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TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO ORAL E ESCRITA 1 Prof. Franthiesco Ballerini

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Apresentação em tema: "TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO ORAL E ESCRITA 1 Prof. Franthiesco Ballerini"— Transcrição da apresentação:

1 TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO ORAL E ESCRITA 1 Prof. Franthiesco Ballerini

2 ARGUMENTAÇÃO ARGUMENTO DE AUTORIDADE É a citação de autores renomados, autoridades num certo domínio do saber, numa área da atividade humana, para corroborar uma tese, um ponto de vista. O uso de citações, de um lado, cria a imagem de que o falante conhece bem o assunto que está discutindo, porque já leu o que sobre ele pensaram outros autores; de outro, torna os autores citados fiadores da veracidade de um dado ponto de vista. Observe a introdução de um texto de Ulisses Guimarães, em que invoca a autoridade da Bíblia, do padre Antônio Vieira, de provérbios e de Camões, para reprovar a falta de palavra do presidente Collor, que lhe prometera manter-se neutro na votação de emenda constitucional que estabelecia o sistema parlamentarista e, na surdina, trabalhou pela sua rejeição:

3 ARGUMENTO DE AUTORIDADE ‘ O FIO DO BIGODE ’ FOLHA DE S. PAULO 1991 Para nossos avós, o fio do bigode garantia a palavra empenhada. Não precisava de tabelião, firma reconhecida e testemunhas. Depilou, negócio fechado. Os bigodes rarearam, a palavra não. A Terra é filha da palavra, reza o Gênesis. O Evangelho segundo São João recorda: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”. Padre Vieira tem na agulha bala certeira: “Palavras sem obras são tiro sem bala: atroam mas não ferem. A funda de Davi derrubou o gigante, mas não o derrubou com o estalo, senão com a pedra”. Para os súditos confiantes “palavra de rei não volta atrás”. O adágio prevalece para os presidentes da República, que são os reis de plantão durante os respectivos mandatos. O fraco rei faz fraca a forte gente. Secularmente adverte Camões. [...] Presidente Collor: esse negócio de palavra é fogo. Com fogo não se brinca, principalmente chefe de governo.

4 ARGUMENTAÇÃO DE CONSENSO As matemáticas trabalham com axiomas, que são proposições evidentes por si mesmas e, portanto, indemonstráveis: o todo é maior do que a parte; duas quantidades iguais a uma terceira são iguais entre si, etc. Outras ciências trabalham também com máximas e proposições aceitas como verdadeiras, numa certa época, e que, portanto, prescindem de demonstração, a menos que o objetivo de um texto seja demonstrá-las. Podem- se usar, pois, essas proposições evidentes por si ou universalmente aceitas, para efeitos de argumentação. Por exemplo:

5 ARGUMENTAÇÃO DE CONSENSO A educação é a base do desenvolvimento. Os investimentos em pesquisa são indispensáveis, para que um país supere sua condição de dependência. Não se deve, no entanto, confundir argumento baseado no consenso com lugares-comuns carentes de base científica, de validade discutível. É preciso muito cuidado para distinguir o que é uma ideia que não mais necessita de demonstração e a enunciação de preconceitos do tipo: o brasileiro é indolente, a aids é um castigo de Deus, só o amor constrói.

6 A RGUMENTO DE PROVAS CONCRETAS As opiniões pessoais expressam apreciações, pontos de vista, julgamentos, que exprimem aprovação ou desaprovação. No entanto, elas terão pouco valor se não vierem apoiadas em fatos. É muito frequente em campanhas políticas fazerem-se acusações genéricas contra candidatos: incompetente, corrupto, ladrão etc. O argumento terá muito mais peso se a opinião estiver embasada em fatos comprobatórios. Se dissermos A administração Fleury foi ruinosa para o Estado de São Paulo, um partidário do ex- governador poderá responder simplesmente que não foi.

7 A RGUMENTO DE PROVAS CONCRETAS No entanto, se dissermos A administração Fleury foi ruinosa para o Estado de São Paulo, porque deixou dívidas, junto ao Banespa, de 8,5 bilhões de dólares, porque deixou de pagar os fornecedores, porque acumulou dívidas de bilhões de dólares, porque inchou a folha de pagamento do Estado com nomeações de afilhados políticos, porque desestruturou a administração pública etc., o partidário do ex-governador, para argumentar, terá que responder a todos esses fatos.

8 A RGUMENTO DE PROVAS CONCRETAS Os dados apresentados devem ser pertinentes, suficientes, adequados, fidedignos. Por exemplo, se alguém disser que um determinado candidato não é competente administrativamente porque não sabe português, estará fazendo um raciocínio falacioso, porque o fato de saber português não é pertinente para a conclusão de que alguém seja competente para administrar, uma vez que não há implicação necessária entre o conhecimento linguístico de alguém e a qualidade de bom administrador.

9 A RGUMENTO DE PROVAS CONCRETAS Por outro lado, se alguém diz que todo político é ladrão, porque a imprensa divulgou que dezenas de deputados fizeram emendas ao orçamento para tirar proveito pessoal, os dados são insuficientes para fazer a generalização, pois do fato de alguns (ou muitos) terem sido apontados como desonestos não decorre necessariamente que todos o sejam. Aliás, é preciso tomar muito cuidado com esses argumentos que fazem apelo a uma totalidade indeterminada, pois basta um único caso em contrário, para derrubá-los.

10 A RGUMENTO DE PROVAS CONCRETAS Se alguém diz Nenhum europeu toma banho todos os dias, basta que se cite um que o faça, para que o argumento deixe de ter validade. No geral, essas generalizações feitas com base em dados insuficientes revelam apenas nossos tabus e preconceitos. Se um determinado candidato diz que seu adversário é racista, porque, quando era diretor de uma certa companhia, não permitia que se contratassem funcionários negros, essa afirmação, a menos que venha acompanhada de provas, será considerada não fidedigna, pois quem a veicula tem interesse em desmoralizar a pessoa que está sendo acusada.

11 A RGUMENTO DE PROVAS CONCRETAS Se o prefeito de São Paulo diz que é preciso investir em pontes, viadutos, túneis e alargamento de ruas e avenidas, para melhorar o transporte coletivo, uma vez que, se o fluxo do tráfego aumentar, crescerá também a velocidade dos ônibus, seu argumento é fraco. Veja que se pode rebatê-lo, dizendo que nele não se relacionam dados adequados, visto que a melhoria da velocidade do transporte coletivo se faria, na verdade, com um custo mais baixo, implantando-se corredores exclusivos de ônibus e restringindo-se a circulação do transporte individual.

12 A RGUMENTO DE PROVAS CONCRETAS

13 Por constituir um recurso quase irrespondível numa argumentação, a fotografia pode ser usada também para forjar supostas provas concretas. Um dos episódios mais marcantes da doença de Tancredo Neves foi a tentativa de, por meio de uma foto, convencer a população da melhora de seu estado de saúde. Quem olha a imagem não percebe que, atrás do sofá, esconde-se uma enfermeira responsável por segurar um frasco de soro, medicamento que não podia deixar de ser ministrado, dada a gravidade do estado de saúde do presidente eleito. A farsa não pôde ser sustentada, e Tancredo faleceu um mês depois.

14 A RGUMENTO DE PROVAS CONCRETAS Não se podem fazer generalizações sem apoio em dados consistentes, fidedignos, suficientes, adequados, pertinentes. As provas concretas podem ser cifras e estatísticas, dados históricos, fatos da experiência cotidiana etc. Esse tipo de argumento, quando bem feito, cria a sensação de que o texto trata de coisas verdadeiras e não apresenta opiniões gratuitas. Veja este texto, em que se acusa a Central Brasileira de Medicamentos de realizar compras com preços superfaturados e se comprova o superfaturamento com publicações do Diário Oficial e com notas de empenho assinadas pelo presidente do órgão:

15 A RGUMENTO DE PROVAS CONCRETAS É o que acaba de fazer, com dinheiro da Central de Medicamentos, Antônio Carlos dos Santos, presidente dessa estatal apanhado em flagrante de compras irregulares com custo bilionário. O leitor que me desculpe, mas se trata, ainda, da compra de litros de inseticida por Cr$ ,00, ao preço, portanto, de Cr$ ,00 por litro. Notícia cuja veracidade está comprovada no Diário Oficial de 19 de abril e na “nota de empenho” com que o presidente da Ceme liberou a verba. Jânio de Freitas. Folha de S. Paulo, 14 maio p. 1-5

16 A RGUMENTO DE RACIOCÍNIO LÓGICO Além de ser mais chique, do ponto de vista ideológico, o seminário é mais cômodo para ambos os lados: nem o professor prepara a aula, nem o aluno estuda, e ambos entram com sua cota de “participação crítica”. O mais grave é que onde esse processo se instalou não há como revertê-lo, pois as facilidades se transformam em direito adquirido. (...) Já que o mundo passa por uma histeria de volta ao passado, ao menos em relação ao que parecia “futuro” nos anos 60, talvez fizéssemos bem em rever grande parte das mudanças do ensino nestes 30 anos. Porque os resultados, mesmo nas boas escolas, não parecem encorajadores. A ideologia do ensino crítico está produzindo gerações de tontos. A lassidão, o vale-tudo, a falta de autoridade professoral desestimula a própria rebeldia do estudante. Folha de S. Paulo, 17 nov. 1994, p. 1-2.

17 A RGUMENTO DE RACIOCÍNIO LÓGICO Um dos defeitos na argumentação com base no raciocínio lógico é fugir do tema. Esse expediente é muito usado por políticos, para evitar questões embaraçosas, ou advogados, quando não têm como refutar as acusações imputadas a seu cliente. Um prefeito da capital paulista a quem perguntaram por que, em seu governo, uma determinada obra pública estava custando tão caro, respondeu que ela seria muito importante para a cidade, porque eliminaria as enchentes numa dada região. Um homem matou sua mulher por ciúmes, como ficara comprovado. Seu advogado, para comover os jurados, começa a dizer que o acusado era um homem trabalhador, um cidadão exemplar, um pai dedicado, uma pessoa sempre disposta a ajudar os amigos.

18 A RGUMENTO DE RACIOCÍNIO LÓGICO Cabe lembrar enfaticamente que esse procedimento é um defeito de argumentação apenas do ponto de vista lógico. Da perspectiva da persuasão em sentido amplo, pode ser eficaz, pois pode convencer os ouvintes, levando-os a relacionar aquilo que não tem relação necessária.

19 A RGUMENTO DE RACIOCÍNIO LÓGICO Outro problema é a tautologia (erro lógico que consiste em aparentemente demonstrar uma tese, repetindo-a com palavras diferentes), que ocorre quando se dá, como causa de um fato, o próprio fato exposto em outras palavras. Apresenta-se, nesse caso, a própria afirmação como causa dela mesma, toma-se como demonstrado o que é preciso demonstrar. Por exemplo: o fumo faz mal à saúde porque prejudica o organismo (prejudicar o organismo é exatamente fazer mal à saúde); essa criança é mal-educada porque os pais não lhe deram educação.

20 A RGUMENTO DE RACIOCÍNIO LÓGICO Outro problema é tomar como causa, explicação, razão de ser de um fato o que, na verdade, não é causa dele. Uma causa é alguma coisa que ocasiona outra. Por isso, é preciso que haja uma relação necessária entre ela e seu efeito. Frequentemente, usa-se como causa de um fato algo que veio antes. Ora, o que vem depois não é necessariamente efeito do que aconteceu antes. Quando se passa debaixo de uma escada e, depois, se cai e se quebra uma perna, não se pode concluir que passar debaixo da escada é causa do acidente. As superstições baseiam-se nessa falsa causalidade. Nada é pior para convencer do que um texto sem coerência lógica, que diz e desdiz-se, que apresenta afirmações que não se implicam umas às outras, que está eivado de contradições.

21 ARGUMENTO DE COMPETÊNCIA LINGÜÍSTICA Em muitas situações de comunicação (discurso político, religioso, pedagógico etc.) deve-se usar a variante culta da língua. O modo de dizer dá confiabilidade ao que se diz. Utilizar também um vocabulário adequado à situação de interlocução dá credibilidade às informações veiculadas. Se um médico não se vale de termos científicos ao fazer uma exposição sobre suas experiências, desconfiamos da validade delas. Se um professor não é capaz de usar a norma culta, achamos que ele não conhece sua disciplina. Além disso, contribui para persuadir a utilização de diferentes mecanismos linguísticos (alguns deles serão estudados nas próximas duas lições).

22 ARGUMENTO DE COMPETÊNCIA LINGÜÍSTICA Hélio Schwartsman, num artigo intitulado “FHC, o filme”, publicado na Folha de S. Paulo de 10/1/1995, p. 1-2, quer convencer o leitor de que foi um equívoco do presidente Fernando Henrique Cardoso ter sancionado a lei de biossegurança, porque ela “consegue, a um só tempo, proibir no Brasil a principal aplicação da terapia genética (...), dificultar a vida dos casais que desejam um bebê de proveta (...) e não criar nenhum mecanismo efetivo contra abusos no campo da engenharia genética”. Observe, no trecho que vem a seguir, o valor argumentativo do uso, em latim, de uma expressão vulgar em português:

23 ARGUMENTO DE COMPETÊNCIA LINGÜÍSTICA Não sou biólogo e tenho que puxar pela memória dos tempos de colegial para recordar a diferença entre uma mitocôndria e uma espermatogônia. Ainda lembro bastante para qualificar a canetada de FHC de “defecatio maxima” (este espaço é nobre demais para que nele se escrevam palavras de baixo calão, como em latim tudo é elevado...).

24 E STRATÉGIAS PERSUASIVAS

25 T IPOS DE ESTRATÉGIAS PERSUASIVAS A estratégia baseada no receptor é aquela que cria imagens favoráveis daquele a quem se deseja persuadir. O Banespa criou há alguns anos uma publicidade do cheque especial, em que mostrava pessoas cometendo toda sorte de grosserias e, depois, o apresentador comentava que elas não tinham cheque especial Banespa. Com isso, o que se queria era criar uma imagem favorável do usuário do cheque especial: você é bem-educado, fino etc. O discurso publicitário faz largo uso dessa estratégia.

26 T IPOS DE ESTRATÉGIAS PERSUASIVAS A estratégia baseada no referente é aquela que cita provas concretas, dados da situação, estatísticas, experimentos, dados da realidade, conhecimento do mundo. É a estratégia básica, por exemplo, dos editoriais de jornais. No entanto, mesmo alguns discursos publicitários se valem dela. A Vila Romana publicou em 1992 um anúncio que dizia: 25 de Dezembro com Preço da 25 de Março. Para entender essa publicidade, é preciso conhecer um dado do comércio de São Paulo: a 25 de Março é uma rua onde está um comércio popular, de baixos preços.

27 T IPOS DE ESTRATÉGIAS PERSUASIVAS A estratégia baseada na mensagem é aquela que procura convencer com base na construção rigorosamente concatenada do texto ou na articulação textual bem feita. Um enunciado bem construído fala por si mesmo. Por exemplo: Motoqueiro, o capacete é sua segurança. Ponha isso na sua cabeça (outdoor da campanha de segurança no trânsito).

28 T IPOS DE ESTRATÉGIAS PERSUASIVAS A estratégia baseada no código é aquela que busca explorar as oposições linguísticas, os significados antigos das palavras, as virtualidades da língua. Veja este anúncio publicitário: Finalmente uma revista semanal que trata a mulher como dona da casa, não de casa. Dia 26 nas bancas (Folha de S. Paulo, 17 abr. 1992). Toda força argumentativa desse anúncio está na oposição entre dona de casa e dona da casa, que se baseia, por sua vez, na ausência e presença do artigo definido. Dona de casa significa “mulher que dirige o lar”, dona da casa é “proprietária da casa”. A presença/ausência de artigo definido para distinguir significados é um mecanismo do português. Aparece, por exemplo, em Rua de ouro e Rua do Ouro.

29 T IPOS DE ESTRATÉGIAS PERSUASIVAS A estratégia baseada no canal é aquela que valoriza o veículo transmissor. É frequente no discurso do senso comum dar como prova da veracidade de um fato o seguinte argumento: Deu na televisão... Observe como no texto abaixo a estratégia argumentativa se baseia na autoridade de meios de comunicação e personalidades de prestígio: Mas Tom Jobim era também uma unanimidade universal, digno da reverência de músicos norteamericanos, ingleses, franceses, italianos, de jornais como o N. Y. Times, o Corriere della Sera, da Itália, ou de especialistas em jazz nos EUA e Europa.

30 T IPOS DE ESTRATÉGIAS PERSUASIVAS Certas estratégias argumentativas baseiam-se em mais de um fator. Um deles, no entanto, é dominante. Para tornar o texto convincente, pouco adiantam manifestações de sinceridade do autor ou declarações de certeza expressas por construções c o m o tenho certeza, estou seguro, creio sinceramente, afirmo com toda convicção, é claro, é óbvio, é evidente. Num texto, não se prometem sinceridade e convicção. Constrói-se o texto de forma que ele pareça sincero e verdadeiro. A argumentação é exatamente a exploração de recursos com vistas a fazer o texto parecer verdadeiro, para levar o leitor a crer.

31 EXERCÍCIO G1 e G2 – Produzir texto ou imagem de Argumento de Consenso G3 e G4 – Produzir texto ou imagem de Argumento de Autoridade G5 – Produzir texto ou imagem de Argumento de Provas Concretas G6 e G7 – Produzir texto ou imagem de Argumento de competência linguística


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