A apresentação está carregando. Por favor, espere

A apresentação está carregando. Por favor, espere

DANÇAS E MANIFESTAÇOES POPULARES DO ESPIRITO SANTO

Apresentações semelhantes


Apresentação em tema: "DANÇAS E MANIFESTAÇOES POPULARES DO ESPIRITO SANTO"— Transcrição da apresentação:

1 DANÇAS E MANIFESTAÇOES POPULARES DO ESPIRITO SANTO
Danças folclórica e populares Danúbia Aires

2 Aspectos históricos O congo é considerado por estudiosos das tradições populares do Espírito Santo, como uma dança folclórica, por ser um grupo musical de estrutura simplificada, com dançadores e um dirigente (mestre), possui coreografia própria, sem texto dramático, e outras pessoas podem ser incluídas, isto quer dizer: podem participar desta manifestação, que possui características próprias sem igual em outros estados do país. Sua origem é anterior ao século XIX. Entretanto, a sua formação inicial foi perdida com a aculturação dos povos indígenas. Esses grupos musicais, descendem dos cantos e rituais dos índios. O historiador e mestre Guilherme Santos Neves, que muito contribuiu para o conhecimento do nosso folclore, conta-nos que os primeiros registros impressos sobres elas, conhecidas como Bandas de Índios.

3 Registros importantes
Padre Antunes de Siqueira ( ), poeta, teatrólogo, educador e filólogo, natural de Vitória, exerceu as funções de sacerdote em São Mateus e na Aldeia Velha (Santa Cruz), por volta do ano de 1855. Ele descreveu a forma do primitivo conjunto musical, integrados por índios Mutuns, que habitavam as margens do Rio Doce: "Nas danças acocoram-se todos em círculo, batendo com as palmas das mãos nos peitos e nas coxas". Indica também o instrumental por elas utilizado: "Os cassacos (casaca), um bambú dentado, corrida a escala por um ponteiro da mesma espécie; tambores feito de pau cavado, às vezes oco por sua natureza, tendo em uma das extremidades um couro, pregado com tarugos de madeira rija (...). Um cabaz {cabaça}, cheio de caroços de sementes do mato". Esse instrumental das Bandas de Índios descrito por Antunes de Siqueira, permanece até hoje nas bandas de congo, devidamente adaptados.

4 Registros do viajante francês Auguste François Biard, e do Imperador Pedro II.
Biard as descreve no seu livro de viagens, quando visitou Santa Cruz (atual município de Aracruz), em Destaca o seu encontro com indígenas por ocasião da Festa de São Benedito. Dom Pedro II, quando passou pela Vila de Nova Almeida, em 1860, fez questão de desenhar (foto) em seu diário, "o nosso reco-reco de cabeça esculpida, anotando-lhe, inclusive, o nome 'cassaca' . D. Pedro Maria de Lacerda, Bispo do Rio de Janeiro, em visita ao Espírito Santo, entre 1880 e Os seus escritos narram fatos importantes sobre as autênticas bandas de congo: No dia do aniversário da Igreja dos Reis Magos em Nova Almeida (município da Serra), observou entre o conjunto de índios a presença de um "negro velho" e a maneira dos músicos tocarem os tambores. Em visita posterior à localidade de Fundão, o Bispo observou que à dança puramente indígena, "A dança é mui modesta e descente: consiste em algumas piruetas, sem saltos, elevação do pé estendido para diante, algum cruzamento de pernas, e sapateados"; havia uma mistura de dança de negros, com mais animação [...].

5 INFLUÊNCIA NEGRA Segundo as pesquisas do mestre Guilherme, "essa intromissão do elemento negro no folguedo ameríndio é que deu agitação e vida ao conjunto musical e dançante". Os negros acrescentaram sua maneira descontraída e auto expressiva de dançar. "(...) sem nenhuma repressão dos impulsos individuais; sem a impassibilidade das cerimônias indígenas“. Ao registrar a participação dos negros nas Bandas de Índios, o Bispo D. Pedro Maria Lacerda, curiosamente datou em 1880, essa apropriação por empréstimo entre o folclore afro-brasileiro e o dos índios nativos. A permanência dos negros de cultura banto (originária de Angola), em solo capixaba durante o ciclo do café, favoreceu a participação deles nas bandas de congo, "ao reviver as cortes africanas, com pompa e magnificência, organizaram-se hierarquicamente, para louvar a Virgem do Rosário e São Benedito"; além de São Pedro, São Sebastião e Nossa Senhora da Penha, a padroeira do Espírito Santo.

6 "Os padres jesuítas {portugueses e espanhóis}, tiveram participação nesse processo, ao cuidarem da catequese dos índios, e prestar assistência moral aos colonos portugueses, passaram a introduzir total ou parcialmente as expressões nativas nas artes (música, teatro e dança);" com o intuito de reunir toda a gente, e apaziguar os ânimos entre os indígenas e os colonizadores, que como sabemos, viviam em conflito. Os colonizadores portugueses também trouxeram os seus costumes, e aqui permaneceram juntando ao mesmo tempo os modelos lusitanos, as formas afro-brasileiras e as de inspiração indígena. Essa junção de culturas, como acontece em outros Estados brasileiros, principalmente os do Nordeste, fez com que no Espírito Santo, o maior número de danças e folguedos populares fossem vinculados às comemorações do nascimento de Cristo, ou realizados em sua homenagem, porque são apresentados unicamente nas datas próximas do Natal, denominadas de festas do ciclo natalino. Outras correspondem aos dias dos santos: dia 26 de dezembro dia de São Benedito; e Nossa Senhora da Penha no dia 08 de abril. É bom lembrar, que o culto a São Benedito, muito venerado em Portugal e Espanha, foi trazido pelos colonizadores. Os índios catequizados o adotaram. O viajante Biard, cita em seu relato sobre a banda de índios, o fato de em meio ao cortejo, um índio paramentado que levava a imagem do santo, filho de escravos, nascido na Sicília-Itália, que viveu pobremente e peregrinou pelos países da Europa Ocidental.

7 Outro grande mestre, incentivador e divulgador do folclore capixaba, Hermógenes Lima Fonseca.
Segundo Fonseca, as Bandas de Congo, foram assim se modificando com o passar do tempo. O nome guarará, foi mudado para congo ou tambor, por isso, o conjunto veio a ser denominado banda de congo, como hoje é conhecido, e que faz melhor referência à África, "as cortes do congo tem a sua origem em Angola". Também o termo massaraca ou massacaia, foi mudado para chocalho ou sucaio. Feito de cabaças, tendo no seu interior sementes do mato, que hoje são substituídas por grãos de feijão e milho. Outro instrumento de origem africana, a puita ou cuíca, foi introduzido. Permaneceu o cassaco, "também chamado cassaca ou cassaco, ou ainda por contaminação, canzaco, evidente influência de canzá ou ganzá, que seria termo quimbundo, segundo os entendidos em línguas africanas" . Somam-se a essas transformações, as anteriormente referidas sobre o "modo de dançar dos negros e mais as toadas, onde se encaixam aqui e ali, termos e expressões africanas, referências à escravidão, entoadas dentro do ritmo negro, quente e sensual."

8 Quando em 1951, comemorava-se o IV Centenário da Cidade de Vitória, foi realizada a primeira concentração de bandas de congo; nesse evento já se notavam diferenças entre os conjuntos. Segundo mestre Guilherme Santos Neves, a de Caieiras Velha (Santa Cruz), "conservava o instrumental mais rústico: os tambores (troncos ocos) e os cassacos não apresentavam a mesma forma dos outros, não sendo, na sua feitura, utilizados pregos, mas tarugos de madeira", e à monotonia dos seus cânticos, compostos por dois ou quatro versos repetidos continuamente, remetem àqueles observados em 1880 pelo Bispo Pedro Maria Lacerda em Nova Almeida e Fundão. A cidade de Vitória esteva bem representada. A Banda de Congo Amores da Lua, das mais conhecidas, teve sua origem no Bairro Santa Marta, quando o ferroviário Alarico de Azevedo, a professora Jacinta Souza e o devoto de São Benedito Alfredo Manoel Silva se encontraram em 20 de março de 1945.

9 Ticumbi O Ticumbi é um folguedo existente no Norte do Espírito Santo há mais de 200 anos. A cada ano os grupos elegem um tema, representado em seus cânticos, bailados e evoluções. Os passos da brincadeira são coreografados. A dramatização do auto é simples: o "Reis de Congo" e o "Rei de Bamba", duas majestades negras, querem fazer, separadamente, a festa de São Benedito. Há embaixadas de parte a parte, com desafios atrevidos declamados pelos "Secretários" que desempenham o papel de embaixadores. Por não ser possível qualquer acordo ou conciliação, trava-se a guerra - agitada luta bailada entre os dois rivais. Como é tradição, o "Reis de Congo" consagra-se vencedor, submetendo o "Reis de Bamba" e seus vassalos ao batismo. O auto termina com a festa em homenagem a São Benedito, quando então, os componentes cantam e dançam o Ticumbi.

10 Alardo O auto representa a tomada de Mobaça, e é embasado em "Os Lusíadas", obra de Camões. Não há cânticos, apenas embaixadas declamadas. É caracterizado por personagens como o Capitão de Mouros e Capitão de Cristãos; Embaixadores de Mouros e Embaixadores de Cristãos; Alferes, que conduzem bandeiras; e Cortadores ou Soldados, representados por vinte figurantes de cada hoste guerreira. O Alardo é dividido em dois atos. No primeiro momento, os mouros raptam a imagem de São Sebastião e a conduzem para a fortaleza moura. O segundo ato é marcado por combates com um desfecho de sucesso para os Cristãos. Eles derrotam os mouros e os batizam na porta da igreja. A vestimenta caracterizada pela cor vermelha é marcante nos trajes dos mouros que usam calção vermelho com meias da mesma cor até o joelho e dólmã de cetim com rendas brancas. Os Capitães, Embaixadores e Alferes usam uma meia-capa de aurela de arminho branco, chapéu vermelho quebrado na frente, enfeitado de papel de lata brilhante e espelho. Os Cristãos usam roupas iguais, mas a cor marcante é o azul. As diferenças entre os rivais também podem ser percebidas nos emblemas: a cruz é utilizada pelos cristãos, enquanto os mouros usam a meia-lua muçulmana. A caixa e o tambor dão o ritmo do embate que utiliza instrumentos de defesas como espadas, adagas, lanças e espingarda de encher pela boca.

11 Boi Pintadinho O boi é personagem central de inúmeros folguedos folclóricos, presentes em todos os estados, com intensa variedade na dramatização. No Espírito Santo o grupo de boi pintadinho, bumba-meu-boi ou boi-janeiro é constituído preferencialmente por homens, registrando-se, em uns poucos municípios, a presença de mulheres e crianças. Nos conjuntos masculinos comparecem os travestis, comumente usando máscaras. O número de participantes é variável, em média quinze a vinte; Os personagens são o boi, a mulinha e o puxador de boi (vaqueiro ou toureiro). O boi é construído pelos próprios integrantes, tem como cabeça uma caveira de boi ou sua reprodução em papelão e taquara, revestida com tecido e sempre enfeitada; o corpo é vestido com chitão ou outra fazenda estampada. Dentro do boi um brincante fica incumbido de dar vida ao boi. A mulinha tem cabeça de papelão e arcada de taquara recoberta de pano, sendo oca e também conta com um brincante para conduzi-la. O puxador, geralmente com roupas de vaqueiro, puxa a corda que conduz o boi e orienta sua movimentação.

12 Bate-flecha Com o nome de bate-flechas ou dança das flechas ocorre no estado do Espírito Santo uma expressão folclórica, de intenção religiosa, em louvor a São Sebastião e São João Batista. O grupo, formado por homens e mulheres, sem número determinado, se apresenta em terreiro e pode ser integrado também pelos assistentes. Em Geral, a roupa é a comum, mas há os que se vestem á maneira indígena, com saias de palmito, penachos coloridos, colares de contas, adornos de pena nos braços e tornozelos. O instrumental se assemelha ao de uma pequena banda musical, mas alguns conjuntos adotam apenas os tambores. Cada dançador porta duas flechas que servem para embelezar as evoluções e funcionam como marcadoras de ritmo, acompanhando as batidas de pés.

13 Jongo O Jongo envolve canto, dança e percussão de tambores. De origem africana, chegou ao Brasil através dos negros escravos bantos. Está presente tanto no norte do Espírito Santo, nos municípios de São Mateus e Conceição da Barra, como no Sul, em Cachoeiro de Itapemirim, Anchieta e Presidente Kennedy. Considerado a raiz mais primitiva do samba, difundiu-se nas regiões cafeicultoras, fato que explica a sua existência quase que exclusiva no sudeste do país. Doze mulheres, vestindo blusa branca, saia e lenço azul na cabeça são componentes do Jongo. Fazem parte também três homens, que tocam tambores e um reco-reco. 

14 Para reflexão! Constantemente nos deparamos com situações e posicionamentos relacionados às práticas e artefatos culturais de matriz africana e afro-brasileira, que refletem visões estereotipadas. Em geral, parte significativa da população às relacionam ao espiritismo, estranhamento esse que segundo Rodrigues (2007, p.17) “[...] tem origem nos modos de expressão em que são produzidas tais práticas - são tidas como marginais por usarem alegorias (tambores, estandartes) que são comuns nas religiões afrodescendentes.” Do que tratam as leis /03 e /08? Qual a origem da falta de conhecimento e resistência relacionada às práticas culturais e manifestações da cultura corporal que contém imbricações com as matrizes africana, afro-brasileira e indígena? Como a prática docente pode promover a superação dessa forma de pensar e agir em relação ao negro, ao indígena suas tradições e cultura?

15 Referências FONSECA, Hermógenes Lima - Tradições Populares no Espírito Santo, Vitória, Departamento Estadual de Cultura, 1991. LINS, Jaceguay. O congo do Espirito Santo: uma panorâmica musicológica das bandas de congo. Vitória: [s.n] 2009 NEVES, Guilherme Santos - Bandas de Congo - Cadernos de Folclore nº 30, Rio de Janeiro, FUNARTE, 1980. APE. Espirito Santo Negro- História do Congo. Disponível em SECULT <


Carregar ppt "DANÇAS E MANIFESTAÇOES POPULARES DO ESPIRITO SANTO"

Apresentações semelhantes


Anúncios Google