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CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas. O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. O autor, no primeiro parágrafo.

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1 CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas. O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, O autor, no primeiro parágrafo da introdução desta obra, situa suas preocupações sobre a implantação da República, objeto de pesquisa anterior. Naquela pesquisa, notou a nula participação popular em sua proclamação e a derrota dos esforços de participação nos anos posteriores. Como resultado dessas conclusões, algumas indagações novas surgiram sobre quais teriam sido os caminhos usados para legitimação desse novo regime.

2 Indagações do autor Em face a esse entendimento, as reflexões de Carvalho voltam-se para esclarecer quais foram os mecanismos usados para sua legitimidade pontuando algumas questões. 1) A República teria se consolidado apenas com o arranjo oligárquico? 2) – Não teria havido tentativas de legitimação, se não perante a totalidade da população, pelo menos diante dos setores politicamente mobilizados? 3)- Em caso positivo, qual teria sido esse esforço, quais as armas utilizadas e qual o resultado?

3 Ideologia e organização do poder Carvalho passa a esclarecer os fundamentos teóricos que balizam situações dessa natureza. Afirma que o instrumento clássico de legitimação dos regimes políticos no mundo moderno é a ideologia, a justificação racional da organização do poder. No final do século XIX, havia no Brasil, pelo menos três correntes políticas que disputavam a definição da natureza do novo regime: o liberalismo à americana, o jacobinismo à francesa e o positivismo. Essas correntes combateram entre si, intensamente, até a vitória da primeira delas.

4 Os modelos ideológicos de organização da República As justificativas ideológicas (discursivas) supunham modelos de República, modelos de organização da sociedade, que traziam embutidos aspectos utópicos e visionários.. No caso do jacobinismo – traziam embutidos a idealização da democracia clássica (Grecia e Esparta), a utopia da democracia direta, do governo por meio da participação direta de todos os cidadãos, inspirada em Rousseau.. Já no liberalismo – a utopia era outra, a de uma sociedade composta por indivíduos autônomos, cujos interesses eram compatibilizados pela mão invisível do mercado. Nessa versão cabia ao governo intervir o menos possível na vida dos cidadãos.. O Positivismo – possuía elementos utópicos mais evidentes – A República: idade de ouro em que os seres humanos se realizariam plenamente no seio de uma humanidade mitificada.

5 Ideologias republicanas > fechadas no mundo das elites (p. 10) Como discurso, as ideologias republicanas permaneciam enclausuradas no fechado círculo das elites educadas, embora, por seus elementos utópicos acabavam defendendo, cada uma a sua maneira, o envolvimento popular na vida política. O interesse do autor é verificar como ocorre o extravasamento das visões de República para o mundo extra- elite ou as tentativas desse extravasamento, que segundo ele não pode ser apenas pelo discurso, devido ao baixo nível de educação formal da população. Teria que ser feito mediante sinais mais universais, de leitura mais fácil, como as imagens, as alegorias, os símbolos, os mitos, usados em outras experiências, notadamente na revolução Francesa.

6 Batalha de símbolos, alegorias e mitos > estravazamento dos ideais republicanos Os jacobinos e os positivistas faziam uso de tais instrumentos (inspirados na revolução francesa). Entre nós, também ocorreu essa batalha de símbolos e alegorias, como parte integrante das batalhas ideológicas e políticas em torno da imagem do novo regime, cuja finalidade era atingir o imaginário popular para recriá-lo dentro dos valores republicanos. A elaboração de um imaginário é parte integrante da legitimação de qualquer regime político. É por meio de um imaginário que se pode atingir a cabeça, mas de modo especial o coração, isto é, as aspirações, os medos e as esperanças de um povo.

7 capítulo 1 – Utopias republicanas O autor prossegue a discussão de sua proposta de análise citando a conferência pronunciada por Benjamin Constant na qual examina os modelos de república do final do século XIX. Toma como ponto de partida da reflexão a idéia de liberdade e estabelece dois tipos: a liberdade dos antigos e a liberdade dos modernos.

8 Liberdade dos antigos 1)- A liberdade defendida pelos antigos e adotada pelos jacobinos – era a que caracterizara as repúblicas antigas de Atenas, Esparta e Roma. Era a liberdade de participar coletivamente do governo, da soberania, de decidir na praça pública os negócios da República. Era a liberdade do homem público.

9 Liberdade dos Modernos 2) – A liberdade dos modernos – a que convinha aos novos tempos, era a liberdade do homem privado, a liberdade dos direitos de ir e vir, de propriedade, de opinião, de religião. A liberdade moderna não exclui o direito de participação política, mas esta se faz pela representação e não pelo envolvimento direto nos assuntos públicos ou da coletividade. Segundo Benjamin Constant, nos tempos modernos o que se busca é a felicidade pessoal, o interesse individual; a liberdade política tem por função garantir a liberdade civil. A oposição entre os dois tipos de liberdade – é a oposição entre as duas maneiras de conceber a organização da sociedade.

10 Qual modelo de República? Os republicanos brasileiros no final do século XIX se viram as voltas com o problema de justificar o novo regime e não puderam escapar deste debate. (p.18) – Os temas do interesse do individuo e de grupos, da nação e da cidadania, encarnados na idéia de República – estavam no centro das preocupações dos construtores da República brasileira. Os modelos de república existentes na Europa, na França e nos EUA serviram de referência aos brasileiros.

11 AS DUAS LIBERDADES > concepções distintas de Repúblicas Modelo de República americano > Ênfase na organização da liberdade, tendo na base do novo pacto político – a predominância dos interesses individuais. Esta visão utilitarista colocava dificuldades para a concepção do coletivo, do público. A solução foi definir o público como a somatória dos interesses individuais. Essa visão supõe a ausência de identidade coletiva ou a visão de uma Nação sem patriota. É a visão de uma coleção de indivíduos em busca de uma organização política que garanta seus interesses. Quando muito, buscava- se os pais fundadores.

12 A República (francesa) O outro modelo de República – era o modelo francês. Ou seja, o da Primeira e da Terceira República. –A imagem da Primeira República confundia-se com a fase revolucionária de 1789 – a fase jacobina, da qual se salientava a participação popular. Era a República da intervenção direta do povo no governo, a república dos clubes, das grandes manifestações, do Comitê de salvação pública. Era a República das ideias mobilizadoras do entusiasmo coletivo, da liberdade, da igualdade, dos direitos individuais do cidadão. –A imagem da Terceira República – a preocupação era com a governabilidade, com a conciliação entre a liberdade e o exercício do poder.

13 Dificuldade brasileira > falta de identidade coletiva Para Carvalho, a dificuldade brasileira com os dois modelos de liberdade > era a falta de identidade coletiva ou sentimento de coletividade. O sentido de identidade seria o cimento comum aos dois modelos. No Brasil, do início da República, inexistia tal sentimento. Havia alguns elementos que em geral fazem parte de uma identidade nacional, como a identidade da língua, da religião e mesmo a unidade política. Mas, tais laços, por si só, não são suficientes.

14 A busca de identidade para o país > tarefa dos intelectuais da 1ª República A busca de tal identidade coletiva para o país > seria tarefa que iria perseguir a geração intelectual da primeira República. ¬ Tratava-se, na realidade, de uma busca das bases para a redefinição da República, para o estabelecimento de um governo republicano que não fosse uma caricatura de si mesmo. Porque foi geral o desencanto com a obra de 1889 (p. 33).

15 Capítulo 2. As proclamações da República No capítulo 2, Carvalho discutirá as disputas para a definição dos fundamentos dessa República e, também, dos seus pais fundadores, mesmo que sua emergência não tenha sido de participação ampla. Logo após o ato de proclamação, os vencedores trataram de construir a versão oficial para o acontecido, destinada à história, o que não significa uma tarefa simples. Nesse campo também ocorreu a batalha pela construção de uma versão oficial dos fatos, a luta pelo estabelecimento do mito de origem. No caso da República, a batalha era mais importante, se não mais que a proclamação, um evento inesperado, rápido e incruento. Estavam em jogo: a definição dos papéis dos vários atores, os títulos de propriedade que cada ator julgava ter sobre o novo regime, e a própria natureza do regime.

16 Advento da República > não pode ser reduzido à questão militar Para Carvalho: O fato de ter sido a proclamação um fenômeno militar, em boa parte desvinculado do movimento republicano civil, significa que seu estudo não pode, por si só, explicar a natureza do regime. O advento da República não pode ser reduzido à questão militar e à insurreição das unidades militares aquarteladas em São Cristóvão. ¬ Embora as raízes da República devam ser buscadas mais longe e mais fundo, o ato de sua instauração possui valor simbólico inegável. Não foi por outra razão que tanto se lutou por sua definição histórica. Deodoro, Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Floriano Peixoto: não há inocência na briga pela delimitação do papel de cada uma dessas personagens. Por traz da luta, há disputa de poder e há visões distintas sobre a natureza da República.

17 As proclamações Carvalho afirma que ocorreram muitas disputas em relação ao 15 de Novembro para definir os principais protagonistas desse fato histórico. 1.Primeiro foi a guerra dos vivas e sua ligação com Deodoro; Existem dúvidas se seriam vivas à Monarquia ou a República; 2. Depois, as disputas em relação a participação efetiva de Benjamin Constant nesse evento; 3. E, também, a participação civil dos republicanos; Essas disputas traziam embutidas o conflito pela definição do novo regime. A análise da luta pelo mito fundador > pode esclarecer a natureza desse conflito (p. 38). Na imprensa, essas disputas se expressam com humor.

18 Os pais fundadores > apresentam três propostas distintas de República Os candidatos eram aqueles que expressavam essas correntes. 1. Deodoro > A República Militar 2. Benjamin Constant > A República Sociocrática. 3. Quintino Biocaiúva > A República Liberal 1. O primeiro deles girava em torno de Deodoro. Para o autor > sua sustentação estaria nos setores militares. Para esse grupo > a proclamação foi ato estritamente militar, executado sob a liderança insubstituível de Deodoro. Os civis pouco ou nada influíram. Esse grupo não tinha visão elaborada de República > buscava apenas posição de maior prestígio e poder que julgavam ter direito o Exército após a vitória na Guerra do Paraguai. Essa disputa > projetou-se na tela de Henrique Bernadelli sobre a proclamação da República. Deodoro > aparece na projeção de herói que comanda a cena.

19 2. Benjamin Constant > a República Sociocrática A disputa para atribuir-lhe a condição de pai fundador e integrar o panteão cívico > é feita por uma corrente ideológica muito distinta > Os positivistas. Além de fundador > era considerado o mestre, teórico e formulador de um projeto para o Brasil. Fora o responsável pelo 15 de Novembro ter ido além de uma quartelada. Para os positivistas ele integrava o panteão dos heróis da pátria, ao lado de Tiradentes e José Bonifácio de Andrada.

20 A República Sociocrática Os Sociocratas ou positivistas > eram inimigos da democracia representativa (=estado metafísico da humanidade). Defendiam uma ditadura republicana, na qual > o Congresso > teria papel orçamentário. A defesa desse modelo visava implementar a república social >inserção dos trabalhadores e diminuição dos privilégios da burguesia. A vertente ligada à Benjamin Constant > ficou restrita aos ortodoxos e não teve aplicação prática.

21 Os sociocratas ou positivistas Apesar de suas propostas utópicas, contribuíram para várias medidas dos primeiros anos da República, tais como: Separação entre Igreja e Estado; Casamento civil; Secularização dos cemitérios; Reforma do ensino militar; O início do contato com o operariado; Se a república dos deodoristas queria a salvação do Exército, a república da vertente de Benjamin Constant >almejava a salvação da Pátria (p. 42). Suas concepções foram fixadas nas estátuas que passaram a integrar as Praças Públicas >elaboradas por artistas positivistas como Eduardo Sá, Décio Villares.

22 3. Quintino Bocaiúva > a República Liberal Quintino Bocaiúva > Chefe do PRB representava em 1889 a propaganda republicana > inaugurada no Manifesto de A defesa de seu papel no 15 de Novembro > mais problemática do que as duas facções militares >porque o 15 de Novembro foi ação decidida e levada a efeito pelos militares. Os republicanos civis foram colocados a par 4 dias antes de seu desfecho (p. 49). A aliança com os militares fora discutida entre os propagandistas > Não havia consenso entre eles. Quintino Bocaiúva > era a favor dessa aliança. Silva Jardim preferia a via revolucionária e outros que queriam a mudança pela via pacífica como Américo Brasiliense, Bernardino de Campos >achavam problemático essa aliança (p. 49).

23 A República Liberal Carvalho defende que a ala mais exaltada do partido republicano sequer ficara sabendo da conspiração. No decorrer do dia 15 de Novembro > no percurso feito por Deodoro e durante o decorrer do dia a ação dos republicanos históricos foi pífia e desencontrada, como no ato da Câmara Municipal em que foi hasteada a bandeira errada. Ou seja, a do Comitê Lopes Trovão inspirada na bandeira americana. Para o autor > nenhum líder civil teve qualquer gesto que pudesse ser imortalizado pela arte como ocorrera na revolução francesa.

24 Distribuição do papéis entre os novos heróis A dificuldade de atribuir os papéis aos novos protagonistas foi expresso com humor por Gravoche (Arthur de Azevedo) no jornal O Paiz, em 19/11/1895, em Retratos. Diz o autor: O Nicromante, pelos modos, Satisfazer, procura a todos: Traz Benjamin, que é o fundador, Deodoro, que é o proclamador, Floriano, o consolidador, Prudente, o pacificador! Isto é que é ser engrossador!

25 Mito de Origem >inconcluso Após repassar cada um dos personagens, o autor chega a conclusão que o mito de origem ficou inconcluso, como inconclusa ficara a República. A tese central do autor é que diante da falta de densidade histórica do fato > isso traz dificuldades para definição do herói republicano, uma vez que os envolvidos no processo não tinham o estatuto requerido para ocupar o lugar de herói do novo regime > o que exigiu que se buscasse em outros momentos (no passado) esse personagem que não estava ligado ao momento de sua celebração. Essa questão será tratada no capítulo 3.

26 capitulo 3 > Tiradentes: um herói para a República A partir desta afirmação, Carvalho inicia o capitulo 3, Tiradentes: um herói para a República (p. 55) > dizendo que a luta em torno do mito de origem da República mostrou a dificuldade de se construir um herói para o novo regime. Esclarece que HERÓIS são símbolos poderosos, encarnações de ideias e aspirações, pontos de referência, fulcros de identificação coletiva. São por isso instrumentos eficazes para atingir a cabeça e o coração dos cidadãos a serviço da legitimação de regimes políticos. Não há regime que não promova o culto de seus heróis e não possua seu panteão cívico.

27 Herói> portador de valores requeridos socialmente Porém, a criação de símbolos não é arbitrária, não se faz no vazio social. O herói tem que responder a alguma necessidade ou aspiração, refletir algum tipo de personalidade ou comportamento que corresponda a um modelo coletivamente valorizado. ¬ Caso isso não ocorra, os pretendidos heróis são ignorados e, na pior hipótese, são ridicularizados.

28 Os pais fundadores No caso brasileiro > foi grande o esforço de transformação dos principais participantes do 15 de novembro em heróis do novo regime > o que resultou pouco. Para o autor, a pequena densidade histórica do 15 de novembro (uma passeata militar) não fornecia terreno adequado para a germinação de mitos.

29 A definição dos heróis da República Diante das dificuldades de promover os protagonistas do dia 15 em heróis > quem aos poucos se revelou capaz de atender às exigências de mitificação foi Tiradentes. Não que ele fosse desconhecido dos republicanos, mas é que havia outros possíveis candidatos. E, também, porque o seu nome estava envolvido em intensa batalha historiográfica, sobre sua real participação na Inconfidência.

30 A formação do mito O autor reconhece que a preocupação com a construção do mito afeta e condiciona o debate historiográfico > embora transcenda essa esfera. Além disso, o domínio do mito é o imaginário que se manifesta na tradição escrita e oral, na produção artística, nos rituais. A formação do mito pode dar-se contra a evidência documental; o imaginário pode interpretar evidências segundo mecanismos simbólicos que lhe são próprios e que não se enquadram necessariamente na retórica da narrativa histórica.

31 Tiradentes > a construção do mito A literatura brasileira > foi a primeira a ocupar-se do tema da Inconfidência, antes que a historiografia. Dentre as reflexões destaca-se a de Castro Alves > com a peça Gonzaga ou a revolução de Minas (representada em 1866 em Salvador, São Paulo e Rio de janeiro). O poema que termina a peça já aparece a idealização que o aproxima da figura de Cristo. Ei-lo. O gigante da praça O Cristo da multidão! É Tiradentes quem passa... Deixem passar o Titão.

32 Tiradentes > herói republicano Para Carvalho, além do apelo à tradição cristã do povo, que facilitava a transmissão da imagem de um Cristo cívico, poder-se-ia perguntar por outras razões do êxito de Tiradentes como herói republicano, pois não foi sem resistência que ele atingiu tal posição. Identifica alguns fatores: o geográfico; sua memória > está associada a mística cristã (O patriota virou místico, ao contrário de Frei Caneca).

33 Tiradentes > o herói da República Tiradentes > era um totem cívico. Não antagônico a ninguém, não dividia as pessoas, e as classes sociais, não dividia o país, não separava o presente do passado nem do futuro (p. 68). Pelo contrário, ligava a república à independência e a projetava para o ideal de crescente liberdade futura. Ou seja, era o herói de diferentes facções políticas: da esquerda à direita.

34 Tiradentes > de herói republicano à herói nacional A aceitação de Tiradentes veio, assim, acompanhada de sua transformação em herói nacional, mais do que em herói republicano. Unia o país através do espaço, do tempo, das classes. Essa tentativa de transformá-lo em herói nacional > não eliminou totalmente a ambigüidade do símbolo. O governo republicano tentou dele se apropriar...os governos militares (1964) tornaram Tiradentes patrono cívico da nação brasileira... E os grupos de esquerda (os jacobinos e os guerrilheiros da década de 70) também não abriram mão dele(p.71). O segredo da vitalidade do herói, talvez esteja, em sua resistência aos continuados esforços de esquartejamento de sua memória(p.73).

35 TIRADENTES 1.Imagem do alto – O Martírio de Tiradentes (Aurélio de Figueiredo); 2.Imagem à esquerda – Tiradentes (Décio Vilares); 3. Imagem à direita (em baixo) – Tiradentes Esquartejado (Pedro Américo)

36 Capítulo 4- República-mulher: entre Maria e Marianne O autor volta-se novamente à experiência francesa e observa que a situação de derrocada da Monarquia > gerou a necessidade de novos símbolos para representar os novos ideais. A alegoria feminina >foi usada para representar a simbologia cívica francesa, seja a liberdade, seja revolução, seja a república. As disputas foram acirradas; Ora a república era representada por uma simbologia de mulher guerreira, inspirada na mulher romana, de pé, descalça, barrete frígio, seios à mostra, espada, ora na mulher popular das barricadas, imortalizadas por artistas como Rudé (A partida dos Voluntários), Delacroix (A Liberdade guiando o povo). Ou, ainda, sentada, maternal, penteada, claramente apaziguadora. Dessas disputas aparecem duas versões:(=burguesa (apaziguadora) e socialista (rebelde). Essas representações > talvez fossem uma forma de incorporar a mulher como cidadã nesse processo.

37 Cap. 4 – De figura clássica guerreira à mulher pública No Brasil > o uso da simbologia feminina para representar a República também foi recorrente. Os primeiros a usar foram os caricaturistas > inspiram-se na figura clássica romana. A revista Ilustrada define o modelo de mulher que aparece em pé, de barrete frígio, pés desnudos (ou de sandália), escudo, espada, portando a bandeira brasileira. Posteriormente, ela também aparecerá sentada, apenas portando o bastão e barrete frígio para, em seguida, deslocar-se para uma figura feminina, de grandes seios e apaziguadora.

38 Representação clássica da República no Brasil Glória à Patria! Honra aos heróis do dia 15 de novembro de Homenagem da Revista Illustrada. Pereira Neto, Revista Illustrada, 16/11/1889

39 Representações da República Até o final do século, jornais e revistas não se afastaram do modelo estabelecido pela Revista IIlustrada. Os pintores, excetuando o positivista Décio Vilares, praticamente ignoraram o simbolismo feminino na representação do novo regime. Também apresentaram a dupla representação: seguindo o modelo clássico (guerreira) e, também, sentada transmitindo a impressão de tranqüilidade, força e segurança. Na caricatura > também houve deslocamento dessas figuras guerreira ou conciliadora, para outra > representada por uma mulher corrompida, gasta e envelhecida. Os caricaturistas usaram a figura feminina para ridicularizar a República. A virgem ou a mulher heróica dos republicanos era facilmente transformada em mulher da vida, em prostituta. Isso aconteceu na França e também no Brasil. A diferença é que no Brasil essa representação foi a dominante, sendo usada por aqueles que inicialmente tinham apoiado o novo regime.

40 Representações da República Pergunta Carvalho: Por que o fracasso da representação positiva da República como mulher? Para o autor, a busca de explicação poderá vir de várias direções. Mas o centro talvez esteja na falta de uma comunidade de imaginação, de uma comunidade de sentido porque qualquer imaginário precisa criar raízes em evidências reais para legitimar-se. Nesse caso, a precária participação da mulher brasileira nesse processo, diferentemente do que ocorreu na França, que reforçou essa representação, como forma de compensar a negação de seus direitos. Conclui que a batalha pela alegoria feminina terminou em derrota republicana. Mais ainda, em derrota do cívico perante o religioso pelo papel que Nossa Senhora Aparecida passou a ter na República.

41 Capítulo 5 - Bandeira e Hino: o peso da tradição Na leitura de Carvalho também houve batalha em torno da simbologia republicana em relação ao hino e à bandeira. A luta pelo mito de origem, pela figura do herói, pela alegoria feminina era parte importante no novo regime > todos eram lutas não conclusivas diferentemente do hino e da bandeira. De adoção e uso obrigatórios > esses dois símbolos tinham que ser definidos por legislação, com data certa. A batalha por esses dois símbolos > foi intensa e rápida. A bandeira > a vitória foi da facção positivista e se deveu ao fato de o novo símbolo incorporar elementos da tradição imperial.

42 O Hino > vitória do povo Para o autor havia intenção por parte das autoridades de criar um novo hino para a República, uma vez que até ali o que se tocava era a marselhesa. A tentativa porém, não foi adiante pela repercussão, em solenidade pública, quando foi tocado o velho hino aplaudido de forma emocionada pelos presentes. Daí por diante, chegou-se a conclusão que o hino de Francisco Manuel da Silva receberia letra nova (cuja autoria foi de Osório Duque Estrada), pois a letra original já estava em desuso (p. 127).

43 Considerações finais Para José Murilo de Carvalho > FALHARAM os esforços das correntes republicanas que tentaram expandir a legitimidade do novo regime para além da corrente (liberal) vitoriosa. Não foram capazes de criar um imaginário popular republicano. Nos aspectos em que tiveram êxito, este se deveu a compromissos com a tradição imperial ou com valores religiosos. Observa que não é por acaso que o debate mais vivo gira ainda hoje em torno do mito de origem e das utopias republicanas. A falta de uma identidade republicana e a persistente emergência de visões conflitantes ajudam também a compreender o êxito da figura de herói personificada em Tiradentes. O herói republicano por excelência é ambíguo, multifacetado, esquartejado (...).

44 Considerações finais Tiradentes consegue se manter como herói republicano por conseguir absorver todas essas fraturas, sem perder a identidade. A seu lado, apesar dos desafios que surgem das novas correntes religiosas, talvez seja a imagem da Aparecida a que melhor dar um sentido de comunhão nacional a vastos setores da população. Um sentido que, na ausência de um civismo republicano, só poderia vir de fora do domínio da política(...) (p ).

45 GOVERNO PROVISÓRIO – Repúblicas dos Estados Unidos do Brasil CALENDÁRIO REPUBLICANO DE FESTAS NACIONAIS Em 14/jan1890 foram decretadas as festas nacionais: 1º de janeiro > comemoração da fraternidade universal; 21 de abril > comemoração dos precursores da Independência brasileira, resumidos em Tiradentes; 03 de maio > comemoração da descoberta do Brasil; 13 de maio > comemoração da fraternidade dos brasileiros; 14 de julho > comemoração da república... 7 de setembro> comemoração da independência do Brasil; 12 /outubro > descoberta da América; 02 /11 > comemoração geral dos mortos; 15 /novembro> comemoração da Pátria brasileira. A Constituinte foi instalada em 15 de novembro /1890 > Presidente da Constituinte > Prudente de Morais Em 24 de fevereiro/1891 > a Constituinte promulgou a nova Constituição; Em 25/fev/1891 > o Congresso elegeu o Marechal Deodoro da Fonseca, derrotando Prudente de Morais.

46 GOVERNO (PROVISÓRIO) – Repúblicas dos Estados Unidos do Brasil 1. Presidente – Marechal Deodoro da Fonseca 2. Ministro do Exterior – Quintino Bocaiuva (RJ) 3. Ministro do Interior – Aristides Lobo (Alagoano) 4. Ministro da Fazenda – Rui Barbosa (Bahia) 5. Ministro da Justiça – Campos Sales (SP) 6. Ministro da Agricultura – Demétrio Ribeiro (gaucho) 7. Ministro da Marinha – Eduardo Wandenkolk 8. Ministro da Guerra- Benjamin Constant Divisão dos poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário > Legislatura > três anos Congresso Nacional > Câmara (Casa da representação popular) > 1 deputado para cada 70 mil habitantes. Senado Federal (Casa dos Estados/ Casa da Federação)> 3 sena- dores por Estado > mandato de 9 anos;


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