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O LABIRINTO Poema de Antonio Miranda Ilus. José Campos Biscardi O LABIRINTO Poema de Antonio Miranda.

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1 O LABIRINTO Poema de Antonio Miranda Ilus. José Campos Biscardi O LABIRINTO Poema de Antonio Miranda

2 Então cerravas os olhos. E os cerravas, oh labirinto! para não ver. Romper/ foi preciso lógicas e guardados, irrisórias horas desviver, tantos fogos avivar. XAVIER PLACER O LABIRINTO Poema de Antonio Miranda

3 I O vento deslizante pelos meandros arbóreos farfalhante, estilhaços de luz, contornando esquinas vegetais, na obliqüidade da tarde em que vagueio ensimesmado e triste, emparedado: torpor e vacuidade. Deve haver uma saída, em algum lugar distante. O LABIRINTO Poema de Antonio Miranda 1/4

4 Entre paredes maciças, por caminhos infindos. Arfando, sôfrego, indeciso, lerdo, deambulando. O céu a intervalos, o tempo em frangalhos. As alamedas estreitas, abafadas, úmidas, sombrias. As analogias impraticáveis, os diálogos estancados. Uma alteridade de estranhamentos indevassáveis. Hermetismo. Pensamentos insondáveis. Abandono. É difícil avançar pelas aléias despistadoras. Signos truncados, cul de sac, sinais trocados. O LABIRINTO Poema de Antonio Miranda 2/4

5 II Um labirinto infinito que termina quando recomeça Que é o princípio de seu próprio fim: eterno! Um desvão secreto, um epicentro inalcançável Enquanto, perdido, ouço a própria voz distante. Aonde me levam estas trilhas tortuosas? A que desertos, desterros, a que ares represados? Tantos rostos irreconhecíveis, corpos ausentes! Quantos atropelos, quantas negações insidiosas! E eu a errar por espaços contidos, viciados. O LABIRINTO Poema de Antonio Miranda 3/4

6 Qual a direção deste vento aprisionado? Os muros bifurcam-se, fecham-se, multiplicam-se em outros muros mais adiante: são os mesmos no círculo vicioso de uma vida programada que devora e recicla, ad infinitum, sua mesmice Publicado originalmente no livro Retratos & Poesia Reunida (Brasília: Thesaurus, 2004). O LABIRINTO Poema de Antonio Miranda 4/4


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