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ÉTICA PROFISSIONAL Narciso, de Caravaggio, 1598-99. O mito Grego de Narciso, personagem que morreu enamorado pela própria imagem refletida na água, representa.

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Apresentação em tema: "ÉTICA PROFISSIONAL Narciso, de Caravaggio, 1598-99. O mito Grego de Narciso, personagem que morreu enamorado pela própria imagem refletida na água, representa."— Transcrição da apresentação:

1 ÉTICA PROFISSIONAL Narciso, de Caravaggio, O mito Grego de Narciso, personagem que morreu enamorado pela própria imagem refletida na água, representa aqueles que não conseguem sair de si mesmos e descobrir a alteridade: ser moral é reconhecer o outro como outro. Narciso, de Caravaggio, O mito Grego de Narciso, personagem que morreu enamorado pela própria imagem refletida na água, representa aqueles que não conseguem sair de si mesmos e descobrir a alteridade: ser moral é reconhecer o outro como outro.

2 1. O homem é um ser consciente Isso é imoral, movimento pela ética na política, ética profissional dos médicos – essas expressões demonstram que a moral e a ética estão presentes em nosso dia-a-dia, seja na vida particular, na família, na educação, no trabalho ou na política. Isso é imoral, movimento pela ética na política, ética profissional dos médicos – essas expressões demonstram que a moral e a ética estão presentes em nosso dia-a-dia, seja na vida particular, na família, na educação, no trabalho ou na política. O fenômeno moral é tão antigo quanto a história da humanidade ex. as máximas de Ptahotep (2.500 a.C). Essa obra reúne aforismas de Ptahotep, ministro de um faraó, compôs para orientar a educação do filho, aconselhando a ser leal, O fenômeno moral é tão antigo quanto a história da humanidade ex. as máximas de Ptahotep (2.500 a.C). Essa obra reúne aforismas de Ptahotep, ministro de um faraó, compôs para orientar a educação do filho, aconselhando a ser leal,

3 tolerante, bondoso, reto e justo. Imagem Eu e a Aldeia (Marc Chagal) Imagem Eu e a Aldeia (Marc Chagal) Sobre a consciência> é uso freqüente, você perdeu a consciência, você agiu de acordo com a consciência. Sobre a consciência> é de uso freqüente, você perdeu a consciência, você agiu de acordo com a consciência. Perder a consciência é perder o sentido da existência de nós mesmos e do mundo. Perder a consciência é perder o sentido da existência de nós mesmos e do mundo. Trata-se da consciência psicológica, que é conhecimento de nós mesmos, quem somos, o que fazemos e o mundo que nos cerca. Trata-se da consciência psicológica, que é conhecimento de nós mesmos, quem somos, o que fazemos e o mundo que nos cerca. Na segunda situação, agir de acordo com a consciência, trata-se da consciência moral, Na segunda situação, agir de acordo com a consciência, trata-se da consciência moral,

4 pensamento interior que nos orienta, de maneira pessoal, sobre o que devemos fazer em uma determinada situação. Antes de uma determinada ação, a consciência moral emite um determinado juízo que aconselha ou proíbe. Antes de uma determinada ação, a consciência moral emite um determinado juízo que aconselha ou proíbe. Após a realização da ação, a consciência moral se manifesta como um sentimento de satisfação (força recompensadora), ou arrependimento, remorso (força condenatória). Após a realização da ação, a consciência moral se manifesta como um sentimento de satisfação (força recompensadora), ou arrependimento, remorso (força condenatória).

5 A consciência psicológica e a moral estão relacionadas. A consciência psicológica e a moral estão relacionadas. Na realidade, se o problema moral é colocado, é porque ele possui consciência psicológica. Na realidade, se o problema moral é colocado, é porque ele possui consciência psicológica. O animal não possui consciência psicológica, as suas respostas estão prontas nos seus reflexos e instintos. O animal não possui consciência psicológica, as suas respostas estão prontas nos seus reflexos e instintos. Já o homem, para decidir, escolher, enfim, exercer a liberdade, o homem precisa estar consciente. Já o homem, para decidir, escolher, enfim, exercer a liberdade, o homem precisa estar consciente. Enquanto a consciência psicológica possibilita ao homem escolher, a consciência moral, com seus valores e normas, orienta a escolha. Enquanto a consciência psicológica possibilita ao homem escolher, a consciência moral, com seus valores e normas, orienta a escolha.

6 Três componentes fundamentais da vida moral> CONSCIÊNCIA – LIBERDADE – RESPONSABILIDADE. Três componentes fundamentais da vida moral> CONSCIÊNCIA – LIBERDADE – RESPONSABILIDADE. Assim temos que qualquer coação interna ou externa anula a liberdade de uma pessoa, e a exime da responsabilidade moral. Assim temos que qualquer coação interna ou externa anula a liberdade de uma pessoa, e a exime da responsabilidade moral. Etapas da formação da consciência> (aprofundar) Piaget, a formação segue quatro etapas: Anomia, heterônoma, socionomia e autonomia. Etapas da formação da consciência> (aprofundar) Piaget, a formação segue quatro etapas: Anomia, heterônoma, socionomia e autonomia.

7 ANOMIA > A : negação. NOMIA: regra, lei. Atitudes: Bagunça, devassidão, libertinagem, dissolução. ANOMIA > A : negação. NOMIA: regra, lei. Atitudes: Bagunça, devassidão, libertinagem, dissolução. HETERONOMIA > A lei, a regra vem do exterior, do outro. Atitudes: Medo, autoritarismo, imposição, castigo, prêmio, respeito unilateral, autocracia, tirania. HETERONOMIA > A lei, a regra vem do exterior, do outro. Atitudes: Medo, autoritarismo, imposição, castigo, prêmio, respeito unilateral, autocracia, tirania. AUTONOMIA > Capacidade de governar a si mesmo. Atitudes: Cooperação, amor, respeito mútuo, afetividade, livre-arbítrio, democracia, reciprocidade, lei Causa e Efeito. AUTONOMIA > Capacidade de governar a si mesmo. Atitudes: Cooperação, amor, respeito mútuo, afetividade, livre-arbítrio, democracia, reciprocidade, lei Causa e Efeito. SOCIONOMIA o seguimento das regras da sociedade. SOCIONOMIA o seguimento das regras da sociedade. No aspecto moral, segundo Piaget, a criança passa por uma fase pré-moral, caracterizada pela anomia, coincidindo com o "egocentrismo" infantil e que vai até aproximadamente 4 ou 5 anos. Gradualmente, a criança vai entrando na fase da moral heterônoma e caminha gradualmente para a fase autônoma. No aspecto moral, segundo Piaget, a criança passa por uma fase pré-moral, caracterizada pela anomia, coincidindo com o "egocentrismo" infantil e que vai até aproximadamente 4 ou 5 anos. Gradualmente, a criança vai entrando na fase da moral heterônoma e caminha gradualmente para a fase autônoma.

8 Na fase de anomia, natural na criança pequena, ainda no egocentrismo, não existem regras e normas. O bebê, por exemplo, quando está com fome, chora e quer ser alimentado na hora. As necessidades básicas determinam as normas de conduta. No indivíduo adulto, caracteriza-se por aquele que não respeita as leis, pessoas, normas. Na fase de anomia, natural na criança pequena, ainda no egocentrismo, não existem regras e normas. O bebê, por exemplo, quando está com fome, chora e quer ser alimentado na hora. As necessidades básicas determinam as normas de conduta. No indivíduo adulto, caracteriza-se por aquele que não respeita as leis, pessoas, normas. Na medida em que a criança cresce, ela vai percebendo que o "mundo" tem suas regras. Ela descobre isso também nas brincadeiras com as criança maiores, que são úteis para ajudá-la a entrar na fase de heteronomia. Na medida em que a criança cresce, ela vai percebendo que o "mundo" tem suas regras. Ela descobre isso também nas brincadeiras com as criança maiores, que são úteis para ajudá-la a entrar na fase de heteronomia.

9 Na moralidade heretônoma, os deveres são vistos como externos, impostos coercitivamente e não como obrigações elaboradas pela consciência. O Bem é visto como o cumprimento da ordem, o certo é a observância da regra que não pode ser transgredida nem relativizada por interpretações flexíveis. De certa forma, a intolerância da Igreja, por qualquer interpretação diferente da sua, referente ao Evangelho, manteve a humanidade na heteronomia moral. O bem e o certo estavam na Igreja, no Estado e não na consciência interior do indivíduo. Na moralidade heretônoma, os deveres são vistos como externos, impostos coercitivamente e não como obrigações elaboradas pela consciência. O Bem é visto como o cumprimento da ordem, o certo é a observância da regra que não pode ser transgredida nem relativizada por interpretações flexíveis. De certa forma, a intolerância da Igreja, por qualquer interpretação diferente da sua, referente ao Evangelho, manteve a humanidade na heteronomia moral. O bem e o certo estavam na Igreja, no Estado e não na consciência interior do indivíduo.

10 O indivíduo obedece as normas por medo da punição. Na ausência da autoridade ocorre a desordem, a indisciplina. O indivíduo obedece as normas por medo da punição. Na ausência da autoridade ocorre a desordem, a indisciplina. Na moralidade autônoma, o indivíduo adquire a consciência moral. Os deveres são cumpridos com consciência de sua necessidade e significação. Possui princípios éticos e morais. Na ausência da autoridade continua o mesmo. É responsável, auto-disciplinado e justo. A responsabilidade pelos atos é proporcional à intenção e não apenas pelas conseqüências do ato. Na moralidade autônoma, o indivíduo adquire a consciência moral. Os deveres são cumpridos com consciência de sua necessidade e significação. Possui princípios éticos e morais. Na ausência da autoridade continua o mesmo. É responsável, auto-disciplinado e justo. A responsabilidade pelos atos é proporcional à intenção e não apenas pelas conseqüências do ato.

11 2. O Conceito de Ética Ética é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Ética é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. É uma ciência que tem objeto próprio, leis próprias e método próprio. É uma ciência que tem objeto próprio, leis próprias e método próprio. A moral é um dos aspectos do comportamento humano. A moral é um dos aspectos do comportamento humano. O objeto da ética é a moral, mais especificamente a moralidade positiva, ou seja, o conjunto de regras de comportamento e formas de vida através das quais tende o homem a realizar o valor do bem. O objeto da ética é a moral, mais especificamente a moralidade positiva, ou seja, o conjunto de regras de comportamento e formas de vida através das quais tende o homem a realizar o valor do bem.

12 O conceito de ética já leva à conclusão de que ela não se confunde com a moral. O conceito de ética já leva à conclusão de que ela não se confunde com a moral. A ética é a ciência dos costumes, já a moral, não é ciência, mas objeto da ciência. A ética é a ciência dos costumes, já a moral, não é ciência, mas objeto da ciência. Como ciência, a ética procura extrair dos fatos morais os princípios gerais a eles aplicáveis. Como ciência, a ética procura extrair dos fatos morais os princípios gerais a eles aplicáveis. Enquanto conhecimento científico, a ética deve aspirar à racionalidade e objetividade mais completas e, ao mesmo tempo, deve proporcionar conhecimentos sistemáticos, metódicos. Enquanto conhecimento científico, a ética deve aspirar à racionalidade e objetividade mais completas e, ao mesmo tempo, deve proporcionar conhecimentos sistemáticos, metódicos.

13 A ética é uma disciplina normativa, não por criar normas, mas por descobri-las e elucidá-las. A ética é uma disciplina normativa, não por criar normas, mas por descobri-las e elucidá-las. O objetivo, é mostrar às pessoas os valores e princípios que devem nortear sua existência. O objetivo, é mostrar às pessoas os valores e princípios que devem nortear sua existência. O complexo de normas éticas se alicerça em valores. Há uma conexão entre dever e valor. Pois para responder a pergunta o que devo fazer, devo saber responder sobre o que é valioso. O complexo de normas éticas se alicerça em valores. Há uma conexão entre dever e valor. Pois para responder a pergunta o que devo fazer, devo saber responder sobre o que é valioso.

14 Toda norma pressupõe um valor. A norma é regra de conduta que postula dever. Toda norma pressupõe um valor. A norma é regra de conduta que postula dever. Todo juízo normativo é regra de conduta, mas nem toda regra de conduta é uma norma. Todo juízo normativo é regra de conduta, mas nem toda regra de conduta é uma norma. Algumas regras de conduta tem caráter obrigatório, enquanto outras são facultativas. Algumas regras de conduta tem caráter obrigatório, enquanto outras são facultativas. A noção de norma pode precisar-se com clareza se comparada com a de lei natural ou físicas. A noção de norma pode precisar-se com clareza se comparada com a de lei natural ou físicas. As leis físicas são juízos enunciativos que assinalam ralações constantes entre os fenômenos. As leis físicas são juízos enunciativos que assinalam ralações constantes entre os fenômenos. As leis físicas têm um fim explicativo, as normas um fim prático. As leis físicas têm um fim explicativo, as normas um fim prático.

15 As normas não pretendem explicar nada, mas provocar um comportamento. As normas não pretendem explicar nada, mas provocar um comportamento. As leis físicas referem-se à ordem da realidade e tratam de torná-la compreensível. As leis físicas referem-se à ordem da realidade e tratam de torná-la compreensível. O investigador da natureza não faz juízos de valor. Simplesmente se pergunta a que leis obedecem os fenômenos. O investigador da natureza não faz juízos de valor. Simplesmente se pergunta a que leis obedecem os fenômenos. Ao formulador de normas do comportamento não importa o proceder real da pessoa, senão a explicitação dos princípios a que sua atividade deve estar sujeita. Ao formulador de normas do comportamento não importa o proceder real da pessoa, senão a explicitação dos princípios a que sua atividade deve estar sujeita. A norma exprime um dever e se dirige a seres capazes de cumpri-las ou não. Se o indivíduo não pudesse deixar de fazer o que ela prescreve, não seria norma genuína, mas lei natural. A norma exprime um dever e se dirige a seres capazes de cumpri-las ou não. Se o indivíduo não pudesse deixar de fazer o que ela prescreve, não seria norma genuína, mas lei natural.

16 Outra diferença é que a lei natural ou física, pode ser provada pelos fatos, e a norma vale independentemente de sua violação ou observância. Outra diferença é que a lei natural ou física, pode ser provada pelos fatos, e a norma vale independentemente de sua violação ou observância. A ordem normativa é insustentável de comprovação empírica. A ordem normativa é insustentável de comprovação empírica. As normas não valem enquanto são eficazes, senão na medida em que expressam um dever ser. Aquilo que deve ser pode não haver sido, não ser atualmente e nem chegar a ser nunca, mas perdurará como algo obrigatório. As normas não valem enquanto são eficazes, senão na medida em que expressam um dever ser. Aquilo que deve ser pode não haver sido, não ser atualmente e nem chegar a ser nunca, mas perdurará como algo obrigatório.

17 Vejamos um caso> a paz perpétua ou absoluta harmonia entre os homens. Podem ser que não se convertam nunca em realidade,mas a aspiração em atingi-los é plenamente justificável, pois tende a algo valioso. Vejamos um caso> a paz perpétua ou absoluta harmonia entre os homens. Podem ser que não se convertam nunca em realidade,mas a aspiração em atingi-los é plenamente justificável, pois tende a algo valioso. Não há uma relação necessária entre validez e eficácia da norma. Não há uma relação necessária entre validez e eficácia da norma. A validez dos preceitos reitores da ação humana não está condicionada por sua eficácia, nem pode ser destruída pelo fato de sejam infringidos. A norma que é violada segue sendo norma, e o imperativo que nos manda ser sinceros conserva sua obrigatoriedade apesar dos hipócritas. A validez dos preceitos reitores da ação humana não está condicionada por sua eficácia, nem pode ser destruída pelo fato de sejam infringidos. A norma que é violada segue sendo norma, e o imperativo que nos manda ser sinceros conserva sua obrigatoriedade apesar dos hipócritas. Por isso se diz: que as exceções à eficácia de uma norma não são exceções à sua validez. Por isso se diz: que as exceções à eficácia de uma norma não são exceções à sua validez.

18 Já as leis naturais, só se validam se a experiência não as desmentem. Já as leis naturais, só se validam se a experiência não as desmentem. A possibilidade de inobservância, indiferença humana pelas normas não deve desalentar aqueles que acreditam na sua imprescindibilidade para conferir sentido à existência. A possibilidade de inobservância, indiferença humana pelas normas não deve desalentar aqueles que acreditam na sua imprescindibilidade para conferir sentido à existência. O papel confiado aos cultores da ciência normativa é reforçar essa tendência, fazendo reduzir o nível de inobservância perante a ordem do dever ser. O papel confiado aos cultores da ciência normativa é reforçar essa tendência, fazendo reduzir o nível de inobservância perante a ordem do dever ser.

19 3. Moral absoluta ou relativa Os preceitos éticos são imperativos Os preceitos éticos são imperativos Para serem racionalmente aceitos pelos seus destinatários, estes precisam acreditar que eles derivem de uma justificativa consistente. Para serem racionalmente aceitos pelos seus destinatários, estes precisam acreditar que eles derivem de uma justificativa consistente. Norma moral– valor objetivo?. Norma moral– valor objetivo?. Norma – fixada arbitrariamente?. Norma – fixada arbitrariamente?. Norma – válida para todos e em todos os tempo e lugares?. Norma – válida para todos e em todos os tempo e lugares?. Norma – validade condicionada?. Norma – validade condicionada?.

20 Tem-se duas posições antagônicas> uma absolutista e apriorista e outra relativista e empirista. Tem-se duas posições antagônicas> uma absolutista e apriorista e outra relativista e empirista. A relativista e empirista> a norma ética é puramente convencional e mutável. O conhecimento da norma ética é empírica. Defende a existência de várias morais, do subjetivismo. A relativista e empirista> a norma ética é puramente convencional e mutável. O conhecimento da norma ética é empírica. Defende a existência de várias morais, do subjetivismo. A absolutista e aprioristica> a validez é atemporal e absoluta. Proclama o conhecimento da norma ética a priori. Defende a existência de uma moral universal objetiva. A absolutista e aprioristica> a validez é atemporal e absoluta. Proclama o conhecimento da norma ética a priori. Defende a existência de uma moral universal objetiva.

21 Para os absolutistas, cada ser humano é dotado de algo natural que o predispõe ao discernimento do que é certo e errado em termos éticos. Para os absolutistas, cada ser humano é dotado de algo natural que o predispõe ao discernimento do que é certo e errado em termos éticos. Para os absolutistas não se poderia falar do bem e do mau, da virtude e do vício, se não houvesse a consciência humana, aquela que é capaz de intuir o que vale. Para os absolutistas não se poderia falar do bem e do mau, da virtude e do vício, se não houvesse a consciência humana, aquela que é capaz de intuir o que vale. Já os relativistas entendem não haver sentido falar em valores à margem da subjetividade humana. Já os relativistas entendem não haver sentido falar em valores à margem da subjetividade humana.

22 O bom e o mau não significam algo que valha por si, mas são palavras cujo conteúdo é condicionado por referenciais de tempo e espaço. O bom e o mau não significam algo que valha por si, mas são palavras cujo conteúdo é condicionado por referenciais de tempo e espaço. Na verdade, o bem é fruto da criação subjetiva e a norma moral é mero convencionalismo. Na verdade, o bem é fruto da criação subjetiva e a norma moral é mero convencionalismo. O resultado dessa contraposição de idéias é que a tese objetivista conduz à conclusão de que não há criação nem transmutação de valores, senão descobrimento ou ignorância dos mesmos. Os valores não se criam, nem se transformam, se descobrem ou se ignoram. O resultado dessa contraposição de idéias é que a tese objetivista conduz à conclusão de que não há criação nem transmutação de valores, senão descobrimento ou ignorância dos mesmos. Os valores não se criam, nem se transformam, se descobrem ou se ignoram. Sendo assim, o desafio da ética é elaborar no homem o órgão moral que torna possível tal descobrimento. Sendo assim, o desafio da ética é elaborar no homem o órgão moral que torna possível tal descobrimento.

23 Ao contrário, a tese subjetivista, postula a autêntica criação de valores por vontade dos homens. Ao contrário, a tese subjetivista, postula a autêntica criação de valores por vontade dos homens. Os homens criam valores à medida do necessário ou do oportuno. Os homens criam valores à medida do necessário ou do oportuno. 4. A classificação da ética Ética empírica Ética empírica Ética de bens Ética de bens Ética formal Ética formal Ética valorativa Ética valorativa

24 4.1. Ética empírica> 4.1. Ética empírica> Devemos partir da distinção feita por Kant entre filosofia pura e filosofia empírica. Devemos partir da distinção feita por Kant entre filosofia pura e filosofia empírica. Da distinção entre conhecimento puro e conhecimento empírico. Da distinção entre conhecimento puro e conhecimento empírico. Podemos afirmar que todos os nossos conhecimentos têm origem em nossa experiência. Podemos afirmar que todos os nossos conhecimentos têm origem em nossa experiência. Porém, embora o conhecimento se inicie na experiência, ele precisa, para se tornar de fato "conhecimento", que nossa própria mente lhe adiciona. Porém, embora o conhecimento se inicie na experiência, ele precisa, para se tornar de fato "conhecimento", que nossa própria mente lhe adiciona.

25 É preciso portanto, em primeiro lugar, separar esses dois elementos, ou seja; por um lado o que é recebido dos sentidos e pelo outro o que é adicionado pela razão. É preciso portanto, em primeiro lugar, separar esses dois elementos, ou seja; por um lado o que é recebido dos sentidos e pelo outro o que é adicionado pela razão. Esse conhecimento independente dos sentidos é chamado "a priori" (diferente dos empíricos, chamados "a posteriori"). Esse conhecimento independente dos sentidos é chamado "a priori" (diferente dos empíricos, chamados "a posteriori"). A ética empírica é observada e constatada com a prática. A ética empírica é observada e constatada com a prática. A ética empírica é aquela que nega a ética absolutista ou apriorista. A ética empírica é aquela que nega a ética absolutista ou apriorista. Logo, "a priori" não é um conhecimento que vem "antes da experiência", mas sim um que vem "independente da experiência". Logo, "a priori" não é um conhecimento que vem "antes da experiência", mas sim um que vem "independente da experiência".

26 A ética empírica deriva seus princípios da observação dos fatos. A ética empírica deriva seus princípios da observação dos fatos. O homem deve ser como naturalmente é, e não deve se comportar como queiram que ele seja. O homem deve ser como naturalmente é, e não deve se comportar como queiram que ele seja. Suas características são a subjetividade e a conotação utilitarista. Suas características são a subjetividade e a conotação utilitarista. A ética empírica procura sempre o valor útil para cada indivíduo. A ética empírica procura sempre o valor útil para cada indivíduo. Com relação a subjetividade: não há uma moral universal, única, apriorista. Com relação a subjetividade: não há uma moral universal, única, apriorista. Varia a conduta humana de acordo com o tempo e as circunstâncias e, assim, o bom é determinado estrito de tempo, de lugar etc. Varia a conduta humana de acordo com o tempo e as circunstâncias e, assim, o bom é determinado estrito de tempo, de lugar etc.

27 O empirismo deságua no relativismo, não é possível uma moral universal e valores axiológicos absolutos. O empirismo deságua no relativismo, não é possível uma moral universal e valores axiológicos absolutos. Vai-se ao subjetivismo, uma das principais variantes da ética empírica. Vai-se ao subjetivismo, uma das principais variantes da ética empírica. Se idéias morais variam de indivíduo para indivíduo ou de sociedade a sociedade, o bem e o mal carecerão de existência objetiva, já que dependem dos juízos estimativos dos homens. Se idéias morais variam de indivíduo para indivíduo ou de sociedade a sociedade, o bem e o mal carecerão de existência objetiva, já que dependem dos juízos estimativos dos homens. Assim aparecem, por um lado, o subjetivismo ético individualista e, por outro, o subjetivismo ético social, também chamado antropologismo ou subjetivismo ético específico. Assim aparecem, por um lado, o subjetivismo ético individualista e, por outro, o subjetivismo ético social, também chamado antropologismo ou subjetivismo ético específico.

28 A partir dessas constatações, é fácil chegar ao ceticismo ao niilismo. A partir dessas constatações, é fácil chegar ao ceticismo ao niilismo. Algo que é bom para um não é para outro, o bem nada significa e a moral é produzida pela convenção arbitrária. Algo que é bom para um não é para outro, o bem nada significa e a moral é produzida pela convenção arbitrária. Não há sentido em formular juízo estimativo ou estabelecer valores com pretensão de objetividade. Não há sentido em formular juízo estimativo ou estabelecer valores com pretensão de objetividade. Se nada é absolutamente bom, o conveniente é procurar condutas que pareçam mais benéficas à sociedade e ao indivíduo, fazendo do útil o preceito moral supremo. Se nada é absolutamente bom, o conveniente é procurar condutas que pareçam mais benéficas à sociedade e ao indivíduo, fazendo do útil o preceito moral supremo.

29 Temos uma tríplice configuração da ética empírica: a anarquista, a utilitarista e a ética ceticista. Temos uma tríplice configuração da ética empírica: a anarquista, a utilitarista e a ética ceticista. A) A ética anarquista: A) A ética anarquista: A anarquia repudia toda norma ou valor. A anarquia repudia toda norma ou valor. Direito, moral, convencionalismo sociais, religião, tudo constitui exigências arbitrárias. Direito, moral, convencionalismo sociais, religião, tudo constitui exigências arbitrárias. As leis não são legítimas, sejam morais ou jurídicas. As leis não são legítimas, sejam morais ou jurídicas. É uma doutrina egoísta. É uma doutrina egoísta. Prepondera a vontade humana, e esta varia de pessoa para pessoa. Prepondera a vontade humana, e esta varia de pessoa para pessoa.

30 Vai prevalecer a decisão do mais forte. Vai prevalecer a decisão do mais forte. O anarquismo tem uma tendência hedonista: buscar o prazer e evitar a dor. O anarquismo tem uma tendência hedonista: buscar o prazer e evitar a dor. Quando o prazer é encontrado no fazer o bem do outro, o essencial é a obtenção do conforto pessoal. Egoísmo disfarçado de altruísmo. Quando o prazer é encontrado no fazer o bem do outro, o essencial é a obtenção do conforto pessoal. Egoísmo disfarçado de altruísmo. O anarquismo na modernidade se apresenta como anarquismo individualista e como anarquismo comunista ou libertário. O anarquismo na modernidade se apresenta como anarquismo individualista e como anarquismo comunista ou libertário. Os dois coincidem em dois pontos: 1. liberdade absoluta e a aspiração suprema do indivíduo; 2. toda organização política deve desaparecer, por contrariar as exigências da natureza. Os dois coincidem em dois pontos: 1. liberdade absoluta e a aspiração suprema do indivíduo; 2. toda organização política deve desaparecer, por contrariar as exigências da natureza.

31 Os dois postulados derivam do mesmo princípio: só tem valor o que não contraria as tendências e impulsos naturais. A ordem jurídica, como organização social de tipo coercível, se opõe à liberdade e representa, por isso, um mal que deve ser combatido. Os dois postulados derivam do mesmo princípio: só tem valor o que não contraria as tendências e impulsos naturais. A ordem jurídica, como organização social de tipo coercível, se opõe à liberdade e representa, por isso, um mal que deve ser combatido. Diferença entre individualistas e comunistas: na escolha do método na luta contra o Estado. Diferença entre individualistas e comunistas: na escolha do método na luta contra o Estado. O primeiro, acredita no progresso lento e gradual da razão, para superar o Estado. O primeiro, acredita no progresso lento e gradual da razão, para superar o Estado. O segundo, pela violência, superar o Estado. O segundo, pela violência, superar o Estado.

32 Para os comunistas, a propriedade privada tende a desaparecer. A natureza não destinou seus bens a quem quer que seja. Tudo é comum e deve ser de todos. Para os comunistas, a propriedade privada tende a desaparecer. A natureza não destinou seus bens a quem quer que seja. Tudo é comum e deve ser de todos. Os homens viveriam em regime de cooperação espontânea, visando ao mais completo desenvolvimento da individualidade, unido ao desenvolvimento mais completo da associação. Os homens viveriam em regime de cooperação espontânea, visando ao mais completo desenvolvimento da individualidade, unido ao desenvolvimento mais completo da associação. Os individualistas não negam a propriedade privada, mas negam o associativismo. Os individualistas não negam a propriedade privada, mas negam o associativismo.

33 Se equivocam os anarquistas quando acreditam existir uma liberdade natural. Pois na vida em me sociedade, a liberdade é um direito. Se equivocam os anarquistas quando acreditam existir uma liberdade natural. Pois na vida em me sociedade, a liberdade é um direito. Não existe direito sem um sistema normativo e provido de força capaz de assegurá-lo, quando quem quer que seja pretenda vulnerá-lo. Não existe direito sem um sistema normativo e provido de força capaz de assegurá-lo, quando quem quer que seja pretenda vulnerá-lo. B) A ética utilitarista: B) A ética utilitarista: É bom o que é útil. É bom o que é útil. A conduta ética desejável é a conduta útil. A conduta ética desejável é a conduta útil. A utilidade, porém, e um mero atributo de um instrumento. Ex.uma faca é útil se corta. A utilidade, porém, e um mero atributo de um instrumento. Ex.uma faca é útil se corta.

34 A eficácia técnica dos meios não correspondem ao valor ético dos fins. A eficácia técnica dos meios não correspondem ao valor ético dos fins. Os meios mais úteis, podem estar a serviço de um fim nefasto. Ex. a arma que é útil para cortar um pedaço de carne, também é útil para ser usada para esfaquear uma pessoa. Os meios mais úteis, podem estar a serviço de um fim nefasto. Ex. a arma que é útil para cortar um pedaço de carne, também é útil para ser usada para esfaquear uma pessoa. No exemplo acima, vimos que o meio possui igual eficácia, e sua utilidade é alheia à significação dos desígnios que serve. No exemplo acima, vimos que o meio possui igual eficácia, e sua utilidade é alheia à significação dos desígnios que serve.

35 O estudo do utilitarismo permite entender a falácia que é a afirmação: os fins justificam os meios. O estudo do utilitarismo permite entender a falácia que é a afirmação: os fins justificam os meios. A teoria da moral utilitarista só é aproveitável se conciliada com a teoria das finalidades úteis. A teoria da moral utilitarista só é aproveitável se conciliada com a teoria das finalidades úteis. A teoria utilitarista de MILL, não concerne unicamente aos meios, mas remete a uma verdadeira ética de fins. Vejamos: A teoria utilitarista de MILL, não concerne unicamente aos meios, mas remete a uma verdadeira ética de fins. Vejamos: A) A doutrina utilitarista afirma que a felicidade é desejável, a única coisa desejável como fim; sendo todas as demais desejáveis só como meios para esse fim. A) A doutrina utilitarista afirma que a felicidade é desejável, a única coisa desejável como fim; sendo todas as demais desejáveis só como meios para esse fim.

36 B) A felicidade é o único fim da ação humana e sua consecução o critério para julgar de toda conduta; donde necessariamente se segue que tem que ser o critério da moralidade, já que a parte encontra-se incluída no todo. B) A felicidade é o único fim da ação humana e sua consecução o critério para julgar de toda conduta; donde necessariamente se segue que tem que ser o critério da moralidade, já que a parte encontra-se incluída no todo. O utilitarismo tem sentido na vida moral, se entendido como prudente emprego dos meios aptos à consecução de fins moralmente valiosos. O utilitarismo tem sentido na vida moral, se entendido como prudente emprego dos meios aptos à consecução de fins moralmente valiosos. C) A ética ceticista O cético não acredita em nada.

37 A dúvida não implica o conhecimento, é mera suspensão de juízo. O cético não é o que nega, nem o que afirma, senão o que se abstêm de julgar. A dúvida não implica o conhecimento, é mera suspensão de juízo. O cético não é o que nega, nem o que afirma, senão o que se abstêm de julgar. É preciso distinguir a dúvida metódica (Sócrates), da dúvida sistemática. É preciso distinguir a dúvida metódica (Sócrates), da dúvida sistemática. Utilizada como método, a dúvida serve como eliminação de possíveis erros. É uma atitude provisória. Uma provisória transição de juízo, por segurança. Utilizada como método, a dúvida serve como eliminação de possíveis erros. É uma atitude provisória. Uma provisória transição de juízo, por segurança. A dúvida sistemática é própria dos ceticistas, que duvidam de tudo e de forma permanente. A dúvida sistemática é própria dos ceticistas, que duvidam de tudo e de forma permanente.

38 Os céticos declaram não crer em nada, e aqui já erram, pois se fossem verdadeiramente céticos, duvidariam até das própria afirmação. Isso implicaria uma regressão infinita. Os céticos declaram não crer em nada, e aqui já erram, pois se fossem verdadeiramente céticos, duvidariam até das própria afirmação. Isso implicaria uma regressão infinita. Outro problema, o ceticismo pode sustentar uma negação permanente em teoria, mas na prática cairia em uma paralisação completa. Outro problema, o ceticismo pode sustentar uma negação permanente em teoria, mas na prática cairia em uma paralisação completa. No aspecto moral, na dúvida entre o certo e o errado, nada se faria. Mas nada fazer já é uma atitude, sendo assim, fica impensável uma atitude cética no campo prático. No aspecto moral, na dúvida entre o certo e o errado, nada se faria. Mas nada fazer já é uma atitude, sendo assim, fica impensável uma atitude cética no campo prático.

39 Na verdade, os céticos não pregavam o ceticismo absoluto. Admitiam a existência de alguns valores e a necessidade de uma moral. Na verdade, os céticos não pregavam o ceticismo absoluto. Admitiam a existência de alguns valores e a necessidade de uma moral. As lições de Sexto Empírico demonstram que ele aceitava algumas regras propiciadoras de uma relativa felicidade. As lições de Sexto Empírico demonstram que ele aceitava algumas regras propiciadoras de uma relativa felicidade. A) Seguir as indicações da natureza. A) Seguir as indicações da natureza. B) Ceder aos impulsos das disposições passivas: o cético só come se tem fome, só bebe se está sedento. B) Ceder aos impulsos das disposições passivas: o cético só come se tem fome, só bebe se está sedento.

40 C) Submeter-se às leis e costumes do país onde vive. C) Submeter-se às leis e costumes do país onde vive. D) Não permanecer inativo e cultivar alguma das artes. D) Não permanecer inativo e cultivar alguma das artes. Estas regras se fundam em critérios axiológicos> a primeira, de que é valioso o que tem origem natureza. A segunda, de que as necessidades humanas devem ser satisfeitas com moderação. A terceira de que as leis de um país merecem serem acatadas. A quarta condena a inatividade e valoriza o trabalho. Estas regras se fundam em critérios axiológicos> a primeira, de que é valioso o que tem origem natureza. A segunda, de que as necessidades humanas devem ser satisfeitas com moderação. A terceira de que as leis de um país merecem serem acatadas. A quarta condena a inatividade e valoriza o trabalho.

41 A conclusão é de que, mesmo quando se nega, teoricamente a existência de critérios sólidos de certeza, na prática se admite a existência da moral e se prega que há formas de vida que devem ser evitadas, e outras que devem ser seguidas. A conclusão é de que, mesmo quando se nega, teoricamente a existência de critérios sólidos de certeza, na prática se admite a existência da moral e se prega que há formas de vida que devem ser evitadas, e outras que devem ser seguidas. d) A ética subjetivista d) A ética subjetivista Consiste em cada um adotas para si a conduta ética mais conveniente com a sua própria escala de valores. Consiste em cada um adotas para si a conduta ética mais conveniente com a sua própria escala de valores. Existe o subjetivismo individualista e o social. Existe o subjetivismo individualista e o social.

42 A origem do subjetivismo está em Protágoras, para quem o homem é a medida de todas as coisas, da existência das que existem, e da não existência das que não existem. A origem do subjetivismo está em Protágoras, para quem o homem é a medida de todas as coisas, da existência das que existem, e da não existência das que não existem. Cada homem é a medida do real. Cada homem é a medida do real. A verdade não objetiva, mas há tantas verdades quanto homens. A verdade não objetiva, mas há tantas verdades quanto homens. O que é verdade para um, pode não ser para o outro. O que é verdade para um, pode não ser para o outro. A teoria de Protágoras conduziria ao AGNOSTICISMO. A teoria de Protágoras conduziria ao AGNOSTICISMO. Todas as opiniões seriam igualmente verdadeiras e se tudo é verdade, nada é certo, pois o que a um parece evidente, a outro pode parecer falso. Todas as opiniões seriam igualmente verdadeiras e se tudo é verdade, nada é certo, pois o que a um parece evidente, a outro pode parecer falso.

43 Aplicando à ordem moral, terá valor para um indivíduo, aquilo que ele entender como valioso. Aplicando à ordem moral, terá valor para um indivíduo, aquilo que ele entender como valioso. Cada homem é a medida do bem e do mal. Cada homem é a medida do bem e do mal. O subjetivismo está por tudo, não só moral e epistemológico, mas estético, religioso, jurídico e etc. O subjetivismo está por tudo, não só moral e epistemológico, mas estético, religioso, jurídico e etc. O chamado subjetivismo ético social, pretende ser uma teoria objetiva, pois os valores éticos são produzidos pelo coletivo. O chamado subjetivismo ético social, pretende ser uma teoria objetiva, pois os valores éticos são produzidos pelo coletivo. Aqui há uma confusão, pois se pensa que a objetividade é um critério estatístico, o critério do valor ou da verdade é a quantidade, a maioria. Aqui há uma confusão, pois se pensa que a objetividade é um critério estatístico, o critério do valor ou da verdade é a quantidade, a maioria.

44 Os representantes do subjetivismo ético social: DURKHEIN E BOUGLÉ. Os representantes do subjetivismo ético social: DURKHEIN E BOUGLÉ. O problema do subjetivismo, individual ou ético específico, vai para um relativismo absoluto. O problema do subjetivismo, individual ou ético específico, vai para um relativismo absoluto. É fácil concluir que o relativismo absoluto não pode presidir as relações humanas, seja na esfera moral, seja na esfera jurídica. É fácil concluir que o relativismo absoluto não pode presidir as relações humanas, seja na esfera moral, seja na esfera jurídica. 4.2 A ética dos bens 4.2 A ética dos bens Ao contrário do relativismo, defende a existência de um valor fundamental denominado bem supremo. Ao contrário do relativismo, defende a existência de um valor fundamental denominado bem supremo.

45 Parte da estrutura teleológica do atuar humano. Parte da estrutura teleológica do atuar humano. O que significa? A criatura humana é capaz de e propor fins, eleger meios e colocar em prática os últimos, para alcançar os primeiros. O que significa? A criatura humana é capaz de e propor fins, eleger meios e colocar em prática os últimos, para alcançar os primeiros. O supremo bem da vida consistirá na realização do fim próprio da criatura humana. O supremo bem da vida consistirá na realização do fim próprio da criatura humana. Para estabelecer a hierarquia dos fins, basta verificar qual deles pode ser, simultaneamente, fim e meio para a obtenção de outro fim. Quando se se defronta com um bem que não pode ser meio de qualquer outro, então esse é o bem supremo. Para estabelecer a hierarquia dos fins, basta verificar qual deles pode ser, simultaneamente, fim e meio para a obtenção de outro fim. Quando se se defronta com um bem que não pode ser meio de qualquer outro, então esse é o bem supremo.

46 Divisão da ética dos bens: Divisão da ética dos bens: A) Eudemonismo, idealismo ético e hedonismo: Eudemonmismo, deriva de eudemonia, felicidade. Para essa concepção há uma tendência inata no homem para a felicidade, e segundo Aristóteles, a felicidade é o bem supremo, é um fim que não possui um caráter de meio. A) Eudemonismo, idealismo ético e hedonismo: Eudemonmismo, deriva de eudemonia, felicidade. Para essa concepção há uma tendência inata no homem para a felicidade, e segundo Aristóteles, a felicidade é o bem supremo, é um fim que não possui um caráter de meio. Todos os outros bens da vida podem ser meios para a obtenção que é o eternamente desejado em si, e que não se converterá jamais em meio. Todos os outros bens da vida podem ser meios para a obtenção que é o eternamente desejado em si, e que não se converterá jamais em meio.

47 O idealismo: a finalidade última do homem é a prática do bem. Os estóicos, por exemplo, não aspira a ser feliz, mas a ser bom. A virtude é um fim, não um meio. Impõe-se à criatura ser virtuosa, ainda que disso não extraia prazer algum. O idealismo: a finalidade última do homem é a prática do bem. Os estóicos, por exemplo, não aspira a ser feliz, mas a ser bom. A virtude é um fim, não um meio. Impõe-se à criatura ser virtuosa, ainda que disso não extraia prazer algum. Já para o hedonismo, a felicidade está no prazer. Seja ele o prazer sensual, seja a fruição da tranqüilidade extraída do deleite, no exercício de atividade intelectual ou artístico. Já para o hedonismo, a felicidade está no prazer. Seja ele o prazer sensual, seja a fruição da tranqüilidade extraída do deleite, no exercício de atividade intelectual ou artístico. O hedonismo elegeu a felicidade como fim, mas o prazer como meio. O hedonismo elegeu a felicidade como fim, mas o prazer como meio.

48 b) A Ética Socrática: b) A Ética Socrática: Para o autor o verdadeiro objeto do conhecimento é a alma humana. Para o autor o verdadeiro objeto do conhecimento é a alma humana. A bondade é resultado do saber. A bondade é resultado do saber. Para alguém ser feliz, precisa ser bom, e para ser bom é preciso ser sábio. Para alguém ser feliz, precisa ser bom, e para ser bom é preciso ser sábio. Aquele que encontrou a verdade oculta em sua alma sente-se obrigado a ajustar com ela sua conduta. Assim o conhecimento do bem determina a prática da virtude. Aquele que encontrou a verdade oculta em sua alma sente-se obrigado a ajustar com ela sua conduta. Assim o conhecimento do bem determina a prática da virtude. Não existe pessoas más, senão extraviadas. Não existe pessoas más, senão extraviadas. A maldade é produto da ignorância. A maldade é produto da ignorância.

49 O aperfeiçoamento não se consegue sozinho, é na convivência comunitária. Porque o homem é um ser social. O aperfeiçoamento não se consegue sozinho, é na convivência comunitária. Porque o homem é um ser social. Entre ética e política existe uma correlação íntima: o homem perfeito não é unicamente o homem bom, mas o bom cidadão. Entre ética e política existe uma correlação íntima: o homem perfeito não é unicamente o homem bom, mas o bom cidadão. Para Sócrates o conhecimento do bem se identifica com a prática da virtude. Quem sabe a verdade, age bem. Para Sócrates o conhecimento do bem se identifica com a prática da virtude. Quem sabe a verdade, age bem. A Ética de Sócrates é de direito natural; no fundamento das normas positivas há leis não escritas (= ágrafoi nómoi). A Ética de Sócrates é de direito natural; no fundamento das normas positivas há leis não escritas (= ágrafoi nómoi). Para Sócrates a lei moral é natural, brotando da mesma natureza como uma sua propriedade. Não resulta de uma ordem dogmática posterior exterior emitida, ou por Deus, ou pelos homens. Para Sócrates a lei moral é natural, brotando da mesma natureza como uma sua propriedade. Não resulta de uma ordem dogmática posterior exterior emitida, ou por Deus, ou pelos homens.

50 A análise das coisas e das operações humanas mostram que nenhum homem pode senão querer o bem e mesmo quando quer o mal, procura-o na suposição de buscar um bem. A análise das coisas e das operações humanas mostram que nenhum homem pode senão querer o bem e mesmo quando quer o mal, procura-o na suposição de buscar um bem. A ética socrática é finalistica (ou teleológica) como se depreende dos textos platônicos Apologia e Eutifron, como ainda das informações vindas de Xenofonte. A ética socrática é finalistica (ou teleológica) como se depreende dos textos platônicos Apologia e Eutifron, como ainda das informações vindas de Xenofonte. Concretamente a finalidade última dos atos humanos, de acordo com Sócrates, é a felicidade. Concretamente a finalidade última dos atos humanos, de acordo com Sócrates, é a felicidade. Provou Sócrates seu eudaimonismo ético por meio de análise aplicada ao desejo humano; este não se dirige para o mal. Orienta-se para o bem, desde que o conheça. Desta adesão e conquista resulta o estado psíquico da felicidade. Provou Sócrates seu eudaimonismo ético por meio de análise aplicada ao desejo humano; este não se dirige para o mal. Orienta-se para o bem, desde que o conheça. Desta adesão e conquista resulta o estado psíquico da felicidade.

51 c) A ética Platônica: c) A ética Platônica: Decorre a ética coerentemente do sistema geral do platonismo, essencialmente exemplarista, em virtude do qual nada se cria senão tendo as idéias reais separadas como arquétipos. Decorre a ética coerentemente do sistema geral do platonismo, essencialmente exemplarista, em virtude do qual nada se cria senão tendo as idéias reais separadas como arquétipos. Estes arquétipos são a finalidade a executar, inclusive na ação. Estes arquétipos são a finalidade a executar, inclusive na ação. Por isso, a ação tem um caminho previamente traçado o que implica em uma obrigação ética. Por isso, a ação tem um caminho previamente traçado o que implica em uma obrigação ética.

52 Platão, ao estabelecer as idéias reais, de variada espécie, se referiu especialmente à idéia do bem. Platão, ao estabelecer as idéias reais, de variada espécie, se referiu especialmente à idéia do bem. E assim também a idéia do bem é um arquétipo, segundo qual se processa toda ação. E assim também a idéia do bem é um arquétipo, segundo qual se processa toda ação. Depende, pois, a ética de Platão da existência de um arquétipo denominado o bem. Depende, pois, a ética de Platão da existência de um arquétipo denominado o bem. É possível sintetizar a idéia do bem, com a do ser simplesmente e então dizer que há um fundamento ontológico para a ética platônica. A ação enquanto realiza mais ser, se subordina ao que o ser necessariamente é. É possível sintetizar a idéia do bem, com a do ser simplesmente e então dizer que há um fundamento ontológico para a ética platônica. A ação enquanto realiza mais ser, se subordina ao que o ser necessariamente é.

53 Como todas as éticas do ser, também a de Platão depende de como traçar os caminhos do ser nos seus mais variados detalhes, os quais serão as suas leis e os quais, depois de cumpridos com habitualidade, constituem as respectivas virtudes. Como todas as éticas do ser, também a de Platão depende de como traçar os caminhos do ser nos seus mais variados detalhes, os quais serão as suas leis e os quais, depois de cumpridos com habitualidade, constituem as respectivas virtudes. Ainda que Platão não tenha utilizado esta linguagem, pode-se distinguir em seu sistema entre fundamento próximo e remoto da obrigação ética, ou da eticidade. Ainda que Platão não tenha utilizado esta linguagem, pode-se distinguir em seu sistema entre fundamento próximo e remoto da obrigação ética, ou da eticidade.

54 O fundamento próximo está no ser de cada indivíduo, o qual já obedece ao parâmetro remoto, e por isso diretamente revela qual o fim realizado, e em potencial ainda revela o que lhe falta para atingir a plenitude. O fundamento próximo está no ser de cada indivíduo, o qual já obedece ao parâmetro remoto, e por isso diretamente revela qual o fim realizado, e em potencial ainda revela o que lhe falta para atingir a plenitude. Mas, o fundamento remoto é a mesma idéia real, que tudo contém e na qual tanto o Demiurgo viu como fez a obra e ainda deverá ver o indivíduo aquilo que falta para a plenitude. Mas, o fundamento remoto é a mesma idéia real, que tudo contém e na qual tanto o Demiurgo viu como fez a obra e ainda deverá ver o indivíduo aquilo que falta para a plenitude.

55 É possível falar na ética de Platão em um fim externo da criatura em relação a Deus, e em um fim interno da criatura em relação a si mesma. É possível falar na ética de Platão em um fim externo da criatura em relação a Deus, e em um fim interno da criatura em relação a si mesma. Cabendo a Deus agir por primeiro, está seu objetivo em primeiro lugar; no caso seria difundir a si mesmo, isto é, sua glória (a glória é um brilho da obra em favor do criador). Cabendo a Deus agir por primeiro, está seu objetivo em primeiro lugar; no caso seria difundir a si mesmo, isto é, sua glória (a glória é um brilho da obra em favor do criador). Pode-se prever esta tese em Platão cujo Demiurgo tem, por objetivo refletir no mundo o bem e a harmonia, como reflexo das idéias reais. Neste sentido, em primeiro lugar, já antes da felicidade interna da criatura, valeria o objetivo do Demiurgo. Pode-se prever esta tese em Platão cujo Demiurgo tem, por objetivo refletir no mundo o bem e a harmonia, como reflexo das idéias reais. Neste sentido, em primeiro lugar, já antes da felicidade interna da criatura, valeria o objetivo do Demiurgo.

56 No fim último externo se encontra o fundamento do culto religioso; mas este aspecto não foi claramente explorado por Platão. No fim último externo se encontra o fundamento do culto religioso; mas este aspecto não foi claramente explorado por Platão. Estabeleceu Platão, como Sócrates, a felicidade como fim do homem. A vontade se inclinaria essencialmente para o bem, como o seu objeto adequado. Impossível querer o mal diretamente (Ménom 77). Dito com mais precisão, a felicidade, pela conquista do bem, é o fim último interno do homem. Estabeleceu Platão, como Sócrates, a felicidade como fim do homem. A vontade se inclinaria essencialmente para o bem, como o seu objeto adequado. Impossível querer o mal diretamente (Ménom 77). Dito com mais precisão, a felicidade, pela conquista do bem, é o fim último interno do homem.

57 Distingue Platão entre felicidade e prazer (Filebo 11 b). Referindo-se a felicidade à inteligência e o prazer aos sentidos. Distingue Platão entre felicidade e prazer (Filebo 11 b). Referindo-se a felicidade à inteligência e o prazer aos sentidos. Desde logo, pois, refuta a tese cirenaica de que o prazer sensível é o único fim. Mas não e exclui a felicidade os prazeres da sensibilidade; estes são honestos desde que subordinados harmonicamente. Estabeleceu, portanto Platão, como Sócrates, uma hierarquia de valores morais (Filebo; Leis 717, 718). Desde logo, pois, refuta a tese cirenaica de que o prazer sensível é o único fim. Mas não e exclui a felicidade os prazeres da sensibilidade; estes são honestos desde que subordinados harmonicamente. Estabeleceu, portanto Platão, como Sócrates, uma hierarquia de valores morais (Filebo; Leis 717, 718).

58 Ocorrem três graus, de prazeres e felicidade, a saber, pela via ascendente: os prazeres do coração, já menos fugazes; os prazeres procurados pela opinião e pela inteligência. Ocorrem três graus, de prazeres e felicidade, a saber, pela via ascendente: os prazeres do coração, já menos fugazes; os prazeres procurados pela opinião e pela inteligência. O caráter pouco propício aos sentidos, resultantes da doutrina das idéias e da separação entre corpo e alma, apenas extrinsecamente unidos, dá à ética de Platão um feitio anti-humanista e pouco grego. O caráter pouco propício aos sentidos, resultantes da doutrina das idéias e da separação entre corpo e alma, apenas extrinsecamente unidos, dá à ética de Platão um feitio anti-humanista e pouco grego. Com uma notável aproximação das práticas órficas, a ética de Platão descreve pitorescamente o verdadeiro filósofo como um "forasteiro" (Teeteto 174), que ao passar por esta vida terrestre, pouco se interessa pelo que se lhe apresenta. Com uma notável aproximação das práticas órficas, a ética de Platão descreve pitorescamente o verdadeiro filósofo como um "forasteiro" (Teeteto 174), que ao passar por esta vida terrestre, pouco se interessa pelo que se lhe apresenta.

59 Virtudes cardeais. Estabeleceu Platão uma divisão geral da virtudes (República 410), em quatro fundamentais, que mais tarde serão chamadas, por Santo Ambrósio, virtudes cardeais, isto é, chaves das demais. Virtudes cardeais. Estabeleceu Platão uma divisão geral da virtudes (República 410), em quatro fundamentais, que mais tarde serão chamadas, por Santo Ambrósio, virtudes cardeais, isto é, chaves das demais. Esta classificação obedece a um princípio, em que a cada parte da alma corresponde uma virtude principal. Portanto, uma para a razão, outra para a vontade, outra para o impulso sensível, finalmente ainda uma outra para o controle das partes entre si. Esta classificação obedece a um princípio, em que a cada parte da alma corresponde uma virtude principal. Portanto, uma para a razão, outra para a vontade, outra para o impulso sensível, finalmente ainda uma outra para o controle das partes entre si. A prudência, denominada também sabedoria ( ), é a virtude da parte racional. A prudência, denominada também sabedoria ( ), é a virtude da parte racional.

60 A fortaleza, dita também valentia ( ) é a virtude do entusiasmo (thymoiedés), ou seja dos impulsos volitivos e afetos, regrando o coração. A fortaleza, dita também valentia ( ) é a virtude do entusiasmo (thymoiedés), ou seja dos impulsos volitivos e afetos, regrando o coração. A temperança, também chamada autodomínio, medida, moderação ( ), é a virtude da vida impulsiva, instintiva, ou sensível, refreando os prazeres corporais. A temperança, também chamada autodomínio, medida, moderação ( ), é a virtude da vida impulsiva, instintiva, ou sensível, refreando os prazeres corporais. Uma quarta virtude, a da justiça ( ), resulta da colaboração equitativa de todas as virtudes, garantindo o funcionamento harmonioso das partes da alma, ou seja de suas faculdades. Uma quarta virtude, a da justiça ( ), resulta da colaboração equitativa de todas as virtudes, garantindo o funcionamento harmonioso das partes da alma, ou seja de suas faculdades.

61 Atribuiu Platão a cada classe social (vd 251) uma das virtudes cardeais, como lhe sendo mais adequada. Atribuiu Platão a cada classe social (vd 251) uma das virtudes cardeais, como lhe sendo mais adequada. A sabedoria é própria da classe dirigente, ou dominante. A sabedoria é própria da classe dirigente, ou dominante. A fortaleza se faz necessária na classe militante, ou guerreira. A fortaleza se faz necessária na classe militante, ou guerreira. A temperança se recomenda aos demais, os trabalhadores. A temperança se recomenda aos demais, os trabalhadores.

62 A virtude é descrita por Platão como um habito que conduz, ao bem. Ocorre, entretanto, no mestre da Academia a secreta preocupação de que a virtude se obtém pelo saber (Ménon 96, Fédon 82, República em vários itens). A virtude é descrita por Platão como um habito que conduz, ao bem. Ocorre, entretanto, no mestre da Academia a secreta preocupação de que a virtude se obtém pelo saber (Ménon 96, Fédon 82, República em vários itens). Aceito o ponto de vista socrático de que a virtude é saber, segue dali que os ditames da ética dependem da estabilidade ou instabilidade do conhecimento. A virtude habitual, dependente das opiniões da tradição relativas, seria superada por uma virtude apoiada em outro tipo de conhecimento, definitivo, absoluto. Ora, tal virtude existe como fato; logo existe também tal tipo de conhecimento. Aceito o ponto de vista socrático de que a virtude é saber, segue dali que os ditames da ética dependem da estabilidade ou instabilidade do conhecimento. A virtude habitual, dependente das opiniões da tradição relativas, seria superada por uma virtude apoiada em outro tipo de conhecimento, definitivo, absoluto. Ora, tal virtude existe como fato; logo existe também tal tipo de conhecimento.

63 Como se vê o móvel ético de Platão é favorável ao conhecimento inteletivo. Admitida uma vez a relatividade dos sentidos, deve-se, de outra parte, aceitar a estabilidade da inteligência e que possibilita a ocorrência da virtude. Como se vê o móvel ético de Platão é favorável ao conhecimento inteletivo. Admitida uma vez a relatividade dos sentidos, deve-se, de outra parte, aceitar a estabilidade da inteligência e que possibilita a ocorrência da virtude. Também a doutrina da virtude sofre de imediato a influência da doutrina das idéias reais, donde dividir-se em duas espécies: a virtude perfeita, referente a alma espiritual, e a virtude comum, baseada na opinião verdadeira. Também a doutrina da virtude sofre de imediato a influência da doutrina das idéias reais, donde dividir-se em duas espécies: a virtude perfeita, referente a alma espiritual, e a virtude comum, baseada na opinião verdadeira. A virtude perfeita consiste na própria sabedoria, segundo o adágio socrático: a ciência é idêntica à virtude. Não deixa a vontade de seguir o que o a inteligência lhe mostra como bom. A virtude perfeita consiste na própria sabedoria, segundo o adágio socrático: a ciência é idêntica à virtude. Não deixa a vontade de seguir o que o a inteligência lhe mostra como bom.

64 Seguindo os mesmos passos do conhecimento inteletivo, a virtude se adquire andando pelos mesmos caminhos da dialética, para evitar a submissão da razão às paixões inferiores, e dialéticas do amor aspiração ardente pela contemplação das idéias. Seguindo os mesmos passos do conhecimento inteletivo, a virtude se adquire andando pelos mesmos caminhos da dialética, para evitar a submissão da razão às paixões inferiores, e dialéticas do amor aspiração ardente pela contemplação das idéias. A virtude comum organiza-se no plano da opinião, portanto nas faculdades emotivas da alma inferior. Neste plano se encontra a maioria dos homens. A virtude comum organiza-se no plano da opinião, portanto nas faculdades emotivas da alma inferior. Neste plano se encontra a maioria dos homens. Esta virtude comum não depende da ciência, mas da educação. Esta virtude comum não depende da ciência, mas da educação.

65 A sanção é parte do sistema moral de Platão. Neste e noutro mundo acontece o castigo para o mal. A sanção é parte do sistema moral de Platão. Neste e noutro mundo acontece o castigo para o mal. A recompensa é a outra face da sanção, tendo a felicidade por objeto a contemplação das idéias eternas. A recompensa é a outra face da sanção, tendo a felicidade por objeto a contemplação das idéias eternas. O significado da sanção e o que a justifica é a necessidade de um castigo, para que se evite o mal, e de uma recompensa, para que haja um estímulo levando à prática do bem. Somente a sanção numa vida futura garantirá o triunfo total do bem. O significado da sanção e o que a justifica é a necessidade de um castigo, para que se evite o mal, e de uma recompensa, para que haja um estímulo levando à prática do bem. Somente a sanção numa vida futura garantirá o triunfo total do bem.

66 Não encontrou Platão dificuldade em estabelecer a sanção futura, visto que admitia a metempsicose e a progressiva possibilidade da purificação da alma. Não encontrou Platão dificuldade em estabelecer a sanção futura, visto que admitia a metempsicose e a progressiva possibilidade da purificação da alma. D) A ética Aristotélica D) A ética Aristotélica A finalidade da ética é descobrir o bem absoluto A finalidade da ética é descobrir o bem absoluto Chama-se o bem absoluto de felicidade. Chama-se o bem absoluto de felicidade. A felicidade está no exercício constante da virtude. A felicidade está no exercício constante da virtude. Aristóteles distingue a virtude dos vícios e emoções. Aristóteles distingue a virtude dos vícios e emoções. Emoções e instintos – involuntários. Emoções e instintos – involuntários. A virtude – volutiva. A virtude – volutiva.

67 A virtude se obtém mediante o exercício: é um hábito. A virtude se obtém mediante o exercício: é um hábito. As aptidões, intelectuais ou físicas, são inatas. As aptidões, intelectuais ou físicas, são inatas. A virtude para Aristóteles é o justo meio entre dois vícios extremos. A virtude para Aristóteles é o justo meio entre dois vícios extremos. D) Ética Epicurista D) Ética Epicurista Epicuro – a felicidade é o bem último da existência e consiste no prazer. Epicuro – a felicidade é o bem último da existência e consiste no prazer. O prazer se atinge de diversas formas – a forma mais elevada é a do espírito. O prazer se atinge de diversas formas – a forma mais elevada é a do espírito. Os prazeres são naturais e necessários, naturais e não necessários ou nem naturais e nem necessários. Os prazeres são naturais e necessários, naturais e não necessários ou nem naturais e nem necessários.

68 Prazeres naturais e necessários: a satisfação moderada dos apetites. Prazeres naturais e necessários: a satisfação moderada dos apetites. Prazeres naturais e não necessários: a gula. Prazeres naturais e não necessários: a gula. Prazeres nem necessário nem naturais: a glória. Prazeres nem necessário nem naturais: a glória. Os prazeres ainda são corporais, espirituais, violentos e serenos. Os prazeres ainda são corporais, espirituais, violentos e serenos. O que é a dor? É inevitável e muitas vezes pode levar a prazeres mais intensos. O que é a dor? É inevitável e muitas vezes pode levar a prazeres mais intensos. A finalidade da ética para os epicuristas: duas – crítica e construtiva. A finalidade da ética para os epicuristas: duas – crítica e construtiva. Na finalidade crítica, consiste no aniquilamento das superstições que afligem os mortais. Na finalidade crítica, consiste no aniquilamento das superstições que afligem os mortais.

69 Na finalidade construtiva: é assinalar regras que farão felizes os indivíduos. Na finalidade construtiva: é assinalar regras que farão felizes os indivíduos. Dificuldades na busca da felicidade: o medo da morte e o temor dos deuses. Dificuldades na busca da felicidade: o medo da morte e o temor dos deuses. Primeira orientação: não se deve temer a morte, pois ela não diz respeito ao homem vivo. Primeira orientação: não se deve temer a morte, pois ela não diz respeito ao homem vivo. A morte nada é para nós, pois enquanto somos, ela não é e quando ela chega, já não somos. A morte nada é para nós, pois enquanto somos, ela não é e quando ela chega, já não somos. Não se deve temer os deuses: pois seres perfeitos e distantes, não estão preocupados com a imperfeição humana.

70 A ética epicurista se inclina para o individualismo. A conduta é problema pessoal e não coletivo. A ética epicurista se inclina para o individualismo. A conduta é problema pessoal e não coletivo. A pessoa deve procurar seu próprio bem, sem se interessar pelo dos outros. A pessoa deve procurar seu próprio bem, sem se interessar pelo dos outros. Há nessa ética um certo utilitarismo: os homens viviam como selvagens, à margem da lei e decidiram um dia unir-se para pôr um paradeiro naquele estado de selvageria. Há nessa ética um certo utilitarismo: os homens viviam como selvagens, à margem da lei e decidiram um dia unir-se para pôr um paradeiro naquele estado de selvageria. Surgiu assim a Justiça, conceito negativo de não prejudicar os semelhantes, em troca do dever recíproco. Surgiu assim a Justiça, conceito negativo de não prejudicar os semelhantes, em troca do dever recíproco.

71 A justiça é o fruto de um pacto de utilidade. Cada indivíduo desiste de molestar os demais, em troca de não ser molestado. A justiça é o fruto de um pacto de utilidade. Cada indivíduo desiste de molestar os demais, em troca de não ser molestado. O Estado tem o dever de velar pelo cumprimento do contrato social e punir seus infratores. O Estado tem o dever de velar pelo cumprimento do contrato social e punir seus infratores. Resumindo: a ética epicurista é um eudemonismo hedonista, individualista e egoísta. Resumindo: a ética epicurista é um eudemonismo hedonista, individualista e egoísta. E) Ética Estóica E) Ética Estóica A virtude é o bem supremo dessa ética idealista. A virtude é o bem supremo dessa ética idealista.

72 Viver virtuosamente é viver de acordo com a natureza. Não a natureza biológica, mas a natureza concebida pela razão. Viver virtuosamente é viver de acordo com a natureza. Não a natureza biológica, mas a natureza concebida pela razão. O homem é provido da razão, mas tb de patologias. As patologias se dão nas inclinações e afetos – dos quais é necessário se libertar. O homem é provido da razão, mas tb de patologias. As patologias se dão nas inclinações e afetos – dos quais é necessário se libertar. Liberta-se das afeições é um dos ideais estóicos. Pois através dos vínculos afetivos os homens de escravizam. Liberta-se das afeições é um dos ideais estóicos. Pois através dos vínculos afetivos os homens de escravizam. O homem deve se desligar das coisas do mundo, apagando-as até atingir a apatia. O homem deve se desligar das coisas do mundo, apagando-as até atingir a apatia.

73 O prazer deve ser evitado, pois pertence às afeições. O prazer deve ser evitado, pois pertence às afeições. A virtude é autárquica – auto-suficiente. O verdadeiro sábio encontra nela a defesa para suas angústias do mundo exterior. A virtude é autárquica – auto-suficiente. O verdadeiro sábio encontra nela a defesa para suas angústias do mundo exterior. A virtude é única – nisso funda-se em Sócrates – e entre a virtude, bem único, e o vício, único mal, não há meio termo. A virtude é única – nisso funda-se em Sócrates – e entre a virtude, bem único, e o vício, único mal, não há meio termo. Não confunde o desejável, com o eticamente bom. Não confunde o desejável, com o eticamente bom. F) A Ética Formal F) A Ética Formal A ética dos bens se preocupa com a relação estabelecida entre o proceder individual e o supremo fim da existência humana. A ética dos bens se preocupa com a relação estabelecida entre o proceder individual e o supremo fim da existência humana.

74 Já para Kant, em sua filosofia prática, a significação moral do comportamento não reside em resultados externos, mas na pureza da vontade e na retidão dos propósitos do agente considerado. Já para Kant, em sua filosofia prática, a significação moral do comportamento não reside em resultados externos, mas na pureza da vontade e na retidão dos propósitos do agente considerado. Trabalha-se a moralidade de um ato a partir do foro íntimo da pessoa. O que significa isso? Trabalha-se a moralidade de um ato a partir do foro íntimo da pessoa. O que significa isso? A boa vontade não é boa pelo que efetue e realize, não é boa por sua adequação para alcançar algum fim que nos tenhamos proposto; é boa só pelo querer, quer dizer, é boa em si mesma... A boa vontade não é boa pelo que efetue e realize, não é boa por sua adequação para alcançar algum fim que nos tenhamos proposto; é boa só pelo querer, quer dizer, é boa em si mesma...

75 Moralmente valioso é o atuar que, além da concordância com aquilo que a norma impõe, exprime o cumprimento do dever pelo dever. Ou seja, por respeito à exigência ética. Moralmente valioso é o atuar que, além da concordância com aquilo que a norma impõe, exprime o cumprimento do dever pelo dever. Ou seja, por respeito à exigência ética. O fundamento da lei moral não está na experiência, mas se apóia em princípios racionais apriorísticos. A lei que representa a conduta boa, vem do imperativo categórico, critério supremo da moralidade: O fundamento da lei moral não está na experiência, mas se apóia em princípios racionais apriorísticos. A lei que representa a conduta boa, vem do imperativo categórico, critério supremo da moralidade: Age sempre de tal modo que a máxima de tua ação possa ser elevada, por sua vontade, à categoria de lei de universal observância. Age sempre de tal modo que a máxima de tua ação possa ser elevada, por sua vontade, à categoria de lei de universal observância.

76 Esse enunciado exprime duas exigências: a exigência da autonomia e da universalidade. Esse enunciado exprime duas exigências: a exigência da autonomia e da universalidade. O ato só é moralmente valioso quando representa observância de uma norma que o sujeito se deu a si mesmo. Se a conduta não atende a um mandato vindo da própria vontade, mas procede da vontade de outro, carece de valor de valor do ponto vista ético. O ato só é moralmente valioso quando representa observância de uma norma que o sujeito se deu a si mesmo. Se a conduta não atende a um mandato vindo da própria vontade, mas procede da vontade de outro, carece de valor de valor do ponto vista ético. E para que o ato valha moralmente é indispensável que deva ser aplicado a todo ser racional – universalidade. A lei moral não pode ter fundamento subjetivo, contingente e empírico, mas deverá estar racionalmente fundado. E o fundamento objetivo dela somente pode encontrar-se no conceito da dignidade da pessoal. E para que o ato valha moralmente é indispensável que deva ser aplicado a todo ser racional – universalidade. A lei moral não pode ter fundamento subjetivo, contingente e empírico, mas deverá estar racionalmente fundado. E o fundamento objetivo dela somente pode encontrar-se no conceito da dignidade da pessoal.

77 O conceito mais importante da ética de Kant é a boa vontade. O conceito mais importante da ética de Kant é a boa vontade. A partir de Kant o que se considerará em ética será a atitude interior da pessoa. O centro da moral será a pureza das intenções. A partir de Kant o que se considerará em ética será a atitude interior da pessoa. O centro da moral será a pureza das intenções. E boa vontade se definirá como: aquela que age não só conforme o dever, mas por dever. E boa vontade se definirá como: aquela que age não só conforme o dever, mas por dever. Ex. conservar a vida é um dever. Se nos preocuparmos apenas com isso, nossa conduta fica reduzida de significação moral. Se atentamos contra ela, descumprimos o dever. Mas se alguém perdeu todo apego à vida e, mesmo não temendo, ou até desejando a morte, conserva a existência para não descumprir o dever se conservar a vida, sua conduta coincide externa e internamente com a lei moral e possui o valor moral pleno. Ex. conservar a vida é um dever. Se nos preocuparmos apenas com isso, nossa conduta fica reduzida de significação moral. Se atentamos contra ela, descumprimos o dever. Mas se alguém perdeu todo apego à vida e, mesmo não temendo, ou até desejando a morte, conserva a existência para não descumprir o dever se conservar a vida, sua conduta coincide externa e internamente com a lei moral e possui o valor moral pleno.

78 Outro conceito importante é o dos imperativos. Os fenômenos da natureza decorrem das leis naturais, os fenômenos humanos derivam de princípios. Outro conceito importante é o dos imperativos. Os fenômenos da natureza decorrem das leis naturais, os fenômenos humanos derivam de princípios. A determinação da vontade por leis objetivas se chama constrição. A determinação da vontade por leis objetivas se chama constrição. A representação de um princípio objetivo constritivo para a razão se formula através de um imperativo. A representação de um princípio objetivo constritivo para a razão se formula através de um imperativo. O imperativo se exterioriza sob a forma de um dever ser e se divide em categórico e hipotético. O imperativo se exterioriza sob a forma de um dever ser e se divide em categórico e hipotético.

79 O imperativo categórico impõe uma conduta por si mesma, enquanto o imperativo hipotético ordena comportamento como meio para atingir uma finalidade. Ex. deves amar a teus pais – imperativo categórico; se queres ir de um ponto a outro pelo caminho mais curto, deves seguir a linha reta – imperativo hipotético. O imperativo categórico impõe uma conduta por si mesma, enquanto o imperativo hipotético ordena comportamento como meio para atingir uma finalidade. Ex. deves amar a teus pais – imperativo categórico; se queres ir de um ponto a outro pelo caminho mais curto, deves seguir a linha reta – imperativo hipotético. A fórmula do imperativo categórico é célebre: Age só segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal. Isso significa que a pessoa deve agir espontaneamente, com ação produzida por sua vontade e não por vontade do outro. E para que o comportamento seja eticamente valioso, ele deve revestir valor universal. A fórmula do imperativo categórico é célebre: Age só segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal. Isso significa que a pessoa deve agir espontaneamente, com ação produzida por sua vontade e não por vontade do outro. E para que o comportamento seja eticamente valioso, ele deve revestir valor universal.

80 Kant distingue máxima e lei moral. Kant distingue máxima e lei moral. Máxima: é o princípio subjetivo da ação, a regra de acordo com a qual procede o sujeito. Máxima: é o princípio subjetivo da ação, a regra de acordo com a qual procede o sujeito. A Lei, ao contrário, constitui o princípio objetivo, universalmente válido, de acordo com o qual a pessoa deve conduzir-se. O que o imperativo categórico exige é que a máxima (princípio subjetivo) seja de tal natureza que possa ser elevada à categoria de lei de universal observância. A Lei, ao contrário, constitui o princípio objetivo, universalmente válido, de acordo com o qual a pessoa deve conduzir-se. O que o imperativo categórico exige é que a máxima (princípio subjetivo) seja de tal natureza que possa ser elevada à categoria de lei de universal observância. O valor que vai servir de valor absoluto para os imperativos, é a pessoa humana. O valor que vai servir de valor absoluto para os imperativos, é a pessoa humana.

81 Os objetos de nossas aspirações têm valor relativo, servindo como meios. Só o homem tem valor absoluto. Os objetos de nossas aspirações têm valor relativo, servindo como meios. Só o homem tem valor absoluto. As coisas têm preço, as pessoas têm dignidade. O imperativo prático será, pois, como segue: As coisas têm preço, as pessoas têm dignidade. O imperativo prático será, pois, como segue: age de tal modo que uses a humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre como um fim ao mesmo tempo e nunca como um meio. age de tal modo que uses a humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre como um fim ao mesmo tempo e nunca como um meio.

82 A idéia de autonomia e heteronomia tb é importante. A idéia de autonomia e heteronomia tb é importante. Só se poderá falar em ética a partir da autonomia. Só se poderá falar em ética a partir da autonomia. G) Ética dos valores G) Ética dos valores Inversão da ética Kantiana. Inversão da ética Kantiana. Para kant, o valor de uma ação depende da relação da conduta com o princípio do dever, o imperativo categórico. Para kant, o valor de uma ação depende da relação da conduta com o princípio do dever, o imperativo categórico. Para a ética do valor, todo dever encontra fundamento em um valor. Para a ética do valor, todo dever encontra fundamento em um valor.

83 Sendo assim, deve ser aquilo que é valioso e tudo que é valioso deve ser. Sendo assim, deve ser aquilo que é valioso e tudo que é valioso deve ser. Aqui o valor passa a ser o conceito ético essencial. Aqui o valor passa a ser o conceito ético essencial. A nossa consciência adverte sobre a existência dos valores. A nossa consciência adverte sobre a existência dos valores. Mas os valores não foram criados pela nossa consciência. Mas os valores não foram criados pela nossa consciência. Os valores só foram descobertos pela consciência. Os valores só foram descobertos pela consciência. Conclusão, só pode ser descoberto o que já existe. Conclusão, só pode ser descoberto o que já existe.

84 1. Sobre a existência do valor 1. Sobre a existência do valor Se a consciência só descobre é porque os valores já existem. Se a consciência só descobre é porque os valores já existem. A existência dos valores – existem valores? A tese é de que existem e podem ser constatados por qualquer pensante. A existência dos valores – existem valores? A tese é de que existem e podem ser constatados por qualquer pensante. Os valores só podem ser sentidos ou intuídos. Os valores só podem ser sentidos ou intuídos. Os valores não dependem da ordem material. Os valores não dependem da ordem material. Os valores integram a ordem do mundo supra- sensível, podendo ser somente captado pelo intelecto, não pelos sentidos. Os valores integram a ordem do mundo supra- sensível, podendo ser somente captado pelo intelecto, não pelos sentidos.

85 Para clarear: a filosofia reconhece dois tipos de existência: o real e o ideal. Para clarear: a filosofia reconhece dois tipos de existência: o real e o ideal. Ao mundo real pertencem todas as coisa que ocupam lugar no espaço e tempo. O ser real se encontra temporalmente localizado. Ao mundo real pertencem todas as coisa que ocupam lugar no espaço e tempo. O ser real se encontra temporalmente localizado. Por estar temporalmente localizado, pode ser objeto do conhecimento sensível. Por estar temporalmente localizado, pode ser objeto do conhecimento sensível. Na esfera prática têm essa forma de existência o agir humano: intenções, propósitos, decisões voluntárias, juízos, sentido de responsabilidade, consciência de culpa. Na esfera prática têm essa forma de existência o agir humano: intenções, propósitos, decisões voluntárias, juízos, sentido de responsabilidade, consciência de culpa.

86 Já os valores não integram a ordem da realidade. Os valores se situam como ideais que a realidade deve seguir, se espelhar. Já os valores não integram a ordem da realidade. Os valores se situam como ideais que a realidade deve seguir, se espelhar. Por isso o problema é de definir que exista só o real e não o ideal. Por isso o problema é de definir que exista só o real e não o ideal. Uma outro problema, confundir idealidade com subjetividade. Uma outro problema, confundir idealidade com subjetividade. Ideal não aquilo que é objeto da representação. Na lógica e na matemática, se observa bem a força da idealidade: quando se afirma que o todo é maior do que a parte, independentemente de alguém imaginá-lo assim, o postulado continua sendo o mesmo. Ideal não aquilo que é objeto da representação. Na lógica e na matemática, se observa bem a força da idealidade: quando se afirma que o todo é maior do que a parte, independentemente de alguém imaginá-lo assim, o postulado continua sendo o mesmo.

87 Os valores se submetem a uma hierarquia, não por eleição, mas objetivamente. Os valores se submetem a uma hierarquia, não por eleição, mas objetivamente. Os critérios que são utilizados para a hierarquia dos valores segundo Scheler: Um valor é tanto mais alto: a) quanto mais duradouro é; b) quanto menos participa da extensão e da divisibilidade; c) quanto mais é satisfação ligada à intuição do mesmo; d) quanto menos se acha fundamentados por outros valores; e) quanto menos relativa seja sua percepção sentimental... Os critérios que são utilizados para a hierarquia dos valores segundo Scheler: Um valor é tanto mais alto: a) quanto mais duradouro é; b) quanto menos participa da extensão e da divisibilidade; c) quanto mais é satisfação ligada à intuição do mesmo; d) quanto menos se acha fundamentados por outros valores; e) quanto menos relativa seja sua percepção sentimental...

88 A durabilidade do valor tem a idéia de permanência. Ex. Não teria sentido o amante declarar que ama agora ou durante um certo tempo. A durabilidade do valor tem a idéia de permanência. Ex. Não teria sentido o amante declarar que ama agora ou durante um certo tempo. O valor é mais elevado quanto menor a necessidade de dividi-lo com outrem. Ex. A obra de arte é indivisível. Imagina dividir uma tela de arte para dar um pedaço para cada pessoa, a obra perde seu valor. O valor é mais elevado quanto menor a necessidade de dividi-lo com outrem. Ex. A obra de arte é indivisível. Imagina dividir uma tela de arte para dar um pedaço para cada pessoa, a obra perde seu valor. O valor fundamentado em outro é sempre inferior ao fundamentante.Ex. a vida, entre os direitos fundamentais, é o bem por excelência. Todos os demais direitos são bens da vida. O valor fundamentado em outro é sempre inferior ao fundamentante.Ex. a vida, entre os direitos fundamentais, é o bem por excelência. Todos os demais direitos são bens da vida.

89 A satisfação coincide com a vivência de cumprimento, não com o estado de prazer gerado pela posse do valor. A satisfação coincide com a vivência de cumprimento, não com o estado de prazer gerado pela posse do valor. 2. Sobre o conhecimento dos valores: 2. Sobre o conhecimento dos valores: Existem bens porque existem valores, não o contrário. São os valores que determinam os bens. Existem bens porque existem valores, não o contrário. São os valores que determinam os bens. O ser humano confere a determinadas coisas ou ações valores que as qualifica como sendo boas ou ruins, úteis ou inúteis, agradáveis, belas ou feias. O ser humano confere a determinadas coisas ou ações valores que as qualifica como sendo boas ou ruins, úteis ou inúteis, agradáveis, belas ou feias.

90 A pauta dos valores é aprioristica e, embora se afirme baseada na imitação, ou na índole intuitiva e emocional do conhecimento, ela existe em toda sã consciência. A pauta dos valores é aprioristica e, embora se afirme baseada na imitação, ou na índole intuitiva e emocional do conhecimento, ela existe em toda sã consciência. A intuição dos valore não é completa, nem perfeita. Nenhuma pessoa é capaz de intuir todos os valores. Quando intuí nem sempre pode fazer de forma nítida. A intuição dos valore não é completa, nem perfeita. Nenhuma pessoa é capaz de intuir todos os valores. Quando intuí nem sempre pode fazer de forma nítida. É preciso crescer nessa arte de conhecer os valores. É preciso crescer nessa arte de conhecer os valores. A missão do pedagogo e do moralista é desenvolver a sensibilidade para o conhecimento daquilo que é eticamente relevante. A missão do pedagogo e do moralista é desenvolver a sensibilidade para o conhecimento daquilo que é eticamente relevante.

91 A história tem demonstrado a nossa cegueira valorativa, fruto de uma sociedade que não educa para os valores mais elevados. A história tem demonstrado a nossa cegueira valorativa, fruto de uma sociedade que não educa para os valores mais elevados. Mas a cegueira valorativa ou miopia moral, não destrói a doutrina da objetividade dos valores. As variações da intuição estimativa não alteram o valor, que permanece íntegro, à espera da descoberta. Mas a cegueira valorativa ou miopia moral, não destrói a doutrina da objetividade dos valores. As variações da intuição estimativa não alteram o valor, que permanece íntegro, à espera da descoberta. 3. Sobre a realização dos valores 3. Sobre a realização dos valores O ser em si dos valores subsiste mesmo se não realizados. O ser em si dos valores subsiste mesmo se não realizados.

92 A consciência é testemunha da realização dos valores, pois é ela que sinaliza o que é e não é valioso, que determina o juízo moral, mo sentimento de responsabilidade e a consciência de culpa. A consciência é testemunha da realização dos valores, pois é ela que sinaliza o que é e não é valioso, que determina o juízo moral, mo sentimento de responsabilidade e a consciência de culpa. Os valore são princípios da esfera ética real. Determinam a conduta humana. O valor moral não se funda no dever, mas o dever se funda nos valores. Os valore são princípios da esfera ética real. Determinam a conduta humana. O valor moral não se funda no dever, mas o dever se funda nos valores. O dever ser na ética valorativa tem os seguintes elementos: a) a existência de um valor; b) o dever ser ideal do mesmo; c) a atualização de tal dever; d) a existência de um ser capaz de realizar o valioso. O dever ser na ética valorativa tem os seguintes elementos: a) a existência de um valor; b) o dever ser ideal do mesmo; c) a atualização de tal dever; d) a existência de um ser capaz de realizar o valioso.

93 Mas como realizar o valioso? Realizar o valioso consiste para o homem num dever. E o dever impõe uma conduta. Mas como realizar o valioso? Realizar o valioso consiste para o homem num dever. E o dever impõe uma conduta. A realização dos valores se consuma através de um processo de dúplice etapa: determinação primária e secundária. A realização dos valores se consuma através de um processo de dúplice etapa: determinação primária e secundária. A primária é a fase da intuição. A secundária é a da deliberação da vontade. A primária é a fase da intuição. A secundária é a da deliberação da vontade. 4. Sobre a liberdade moral 4. Sobre a liberdade moral Só se a liberdade existir é que a conduta humana terá significado moral. Só se a liberdade existir é que a conduta humana terá significado moral. Se não existe liberdade, a pessoa não poderá responder por seu comportamento. Se não existe liberdade, a pessoa não poderá responder por seu comportamento.

94 A liberdade moral não se confunde com a liberdade jurídica. A liberdade moral não se confunde com a liberdade jurídica. A liberdade jurídica: é uma faculdade puramente normativa – é mais no âmbito espacial de atividade exterior, que a lei limita e protege. A liberdade jurídica: é uma faculdade puramente normativa – é mais no âmbito espacial de atividade exterior, que a lei limita e protege. A liberdade moral: é atributo real da vontade. A moral é pensada como um poder capaz de transpassar o permitido. A liberdade moral: é atributo real da vontade. A moral é pensada como um poder capaz de transpassar o permitido. Também não se pode confundir livre-arbítrio com liberdade de ação. Também não se pode confundir livre-arbítrio com liberdade de ação. A liberdade de ação: é mero atributo da decisão. A liberdade de ação: é mero atributo da decisão.

95 O livre arbítrio: é aquele capaz de decidir. O livre arbítrio: é aquele capaz de decidir. O homem por se um ente natural, acha-se casualmente determinado por suas tendências, afetos e inclinações. O homem por se um ente natural, acha-se casualmente determinado por suas tendências, afetos e inclinações. Como pessoa, é portador de outra determinação, que vem do reino ideal dos valores. Esta determinação permite eleger finalidades, optar por meios e colocá-los em ação para chegar àquelas. Como pessoa, é portador de outra determinação, que vem do reino ideal dos valores. Esta determinação permite eleger finalidades, optar por meios e colocá-los em ação para chegar àquelas.

96 ÉTICA E SOCIEDADE ÉTICA E SOCIEDADE 1. DEVERES ÉTICOS: 1. DEVERES ÉTICOS: A sociedade surge de maneira natural, pois o homem é um animal político por excelência e só realiza seus objetivos individuais se conseguir aliar a própria força aos demais. A primeira sociedade é a família a segunda forma de sociedade é o Estado. A sociedade surge de maneira natural, pois o homem é um animal político por excelência e só realiza seus objetivos individuais se conseguir aliar a própria força aos demais. A primeira sociedade é a família a segunda forma de sociedade é o Estado.

97 O Estado é a forma social mais abrangente. O Estado é a forma social mais abrangente. É a sociedade de fins gerais É a sociedade de fins gerais Sociedade que permite o desenvolvimento, em seu seio, das individualidades e das demais sociedades, chamadas de fins particulares. Sociedade que permite o desenvolvimento, em seu seio, das individualidades e das demais sociedades, chamadas de fins particulares.

98 2. ÉTICA E O ESTADO 2. ÉTICA E O ESTADO O Estado como pessoa é uma ficção. O Estado como pessoa é uma ficção. Constitui um arranjo formulado pelos homens para organizar a sociedade e disciplinar o poder, afim de que todos possam se realizar em plenitude, atingindo suas finalidades particulares. Constitui um arranjo formulado pelos homens para organizar a sociedade e disciplinar o poder, afim de que todos possam se realizar em plenitude, atingindo suas finalidades particulares.

99 Sendo assim, não faria sentido falar em Estado ético ou aético. Éticos ou aéticos são os homens que integram o Estado. Sendo assim, não faria sentido falar em Estado ético ou aético. Éticos ou aéticos são os homens que integram o Estado. Na verdade o Estado mantém e difunde a moral. Na verdade o Estado mantém e difunde a moral. Todo Estado, mesmos os autoritários, vestem sua ordem jurídica (leis), política e vida social com um manto moral. Todo Estado, mesmos os autoritários, vestem sua ordem jurídica (leis), política e vida social com um manto moral.

100 O revestimento moral traduzirá a opção fundamental do Estado: a moral do capitalismo, a moral do socialismo, a moral da globalização. O revestimento moral traduzirá a opção fundamental do Estado: a moral do capitalismo, a moral do socialismo, a moral da globalização. O Estado tem um valor ético. A essência ética do Estado é de realizar o mínimo ético da convivência humana. Esse mínimo ético é garantido mediante a instituição da ordem jurídica. O Estado tem um valor ético. A essência ética do Estado é de realizar o mínimo ético da convivência humana. Esse mínimo ético é garantido mediante a instituição da ordem jurídica.

101 Há uma justificação moral para o exercício do instrumento do poder de que dispõe e há um caráter moral em seu uso. Há uma justificação moral para o exercício do instrumento do poder de que dispõe e há um caráter moral em seu uso. Esse caráter moral coloca um dique ao predomínio dos elementos menos humanos da natureza humana em benefício da verdadeira humanidade. Esse caráter moral coloca um dique ao predomínio dos elementos menos humanos da natureza humana em benefício da verdadeira humanidade. O Estado é pois, a autodefesa do espírito humano ao assegurar a existência verdadeiramente humana dentro da vida coletiva. O Estado é pois, a autodefesa do espírito humano ao assegurar a existência verdadeiramente humana dentro da vida coletiva.

102 O Estado não é as idéia ética universal, mas é o instrumento para se atingir o objetivo ético da criatura humana. O Estado não é as idéia ética universal, mas é o instrumento para se atingir o objetivo ético da criatura humana. Essa idéia é muito presente no Estado brasileiro. Essa idéia é muito presente no Estado brasileiro. A administração pública brasileira se submete ao princípio da moralidade. A administração pública brasileira se submete ao princípio da moralidade. O Estado brasileiro tem de se conduzir moralmente, por vontade expressa na constituinte. O Estado brasileiro tem de se conduzir moralmente, por vontade expressa na constituinte. O poder público pode ser responsabilizado se não se não tiver gerindo a coisa comum de maneira eticamente irrepreensível. O poder público pode ser responsabilizado se não se não tiver gerindo a coisa comum de maneira eticamente irrepreensível.

103 A moralidade administrativa é hoje pressuposto da validade de todo ato da administração pública. A moralidade administrativa é hoje pressuposto da validade de todo ato da administração pública. o agente administrativo, como o ser humano dotado de capacidade de atuar, deve, necessariamente, distinguir o Bem do mal, o honesto e o desonesto. E, ao atuar, não poderá desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e inoportuno, mas também o honesto e desonesto. o agente administrativo, como o ser humano dotado de capacidade de atuar, deve, necessariamente, distinguir o Bem do mal, o honesto e o desonesto. E, ao atuar, não poderá desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e inoportuno, mas também o honesto e desonesto.

104 Parece que o intuito da constituinte foi o de fazer o administrador refletir sobre o aspecto ético da sua atuação. Parece que o intuito da constituinte foi o de fazer o administrador refletir sobre o aspecto ético da sua atuação. A imoralidade administrativa no Brasil comporta sanções. A) Ação popular para anular ato lesivo à moralidade administrativa. B) outra é a punição à improbidade administrativa do governante, seja mediante suspensão de direitos políticos além de outras retribuições. A imoralidade administrativa no Brasil comporta sanções. A) Ação popular para anular ato lesivo à moralidade administrativa. B) outra é a punição à improbidade administrativa do governante, seja mediante suspensão de direitos políticos além de outras retribuições. Todavia, a realização da idéia ética do Estado, não é so responsabilidade dele, mas de toda sociedade. Todavia, a realização da idéia ética do Estado, não é so responsabilidade dele, mas de toda sociedade.

105 Aquilo que se chama salto qualitativo ético na sociedade política brasileira só virá quando a comunidade nacional estiver inteira e coesamente desperta para a realização do trabalho do governo. O governo só se legitima se estiver a serviço do povo. Aquilo que se chama salto qualitativo ético na sociedade política brasileira só virá quando a comunidade nacional estiver inteira e coesamente desperta para a realização do trabalho do governo. O governo só se legitima se estiver a serviço do povo. O mandato ao governante não foi outorgado por DEUS. Foi outorgado pelo povo, titular da soberania, por força do pacto constitucional. O mandato ao governante não foi outorgado por DEUS. Foi outorgado pelo povo, titular da soberania, por força do pacto constitucional. Cada brasileiro deve ter consciência de que o governante está a seu serviço e não ele a serviço do governante, e de que é bom governante apenas aquele que tem como meta exclusiva servir ao cidadão. Cada brasileiro deve ter consciência de que o governante está a seu serviço e não ele a serviço do governante, e de que é bom governante apenas aquele que tem como meta exclusiva servir ao cidadão.

106 3. ÉTICA PUBLICA E PRIVADA: 3. ÉTICA PUBLICA E PRIVADA: Ética pública: é a moralidade com vocação de incorporar-se ao direito positivo, orientando seus fins e seus objetivos como direito justo. Ética pública: é a moralidade com vocação de incorporar-se ao direito positivo, orientando seus fins e seus objetivos como direito justo. Quando ainda não se incorporou ao direito positivo, mas serve de critério para apreciar a norma positiva, ela é chamada moralidade crítica. Quando ainda não se incorporou ao direito positivo, mas serve de critério para apreciar a norma positiva, ela é chamada moralidade crítica. Quando já incorporada ao direito positivo, é chamada morlidade legalizada ou privada. Quando já incorporada ao direito positivo, é chamada morlidade legalizada ou privada. Embora se relacionando com a ética privada, a ética pública não se confunde com ela. Embora se relacionando com a ética privada, a ética pública não se confunde com ela.

107 A ética pública é uma ética procedimental que não assinala critérios, nem estabelece condutas obrigatórias, para alcançar a salvação, o bem, e a felicidade, nem fixa qual deve ser nosso plano de vida último. Marca critérios, guias e orientações, para organizar a vida social, de tal maneira que situe a cada um para atuar livremente nessa dimensão última de escolher nosso caminho, nosso plano de vida para alcançar o bem, a virtude e a felicidade ou a salvação, para eleger livremente nossa ética privada. A ética pública é uma ética procedimental que não assinala critérios, nem estabelece condutas obrigatórias, para alcançar a salvação, o bem, e a felicidade, nem fixa qual deve ser nosso plano de vida último. Marca critérios, guias e orientações, para organizar a vida social, de tal maneira que situe a cada um para atuar livremente nessa dimensão última de escolher nosso caminho, nosso plano de vida para alcançar o bem, a virtude e a felicidade ou a salvação, para eleger livremente nossa ética privada.

108 A ética pública supõe um esforço de racionalização da vida política e jurídica para alcançar a humanização de todos. Instrumento voltado ao desenvolvimento integral de cada ser humano. A ética pública supõe um esforço de racionalização da vida política e jurídica para alcançar a humanização de todos. Instrumento voltado ao desenvolvimento integral de cada ser humano. Ética privada: é uma ética de conteúdos e de conditas que assinala critérios para salvação, a virtude, o bem ou a felicidade, quer dizer, orienta nossos planos de vida. Ética privada: é uma ética de conteúdos e de conditas que assinala critérios para salvação, a virtude, o bem ou a felicidade, quer dizer, orienta nossos planos de vida. Ela tem duas dimensões: a individual e a social. Deve ser resultado da opção de quem a abraça, daí o caráter de autonomia, mas suscetível de ser oferecida a todos os demais como se fora uma lei geral, daí a universalidade. Ela tem duas dimensões: a individual e a social. Deve ser resultado da opção de quem a abraça, daí o caráter de autonomia, mas suscetível de ser oferecida a todos os demais como se fora uma lei geral, daí a universalidade.

109 O que distingue a ética pública da privada é que a primeira é formal e procedimental, a segunda é material e de conteúdo. O que distingue a ética pública da privada é que a primeira é formal e procedimental, a segunda é material e de conteúdo. O paradigma da ética pública da modernidade da noção de liberdade social, completada pelos valores segurança, igualdade e solidariedade. O paradigma da ética pública da modernidade da noção de liberdade social, completada pelos valores segurança, igualdade e solidariedade. A liberdade social permitirá a cada pessoa, de maneira autônoma, exercer sua liberdade moral. A liberdade social permitirá a cada pessoa, de maneira autônoma, exercer sua liberdade moral. A cada ser humano há de ser garantido escolher livremente o seu plano individual de existência. A cada ser humano há de ser garantido escolher livremente o seu plano individual de existência.

110 A finalidade da ética pública é estabelecer critérios para que os espaços sociais estejam abertos à realização de projetos morais individuais. A finalidade da ética pública é estabelecer critérios para que os espaços sociais estejam abertos à realização de projetos morais individuais. O projeto moral individual é traçado pela ética privada, aquela que estabelece modelos de conduta ou comportamento, estratégias de felicidade ou ideais sobre o bem e virtudes. O projeto moral individual é traçado pela ética privada, aquela que estabelece modelos de conduta ou comportamento, estratégias de felicidade ou ideais sobre o bem e virtudes. Quando ética pública e privada não se compatibilizam, quase sempre se frustrará o projeto de realização individual das pessoas. Quando ética pública e privada não se compatibilizam, quase sempre se frustrará o projeto de realização individual das pessoas.

111 Os governantes têm o dever de zelar pela fixação e observância da ética pública. Os governantes têm o dever de zelar pela fixação e observância da ética pública. 4. A ÉTICA E A PROFISSÃO FORENSE 4. A ÉTICA E A PROFISSÃO FORENSE 1. Conceito de profissão> sob o enfoque eminentemente moral, profissão como uma atividade pessoal, desenvolvida de maneira estável e honrada, ao serviço dos outros e a benefício próprio, de conformidade com a própria vocação e em atenção à dignidade da pessoa humana. 1. Conceito de profissão> sob o enfoque eminentemente moral, profissão como uma atividade pessoal, desenvolvida de maneira estável e honrada, ao serviço dos outros e a benefício próprio, de conformidade com a própria vocação e em atenção à dignidade da pessoa humana. Merece destaque> atividade a serviço dos outros (a finalidade social de toda profissão). Merece destaque> atividade a serviço dos outros (a finalidade social de toda profissão).

112 O espírito de serviço, de doação ao próximo, de solidariedade é característica essencial à profissão. O espírito de serviço, de doação ao próximo, de solidariedade é característica essencial à profissão. O profissional que considera apenas a sua própria realização, o bem-estar pessoal, e a retribuição econômica por seu serviço, não é alguém vocacionado. O profissional que considera apenas a sua própria realização, o bem-estar pessoal, e a retribuição econômica por seu serviço, não é alguém vocacionado. Destacar também, em benefício próprio. À função social da profissão não é incompatível o fato de se destinar ela a satisfazer o bem particular de quem a exercita. Destacar também, em benefício próprio. À função social da profissão não é incompatível o fato de se destinar ela a satisfazer o bem particular de quem a exercita.

113 Deve exercer a profissão contemplando o bem alheio e com o intuito de atender à própria necessidade de subsistência. Deve exercer a profissão contemplando o bem alheio e com o intuito de atender à própria necessidade de subsistência. 2. A ética na profissão 2. A ética na profissão Todas as profissões reclama o proceder ético. Todas as profissões reclama o proceder ético. Isso explica a disseminação dos chamados códigos deontológicos de muitas categorias profissionais. Isso explica a disseminação dos chamados códigos deontológicos de muitas categorias profissionais. Deontologia é a teoria dos deveres. Deontologia é a teoria dos deveres. Deontologia profissional se chama o complexo de princípios e regras que disciplinam particulares comportamentos do integrante de uma determinada profissão. Deontologia profissional se chama o complexo de princípios e regras que disciplinam particulares comportamentos do integrante de uma determinada profissão.

114 3. Ética profissional 3. Ética profissional Muitos autores definem a ética profissional como sendo um conjunto de normas de conduta que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer profissão. Muitos autores definem a ética profissional como sendo um conjunto de normas de conduta que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer profissão. Seria a ação reguladora da ética agindo no desempenho das profissões, fazendo com que o profissional respeite seu semelhante quando no exercício da sua profissão. Seria a ação reguladora da ética agindo no desempenho das profissões, fazendo com que o profissional respeite seu semelhante quando no exercício da sua profissão.

115 Ela atinge todas as profissões e quando falamos de ética profissional estamos nos referindo ao caráter normativo e até jurídico que regulamenta determinada profissão a partir de estatutos e códigos específicos. Ela atinge todas as profissões e quando falamos de ética profissional estamos nos referindo ao caráter normativo e até jurídico que regulamenta determinada profissão a partir de estatutos e códigos específicos. Acontece que, em geral, as profissões apresentam a ética firmada em questões muito relevantes que ultrapassam o campo profissional em si. Questões como o aborto, pena de morte, seqüestros, eutanásia, AIDS, por exemplo, são questões morais que se apresentam como problemas éticos - porque pedem uma reflexão profunda - e, um profissional, ao se debruçar sobre elas, não o faz apenas como tal, mas como um pensador, um "filósofo da ciência", ou seja, da profissão que exerce. Acontece que, em geral, as profissões apresentam a ética firmada em questões muito relevantes que ultrapassam o campo profissional em si. Questões como o aborto, pena de morte, seqüestros, eutanásia, AIDS, por exemplo, são questões morais que se apresentam como problemas éticos - porque pedem uma reflexão profunda - e, um profissional, ao se debruçar sobre elas, não o faz apenas como tal, mas como um pensador, um "filósofo da ciência", ou seja, da profissão que exerce.

116 Desta forma, a reflexão ética entra na moralidade de qualquer atividade profissional humana. Desta forma, a reflexão ética entra na moralidade de qualquer atividade profissional humana. Sendo a ética inerente à vida humana, sua importância é bastante evidenciada na vida profissional, porque cada profissional tem responsabilidades individuais e responsabilidades sociais, pois envolvem pessoas que dela se beneficiam. Sendo a ética inerente à vida humana, sua importância é bastante evidenciada na vida profissional, porque cada profissional tem responsabilidades individuais e responsabilidades sociais, pois envolvem pessoas que dela se beneficiam. A ética é ainda indispensável ao profissional, porque na ação humana o fazer e o agir estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão. A ética é ainda indispensável ao profissional, porque na ação humana o fazer e o agir estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão.

117 A Ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano, por isso, o agir da pessoa humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela Ética: o que é o homem e para que vive, logo toda capacitação científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. (MOTTA, 1984, p. 69) A Ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano, por isso, o agir da pessoa humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela Ética: o que é o homem e para que vive, logo toda capacitação científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. (MOTTA, 1984, p. 69)

118 4. Individualismo e ética profissional Parece ser uma tendência do ser humano, como tem sido objeto de referências de muitos estudiosos, a de defender, em primeiro lugar, seus interesses próprios e, quando esses interesses são de natureza pouco recomendável, ocorrem seríssimos problemas. Parece ser uma tendência do ser humano, como tem sido objeto de referências de muitos estudiosos, a de defender, em primeiro lugar, seus interesses próprios e, quando esses interesses são de natureza pouco recomendável, ocorrem seríssimos problemas. O valor ético do esforço humano é variável em função de seu alcance em face da comunidade. Se o trabalho executado é só para auferir renda, em geral, tem seu valor restrito. O valor ético do esforço humano é variável em função de seu alcance em face da comunidade. Se o trabalho executado é só para auferir renda, em geral, tem seu valor restrito.

119 Por outro lado, nos serviços realizados com amor, visando ao benefício de terceiros, dentro de vasto raio de ação, com consciência do bem comum, passa a existir a expressão social do mesmo. Por outro lado, nos serviços realizados com amor, visando ao benefício de terceiros, dentro de vasto raio de ação, com consciência do bem comum, passa a existir a expressão social do mesmo. Aquele que só se preocupa com os lucros, geralmente, tende a ter menor consciência de grupo. Fascinado pela preocupação monetária, a ele pouco importa o que ocorre com a sua comunidade e muito menos com a sociedade. Aquele que só se preocupa com os lucros, geralmente, tende a ter menor consciência de grupo. Fascinado pela preocupação monetária, a ele pouco importa o que ocorre com a sua comunidade e muito menos com a sociedade. Para ilustrar essa questão, citaremos um caso, muito conhecido, porém de autor anônimo. Para ilustrar essa questão, citaremos um caso, muito conhecido, porém de autor anônimo.

120 Dizem que um sábio procurava encontrar um ser integral, em relação a seu trabalho. Entrou, então, em uma obra e começou a indagar. Ao primeiro operário perguntou o que fazia e este respondeu que procurava ganhar seu salário; ao segundo repetiu a pergunta e obteve a resposta de que ele preenchia seu tempo; finalmente, sempre repetindo a pergunta, encontrou um que lhe disse: Estou construindo uma catedral para a minha cidade. Dizem que um sábio procurava encontrar um ser integral, em relação a seu trabalho. Entrou, então, em uma obra e começou a indagar. Ao primeiro operário perguntou o que fazia e este respondeu que procurava ganhar seu salário; ao segundo repetiu a pergunta e obteve a resposta de que ele preenchia seu tempo; finalmente, sempre repetindo a pergunta, encontrou um que lhe disse: Estou construindo uma catedral para a minha cidade. A este último, o sábio teria atribuído a qualidade de ser integral em face do trabalho, como instrumento do bem comum. A este último, o sábio teria atribuído a qualidade de ser integral em face do trabalho, como instrumento do bem comum.

121 Como o número dos que trabalham, todavia, visando primordialmente ao rendimento, é grande, as classes procuram defender-se contra a dilapidação de seus conceitos, tutelando o trabalho e zelando para que uma luta encarniçada não ocorra na disputa dos serviços. Isto porque ficam vulneráveis ao individualismo. Como o número dos que trabalham, todavia, visando primordialmente ao rendimento, é grande, as classes procuram defender-se contra a dilapidação de seus conceitos, tutelando o trabalho e zelando para que uma luta encarniçada não ocorra na disputa dos serviços. Isto porque ficam vulneráveis ao individualismo. A consciência de grupo tem surgido, então, quase sempre, mais por interesse de defesa do que por altruísmo. A consciência de grupo tem surgido, então, quase sempre, mais por interesse de defesa do que por altruísmo. Isto porque, garantida a liberdade de trabalho, se não se regular e tutelar a conduta, o individualismo pode transformar a vida dos profissionais em reciprocidade de agressão. Isto porque, garantida a liberdade de trabalho, se não se regular e tutelar a conduta, o individualismo pode transformar a vida dos profissionais em reciprocidade de agressão.

122 Tal luta quase sempre se processa através de aviltamento de preços, propaganda enganosa, calúnias, difamações, tramas, tudo na ânsia de ganhar mercado e subtrair clientela e oportunidades do colega, reduzindo a concorrência. Igualmente, para maiores lucros, pode estar o indivíduo tentado a práticas viciosas, mas rentáveis. Tal luta quase sempre se processa através de aviltamento de preços, propaganda enganosa, calúnias, difamações, tramas, tudo na ânsia de ganhar mercado e subtrair clientela e oportunidades do colega, reduzindo a concorrência. Igualmente, para maiores lucros, pode estar o indivíduo tentado a práticas viciosas, mas rentáveis. Em nome dessas ambições, podem ser praticadas quebras de sigilo, ameaças de revelação de segredos dos negócios, simulação de pagamentos de impostos não recolhidos, etc. Em nome dessas ambições, podem ser praticadas quebras de sigilo, ameaças de revelação de segredos dos negócios, simulação de pagamentos de impostos não recolhidos, etc.

123 Para dar espaço a ambições de poder, podem ser armadas tramas contra instituições de classe, com denúncias falsas pela imprensa para ganhar eleições, ataque a nomes de líderes impolutos para ganhar prestígio, etc. Para dar espaço a ambições de poder, podem ser armadas tramas contra instituições de classe, com denúncias falsas pela imprensa para ganhar eleições, ataque a nomes de líderes impolutos para ganhar prestígio, etc. Os traidores e ambiciosos, quando deixados livres completamente livres, podem cometer muitos desatinos, pois muitas são as variáveis que existem no caminho do prejuízo a terceiros. Os traidores e ambiciosos, quando deixados livres completamente livres, podem cometer muitos desatinos, pois muitas são as variáveis que existem no caminho do prejuízo a terceiros.

124 A tutela do trabalho, pois, processa-se pelo caminho da exigência de uma ética, imposta através dos conselhos profissionais e de agremiações classistas. As normas devem ser condizentes com as diversas formas de prestar o serviço de organizar o profissional para esse fim. A tutela do trabalho, pois, processa-se pelo caminho da exigência de uma ética, imposta através dos conselhos profissionais e de agremiações classistas. As normas devem ser condizentes com as diversas formas de prestar o serviço de organizar o profissional para esse fim. Dentro de uma mesma classe, os indivíduos podem exercer suas atividades como empresários, autônomos e associados. Podem também dedicar-se a partes menos ou mais refinadas do conhecimento. Dentro de uma mesma classe, os indivíduos podem exercer suas atividades como empresários, autônomos e associados. Podem também dedicar-se a partes menos ou mais refinadas do conhecimento.

125 A conduta profissional, muitas vezes, pode tornar-se agressiva e inconveniente e esta é uma das fortes razões pelas quais os códigos de ética quase sempre buscam maior abrangência. A conduta profissional, muitas vezes, pode tornar-se agressiva e inconveniente e esta é uma das fortes razões pelas quais os códigos de ética quase sempre buscam maior abrangência. Tão poderosos podem ser os escritório, hospitais, firmas de engenharia, etc, que a ganância dos mesmos pode chegar ao domínio das entidades de classe e até ao Congresso e ao Executivo das nações. Tão poderosos podem ser os escritório, hospitais, firmas de engenharia, etc, que a ganância dos mesmos pode chegar ao domínio das entidades de classe e até ao Congresso e ao Executivo das nações.

126 A força do favoritismo, acionada nos instrumentos do poder através de agentes intermediários, de corrupção, de artimanhas políticas, pode assumir proporções asfixiantes para os profissionais menores, que são a maioria. A força do favoritismo, acionada nos instrumentos do poder através de agentes intermediários, de corrupção, de artimanhas políticas, pode assumir proporções asfixiantes para os profissionais menores, que são a maioria. Tais grupos podem, como vimos, inclusive, ser profissionais, pois, nestes encontramos também o poder econômico acumulado, tão como conluios com outras poderosas organizações empresariais. Tais grupos podem, como vimos, inclusive, ser profissionais, pois, nestes encontramos também o poder econômico acumulado, tão como conluios com outras poderosas organizações empresariais.

127 Portanto, quando nos referimos à classe, ao social, não nos reportamos apenas a situações isoladas, a modelos particulares, mas a situações gerais. Portanto, quando nos referimos à classe, ao social, não nos reportamos apenas a situações isoladas, a modelos particulares, mas a situações gerais. O egoísmo desenfreado de poucos pode atingir um número expressivo de pessoas e até, através delas, influenciar o destino de nações, partindo da ausência de conduta virtuosa de minorias poderosas, preocupadas apenas com seus lucros. O egoísmo desenfreado de poucos pode atingir um número expressivo de pessoas e até, através delas, influenciar o destino de nações, partindo da ausência de conduta virtuosa de minorias poderosas, preocupadas apenas com seus lucros. Sabemos que a conduta do ser humano pode tender ao egoísmo, mas, para os interesses de uma classe, de toda uma sociedade, é preciso que se acomode às normas, porque estas devem estar apoiadas em princípios de virtude. Sabemos que a conduta do ser humano pode tender ao egoísmo, mas, para os interesses de uma classe, de toda uma sociedade, é preciso que se acomode às normas, porque estas devem estar apoiadas em princípios de virtude. Como as atitudes virtuosas podem garantir o bem comum, a Ética tem sido o caminho justo, adequado, para o benefício geral. Como as atitudes virtuosas podem garantir o bem comum, a Ética tem sido o caminho justo, adequado, para o benefício geral.

128 Egresso de uma vida inculta, desorganizada, baseada apenas em instintos, o homem, sobre a Terra, foi-se organizando, na busca de maior estabilidade vital. Foi cedendo parcelas do referido individualismo para se beneficiar da união, da divisão do trabalho, da proteção da vida em comum. Egresso de uma vida inculta, desorganizada, baseada apenas em instintos, o homem, sobre a Terra, foi-se organizando, na busca de maior estabilidade vital. Foi cedendo parcelas do referido individualismo para se beneficiar da união, da divisão do trabalho, da proteção da vida em comum. A organização social foi um progresso, como continua a ser a evolução da mesma, na definição, cada vez maior, das funções dos cidadãos e tal definição acentua, gradativamente, o limite de ação das classes A organização social foi um progresso, como continua a ser a evolução da mesma, na definição, cada vez maior, das funções dos cidadãos e tal definição acentua, gradativamente, o limite de ação das classes

129 5. Vocação para coletivo 5. Vocação para coletivo Egresso de uma vida inculta, desorganizada, baseada apenas em instintos, o homem, sobre a Terra, foi-se organizando, na busca de maior estabilidade vital. Foi cedendo parcelas do referido individualismo para se beneficiar da união, da divisão do trabalho, da proteção da vida em comum. Egresso de uma vida inculta, desorganizada, baseada apenas em instintos, o homem, sobre a Terra, foi-se organizando, na busca de maior estabilidade vital. Foi cedendo parcelas do referido individualismo para se beneficiar da união, da divisão do trabalho, da proteção da vida em comum. A organização social foi um progresso, como continua a ser a evolução da mesma, na definição, cada vez maior, das funções dos cidadãos e tal definição acentua, gradativamente, o limite de ação das classes A organização social foi um progresso, como continua a ser a evolução da mesma, na definição, cada vez maior, das funções dos cidadãos e tal definição acentua, gradativamente, o limite de ação das classes

130 Sabemos que entre a sociedade de hoje e aquela primitiva não existem mais níveis de comparação, quanto à complexidade; devemos reconhecer, porém, que, nos núcleos menores, o sentido de solidariedade era bem mais acentuado, assim como os rigores éticos e poucas cidades de maior dimensão possuem, na atualidade, o espírito comunitário; também, com dificuldades, enfrentam as questões classistas.A vocação para o coletivo já não se encontra, nos dias atuais, com a mesma pujança nos grandes centros. Sabemos que entre a sociedade de hoje e aquela primitiva não existem mais níveis de comparação, quanto à complexidade; devemos reconhecer, porém, que, nos núcleos menores, o sentido de solidariedade era bem mais acentuado, assim como os rigores éticos e poucas cidades de maior dimensão possuem, na atualidade, o espírito comunitário; também, com dificuldades, enfrentam as questões classistas.A vocação para o coletivo já não se encontra, nos dias atuais, com a mesma pujança nos grandes centros.

131 Parece-me pouco entendido, por um número expressivo de pessoas, que existe um bem comum a defender e do qual elas dependem para o bem-estar próprio e o de seus semelhantes, havendo uma inequívoca interação que nem sempre é compreendida pelos que possuem espírito egoísta. Parece-me pouco entendido, por um número expressivo de pessoas, que existe um bem comum a defender e do qual elas dependem para o bem-estar próprio e o de seus semelhantes, havendo uma inequívoca interação que nem sempre é compreendida pelos que possuem espírito egoísta. Quem lidera entidades de classe bem sabe a dificuldade para reunir colegas, para delegar tarefas de utilidade geral. Quem lidera entidades de classe bem sabe a dificuldade para reunir colegas, para delegar tarefas de utilidade geral.

132 Tal posicionamento termina, quase sempre, em uma oligarquia dos que se sacrificam, e o poder das entidades tende sempre a permanecer em mãos desses grupos, por longo tempo. Tal posicionamento termina, quase sempre, em uma oligarquia dos que se sacrificam, e o poder das entidades tende sempre a permanecer em mãos desses grupos, por longo tempo. O egoísmo parece ainda vigorar e sua reversão não nos parece fácil, diante da massificação que se tem promovido, propositadamente, para a conservação dos grupos dominantes no poder. O egoísmo parece ainda vigorar e sua reversão não nos parece fácil, diante da massificação que se tem promovido, propositadamente, para a conservação dos grupos dominantes no poder. Como o progresso do individualismo gera sempre o risco da transgressão ética, imperativa se faz a necessidade de uma tutela sobre o trabalho, através de normas éticas. Como o progresso do individualismo gera sempre o risco da transgressão ética, imperativa se faz a necessidade de uma tutela sobre o trabalho, através de normas éticas.

133 É sabido que uma disciplina de conduta protege todos, evitando o caos que pode imperar quando se outorga ao indivíduo o direito de tudo fazer, ainda que prejudicando terceiros. É sabido que uma disciplina de conduta protege todos, evitando o caos que pode imperar quando se outorga ao indivíduo o direito de tudo fazer, ainda que prejudicando terceiros. É preciso que cada um ceda alguma coisa para receber muitas outras e esse é um princípio que sustenta e justifica a prática virtuosa perante a comunidade. É preciso que cada um ceda alguma coisa para receber muitas outras e esse é um princípio que sustenta e justifica a prática virtuosa perante a comunidade. O homem não deve construir seu bem a custa de destruir o de outros, nem admitir que só existe a sua vida em todo o universo. O homem não deve construir seu bem a custa de destruir o de outros, nem admitir que só existe a sua vida em todo o universo. Em geral, o egoísta é um ser de curta visão, pragmático quase sempre, isoladao em sua perseguição de um bem que imagina ser só seu. Em geral, o egoísta é um ser de curta visão, pragmático quase sempre, isoladao em sua perseguição de um bem que imagina ser só seu.

134 6. Classes Profissionais 6. Classes Profissionais Uma classe profissional caracteriza-se pela homogeneidade do trabalho executado, pela natureza do conhecimento exigido preferencialmente para tal execução e pela identidade de habilitação para o exercício da mesma. A classe profissional é, pois, um grupo dentro da sociedade, específico, definido por sua especialidade de desempenho de tarefa. Uma classe profissional caracteriza-se pela homogeneidade do trabalho executado, pela natureza do conhecimento exigido preferencialmente para tal execução e pela identidade de habilitação para o exercício da mesma. A classe profissional é, pois, um grupo dentro da sociedade, específico, definido por sua especialidade de desempenho de tarefa. A questão, pois, dos grupamentos específicos, sem dúvida, decorre de uma especialização, motivada por seleção natural ou habilidade própria, e hoje constitui-se em inequívoca força dentro das sociedades. A questão, pois, dos grupamentos específicos, sem dúvida, decorre de uma especialização, motivada por seleção natural ou habilidade própria, e hoje constitui-se em inequívoca força dentro das sociedades.

135 A formação das classes profissionais decorreu de forma natural, há milênios, e se dividiram cada vez mais. A formação das classes profissionais decorreu de forma natural, há milênios, e se dividiram cada vez mais. Historicamente, atribui-se à Idade Média a organização das classes trabalhadoras, notadamente as de artesãos, que se reuniram em corporações. Historicamente, atribui-se à Idade Média a organização das classes trabalhadoras, notadamente as de artesãos, que se reuniram em corporações. A divisão do trabalho é antiga, ligada que está à vocação e cada um para determinadas tarefas e às circunstâncias que obrigam, às vezes, a assumir esse ou aquele trabalho; ficou prático para o homem, em comunidade, transferir tarefas e executar a sua. A divisão do trabalho é antiga, ligada que está à vocação e cada um para determinadas tarefas e às circunstâncias que obrigam, às vezes, a assumir esse ou aquele trabalho; ficou prático para o homem, em comunidade, transferir tarefas e executar a sua. A união dos que realizam o mesmo trabalho foi uma evolução natural e hoje se acha não só regulada por lei, mas consolidada em instituições fortíssimas de classe. A união dos que realizam o mesmo trabalho foi uma evolução natural e hoje se acha não só regulada por lei, mas consolidada em instituições fortíssimas de classe.

136 7. Virtudes profissionais 7. Virtudes profissionais Não obstante os deveres de um profissional, os quais são obrigatórios, devem ser levadas em conta as qualidades pessoais que também concorrem para o enriquecimento de sua atuação profissional, algumas delas facilitando o exercício da profissão. Não obstante os deveres de um profissional, os quais são obrigatórios, devem ser levadas em conta as qualidades pessoais que também concorrem para o enriquecimento de sua atuação profissional, algumas delas facilitando o exercício da profissão. Muitas destas qualidades poderão ser adquiridas com esforço e boa vontade, aumentando neste caso o mérito do profissional que, no decorrer de sua atividade profissional, consegue incorporá-las à sua personalidade, procurando vivenciá-las ao lado dos deveres profissionais. Muitas destas qualidades poderão ser adquiridas com esforço e boa vontade, aumentando neste caso o mérito do profissional que, no decorrer de sua atividade profissional, consegue incorporá-las à sua personalidade, procurando vivenciá-las ao lado dos deveres profissionais.

137 Em recente artigo publicado na revista EXAME o consultor dinamarquês Clauss MOLLER (1996, p ) faz uma associação entre as virtudes lealdade, responsabilidade e iniciativa como fundamentais para a formação de recursos humanos. Segundo Clauss Moller o futuro de uma carreira depende dessas virtudes. Vejamos: Em recente artigo publicado na revista EXAME o consultor dinamarquês Clauss MOLLER (1996, p ) faz uma associação entre as virtudes lealdade, responsabilidade e iniciativa como fundamentais para a formação de recursos humanos. Segundo Clauss Moller o futuro de uma carreira depende dessas virtudes. Vejamos:

138 O senso de responsabilidade é o elemento fundamental da empregabilidade. Sem responsabilidade a pessoa não pode demonstrar lealdade, nem espírito de iniciativa [...]. Uma pessoa que se sinta responsável pelos resultados da equipe terá maior probabilidade de agir de maneira mais favorável aos interesses da equipe e de seus clientes, dentro e fora da organização [...]. A consciência de que se possui uma influência real constitui uma experiência pessoal muito importante. O senso de responsabilidade é o elemento fundamental da empregabilidade. Sem responsabilidade a pessoa não pode demonstrar lealdade, nem espírito de iniciativa [...]. Uma pessoa que se sinta responsável pelos resultados da equipe terá maior probabilidade de agir de maneira mais favorável aos interesses da equipe e de seus clientes, dentro e fora da organização [...]. A consciência de que se possui uma influência real constitui uma experiência pessoal muito importante.

139 É algo que fortalece a auto-estima de cada pessoa. Só pessoas que tenham auto-estima e um sentimento de poder próprio são capazes de assumir responsabilidade. Elas sentem um sentido na vida, alcançando metas sobre as quais concordam previamente e pelas quais assumiram responsabilidade real, de maneira consciente. É algo que fortalece a auto-estima de cada pessoa. Só pessoas que tenham auto-estima e um sentimento de poder próprio são capazes de assumir responsabilidade. Elas sentem um sentido na vida, alcançando metas sobre as quais concordam previamente e pelas quais assumiram responsabilidade real, de maneira consciente. As pessoas que optam por não assumir responsabilidades podem ter dificuldades em encontrar significado em suas vidas. Seu comportamento é regido pelas recompensas e sanções de outras pessoas - chefes e pares [...]. Pessoas desse tipo jamais serão boas integrantes de equipes. As pessoas que optam por não assumir responsabilidades podem ter dificuldades em encontrar significado em suas vidas. Seu comportamento é regido pelas recompensas e sanções de outras pessoas - chefes e pares [...]. Pessoas desse tipo jamais serão boas integrantes de equipes.

140 Prossegue citando a virtude da lealdade: Prossegue citando a virtude da lealdade: A lealdade é o segundo dos três principais elementos que compõe a empregabilidade. Um funcionário leal se alegra quando a organização ou seu departamento é bem sucedido, defende a organização, tomando medidas concretas quando ela é ameaçada, tem orgulho de fazer parte da organização, fala positivamente sobre ela e a defende contra críticas. A lealdade é o segundo dos três principais elementos que compõe a empregabilidade. Um funcionário leal se alegra quando a organização ou seu departamento é bem sucedido, defende a organização, tomando medidas concretas quando ela é ameaçada, tem orgulho de fazer parte da organização, fala positivamente sobre ela e a defende contra críticas.

141 Lealdade não quer dizer necessáriamente fazer o que a pessoa ou organização à qual você quer ser fiel quer que você faça. Lealdade não é sinônimo de obediência cega. Lealdade significa fazer críticas construtivas, mas as manter dentro do âmbito da organização. Significa agir com a convicção de que seu comportamento vai promover os legítimos interesses da organização. Assim, ser leal às vezes pode significar a recusa em fazer algo que você acha que poderá prejudicar a organização, a equipe de funcionários. Lealdade não quer dizer necessáriamente fazer o que a pessoa ou organização à qual você quer ser fiel quer que você faça. Lealdade não é sinônimo de obediência cega. Lealdade significa fazer críticas construtivas, mas as manter dentro do âmbito da organização. Significa agir com a convicção de que seu comportamento vai promover os legítimos interesses da organização. Assim, ser leal às vezes pode significar a recusa em fazer algo que você acha que poderá prejudicar a organização, a equipe de funcionários.

142 No Reino Unido, por exemplo, essa idéia é expressa pelo termo Oposição Leal a Sua Majestade. Em outras palavras, é perfeitamente possível ser leal a Sua Majestade - e, mesmo assim, fazer parte da oposição. Do mesmo modo, é possível ser leal a uma organização ou a uma equipe mesmo que você discorde dos métodos usados para se alcançar determinados objetivos. Na verdade, seria desleal deixar de expressar o sentimento de que algo está errado, se é isso que você sente. No Reino Unido, por exemplo, essa idéia é expressa pelo termo Oposição Leal a Sua Majestade. Em outras palavras, é perfeitamente possível ser leal a Sua Majestade - e, mesmo assim, fazer parte da oposição. Do mesmo modo, é possível ser leal a uma organização ou a uma equipe mesmo que você discorde dos métodos usados para se alcançar determinados objetivos. Na verdade, seria desleal deixar de expressar o sentimento de que algo está errado, se é isso que você sente.

143 As virtudes da responsabilidade e da lealdade são completadas por uma terceira, a iniciativa, capaz de colocá-las em movimento. As virtudes da responsabilidade e da lealdade são completadas por uma terceira, a iniciativa, capaz de colocá-las em movimento. Tomar a iniciativa de fazer algo no interesse da organização significa ao mesmo tempo, demonstrar lealdade pela organização. Em um contexto de empregabilidade, tomar iniciativas não quer dizer apenas iniciar um projeto no interesse da organização ou da equipe, mas também assumir responsabilidade por sua complementação e implementação. Tomar a iniciativa de fazer algo no interesse da organização significa ao mesmo tempo, demonstrar lealdade pela organização. Em um contexto de empregabilidade, tomar iniciativas não quer dizer apenas iniciar um projeto no interesse da organização ou da equipe, mas também assumir responsabilidade por sua complementação e implementação.

144 Podemos ainda, de acrescentar outras qualidades que consideramos importantes no exercício de uma profissão. São elas: Podemos ainda, de acrescentar outras qualidades que consideramos importantes no exercício de uma profissão. São elas: Honestidade: Honestidade: A honestidade está relacionada com a confiança que nos é depositada, com a responsabilidade perante o bem de terceiros e a manutenção de seus direitos. A honestidade está relacionada com a confiança que nos é depositada, com a responsabilidade perante o bem de terceiros e a manutenção de seus direitos. É muito fácil encontrar a falta de honestidade quanto existe a fascinação pelos lucros, privilégios e benefícios fáceis, pelo enriquecimento ilícito em cargos que outorgam autoridade e que têm a confiança coletiva de uma coletividade. Já ARISTÓTELES (1992, p.75) em sua "Ética a Nicômanos" analisava a questão da honestidade. É muito fácil encontrar a falta de honestidade quanto existe a fascinação pelos lucros, privilégios e benefícios fáceis, pelo enriquecimento ilícito em cargos que outorgam autoridade e que têm a confiança coletiva de uma coletividade. Já ARISTÓTELES (1992, p.75) em sua "Ética a Nicômanos" analisava a questão da honestidade.

145 Outras pessoas se excedem no sentido de obter qualquer coisa e de qualquer fonte - por exemplo os que fazem negócios sórdidos, os proxenetas e demais pessoas desse tipo, bem como os usurários, que emprestam pequenas importâncias a juros altos. Todas as pessoas deste tipo obtêm mais do que merecem e de fontes erradas. Outras pessoas se excedem no sentido de obter qualquer coisa e de qualquer fonte - por exemplo os que fazem negócios sórdidos, os proxenetas e demais pessoas desse tipo, bem como os usurários, que emprestam pequenas importâncias a juros altos. Todas as pessoas deste tipo obtêm mais do que merecem e de fontes erradas. O que há de comum entre elas é obviamente uma ganância sórdida, e todas carregam um aviltante por causa do ganho - de um pequeno ganho, aliás. Com efeito, aquelas pessoas que ganham muito em fontes erradas, e cujos ganhos não são justos - por exemplo, os tiranos quando saqueiam cidades e roubam templos, não são chamados de avarentos, mas de maus, ímpios e injustos. O que há de comum entre elas é obviamente uma ganância sórdida, e todas carregam um aviltante por causa do ganho - de um pequeno ganho, aliás. Com efeito, aquelas pessoas que ganham muito em fontes erradas, e cujos ganhos não são justos - por exemplo, os tiranos quando saqueiam cidades e roubam templos, não são chamados de avarentos, mas de maus, ímpios e injustos.

146 São inúmeros os exemplos de falta de honestidade no exercício de uma profissão. Um psicanalista, abusando de sua profissão ao induzir um paciente a cometer adultério, está sendo desonesto. Um contabilista que, para conseguir aumentos de honorários, retém os livros de um comerciante, está sendo desonesto. São inúmeros os exemplos de falta de honestidade no exercício de uma profissão. Um psicanalista, abusando de sua profissão ao induzir um paciente a cometer adultério, está sendo desonesto. Um contabilista que, para conseguir aumentos de honorários, retém os livros de um comerciante, está sendo desonesto. A honestidade é a primeira virtude no campo profissional. É um princípio que não admite relatividade, tolerância ou interpretações circunstanciais. A honestidade é a primeira virtude no campo profissional. É um princípio que não admite relatividade, tolerância ou interpretações circunstanciais.

147 Sigilo: Sigilo: O respeito aos segredos das pessoas, dos negócios, das empresas, deve ser desenvolvido na formação de futuros profissionais, pois trata-se de algo muito importante. Uma informação sigilosa é algo que nos é confiado e cuja preservação de silêncio é obrigatória. O respeito aos segredos das pessoas, dos negócios, das empresas, deve ser desenvolvido na formação de futuros profissionais, pois trata-se de algo muito importante. Uma informação sigilosa é algo que nos é confiado e cuja preservação de silêncio é obrigatória. Revelar detalhes ou mesmo frívolas ocorrências dos locais de trabalho, em geral, nada interessa a terceiros e ainda existe o agravante de que planos e projetos de uma empresa ainda não colocados em prática possam ser copiados e colocados no mercado pela concorrência antes que a empresa que os concebeu tenha tido oportunidade de lançá-los. Revelar detalhes ou mesmo frívolas ocorrências dos locais de trabalho, em geral, nada interessa a terceiros e ainda existe o agravante de que planos e projetos de uma empresa ainda não colocados em prática possam ser copiados e colocados no mercado pela concorrência antes que a empresa que os concebeu tenha tido oportunidade de lançá-los. Documentos, registros contábeis, planos de marketing, pesquisas científicas, hábitos pessoais, dentre outros, devem ser mantidos em sigilo e sua revelação pode representar sérios problemas para a empresa ou para os clientes do profissional. Documentos, registros contábeis, planos de marketing, pesquisas científicas, hábitos pessoais, dentre outros, devem ser mantidos em sigilo e sua revelação pode representar sérios problemas para a empresa ou para os clientes do profissional.

148 Competência: Competência: Competência, sob o ponto de vista funcional, é o exercício do conhecimento de forma adequada e persistente a um trabalho ou profissão. Devemos buscá-la sempre. A função de um citarista é tocar cítara, e a de um bom citarista é tocá-la bem. (ARISTÓTELES, p.24). Competência, sob o ponto de vista funcional, é o exercício do conhecimento de forma adequada e persistente a um trabalho ou profissão. Devemos buscá-la sempre. A função de um citarista é tocar cítara, e a de um bom citarista é tocá-la bem. (ARISTÓTELES, p.24). É de extrema importância a busca da competência profissional em qualquer área de atuação. Recursos humanos devem ser incentivados a buscar sua competência e maestria através do aprimoramento contínuo de suas habilidades e conhecimentos. É de extrema importância a busca da competência profissional em qualquer área de atuação. Recursos humanos devem ser incentivados a buscar sua competência e maestria através do aprimoramento contínuo de suas habilidades e conhecimentos.

149 O conhecimento da ciência, da tecnologia, das técnicas e práticas profissionais é pré-requisito para a prestação de serviços de boa qualidade. O conhecimento da ciência, da tecnologia, das técnicas e práticas profissionais é pré-requisito para a prestação de serviços de boa qualidade. Nem sempre é possível acumular todo conhecimento exigido por determinada tarefa, mas é necessário que se tenha a postura ética de recusar serviços quando não se tem a devida capacitação para executá-lo. Nem sempre é possível acumular todo conhecimento exigido por determinada tarefa, mas é necessário que se tenha a postura ética de recusar serviços quando não se tem a devida capacitação para executá-lo. Pacientes que morrem ou ficam aleijados por incompetência médica, causas que são perdidas pela incompetência de advogados, prédios que desabam por erros de cálculo em engenharia, são apenas alguns exemplos de quanto se deve investir na busca da competência. Pacientes que morrem ou ficam aleijados por incompetência médica, causas que são perdidas pela incompetência de advogados, prédios que desabam por erros de cálculo em engenharia, são apenas alguns exemplos de quanto se deve investir na busca da competência.

150 Prudência: Prudência: Todo trabalho, para ser executado, exige muita segurança. Todo trabalho, para ser executado, exige muita segurança. A prudência, fazendo com que o profissional analise situações complexas e difíceis com mais facilidade e de forma mais profunda e minuciosa, contribui para a maior segurança, principalmente das decisões a serem tomadas. a prudência é indispensável nos casos de decisões sérias e graves, pois evita os julgamentos apressados e as lutas ou discussões inúteis. A prudência, fazendo com que o profissional analise situações complexas e difíceis com mais facilidade e de forma mais profunda e minuciosa, contribui para a maior segurança, principalmente das decisões a serem tomadas. a prudência é indispensável nos casos de decisões sérias e graves, pois evita os julgamentos apressados e as lutas ou discussões inúteis.

151 Coragem: Coragem: Todo profissional precisa ter coragem, pois o homem que evita e teme a tudo, não enfrenta coisa alguma, torna-se um covarde (ARISTÓTELES, p.37). A coragem nos ajuda a reagir às críticas, quando injustas, e a nos defender dignamente quando estamos cônscios de nosso dever. Nos ajuda a não ter medo de defender a verdade e a justiça, principalmente quando estas forem de real interesse para outrem ou para o bem comum. Temos que ter coragem para tomar decisões, indispensáveis e importantes, para a eficiência do trabalho, sem levar em conta possíveis atitudes ou atos de desagrado dos chefes ou colegas. Todo profissional precisa ter coragem, pois o homem que evita e teme a tudo, não enfrenta coisa alguma, torna-se um covarde (ARISTÓTELES, p.37). A coragem nos ajuda a reagir às críticas, quando injustas, e a nos defender dignamente quando estamos cônscios de nosso dever. Nos ajuda a não ter medo de defender a verdade e a justiça, principalmente quando estas forem de real interesse para outrem ou para o bem comum. Temos que ter coragem para tomar decisões, indispensáveis e importantes, para a eficiência do trabalho, sem levar em conta possíveis atitudes ou atos de desagrado dos chefes ou colegas.

152 Perseverança: Perseverança: Qualidade difícil de ser encontrada, mas necessária, pois todo trabalho está sujeito a incompreensões, insucessos e fracassos que precisam ser superados, prosseguindo o profissional em seu trabalho, sem entregar- se a decepções ou mágoas. É louvável a perseverança dos profissionais que precisam enfrentar os problemas do subdesenvolvimento. Qualidade difícil de ser encontrada, mas necessária, pois todo trabalho está sujeito a incompreensões, insucessos e fracassos que precisam ser superados, prosseguindo o profissional em seu trabalho, sem entregar- se a decepções ou mágoas. É louvável a perseverança dos profissionais que precisam enfrentar os problemas do subdesenvolvimento.

153 Compreensão: Compreensão: Qualidade que ajuda muito um profissional, porque é bem aceito pelos que dele dependem, em termos de trabalho, facilitando a aproximação e o diálogo, tão importante no relacionamento profissional. Qualidade que ajuda muito um profissional, porque é bem aceito pelos que dele dependem, em termos de trabalho, facilitando a aproximação e o diálogo, tão importante no relacionamento profissional. É bom, porém, não confundir compreensão com fraqueza, para que o profissional não se deixe levar por opiniões ou atitudes, nem sempre, válidas para eficiência do seu trabalho, para que não se percam os verdadeiros objetivos a serem alcançados pela profissão. É bom, porém, não confundir compreensão com fraqueza, para que o profissional não se deixe levar por opiniões ou atitudes, nem sempre, válidas para eficiência do seu trabalho, para que não se percam os verdadeiros objetivos a serem alcançados pela profissão.

154 Vê-se que a compreensão precisa ser condicionada, muitas vezes, pela prudência. A compreensão que se traduz, principalmente em calor humano pode realizar muito em benefício de uma atividade profissional, dependendo de ser convenientemente dosada. Vê-se que a compreensão precisa ser condicionada, muitas vezes, pela prudência. A compreensão que se traduz, principalmente em calor humano pode realizar muito em benefício de uma atividade profissional, dependendo de ser convenientemente dosada. Humildade: Humildade: O profissional precisa ter humildade suficiente para admitir que não é o dono da verdade e que o bom senso e a inteligência são propriedade de um grande número de pessoas. O profissional precisa ter humildade suficiente para admitir que não é o dono da verdade e que o bom senso e a inteligência são propriedade de um grande número de pessoas.

155 Representa a auto-análise que todo profissional deve praticar em função de sua atividade profissional, a fim de reconhecer melhor suas limitações, buscando a colaboração de outros profissionais mais capazes, se tiver esta necessidade, dispor-se a aprender coisas novas, numa busca constante de aperfeiçoamento. Humildade é qualidade que carece de melhor interpretação, dada a sua importância, pois muitos a confundem com subserviência, dependência ? quase sempre lhe é atribuído um sentido depreciativo. Como exemplo, ouve-se freqüentemente, a respeito determinadas pessoas, frases com estas: Fulano é muito humilde, coitado! Representa a auto-análise que todo profissional deve praticar em função de sua atividade profissional, a fim de reconhecer melhor suas limitações, buscando a colaboração de outros profissionais mais capazes, se tiver esta necessidade, dispor-se a aprender coisas novas, numa busca constante de aperfeiçoamento. Humildade é qualidade que carece de melhor interpretação, dada a sua importância, pois muitos a confundem com subserviência, dependência ? quase sempre lhe é atribuído um sentido depreciativo. Como exemplo, ouve-se freqüentemente, a respeito determinadas pessoas, frases com estas: Fulano é muito humilde, coitado! Muito simples! Humildade está significando nestas frases pessoa carente que aceita qualquer coisa, dependente e até infeliz. Muito simples! Humildade está significando nestas frases pessoa carente que aceita qualquer coisa, dependente e até infeliz. Conceito errôneo que precisa ser superado, para que a Humildade adquira definitivamente a sua autenticidade. Conceito errôneo que precisa ser superado, para que a Humildade adquira definitivamente a sua autenticidade.

156 Imparcialidade: Imparcialidade: É uma qualidade tão importante que assume as características do dever, pois se destina a se contrapor aos preconceitos, a reagir contra os mitos (em nossa época dinheiro, técnica, sexo...), a defender os verdadeiros valores sociais e éticos, assumindo principalmente uma posição justa nas situações que terá que enfrentar. Para ser justo é preciso ser imparcial, logo a justiça depende muito da imparcialidade. É uma qualidade tão importante que assume as características do dever, pois se destina a se contrapor aos preconceitos, a reagir contra os mitos (em nossa época dinheiro, técnica, sexo...), a defender os verdadeiros valores sociais e éticos, assumindo principalmente uma posição justa nas situações que terá que enfrentar. Para ser justo é preciso ser imparcial, logo a justiça depende muito da imparcialidade.

157 Otimismo: Otimismo: Em face das perspectivas das sociedades modernas, o profissional precisa e deve ser otimista, para acreditar na capacidade de realização da pessoa humana, no poder do desenvolvimento, enfrentando o futuro com energia e bom-humor. Em face das perspectivas das sociedades modernas, o profissional precisa e deve ser otimista, para acreditar na capacidade de realização da pessoa humana, no poder do desenvolvimento, enfrentando o futuro com energia e bom-humor.

158 8. Código de ética profissional 8. Código de ética profissional Cabe sempre, quando se fala em virtudes profissionais, mencionarmos a existência dos códigos de ética profissional. Cabe sempre, quando se fala em virtudes profissionais, mencionarmos a existência dos códigos de ética profissional. As relações de valor que existem entre o ideal moral traçado e os diversos campos da conduta humana podem ser reunidos em um instrumento regulador. As relações de valor que existem entre o ideal moral traçado e os diversos campos da conduta humana podem ser reunidos em um instrumento regulador. É uma espécie de contrato de classe e os órgãos de fiscalização do exercício da profissão passam a controlar a execução de tal peça magna. É uma espécie de contrato de classe e os órgãos de fiscalização do exercício da profissão passam a controlar a execução de tal peça magna. Tudo deriva, pois, de critérios de condutas de um indivíduo perante seu grupo e o todo social. Tudo deriva, pois, de critérios de condutas de um indivíduo perante seu grupo e o todo social. Tem como base as virtudes que devem ser exigíveis e respeitadas no exercício da profissão, abrangendo o relacionamento com usuários, colegas de profissão, classe e sociedade. Tem como base as virtudes que devem ser exigíveis e respeitadas no exercício da profissão, abrangendo o relacionamento com usuários, colegas de profissão, classe e sociedade.

159 O interesse no cumprimento do aludido código passa, entretanto a ser de todos. O exercício de uma virtude obrigatória torna-se exigível de cada profissional, como se uma lei fosse, mas com proveito geral. O interesse no cumprimento do aludido código passa, entretanto a ser de todos. O exercício de uma virtude obrigatória torna-se exigível de cada profissional, como se uma lei fosse, mas com proveito geral. Cria-se a necessidade de uma mentalidade ética e de uma educação pertinente que conduza à vontade de agir, de acordo com o estabelecido. Essa disciplina da atividade é antiga, já encontrada nas provas históricas mais remotas, e é uma tendência natural na vida das comunidades. Cria-se a necessidade de uma mentalidade ética e de uma educação pertinente que conduza à vontade de agir, de acordo com o estabelecido. Essa disciplina da atividade é antiga, já encontrada nas provas históricas mais remotas, e é uma tendência natural na vida das comunidades. É inequívoco que o ser tenha sua individualidade, sua forma de realizar seu trabalho, mas também o é que uma norma comportamental deva reger a prática profissional no que concerne a sua conduta, em relação a seus semelhantes. É inequívoco que o ser tenha sua individualidade, sua forma de realizar seu trabalho, mas também o é que uma norma comportamental deva reger a prática profissional no que concerne a sua conduta, em relação a seus semelhantes.

160 Toda comunidade possui elementos qualificados e alguns que transgridem a prática das virtudes; seria utópico admitir uniformidade de conduta. Toda comunidade possui elementos qualificados e alguns que transgridem a prática das virtudes; seria utópico admitir uniformidade de conduta. A disciplina, entretanto, através de um contrato de atitudes, de deveres, de estados de consciência, e que deve formar um código de ética, tem sido a solução, notadamente nas classes profissionais que são egressas de cursos universitários (contadores, médicos, advogados, etc.) A disciplina, entretanto, através de um contrato de atitudes, de deveres, de estados de consciência, e que deve formar um código de ética, tem sido a solução, notadamente nas classes profissionais que são egressas de cursos universitários (contadores, médicos, advogados, etc.)

161 Uma ordem deve existir para que se consiga eliminar conflitos e especialmente evitar que se macule o bom nome e o conceito social de uma categoria. Uma ordem deve existir para que se consiga eliminar conflitos e especialmente evitar que se macule o bom nome e o conceito social de uma categoria. Se muitos exercem a mesma profissão, é preciso que uma disciplina de conduta ocorra. Se muitos exercem a mesma profissão, é preciso que uma disciplina de conduta ocorra.

162 MODELO CÓDIGO DE ÉTICA (ENGENHEIROS E ARQUITETOS) MODELO CÓDIGO DE ÉTICA (ENGENHEIROS E ARQUITETOS) A Ética profissional é o conjunto de critérios e conceitos que deve guiar a conduta de um indivíduo, por razão dos mais elevados fins que possa atribuir-se à profissão que exerce. A Ética profissional é o conjunto de critérios e conceitos que deve guiar a conduta de um indivíduo, por razão dos mais elevados fins que possa atribuir-se à profissão que exerce. As regras de ética, mencionadas no presente Código, não implicam a exclusão de outras, não expressas e que podem resultar do exercício profissional consciente e digno. As regras de ética, mencionadas no presente Código, não implicam a exclusão de outras, não expressas e que podem resultar do exercício profissional consciente e digno.

163 1. Capítulo primeiro 1. Capítulo primeiro 1.1. Os Agrimensores, Arquitetos e Engenheiros, em todas as suas diversas especialidades e profissões afins, adiante designados profissionais, estão obrigados, sob o ponto de vista ética, a ajustar sua atuação profissional aos conceitos básicos e as disposições do presente Código Os Agrimensores, Arquitetos e Engenheiros, em todas as suas diversas especialidades e profissões afins, adiante designados profissionais, estão obrigados, sob o ponto de vista ética, a ajustar sua atuação profissional aos conceitos básicos e as disposições do presente Código.

164 1.2. É dever primordial dos profissionais respeitar e fazer respeitar todas as disposições legais e regulamentares que incidam nos atos da profissão É dever primordial dos profissionais respeitar e fazer respeitar todas as disposições legais e regulamentares que incidam nos atos da profissão. É também dever primordial dos profissionais cuidar pelo prestígio da profissão. É também dever primordial dos profissionais cuidar pelo prestígio da profissão Compete aos profissionais estudar cuidadosamente o ambiente que será afetado em cada proposta de tarefa, avaliando os impactos ambientais nos ecossistemas fechados, urbanizados ou naturais, incluído o entorno sócio-econômico, bem como selecionar a melhor alternativa para contribuir para um melhor desenvolvimento ambientalmente sadio e sustentável, com o objetivo de obter a melhor qualidade de vida para a população Compete aos profissionais estudar cuidadosamente o ambiente que será afetado em cada proposta de tarefa, avaliando os impactos ambientais nos ecossistemas fechados, urbanizados ou naturais, incluído o entorno sócio-econômico, bem como selecionar a melhor alternativa para contribuir para um melhor desenvolvimento ambientalmente sadio e sustentável, com o objetivo de obter a melhor qualidade de vida para a população.

165 2. Capítulo segundo - Deveres que impõe a Ética Profissional para com a Sociedade: 2. Capítulo segundo - Deveres que impõe a Ética Profissional para com a Sociedade: 2.1. O Profissional deverá interessar-se pelo bem comum, com o objetivo de contribuir com seus conhecimentos, capacidade e experiência para servir a humanidade O Profissional deverá interessar-se pelo bem comum, com o objetivo de contribuir com seus conhecimentos, capacidade e experiência para servir a humanidade Os profissionais deverão cooperar para o progresso da sociedade trazendo sua colaboração intelectual e material para obras culturais, ilustração técnica, ciência aplicada e investigação científica Os profissionais deverão cooperar para o progresso da sociedade trazendo sua colaboração intelectual e material para obras culturais, ilustração técnica, ciência aplicada e investigação científica.

166 Aplicar o máximo de seu esforço no sentido de obter uma clara expressão para a comunidade, no tocante aos aspectos técnicos e aos assuntos relativos com a profissão e seu exercício Aplicar o máximo de seu esforço no sentido de obter uma clara expressão para a comunidade, no tocante aos aspectos técnicos e aos assuntos relativos com a profissão e seu exercício Recusar toda classe de encomendas de trabalhos que implicam danos evitáveis para o entorno humano e a natureza, tanto em espaços abertos como nos fechados, avaliados seu impacto a curto e a longo prazo Recusar toda classe de encomendas de trabalhos que implicam danos evitáveis para o entorno humano e a natureza, tanto em espaços abertos como nos fechados, avaliados seu impacto a curto e a longo prazo.

167 2.2. Deveres do profissional para com a dignidade da profissão Deveres do profissional para com a dignidade da profissão Contribuir com sua conduta profissional e com todos os meios ao seu alcance, para que no consenso público se forme e se mantenha um exato conceito da profissão na sociedade, da dignidade que a acompanha e do alto respeito que merece Contribuir com sua conduta profissional e com todos os meios ao seu alcance, para que no consenso público se forme e se mantenha um exato conceito da profissão na sociedade, da dignidade que a acompanha e do alto respeito que merece Cooperar para o progresso da profissão, mediante o intercâmbio de informações sobre seus conhecimentos e contribuindo com seu trabalho junto à associação de classe, escolas e demais órgãos de divulgação técnica e científica Cooperar para o progresso da profissão, mediante o intercâmbio de informações sobre seus conhecimentos e contribuindo com seu trabalho junto à associação de classe, escolas e demais órgãos de divulgação técnica e científica.

168 Prestigiar as entidades de classe, contribuindo solidariamente e quando solicitar para acontecimentos e iniciativas em prol da profissão, dos profissionais ou da coletividade Prestigiar as entidades de classe, contribuindo solidariamente e quando solicitar para acontecimentos e iniciativas em prol da profissão, dos profissionais ou da coletividade Não executar atos contrários à boa técnica, ainda, que possam ser em cumprimento a ordens de autoridades, superiores ou contratantes Não executar atos contrários à boa técnica, ainda, que possam ser em cumprimento a ordens de autoridades, superiores ou contratantes Não aceitar ou oferecer trabalhos contrários às disposições legais vigentes e tampouco tarefas que excedam as incumbências que outorgam o título Não aceitar ou oferecer trabalhos contrários às disposições legais vigentes e tampouco tarefas que excedam as incumbências que outorgam o título.

169 Não emprestar seu nome, a título remunerado ou gratuito, para autorizar planos, especificações, pareceres, memoriais, informações e toda outra documentação profissional que não tenham sido estudados, executados ou controlados pessoalmente por ele Não emprestar seu nome, a título remunerado ou gratuito, para autorizar planos, especificações, pareceres, memoriais, informações e toda outra documentação profissional que não tenham sido estudados, executados ou controlados pessoalmente por ele Não subscrever, expedir ou contribuir para que se expeçam títulos, diplomas, licenças, matrículas ou certificados às pessoas que não reunam os requisitos indispensáveis para exercer a profissão Não subscrever, expedir ou contribuir para que se expeçam títulos, diplomas, licenças, matrículas ou certificados às pessoas que não reunam os requisitos indispensáveis para exercer a profissão.

170 Não fazer figurar seu nome em anúncios, timbres, selos, propagandas e demais meios análogos, junto a outras pessoas que, sem o serem, aparecem como profissionais Não fazer figurar seu nome em anúncios, timbres, selos, propagandas e demais meios análogos, junto a outras pessoas que, sem o serem, aparecem como profissionais Não fazer uso de meios de propagandas em que a jactância constitua a característica principal ou dominante, ou consista em avisos exagerados e que levem a equívocos. Tais meios deverão sempre ajustar-se às regras de prudência e de decoro profissional Não fazer uso de meios de propagandas em que a jactância constitua a característica principal ou dominante, ou consista em avisos exagerados e que levem a equívocos. Tais meios deverão sempre ajustar-se às regras de prudência e de decoro profissional.

171 Não receber ou conceder comissões, participações ou outros benefícios com o objetivo de negociar, obter ou concordar com designações de caráter profissional ou a de encomendas de trabalhos profissionais Não receber ou conceder comissões, participações ou outros benefícios com o objetivo de negociar, obter ou concordar com designações de caráter profissional ou a de encomendas de trabalhos profissionais Deveres do profissional para com os demais profissionais 2.3. Deveres do profissional para com os demais profissionais Os deveres para com os colegas, que neste artigo se anunciam, são extensivos a todos os profissionais entre si. São deveres de todo profissional para com seus colegas: Os deveres para com os colegas, que neste artigo se anunciam, são extensivos a todos os profissionais entre si. São deveres de todo profissional para com seus colegas:

172 Não utilizar sem autorização de seus legítimos autores e para sua aplicação em trabalhos profissionais próprios, idéias, planos e demais documentos pertencentes àqueles Não utilizar sem autorização de seus legítimos autores e para sua aplicação em trabalhos profissionais próprios, idéias, planos e demais documentos pertencentes àqueles Não difamar nem denegrir seus colegas, tampouco contribuir de forma direta ou indireta para sua difamação ou desmerecimento com motivo de sua atuação profissional, nem criticar a outro profissional com o objetivo de lograr vantagens frente a seus colegas Não difamar nem denegrir seus colegas, tampouco contribuir de forma direta ou indireta para sua difamação ou desmerecimento com motivo de sua atuação profissional, nem criticar a outro profissional com o objetivo de lograr vantagens frente a seus colegas.

173 Não assumir em uma mesma obra as funções de diretor, ao mesmo tempo que as de empreiteiro total ou parcial da obra, salvo expresso consentimento do cliente Não assumir em uma mesma obra as funções de diretor, ao mesmo tempo que as de empreiteiro total ou parcial da obra, salvo expresso consentimento do cliente Abater-se de qualquer intento de substituir o colega em um trabalho iniciado por este, não devendo em seu caso aceitar o oferecimento de substituição até quanto tenha conhecimento fidedigno do colega com o contratante Abater-se de qualquer intento de substituir o colega em um trabalho iniciado por este, não devendo em seu caso aceitar o oferecimento de substituição até quanto tenha conhecimento fidedigno do colega com o contratante.

174 Não oferecer nem aceitar a prestação de serviços profissionais por honorários inferiores aos mínimos estabelecidos nas disposições legais vigentes Não oferecer nem aceitar a prestação de serviços profissionais por honorários inferiores aos mínimos estabelecidos nas disposições legais vigentes Não designar nem influir, para que sejam designadas em cargos técnicos, que devem ser desempenhados por profissionais registrados, pessoas carentes de título habilitado correspondente Não designar nem influir, para que sejam designadas em cargos técnicos, que devem ser desempenhados por profissionais registrados, pessoas carentes de título habilitado correspondente Abster-se de emitir publicamente juízos contrários sobre a atuação de colegas ou apontar erros profissionais em que incorrem, a menos que ocorram algumas das seguintes circunstâncias Abster-se de emitir publicamente juízos contrários sobre a atuação de colegas ou apontar erros profissionais em que incorrem, a menos que ocorram algumas das seguintes circunstâncias.

175 a) Que seja indispensável por razões indubitáveis de interesse geral. a) Que seja indispensável por razões indubitáveis de interesse geral. b) Que lhes tenha dado antes a oportunidade de reconhecer e retificar aquela atuação e aqueles erros, sem que os interessados tenham usado dela. b) Que lhes tenha dado antes a oportunidade de reconhecer e retificar aquela atuação e aqueles erros, sem que os interessados tenham usado dela Não divulgar consultas de contratantes referentes a assuntos que para eles projetem, dirijam ou conduzam outros profissionais, ou a respeito da atuação destas naqueles assuntos sem informá-los da existência de tais consultas Não divulgar consultas de contratantes referentes a assuntos que para eles projetem, dirijam ou conduzam outros profissionais, ou a respeito da atuação destas naqueles assuntos sem informá-los da existência de tais consultas Fixar para os colegas, que atuam como colaboradores ou seus empregos, remunerações ou compensações adequadas com a dignidade da profissão e com a importância dos serviços que prestam Fixar para os colegas, que atuam como colaboradores ou seus empregos, remunerações ou compensações adequadas com a dignidade da profissão e com a importância dos serviços que prestam Não propor serviços com redução de preços, após ter conhecido propostas de outros profissionais Não propor serviços com redução de preços, após ter conhecido propostas de outros profissionais.

176 2.4. Deveres de profissional para os clientes e o público em geral Deveres de profissional para os clientes e o público em geral São deveres de todo o profissional para com os seus clientes e para o público em geral: São deveres de todo o profissional para com os seus clientes e para o público em geral: Não oferecer, por qualquer meio, a prestação de serviços cujo objetivo, por qualquer razão de ordem técnica, jurídica, regulamentar, econômica ou social, etc, seja de cumprimento muito duvidoso ou impossível, ou se por suas próprias circunstâncias pessoais ou profissionais não puder satisfazer Não oferecer, por qualquer meio, a prestação de serviços cujo objetivo, por qualquer razão de ordem técnica, jurídica, regulamentar, econômica ou social, etc, seja de cumprimento muito duvidoso ou impossível, ou se por suas próprias circunstâncias pessoais ou profissionais não puder satisfazer.

177 Não aceitar, em seu benefício próprio, comissões, descontos, bonificações e demais análogas, oferecidas por fornecedores de materiais, artefatos ou estruturas, por empreiteiras e/ou por outras pessoas diretamente interessadas na execução dos trabalhos que o profissional projete ou dirija Não aceitar, em seu benefício próprio, comissões, descontos, bonificações e demais análogas, oferecidas por fornecedores de materiais, artefatos ou estruturas, por empreiteiras e/ou por outras pessoas diretamente interessadas na execução dos trabalhos que o profissional projete ou dirija Manter segredo e reserva a respeito de toda circunstância relacionada com o cliente e com os trabalhos que para ele efetua, salvo obrigação legal Manter segredo e reserva a respeito de toda circunstância relacionada com o cliente e com os trabalhos que para ele efetua, salvo obrigação legal.

178 Opor-se como profissional e no caráter de conselheiro do cliente, contratante ou mandante, às incorreções deste enquanto pertença as tarefas profissionais que aquele tenha o seu encargo, renunciando à continuação delas se não puder impedir que sejam concluídas, como também corrigir as que ele mesmo possa ter cometido e responder civilmente por danos e prejuízos conforme ação vigente Opor-se como profissional e no caráter de conselheiro do cliente, contratante ou mandante, às incorreções deste enquanto pertença as tarefas profissionais que aquele tenha o seu encargo, renunciando à continuação delas se não puder impedir que sejam concluídas, como também corrigir as que ele mesmo possa ter cometido e responder civilmente por danos e prejuízos conforme ação vigente Movimentar, com a maior discrição, os fundos que o cliente puser a seus cuidados, destinados a desembolsos exigidos pelos trabalhos do profissional prestando contas claras, precisas e freqüentes. Tudo isso independente e sem prejuízo do estabelecido nas leis vigentes Movimentar, com a maior discrição, os fundos que o cliente puser a seus cuidados, destinados a desembolsos exigidos pelos trabalhos do profissional prestando contas claras, precisas e freqüentes. Tudo isso independente e sem prejuízo do estabelecido nas leis vigentes Dedicar toda aptidão, atendendo com a máxima diligência e probidade os assuntos de seu cliente Dedicar toda aptidão, atendendo com a máxima diligência e probidade os assuntos de seu cliente.

179 2.5. Deveres entre os profissionais que se dedicam à função pública e os que o fazem na atividade privada: 2.5. Deveres entre os profissionais que se dedicam à função pública e os que o fazem na atividade privada: Os profissionais que se dedicam à atividade privada, ao resolverem os diversos problemas técnicos, devem considerar-se auxiliares da administração pública mas não dependentes dela Os profissionais que se dedicam à atividade privada, ao resolverem os diversos problemas técnicos, devem considerar-se auxiliares da administração pública mas não dependentes dela Os profissionais devem ter entre si trato respeitoso e moderado, que corresponde à qualidade de colegas, sem prejuízo da atenção dos interesses de seus contratantes Os profissionais devem ter entre si trato respeitoso e moderado, que corresponde à qualidade de colegas, sem prejuízo da atenção dos interesses de seus contratantes.

180 Os profissionais, no exercício da função pública, deverão abster-se de participar no processo de avaliação de tarefas profissionais a colegas com quem tenham vinculação familiar até o terceiro grau ou vinculação societária de fato ou de direito. A violação a esta norma envolve também o profissional que aceita tal adjudicação Os profissionais, no exercício da função pública, deverão abster-se de participar no processo de avaliação de tarefas profissionais a colegas com quem tenham vinculação familiar até o terceiro grau ou vinculação societária de fato ou de direito. A violação a esta norma envolve também o profissional que aceita tal adjudicação Os profissionais que, por suas funções no campo público ou privado, sejam responsáveis por fixar, preparar ou avaliar condições de documentos ou licitações deverão atuar nos casos, em todo, de maneira imparcial Os profissionais que, por suas funções no campo público ou privado, sejam responsáveis por fixar, preparar ou avaliar condições de documentos ou licitações deverão atuar nos casos, em todo, de maneira imparcial.

181 2.10. Das faltas de Ética: Das faltas de Ética: Incorre em falta de ética, todo profissional que comete transgressão a um dos deveres enunciados nos itens deste Código e na interpretação de seus conceitos básicos não expressos textualmente no presente Incorre em falta de ética, todo profissional que comete transgressão a um dos deveres enunciados nos itens deste Código e na interpretação de seus conceitos básicos não expressos textualmente no presente É atribuição do Tribunal de Ética Profissional determinar a qualificação e a sanção que corresponde a uma falta ou conjunto de faltas em que se prove que um profissional esteja incurso É atribuição do Tribunal de Ética Profissional determinar a qualificação e a sanção que corresponde a uma falta ou conjunto de faltas em que se prove que um profissional esteja incurso.


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