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A PROSA DE FICÇÃO Tendências contemporâneas. A Contracultura Maio de 1968, protestos de estudantes Universitários em Paris. Em 1969 ocorre o Woodstock.

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1 A PROSA DE FICÇÃO Tendências contemporâneas

2 A Contracultura Maio de 1968, protestos de estudantes Universitários em Paris. Em 1969 ocorre o Woodstock. Luta contra os padrões culturais e morais repressivos da civilização racionalista e judaico-cristã. O movimento já começa a se articular nos anos 1950, com a geração beat. Na década seguinte, os Beatles entram em cena.. No Brasil surgiu o tropicalismo (Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Gosta.

3 Características O golpe militar de 1964 desencadeou, na literatura, obras permeadas pela sátira, paródias, romances- reportagem, memórias e balanços de geração. A literatura passa a ser um instrumento para denunciar a opressão do sistema político, a violência da estrutura econômica segregadora e o subdesenvolvimento do país. Na América Latina, na década de 1970, houve a eclosão do realismo fantástico ou realismo mágico. Na literatura fantástica os limites entre realidade e ficção são diluídos. Assim, os acontecimentos insólitos surgem, inesperadamente, na ordem cotidiana.

4 Características Assim, surgem personagens voadoras, pestes súbitas, aparecimentos e desaparecimentos inexplicáveis de seres e objetos. A manifestação do insólito produz o estranhamento do real e se reverte em denúncia. O realismo mágico, por sua vez, incorpora o mítico, oriundo das etnias índia e negra, ao racional herdado do colonizador europeu. Por situar-se num contexto em que vigorava regimes autoritários, esse tipo de literatura denuncia, alegoricamente, a realidade social e política.

5 Características A literatura contracultural dos anos 1970 dá voz aos marginalizados. A ficção passa a abordar a agressão e a transgressão aos valores instituídos. No tocante à forma, destaca-se a narrativa curta com predileção para os temas urbanos. As personagens criadas passam a vivenciar diversas formas de violência, física ou simbólica, e o erotismo exacerbado, expressão da hipersexualização de seres que convivem com a exploração comercial do sexo e com uma nova política dos corpos e da sexualidade.

6 Alguns dos principais autores. José Loureiro (Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, Acusado de homicídio). Edilberto Coutinho (Sangue na praça). Ignácio Loyola de Brandão (Zero). O que é isso companheiro, de Fernando Gabeira. João Ubaldo Ribeiro (Sargento Getúlio). Rubem Fonseca (O caso Morel, Feliz Ano Novo, O cobrador). Ivan Ângelo (A festa).

7 Rubem Fonseca – O Cobrador NA PORTA da rua uma dentadura grande, embaixo escrito Dr. Carvalho, Dentista. Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente. Esperei meia hora, o dente doendo, a porta abriu e surgiu uma mulher acompanhada de um sujeito grande, uns quarenta anos, de jaleco branco. Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um guardanapo de papel no meu pescoço. Abri a boca e disse que o meu dente de trás estava doendo muito. Ele olhou com um espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado.

8 Rubem Fonseca – O Cobrador Só rindo. Esses caras são engraçados. Vou ter que arrancar, ele disse, o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros, inclusive estes aqui e deu uma pancada estridente nos meus dentes da frente. Uma injeção de anestesia na gengiva. Mostrou o dente na ponta do boticão: A raiz está podre, vê?, disse com pouco caso. São quatrocentos cruzeiros. Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse. Não tem não o quê? Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à porta.

9 Rubem Fonseca – O Cobrador Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era um homem grande, mãos grandes e pulso forte de tanto arrancar os dentes dos fodidos. E meu físico franzino encoraja as pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogadas, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38, e perguntei com tanta raiva que uma gota de meu cuspe bateu na cara dele, -- que tal enfiar isso no teu cu? Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Ar­rebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande cheia de merda.

10 Rubem Fonseca – O Cobrador Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro! Dei um tiro no joelho dele. Devia ter matado aquele filho da puta. *** Tão me devendo colégio, namorada, aparelho de som, respeito, sanduíche de mortadela no botequim da rua Vieira Fazenda, sorvete, bola de futebol. Fico na frente da televisão para aumentar o meu ódio. Quando minha cólera está diminuindo e eu perco a vontade de cobrar o que me devem eu sento na frente da televisão e em pouco tempo meu ódio volta. Quero muito pegar um camarada que faz anúncio de uísque.

11 Rubem Fonseca – O Cobrador Ele está vestidinho, bonitinho, todo sanforizado, abraçado com uma loura reluzente, e joga pedrinhas de gelo num copo e sorri com todos os dentes, os dentes dele são certinhos e são verdadeiros, e eu quero pegar ele com a navalha e cortar os dois lados da bochecha até as orelhas, e aqueles dentes branquinhos vão todos ficar de fora num sorriso de caveira vermelha. Agora está ali, sorrindo, e logo beija a loura na boca. Não perde por esperar. Meu arsenal está quase completo: tenho a Magnum com silenciador, um Colt Cobra 38, duas navalhas, uma carabina 12, um Taurus 38 capenga, um punhal e um facão. Com o facão vou cortar a cabeça de alguém num golpe só. Vi no cinema, num desses países asiáticos, ainda no tempo dos ingleses­ um ritual que consistia em cortar a cabeça de um animal, creio que um búfalo, num golpe único. Os oficiais ingleses presidiam a cerimônia com um ar de enfado, mas os decapitadores eram verdadeiros artistas. Um golpe seco e a cabeça do animal rolava, o sangue esguichando.

12 Os inocentes, de Rubem Fonseca O mar tem jogado na praia pinguim, [tartaruga gigante, cação, cachalote. Hoje: mulher nua. Depilada pareceria enorme arraia podre. Porém cabelos e pelos lembram animal da [família do macaco; corpo lilás de manchas claras mármore de carrara [incha exposto; sangue, tripas, ossos perderam calor e pudor; olhos, lábios, boca, vagina: peixes devoraram. Banhistas instalam barracas longe da coisa morta, logo envolvida por enorme círculo de areia, indiferença, [asco. Policial limpa suor da testa, olha gaivota, céu azul. Afinal rabecão: corpo carregado. Espaço branco vazio cercado pelo colorido das barracas, lenços, biquínis, chapéus, [toalhas, por todos os lados. Chega família: "Olha, parece que reservaram lugar para nós".


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