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1 Conferência Miguel Torga: Escritor, Poeta e Farol da Democracia Portuguesa Conferência Miguel Torga: Escritor, Poeta e Farol da Democracia Portuguesapela.

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1 1 Conferência Miguel Torga: Escritor, Poeta e Farol da Democracia Portuguesa Conferência Miguel Torga: Escritor, Poeta e Farol da Democracia Portuguesapela Dra. Alix de Carvalho 19 de Dezembro de 2007 Com o apoio de Consulado-Geral de Portugal em Montreal

2 2 Miguel Torga Miguel Torga O Homem, o Escritor, o Tempo, a Terra e a Democracia Diaporama de Luís Aguilar e Vitália Rodrigues Concebido a partir do livro Fotobiografias de Clara Rocha. Consulado-Geral de Portugal em Montreal

3 3 Miguel Torga Miguel Torga O Homem O Homem

4 4 Ter um destino é não caber no berço onde o corpo nasceu, é transpor as fronteiras uma a uma e morrer sem nenhuma. Miguel Torga In Fernão de Magalhães, Antologia Poética. Lisboa: Dom Quixote, 1999.

5 5 Miguel Torga (alterónimo de Adolfo Correia Rocha) nasceu em S. Martinho de Anta há cerca de cem anos, a e morreu em Coimbra a Nasci como um cabrito ou como um pé de milho

6 6

7 7 O destino plantou-me aqui e arrancou-me daqui. E nunca mais as raízes me seguraram bem em nenhuma terra.

8 8 Os pais, Francisco Correia Rocha e Maria da Conceição Barros, e a irmã Maria

9 9 Em 1917, aos dez anos, vai para uma casa apalaçada do Porto, habitada por parentes da família. O pequeno criado ganhava quinze tostões por mês e dormia num cubículo de campainha à cabeceira. Fardado de branco servia de porteiro, moço de recados, regava o jardim, limpava o pó e polia os metais da escadaria nobre, atendia campainhas. Foi despedido um ano depois, devido à constante insubmissão.

10 10 Em 1918 vai para o Seminário de Lamego, onde viveu um dos anos cruciaisda sua vida, tendo melhorado os conhecimentos de português, da geografia, da história, aprendido o latim e ganhado familiaridade com os textos sagrados. No fim das férias comunicou ao pai que não seria padre.

11 11 A grande aventura juvenil 1919 Foi então enviado, aos doze anos, para o Brasil (Minas Gerais), a fim de trabalhar numa fazenda que pertencia a um tio.

12 12 Fazenda de Santa Cruz (Minas Gerais)

13 13 Simples máquina de trabalho era o último a deitar- -me e o primeiro a erguer-me, sem domingos nem dias santos para que a engrenagem funcionasse com perfeição. Carregar o moinho, mungir as vacas, tratar dos porcos, ir buscar os cavalos da cocheira ao pasto, limpá-los e arreá- los, rachar lenha, varrer o pátio e atender a freguesia que vinha comprar fumo, cachaça, carne seca, feijão, ou trocar grão por fubá; ir buscar o correio à povoação; fazer a escrita da fazenda, verificar à noite se as portas e as janelas estavam bem fechadas.

14 14 Quatro anos decorridos o tio matriculou-o no Ginásio de Leopoldina.

15 15 Em 1925, na convicção de que ele havia de vir a ser doutor em Coimbra, o tio propôs-se pagar-lhe os estudos como recompensa dos cinco anos de serviço.

16 16 Crescera por fora e por dentro. Aprendera a objectivar a vida, embora sempre tivesse sentido aquele chão como fabuloso e mágico e aonde pudera ser selvagem e natural.

17 17 Um dos seus títulos de glória é ter passado a adolescência no Brasil, …o Brasil amei-o eu sempre, foi o meu segundo berço, sinto-o na memória, trago-o no pensamento.

18 18 De regresso a Portugal, fez em dois anos, os cinco do primeiro e segundo ciclo do curso liceal de sete. No Liceu José Falcão completou o terceiro ciclo num só ano, ficando apto a cursar uma Universidade.

19 Adolfo Rocha estudante universitário da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra A caneta que escreve e a que prescreve revezam-se harmoniosamente na mesma mão.

20 20 Uma pobre colectânea de sonetos e canções que mereceu apenas críticas reprovativas e Torga nunca reimprimiu.

21 21. Grupo da República Estrela do Norte

22 22 Foi com Balada da Morgue que, verdadeiramente assinei pacto com Orfeu. Presença, 24, Janeiro 1930

23 23 Em 1929, com 22 anos, deu início à colaboração na revista Presença, folha de arte e crítica, com o poemaAltitudes…. A revista, fundada em 1927 pelo grupo literário avançado de José Régio, Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, era bandeira literária do grupo modernista e era também, bandeira libertáriada Revolução Modernista.

24 24 Golpe Militar de 1926 A intervenção literária, já então a entendia Adolfo Rocha, como o único modo de combate numa pátria que é o cemitério da própria língua.

25 25 Em 1930 rompe definitivamente com a revista Presença, por razões de discordância estética e razões de liberdade humana.

26 26 Adolfo Rocha e Branquinho da Fonseca fundam a revista Sinal, que saiu em Julho de 1930.

27 27 Publica o seu segundo livro em Junho de 1930.

28 28 Em 1931, contista em Pão Ázimo e poeta em Tributo, Adolfo Rocha já aparecia a público em edição de autor, como aconteceu com Abismo, no ano seguinte, e como aconteceria pela vida fora.

29 29 Conclui o curso universitário de medicina em Na hora em que esperava merecer da vida a alegria íntima do triunfo, sinto o medo do avesso quiçá o terror fundo que não diz donde vem nem para onde vai, anotou no dia da formatura..

30 30 Regressa a S. Martinho de Anta com fama de revolucionário. Perdera definitivamente o lugar privilegiado no seio da tribo. Estava sem estar. Mudou-se, para Vila Nova, a meio do ano de 1934, concelho de Miranda do Corvo, distrito de Coimbra.

31 31 Miguel Torga Miguel Torga A Vida Familiar A Vida Familiar

32 32 Miguel Torga com a mãe que falece em 1948.

33 33 A vida afectiva. A única que vale a pena. Casa com Andrée Crabbé em 1940, estudante de nacionalidade belga - aluna de Estudos Portugueses, ministrados por Vitorino Nemésio em Bruxelas - que viera a Portugal para frequentar um curso de férias na Universidade de Coimbra.

34 34 Vou tentar ser bom marido, cumpridor. Mas quero que saibas, enquanto é tempo, que em todas as circunstâncias te troco por um verso. (A Criação do Mundo, V)

35 35 Miguel Torga e a filha Clara Rocha, nascida em 3 de Outubro de 1955.

36 36 Diário VII

37 37 Apresentação da neta ao avô, que falece algumas semanas depois em 1955.

38 38 Em 27 de Julho de 1990 celebra os cinquenta anos de casado. Os sins de que eu fui capaz contra os nãos da vida.

39 39 Miguel Torga Miguel Torga A Obra A Obra

40 40 Adolfo Correia Rocha aos 27 anos em 1934, auto-define-se pelo alterónimo que criou Miguel e Torga

41 41 Miguel Homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno João Abel Manta

42 42 Torga ( Erica lusitanica) Designação nortenha da urze, planta brava da montanha, que deita raízes fortes sob a aridez da rocha, de flor branca, arroxeada ou cor de vinho.

43 43 A Terceira Voz, em 1934 é publicado por Miguel Torga, com prefácio de Adolfo Rocha: Somos irmãos e temos a mesma riqueza: despeço-me de cena e dou a minha palavra de honra que não reapareço; …a minha voz mudou – porque o horizonte é maior…

44 44 Em Janeiro de 1936 funda, com Albano Nogueira, Manifesto, Revista de Arte e Crítica: Procurávamos um caminho de liberdade assumida onde nem o homem fosse traído, nem o artista negado, uma arte rebelde enraizada no circunstancial.

45 45 Afonso Duarte, Alvaro Salema, Bento de Jesus Caraça, Branquinho da Fonseca, Joaquim Namorado, Lopes Graça, Paulo Quintela, Vitorino Nemésio acompanha- vam-no nessa intervenção contrária ao individualismo presencista, alienado do real (que Eduardo Lourenço identificou, em 1957, no Comércio do Porto, com o artigo Presença, ou a Contra-Revolução do Modernismo Português ). Fernando Pessoa tinha lugar, naquele primeiro número, com o poema Nevoeiro.

46 46 Pode considerar-se Miguel Torga pioneiro e representante por antonomásia da escrita diarística portuguesa, por ser, juntamente com Virgílio Ferreira, com Conta Corrente, dos que lhe conferiram maior significância. O Diário torguiano, que o autor publicou ininterruptamente entre 1941 e 1993, retrata o pulsar do autor sobre o homem, o mundo e a vida, entre 3 de Janeiro de 1932 e 10 de Dezembro de 1993.

47 47 Morreu Fernando Pessoa. Mal acabei de ler a notícia no jornal, fechei a porta do consultório e meti-me pelos montes a cabo. Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do nosso maior poeta de hoje, que Portugal viu passar num caixão para a eternidade, sem ao menos perguntar quem era. In Diário I (3 de Dezembro de 1935)

48 48 No Dia de Camões de 1948, a propósito do artifício da figura de escritor oficial alheio à alma colectiva, havia de sugerir que Pessoa substituísse Camões, vastíssimo poeta, mas cristalizado numa época:

49 49 Fernando Pessoa, culturalmente considerado, não será muito mais poeta nacional deste século do que Camões? Por ser o símbolo da Pátria e por ter envolvido emblematicamente a glória do poeta. Glória pura que, como poucas, merecia a graça desse póstumo calor materno. Ninguém antes tinha realizado o milagre de criar de raiz um Portugal feito de versos.

50 50 Camões fez versos a martelo.

51 51 Em 1937 começou a imprimir A Criação do Mundo, génese progressiva, numa consciência, da imagem da realidade circunstancial, visão de um mundo criado à nossa medida, original e único, povoado de seres reais que o tempo foi transformando em fantasmas.

52 52 Em 1937, colabora na Revista de Portugal, de Vitorino Nemésio

53 53 Bichos surge em 1940, reeditado pouco depois, traduções sucessivas para variadíssimas línguas. Animais com sentir humano ou seres humanos vestidos de animais. Ou uma irmandade de animais e homens. Tudo numa argamassa de vida. O cão Nero, o galo Tenório, o jerico Morgado, o Ladino, o Ramiro. E a Madalena, caminhando na contra mão da contradição entre cultura e vida.

54 Pão Ázimo Criação do Mundo A Terceira Voz Os Dois Primeiros Dias O Terceiro Dia da Criação do Mundo O Quarto Dia da Criação do Mundo Bichos Contos da Montanha Rua O Senhor Ventura Novos Contos da Montanha Vindima Pedras Lavradas O Quinto Dia da Criação do Mundo Fogo Preso O Sexto Dia da Criação do Mundo Fábula de Fábulas. Ficção

55 Ansiedade Rampa Tributo Abismo O Outro Livro de Job Lamentação Libertação Odes Nihil Sibi Cântico do Homem Alguns Poemas Ibéricos Penas do Purgatório Orfeu Rebelde Câmara Ardente Poemas Ibéricos. Poesia

56 56 Peças de Teatro "Terra Firme" e "Mar" Sinfonia O Paraíso Portugal Traço de União.

57 57 Traduções Livros seus estão traduzidos para diversas línguas, algumas vezes publicados com um prefácio seu: espanhol, francês, inglês, alemão, chinês, japonês, croata, romeno, norueguês, sueco, holandês, búlgaro.

58 58 Prémios Prémio do Diário de Notícias Prémio Internacional de Poesia de Knokke-Heist Prémio Morgado de Mateus, ex-aecquo com Carlos Drummond de Andrade Prémio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S É-lhe imposta a condecoração de Oficial na Ordem das Artes e Letras da República Francesa Prémio Camões. Os meus leitores mereciam-no. (Miguel Torga) Prémio Personalidade do Ano Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores Prémio da Crítica, consagrando a sua obra.

59 59 Prémio Vida Literária da Associação Portugesa de Escritores 1992

60 60 Se existe alguém que escreve em português e merece o Nobel é Miguel Torga, não eu. Jorge Amado Foi proposto para o Prémio Nobel em Sem êxito, possivelmente por interferências do Poder de então. Voltará a ser considerado uns anos mais tarde, não lhe tendo sido atribuído.

61 61 1º Congresso Internacional de Miguel Torga É organizado pela Universidade Fernando Pessoa em 1994

62 62 Uma literatura que produz, no mesmo século, dois vultos do calibre de Pessoa e Torga, pode considerar-se uma literatura de excelente saúde. Torrente Ballester In Entrevista a Miguel Viqueira em 1986

63 63 Hoje sei apenas gostar duma nesga de terra debruada de mar.

64 64 Miguel Torga Miguel Torga O Político O Político

65 65 A política é para eles (os políticos) uma promoção e, para mim, uma aflição.

66 66 Foi preso várias vezes devido aos seus escritos, sendo a primeira em 1939, em Aljube. A PIDE negar-lhe-ia, várias vezes o pedido de visto para sair do país. Andrée Rocha é suspensa do seu lugar académico, passou a fazer traduções e a ajudar o marido na sua actividade profissional.

67 67 Na Candidatura do General Humberto Delgado 1958

68 68 Em 1967, assina um manifesto no qual é pedida a aprovação de uma lei da Imprensa, a abolição da censura prévia e a interposição de recurso no caso de apreensão de livros.

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70 70 Revolução de 25 de Abril Golpe militar. Assim eu acreditasse nos militares.

71 71 Estranha revolução esta, que desilude e humilha quem sempre ardentemente a desejou. Estamos a viver em pleno absurdo, a escrever no livro da História gatafunhos que nenhuma inteligência poderá decifrar no futuro. Todas as conjecturas têm a mesma probabilidade de acerto ou desacerto. Jogamos numa roleta de loucos, que tanto anda como desanda. O espectáculo que damos neste momento é o de um manicómio territorial onde enfermeiros improvisados e atrevidos submetem nove milhões de concidadãos a um electrochoque aberrante e desumano. 20 de Junho de 1975

72 72 Sobre a descolonização escreveria: Fomos descobrir o mundo em caravelas e regressámos dele em traineiras. Afanfarronice de uns, a incapacidade de outros e a irresponsabilidade de todos deu este resultado: o fim sem a grandeza de uma grande aventura. Metade de Portugal a ser o remorso da outra metade.

73 73 Primeiras eleições livres em democracia

74 74 Ramalho Eanes torna-se seu amigo e Torga dá-lhe um conselho. Seja sério, mas não se leve a sério.

75 75 Conheceram-se depois do 25 de Abril, quando Torga se afirmou como um dos sustentáculos do Partido Socialista na zona de Coimbra.

76 76 Nunca se filiou em partido algum: É ESCUSADO. NÃO POSSO TER OUTRO PARTIDO SENÃO O DA LIBERDADE. O meu partido é o mapa de Portugal

77 77 Em Outubro de 1983, Samora Machel, Presidente de Moçambique, visita oficialmente Portugal. Apresentados em Coimbra, Miguel Torga fez questão de mostrar-lhe a região duriense percorrida de helicóptero na companhia do Presidente português, em conversa fraterna acerca das duas pátrias e da indissolubilidade dos seus destinos. No diário de 20 de Outubro de 1986 lamentaria o fim trágico e prematuro daquela vida agitada e carismática.

78 78 Entrada de Portugal em 12 de Junho de 1985 no Mercado Comum Não apoia nem tem a mínima simpatia pela União Europeia. Ela ofende o seu espírito patriótico e o seu ideal de Pátria. Insurge-se contra a ideia da subserviência às ordens de uma Europa sem valores, incapaz de entender um povo que nela sempre os teve... É o repúdio de um poeta português pela irresponsabilidade com que meia dúzia de contabilistas lhe alienaram a soberania (...) e Maastricht há-de ser uma nódoa indelével na memória da Europa.

79 79 É também contra a regionalização: O mundo a braços com o drama das diversidades e nós, que há oitocentos anos temos a unidade nacional no território, na língua, nos costumes e na religião, vamos desmioladamente destruí-la?

80 80 Miguel Torga Miguel Torga As Viagens As Viagens

81 81 Viajar, num sentido profundo, é morrer. Em 1937, Dezembro pardo viaja por Espanha, França e Itália. O fascismo em Espanha completava o cerco à liberdade

82 82 Em Istambul em 1953

83 83 Em 1954, No Centro Transmontano de S. Paulo (Brasil)

84 84 Em 1973, no intuito de sentir pulsar o coração austral, de contemplar os cenários das nossas grandezas passadas e das nossas misérias presentes, empreende uma extensa viagem pela África lusófona no pressentimento de que chegara o fim da epopeia lusa..

85 85 No México em Lá, como cá, um quadro não muda um homem. Mas um verso sim.

86 86 Em Abril de 1987, no processo de assinatura da transmissão a curto prazo da soberania de Macau, Miguel Torga aceita falar na celebração do Dia de Camões naquele recanto da pátria, últimos confins de Portugal. Macau, Gruta de Camões

87 87 Em Hong-Kong

88 88 Em Goa Em busca da presença portuguesa da qual só restam igrejas e baluartes

89 89 Em 19 de Novembro de 1986, declama oitenta poemas para o disco comemorativo dos seus oitenta anos de vida que saíu a público em 30 de Junho do ano seguinte.

90 90 Miguel Torga Miguel Torga Para os Outros Para os Outros

91 91 Miguel Torga é um poeta em que um país se diz. Sophia de Mello Breyner Andresen Torga podia escrever e publicar sem parar, mas ia construindo, ao mesmo tempo, um dos monólogos mais radicais de toda a poesia portuguesa Eduardo Lourenço Reencarnação de um poeta mítico por excelência - daqueles que vive na intimidade das forças elementares (a terra, o sol, o vento, a água) para celebrá-las com o seu canto. David Mourão Ferreira

92 92 Foi sempre um homem, socialmente difícil. Pouco comunicativo, falando com mais convicção do que razão. Uma das facetas menos atraentes do carácter de M.T. é a sua forretice. Chega a comprar livros com exemplares dos seus. De Leiria a Coimbra viajava sempre em 3ª classe. Foi ao estrangeiro, por diversas vezes, percorrendo boa parte da Europa, aproveitando sempre boleia de dois amigos. Quase não oferece livros a ninguém, recusa dedicatórias e autógrafos, nunca confiou o seus livros a nenhuma editora, preferindo sempre "edições do autor", com pequena tiragem e no papel mais barato possível. Antônio Freire, in Lendo M.T.

93 93 Nem sempre escrevi que sou intransigente, duro, capaz de uma lógica que toca a desumanidade. [...] Nem sempre admiti que estava irritado com este camarada e aquele amigo. [...] A desgraça é que não me deixam estar só, pensar só, sentir só.

94 94 O HOMEM é, por desgraça, uma solidão: Nascemos sós, vivemos sós e morremos sós.

95 95 REQUIEM POR MIM Aproxima-se o fim. E tenho pena de acabar assim, Em vez de natureza consumada, Ruína humana. Inválido de corpo E tolhido da alma… In Diário XVI, Coimbra, 10 de Dezembro de 1993

96 96 A Morte E o Poeta morreu. A sombra do cipreste pôde enfim Abraçar o cipreste. O torrão Caiu desfeito ao chão Da aventura celeste. Nenhum tormento mais, nenhuma imagem (No caixão, ninguém pode Fantasiar). Pronto para a viagem De acabar. Só no ouvido dos versos, Onde a seiva não corre, Uma rima perdura A dizer com brandura Que um Poeta não morre. Em 17 de Janeiro de 1995 morrem o médico Adolfo Rocha e o poeta Miguel Torga. Ambos repousam, sob uma única lage, em campa rasa no cemitério de S. Martinho de Anta.

97 97

98 98 Grande parte deste diaporama foi construído a partir do livro Fotobiografias publicado pela sua filha, Clara Rocha.

99 99 © 2007 Biblioteca Nacional de Portugal, todos os direitos reservados

100 100 Casa-Museu Miguel Torga Vidas Lusófonas Alguns Sítios na Rede sobre Miguel Torga

101 101 Diaporama Concepção e pesquisa de Vitália Rodrigues e Luís Aguilar Dezembro de 2007


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