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O Fantástico na ilha de Santa Catarina Adaptado de:

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2 O Fantástico na ilha de Santa Catarina Adaptado de:

3 O Fantástico na ilha de Santa Catarina Franklin Cascaes ( ) Nasceu na parte continental da cidade de Florianópolis, e dedicou sua vida ao estudo da cultura açoriana presente na ilha. Escreveu vários contos incluindo aspectos folclóricos, culturais, suas lendas e superstições.

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5 EDIÇÕES Duas coletâneas foram lançadas, a primeira com os contos 1 a 12, e a segunda com os contos 13 a 24. Entretanto, as narrativas foram todas agrupadas numa só edição, revisada em novembro de O livro aborda em todos os seus 24 contos, lendas do povo açoriano, das quais algumas ainda permanecem na cultura popular atual, como por exemplo, aquilo que é descrito em “Vassoura Bruxólica”.

6 Estrutura da obra: santa.html São 24 narrativas bruxólicas, isto é, que têm as bruxas como tema. A maior parte das narrativas segue o seguinte formato: a) Introdução no discurso do autor (linguagem padrão) b) A narrativa em si, em que os personagens, através do discurso direto revelam o dialeto “manezês”. c) Um epílogo em que o autor retoma a palavra, exaltando as belezas e mistérios da ilha, evidenciando uma relação afetiva do narrador com o espaço.

7 Linguagem Sempre atento ao falar popular dos “manezinhos”, procurou transcrevê-lo em sua obra, adotando uma escrita fonética quando dá voz às personagens. “- Primo Nicolau! Vossa mecê acardita memo de vredade naquelas istória que o nosso povo lá das ihias dos Açôri (i) contavo prá nóis como vredaderas? - Ah!... Sim, acardito de vredade, sim, minha prima! E inté agora me veio uma delas, no bestunto da minha cabeça e que eu acho ela memo munto inzata. Como tu bem sabes e vancês todos que tão aqui me osvindo, aquelas ihia dos Açôri, de ondi os nosso avó, foram sempre munto infestada por muhié bruxa que roubam embarcação prá móde fazê viagem inté a Índia em quatro horas; que dão nóis nos rabo e crinas dos cavalo; chupo sangue de criancinha; intico com as pessoa grande e pratico mil malas-arte.”

8 Referências Históricas Colonização açoriana: “Colonizada a partir de 1748, por colonos açorianos que habitavam aquelas ilhotas que vivem bem lá em riba da careca do oceano, açoitados diariamente pelas ondas bravias encarneiradas do mar e palas bocas infernais de vulcões seculares que vomitam fogo e gemem furor incontido sobre as pobres populações. É um povo mesclado, inteligente, audacioso, de espírito arguto e, sobretudo, essencialmente religioso e arreigado em crendices mitológicas.” (Eleição bruxólica)

9 Índios Observe que num dos diálogos de “Congresso Bruxólico”, há uma referência à presença anterior dos índios no território colonizado. O personagem Nicolau das Venturas aborda criticamente a exploração e a escravização dos “bugres”: - Os bugre trabahiavo na lavoura? - Trabahiavo, sim sinhôri, sô João, trabahiavo! Veja o sinhôri que eles prantavam mandioca, batata, mihio, cibola, fejão e muntas otras cosas. Fazio a cohieta e os home das otras bandas do mundo levavo tudo simbora prôs povo cumê. Inté pexe escalado com sáli preso, eles fazio pros home de fora. - Sô Nicolau, eu osvi falá que os bugre ero uns bicho brabo, matavo os vivente que cahio no ôhio deles e cumio a carne muqueada com cinza. - No mô fraco pensá, sô João, a móde que não era tanto ansim não, proque uns fazendero de São Paulo vinho aqui, agarravo eles tudo pra móde trabahiá nas fazendas deles quinem iscravo. Os coitado dos padre é quem pricuravo livrá eles da iscravidão, mas num consiguio. Munto ente do povo das ihia dos Açôri vim pra cá morá, munta água suja já tinha corrido pela aqui onde nóis temo.

10 Urbanização, Industrialização e Política Como já foi mencionado, a política a serviço das elites urbanas é referida criticamente nos textos de Cascaes. Nota-se o uso da expressão irônica “Madame Política”. Nesse sentido, destaca-se o conto “Eleição Bruxólica”, em que o personagem Serafim não se deixa enganar pelas promessas mirabolantes de uns “home rico da cidade que viéro a pricura de enleitôri”. Veja que o personagem Vicente, ao contrário, estava ingenuamente deslumbrado: Eu nunca vi uns home tão bão quinem aqueles. [...] Eles primitero inté fazê casa de tijolo prá um pudê de gente daqui,só proque acharo essas casa de parede de estuque munto fraca; primitero pra Ináça uma vaca que dá leite, croste, coalhada, nata, mantega pura e quejo. Dissero que sai tudo prontinho de dentro do ubre da vaca, sem a gente precisá se incomodá. [...] (Eleição Bruxólica)

11 Urbanização, Industrialização e Política Repare como o trecho pode ser lido como uma metáfora da industrialização, colocando-se o homem alienado à espera da satisfação de suas necessidades básicas sem mais ter poder sobre o que consome. Cético quanto às promessas eleitoreiras, Serafim as relaciona com as histórias de sua bisavó sobre as eleições das bruxas - como se também a política dos homens da cidade fosse uma força maligna a interferir na vida dos homens.

12 Referências à cultura açoriana - Boi-de-Mamão (referido em “Vassoura Bruxólica”) - Festa do Divino Espírito Santo (referida em “Bruxas Metamorfoseadas em Bois”) - Pão-por-Deus (referido em “As Bruxas e o Noivo”) Lá vai o meu coração Nas asas de um tico-tico Pra pedir o Pão-por-Deus À Maria Quebra Pinico (As Bruxas e o Noivo)

13 As Bruxas As lendas revitalizadas por Franklin Cascaes têm como tema central a crença popular de que muitos dos males experimentados pela população ilhoa eram causados por bruxas. Nos contos de “O Fantástico na Ilha de Santa Catarina”, essas criaturas sobrenaturais praticam diversas estripulias: aterrorizam pescadores (“Baile das Bruxas dentro de uma Tarrafa de Pescaria”), roubam objetos (“Bruxa metamorfoseou o sapato do Sabiano”) e embarcações (“Bruxas roubam lancha baleeira de um pescador”), dão nós em rabos e crinas de cavalos (“Mulheres Bruxas Atacam Cavalos”), fazem viagens noturnas em vassouras ou em outros objetos, podem metamorfosear-se e até ficar invisíveis, mas o pior de seus hábitos é atacar criancinhas para chupar-lhes todo o sangue, até a morte. Em muitas histórias, pais se desesperam ao ver seus filhos enfraquecidos e com manchas na pele. Muitas vezes acreditam ser alguma doença e demoram a descobrir o “embruxamento”.

14 As Bruxas O mais triste dos relatos é o “Estado Fadórico das Bruxas”, em que Elizeu tem o filho embruxado e recorre ao curandeiro benzedor Quintino Pagajá. Diante de um pai desprevenido, que não tinha como pagar no ato da consulta além da metade do valor estipulado, Pagajá fez apenas a metade do ritual da benzedura e a criança acabou morrendo por embruxamento. À noite, na frente da casa, as bruxas apareceram e Elizeu reconheceu uma delas como uma moça a quem havia desgraçado no passado. O pai pagou com a morte do próprio filho. Adoradoras do diabo, as bruxas têm uma hierarquia: em noites de sexta-feira, reúnem-se às ordens da bruxa-chefe, a única que têm acesso direto a Lúcifer.

15 As Bruxas Há, segundo as narrativas, dois tipos de bruxas: as terráqueas, que por opção própria decidem seguir o demônio e as bruxas espirituais, um caso muito especial que ocorre quando um casal tem sete filhas mulheres e nenhum varão: a sétima filha está destinada ao fado (destino) bruxólico, o que só pode ser evitado se a menina for batizada pela irmã mais velha recebendo o nome de Benta. O conto “Bruxas Gêmeas” trata justamente disso, mas com o agravante de ter sido o sétimo parto da mulher de Manoel Braseiro o nascimento de irmãs gêmeas. Sem saber qual das duas era a sétima, o pai pede ajuda à benzedeira Sinhá Candinha, que, enganada por Lúcifer, diagnostica por erro, a menina chamada Santa como a sétima, quando na verdade era a outra, a Benta, aquela fadada à bruxaria. Mais tarde a verdade é descoberta, quando Benta é desmascarada por uma curandeira após “embruxar” um bebê.

16 As Bruxas Quanto ao aspecto físico, a maioria das bruxas de Franklin Cascaes é representada de forma asquerosa.Gostam de fumar, soltam fumaça pelo nariz e pelas orelhas e costumam ser peludas. No entanto, é possível que algumas exerçam atração erótica sobre os homens. Veja a descrição de Isidora no conto “A Bruxa Mamãe” A Isidora Fumadeira até que não era uma moça muito feia nem deseducada. Gostava muito de fumar cigarros papa-terra [...]. Também tinha o hábito de mascar fumo e cheirar rapé. Não gostava de usar roupas femininas, e o prazer dela era vestir as roupas do irmão mais velho.[...] Os moços de sua comunidade não gostavam de namorar com ela pela razão de ser muito autoritária e mandona.

17 As Bruxas Romualdo se apaixona pela moça: Ela parece ser machona – pensou ele – mas tem os peitos muito salientes! Os dois casam e têm filhas (gêmeas). Logo em seguida, Isidora passa a abandonar o lar para viver suas aventuras bruxólicas à noite. Certa vez, é vista pelas filhas metamorfoseando-se em morcego. Romualdo, em desespero, procura uma benzedeira que termina por desmascarar a “mulher bruxa machorra” e suas companheiras. Observe que, assim como a urbanização da paisagem é vista como uma espécie de “embruxamento” de que sofre a Ilha, a modernização dos costumes também é associada à bruxaria. São exemplos a mulher insubmissa, masculinizada como Isidora da narrativa anterior ou a personagem Irineia, do conto “Madame Bruxólica e o Saci-Pererê” com seus hábitos da cidade:

18 As Bruxas A Irineia, cada vez que vinha na cidade, aparecia no sítio onde morava desfilando as modas jovens que copiava, até bem mal, de mulheres vaidosas, embonecadas e retorcidas. Ora aparecia com um vestido tão curto, que a bainha lhe alcançava a cintura; ora aparecia com um vestido tão comprido, que chegava a varrer os ciscos por onde ela passava.[...] As tais modas [...] escandalizavam as mulheres antigas [...]. O Bento Leandro [...] até que apreciava muito, principalmente quando ela se apresentava bem ensacada dentro de uma calça de brim bem descorado, exibindo seu par de nádegas calipigianamente avantajadas aos olhos esbugalhados da população da comunidade dela.

19 As Bruxas Nesse conto, a bruxa, que já despertava suspeitas sobre seu comportamento, ao ver um “gato preto meio pintado de vermelho” (Saci- Pererê), decide, num impulso montar sobre ele para viajar a toda velocidade a caçar discos voadores: “Viajei bruxolicamente, e tudo o que encontrei ocupando os espaços siderais catarinenses em matéria de discos voadores é digno do mais alto pode científico que a humanidade alcançou até os dias de hoje.“ Ao final, a mulher perde o encantamento bruxólico por ter desobedecido as ordens de Lúcifer (excedeu-se em seu tempo de viagem espacial). Observe que, além do comportamento “urbanizado”, Irineia é transgressora porque busca o conhecimento.

20 Bruxas x Curandeiros No conto “Congresso Bruxólico”, o personagem Nicolau, perguntado sobre a diferença entre bruxas e feiticeiras, diz que as primeiras têm sina maligna e as últimas procuram fazer o bem com remédios e benzeduras, assim como os curandeiros, verdadeiros “dotôri”. Veja a importância dos curandeiros para a população que vivia em comunidades privadas de serviços básicos de saúde: Nesses tempos longínquos, na “Vila Capitáli” nem havia doutores de dar remédios. [...] Ora, em situações de desespero, com relação a doenças que corroíam o organismo até dá-lo à morte, o jeito mesmo era recorrer a Deus e aos santos e, consequentemente aos benzedores e curandeiristas que existiam e ainda existem entre as populações [...] (Bruxa metamorfoseou o sapato do Sabiano) A maioria dos curandeiros apenas pratica o bem, sem se importar com a remuneração, mas em alguns casos, há benzedores “dinheiristas”, como o velho Quintino Pagajá do conto “Estado Fadórico das Mulheres Bruxas”.

21 1 - Eleições bruxólicas Dois pescadores, Serafim Calimera e Vicente Loreano, encontram-se e conversam sobre eleições, acerca de promessas eleitoreiras feitas a Antônio Diulindo caso o povo votasse neles. Serafim não acredita, vão visitar Antônio que confirma as promessas(absurdas: galinhas que põe ovos cozidos, por exemplo0. O personagem Serafim não se deixa enganar pelas promessas mirabolantes de uns “home rico da cidade que viéro a pricura de enleitôri”. Serafim convida Vicente para ir embora. No caminho, afirma não acreditar nos milagres prometidos. Vicente crê nelas. Serafim diz crer no que contava sua bisavó sobre as eleições entre as bruxas.

22 1 - Eleições bruxólicas Ela dizia que o demônio ilumina a bruxa mais velha a fim de que ela seja a chefe do bando e lhe entrega um novelo enfeitiçado. Quando a bruxa velha estiver perto de morrer, ela tem que preparar uma outra para tomar seu lugar. Então, é realizada a eleição. As bruxas se reúnem em encruzilhadas para escolherem a mais cotada para o cargo e aquela que vai prestar obediência a Lúcifer. No dia marcado, todas elas comparece. A veia bruxa toma o novelo e vai pelos ari sortando o fio e gritando: "Quem pega co largo! Quem pega co largo! Muntas vez a veia bruxa, que ta munto acustumada no mando e que não quê larga ele, por amori tombem grita: "Não pega co não largo! Não pega co não largo!" A bruxa que consigui recoiê maióri contidade de metro de fio pra o sô grupo sara antão a nova bruxa-chefe do bando. Daí em diente, a veia bruxa-chefe, que perdeu o mando, se acarma, perde o orguio do mando e vai morre sossegada mordendo dente de áhio do arrependimento dos malis que fez prôs sós vivente, lá de dentro dos fogos das carderas dos inferno do demonho que foi o patrão dela.

23 2 - Congresso Bruxólico Nos congressos bruxólicos, realizados nos salões rubros inferneiros, que são presididos, satanicamente, pelo ex-anjo Lúcifer, só comparecem as velhas bruxas chefes de bandos comunitários. Ocorrem semanalmente nas sextas-feiras após a hora de Ângelos – 18 horas. A história tem início com a conversa de três personagens, a Januária do Zeca, o Nicolau das Venturas e o Malaquia do Faial, sobre crença ou não das histórias sobrenaturais que seus descendentes dos Açores contavam. Nicolau, em tom de respeito e medo, diz ser verdade o que seus antepassados contavam acerca das bruxas. Diziam que elas davam nós em rabos e crinas de cavalos, roubavam as embarcações dos pescadores para ir até a índia em quatro horas, chupavam sangue de crianças e praticavam muitos males por onde passavam. Ele relembra que sua bisavó Mariana contava que cada lugar da Vila possuía uma bruxa-chefe orientada pelo Anjo Lúcifer e que dominava as outras bruxas subordinadas.

24 2 - Congresso Bruxólico A conversa ruma, ainda, para a diferença entre bruxa e feiticeira; segundo Nicolau, bruxas são mulheres que fazem o mal, e feiticeiras, aquelas que fazem o bem, ou seja, as benzedeiras. Enquanto conversam, outros moradores vão chegando e contando outras histórias para confirmar a existência das bruxas. João conta que seu bisavô junto com o pai viram um Congresso Bruxólico lá na Ponta da Feiticeira (pedras que ficam entre a Praia Brava e a Praia dos Ingleses) enquanto pescavam. Aterrorizados, só saíram de lá quando o sol nasceu e não viram nenhum vestígio do que acontecera durante a noite. As bruxas só não os pegaram porque eles carregavam no pescoço breve bento e nos bolsos, dentes de alho com casca.

25 O que o conto 1 e o conto dois têm em comum? Técnicas físicas corpóreas que a ciência cabocla popular lhes garante para a metamorfose; as defesas ágeis e prontas contra as benzedeiras, suas benzeduras e ardilosas armadilhas para apanhá-las e, além de tudo, a correção absoluta para pronunciarem as palavras do encanto no exato momento do pedido de metamorfose são abordados nas reuniões bruxólicas.

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27 3 - Balanço bruxólico Na roça, quando começaram a fazer a plantação, açorianos notaram que as panelas amanheciam sujas, as ferramentas bagunçadas e jogadas pelo chão, como se alguém aparecesse por lá para fazer malvadezas. No centro de tudo estava uma bruxa fantasiada de cabeça de boi com pernas dianteiras e traseiras também de boi.

28 3 - Balanço bruxólico Manoéli Pereira e seus filhos subiram o morro da Lagoa da Conceição a fim de limpar uma parte dele para plantar mandioca. Durante o serviço, observaram uma grande árvore que possuía grossos cipós em forma de um balanço e resolveram poupá-la, não a derrubando. Deixavam ali seus pertences (ferramentas e louças) para não precisar carregar tudo até sua casa. Porém, quando voltavam, tudo estava fora do lugar. Desconfiaram que aquilo não era coisa desse mundo. Contaram aos amigos e vizinhos que, imediatamente, afirmaram ser coisa das mulheres bruxas.

29 3 - Balanço bruxólico Numa noite de sexta-feira, 13 de agosto, constataram um quadro terrível naquele local: Viram várias lamparinas metamorfoseadas em seres com formas humanas, dançando surungamente. As árvores mostravam suas raízes metamorfoseadas em patas de vários animais, inclusive as de homens. No balanço do cipó da grande figueira balouçava-se cinicamente, uma bruxa metamorfoseada em roda de carro de boi, e partes do próprio boi.

30 3 - Balanço bruxólico O compadre de Manoéli, Zeferino soube da história e foi visitá-lo. Lá chegando, resolveu ver o tal balanço e não teve dúvidas: cortou-o com seu facão. Caiu fulminado e nem a benzedeira com várias tentativas o pôs de pé. À noite, porém, de repente, o Zeferino se acordou do seu sono bruxólico e começou a gritar: "To no balanço! To no balanço! To no balanço lá em riba do morro... Todas as pessoas da casa atenderam, muito curiosas as palavras dele, e correram para espiar a árvore do balanço lá no morro e, de fato, viram sobre aquela mata, surgir um fogaréu que parecia estar queimando tudo o que lá se encontrava.

31 4 - Mulheres bruxas atacam cavalos Quando são atacados por mulheres bruxas em atividades extraterrenas, para lhes chupar o sangue, cavalos galopeiam pelos ares, e no dia seguinte, apresentam-se sangrando, e com nós indesatáveis nas crinas e nos rabos. Era muito comum o homem do interior da ilha cercar os ranchos ou estrebarias onde recolhem o seu gado, com redes de pescaria usadas, porque acreditavam que as bruxas de verdade o faziam.

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33 5 - Baile de bruxas dentro de uma tarrafa de pescaria Quando Selvero, um pescador, tinha filhas gêmeas, estavam doentes e o remédio do boticário não ajudava. Chama Maria Gamboa, famosa benzedeira. Eram bruxas que sugavam o sangue das crianças. Ela dorme na casa de Selvero, e o pescador, sem ter como pagar a benzedeira resolve pescar e dar-lhe esse presente. Jogou a tarrafa no mar, viu um clarão e depara-se com mulheres nuas dançando fandango bruxólico. O homem chama a benzedeira, e ela afirma ter esquecido de queimar palha de alho pra cortar o poder do “fado” das bruxas que eram a Virgina do Antonho Pé de Chumbo, mais suas três filhas. Essas eram as vizinhas da Luiza do Mané Perpéto (irmã da esposa de Selvero. O conto comeãra com instruções de Luísa às filhas contra essas vizinhas, enquanto estivesse fora.). E quando ela queima a palha de alho, veem as bruxas se alimentando do sangue das filhas.

34 6 - Estado fadórico das mulheres bruxas Bruxas devem obediência e respeito no cumprimento das tarefas malignas excepcionalmente ao demônio. Relata o processo de transe fadórico, onde as bruxas despem suas roupas, para poderem praticar suas diabólicas estripulias seculares. Se o objetivo for chupar sangue de criancinhas, elas se enfileiram para receber o vaso do unto sem sal que a velha bruxa chefe lhes apresenta. Com ele, elas untam seus corpos nus e estão prontas para entrarem num transe espiritual maléfico.

35 7 - Vassoura bruxólica Uma mulher desafia as crendices da Sexta-Feira Santa, faz uma aposta dizendo que iria trabalhar neste dia santo e nada iria lhe acontecer. Porém quando a primeira varrida foi dada, a vassoura metamorfoseou-se em bruxa e desapareceu no alto para além do espaço sideral.

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37 8 - Orquestra selenita bruxólica Trata se de um conjunto bruxólico orquestral diabólico terminando o último ensaio para organizar uma festa nas montanhas do planetóide Eros, para recepcionar ardilosamente os astronautas terráqueos quando lá aparecem em viagens espaciais.

38 9-Bruxas roubam lancha baleeira de um pescador Um pescador muito trabalhador que possuía várias embarcações para o serviço de pesca entre as quais uma lancha baleia. Mantinha sempre fechado à chave do rancho onde guardava sua lancha baleeira. Na manhã de uma sexta feira quando ele acompanhado pelos seus camaradas se dirigiu ao rancho a fim de retirar as embarcações para ir a pescaria encontrou a lancha molhada e com muita areia de praia espalhada sobre o fundo, o que causou grande surpresa a toda a tripulação, pois na véspera ao recolherem-na ao interior do rancho haviam-na deixado enxuta e limpa. Após um tempo soube que bruxas estavam aprontando naquele dia e assim concluíram o fato. As bruxas não contentes com as suas ‘brincadeiras’, invadem e roubam a lancha do pescador.

39 10- Lamparina e catuto em metamorfose Pescaria de camaradas redeiros no mar. Chegaram na praia e acenderam uma fogueira, por volta das nove da noite e põem-se a conversarem sobre bruxaria. Durante uma história bruxólica, uns pedaços de pedra rolaram para o mar, pensando que fosse uma tempestade, os pesqueiros correm para guardar a canoa, que já estava a uns 50 metros mar a dentro. A lamparina, o catuto e o leme estavam metamorfoseados pescando com a rede solta no mar.

40 11- Bruxas atacam pescador Conta a visita de uma familiar de Deolindo que fica por alguns dias em sua casa e que nesses dias faz com que sua filha vire uma bruxa. Deolindo leva sua filha para se consultar mas o doutor diz que ali não era o lugar correto e que não acharia a solução. Então o doutor indica uma benzedeira. Ao chegar na benzedeira, ela faz uma espécie de ritual e tira a bruxa de dentro da pobre garotinha.

41 12 – Bruxa rouba meio alqueire feito armadilha para apanhá-la Nesse conto Melânia e Isidoro dos Anjos tiveram uma filha chamada Constância depois de um mês de casados, colocaram muita inveja na comunidade. A avó de Constância, Canda Mandioca, era conhecida como uma bruxa, depois de um certo tempo Constância fica doente e descobrem que foi embruxamento de algum parente da família, no caso, a avó dela.

42 13 – Bruxas gêmeas Após o nascimento da sétima filha, a mais velha precisa batizar a mais moça, para afastar o fado bruxólico. Mas no sétimo parto de uma mulher, nascem irmãs gêmeas. Sem saber qual das duas era a sétima, o pai pede ajuda à benzedeira Sinhá Candinha, que, enganada por Lúcifer, diagnostica por erro, a menina chamada Santa como a sétima, quando na verdade era a outra, a Benta, aquela fadada à bruxaria. Mais tarde a verdade é descoberta, quando Benta é desmascarada por uma curandeira após “embruxar” um bebê.

43 14 - Armadilha feita com pilão de chumbar café para apanhar bruxas Zé era pescador, filho de Bento Crisanto e homem trabalhador de quarenta anos, que não fumava nem tomava bebida alcoólica. Devido a essas qualidades, muitas mães desejavam-no como genro. Ele casa com Nica, contra a vontade paterna, já que essa fora tida como amante de um padre e havia noivado quatro vezes. Quando tiveram um filho, a mãe o privou de vê-lo, rogando praga para a criança que definhava. Nica não aceita ajuda para tratar a criança, assim a madrinha agiu: fizeram uma armadilha contra bruxas. A armadilha é feita com a primeira camisa usada pela criança, criva-a de agulhas, coloca-a dentro de um pilão de chumbar café e, com a mão de pilão, soca-a até que as agulhas penetrem na madeira do pilão, logo, a bruxa vai procurar a família, para confessar-se culpada. A bruxa era Nica.

44 15 - Balé de mulheres bruxas Depois de chupar muito sangue de inocentes criancinhas, sem serem molestadas por benzedeiras, armadilhas ou algo que as detenha, essa caterva de mulheres resolveram comemorar a vitória diabólica, com uma dança de balé bruxólico no Morro do Rapa no extremo norte da Ilha de Santa Catarina, sobre a bata rubra do ex-anjo Lúcifer. Diz-se que, mulheres bruxas possuem uma inteligência excepcional, a qual elas usam sempre para ludibriar o homem de argila humana crua.

45 16 - Bruxa metamorfoseou o sapato do Sabino Sabino tinha uma filha embruxada que estava sendo tratada com um benzedor experiente. Ele, no entanto, não dava jeito neste caso. Numa sexta-feira que ele ia levar sua filha, não achou o pé esquerdo do sapato e resolveu ir descalço mesmo. Na volta, avistou um quadro bruxólico representando seu sapato transformado em barco.

46 17 – Bruxas metamorfoseadas em bois Zé João, era um grande curandeiro e Policarpo um homem dono de algumas terras. Zé João morava numa das casas de Policarpo e os dois sempre iam juntos para buscar os remédios do curandeiro. Num certo dia, foram atacados por bruxas, aquilo se transformou em um pesadelo em que eles viram seus bois pegarem fogo diante de seus olhos. Ficaram chocados mas a vida seguiu. Algum tempo depois, foram atacados de novo, porém os dois amigos estavam preparados e jogaram mostarda no fogaréu das bruxas, que sumiram, derrotadas.

47 18 – Armadilha para apanhar bruxas. Pais em vigília João Sossego e sua mulher, a Loca tecedeira, tiveram seu filho 'embruxado‘, então passaram a tentar derrotar a bruxa. Acham uma curandeira que lhes da a receita: nove dentes de alho, uma ceroula do pai, água benta, uma vela benta... armaram uma arapuca. Conseguem pegá-la, ela perdeu seus poderes, e o bebê voltou ao normal.

48 19 – As bruxas e o noivo Frumenço era um jovem muito, mas muito feio, não era aceito por ninguém em sua cidade, não tinha amigos, muito menos namorada, nem trabalho arranjava, pois os patrões viam ele como azarado. Foi embora com seu tio para uma cidade distante, lá conheceu três mulheres, Maria Quebra Pinico, Rosa de Catacumba e Rafaela Pé de Ganso. Frumenço se apaixonou por Maria e achou que elas fossem moças boas, mas na verdade eram bruxas e só falavam com ele para rir de sua cara. Quando descobriu, voltou a ficar triste, porém é isso que acontece com quem ama bruxas.

49 20 – A bruxa mamãe Isidora Fumadeira era uma moça muito estranha, cheia de manias masculinas. Conseguiu se casar e até teve duas filhas gêmeas, porém, não gostava muito delas e nem do marido, acabou desaparecendo e deixando sua família sozinha. Tempos depois, descobriram que ela era uma bruxa.

50 21 – Reumatismo bruxólico Conta o narrador que no Pântano do Sul havia um homem muito bom, de nome Quiliano das Paca, chamado também de so Beré, que sofria de reumatismo ou "rubatismo", como dizia o mané. A casa de Sô Bere vivia cheia de ‘dotori da cidade’ que iam ali para lhe pedirem ajuda em épocas de eleição. Antes do reumatismo, acontece que de tanto ir à cidade, Quintiliano acabara tornando-se frequentador de bordéis. Um dia, ele dormiu com uma rameira, chamada Calista e se apaixonou pela moça e a trouxe para morar em sua casa.

51 21 - Reumatismo bruxólico Dois meses depois, seu Quintiliano começou a reclamar de terríveis dores nas costas, mas não conseguia entender, pois ia dormir bem e acordava-se daquele jeito. A irmã dele orientou-o a ir consultar com com o tio Adão, um curandeiro famoso que morava lá pras banda do Ruberão (Ribeirão da Ilha). Ele foi e ouviu com atenção o que tio Adão lhe falou: a doença que ele tinha fora posta por sua mulher. Enquanto ele, dormia ela no fado bruxólico lhe fazia de cavalo até o amanhecer. O benzedor lhe ensina uma armadilha com a tamanca esquerda virada. O feitiço se faz e é Quintiliano quem transforma a mulher em égua. Calista deixa de ser égua ao amanhecer e volta para seu antigo trabalho.

52 22 – Três bruxas viraram galinhas brancas Conta o narrador que na região onde ele morava, morava também um casal com quatro filhos pequenos. Ele se chamava Polino (Paulino) dos Brejo. Trabalhava muito para sustentar a casa. Seu pai havia morrido quando ele tinha 19 anos, mas a mãe era viva e morava com duas filhas solteironas, irmãs de Polino. A vizinhança não gostava muito delas e, quando elas iam visitar alguém, eles jogavam sal no fogo, viravam a vassoura de perna para cima e outras rezas somente pra se verem livre da presença delas na casa. Com sua criança mais nova doente. Polino a levou ao boticário da cidade, mas ela não melhorava. Até que a prima dele disse indicou uma curandeira muito boa.

53 22 – Três bruxas viraram galinhas brancas Ele foi lá, e ela disse que quando chegasse em casa, ele iria encontrar as bruxas, em traje de galinha, beliscando a criança. Quando chegou a casa, viu três galinhas bicando seu bebê. Pegou uma bengala que tinha e acertou as costas de uma delas; as outras duas conseguiram escapar imunes. Voltou à casa de Sinhá dona Chandoca, a curandeira para perguntar-lhe quem eram as bruxas. Como ela já sabia que ele soubesse iria querer matar as mulheres que estavam fazendo mal a seu filho, ela lhe disse que já havia quebrado o encanto fadórico das mulheres, que elas nunca mais iriam machucar ninguém. Mesmo assim, a benzedeira lhe disse que ele acertara com a bengala a mulher velha; que se ele visse alguma velha com o "congote machucado com farinha de mandioca e sáli feito cataprasma", que era a bruxa que havia maltratado seu filho. Eram sua mãe e as duas irmãs. Ele as espancou até dizerem que ele estava vingado.

54 23 – Madame bruxólica e o Saci-Pererê A bruxa, que já despertava suspeitas sobre seu comportamento, ao ver um “gato preto meio pintado de vermelho” (Saci-Pererê), decide, num impulso montar sobre ele para viajar a toda velocidade a caçar discos voadores. Ao final, a mulher perde o encantamento bruxólico por ter desobedecido as ordens de Lúcifer (excedeu-se em seu tempo de viagem espacial). Observe que, além do comportamento “urbanizado”, Irineia é transgressora porque busca o conhecimento.

55 24 – Velha bruxa-chefe Cada bruxa-chefe do bando de uma comunidade recebe ordens para transmiti-las às suas subordinadas. Ordens das mãos rubras do ex- anjo Lúcifer.

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