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O uso dos Salmos na devoção cristã

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Apresentação em tema: "O uso dos Salmos na devoção cristã"— Transcrição da apresentação:

1 O uso dos Salmos na devoção cristã
Franklin Ferreira

2 Revelação e resposta Durante quase dois mil anos os Salmos foram centrais para a devoção da igreja cristã, ensinando os fiéis a orar, em resposta ao Deus que se revela, uma confissão e glorificação ao Deus trino, criador e sustentador de todas as coisas.

3 Elemento central para a devoção cristã
“Quando abraçamos os Salmos, juntamo-nos a um amplo grupo de pessoas que por quase trinta séculos tem baseado seus louvores e orações nessas palavras antigas. Reis e camponeses, profetas e sacerdotes, apóstolos e mártires, monges e reformadores, executivos e donas de casa, professores e cantores populares – para todos esses e para uma multidão de outros, Salmos tem sido vida e respiração espiritual” LaSor, Hubbard e Bush, Introdução ao Antigo Testamento

4 “Não existe outro lugar em que se possa enxergar de forma tão detalhada e profunda a dimensão humana da história bíblica como nos Salmos. A pessoa em oração reagia à totalidade da presença de Deus, partindo da condição humana, concreta e detalhada.” Eugene Peterson, Um pastor segundo o coração de Deus

5 Uma surpreendente mudança
Por volta da primeira metade do século XIX, com o aparecimento dos métodos críticos de estudos bíblicos, os salmos perderam sua centralidade na devoção cristã. Deixaram de ser a escola de oração que dava forma à oração dos fiéis, em sua resposta ao Deus que se revela. Passaram a ser vistos como a piedade deteriorada de uma religião desgastada.

6 1. Os Salmos e a oração

7 Junto com Isaías, foi o livro mais citado no Novo Testamento, inclusive como apoio de doutrinas centrais da fé cristã. Para os primeiros cristãos, a ordem era: “Enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos...” (Ef ). Logo, estes, “como seus antepassados judeus, ouviram a palavra de Deus nesses hinos, queixas e instruções e fizeram deles o fundamento da vida e do culto” (cf. Is ).

8 “Os salmos eram declarações de relacionamento entre o povo e seu Senhor. Pressupunham a aliança entre ambos e as implicações de provisão, proteção e preservação dessa aliança. Seus cânticos de adoração, confissões de pecado, protestos de inocência, queixas de sofrimento, pedidos de livramento, garantias de ser ouvido, petições antes das batalhas e ações de graças depois delas são, todas expressões do relacionamento ímpar que tinham com o único Deus verdadeiro. Temor e intimidade combinavam-se no entendimento que os israelitas tinham desse relacionamento. Eles temiam o poder e a glória de Deus, sua majestade e soberania. Ao mesmo tempo protestavam diante dele, discutindo suas decisões e pedindo sua intervenção. Eles o reverenciavam como Senhor e o reconheciam como Pai.” LaSor, Hubbard e Bush, Introdução ao Antigo Testamento

9 O uso dos Salmos na história
Ler, meditar, orar a Palavra foi elemento central da espiritualidade do povo judeu. Desde os primeiros séculos, as primeiras comunidades cristãs adotaram essa prática. A expressão lectio divina surgiu com Orígenes de Alexandria. Na carta que ele escreveu a Gregório Taumaturgo, por volta de 238, encontram-se as seguintes exortações:

10 “Dedica-te à lectio das divinas Escrituras; ocupa-te disto com perseverança...”
“Empenha-te na lectio com o intuito de acreditar e de agradar a Deus...” “Dedicando-te, assim, à lectio divina, busca, com lealdade e confiança inabalável em Deus, o sentido das Escrituras divinas, nelas contido com grande amplitude”.

11 Cada Salmo “está composto e é proferido pelo Espírito [Santo]”, sendo “um espelho no qual se refletem as emoções” de nossa alma, onde “podemos captar os movimentos da nossa alma e nos faz dizer como provenientes de nós mesmos, como palavras nossas, para que, trazendo à memória nossas emoções passadas, reformemos a nossa vida espiritual”. Atanásio de Alexandria, Carta a Marcelino sobre a Interpretação dos Salmos

12 Ambrósio de Milão, que introduziu o canto dos salmos no culto público no Ocidente, chamou-os de “um tipo de ginásio para ser usado por todas as almas, um estádio da virtude, onde diferentes exercícios são praticados, dentre os quais se podem escolher os mais adequados treinamentos para se alcançar a coroa”. Ambrósio, Explanatio Psalmorum XII

13 Agostinho de Hipona, que pregou todo o livro dos Salmos para sua congregação, chamou-os de “escola”, “espelho” e “remédio”, “cantados no mundo inteiro”. Quando sua última doença o derrubou, ele pediu aos seus irmãos que fixassem nas paredes de sua cela cópias em letras grandes dos salmos penitenciais (Salmos 6, 32, 38, 51, 102, 130 e 143), para que ele os lesse continuamente.

14 João Cassiano, nos inícios do século V, exortou: “Esforça-te em aplicar-te assiduamente, aliás, constantemente, à lectio divina, e insiste nisto até que esta meditação contínua tenha impregnado a tua alma e, de certa forma, a tenha plasmado à sua imagem” (Conferências, XIV, 10).

15 Martinho Lutero afirmou que o livro dos Salmos “não coloca diante de nós somente a palavra dos santos, (...) mas também nos desvenda o seu coração e o tesouro íntimo de suas almas”, onde aprendemos a “falar com seriedade em meio a todos os tipos de vendavais”. O saltério “faz promessa tão clara acerca da morte e ressurreição de Cristo e prefigura o seu Reino, condição e essência de toda a cristandade – e isso de tal modo que bem poderia ser chamado de uma ‘pequena Bíblia’”.

16 Ele também afirmou: “É muito benéfico ter palavras prescritas pelo Espírito Santo, que homens piedosos podem usar em suas aflições”. Martinho Lutero, Obras selecionadas, v. 8: interpretação bíblica, princípios Em seu leito de morte, ele recitava continuamente: “Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, Senhor, Deus da verdade” (Sl 31.5).

17 “Tenho por costume denominar este livro – e creio não de forma incorreta – de ‘Uma anatomia de todas as partes da alma’, pois não há sequer uma emoção da qual alguém porventura tenha participado que não esteja aí representada como num espelho. Ou melhor, o Espírito Santo, aqui, extirpa da vida todas as tristezas, as dores, os temores, as dúvidas, as expectativas, as preocupações, as perplexidades, enfim, todas as emoções perturbadas com que a mente humana se agita. (...)

18 A genuína e fervorosa oração provém, antes de tudo, de um real senso de nossa necessidade, e, em seguida, da fé nas promessas de Deus. É através de uma atenta leitura dessas composições inspiradas que os homens serão mais eficazmente despertados para a consciência de suas enfermidades, e, ao mesmo tempo, instruídos a buscar o antídoto para sua cura. Numa palavra, tudo quanto nos serve de encorajamento, ao nos pormos a buscar a Deus em oração, nos é ensinado neste livro.” João Calvino, O livro dos Salmos, v. 1

19 O puritano Lewis Bayly, ao recomendar o cântico dos salmos pelas famílias cristãs, afirma: “Cantem para Deus com as próprias palavras de Deus”. E o uso do saltério deveria ter este alvo: “E faça uso frequente deles, para que as pessoas possam memorizá-los mais facilmente”. Lewis Bayly, A prática da piedade Ele oferece várias sugestões do uso dos salmos para promover a piedade em família, nos momentos de oração e devoção.

20 De manhã: Salmos 3, 5, 16, 22 e 144 De noite: Salmos 4, 127 e 141 Implorando perdão: Salmos 51 e 103 Na doença: Salmos 6, 13, 88, 90, 91, 137 e 146. Quando o crente for restaurado: Salmos 30 e 32 No dia de santo repouso semanal: Salmos 19, 92 e 95 Em tempos de alegria: Salmos 80, 98, 107, 136 e 145 Antes do sermão: Salmos 1, 12, 147 e a primeira e a quinta partes do Salmo 119 Depois do sermão: qualquer Salmo relacionado com o principal argumento do sermão Na Ceia do Senhor: Salmos 22, 23, 103, 111 e 116 Para inspirar consolo e tranquilidade espiritual: Salmos 15, 19, 25, 46, 67, 112 e 116 Depois do mal praticado e da vergonha recebida: Salmos 42, 69, 70, 140 e 145

21 Salmos, a escola de oração
“A Ele falamos, quando oramos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos”. Ambrósio De officiis ministrorum I “É esta fusão de Deus nos falar (Bíblia) e nós falarmos a ele (oração) que o Espírito Santo usa para formar a vida de Cristo em nós”. Eugene Peterson Uma longa obediência na mesma direção

22 “Portanto, se a Bíblia também contém um livro de orações, isso nos ensina que a Palavra de Deus não engloba apenas a palavra que Deus dirige a nós. Inclui também a palavra que Deus quer ouvir de nós... (...) Que graça imensurável: Deus nos diz como podemos falar e ter comunhão com Ele! E nós podemos fazê-lo orando em nome de Jesus Cristo. Os Salmos nos foram dados para aprendermos a orar em nome de Jesus Cristo”. Dietrich Bonhoeffer Orando com os Salmos

23 Um exemplo: Jonas e os Salmos
Algo surpreendente na oração de Jonas: sua oração não é original ou espontânea. “Jonas aprendeu a orar na escola, e orava como aprendera. Sua escola eram os Salmos” Eugene Peterson A vocação espiritual do pastor

24 A oração de Jonas “Minha angústia”: Salmos 18.6 e 120.1
“Profundo”: Salmo “As tuas ondas e as tuas vagas passaram por cima de mim”: Salmo 42.7 “De diante dos teus olhos”: Salmo 139.7 “Teu santo templo”: Salmo 5.7 “As águas me cercaram até à alma”: Salmo 69.2 “Da sepultura da minha vida”: Salmo 30.3 “Dentro de mim, desfalecia a minha alma”: Salmo 142.3 “No teu santo templo”: Salmo 18.6 “Ao Senhor pertence a salvação”: Salmo 3.8

25 “Uma lição importante surge aqui: Jonas estudou para aprender a orar, e aprendeu bem suas lições, mas ele não era um aluno que apenas decorava. Seus estudos não bloquearam sua criatividade. Ele era capaz de distinguir entre as formas e decidiu orar numa forma adequada às circunstâncias que ele enfrentava. As circunstâncias exigiam lamentos. Mas a oração, apesar de influenciada pelas circunstâncias, não é determinada por elas. Jonas usou a criatividade para orar e decidiu orar na forma de louvor”. Eugene Peterson A vocação espiritual do pastor

26 A melhor escola de oração
“Jonas demonstra ter sido um aluno aplicado na escola dos Salmos. Sua oração se origina de sua situação, mas não se reduz a ela. Sua oração o levou a um mundo muito maior que sua situação imediata” (Eugene Peterson). Nossa cultura nos apresenta formas de oração que são em grande parte centradas em nós mesmos. Mas a oração que é resposta ao Deus que se revela nas Escrituras é dominada pela percepção de Sua grandeza.

27 2. A regra da oração

28 Os Salmos como regra da oração
Não é uma ação isolada. Ela permanece entre outros dois fundamentos:

29 A adoração na igreja firma nossa espiritualidade na Escritura e na vida em comunidade.
Os Salmos nos levam a reaprender a linguagem da oração. E a oração recordada desdobra a oração para todos os pormenores da vida. O alvo é tornar a oração recordada incessante por meio da adoração comunitária junto com a oração dos salmos.

30 3. Os cristãos e o uso dos Salmos

31 Desde o princípio, a Palavra de Deus vem sempre em primeiro lugar
Desde o princípio, a Palavra de Deus vem sempre em primeiro lugar. Nós somos chamados a responder à Palavra de Deus, com todo o nosso ser. E a oração é nossa resposta à revelação de Deus nas Escrituras. Sendo assim, os Salmos são a escola onde os cristãos aprendem a orar. “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15.7).

32 “Ao repetir as próprias palavras de Deus, começamos a orar a Ele
“Ao repetir as próprias palavras de Deus, começamos a orar a Ele. Não oramos com a linguagem errada e confusa de nosso coração; mas pela palavra clara e pura que Deus falou a nós por meio de Jesus Cristo, devemos falar com Deus, e Ele nos ouvirá”. Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos

33 O alvo da oração dos Salmos
Jesus Cristo ensinou aos seus discípulos que os Salmos proclamam seu nascimento, vida, morte e ressurreição (Lc 24.44). Por outro lado, os Salmos são dirigidos a Jesus Cristo. Portanto, Jesus Cristo é o alvo da oração dos salmos. E ao orarmos em nome e por meio da mediação de Jesus Cristo, nos unimos a ele, que vive sempre para interceder por nós (Hb 7.25).

34 A chave que interpreta os Salmos
Aquele que ora os Salmos deve buscar a Cristo como revelado no saltério. Em vez de tratar as promessas, súplicas, confissões e lamentos de forma analítica, na leitura dos Salmos aquele que ora participa das promessas, súplicas, confissões e lamentos do próprio Cristo. O foco de tal oração será, assim, alcançar uma maior comunhão com Jesus Cristo.

35 “Lutero não sabia nada de um conhecimento da Bíblia puramente objetivo, desinteressado ou erudito. Tal conhecimento, mesmo se possível, seria apenas a letra morta que mata. O Espírito vivifica! Devemos, portanto, ‘sentir’ as palavras das Escrituras ‘no coração’. A experiência é necessária para entender a Palavra. Não é meramente para ser repetida ou conhecida, mas para ser vivida e sentida”. Timothy George, Teologia dos reformadores

36 “Invocar é o que você precisa aprender. Você ouviu
“Invocar é o que você precisa aprender. Você ouviu. Não fique aí apenas sentado ou virado de lado, levantando a cabeça e balançando-a, e roendo as suas unhas preocupado e buscando uma saída, com nada em sua mente a não ser como você se sente mal, como você está ferido, que coitado você é. Levante-se, seu tratante preguiçoso! Ajoelhe-se! Levante suas mãos e seus olhos para o céu! Use um salmo ou o pai-nosso a fim de clamar sua angústia ao Senhor.” Martinho Lutero, “Invoquei ao Senhor” (Sl 118.5)

37 Portanto, “os salmos continuam sendo um tesouro de auxílio espiritual para os cristãos. (...) Seja qual for o nosso estado de espírito, seja qual for nossa situação, as vozes antigas nos convidam a ouvi-las. Elas também já passaram por alegria, tristeza, luto, pecado, ira, confissão, perdão e outras experiências que tocam tão profundamente em nossas vidas. Elas nos chamam a aprender delas enquanto o Espírito Santo usa essas palavras para nos trazer para mais perto do Senhor”. Arnold e Beyer, Descobrindo o Antigo Testamento: uma perspectiva cristã

38 4. A “leitura orante” e os salmos

39 Alvo da “leitura orante” da Escritura
Comunicar a sabedoria que leva à salvação pela fé em Jesus Cristo (2Tm 3.15). Instruir, repreender, corrigir, educar na justiça e, assim, qualificar o homem de Deus para toda a boa obra (2Tm ). Proporcionar perseverança, consolo e esperança (Rm 15.4). “Pois esta palavra está mui perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a cumprires” (Dt 30.14).

40 Características da “leitura orante”
Atitude de fé Leitura cristológica que confere unidade à Escritura (cf. Pregando toda a Bíblia como Escritura cristã) Leitura animada pelo Espírito Santo Leitura eclesial: pela e na Igreja Atitude de conversão Leitura dinâmica

41 Quadro de anotações da “leitura orante”
Data Texto Palavra orada Sentimentos Apelos de Deus Reforma de vida Escreva a data da sua leitura Escreva a citação bíblica e, se possível, numa frase o resumo do texto. Escreva a frase que mais lhe chamou atenção no texto. Se possível tente resumi-la numa palavra-chave. Escreva os sentimentos que lhe aparecem. Perceba se lhe ocorrem sentimentos de proximidade ou afastamento de Deus. Escreva quais são os apelos (ordens) que Deus lhe faz a partir do texto. Escreva quais passos devem ser tomados em sua vida conforme os apelos de Deus.

42 “Em muitas igrejas, cantam-se ou leem-se Salmos a cada domingo ou até diariamente. Essas igrejas preservaram uma riqueza imensurável, pois somente pelo uso diário penetraremos nesse livro divino de oração. Para o leitor ocasional, suas orações são pujantes demais em seus pensamentos e sua força, de modo que voltamos a procurar alimento mais digerível. Quem, no entanto, começou a orar o Saltério com seriedade e regularidade, logo dispensará as próprias orações superficiais e piedosas dizendo: ‘Elas não têm o sabor, a força, a paixão e o fogo que encontro no Saltério. São muito frias e rígidas’ (Lutero)”. Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos

43 Livro de Oração Comum Dia 1: Salmos 1 a 8 Dia 11: Salmos 56 a 61
Dia 21: Salmos 105 e 106 Dia 2: Salmos 9 a 14 Dia 12: Salmos 62 a 67 Dia 22: Salmos 107 a 109 Dia 3: Salmos 15 a 18 Dia 13: Salmos 68 a 70 Dia 23: Salmos 110 a 115 Dia 4: Salmos 19 a 23 Dia 14: Salmos 71 a 74 Dia 24: Salmos 116 a Dia 5: Salmos 24 a 29 Dia 15: Salmos 75 a 78 Dia 25: Salmo Dia 6: Salmos 30 a 34 Dia 16: Salmos 79 a 85 Dia 26: Salmo Dia 7: Salmos 35 a 37 Dia 17: Salmos 86 a 89 Dia 27: Salmos 120 a 131 Dia 8: Salmos 38 a 43 Dia 18: Salmos 90 a 94 Dia 28: Salmos 132 a 138 Dia 9: Salmos 44 a 49 Dia 19: Salmos 95 a 101 Dia 29: Salmos 139 a 143 Dia 10: Salmos 50 a 55 Dia 20: Salmos 102 a 104 Dia 30: Salmos 144 a 150

44 Etapas da “leitura orante”
Ler (lectio): Atentamente, com prazer e com fome, saboreando as palavras como alimento espiritual. Leia o texto várias vezes, dando especial atenção aos versos ou palavras que lhe chamam atenção. Escute o que o texto fala com você. Pensar (meditatio): O que esse texto significa para você? Que versos ou palavras falam mais à sua situação hoje? Como você tem vivido em relação a ele?

45 Orar (oratio): Orar é responder ao chamado no profundo de seu coração para falar com Deus. Além de suas palavras, essa resposta pode ser também escrita em um diário espiritual, com gestos (ajoelhar-se) e cânticos. Contemplação (contemplatio): A presença de Deus torna-se tão intensa e intimamente real que a descrição sobre Ele cede lugar à pura consciência de Sua presença. Palavras e até pensamentos não continuam sendo necessários.

46 Após a morte de John Howe ( ), descobriu-se que ele tinha escrito o seguinte, na página em branco de sua Bíblia: “Mas o que senti palpavelmente, graças à admirável generosidade do meu Deus, e à influência sumamente agradável e consoladora do Seu Espírito, em 22 de outubro de 1704, excede em muito as mais expressivas palavras que o meu pensamento poderia sugerir. Experimentei então um inexprimivelmente ameno derretimento do coração, lágrimas de alegria jorrando dos meus olhos, porque Deus derramara abundantemente o Seu amor através dos corações dos homens; e porque, com este mesmo propósito, o meu coração fora tão marcadamente possuído do Seu bendito Espírito e por Ele”.

47 John Flavel (c ) estava viajando, quando, repentinamente, Deus começou a tratá-lo desta maneira íntima: “Prosseguindo em seu caminho, os seus pensamentos começaram a dilatar-se e a elevar-se cada vez mais, com as águas da visão Ezequiel, até que, por fim, se tornaram uma transbordante enchente. Tal era a intenção que a sua mente alimentava, tão arrebatadores eram os sabores das alegrias celestiais, e tal era a plena segurança do seu interesse nisso, que ele perdeu completamente a visão e a percepção do mundo e de todas as preocupações daí decorrentes, e durante algumas horas ele ficou sem saber onde estava, e isto mais do que se ele estivesse caído no sono em seu leito. Chegando exausto a uma certa fonte, sentou-se e lavou-se, desejando ardentemente que, se aprouvesse a Deus, este fosse o lugar da sua partida deste mundo. A morte apresentava aos seus olhos o rosto mais amável que ele já tinha visto, exceto o rosto de Jesus Cristo, o que o deixava assim, de modo que ele não se lembra de que, embora morrendo, sequer tivesse pensado em sua querida esposa, e filhos, e em qualquer interesse terreno. Chegando à sua pousada, a influência ainda continuava, impedindo o sono – a alegria do Senhor continuava mais e mais a transbordá-lo, e ele se sentia como um habitante doutro mundo. Muitos anos depois ele se referia àquele dia como um dos dias do céu, e declarava que ele passara a compreender a vida do céu mais com aquele dia do que com todos os livros que lera e discursos que ouvira a respeito”.

48 Jonathan Edwards ( ): “Quando eu cavalgava mata a dentro para cuidar da minha saúde em 1737, apeei num lugar retirado, como é meu costume, para ir em busca de contemplação divina e oração, e tive uma visão, para mim extraordinária, da glória do Filho de Deus como mediador entre Deus e os homens, e da Sua maravilhosa, grande, plena, pura e suave graça e amor, e da Sua terna e gentil complacência. A graça, que parecia tão tranquila e amena, também se mostrava grande acima dos céus. A pessoa de Cristo via-se inefavelmente excelente, com uma excelência suficientemente grande para sorver todos os pensamentos e concepções, e permaneceu, quanto possa julgar, durante cerca de uma hora, o que me manteve a maior parte do tempo num mar de lágrimas e chorando alto. Senti uma ardência na alma, para ser, não sei expressar doutro modo, esvaziado e aniquilado, para jazer no pó e ser cheio unicamente de Cristo, para amá-lo com um santo e puro amor, confiar nEle, viver fundado nEle, e para ser perfeitamente santificado e tornado puro com uma pureza divina e celestial”.

49 Meditação, contemplação e deserto
Muitos escritores cristãos descrevem o seu progresso da meditação para a contemplação em termos de atravessarem um deserto espiritual, ou passagem por uma experiência chamada “a noite escura da alma” (cf. O descanso eterno dos santos). Essa experiência dura simplifica a nossa confiança, amor e desejo por Deus, ultrapassando os nossos sentidos.

50 Orar em comunidade Muitas vezes é sugerida a meditação a sós. Mas o tempo de oração ao Deus Trino deve ser feito em comunidade – quando dois ou mais irmãos se reúnem para juntos buscar a Cristo em oração por meio da leitura dos Salmos. Não é natural que o cristão esteja só – a igreja, o ajuntamento dos fieis, é o corpo de Cristo, o templo de Deus, o santuário e habitação do Espírito Santo – e é em comunidade que o cristão irá não só aprender a orar, mas permanecerá em oração.

51 Compromisso: caminhar com Cristo
Agora, precisamos responder o chamado de Deus. Ação (actio): Podemos ler, pensar e orar o dia todo, mas a menos que pratiquemos a Palavra de Deus, este tempo não terá valido nada. É preciso colocar em prática o que Deus falou conosco durante esse tempo de leitura e reflexão. Nossa vida será o maior testemunho que poderemos dar.

52 “Se em nossas igrejas já não oramos os Salmos, então devemos incluí-los com mais afinco em nossas meditações matutinas e vespertinas. Devemos ler vários Salmos diariamente e, de preferência, em conjunto, a fim de lermos este livro diversas vezes ao ano, penetrando nele com mais profundidade. Não deveríamos selecionar arbitrariamente alguns Salmos. Ao fazer isto, estamos desonrando o livro de orações da Bíblia, julgando saber melhor do que o próprio Deus o que devemos orar. Na igreja antiga não era incomum saber ‘o Davi todo’ de cor. Nas igrejas orientais isto era condição para o exercício eclesiástico.

53 Jerônimo, um dos pais da igreja, conta que na sua época ouvia-se o cântico de Salmos nas lavouras e nos quintais. O Saltério marcava a vida da jovem cristandade. Mais importante do que isto, no entanto, é que Jesus Cristo morreu na cruz com a palavra dos Salmos em seus lábios. Ao esquecer-se do Saltério, a cristandade perde um tesouro inigualável. Ao recuperá-lo, será presenteada com forças jamais imaginadas”. Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos

54 Conclusão “O nosso amado Senhor, que nos ensinou a orar o Saltério e o Pai Nosso e presenteou-nos com eles, conceda-nos, também, o Espírito da oração e da graça, para que oremos sem cessar, com disposição e seriedade de fé. Nós precisamos disso. Ele o ordenou e, portanto, o requer de nós. A ele sejam dados louvor, honra e gratidão. Amém”. Martinho Lutero

55 Bibliografia


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