CONSTRUÇÃO DA IMAGEM VISUAL: os três caminhos paralelos Helder Bértolo, M.Sc. Laboratório EEG/Sono- Centro de Estudos Egas Moniz - Faculdade de Medicina.

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Transcrição da apresentação:

CONSTRUÇÃO DA IMAGEM VISUAL: os três caminhos paralelos Helder Bértolo, M.Sc. Laboratório EEG/Sono- Centro de Estudos Egas Moniz - Faculdade de Medicina de Lisboa

Como é que vemos a forma ? Como é que apercebemos o movimento ? Como é que observamos a cor ?

A Percepção Visual é um Processo Criativo A visão cria uma percepção tridimensional do mundo, diferente das imagens bidimensionais projectadas na retina O sistema visual é capaz de identificar como igual um mesmo objecto sob diferentes condições de iluminação

EmpiricistasGestaltianos Séc. XVII Séc. XX Locke e Berkeley “A percepção é um somatório de sensações que se adicionam componente a componente” Werthmeier, Koffka e Köler “A percepção é um processo activo e criativo que envolve mais do que a recepção de informação sensorial”

O cérebro constrói percepções completas a partir de detalhes na imagem visual através da procura e combinação de partes que correspondam de uma forma satisfactória a objectos no mundo real.

O sistema visual organiza essas tarefas de reconhecimento através de leis inatas que regulam o padrão, a forma, a cor, a distância e o movimento dos objectos no campo visual: AS LEIS DA PERCEPÇÃO

Lei da Similaridade Lei da Proximidade

Estratégia “Tudo-ou- Nada”

Qual é a “figura” ?, Qual é o “fundo” ?

Os contornos

As ilusões Ilusão de Müler-Lyer

As ilusões Ilusão de preenchimento

As relações espaciais

As interpretações sensoriais

Quais são os blocos construtores desta percepção ? O que é que produz esta percepção no cérebro ?

Os percursos visuais As 32 áreas dedicadas à visão ocupam mais de metade da superfície total do córtex !

Separar as contribuições Estímulos equiiluminantes Contribuição do sistema magnocelular A percepção do movimento é seriamente comprometida com equiiluminância A perspectiva, as dimensões relativas dos objectos, a percepção de profundidade, as relações figura-fundo e as ilusões visuais também desaparecem com equiiluminância Sistema de baixa resolução

Evidências clínicas

Um caso de agnosia para o movimento: Uma paciente com campos visuais intactos perdeu toda a percepção de movimento e não conseguia distinguir entre objectos estacionários e em movimento. A desordem visual de que a doente se queixava era uma perda da visão do movimento em todas as três dimensões. Ela tinha dificuldade, por exemplo, em deitar chá ou café para uma chávena porque o líquido parecia congelado. Para além disso, não conseguia parar de servir na altura exacta porque não percebia o movimento de subida do líquido na taça. Tinha também dificuldades em seguir um diálogo porque não conseguia ver os movimentos da face e, especialmente, da boca do emissor. Numa sala onde mais de duas pessoas estivessem a andar, sentia-se insegura e desconfortável, e normalmente saía imediatamente da sala, porque “as pessoas estavam subitamente aqui ou ali mas eu não as vi deslocarem-se”. A doente experimentava o mesmo problema mas numa dimensão ainda maior em ruas ou locais movimentados, que evitava o mais possível. Não conseguia atravessar a rua devido à sua incapacidade de calcular a velocidade de um carro, mas conseguia identificar o carro sem qualquer dificuldade. “Quando estou a olhar para o carro ao princípio, ele parece estar longe. Mas quando quero atravessar a rua de repente o carro está muito próximo”. Ela gradualmente aprendeu a “estimar” a distância de veículos em movimento através do aumento do som.

Um caso de prosopagnosia: Tinha uma inteligência acima do normal e um bom nível de atenção global. A sua memória era extraordinária… Retinha 8 dígitos para a frente e 6 para trás. Não havia qualquer hesitação no seu discurso e conseguia seguir ordens complexas. Lia suavemente e não tinha qualquer problema em compreender e descrever o que tinha lido… De imediato reconhecia, nomeava e demonstrava o uso de uma grande variedade de objectos… O significado de desenhos lineares era imediato para ele e conseguia descrever de um modo exacto as várias imagens que lhe eram mostradas. Este doente tinha dificuldade em identificar faces. “Eu consigo ver os olhos, o nariz e a boca claramente mas eles não se juntam. Parecem desenhados a giz num quadro preto. Tenho de decidir pelas roupas ou pela voz se é um homem ou uma mulher, já que as faces são todas neutras, de uma cor cinzento sujo. O cabelo pode ajudar muito, ou a existência de um bigode.””Todos os homens parecem não ter feito a barba”.”Não consigo reconhecer pessoas nas fotografias, nem sequer eu próprio. No clube vi alguém estranho a olhar para mim e perguntei ao empregado quem era. Vão-se rir de mim. Tinha estado a olhar para a minha imagem no espelho.””Mais tarde fui a Londres e visitei vários cinemas e teatros. Não consegui perceber nada dos argumentos. Nunca sabia quem era quem.””Comprei alguns exemplares de Men Only e de London Opinion. Não consegui satisfazer-me com as fotografias. Conseguia perceber o que era o quê mas através de detalhes acessórios, o que não tinha graça nenhuma.” Tinha alguma dificuldade também com faces de animais. “São mais fáceis de reconhecer que as faces humanas, porque o resto do animal varia muito mais que o resto de um homem. Na vida real consigo distinguir um cão de um gato, ou um cavalo de uma vaca, mas em fotografias é mais difícil, especialmente se só se vê o focinho.” Ele não apresentava dificuldades na revisualização. “Consigo fechar os meus olhos e lembrar-me claramente da cara da minha mulher e dos meus filhos.”

Como é que informações sobre a cor, o movimento, a profundidade e a forma, transportadas, pelo menos até certo grau, por percursos neuronais separados, se organizam em percepções coesas ? Para combinar as propriedades do campo visual em qualquer momento, grupos independentes de em qualquer momento, grupos independentes de células têm de se associar. “BINDING MECHANISM” Mecanismo de Ligação

A ATENÇÃO Processo Pré-atentoProcesso Pré-atento Processo AtentoProcesso Atento

“Feature maps”/ “Master map” Spotlight of attention de Treisman Mediadores subcorticais: Pulvinar, claustro e colículo superior

Milhões de pormenores… que se apresentam aos meus sentidos e que nunca são incluídos na minha experiência. Porquê? Porque não têm interesse para mim. A minha experiência é aquilo em que eu decido focar a minha atenção… Toda a gente sabe o que é a atenção. É o tomar posse pela mente, de uma forma clara e vívida, de um entre muitos objectos ou correntes de pensamento simultaneamente possíveis. A focalização ou a concentração da consciência têm a mesma essência. Implica sair de algumas coisas de modo a tratar efectivamente outras. William James, Principles of Psychology, 1890