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Texto de Ivana Maria França de Negri Era bem cedo, mas horário de pico, quando todos saem para o trabalho, geralmente atrasados e apressados, numa avenida.

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2 Texto de Ivana Maria França de Negri

3 Era bem cedo, mas horário de pico, quando todos saem para o trabalho, geralmente atrasados e apressados, numa avenida movimentada aqui da cidade.

4 Entre os carros, vi uma cadela bem pequena, magrinha, com o rabinho entre as pernas, muito assustada e que procurava escapar de vários cães vira- latas bem maiores do que ela. Creio que deveria estar no cio, pois fugia deles e tentava se desviar dos carros também.

5 Seu corpinho tremia, talvez por estar acuada e sem saber onde se esconder. Passou na frente do meu carro e eu, instintivamente, pisei fundo no freio, deixando-a passar, mas o carro que vinha logo atrás quase bateu na traseira do meu e vi que o motorista ficou muito alterado. Sem um mínimo de paciência (e educação) ultrapassou o meu carro, acelerando o dele, e blasfemando impropérios que não consegui decifrar, mas dando a entender algo do tipo: "saia da minha frente barbeira!".

6 E saibam que eu tenho um adesivo bem visível no vidro traseiro do meu carro com esta frase estampada: "Eu freio para os animais". Não tenho certeza, mas acho que na desenfreada e imprudente corrida, ele deve ter batido na cadelinha pois ouvi um forte ganido. Fiquei desesperada e sem ação naquele momento, mas acredito que ela não ficou ferida porque foi correndo para perto de uns catadores de sucata que deveriam ser seus donos.

7 Muitos pensamentos passaram por minha cabeça naquele momento. Parar para conversar com eles? Pegar a cachorrinha e colocar no meu carro? E levá-la onde? Se a deixasse no canil, maltratadinha como estava, poderia ser eutanasiada. Levá-la em algum abrigo lotado para passar fome? Trazer para meu apartamento, onde já moram dois gatos? Segui em frente, mas a imagem dela permaneceu comigo, seus olhinhos assustados, pedindo ajuda, seu desespero, sua aflição....

8 Dei a volta e passei de novo nas adjacências, mas não os vi mais, nem os recicladores e nem a cachorrinha. No trajeto da volta, vi algumas pessoas passeando com seus cãezinhos de raça, cheios de lacinhos, pêlos escovados, roupinhas coloridas, e pensei comigo, por que uns tem tanto e outros nada possuem, também no reino animal? Por que as pessoas compram animais de raça, a preços elevadíssimos ao invés de adotar um animal abandonado?

9 Por acaso o amor, a lealdade, a amizade e o carinho são diferentes? Por que para alguns sobram apenas restos putrefatos em latas de lixo e para outros só ração importada? Por que para alguns há vacinas e vitaminas e para outros só a injeção letal? Meus animais mais amados foram resgatados das ruas. Uns ainda filhotes, outros já adultos, mas todos se tornaram reis e rainhas da casa, mesmo não tendo pedigree e não sendo descendentes de raças nobres.

10 Desculpem os leitores pelo meu desabafo. Espero que o motorista apressadinho e imprudente leia esta crônica e reveja suas ações. Mais calma! E que tenha um pouco mais de compaixão pelos desafortunados, sejam eles bicho ou gente. Ivana Maria França de Negri é escritora.

11 Formatado por Patrícia Perrud Cordeiro Fonte: Florais e cia Texto da minha querida amiga escritora Ivana Maria França de Negri


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