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Junho / 2008 CRP-04/PJ832. Boletim Comemorativo em homenagem ao Professor ESCÍPIO ABERTURA DA XVI JORNADA DA CLÍNICA DE PSICOLOGIA: TECENDO REDES Suzana.

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1 Junho / 2008 CRP-04/PJ832. Boletim Comemorativo em homenagem ao Professor ESCÍPIO ABERTURA DA XVI JORNADA DA CLÍNICA DE PSICOLOGIA: TECENDO REDES Suzana Faleiro Barroso O percurso do trabalho da Clínica, a elaboração da jornada de 2007 (práticas clínicas dentro e fora da universidade) nos aproximou das noções de rede, que a atual jornada pretende desenvolver. O número de trabalhos inscritos e lidos pela comissão científica, 33, a diversidade de trabalhos em torno da noção de rede, além da colaboração de nossos convidados e do número de inscrições, 713, (em 05/05/08) são dados que confirmam que tecer redes com o campo clínico é interesse de muito de nós. Vocês terão oportunidade nesses dias de participar do debate e da reflexão sobre: redes teóricas, redes de relações, rede de laboratórios com a prática terapêutica; redes entre psicólogos, educadores, crianças abrigadas e suas famílias; a clínica na rede de produções históricas; rede entre a Clínica e instituições que compõe o campo clínico de assistência ao portador de sofrimento mental, ao toxicômano e ao paciente judiciário; rede de apóio ao desenvolvimento e atualização das potencialidades do aluno da PUC; trabalho em redes no acolhimento de crise em um hospital psiquiátrico; rede de atenção à saúde na universidade; rede entre a pesquisa clínica e a assistência ao cliente; acompanhamento do sujeito na rede; a universidade em rede com o SUS. Para a Clínica de Psicologia, o tema vem testemunhar: 1) O que se tece entre a formação do aluno e a função social dos serviços no campo clínico; 2) O tecer a pesquisa e o pensar sobre a prática clínica; 3) Tecendo redes, vem testemunhar o nosso encontro com a incompletude dos serviços da Clínica, dos seus projetos, e, sobretudo, a incompletude do saber clínico Agradeço aos professores que estiveram presentes nas comissões de preparação desse evento, a todos que colaboraram para a realização dessa Jornada e desejo um fecundo trabalho nesses três dias que se seguem. Dedicamos a XVI Jornada ao professor ESCÍPIO, que hoje não está mais entre nós, mas cujas idéias e princípios são fundamentais para a existência da Clínica de Psicologia. Façamos, portanto, nossa homenagem ao querido Escípio expressando nossa gratidão por tudo aquilo que ele nos transmitiu.

2 OLFATO Antes de nascer, meus olhos só conheciam minha mãe, pelo avesso. Meus ouvidos só escutavam a suave melodia de seu terno coração. Seu cheiro é o que sobressaía e eternizaria os nossos laços. O olfato é o pano de fundo de minhas relações com o mundo. Afasta-me dos maus odores e aproxima-me dos nobres perfumes. Para o meu nariz, a rosa não tem cor, mas um doce perfume, embriagador. A mulher amada tem a cor do sonho, um toque leve de calor, o canto do rouxinol, o sabor do mel e o sublime cheiro do amor! Escípio da Cunha A os quinze anos, tive meu grande insight : o Homem sofre mais espiritualmente do que materialmente. Nesse momento, decidi trabalhar para minimizar o sofrimento espiritual do Homem. Decidi tornar-me psic ó logo. Fui al é m, porque missão tão ampla não é para ex é rcito de apenas um soldado. Em fun ç ão disto, tornei-me professor. Passei a contribuir para a forma ç ão do psic ó logo como professor da então UCMG. No Instituto Humanista de Psicoterapia juntei as duas coisas, cuidar do aperfei ç oamento dos psic ó logos e amenizar o sofrimento dos menos favorecidos economicamente. O Instituto Humanista de Psicoterapia pretende ser uma ponte entre a forma ç ão acadêmica do psic ó logo e o seu ingresso na vida profissional. Aqui ele tem oportunidade de continuar sua forma ç ão, encontra um local para atender, o cliente, al é m da supervisão e do aprofundamento te ó rico. ESCÍPIO DA CUNHA LOBO este poema Escípio escreveu a pedido de uma turma de formandos para constar no convite de formatura, cujo tema foram os cinco sentidos. AO MESTRE COM CARINHO Seria mais f á cil se eu usasse os versos de um experiente poeta, conhecedor profundo dos sentimentos humanos. Certamente não seria imposs í vel encontrar dentre tantos poemas,um, que pudesse expressar com a mesma ternura e intensidade, tal qual os meus sentimentos agora o fazem, descrevendo essa pessoa í mpar que somente um poema poderia fazê-lo com isen ç ão de erros. Essa pessoa que foi sinônimo de fragilidade,companheirismo e de toda uma essência maravilhosa,que pousava sobre o seu fr á gil corpo e era transmitida atrav é s de seu sorriso faceiro de menino a todos que encontrava pelo caminho. In ú meras qualidades que somente quem teve a oportunidade de estar pr ó ximo a este ser iluminado, saberia explicar. Exatamente hoje, ele completaria mais um ano de existência e embora não possamos nos alegrar com a sua ilustre presen ç a, prestamos lhe esta simples, mas sincera homenagem, para que, de alguma maneira, possa se fazer vivo em nossos cora ç ões, sabedor de que ser á para sempre lembrado. De todos alunos e professores, o nosso muito obrigado a algu é m que nos ensinou a dar passos muito importantes em nossas vidas. Maria Aparecida Santos Oliveira 10° per í odo Cl í nica noite

3 O que é ser psic ó logo? Esc í pio responde: E u sou humanista. Não. Humanista é uma pessoa que defende ideais humanistas. Eu me contento em ser humano. Ser psic ó logo para mim é otimizar essa condi ç ão humana, porque quanto mais humano eu for, mais vou contribuir para a humaniza ç ão de quem est á sob os meus cuidados e de quem est á à minha volta. A rela ç ão psicoterapêutica nada mais é do que uma rela ç ão humana de boa qualidade. A rela ç ão dispensada ao cliente é a mesma dispensada pela mãe aos seus filhos, pelos professores aos seus alunos. É um tema bem complexo. Para explicar, recorro a Rogers e falo da aceita ç ão incondicional, do respeito, da tolerância para com os limites dos seres humanos, do direito de escolha; afirmo que o ser humano tem direito de escolha, direito de ser sujeito, de ser ú nico. O que não quer dizer que eu não v á colocar limites; mas vamos colocar limites ao comportamento e não, à maneira de ser da pessoa. Se ela tentar fazer alguma coisa destrutiva, eu não vou ficar preocupado em ficar controlando seu comportamento. Fico tranq ü ilo, se eu tiver oferecido as condi ç ões necess á rias, estou certo de que ela não vai escolher um comportamento destrutivo. Para mim, o psic ó logo busca a excelência do ser humano. Quanto mais humano eu sou, mais eu contribuo para a humaniza ç ão das pessoas com quem convivo. BRINCANDO COM OS POETAS Para Esc í pio (in memorian) Bandeira com sua estrela da manhã aponta os c é us com suas des/ordens. Clarice olha para o c é u e diz que tem dia que vida vai, mas tem dia que a vida volta. Mas... e se Deus drummonianamente escreveu com a mão esquerda para explicar o que acontece por aqui? Não sei!!! S ó sei que rosamente Esc í pio se encantou, indo num raio de luz se eternizando por a í. E eu? Eu aqui aturdido com a saudade pendurada no peito apertado/do í do. Antonio A. F. Coppe 21/04/08 ACRÓSTICO E xcelência no trato com as pessoas S impatia e sensibilidade escancaradas C urioso, simples e sábio como as crianças I mpar na discrição P rofissional do sentido com polidez refinada I maginoso, chistoso e inteligente O rgulhosos nos sentimos na convivência com você. Com muita saudade Maria Carmen Belo Horizonte, junho/2008 Conversando com Esc í pio Outra vez Esc í pio, compreendo que os amigos não morrem nunca, n ó s é que morremos aos poucos dentro daqueles que morrem antes de n ó s. Você se lembra daquele tempo dif í cil em que perdemos alguns amigos(alunos) que naufragaram em Abrolhos? E das conversas que tivemos sobre o sentido das perdas? Eu te trouxe um lindo texto do Pirandello e a mem ó ria de um filme italiano, e filosofamos por horas. Neste tempo de sua recente morte você tem sido quase onipresente no meu pensamento Eu me lembro de você, mas você não pode mais se lembrar de mim! Minha presen ç a dentro de você se extinguiu de vez, e caiu no abismo infinito do esquecimento. E isso d ó i! Beijos para você meu querido amigo. Eliana Ferreira

4 Querido amigo Esc í pio. Chorei quando soube que você partira. Na verdade, não chorei por você, chorei por n ó s. Você não precisa de nossas l á grimas. Você est á bem, recebido pelo Pai, contemplando toda a grandeza de Deus, mergulhado no Seu amor. Chorei por n ó s, Esc í pio. J á sentimos muito sua falta. Em todos n ó s, sua fam í lia, colegas, amigos, alunos e clientes, fica um vazio, uma pergunta sem resposta: Por que você nos deixou tão depressa? Você tinha ainda muito a fazer entre n ó s. Sua lembran ç a est á gravada e permanecer á no nosso cora ç ão, com tudo de bom que você nos proporcionou. Somos reconhecidos e gratos a você por isso. Choro por n ó s, Esc í pio. Um pesar imenso toma conta de mim e se transforma numa indaga ç ão inquietante: O que ser á de suas id é ias, das suas certezas, de suas convic ç ões sobre o homem, de seu projeto para o desenvolvimento humano? Você acreditava no homem. Admirava cada pessoa pelo que tem de singular, como possibilidade de transformar-se na mais pura expressão humana, do divino, porque j á traz a semente de Deus dentro de si. Era s ó oferecer-lhe as condi ç ões necess á rias. Tantas vezes falamos sobre isso. Você não apostava no homem, como à s vezes se diz por a í. Apostamos em cavalos ou na loteria. Podemos acertar ou errar porque a aposta é jogo de azar, um pulo no escuro, a probabilidade de acerto é de um, num mar de possibilidades. Você não apostava, Esc í pio, você tinha certeza do homem. Confiava. Sei que a academia sempre o respeitou e considerou como pessoa í ntegra, coerente, dedicada à educa ç ão. Mas não tenho certeza de que suas id é ias encontrem no meio acadêmico o mesmo respeito e considera ç ão que você recebia como pessoa. Por vezes, mal entendido, podia ser visto como um otimista ingênuo. Não obstante, sua voz solit á ria insistia em agir de acordo com suas convic ç ões. V á rias vezes, partilhei com você sua experiência, percebi seu pesar pela falta de retorno mais significativo para as id é ias que defendia. Continuo insistindo, – você afirmava - porque sei que existe em cada ser humano o desejo de rela ç ões mais humanas, mais afetivas. S ó que ele est á muito contido, precisa ser despertado.... Para n ó s, seus disc í pulos, fica o desafio. Despertar o que existe de mais autêntico em cada ser humano. Quantos de n ó s nos dispomos a seguir a grande li ç ão que Esc í pio nos ministrou? Como dom Quixote enfrentar os moinhos de vento – não da fantasia, mas do mundo real – e lutar pela humaniza ç ão das rela ç ões interpessoais como missão desafiadora, mas poss í vel, em nosso meio? Assim, suas id é ias – cl á ssicas, como você costumava dizer, não morrerão, serão eternas. É o que espero, Esc í pio. Ana Maria Sarmento Seiler Poelman Em 19 de maio de PROSA COM ESC Í PIO Eline Renn ó Espera Esc í pio Emp á tico Na sala de aula O aluno Que sem a chamada S ó quer te encontrar Espera Esc í pio Enigm á tico A escola Que não vê na trindade A solu ç ão Do aluno Do professor Da institui ç ão Espera Esc í pio Simp á tico A palavra certeira Criada e lan ç ada Pra ser escutada Na hora confusa Da reunião Espera Esc í pio Tranq ü ilo Que chega na sexta Parecendo segunda A hora extra O aux í lio doen ç a Direitos teus Espera Esc í pio Inquieto Nos passos franceses da L ú cia A saudade Da filha Dos netos Que não entendem por que Escuta Escola Nos corredores agitados No burburinho alegre No vento das á rvores A presen ç a O silêncio do mestre Escuta Esc í pio Contador de hist ó rias O choro contido Nas id é ias deixadas Que um dia Quem sabe? Saberemos usar Receba Esc í pio Amigo fiel Neste dia Nosso abra ç o apertado De anivers á rio Eline Renn ó Belo Horizonte, 11 de junho de 2008 Em 19 de abril de 2008, faleceu Esc í pio da Cunha Lobo, professor desta Universidade por mais de quarenta anos. Esc í pio iniciou sua vida acadêmica em 1962, como aluno do rec é m-criado curso de Psicologia. Antes mesmo de concluir sua gradua ç ão como psic ó logo, tornou-se professor da então Universidade Cat ó lica de Minas Gerais. Defendia a concep ç ão de que a Universidade tem compromisso com a forma ç ão e o desenvolvimento do aluno como pessoa. Por isso mesmo, deveria oferecer-lhe as condi ç ões necess á rias à sua forma ç ão pessoal e não apenas profissional. Por esse princ í pio pautou sua carreira nesta casa, nos v á rios cargos e fun ç ões que desempenhou. Dele se pode dizer que expressou com fidelidade os valores cristãos que assumimos como missão da PUC Minas. Mais que professor, Esc í pio foi mestre. Mais que erudi ç ão, Esc í pio tinha sabedoria. Al é m de colega, foi companheiro. Mais que um psic ó logo humanista, Esc í pio foi uma pessoa plenamente humana, como ele mesmo costumava dizer. Ana Maria Sarmento Seiler Poelman

5 Homenagem ao Prof. Esc í pio da Cunha Lobo Fui convidado pela Prof ª Maria de F á tima Lobo Boschi, Diretora do Instituto de Psicologia da PUC Minas, para fazer no Conselho Universit á rio, com a aprova ç ão de nosso Magn í fico Reitor, Prof. Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, uma homenagem ao Prof. Esc í pio da Cunha Lobo, professor dessa casa nos ú ltimos 44 anos e que faleceu no s á bado ú ltimo, dia 19 de abril de Pe ç o a Deus que me ajude a dar conta dessa incumbência. Conheci o Prof. Esc í pio h á 39 anos atr á s, quando fui seu aluno no Curso de Psicologia da então Universidade Cat ó lica de Minas Gerais. Ele havia iniciado sua carreira docente na UCMG 5 anos antes. Quando comecei a lecionar, o contato com o Prof. Esc í pio, pouco a pouco, foi-se intensificando, apesar de pertencermos a correntes te ó ricas diferentes em Psicologia: o Prof. Esc í pio j á se posicionava como representante da abordagem existencial-humanista, enquanto eu, na é poca, era um convicto defensor do behaviorismo. Entretanto, a abertura permanente dele para o di á logo nunca nos impediu de conversarmos, trocarmos id é ias e experiências e nos entendermos sempre. Poucos anos depois, recebi dele o convite para nos candidatarmos à Chefia de Departamento e Coordena ç ão do Curso de Psicologia, ele como coordenador e eu como coordenador adjunto, para usar a terminologia atual. Fomos eleitos e exercemos essas fun ç ões por dois mandatos, com um ó timo n í vel de entendimento e de trabalho cooperativo. O despreendimento do Prof. Esc í pio em rela ç ão ao poder o tornava um coordenador democr á tico, que convidava a comunidade o tempo todo para participar dos processos e decisões. Nem todos conseguiam entender isso e alguns pensavam que ele deveria ser mais impositivo. Entretanto, o que nem todos os colegas percebiam é que o Prof. Esc í pio, por princ í pios pessoais, nunca foi um coordenador autorit á rio, mas tamb é m nunca se furtou a defender e colocar em pr á tica decisões obtidas por consenso. Em 1980, implantamos, o Prof. Esc í pio, o Prof. Tarc í sio Guimarães Mendes e eu, os primeiros est á gios de atendimento cl í nico em Psicologia da nossa Universidade, embrião da futura Cl í nica de Psicologia, que seria implantada 10 anos depois, em Na é poca, a maioria dos professores da á rea de Psicologia Cl í nica eram contr á rios à introdu ç ão dessa pr á tica, por considerarem que o per í odo de atendimento de, no m á ximo, um ano seria curto demais. No entanto, levamos em frente o nosso projeto e, um ano depois, todos os professores de cl í nica psicol ó gica aderiram a ele e se tornaram supervisores de est á gio em atendimento cl í nico. O conv í vio com o Prof. Esc í pio constituiu-se para mim em uma fonte cont í nua de aprendizado. Com ele aprendi, não de imediato, mas algum tempo depois, o valor e a importância do contato com as pessoas. Para o Esc í pio, o professor, mais do que o estudioso de uma determinada á rea de conhecimento e transmissor desse saber, é um profissional do relacionamento humano. O professor, na sua concep ç ão e na sua pr á tica, é aquele que olha os alunos como pessoas em desenvolvimento, dispostas aprenderem, crescerem e se realizarem. É aquele que é capaz de conviver com as diferen ç as, de ouvir os alunos, de ajud á -los a se perceberem, olharem para os outros à sua volta e enfrentarem os obst á culos, preconceitos e limita ç ões que os impedem de crescerem individualmente e como grupo. Mais do que um transmissor de informa ç ões, na sua ó tica, o professor é aquele que estimula os alunos a buscarem conhecimentos, m é todos e t é cnicas necess á rios para se tornaram profissionais que consigam colocar em pr á tica três princ í pios que o Prof. Esc í pio considerava fundamentais para o exerc í cio de qualquer atividade profissional e, de modo especial, a de psic ó logo: respeito e considera ç ão incondicional pela pessoa do outro (seja quem for esse outro), congruência e coerência interna e, por fim, empatia. São três atitudes b á sicas, que podem ser colocadas como desafios para todos n ó s. Considerar que uma pessoa é mais do que suas eventuais falhas, defeitos, limita ç ões ou mesmo erros que possa cometer. Acreditar que é poss í vel construir uma sociedade na qual predominem a coopera ç ão, a solidariedade, a tolerância, a justi ç a, as rela ç ões baseadas no amor e não no ó dio, a supera ç ão do individualismo em favor da coletividade. Praticar a liberdade de ser, sem se apropriar do espa ç o vital do outro, a responsabilidade pelas pr ó prias atitudes, sem culpar o outro pelos pr ó prios fracassos, adotar a verdade como lema, a doa ç ão, e a disponibilidade como condutas do dia-a-dia, sem se esperar uma data especial para isso, exercitar a capacidade de auto-reflexão e o desejo de ser melhor a cada dia. Isso nos tornaria um pouco parecidos com o Esc í pio. Para poder formar outros psic ó logos e multiplicar seus id é ias e convic ç ões, o Prof. Esc í pio ajudou a fundar, em 1993, o Grupo Mineiro de Psicologia Humanista e, em 1996, o Instituto de Pscoterapia Humanista. Nesse Instituto, os candidatos a psicoterapeutas tinham não s ó cursos de forma ç ão, para sistematizar sua base te ó rico-pr á tica, como tamb é m local para realizarem atendimento de clientes e supervisão do Prof. Esc í pio ou de seus colegas de Instituto. Quem viveu a experiência de supervisão da pr á tica psicoter á pica com o Prof. Esc í pio, na PUC Minas, nesses 28 anos em que trabalhou como supervisor da Cl í nica de Psicologia, ou no Instituto de Psicoterapia Humanista poderia afirmar o que li no depoimento de alguns de seus disc í pulos: H á algo que vivenciamos enquanto alunos ou supervisandos: um respeito profundo, por parte do Esc í pio, pelo est á gio de desenvolvimento no qual nos encontramos. Esc í pio busca afinar seu passo ao passo do aluno. Mesmo enxergando l á na frente, não nos atropela; permite-nos e facilita-nos o nosso pr ó prio caminhar. (...) O Esc í pio é, vivencia aquilo que ensina e que acredita. Eis um dos princ í pios b á sicos de uma psicologia mais humana, aprendido e compreendido com Esc í pio. (Juliana dos Santos Lopes, em nome dos membros do GRUMPSIH) E ainda encontramos outras afirma ç ões: Aprendemos, tamb é m com o Esc í pio, a estarmos atentos ao que vem de n ó s, nossa intui ç ão. A confiar em nossa sabedoria pessoal, visceral, organ í smica. Em nosso pr ó prio ser. Pois sentimos que ele acredita em cada um de n ó s, em nosso potencial, antes mesmo de n ó s acreditarmos nisso. Esc í pio busca sempre oferecer-nos condi ç ões suficientes para o desabrochar desse potencial. (...) Ensinou-nos a sermos autênticos, humanos e ao mesmo tempo, terapêuticos em qualquer situa ç ão. Aprendemos com o Esc í pio, a nos livrarmos de in ú meros preconceitos quanto ao exerc í cio profissional e não obstante, aceitarmos nossos pr é -conceitos, nossas fragilidades e nossas limita ç ões, como parte inerente ao Ser Humano. (Idem) A partida do Prof. Esc í pio nos deixou a todos, professores e alunos do Instituto de Psicologia da nossa Pontif í cia Universidade Cat ó lica de Minas Gerais, ó rfãos. O Esc í pio representava para n ó s a hist ó ria e a vida do Instituto de Psicologia, que ele ajudou a construir como aluno e professor. Seu nome, adotado pelos estudantes para batizar o Diret ó rio Acadêmico, nos mostra o quanto era querido por todos. Gostaria de finalizar essa pequena homenagem expressando uma percep ç ão pessoal e um sentimento: o Esc í pio foi uma das melhores pessoas que tive o privil é gio de conhecer. Que Deus o acolha, o acompanhe e ilumine, fazendo pelo Esc í pio o que ele sempre fez por todos que permitiram que ele se aproximasse e convivesse. E que a presen ç a do prof. Esc í pio em nossa Universidade nesses 44 anos possa servir como inspira ç ão para o of í cio de todos n ó s, professores, e iluminar a caminhada de nossos alunos que se dispõem a aprender alguma coisa conosco. Muito obrigado! Prof. Wanderley Chieppe Felippe Pr ó -reitor de Extensão PUC Minas

6 Texto para a abertura da XVI Jornada da Clínica Homenagem ao professor Escípio da Cunha Lobo A história da Psicologia da PUC Minas se mistura à história do Escípio. Isto não só pelos anos que ele aqui trabalhou, mas principalmente pelas marcas que ele deixa no curso e em nós. Hoje estamos abrindo a XVI Jornada da clínica. Uma clínica que foi idealizada e que teve seus primeiros passos conduzidos pelo próprio Escípio. Como ele próprio dizia, ele é a pré-história da clínica. Ele faz parte da história da Clínica, da Psicologia e de cada um de nós. Seja como professor, supervisor, colega, amigo, ele é um ponto de interseção, um ponto de encontro nas nossas vidas. Sempre coerente com seus ideais, generoso ao compartilhá-los, elegante e sábio na convivência com as diferenças. Era marcante sua alegria e desejo de estar aqui, ele sempre insistia, com fé, na formação dos alunos e no curso de Psicologia. Sempre esteve aqui como se estivesse começando. Escípio iniciou sua vida acadêmica em 1962, como aluno do recém-criado curso de Psicologia. Antes mesmo de concluir sua graduação em psicologia, tornou-se professor da então Universidade Católica de Minas Gerais. Defendia a concepção de que a Universidade tem compromisso com a formação e o desenvolvimento do aluno como pessoa. Por isso mesmo, deve oferecer-lhe as condições necessárias à sua formação pessoal e não apenas profissional. Entendia que a função essencial da psicologia e dos psicólogos é facilitar e promover o desenvolvimento de cada pessoa, na direção de mais maturidade, maior diferenciação, da atualização do que existe como possibilidade em cada um. Ser psicólogo, afirmava, é otimizar essa condição humana, porque quanto mais humano eu for, mais vou contribuir para a humanização de quem está sob os meus cuidados e de quem está à minha volta. A relação psicoterapêutica nada mais é do que uma relação humana de boa qualidade. Por este princípio pautou sua vida pessoal e profissional. Como professor procurava oferecer a cada aluno as condições necessárias para a aprendizagem, numa relação interpessoal de respeito e consideração. Insistia em que o professor deve visar à formação do aluno em todas as suas dimensões e não apenas à aquisição de conceitos, teorias, métodos e técnicas. Como supervisor, afirmava: Supervisiono o aluno e não o caso. Confiava na capacidade de cada um, deixando-lhe a liberdade de entrar em contato com sua experiência e de, a partir dela, elaborar sua maneira pessoal de ser psicólogo. Discreto, mas disponível e atento, assistia cada aluno no seu processo de tornar-se pessoa e preparar-se para ser psicólogo. Desempenhou com especial satisfação a função de supervisor no projeto de assistência psicológica ao aluno da PUC Minas, desenvolvido desde 2002 pela clínica. Os acadêmicos que conviveram com Escípio neste projeto, como estagiários voluntários, conheceram a riqueza de suas formulações teóricas e saborearam a sua sensibilidade e aprenderam com ele a sentir compaixão pelo ser humano. Mais que professor, Escípio foi mestre. Mais que erudição, Escípio tinha sabedoria. Além de colega, foi companheiro. Mais que um psicólogo humanista, Escípio foi uma pessoa plenamente humana, como ele mesmo costumava dizer. Deixou em cada um de nós uma semente de humanidade que devemos cultivar. Ana Maria Sarmento Seiler Poelman Soraia Dojas Mello Silva Carellos ORGANIZADORES:: Profª Maria Carmen Schettino Moreira; Profª Ana Maria Sarmento Seiler Poelman. COORDENAÇÃO DA CLÍNICA: Profª Suzana Faleiro Barroso e Profª Heloísa Cançado Lasmar.


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