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Centro de Combate à Violência Infantil Curso de Capacitação no Enfrentamento da Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes.

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Apresentação em tema: "Centro de Combate à Violência Infantil Curso de Capacitação no Enfrentamento da Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes."— Transcrição da apresentação:

1 Centro de Combate à Violência Infantil Curso de Capacitação no Enfrentamento da Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes

2 VIOLÊNCIA SEXUAL

3 Marco Conceitual Marco Científico Marco Cultural VIOLÊNCIA SEXUAL

4 Marco Conceitual

5 Marcas do Abuso Sexual Doméstico contra Crianças Relação adultocêntrica Relação desigual e hierárquica de poder Criança é um objeto que trás prazer e alívio sexual.

6 O sexo do meu pai sobre o meu priva-me de toda a humanidade, eu já não existo. É ele quem comanda meus gestos, não posso resistir, já estou morta. Roubou-me os comandos do meu cérebro. Já não sei mais dizer não a um homem. Basta uma palavra, um olhar de autoridade para eu me tornar dócil, submissa. Sou prisioneira do desejo do outro, presa fácil, sem defesa. Saffioti, 1997.

7 Modalidades de Violência Sexual Abuso sexual intrafamiliar Abuso sexual extrafamiliar Exploração sexual comercial Neste módulo: Abuso sexual intrafamiliar, tecnicamente chamado de incesto.

8 Classificação de Incesto Para a maioria dos doutrinadores a relação sexual será considerada incestuosa quando: O agressor fizer parte da composição familiar: Ex: pai, mãe, avós, tios, padrasto, cunhado, etc Considera-se família: a) Pessoas unidas por laços de consangüinidade b) Pessoas unidas por laços legais Ex: Família adotiva e substituta Kornfield (2000) alarga o conceito de incesto: Incesto intrafamiliar Incesto polimorfo ou extrafamiliar

9 Conceito de Incesto Todo ato de natureza erótica Com ou sem contato físico Com ou sem uso de força Entre um adulto ou adolescente mais velho e uma criança ou adolescente Unidos por vínculos de consangüinidade, afinidade ou responsabilidade.

10 Marco Científico

11 Contato sexual gravíssimo 24% das vítimas Relação genital Sexo analSexo oral Abuso com contato físico com ou sem violência

12 Contato sexual grave 40% das vítimas Contato manual com os órgãos sexuais descobertos, com ou sem penetração de dedos Contato com os seios desnudosSimulação de relação sexual interfemoral Abuso com contato físico com ou sem violência

13 Contato sexual menos grave 36% das vítimas Beijos eróticos Toque sexualizado nas nádegas, coxas, pernas, ou genitais e seios cobertos Abuso com contato físico com ou sem violência

14 Abuso sem contato físico Forma verbalizada Sedução sutil Descrição de práticas sexuais Uso contínuo de linguagem sexual Uso de termos sexuais codificados que só a vítima discerne o significado (palavras de duplo sentido)

15 Forma visualizada Exibição sensual dos órgãos genitaisDeixar a vítima presenciar relações sexuaisColocar a vítima em contato com materiais pornográfico (revistas, filmes, etc) Espionar ou olhar de forma ostensiva partes do corpo da vítima Abuso sem contato físico

16 Método Usado no Abuso Sexual Sadismo O O agressor necessita provocar dor na vítima Esta dor pode ser física ou emocional: a) Dor física: espancamento, cortes, queimaduras, etc. b) Dor emocional: humilhar, imprimir pânico, etc Intensidade pode variar de níveis: a) Simples fantasia b) Tortura e flagelação bárbara.

17 Eu tinha de fazer tudo que ele me mandava. Muitas vezes isso significava que ele colocava seu pênis ou outros instrumentos dentro de mim. Se eu fosse boazinha, então a situação ia melhorar. Se eu não fizesse as coisas exatamente como ele queria, ele urinava em mim. Até me fez comer o excremento dele quando eu não era boazinha. Mas descobri que, à medida que o tempo passava, eu nunca conseguia ser suficientemente boazinha. Muitas vezes ele me violentava de todas as maneiras possíveis e depois ia embora, deixando-me para que me limpasse a fim de poder entrar novamente em casa. Langberg (2002)

18 Não emprega o uso da força física A vítima consente no abuso sexual através de violência psicológica. Área emocional abalada As ameaças variam de foco, podendo recair sobre a pessoa da própria vítima ou sobre pessoas que ela ama Quanto menor a idade da vítima, mais a ameaça surtirá efeito. Caso da gatinha Método Usado no Abuso Sexual Ameaça

19 Quanto maior for o grau de habilidade do agressor menor será o uso de força ou ameaça. Os sentimentos são manipulados através: Promessas / Presentes / Favores / Privilégios. A criança não tem culpa. Ela ainda não tem condições emocionais para se proteger de um ataque sedutor de um adulto experiente e manipulador Método Usado no Abuso Sexual Indução da vontade

20 ... nas classes mais pobres, o pai joga a filha numa cama, põe uma faca, um canivete, um revólver, a arma que tiver, ao lado da cama e estupra a filha e diz: Se você abrir a boca, eu mato você, mato a sua mãe, todos os seus irmãos. A menina vive sob ameaça concreta. Agora, é muito pior nas camadas privilegiadas. Não se ameaça com revólver nem com faca. Não há ameaça. O que há é um processo de sedução que, ao meu ver, é muito mais deletério para a saúde emocional da criança que a ameaça grave. Porque o pai vai seduzindo, ele vai avançando nas carícias – eu digo o pai porque é a figura mais freqüente, mas isso não impede que seja o avô, o tio, o primo, o irmão, etc. – e é muito difícil para uma criança distinguir entre a ternura e o afago com fins genitais. Saffioti (1995: 23)

21 Formas de Abuso Sexual Exibicionismo O abusador necessita de platéia Satisfação sexual em chocar Voyeurismo O agressor tem prazer sexual em olhar

22 Formas de Abuso Sexual Estupro Penetração vaginal é obrigatória Uso da violência ou grave ameaça Vítima menor 14 anos / V. Presumida Vítimas sexo feminino Agressor sexo masculino Ato pode ser praticado só por um agressor ou por um grupo de pessoas. Vítima pode ser virgem ou prostituta

23 Formas de Abuso Sexual Atentado violento ao pudor Vítima e agressor Ambos os sexos Pratica de atos libidinosos diverso da conjunção carnal Violência ou grave ameaça Vítima menor de 14 anos/ V. Presumida Exemplos: coito anal, masturbação, sexo oral, beijos erotizados, toques sexualizados nas nádegas, coxas, pernas, genitais e seios, etc

24 Marco Cultural

25 Mitos Historicamente Constituídos Mito As crianças possuem imaginação fértil e inventam estarem sendo vítimas de abuso sexual Verdade Só 8% das crianças mentem. ¾ das histórias inventadas pelas crianças são induzidas por adultos

26 Mitos Historicamente Constituídos Mito Mito O abusador sexual é um psicopata, um tarado que todos reconhecem na rua. Verdade 85% a 90% dos agressores são pessoas conhecidas das crianças. 70% são pais Ex: Prof. Universitário

27 Mitos Historicamente Constituídos Mito Vitimização sexual de crianças é algo raro e jamais acontecerá com meus próprios filhos Verdade 1 em 3 a 4 meninas 1 em 6 a 10 meninos serão vítimas de abuso sexual até a idade de 18 anos

28 Mitos Historicamente Constituídos Mito O tempo cura. A criança vitimizada sexualmente esquecerá a experiência. Verdade A criança nunca esquecerá um abuso sexual do qual foi vítima.

29 Quando uma criança sofre um choque emocional doloroso, ao qual não tem condições de agüentar, ela pode reagir reprimindo em nível psíquico, jogando para o porão de sua memória, escondendo a dor. É um mecanismo de defesa efetivo, que protege a criança para que possa sobreviver a experiência. A dor e as lembranças, portanto, não desaparecem. Ainda estão lá, guardadas no inconsciente da vítima....As vezes, como citamos anteriormente, há uma amnésia total. No entanto, o abuso ainda vive no plano inconsciente. Mesmo inconscientemente, o peso esmagador dessa dor atrapalha a vida, gerando depressão, desejo de suicídio, reações desproporcionais à situações normais da vida, e muitas vezes uma inabilidade de participar integralmente da vida. Kornfield (2000)

30 Mitos Historicamente Constituídos Mito Quando a criança não esboçar uma resistência, na realidade não existe abuso sexual. Verdade A criança nunca deve ser vista como culpada.

31 Abuso de poder Traição da confiança Presença da violência psicológica Imposição do sigilo da vítima Nível sócio-econômico igual (vítima/agressor) Principais Características do Incesto

32 Dados Estatísticos Idade em que o abuso sexual se inicia: Seis e doze anos. LANGBERG (2002) Idade em que o abuso é mais freqüente: 8 – 12 anos. AZEVEDO e GUERRA (2000) Na exploração sexual de crianças e adolescentes o Brasil ocupa: 1º lugar na América do Sul 2º lugar no mundo (só perde da Tailândia) 80% das crianças vítimas de exploração sexual comercial foram vítimas de incesto. DIMENSTEIN (1996)

33 1/3 das notificações de abuso sexual, as vítimas têm 5 anos ou menos. AZEVEDO e GUERRA (2000) A maioria abusadores sexuais incestuosos é de famílias desajustadas. 20% a 35% dos agressores sexuais foram abusados sexualmente quando criança. 50% dos agressores sexuais foram vítimas de maus-tratos físicos + abuso psicológico. Dados Estatísticos

34 35% das famílias incestogênicas abusam de álcool. A maioria dos abusadores sexo masculino A maioria das vítimas sexo feminino Incesto mais freqüente pai + filha Uma minoria sofre distúrbios psiquiátricos Dados Estatísticos

35 Fases do Abuso Sexual Intrafamiliar Fase 1 Envolvimento Oferecimento de privilégios especiais Quanto (+) hábil o abusador, menor a coação Essa fase pode durar minutos, meses ou anos antes da consumação do ato físico Famílias incestogênicas: a força ou ameaça é a forma de interação entre seus membros.

36 Fases do Abuso Sexual Intrafamiliar Fase 2 Interação sexual Início: brincadeiras e exibicionismo. Abuso nas formas verbalizada e visualizada. É difícil o reconhecimento do abuso nesse período. A criança tem dificuldade em diferenciar ainda os toques saudáveis dos toques lascivos e sexualizados.

37 Fase 3 Abuso sexual com contato físico Gravíssimo: Relação genital, oral ou anal, com ou sem violência Grave: Contato manual com os órgãos sexuais descobertos (com ou sem penetração de dedos) Contato com os seios desnudos (forçado ou não) Simulação de relação sexual interfemural (forçada ou não) Menos grave : Beijos eróticos (forçados ou não), Toque sexualizado nas nádegas, coxas, pernas ou genitais e seios cobertos (forçados ou não) Fases do Abuso Sexual Intrafamiliar

38 Fase 4 Sigilo a) a)Depois que a criança já foi iniciada sexualmente (forma física, verbal ou visualizada), seu agressor passa a utilizar seu poder intimidatório a fim de manter o silêncio da mesma. a) a)Durante essa fase, para se obter o sigilo da vítima, são comuns a utilização de ameaças, bem como a repetição do abuso sexual. Fases do Abuso Sexual Intrafamiliar

39 Num dia de verão quando eu tinha sete anos, eu estava trabalhando na cozinha com mamãe. A minha maneira tentei dizer a mamãe que papai estava me ferindo. Mas mamãe não se preocupou. Ela gritou comigo por até pensar qualquer coisa má sobre papai e disse que jamais queria ouvir outra palavra de mim sobre o assunto. Ela simplesmente esquivou-se, dando de ombros. Ela não me amava. Não se importava com o que acontecia comigo, e isso me arrasou. Ninguém se importava. Ninguém me amava. Ninguém me queria. Eu desejava morrer. Já não havia nenhuma razão para ter esperança, porque se mamãe não podia ajudar, então quem poderia? Langberg (2002)

40 Violência do marido Escândalo e pivô de piadas Perder a guarda dos filhos Não ser capaz de defender sua criança Sustento financeiro da prole Medo de perder o companheiro Causas mais comuns do medo da mulher em denunciar o cônjuge abusador

41 Criança não revela a prática incestuosa de que é vítima devido o medo a) a) De ser atingida na sua integridade física se você contar para alguém eu te mato b) Das pessoas a considerem culpada e suja se você contar à mamãe ela vai ficar muito zangada c) De ser afastada da família e internada em um abrigo se você contar para alguém, vão te mandar embora d) De que o agressor fira as pessoas que ela ama se você contar eu vou me vingar em sua irmãzinha e) De ser acusada de mentirosa se você contar, ninguém vai acreditar

42 Fase 5 Revelação a) Revelação acidental A identificação do abuso pode acontecer mediante a visualização de danos físicos causados à criança. Ex: sangramentos da vagina e ânus, presença de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, etc. b) Revelação proposital Um dos participantes envolvidos (geralmente a criança) decide contar a alguém o segredo. Fases do Abuso Sexual Intrafamiliar

43 Fase 6 Supressão A maioria das familiares, após a fase da revelação, passa a negar o incesto (Confirma o abuso) Fase do inquérito policial (Nega o abuso) Fase processual O agressor é acobertado pelos parentes Fases do Abuso Sexual Intrafamiliar

44 Perfil da Família incestogênica Despotismo Ausência de limites Confusão de papeis Desgaste dos valores

45 Perfil da vítima Meninas são abusadas com > freqüência A vítima ao tornar-se adulta, poderá: a) Abusa de seus filhos diretamente b) Casar com um abusador sexual c) Passa a ter um comportamento disfuncional e neurótico em seus relacionamentos

46 O grau de traumatização pode oscilar de acordo com os fatores Prática abusiva freqüente e de longa duração Grande grau de intimidade e parentesco entre o agressor e a vítima Diferença acentuada da idade entre o abusador e a criança Abuso sexual envolvendo contato físico e qualquer tipo de penetração

47 O grau de traumatização pode oscilar de acordo com os fatores. Presença de sadismo e violência na prática incestuosa. Desamparo e desprezo demonstrado à criança quando o abuso é revelado. Falha no atendimento institucional, provocando a revitimização da criança.

48 Sinais físicos identificadores de possível abuso sexual em criança Roupas rasgadas ou manchadas de sangue. Erupções na pele, vômitos e dores de cabeça sem qualquer explicação médica. Dificuldade em caminhar. Apresenta nas áreas genitais ou anais: dor, inchaço, lesão ou sangramento. (Val) Infecção urinária.

49 Secreções vaginais ou penianas. Doenças sexualmente transmissíveis. Autoflagelação. (Caso aluna apanhava dos colegas) Comportamento agressivo, raivoso, com alternâncias de humor. Desagrado ao ser deixada sozinha(o) com alguém. Caso (Avô) Sinais físicos identificadores de possível abuso sexual em criança

50 Sinais de mudança de comportamento da criança Regressão/ comportamento muito infantil: necessidades fisiológicas na roupa, chupar dedo, choro excessivo Alega ter sido molestada(o) sexualmente Segredos e brincadeiras isoladas com adulto Idéias e tentativas de suicídio, depressões crônicas, psicoses Distúrbios no sono: medo do escuro, gritos

51 Vítima de exploração sexual Toxicomania e alcoolismo Distúrbio no aprendizado Masturbação visível e contínua Conhecimento sexual inapropriado para idade Arredio em demasia com os adultos Sinais de mudança de comportamento da criança

52 É muito possessivo Enfrenta dificuldades conjugais Acusa a criança de promiscuidade Crê que o contato sexual é forma de amor filial Mente, quando descoberto, apontando outros agressores Perfil do agressor no incesto

53 Usa de autoridade, manipulação ou superioridade física para subjugar a criança Abusa de drogas e/ou álcool Teme ser descoberto e castigado, mas não sente culpa Perfil do agressor no incesto

54 Perfil do agressor no incesto polimorfo Pessoa de aparência normal, geralmente amável Gosta de ficar com a criança longe da vigilância de outros adultos Usa de manipulação, presentes, privilégios ou violência para conseguir o que quer

55 Medo de relacionamento e intimidade com outros adultos Pode ser dependente de drogas e/ou álcool Pode ser doente mental/problemas emocionais graves Quando criança foi, possivelmente, vítima de abuso sexual Perfil do agressor no incesto polimorfo

56 A vítima busca compensar ou diminuir o medo e a ansiedade através: Consumo exagerado de drogas/ álcool / comida Prática exagerada de sexo Esbanjamento de dinheiro, presentes Idéias e/ ou tentativa de suicídio Automutilação (A dor tem o poder de aliviar o medo e a angústia) Seqüelas do Abuso Sexual Plano Físico

57 As que infringem maus tratos a si próprias descrevem o processo como começando com agitação e ansiedade arrasadoras, seguidas por uma compulsão de atacarem a si mesmas de alguma maneira. A conseqüência é um estado de dissociação, de modo que os flagelos no início parecem não produzir nenhuma dor, quase como se tivessem recebido uma anestesia. Em algum ponto do ataque é produzida uma sensação de calma, e logo o ataque cessa. O processo é muito semelhante a experiência do abuso na infância. As sobreviventes falam com freqüência de que se intensificam a ansiedade e a agitação quando sentiam o violentador começar ou fazer sinais de que se aproximaria. Os sentimentos ficavam intoleráveis quando o perpetrador se aproximava e começava o abuso. A vítima se afastava pelo processo da dissociação, de forma que não precisava sentir a dor. Ela retornava quando o abuso chegava no fim e se instalava a calma. Isso se tornou o ciclo regulador de sua vida, e continua assim. Langberg (2002)

58 Sentimento de vergonha e profunda rejeição por si mesmo Medo de investir em relacionamentos Seqüelas do Abuso Sexual Plano Emocional Igualmente estava claro que eu me odiava e detestava, acreditando no que me havia sido dito repetidamente como criança – que ninguém jamais me quereria para qualquer outra coisa, além de sexo, que eu era lixo, que nada de bom jamais sairia de mim, que nunca alguém realmente me amaria. LANGBERG (2002)

59 Problemas evidenciados na área sexual como conseqüência do abuso Prazer sexual através de atos e cenas bizarras Vício por sexo/ múltiplos parceiros Aversão à prática do ato sexual Sadomasoquismo Prática compulsiva da masturbação Prostituição Homossexualismo e lesbianismo Desenvolve o desejo sexual por crianças quando se tornam adultos

60 Seqüelas do Abuso Sexual/ Plano Espiritual Às vezes até mesmo nos domingos quando estávamos na igreja, ele me levava até a sala da caldeira e me violentava ali. Ele me dizia que Deus lhe ordenou que fizesse isso, que era correto, que era isso o que eu precisava para aprender a ser uma verdadeira mulher. Ele me disse que Deus lhe ordenou que me ensinasse sobre essas coisas. À noite eu chorava no travesseiro. Clamei a Deus para que parasse com tudo. Lembro-me do dia na escola dominical em que nosso professor nos disse que se orássemos, Deus responderia nossas orações. E eu orei. Orei arduamente. Mas o abuso nunca parou. Na realidade, eu até orava quando ele estava me violentando, mas isso não o detinha. Parecia que ficava pior. Quem era Deus? Com certeza não era um Deus de amor, e ele certamente não me amava. Ela amava mais meu papai, é o que parecia. Papai sempre conseguia o que queria. LANGBERG (2002)

61 Seqüelas do Abuso Sexual Plano Espiritual Ódio: porta aberta Perdão: ponte para a cura A cruz nos revela o tipo de mundo em que vivemos e o tipo de Deus que nós temos

62 A dinâmica do atendimento multidisciplinar

63 1ª Fase: Notificação A notificação pode ser feita através de: Pessoa Física: Anonimamente ou pessoalmente Equipamentos Sociais:Creches, escolas, hospitais, postos de saúde, igrejas, OGS, ONGs Procedimentos que devem ser adotados: 1º Passo: preencher uma ficha anotando o maior número possível de informações para repassar as informações para equipe técnica

64 2º Passo: Após o recebimento da denúncia de abuso sexual teremos três caminhos a seguir Hipótese 1: Quando a notificação é feita pelo responsável legal da vítima, o notificante deve ser orientado a REGISTRAR UM BOLETIM DE OCORRÊNCIA NA DELEGACIA. Hipótese 2: Caso o denunciante deseje permanecer anônimo, o profissional de plantão deverá convencê-lo a deixar seu endereço e telefone de contato, assegurando que a denúncia será registrada como anônima. Hipótese 3: Quando a notificação é feita por pessoa que aceita se identificar, mas que não pertence a família. O técnico de plantão deverá anotar todos os seus dados.

65 Tome Nota Exemplo em que a denúncia anônima é insuficiente a) Criança vitimizada possui idade muito baixa b) Natureza do abuso (ex: sexo oral) não se tenha evidências físicas do mesmo e o notificante tenha presenciado o fato delituoso. Caso a notificação seja feita ao conselho tutelar O denunciante, juntamente com a vítima e seu responsável legal devem, acompanhados por um conselheiro ou técnico, se dirigir até a delegacia de polícia a fim de registrarem o B.O.

66 Caso a notificação tenha sido efetuada na escola ou outro aparelho social O técnico da instituição deverá acompanhar o notificante diretamente a delegacia ou ao conselho tutelar, a fim de que sejam tomadas todas as providências cabíveis. Atenção: Esse cuidado se faz necessário, para evitar que o notificante, sem apoio institucional, desista de prosseguir na apuração do crime. Tome Nota

67 Fique Atento O boletim de ocorrência deve ser registrado preferencialmente delegacia especializada. Não havendo, deve-se orientar o registro do B.O. em uma delegacia comum ou da mulher (caso exista). Se a notificação tiver sido feita pela mãe da vítima e esta também tiver sofrido violência, a mesma deve ser orientada a registrar paralelamente um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher (ou delegacia comum)

68 Se, por negligência ou intenção de acobertar o abusador, os pais ou os responsáveis pela criança ou adolescente não registrarem o Boletim de Ocorrência, o fato deve ser relatado ao conselho tutelar e/ou ao Ministério Público Fique Atento

69 A dinâmica do atendimento multidisciplinar Se a denúncia feita anonimamente ou por pessoa que não pertence ao núcleo familiar 2ª Fase: Visita de investigação Escuta de Apoio Equipe de visitadores, formada por dois técnicos, deve ser indicada para realizar a primeira visita a família. Antes de efetuar a visita de averiguação na família (Será útil visitar a escola da criança e conversar com seus professores) Atenção: Durante as visitas, principalmente na vizinhança, deve-se evitar comentários acerca da suspeita de abuso.

70 A equipe visitadora deve apresentar-se e declarar o nome da instituição a qual pertence. É importante tomar muito cuidado com esse primeiro contato. Geralmente não é a família que efetuou a denúncia e logo ela não sabe conscientemente o motivo da visita. O assunto da suspeita de abuso sexual não deve ser mencionado no início da reunião. O objetivo principal desse primeiro contato é a formação do vínculo com a família incestogênica. Para quebrar o gelo os técnicos poderão discutir, por exemplo, situações como registro de nascimento das crianças, projetos governamentais que as famílias têm direito, como o Bolsa-Escola, etc... Tome Nota

71 Nessa primeira visita, comumente chamada de escuta de apoio, os técnicos devem observar as condições sócio econômicas da família. Detalhes acerca da moradia devem ser anotados. A distribuição dos cômodos, o espaço reservado na casa para trocas de roupa, a existência ou não de portas nos quartos, tudo isso poderá ser elucidativo para delinear o perfil dessa família. Tome Nota

72 No final da primeira visita, os técnicos devem marcar a ida da família a instituição ou conselho tutelar. Caso o vínculo não tenha sido estabelecido e a família se negue a colaborar com a intervenção, o Conselho Tutelar e/ou Ministério Público devem ser comunicados acerca dessa resistência e medidas legais mais enérgicas terão que ser tomadas. A equipe técnica que efetuou a primeira visita deve fazer um relatório detalhado e discutir o mesmo com o profissional que se responsabilizará pelo acompanhamento do caso dentro da instituição ou conselho. Tome Nota

73 A dinâmica do atendimento multidisciplinar 3ª Fase: Entrevista na instituição O primeiro atendimento na instituição deve ser feito pelo profissional que ficará responsável pelo acompanhamento do caso. (conselheiro tutelar, assistente social, etc...) A equipe de técnicos que fez a visita à família (ou pelo menos um de seus membros). +

74 Atendimento na Instituição Avaliação social Avaliação social Avaliação psicológica Avaliação psicológica Avaliação jurídica Avaliação jurídica

75 A primeira entrevista deve ser feita apenas com a criança vitimizada e o adulto não agressor. No primeiro atendimento a criança vitimizada deve ser atendida preferencialmente pelo psicólogo e a assistente social em conjunto. Caso a criança seja muito pequena ou o serviço social não precise entrevistá-la, ela deverá ser entrevistada pelo psicólogo. Tome Nota

76 Metodologia das Entrevistas Entreviste a criança separadamente de seus responsáveis legais Evite ficar atrás de uma mesa ou escrivaninha demonstrando postura autoritária. Ao entrevistar crianças pequenas procure se posicionar de forma tal que o nível do seu olhar fique na mesma altura do olhar da criança.

77 Metodologia das Entrevistas A linguagem usada na comunicação com a criança deve ser compatível com seu desenvolvimento cognitivo. Cuidado para não conduzir a entrevista. Perguntas que começam por como são mais produtivas do que aquelas que começam com por que. Busque fazer com que a criança se sinta a vontade. Os assuntos abordados devem ser em torno de tópicos gerais que não ameacem a mesma, tais como: as atividades das quais ela gosta, escola, etc.

78 Metodologia das Entrevistas A criança deve ser escutada em local reservado e livre de interrupções Reforce para a criança que ela não é culpada pelo abuso sexual. Faça seu relatório, sobre tudo o que foi relatado pela criança, o mais cedo possível O profissional deverá buscar escuta de apoio para ele próprio. A ajuda de um psicólogo, pastor, padre ou amigo se torna importante e oportuna.

79 Entrevista com a Criança-Vítima Durante a primeira entrevista o assunto do abuso sexual não deve ser abordado, a não ser que a criança faça menção do mesmo. O entrevistador, nesse primeiro momento, deve buscar fazer o menor número possível de perguntas, permitindo que a criança se expresse. Após ter sido criado um vínculo de confiança com a criança vitimizada o profissional poderá abordar o assunto do abuso sexual

80 Perguntas que devem ser feitas a criança vitimizada Quando teve início o abuso ? Quem era que realizava o abuso ? Outras pessoas participavam do abuso ? Que tipo de atividade sexual ocorria ? Onde ocorreu a agressão ? Quando o abuso aconteceu, se repetiu outras vezes ? Quem foi informado sobre o abuso ? Que tipo de coerção ou força foi utilizada...? Lembre-se sempre de perguntar a criança se ela tem alguma pergunta.

81 Preste bem atenção Não faça perguntas de forma automática e impessoal. Use uma linguagem COMPREENSÍVEL para a criança, principalmente no que diz respeito a termos de conotação sexual ou anatômica. Em caso de retraimento da criança, desenhos com lápis de cor e papel ou a utilização de bonecos anatomicamente corretos facilitam muito.

82 O que não devemos fazer Perguntar logo na 1ª abordagem detalhes s/ abuso Prometer guardar segredo Induzir as respostas da criança. Fazer promessas que não podemos cumprir. Ex: Seu pai não será preso. Pressionar a criança a dar respostas que ela não deseja. Criticar o tipo de linguagem utilizada pela criança. (Empregue a mesma linguagem utilizada por ela)

83 O que não devemos fazer Deixar a criança sem cuidados ou com pessoas desconhecidas. Fazer com que a criança repita a história várias vezes Duvidar da história da criança sem motivos consistentes Mostrar-se chocado com a situação da criança Oferecer recompensas à criança para que conte como foi o abuso

84 Entrevista com o adulto não abusador Investigue qual à reação do adulto não abusador : Se ele pretende tomar alguma medida no sentido de proteger a criança Qual sua postura emocional em relação à criança. Se considera a criança culpada ou não. Se existem pontos positivos na relação afetiva entre esse adulto não abusador e a criança Se esse adulto não abusador é capaz de proteger a criança do agressor sexual

85 Posturas que podem ser adotadas pela instituição Tentar buscar provas suficientes para prender o agressor em flagrante Tentar manter o abusador, apesar de respondendo o processo em liberdade, afastado da moradia comum da criança. Se não existir outra opção, pedir a retirada da criança da família incestogênica para um abrigo, família substituta ou sua família ampliada.

86 É importante que, enquanto se espera o julgamento do processo, a criança possa ter sua guarda provisória concedida, de preferência, a alguém da sua família ampliada (avós, irmãos, tios, etc). Quando isso não for possível deve-se buscar uma família substituta no círculo de amigos. A criança só deve ser enviada para uma casa abrigo caso nenhuma das opções acima puderem ser efetivadas. Posturas que podem ser adotadas pela instituição

87 Quando estiver entrevistando membros da família incestogênica Reservar seu julgamento até que todos os fatos sejam conhecidos. Contar a eles a razão da entrevista Deixar claro que é sua obrigação legal notificar todos os casos de suspeita de violência contra crianças. Enfatizar que seus serviços continuam à disposição da família. Explicar quais serão os passos seguintes do processo. Em seu relatório deverão constar declarações fiéis do que lhe foi dito, não cabendo ali impressões pessoais.

88 A dinâmica do atendimento multidisciplinar 4ª Fase: Relatório das Entrevista (devolutiva) Dependendo do caso concreto o relatório das entrevistas deve ser feito com toda a família reunida ou apenas com parte dela. A família deve ser informada pela instituição quais os encaminhamentos que deverão ser feitos. São exemplos de encaminhamentos: - Envio do caso à Delegacia de Polícia ou MP - Acompanhamento social e psicológico.

89 A dinâmica do atendimento multidisciplinar 5ª Fase: Encaminhamentos Depoimento na Delegacia Antes de ir a delegacia converse com a criança e seu representante legal detalhando procedimentos Exame de Corpo Delito Após o registro do BO, é comum, havendo suspeita ou confirmação de abuso sexual, o delegado expedir uma guia requisitando o exame de corpo delito

90 Tome Nota Regras básicas devem ser obedecidas a fim de fornecer maiores subsídios para o exame de corpo delito: O exame deve ser feito até 24 horas, após a violência (ocorrendo risco de gravidez) e dentro de 48 horas nos demais casos. A vítima deve ficar sem tomar banho e sem fazer higiene íntima ou trocar de roupa até o exame ser realizado.

91 Audiência Na fase processual a criança vitimizada terá que relatar todos os fatos novamente. Na audiência, a criança-vítima deve dizer ao juiz o que o agressor lhe fez, confirmando a versão já relatada no inquérito policial. A criança deverá ser informada de que a confirmação do abuso poderá acarretar na condenação do adulto agressor.

92 A dinâmica do atendimento multidisciplinar 6ª Fase: Acompanhamento institucional O acompanhamento deve ser feito por três áreas chaves da instituição: a) Serviço Social b) Psicologia c) Direito Caso a instituição não disponha de uma equipe técnica multiprofissional devem ser feitos encaminhamentos para obter os serviços

93 A dinâmica do atendimento multidisciplinar 7ª Fase: Encerramento do Atendimento A família incestogênica deverá ser acompanhada durante, pelo menos, cinco anos. O encerramento do caso poderá ser feito quando: O abuso sexual tiver cessado e a vítima estiver protegida; O processo judicial encerrado; O grupo familiar mostrar que consegue caminhar sozinho, sem riscos de uma revitimização.

94 Conclusão Aquilo que nós somos é um presente da vida para nós; aquilo em que nos tornamos é o nosso presente para a vida. Anônimo


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