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As relações humanas não podem ser livres do meio. Na idade média, a religião esculpiu as relações à forma do aceitável pela igreja e ao modo da mais alta.

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1 As relações humanas não podem ser livres do meio. Na idade média, a religião esculpiu as relações à forma do aceitável pela igreja e ao modo da mais alta autoridade; no campo, as relações são ainda hoje limitadas pelas distâncias e, na sociedade urbana atual — um meio em que o espaço quase não oferece resistência à comunicação —, é o consumo que molda as relações. O mercado é, portanto, condição de convívio num meio em que tudo é vendável. Toda relação tem contexto num ambiente socioeconômico e, por isso, não há como tirar os objetos, os interesses, a comunicação e as aparências pessoais do contexto mercadológico. (...)

2 As relações humanas não podem ser livres do meio. Na idade média, a religião esculpiu as relações à forma do aceitável pela igreja e ao modo da mais alta autoridade; no campo, as relações são ainda hoje limitadas pelas distâncias e, na sociedade urbana atual — um meio em que o espaço quase não oferece resistência à comunicação —, é o consumo que molda as relações. O mercado é, portanto, condição de convívio num meio em que tudo é vendável. Toda relação tem contexto num ambiente socioeconômico e, por isso, não há como tirar os objetos, os interesses, a comunicação e as aparências pessoais do contexto mercadológico. (...)

3 Adolescentes do ano 2000 Elas se telefonam, se bipam, marcam encontros e se reúnem nervosas diante da escrivaninha, cadernos e livros abertos e espalhados. Não devo dizer escrivaninha, é termo da minha adolescência, e entre a minha e a da minha filha se passaram 47 anos, o Brasil mudou, as palavras mudaram. No entanto, alguma coisa permanece imutável. Percebo ao passar pelo corredor, vendo-as no quarto, deitadas no chão, sentadas à escrivaninha, livros e cadernos compulsados, sofregamente. São dias de prova. O clima é o mesmo da minha adolescência. Há uma igualdade. A pouca vontade de estudar nessa idade. Santa preguiça. Divina ausência de concentração. Ignácio de Loyola Brandão (O Estado de São Paulo, 19/12/1999)

4 Crônica narrativa jornalística Criança trocada por casa é apresentada no PR Um dos quatro bebês trocados pelos pais por material de construção, cestas básicas e até uma casa foi apresentado ontem pela manhã na sede do Sicride (Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas) da Segurança Pública do Paraná. A criança estava em Curitiba com o engenheiro Antônio Ricardo Siqueira, 39, e a comerciante Luiza Helena Pereira, 39, havia cerca de um mês. (...) Notícia de base:

5 Crônica narrativa jornalística A casa das ilusões perdidas Polícia investiga troca de bebê por casa. Cotidiano, 10.jun.99 Quando ela anunciou que estava grávida, a primeira reação dele foi de desagrado, logo seguida de franca irritação. (...) Ela, naturalmente, chorou, chorou muito. Disse que ele tinha razão, que aquilo fora uma irresponsabilidade, mas mesmo assim queria ter o filho. Sempre sonhara com isso, com a maternidade — e agora que o sonho estava prestes a se realizar, não deixaria que ele se desfizesse. —Por favor, suplicou. —Eu faço tudo que você quiser, eu dou um jeito de arranjar trabalho, eu sustento o nenê, mas, por favor, me deixe ser mãe. Ele disse que ia pensar. Ao fim de três dias daria a resposta. E sumiu. Voltou, não ao cabo de três dias, mas de três meses. Àquela altura ela já estava com uma barriga avantajada que tornava impossível o aborto; ao vê-lo, esqueceu a desconsideração, esqueceu tudo - estava certo de que ele vinha com a mensagem que tanto esperava, você pode ter o nenê, eu ajudo você a criá-lo. Estava errada. Ele vinha, sim, dizer-lhe que podia dar à luz a criança; mas não para ficar com ela. Já tinha feito o negócio: trocariam o recém-nascido por uma casa. A casa que não tinham e que agora seria o lar deles, o lar onde — agora ele prometia — ficariam para sempre. Ela ficou desesperada. De novo caiu em prantos, de novo implorou. Ele se mostrou irredutível. E ela, como sempre, cedeu. Entregue a criança, foram visitar a casa. Era uma modesta construção num bairro popular. Mas era o lar prometido e ela ficou extasiada. Ali mesmo, contudo, fez uma declaração: — Nós vamos encher esta casa de crianças. Quatro ou cinco, no mínimo. Ele não disse nada, mas ficou pensando. Quatro ou cinco casas, aquilo era um bom começo. Moacyr Scliar Crônica:

6 Crônica narrativa jornalística A casa das ilusões perdidas O leitor pode talvez estar indignado, tanto quanto eu estive, com a notícia dada dias atrás sobre a troca de crianças por mercadorias, que parece uma atitude tão desumana quanto foi fria a notícia que lhe foi dada. Pessoas naquela notícia pareceram sem sentimentos por distante que é o texto, mas ainda é possível imaginar a situação daquela mãe. Quando ela anunciou que estava grávida, a primeira reação dele foi de desagrado, logo seguida de franca irritação. (...) Ela, naturalmente, chorou, chorou muito. Disse que ele tinha razão, que aquilo fora uma irresponsabilidade, mas mesmo assim queria ter o filho. Sempre sonhara com isso, com a maternidade — e agora que o sonho estava prestes a se realizar, não deixaria que ele se desfizesse. —Por favor, suplicou. —Eu faço tudo que você quiser, eu dou um jeito de arranjar trabalho, eu sustento o nenê, mas, por favor, me deixe ser mãe. Ele disse que ia pensar. Ao fim de três dias daria a resposta. E sumiu. Voltou, não ao cabo de três dias, mas de três meses. Àquela altura ela já estava com uma barriga avantajada que tornava impossível o aborto; ao vê-lo, esqueceu a desconsideração, esqueceu tudo - estava certo de que ele vinha com a mensagem que tanto esperava, você pode ter o nenê, eu ajudo você a criá-lo. Estava errada. Ele vinha, sim, dizer-lhe que podia dar à luz a criança; mas não para ficar com ela. Já tinha feito o negócio: trocariam o recém-nascido por uma casa. A casa que não tinham e que agora seria o lar deles, o lar onde — agora ele prometia — ficariam para sempre. Ela ficou desesperada. De novo caiu em prantos, de novo implorou. Ele se mostrou irredutível. E ela, como sempre, cedeu. Entregue a criança, foram visitar a casa. Era uma modesta construção num bairro popular. Mas era o lar prometido e ela ficou extasiada. Ali mesmo, contudo, fez uma declaração: — Nós vamos encher esta casa de crianças. Quatro ou cinco, no mínimo. Ele não disse nada, mas ficou pensando. Quatro ou cinco casas, aquilo era um bom começo. Moacyr Scliar Crônica adaptada para ter interlocução:

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8 Depoimento Sempre acreditei que, se cada um resolvesse os próprios problemas, o mundo seria melhor. Essa maneira de pensar e de agir se baseia na forma civilizada de egoísmo. Cuido da minha vida sem incomodar ninguém. Por sorte, o homem que me resgatou de um afogamento iminente não partilhava dessa estreita visão do mundo. Nunca mais vou esquecer a tarde de horror de 1° de março deste ano, quando a chuva transformou o Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, numa piscina de águas barrentas. Ilhadas no túnel, eu e dezenas de pessoas lutávamos contra a correnteza e a violência dos carros que passavam soltos, arrastados pela enxurrada. Sem forças para resistir àquele redemoinho imundo, afundei. Um homem mergulhou, me puxou pelos cabelos e me transportou, a nado, até a capota de um carro que boiava, soube depois que se chamava José Ernesto Glahad. Pediu então, que eu ficasse quieta para não cairmos do carro, que balançava muito. Aguentei firme até a chegada dos bombeiros. Eles nos resgataram e me levaram para o hospital. Dois dias depois reconheci nos jornais meu anjo da guarda. Considerado herói pelo desprendimento e pela coragem ao me salvar, tinha se tornado pai horas após o temporal. Anotei o nome da maternidade e fui até lá. Camila, hoje minha afilhada, mamava no peito de Roberta quando entrei no quarto e apresentei meio sem jeito: "Sou a Sueli. Vim agradecer por seu marido existir e por ter salvado a minha vida sem se preocupar com o perigo". Choramos, nos abraçamos, conversamos muito. Nasceu assim nossa amizade. Graças ao gesto nobre e desinteressado de José Ernesto posso afirmar que meus valores mudaram. Questionei meus princípios e percebi que precisamos nos preocupar com os outros, ainda que sejam desconhecidos. Ver a morte de perto me trouxe uma nova consciência. Trabalhar, juntar bens, alcançar sucesso... é muito pouco.

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10 Resenha O Pavão e Juno Um formoso pavão excitava com a beleza das suas penas a curiosa atenção de alguns homens que o estavam admirando. Súbito ouviram estes, porém, o cantar de um rouxinol, e logo tudo esquecendo, procuram chegar-se para o lugar de onde partiam tão suaves melodias. Abandonado, o pavão encheu-se de raiva, e queixoso foi ter com Juno: — Porque há de um passarinho feio e sem graça, cantar melhor do que eu; porque me não deste a voz do rouxinol? perguntou. — Não sejas ingrato, respondeu lhe Juno; cada animal tem suas prendas, nenhum tem tudo; à águia coube a força; ao rouxinol, a voz; a ti, essa plumagem. Não és dos mais mal aquinhoados. — Sim; mas quisera cantar como o rouxinol, tornou o pavão.

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