio da individuação sobre o vínculo conjugal em caso de conflito recusa da hierarquização entre homens abertura inter-étnica maximizada sem perda identitária

12 Quadro final da análise factorial

13 13 4. Conclusões 4.1. «Na minha raça há muito racismo até contra pessoas da mesma raça» : para uma reavaliação identitária do conceito de racismo 4.2. «Detesto que me (nos) confundam» : reclamando a construção de gradientes identitários favoráveis à posição do sujeito 4.3. «Posso dizer de cabeça levantada: a minha igreja é a que tem a verdade e os meus filhos são mais bem educados do que os outros jovens» : para uma reavaliação identitária da construção da «exemplaridade» 4.4. «Para os meus filhos sou mais do que uma deusa» : para uma reavaliação identitária do conceito de cultura

14 14 Orientadores do projecto: Susana Pereira Bastos José Gabriel Pereira Bastos Colaboradores: Ana Costa Ana Evangelista Brinca André Clareza Correia António Carlos Horta Donizete Rodrigues Elsa Rodrigues Fátima Mourão Filomena Batoréu Irene Banze Luís Soczka Lurdes Nicolau Nuno Carvalho Paola Guardini Suzano Costa

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