CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011

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Transcrição da apresentação:

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011 FRATERNIDADE E A VIDA NO PLANETA “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22) Conferência Nacional dos Bispos do Brasil CNBB A Campanha da Fraternidade de 2003 quer ser o grande esforço da Igreja no Brasil para viver intensamente o tempo santo da quaresma no sentido de ser um grande instrumento para que todos possam se converter e viver um tempo de graça e salvação, preparando-se, através da oração, do jejum, da esmola, da escuta da Palavra, da participação nos sacramentos e na vida comunitária e da prática do amor solidário, para viver de maneira mais intensa o momento mais importante do ano litúrgico e da história da salvação: a Páscoa. Este ano, a Campanha da Fraternidade nos apresenta como tema: “Fraternidade e Pessoas Idosas”, mostrando-nos, assim, a preocupação da Igreja no Brasil em criar condições para que o Evangelho seja mais bem vivido em uma sociedade que já foi jovem, mas que hoje é considerada pela Organização das Nações Unidas como uma sociedade amadurecida devido ao grande aumento do percentual de pessoas idosas

Segunda Parte JULGAR

INTRODUÇÃO Deve haver uma conscientização urgente. Comunidade e escola: colaborar em vista das mudanças comportamentais; Teologia da Criação: Deus nos chama a ter atitudes justas para cuidarmos bem da vida; São Francisco de Assis.

1. APONTAMENTOS BÍBLICOS SOBRE A PRESERVAÇÃO DA NATUREZA O nosso Deus é o Deus da vida Início da Bíblia: a vitória de Deus sobre o caos; Deus: doador da vida; “E Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1,31); Harmonia entre os planos da realidade; Contradição da parte do homem: o ser humano dono absoluto do planeta;

1.1 O NOSSO DEUS É O DEUS DA VIDA “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, as aves de céu e todos os animais que se movem pelo chão” (Gn 1,28); Ser humano: criado no 6º dia ao lado de outros animais; Dominar: “dominus”; Os animais colocados no mesmo espaço do ser humano;

1.1 O NOSSO DEUS É O DEUS DA VIDA Diferença entre os outros seres e o ser humano; De ordem sobrenatural: ser humano – imagem e semelhança de Deus; Enquanto seres naturais: unidos em equilíbrio dinâmico; “enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que se movem no chão” (Gn 1,28);

1.1 O NOSSO DEUS É O DEUS DA VIDA Submeter: em hebraico, kabash, no contexto da cultura semita tem como foco principal a terra e o seu cultivo; Dominar: é tradução do hebraico radah, que possui o sentido de cultivar, organizar e cuidar; Consideração destes verbos indica precisamente atitudes de cultivo, zelo e cuidado, próprias de um pastor que conduz suas ovelhas protegendo-as dos iminentes perigos;

1.1 O NOSSO DEUS É O DEUS DA VIDA O livro do Gênesis é claro quanto a isso ao afirmar que Deus colocou o ser humano no jardim para o cultivar e guardar (Gn 2,15)

1.2 O LUGAR DO SER HUMANO NA CRIAÇÃO Salmo 8,6: “o fizeste só um pouco menor que um deus, de glória e honra o coroaste”; Transcendência humana: não o tira da condição natural; Gn 1,27: “Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou”;

1.2 O LUGAR DO SER HUMANO NA CRIAÇÃO GS 12: “o homem foi criado à ‘imagem e semelhança de Deus’, capaz de conhecer e amar o seu criador, e por este constituído senhor de todas as criaturas terrenas, para as dominar e delas se servir, dando glória a Deus”; “Deus não criou o homem sozinho”, e “o homem por sua própria natureza, é um ser social”;

1.2 O LUGAR DO SER HUMANO NA CRIAÇÃO Verbo mashal: Gn 1,16-18: “Deus fez os dois grandes luzeiros, o luzeiro maior para presidir ao dia e o luzeiro menor para presidir à noite, e também as estrelas. Deus colocou-os no firmamento do céu para iluminar a terra, presidir ao dia e à noite e separar a luz das trevas. E Deus viu que era bom”; Governar, presidir: o ser humano é responsável pela vida, bem estar e integridade daqueles que estão em seu domínio;

1.2 O LUGAR DO SER HUMANO NA CRIAÇÃO Responsabilidade humana: diante da natureza, do semelhante e do Criador; Chamados à vida: ao cuidado do que a ela se refere; Trabalho em prol da manutenção da obra do Criador; Dar continuidade à obra de Deus;

1.2 O LUGAR DO SER HUMANO NA CRIAÇÃO Redemptor Hominis (04/03/79) 15: “Todas as conquistas alcançadas até agora, bem como as que estão projetadas pela técnica para o futuro, estão de acordo com o progresso moral e espiritual do homem?”

1.3 A ATUALIDADE DA ADVERTÊNCIA AOS PRIMEIROS PAIS NO PARAÍSO (Gn 3, 1-24) Detentores do poder: comer da árvore do bem e do mal; Utilização de modo destrutivo dos bens do planeta; Frutos da árvore: fascinantes e ameaçadores; Ideologias e do espírito de dominação; “Científico”: novo ídolo;

1.3 A ATUALIDADE DA ADVERTÊNCIA AOS PRIMEIROS PAIS NO PARAÍSO (Gn 3, 1-24) Princípio da cientificidade: provisoriedade de todas as conquistas; Cientificismo: absolutização do que é relativo e provisório; Promessas de eventuais curas de certas doenças por meio do avanço das biotecnologias; Segundas intenções de caráter político-ideológico;

1.3 A ATUALIDADE DA ADVERTÊNCIA AOS PRIMEIROS PAIS NO PARAÍSO (Gn 3, 1-24) Apossar-se dos frutos da árvore da vida: caminhos para o apossamento das pessoas e da natureza; Pecado atual: as pessoas se deixam conduzir pelo anseio e desejo de dominação e subjugação do outro; Guerra social e ecológica;

1.3 A ATUALIDADE DA ADVERTÊNCIA AOS PRIMEIROS PAIS NO PARAÍSO (Gn 3, 1-24) “Constatam que estão nus” (Gn 3,7): quando o ser humano se comporta como Deus, fazendo o que deseja, sem respeitar os limites, ele fica só, não se relaciona de modo justo e edificante com Deus, pois precisa esconder-se dele, ou com seu semelhante, pois acusa a mulher de ser a responsável por seus erros, e nem com os seres vivos da natureza, pois é expulso do paraíso;

1.3 A ATUALIDADE DA ADVERTÊNCIA AOS PRIMEIROS PAIS NO PARAÍSO (Gn 3, 1-24) Intencionalidade de se tornarem divinos: desordem; Intenção de dirigir toda a criação conforme suas leis e critérios: “de modo algum morrereis, mas sereis como Deus” (Gn 3,5); A leitura em chave ecológica; “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não deves comer, porque, no dia em que dela comeres, com certeza morrerás” (Gn 2,17)

1.3 A ATUALIDADE DA ADVERTÊNCIA AOS PRIMEIROS PAIS NO PARAÍSO (Gn 3, 1-24) A riqueza que os seres humanos têm à disposição se reveste igualmente de um princípio de responsabilidade; Usufruir dos bens do jardim, desde que mantenham a ordem; Comer da árvore não recomendada: as pessoas se fazem dominadoras e instalam um sistema destruidor.

1.4 O DESCANSO E O SENTIDO AUTÊNTICO DA CRIAÇÃO Consideração sobre o descanso no livro do Gn; Sétimo dia (Gn 2,2a): abertura à presença da eternidade no tempo; Mundo vindouro que está sendo gerado no hoje; Francis Bacon (1561-1626): visão mecanicista da natureza; René Descartes (1596-1650): mentalidade dualista; Galileu Galilei (1564-1642): universo funcionando como relógio; Isaac Newton (1642-1727): visão mecanicista do universo;

1.4.1 CONSIDERAÇÃO SOBRE O DESCANSO NO LIVRO DO Gn Segundo plano esta leitura do descanso de Deus; Sentido à vida do ponto de vista do trabalho e da produção; Impossível entender a criação de modo mais aprofundado, sem perceber o sentido do repouso; O repouso é a festa da criação: criação de Deus em vista desta festa; Conclusão da criação: benção de Deus;

1.4.1 CONSIDERAÇÃO SOBRE O DESCANSO NO LIVRO DO Gn Repouso de Deus: manifestam-se a benção e a santificação do sábado; Deus não somente descansa de sua criação, mas este descanso se dá em sua obra, que está diante dele e Ele presente nela; Criação: obra de Deus; O repouso: existência presente; Criação revela Deus; Repouso: autorrevelação de Deus;

1.4.1 CONSIDERAÇÃO SOBRE O DESCANSO NO LIVRO DO Gn Descanso: contemplação do Divino; Decálogo (Ex 20,8): exigência do descanso; Ano sabático e o ano jubilar (Lv 25, 1-22): repouso como exigência para a vida humana e para a natureza; Sábado humano: “sonho de plenitude”.

1.4.2 O DIA DO DESCANSO E A RESSURREIÇÃO DE CRISTO Domingo cristão: expansão messiânica do sábado de Israel; Domingo: celebração da Ressurreição de Jesus; Antecipa o descanso do final dos tempos e indica o início da nova criação; Nova criação: Ressurreição de Jesus;

1.4.2 O DIA DO DESCANSO E A RESSURREIÇÃO DE CRISTO Sábado de Israel: retrospectiva às obras da criação de Deus e ao trabalho das pessoas; Festa da Ressurreição: olha para frente, futuro da nova criação; Sábado de Israel: participa do descanso de Deus; Festa da Ressurreição: participa da força que opera a recriação do mundo; Sábado de Israel: dia de reflexão e de agradecimento; Festa da Ressurreição: dia de início e de esperança;

1.4.2 O DIA DO DESCANSO E A RESSURREIÇÃO DE CRISTO Festa da Ressurreição: o 1º dia da semana; 7º dia para Deus: o sábado era o 1º dia que as pessoas criadas no 6º dia experimentavam; Esquecimento do significado do 7º dia do descanso: estruturação de um mundo sem celebração, de um tempo visto somente pela ótica da produção e do progresso; Conversão em fábricas que poluem e de pessoas que atuam em um mercado de trabalho gerador mais de morte, que de vida.

1.5 O CUIDADO COM A VIDA E SUAS FONTES Na Bíblia não encontramos um tratado específico sobre o meio ambiente; Existem algumas indicações preciosas em vista do respeito que o povo deveria nutrir para com a natureza; Destaque: Deuteronômio;

1.5 O CUIDADO COM A VIDA E SUAS FONTES Dt 22,6-7: preocupação com a fonte da vida; Dt 20, 19-20: poupança das árvores produtivas; Dt 23,13-15: limpeza do acampamento;

1.5 O CUIDADO COM A VIDA E SUAS FONTES Caim: não foi responsável só pela morte de Abel, mas por ter tornado impossível a vida de toda uma descendência que viria a partir dos filhos de seu irmão; Se não cuidamos das fontes da vida e permitirmos a devastação do planeta, estamos negando vida e direitos às gerações que ainda não nasceram; Israel tinha de que a terra, casa comum, foi criada por Deus, mas entregue aos seres humanos, como um espaço a ser trabalhado e cuidado.

1.6 NO DESERTO, UMA LIÇÃO DE CONSUMO RESPONSÁVEL Libertação do povo da escravidão do Egito; O maná (Ex 16): normas contra o desperdício; “Alguns, porém, desobedeceram a Moisés e guardaram o maná para o dia seguinte; mas ele bichou e apodreceu” (Ex 16,20); Apodrecer: símbolo das consequências do acúmulo do desnecessário; Hoje: gasto de recursos do planeta que ultrapassam a sua capacidade de se manter sustentável; 25% a mais em relação ao seu limite.

1.7 ENTRANDO NA TERRA PROMETIDA A repartição da terra objetivando o bem comum (Nm 26,53); Terra de Deus: ser usada de modo responsável; Doutrina do descanso: individual (sábado), da terra – ano sabático (Ex 23,10-11), ano jubilar (a cada 50 anos) – a terra deveria voltar às famílias; Utilização da terra segundo o desejo de Deus (Lv 25,23); Cuidado da justiça social; Sistema contraditório: propriedade privada como alicerce Lógica excludente.

1.8 JESUS VENCE AS TENTAÇÕES “Se és filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães” (Mt 4,3); Jesus rejeita a mudança da finalidade da natureza em benefício próprio; Resistência à tentação de transformar tudo em objeto de consumo;

1.8 JESUS VENCE AS TENTAÇÕES “Então o diabo o levou à Cidade Santa, e o colocou sobre o pináculo do Templo e disse-lhe: Se és filho de Deus, atira-te daqui abaixo! Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a teu respeito, e eles te carregarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’” (Mt 4,5-6); Tentação de transformar o próprio Deus em um mágico protetor que garante a prosperidade de seus devotos; Utilização de Deus em benefício próprio: em vez de servir a Deus, pessoas querem que Deus esteja ao seu serviço;

1.8 JESUS VENCE AS TENTAÇÕES “O diabo o levou ainda para uma montanha. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua riqueza, e lhe disse: ‘Eu te darei tudo isso, se caíres de joelhos para me adorar’” (Mt 4,8); Soberania do Criador: limites ao senhorio humano; Rompimento da aliança com Deus; Resumo do sofrimento da criação pelas atitudes do homem: “a criação foi sujeita ao que é vão e ilusório... por dependência daquele que a sujeitou” (Rm 8,20).

1.9 O QUE PODE NOS AFASTAR DE DEUS O sábio reza para que tenha o suficiente para viver e não mais: “concede-me apenas minha porção de alimento. Isto para que, estando farto, eu não seja tentado a renegar-te e comece a dizer: ‘Quem é o Senhor?’” (Pr 30,8b-9a); Jesus fala da escolha que precisa ser feita: é Deus ou o dinheiro que manda em nossa vida? “Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6,21); Se o nosso coração estiver em Deus estará também na defesa da natureza, no uso responsável dos dons que o Criador nos deu.

1.10 A VOZ DE DEUS NA NATUREZA Deus se comunica com a humanidade através do livro da natureza; Espiritualidade da contemplação; Dn 3,57-87: cântico de Misael, Ananias e Azarias; Salmo 8: lugar do ser humano na criação; Salmo 104: o esplendor da criação.

2. CONSIDERAÇÕES ACERCA DA CRIAÇÃO A abordagem teológica; Teologia da criação: perspectiva de diálogo; Relação entre diferentes; Deus concede a existência e a criatura a recebe; Convite à contemplação: um ato de pura bondade e de pura liberdade do Criador; Identidade de um amor imenso.

2.2 A TRINDADE E A CRIAÇÃO A vida como um dom; Criação chamada à interlocução e comunhão com o Criador; A criação como dom do Pai: diálogo e comunhão; A criação em Cristo: nele, por Ele e para Ele, todas as coisas foram criadas (Cl 1, 16b-17); A criação no Espírito Santo: Deus faz morada no âmbito de toda a criação; Teilhard de Chardin: educação da vista; Cristificação do gênero humano e todo o universo.

2.6 A CRIAÇÃO E A IGREJA Ef 5, 22-23: Cristo e a Igreja estão ligados de modo indissociável; Unidade em Cristo, com Cristo e para Cristo na Igreja: dom e tarefa; Missão que abarca toda a criação;

2.7 A CRIAÇÃO E A EUCARISTIA Ecclesia de Eucharistia (17/04/2003): dimensão cósmica da Eucaristia; Altar do mundo: a redenção de toda a criação; Eucaristia: Deus abraça todas as criaturas; Configuração a Cristo: assumir atitudes em prol do cuidado para com a vida no planeta; Teilhard de Chardin (1924): “Missa sobre o mundo” – relação entre Eucaristia e o mundo criado em vista de sua cristificação.

3. O PECADO E SUA DIMENSÃO ECOLÓGICA O respeito do Criador pela autonomia e pela liberdade do homem; Pecado: rompimento da confiança em Deus e nos demais seres; Impossibilidade da continuidade do Shabbat: a festa é interrompida; Separação de Deus e autoafirmação em si mesmo; Poder destruidor do pecado: crise ambiental atual; A salvação do ser humano é inseparável da salvação da criação toda (Rm 8,19-23).

4. O CUIDADO Resgate da Teologia da Criação; Projeto do Criador: cuidado para com as criaturas; Cuidado: “cura” – atitudes de amizade e amor; Cuidado: essência do ser humano; Respeito pela identidade dos demais; Alteridade e sua interpelação à responsabilidade amorosa geradora do cuidado; “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22); Sociedade sustentável; Superação das injustiças; Necessidade de mudanças comportamentais.

5. SÃO FRANCISCO E A CRIAÇÃO Sobriedade no uso das criaturas; Resgate de São Francisco: valorização de suas atitudes; Pobreza: olhar purificado de poder e de lucro; As criaturas não se constituem em obstáculos para se encontrar Deus e amá-lo.