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Era uma vez... uma cidade chamada Belo Horizonte, localizada em um confuso e indeterminável país tropical, à oeste do Atlântico e ao sul do Equador. Em.

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2 Era uma vez... uma cidade chamada Belo Horizonte, localizada em um confuso e indeterminável país tropical, à oeste do Atlântico e ao sul do Equador. Em um canto do bairro central dessa caótica pólis, pessoas se movimentam freneticamente, umas olham para dentro de si e para o chão, a fim de que nenhum buraco lhe interrompa o trajeto, outros esperam transporte sob um ponto de ônibus, alguns bebem álcool, também há aqueles que vagueiam sem destino ou dormem pelo chão imundo. Um ou outro nos estende a mão, procurando receber um trocado, vender bugigangas, nos fazer uma tatuagem, ou ainda, aplicar algum golpe e levar nosso dinheiro. Nessa região, que tem como eixo central a Rua dos Guaicuruz, estão instalados 20 aparelhos de teletransporte, isto mesmo, pasmem, aparelhos de abdução, com o mesmo poder daqueles dos filmes de ficção ou desenhos animados. Apesar de possuir tecnologia arcaica, têm uma eficiência invejável. Certo dia caminhava por aquelas bandas quando passei pelo primeiro aparelho que havia sugado os dois homens que estavam à minha frente, continuei, dez passos depois, um outro cuspia dois e engolia mais de vinte terráqueos, que faziam fila enquanto os movimentos peristálticos do aparelho os distanciavam de mim. Só descobri o poder dos aparelhos quando fui abduzido pela primeira vez: olhei para dentro dele, a luz era turva e não conseguia ver claramente sua forma e o que se passava lá dentro, quando de repente, quem passava ao meu lado foi sugado e eu, como que seguindo o fluxo, fui atraído por aquele poder magnético. Minhas pernas se moviam sem a minha concessão, tremiam, meu coração acelerou, morri rapidamente e nasci em outro mundo. O primeiro choque, a luz desse Mundo, ou melhor, dessa Dimensão, não vem do mesmo Sol, a luz é mais fraca, vinda de pequenas fontes, em cores gritantes, vermelhas em sua maioria. O ar é muito mais denso, pegajoso. Cheiros fortes, suados, me invadem as narinas. Esse outro mundo é labiríntico, um grande complexo de estreitos corredores compõe a cartografia. O movimento é intenso, muitos seres andando pelos corredores, parece-me uma grande feira, apocalíptica e popular, onde se vende comida fast food. Lá do fundo uma feirante grita: - Chega mais freguês, na perereca é cinco no cu é seis. As comerciantes estão à porta ou dentro de quartos, enquanto os potenciais clientes, com seus olhares famintos, circulam à procura daquela que pode lhe oferecer melhores serviços, um grande self-service. Quando há interesse, o comprador se aproxima e a comerciante sussurra ao seu ouvido: - Três posições e uma chupadinha por cinco reais. Esta dimensão me parece em guerra eterna, quando olho para o alto, vejo a imagem de um ser que mora em outro mundo, talvez na Lua, e é evocado toda vez que os nativos se vêem ameaçados. Atualizam o protetor, para que este faça jorrar o sangue do inimigo, assim como fez com o Dragão. Muitas vezes, seres de outras terras são chamados para atuar na luta,um grande arsenal é montado para ajudar na negociação com os mercenários: folhas de mamona servem para manter os inimigos afastados, incensos atraem os amigos, já os cigarros, agradam uma categoria especial: as pombas-giras, “estas ajudam, trazem mais clientes”. Aproximo do aparelho que me ejeta para o primeiro mundo. Essa experiência se repete a quatro anos, por centenas de vezes me deixo abduzir por aquele eficiente aparelho, que os nativos chamam de escada. Do contato entre eu e todos outros componentes dessa outra dimensão surge uma nova e sui generis realidade: vi elas. Uma realidade que nasce de uma percepção limitada, pois, limitados são meus sentidos, só percebo uma entre as infinitas verdades possíveis. Sempre quando vou a esse outro mundo levo meu teletransportador portátil, minha câmera fotográfica, que com suas características próprias de parar o tempo e emoldurar uma realidade, faz eclodir uma nova realidade, que chamo de ensaio etno-fotográfico. Então, o que temos aqui é o resultado da interação entre eu, que “não sei se sou eu ou se sou o outro, mas qualquer coisa de intermédio”, as vendedoras, a película, os santos, as pombas-giras, os curadores, censores, eticetera. E, finalmente, você, que vê interage e constrói esta realidade, lhe dá vida nova. Francilins é fotógrafo e pesquisador do LACS-UFMG

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