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Introdução ao Conceito de Pulsão

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Apresentação em tema: "Introdução ao Conceito de Pulsão"— Transcrição da apresentação:

1 Introdução ao Conceito de Pulsão
Prof.ª Rosânea Aparecida de Freitas das Neves

2 Introdução ao Conceito de Pulsão
Freud (1916) define pulsão como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam no corpo - dentro do organismo - e alcança a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em conseqüência de sua ligação com o corpo. Freud fala que não existe um caminho natural para a sexualidade humana. Não há uma maneira única de satisfazer o desejo, o que confere ao humano a sina de estar sempre insatisfeito frente a este. É em nome desses desvios que Freud fala em pulsão sexual (trieb) e não em instinto (instinkt), que é um padrão de comportamento, hereditariamente fixado e que possui um objeto especifico, enquanto a Trieb não implica nem comportamento pré-formado, nem objeto especifico.

3 Introdução ao Conceito de Pulsão
Em Escritos, Lacan (1998) diz que:  A pulsão, tal como é construída por Freud a partir da experiência do inconsciente, proíbe ao pensamento psicologizante esse recurso ao instinto com ele mascara sua ignorância, através de uma suposição de uma moral na natureza. (Lacan, 1998, pág.865). Em O Inconsciente (Das Unbewusste) Freud (1915) fala que a antítese entre consciente e inconsciente não se aplica às pulsões; se a pulsão não se prendeu a uma idéia ou não se manifestou como um estado afetivo, nada poderemos saber sobre ela. A pulsão nunca se dá por si mesma, nem a nível consciente, nem a nível inconsciente; ela só é conhecida pelos seus representantes: o representante ideativo (vorstellung) e o afeto (affekt).

4 Introdução ao Conceito de Pulsão
O afeto é a expressão qualitativa da quantidade de energia pulsional. Afetos correspondem a processos de descarga, cujas manifestações finais são percebidas como sentimentos. Os destinos do afeto e do representante ideativo são diferentes. Os afetos não podem ser recalcados. Portanto não se pode falar em afeto inconsciente; os afetos são sentidos a nível consciente, embora não possamos determinar a origem do afeto ao sentir suas manifestações. Os representantes ideativos são catexias, basicamente de traços de memória. O afeto não pode ser recalcado (não pertence ao sistema inconsciente), mas ele sofre as vicissitudes do recalque: o afeto pode permanecer; ser transformado (principalmente em angústia); ou é suprimido. Freud (1915) fala que suprimir o desenvolvimento do afeto constitui a verdadeira finalidade do recalque e que seu trabalho ficará incompleto se essa finalidade não for alcançada. O controle do consciente sobre a motilidade voluntária se acha firmemente enraizada, suporta regularmente a investida da neurose e só cessa na psicose. O controle do consciente sobre o desenvolvimento dos afetos é menos seguro.

5 Introdução ao Conceito de Pulsão
O recalcamento provoca uma ruptura entre o afeto e a idéia a qual ele pertence, e cada um deles passam por vicissitudes diversas. Mas Freud (1915) diz acreditar que de modo geral, o afeto não se apresenta até que o irromper de uma nova apresentação do sistema consciente tenha sido alcançada com êxito. Garcia-Roza (2005) diz ser a pulsão o instinto que se desnaturalizou, que se desvia de suas fontes e de seus objetos específicos; ela é o efeito marginal desse apoio-desvio. A pulsão se apóia no instinto, mas não se reduz a ele. Zimerman, (1999) diz que o apoio marca não a continuidade entre o instinto e a pulsão, mas a descontinuidade entre ambos, transformando o somático em psíquico, com as respectivas sensações das experiências emocionais primitivas, o indivíduo vai construindo o seu mundo interno de representações. Em o Instinto e suas Vicissitudes (1915) Freud localiza a pulsão como tendo uma “pressão”; uma “finalidade” ou “objetivo”; seu “objeto” e sua “fonte”.

6 Introdução ao Conceito de Pulsão
A Pressão (drang) A pressão é o fator motor da pulsão, a quantidade de força ou exigência do trabalho que ela representa. A rigor, não existe pulsão passiva, apenas pulsões cuja finalidade é passiva. (Freud, 1915). Toda pulsão é ativa e a pressão é a própria atividade da pulsão. Desde o Projeto para uma Psicologia Cientifica (1895), Freud define a pressão como o elemento motor da pulsão que impele o organismo para a ação especifica responsável pela eliminação da tensão.

7 Introdução ao Conceito de Pulsão
A Finalidade ou objetivo (ziel) A finalidade da pulsão é sempre a satisfação, sendo que a satisfação é definida como a redução da tensão provocada pela pressão. Freud (1915) fala que as pulsões podem ser inibidas em sua finalidade, mas mesmo nesses mecanismos há uma satisfação substitutiva, parcial. O objeto (objekt) É uma coisa em relação a qual ou através da qual o instinto é capaz de atingir sua finalidade. (Freud, 1915). É o que há de mais variável em uma pulsão. Garcia-Roza (2005) fala que objeto (objekt) para Freud não é aquilo que se oferece a consciência, mas algo que só tem sentido enquanto relacionado à pulsão e ao inconsciente.

8 Introdução ao Conceito de Pulsão
A Fonte (quelle) A fonte é o processo somático que ocorre num órgão ou parte do corpo, e cujo estimulo é representado na vida mental por uma pulsão (trieb). Uma pulsão não pode ser destruída nem inibida, uma vez tendo surgido, ela tende de forma coerciva para a satisfação. Aquilo sobre o qual vai incidir a defesa é sobre os representantes psíquicos da pulsão. Os destinos dos representantes ideativos são: reversão ao seu oposto, retorno em direção ao próprio eu, recalcamento, sublimação. Os destinos do afeto: transformação do afeto (obsessões) deslocamento do afeto (histeria de conversão), troca do afeto (neurose de angústia e melancolia). A reversão da pulsão em seu oposto transforma-se em dois processos diferentes: uma mudança da atividade para a passividade e uma reversão do seu conteúdo. Do primeiro temos o exemplo do sadismo e do masoquismo. A reversão afeta apenas a finalidade da pulsão (amor transforma-se em ódio, por exemplo). As vicissitudes pulsionais que consistem no fato de a pulsão retornar em direção ao próprio ego do sujeito e sofrer reversão da atividade para a passividade, se acham na dependência da organização narcisista do ego e trazem o cunho dessa fase. (Freud, 1915)

9 Introdução ao Conceito de Pulsão
Economia das Pulsões Do ponto de vista econômico, as manifestações das pulsões sexuais são ligadas à existência de uma força de uma energia especifica chamada libido. A catexia - que é o investimento de energia pulsional - alude ao fato de que certa quantidade de energia psíquica esteja ligada a um objeto, tanto externo como a seu representante interno, numa tentativa de reencontrar as experiências de satisfação que lhe estejam correlacionadas. (Zimerman,1999) Depois da experiência de satisfação, a representação do objeto satisfatório, fortemente investida, orientara o sujeito para a busca do mesmo objeto. O termo objeto pode designar tanto o objeto da pulsão quanto o objeto de amor do sujeito. O objeto do investimento pulsional pode ser o próprio sujeito, que é o caso do narcisismo.

10 Conceito de pulsão Pulsão ( TRIEB*) é um dos conceitos fundantes em psicanálise que expressa a especificidade da visão freudiana sobre o sujeito humano. È um conceito limite entre o psíquico e o orgânico; constituindo-se no “representante representativo”, no psíquico,das exigências somáticas do sujeito.  Segundo Freud é um impulso traduzido em desejo. O corte epistemológico freudiano transforma (no sentido de ultrapassar uma forma) o corpo biológico em corpo erógeno. Onde era instinto (puramente biológico) surge a pulsão  (no limite bio- psíquico).

11 Conceito de pulsão O instinto é sempre inscrito em um determinismo que antecede o indivíduo, e´da espécie. A pulsão dialetiza sujeito e ambiente, constituição e experiência  subjetiva. A necessidade, no humano não existe simplesmente. Ela tem sempre um resto , um “para além” que é da ordem do prazer (Eros). Esta é a diferença fundamental entre instinto e pulsão.A teoria das pulsões é uma das cinco teorias que fundamentam a psicanálise. As outras são : T. das identificações; T. do objeto; T. da catexia; T. do fantasma.

12 Conceito de pulsão O complemento de prazer , inerente a necessidade é o fator sexual (Eros). Sexualidade é um conceito abrangente em psicanálise, refere-se a tudo aquilo que é da ordem do prazer. A genitalidade sendo um de seus aspetos. O aparecimento da sexualidade coincide com o aparecimento do fantasma, por estar essencialmente à experiência do prazer.O prazer tem a ver com a economia libidinal, não precisando de um objeto específico. A inespecificidade do objeto o coloca na ordem do fantasma, ou seja, do absolutamente subjetivo.Freud afirma “a pulsão sexual não tem um objeto determinado, podendo ser qualquer um.Caso o tivesse não teríamos todas as complexas questões relativas à escolha do objeto”. . Libido vem a ser a manifestação da energia pulsional.

13 Conceito de pulsão A teoria das pulsões segue a evolução estrutural da teoria freudiana, dividindo-se em dois tempos:A primeira t. pulsional coincidindo com a primeira tópica . Freud divide as pulsões em ; _a- Pulsões de conservação e b- Pulsões sexuais. Esta divisão permanece até “Introdução ao Narcisismo” A segunda teoria pulsional se define em 1920 em “Para Além do princípio do Prazer” e fica, ainda dual, denominadas: a- Pulsões de vida; b- Pulsões de morte . Ou Eros e Tanatos. 


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