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Fábio de Toledo Piza MÉTODO ADC Árvore de Causas.

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1 Fábio de Toledo Piza MÉTODO ADC Árvore de Causas

2 Fábio de Toledo Piza O acidente é sempre um acontecimento complexo que coloca em jogo grande número de fatores independentes. Pode ser considerado como o final de uma série de antecedentes em determinado sistema. Face a complexidade das situações de trabalho, foi necessário elaborar um método de análise de acidentes que responda a dois objetivos principais: -instrumentalizar a busca sistemática de dados, para a pesquisa dos elementos característicos do acidente e -permitir identificar fatores de risco comuns a diferentes situações de trabalho, visando sua eliminação. Em princípio o método ADC não se resume a um questionário, mas define um processo de investigação preciso.

3 A investigação consiste em montar um quadro de antecedentes a partir do acidente. Os antecedentes são de dois tipos: 1)Antecedentes-estado: 1)Antecedentes-estado: condições permanentes na situação de trabalho, tais como ausência de proteção sobre uma máquina em sua fabricação, um ambiente continuamente quente ou barulhento, uma postura de trabalho penosa etc. 2)Acidentes-variações: 2)Acidentes-variações: são as condições não habituais ou modificações que sobrevêm durante o desenvolvimento do trabalho, como uma modificação em seu desenrolar, um incidente técnico, etc.

4 Fábio de Toledo Piza O acidente só pode ser explicado se houver ao menos um elemento da situação habitual que tenha sido modificado. Não é possível que ocorra um acidente considerando-se apenas fatos permanentes. O encadeamento da variações traduz a dinâmica do acidente. A empresa deve ser considerada um grupamento de indivíduos que cooperam para uma realização econômica comum. Constituindo um sistema, isto é, um conjunto de partes interdependentes, articuladas em função de um fim. Nessa perspectiva o acidente é uma das manifestações de disfunção do sistema, capaz de revelar o caráter patológico de seu funcionamento.

5 Fábio de Toledo Piza Um indivíduo é ferido ou fere outro durante a execução de uma tarefa com certo material em determinado ambiente (meio). O conjunto composto dos quatro elementos (ou componentes), indivíduo-tarefa-material e meio, define uma unidade de análise denominada Atividade. A atividade corresponde a parte do trabalho desenvolvida por um indivíduo no sistema de produção considerado (uma fábrica, uma oficina ou uma canteiro de obras) e a cada indivíduo corresponde uma atividade. Assim, um acidente pode envolver várias atividades, desde que elas estejam estreitamente ligadas – isso se dá particularmente no caso de trabalho em equipe.

6 Fábio de Toledo Piza Os quatro componentes que formam a atividade são: 1)O indivíduo (I) designa a pessoa física e psicológica trabalhando em seu meio profissional e trazendo consigo o efeito de fatores extraprofissionais. No acidente trata-se da vítima facilmente identificável, podendo também ser pessoas cujas atividades estejam em relação mais ou menos direta com a da vítima (companheiro de equipe, contramestre, chefe de canteiro, etc). No caso de indivíduo as variações mais comuns são: Modificações psicológicas: preocupação, descontentamento, etc. Modificações fisiológicas: fadiga, embriagues, sono, condição inabitual, etc. Formação: sem treinamento, treinamento deficiente, pouca experiência, etc. Ambiente moral: clima social no local de trabalho.

7 Fábio de Toledo Piza 2)A tarefa (T) designa de maneira geral as ações do indivíduo que participa da produção parcial ou total de um bem ou de um serviço, como por exemplo: chegar ao ambiente de trabalho, utilizar um torno, preparar o trabalho, etc. No caso de tarefa as variações mais comuns são: Do modo operacional: tarefa não habitual, rara, imprevista, modificação em tarefa habitual, precipitação ou ritmo de trabalho fora do normal, neutralização ou perturbação da máquina ou produto, antecipação de uma manobra, interpretação errônea na execução da tarefa, postura não prevista para efetuar uma operação, etc. Utilização da máquina ou ferramenta: emprego anormal de uma máquina, utilização ou não de ferramenta ou acessório previsto, emprego de instrumento adaptado, uso de ferramenta ema mau estado, etc. Equipamento de proteção: equipamento com defeito, impróprio, inabitual, falta de uso de EPI, etc.

8 Fábio de Toledo Piza 3)O material (M) compreende todos os meios técnicos, a matéria-prima e os produtos colocados à disposição do indivíduo para executar sua tarefa, como por exemplo: um caminhão, um torno, uma peça a usinar, um produto a utilizar, etc. No caso de material as variações mais comuns são: Matéria prima: modificação em sua características (peso, dimensão, temperatura), mudança no ritmo de alimentação de material. Máquinas e meio de produção: mal funcionamento, incidente técnico, pane, modificação parcial ou total de uma máquina, nova instalação, falta de manutenção, falta de dispositivo de proteção, etc. Energia: variação, interrupção, variação brusca ou não controlada, etc.

9 Fábio de Toledo Piza 4)O meio de trabalho (MT) designa o quadro de trabalho e o ambiente físico e social no qual o indivíduo executa sua tarefa. No caso de meio de trabalho as variações mais comuns são: Ambiente físico de trabalho: iluminação, nível de ruído, temperatura, umidade, aerodispersóides, etc.

10 Fábio de Toledo Piza A coleta de dados deve ser efetuada imediatamente após a ocorrência do acidente seguindo-se o critério: 1)O mais breve possível, logo após a ocorrência, quando as pessoas envolvidas não se autocensuram e desabafam informações mais concretas e sem pressão; 2)No próprio local onde aconteceu o acidente, pois as evidências importantes ainda estão no mesmo lugar. Deve-se, porém evitar situações constrangedoras; 3)Reunir pessoas importantes como testemunhas, como por exemplo técnicos especializados conhecedores do assunto (máquinas, operações, profissões, etc) que possam fornecer o máximo de dados elucidativos; 4)Registrar e preservar todas as informações possíveis para futuras consultas. Deve-se coletar somente os fatos concretos e objetivos, evitando- se interpretações e julgamentos de valores ou conclusões precipitadas.

11 Fábio de Toledo Piza A elaboração tem início na lesão. A partir dela procura-se os fatos que levaram a ocorrência do acidente, voltando-se o mais atrás possível. O objetivo é descobrir o encadeamento das causas que o provocaram.

12 Fábio de Toledo Piza REPRESENTAÇÃO GRÁFICA: Fato permanente, rotineiro, habitual. Fato anormal, irregular, ocasional, eventual, não habitual. Ligação verificada, que efetivamente contribuiu para a ocorrência do fato seguinte. Ligação verificada que aumenta a probabilidade da ocorrência.

13 Fábio de Toledo Piza REPRESENTAÇÃO GRÁFICA: ou Sentido a seguir: Funcionário escorregouFuncionário caiu Sentido empregado na pesquisa para verificar o que aconteceu. Primeiro o funcionário caiu e depois de descobre o fato anterior: escorregou Sentido que representa a seqüência dos fatos. Primeiro o funcionário escorregou e depois caiu.

14 Fábio de Toledo Piza Sempre para um fato (Y) há um antecedente (X). Pergunta-se então: diante de um fato (Y) que acontecimento (X) antecedeu a este? Antecedente (X) fato (Y)

15 Fábio de Toledo Piza Seqüência: quando um acontecimento (Y) tem uma única causa direta (X) XY Funcionário escorregou Funcionário caiu Disjunção: quando diversos acontecimentos (Y) decorrem de um só antecedente (X) X Y Chuva chão molhado Y piso escorregadio

16 Fábio de Toledo Piza Conjunção: quando um acontecimento (Y) decorre de vários antecedentes (X). Nesse caso não basta apenas perguntar qual fato antecedeu a este. É preciso perguntar também se foi preciso acontecer mais alguma coisa. Y X Funcionário escorrega piso molhado X sola do calçado liso Existem, ainda, fatos independentes, quando não há qualquer relação entre eles.

17 Fábio de Toledo Piza Para um mesmo acidente investigado por várias equipes, pode-se ter diversas árvores. Isso é feito para suprir erros que podem ser praticados por um analista ao fazer a Árvore. Esses erros, ou desvios, são normais e decorrem em função de causas como: 1)Falta de prática ou formação deficiente sobre o método; 2)Diferenças individuais entre os analistas, considerando-se que cada um tem sua experiência, interesse, objetivos e características pessoais diferentes. Uma vez de posse de várias Árvores, é possível fundi-las numa só reunindo-se todas as variações ao ponto de se formar uma árvore ideal, conferindo uma linguagem comum, com maior clareza e objetividade. Essa é a vantagem de se adotar a prática coletiva, tanto para a pesquisa como para a construção da Árvore.

18 Fábio de Toledo Piza FATOR DE ACIDENTECOMPONENTE fratura da mão direita Indivíduo cai sobre a mão direitaTarefa tropeça no degrauTarefa degrau em local de circulaçãoMeio de trabalho QUADRO DE REGISTRO DE VARIAÇÕES

19 Fábio de Toledo Piza A Sra. B está atrasada para o almoço e caminha rapidamente em direção ao refeitório, fazendo seu trajeto habitual. Ao passar pelo corredor que dá acesso a saída do galpão uma vassoura, que estava encostada na parede, escorrega à sua frente e a Sra. B, ao tropeçar nela, cai no chão sobre a mão direita, sofrendo fratura do osso escafóide. A Sra. B está gripada e acha que por isso seu trabalho rendeu menos naquela manhã. O intervalo de almoço é de uma hora e, tanto a Sra. B quanto a encarregada de seu setor afirmam que o horário de almoço é muito corrido porque há fila no refeitório. O refeitório está a cerca de 200 metros da fábrica. ACIDENTE AO DIRIGIR-SE AO REFEITÓRIO

20 Fábio de Toledo Piza FATOR DE ACIDENTECOMPONENTE A Sra. B. fratura o escafóide da mão direita Indivíduo A Sra. B.cai sobre a mão direitaTarefa A Sra. B.tropeça na vassouraTarefa A vassoura está em local de circulaçãoMeio de trabalho A vassoura escorrega na frente da Sra. B.Meio de trabalho A Sra. B.caminha rapidamente Tarefa A Sra. B. está atrasada Tarefa Há pressão de tempo no horário de almoço Meio de trabalho O intervalo de almoço é de uma horaMeio de trabalho Há sempre fila para almoçarMeio de trabalho A Sra. B. está gripadaIndivíduo Vassoura encostada na paredeMeio de trabalho

21 Fábio de Toledo Piza ? ? A vassoura está encostada na parede MT I T TT I A vassoura está em local de circulação A vassoura escorrega na frente da Sra.B A Sra.B está com gripe ? T A Sra.B está atrasada A Sra.B caminha rapidamente Há sempre pressão de tempo horário almoço Intervalo de almoço 1 hora Fila para almoço A Sra.B tropeça vassoura A Sra.B cai sobre mão direita A Sra.B fratura o escafóide da mão direita

22 Fábio de Toledo Piza A Sra. A e a Sra. B trabalham, respectivamente, como secretária e auxiliar em escritório de advocacia, numa sala de pequenas proporções (2,80 X 3,30 metros). Há dois dias o escritório está sendo remodelado, inclusive a sala em que as duas senhoras trabalham. No dia do acidente a janela dessa sala está sendo trocada e o marceneiro encarregado do serviço liga uma extensão para possibilitar o funcionamento de uma furadeira e os fios ficam sobre o chão da sala. Os fios são pretos e o piso da sala é de carpete cinza escuro, quase preto. Após o almoço a auxiliar foi dispensada do trabalho para resolver problemas pessoais e a Sra. A permanece sozinha no escritório. No meio da tarde a Sra A vai ao banheiro e, quando já está voltando, ouve a campainha do telefone tocar em sua sala. Preocupada em atender ao chamado, a Sra A corre em direção ao aparelho, não vê os fios no chão, tropeça neles, cai e bate com a cabeça no arquivo que está ao lado da mesa do telefone. A Sra A sofre trauma crânio encefálico. ACIDENTE AO ÀTENDER O TELEFONE

23 Fábio de Toledo Piza FATOR DE ACIDENTE COMPONENTE A Sra. A sofre trauma crânio encefálicoIndivíduo O crânio da Sra. A se choca contra o arquivo Tarefa O arquivo está muito próximo a mesa fone Meio de trabalho O escritório é pequenoMeio de trabalho A Sra A sofre quedaTarefa A Sra. A enrosca os pés nos fiosTarefa A Sra.A corre para atender o foneTarefa A Sra B está ausente Tarefa A Sra A está voltando do banheiroTarefa O piso é escuroMeio de trabalho Os fios são pretosMaterial Há fios no chãoMeio de trabalho O marceneiro ligou extensão na furadeiraTarefa O marceneiro troca a janela Tarefa A sala está sendo remodeladaMeio de trabalho A sra A é secretáriaIndivíduo A auxiliar da sra A foi dispensadaMeio de Trabalho A Sra.A não vê os fios no chão Meio de Trabalho MaterialO fone toca na sala da Sra.A

24 Fábio de Toledo Piza T I O crânio se choca contra o arquivo A Sra.A sofre trauma craniano MT T A Sra.A cai Arquivo próximo a mesa MT Escritório é pequeno T A Sra A enrosca pés nos fios T A Sra.A corre atender fone T A Sra.A não vê os fios no chão MT M T M TT O fone toca na sala da Sra A A Sra.B está ausente A Sra.A está no banheiro O piso é escuro O fios são pretos Há fios no chão Marceneiro ligou uma extensão Marceneiro troca janela Sala está sendo remodelada

25 Fábio de Toledo Piza FATOR DE ACIDENTE COMPONENTE O Sr W fratura o 4 o e o 5 o QMEIndivíduo Os dedos são prensados em zona entrante Tarefa Luva da M.E. é tracionada zona entrante Tarefa Apóia a ME na parte + larga do marteloMaterial Formação zona entrante martelo e facaTarefa O Sr W está na ponta dos pésTarefa A guilhotina é acionadaMaterial Martelo e lâmina descem veloc. diferentes Material O Sr. W mede 1,60 m Indivíduo Guilhotina 1,5 m e bancada 0,5 m larguraMaterial Posiciona visual chapa para corteTarefa Lâmina mede 2,5 m comprimentoMaterial Corta peças de 0,045X0,5 mTarefa Guilhot. grande p/corte de peças pequenasTarefa A distância entre o martelo e a faca 1,2 cm Material

26 Fábio de Toledo Piza ITT T M T I M TT M MT T M M ? ? Formação zona entrante martelo e lâmina Dedos esmagados zona entrante Fratura dedos ME Luva ME tracionada Sr.W pontas dos pés Sr.W apóia ME no martelo Guilhotina acionada Sr.W posiciona chapa visual p/corte Distância entre martelo e faca é de 1,2 cm. O martelo e a lâmina descem com velocidades diferentes. Sr.W mede 1,60 m Guilhotina tem 1,50 e a bancada 0,50 de largura Guilhotina gde. porte para corte de peças pequenas Lâmina tem 2,5 m Sr.W corta peças 0,045 X 0,50 m

27 Fábio de Toledo Piza MUITO OBRIGADO!!!


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