A PLATAFORMA e o contexto da Revolução na Ucrânia ( )

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Transcrição da apresentação:

A PLATAFORMA e o contexto da Revolução na Ucrânia (1918-1921) OASL Formação Política A PLATAFORMA A PLATAFORMA e o contexto da Revolução na Ucrânia (1918-1921) O anarquismo não é uma bela fantasia, nem uma idéia filosófica abstrata, mas um movimento social das massas trabalhadoras. Grupo dos anarquistas russos no estrangeiro (Dielo Truda)

PLANO DA FORMAÇÃO 1. Contexto histórico do processo revolucionário na Ucrânia (1918-1921) 2. Contexto e motivação da Plataforma 3. A Plataforma - Tese central - Estrutura do documento - Conteúdo do documento 4. Debate e desdobramentos

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921) Revolução de fevereiro de 1917 Forma-se um governo republicano burguês na Rússia, com Kerensky à frente Forma-se na Ucrânia um governo nacionalista burguês, sob a liderança de Petlura Presos políticos são soltos; Após quase 9 anos na prisão, Makhno retorna para Ucrânia para reencontrar os companheiros ainda ativos do Grupo Anarco-comunista de Gulyai-Polye, fundado em 1905 Outubro de 1917 Os bolcheviques tomam o poder na Rússia Na Ucrânia, a burguesia continua no poder Mas criação de sovietes e a tomada e coletivização de terras dos latifundiários pelos camponeses já ocorrem, mas ainda a passos lentos

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921)

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921) Começo de 1918 (guerra civil na Rússia e início da revolução ucraniana) Acordo dos bolcheviques com os Alemães e os Austríacos (Tratado de Brest-Litovsk): a Ucrânia, com sua saída para o mar, é entregue à Alemanha O governo imperial alemão ocupa a Ucrânia, depõe o governo burguês, devolve as terras aos latifundiários, apoia o poder dos nobres e implanta um governo títere, sob a liderança de Skoropadisky Saque do país: matérias primas, gado, trigo, etc. são confiscados e enviados para a Alemanha A ocupação Alemã desencadeia um movimento generalizado de resistência popular

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921) Formação do Exército Insurrecional Ucraniano (guerra civil na Rússia e na Ucrânia) Nestor Makhno (que era presidente do soviete local, da união regional dos camponeses e da união dos metalúrgicos e carpinteiros), junto com outros militantes, começa a organizar batalhões de camponeses e operários para enfrentar a ocupação alemã, retomar as terras para os camponeses e combater a burguesia local Dada a insuficiência de batalhões para enfrentar os desafios postos pelas circunstâncias, por exércitos regulares militarmente superiores, criam-se regimentos e um comando geral. Com isso, forma-se o Exercito Insurrecional Ucraniano de camponeses e operários

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921)

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921)

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921) Controle democrático do exército: 1. O congresso dos sovietes ucranianos elegia o comando geral do exército (Conselho Militar Geral) e tinha o poder de revogá-lo a qualquer momento 2. O alistamento era voluntário 3. Estimativas mais generosas sustentam que o exército revolucionário era composto de aproximadamente 200.000 trabalhadores A função do exército era, como organização armada do movimento popular, 1. Defender as regiões em que os camponeses e operários tomavam as fábricas e coletivizavam as terras 2. Estender e liberar novas regiões 3. Viabilizar condições para o trabalho construtivo da revolução: organização autogestionária da vida econômica, social e política (da produção no campo e na cidade em forma de conselhos federados – sovietes – e da administração política em forma de federações de comunas livres) 4. Estima-se que as regiões liberadas pelo exército, conformando, sobretudo, o sul e leste do país, chegaram a ter 9 milhões de habitantes, numa área de aproximadamente 300 km².

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921)

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921)

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921)

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921)

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921)

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921) No curso de 1918 Os alemães são expulsos pelas forças armadas lideradas pela burguesia ao norte e pelo Exército Insurrecional Ucraniano, concentrado no sul do país O exército revolucionário no sul não somente expulsa as tropas de ocupação austro-alemãs, mas também impede o avanço das forças burguesas lideradas por Petlura Os bolcheviques voltam à Ucrânia Final de 1918, 1919 e 1920 O Exército Insurrecional Ucraniano, em aliança com o Exército Vermelho, enfrenta e vence as contraofensivas czaristas lideradas por Denekin e Wrangel Em verdade, o grosso do exército de Denekin é enfrentado e vencido pelo EIU ao sul, em 1919 Campanha bolchevique de difamação do exército revolucionário: são enviadas forças letonas, chinesas e siberianas para dificultar a captação pelo exército insurrecional, i.e, evitar que soldados vermelhos deserdassem e passassem a compor os batalhões maknovistas, como ocorreu na etapa de Denikin

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921)

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921) ... Final de 1918, 1919 e 1920: Em abril 1920, bolcheviques e maknovistas voltam a fazer uma aliança. Agora para enfrentar os exércitos czaristas de Wrangel Em novembro do mesmo ano, em batalhas sangrentas, os brancos são derrotados Após a campanha da Crimeia, em que os maknovistas e os bolcheviques vencem Wragel, os bolcheviques traíram os maknovistas, os atacando pela retaguarda Neste momento, dizimado por anos de guerra, o exército insurrecional conta com apenas 3.000 combatentes; estima-se que o Exercito Vermelho tenha atacado os maknovistas com 150.000 soldados Muitos ucranianos camponeses, operários e seus familiares – simpatizantes e/ou que viviam nas áreas de influência maknovista – são presos e cruelmente assassinados pelos bolcheviques Em 1921, um pequeno grupo de 300 combatentes, entre eles Makhno, gravemente ferido, conseguem escapar do cerco bolchevique, e fogem para a Romênia; parte deles chegará posteriormente à França Fim da revolução ucraniana

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO NA UCRÂNIA (1918-1921)

2. CONTEXTO E MOTIVAÇÃO DA PLATAFORMA FRANÇA, 1925-1926 Russos exilados retomam discussões sobre o anarquismo - Processo de crítica e autocrítica * Por que perdemos a revolução? - Reflexão estratégia (leitura da realidade, objetivos, caminhos) - Criação revista Dielo Truda em 1925 - Debates intensos e diversas contribuições - Um determinado grupo, em torno de Arshinov e Makhno, que estava entre os fundadores da revista, sustenta posições desde 1921 (capítulo do livro do Arshinov sobre a história da makhnovitschina), que se aprimoram em artigos e levam à Plataforma, publicada na revista em 1926 - Segue-se grande e rica polêmica com anarquistas de vários países

2. CONTEXTO E MOTIVAÇÃO DA PLATAFORMA

3. A PLATAFORMA 3.1 TESE CENTRAL Contradição: - Virtude das posições anarquistas (ideias) X situação complicada do anarquismo em sua intervenção nas lutas de classes (práticas) Problemas fundamentais: - Desorganização, fragmentação e existência efêmera de grupos anarquistas Motivo: - Compreensões distintas (até mesmo contraditórias) do anarquismo * Anarquismo como movimento de massas dos trabalhadores (Bakunin) * Anarquismo como busca da liberdade individual (falta de responsabilidade e posturas antiorganizacionistas) Caso concreto: - Contexto revolucionário ucraniano de 1918 a 1921; ainda que a França daquele momento não fugisse à regra

3. A PLATAFORMA 3.1 TESE CENTRAL Solução: * Criar uma União Geral dos Anarquistas (Organização política revolucionária) * Organizar a UGA em torno de uma proposta orgânica clara, diferente da síntese e do anarco-sindicalismo * Reunir a maioria dos anarquistas para uma prática política coletiva e organizada * Estabelecer uma linha política, uma estratégia comum e um programa Referencial histórico: * Bakunin, Aliança e Internacional

3. A PLATAFORMA 3.2 ESTRUTURA DO DOCUMENTO - Documento dividido em três partes/seções fundamentais * Geral * Construtiva * Organizacional

* Luta de classes: traço fundamental da sociedade 3. A PLATAFORMA 3.2 ESTRUTURA DO DOCUMENTO - Geral * Luta de classes: traço fundamental da sociedade * Papel do Estado e necessidade de revolução social violenta * O anarquismo: origens, objetivos e aspectos centrais * Crítica à democracia representativa * A negação estratégica do Estado e da dominação * Papel dos anarquistas e das massas antes e durante a revolução * Crítica às concepções autoritárias de período transitório * Prática sindical

3. A PLATAFORMA 3.2 ESTRUTURA DO DOCUMENTO - Construtiva (A sociedade futura) * Coletivização/socialização da produção * Consumo * Coletivização/socialização da terra * Defesa da revolução: instituições militares

3. A PLATAFORMA 3.2 ESTRUTURA DO DOCUMENTO - Organizacional (A organização anarquista e seus princípios) * Unidade ideológica * Unidade estratégica * Responsabilidade coletiva * Federalismo

3. A PLATAFORMA 3.2 ESTRUTURA DO DOCUMENTO - Suplemento (Questões e respostas) * Maiorias e minorias no anarquismo * Estrutura e traços do regime livre dos sovietes * Anarquismo como guia ideológico das massas * Defesa da revolução * Liberdade de expressão * Distribuição comunista

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Surgimento do anarquismo - Origem nas lutas de classes dos movimentos populares no século XIX, em sua oposição ao capitalismo, a partir das carências e aspirações dos trabalhadores - Não é fruto de ideias/filosofias abstratas e nem da cabeça de um ou outro teórico ou filósofo - Clássicos como Bakunin e Kropotkin interpretaram este movimento popular real e ajudaram a difundir seus aspectos fundamentais

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO O anarquismo - Conecta idéias e pensamentos com práticas e ações - Socialismo classista revolucionário e libertário - Negação da propriedade privada, da exploração, do Estado, da sociedade de classes, da dominação de maneira geral Afirmação da necessidade de uma sociedade socialista livre, autogerida e federada (comunismo libertário) - Meios específicos (estratégia) para essa transformação. Mobilização combativa e autônoma/independente de massas, com protagonismo de operários e camponeses; processo interno autogestionário e federalista, com coerência de meios e fins

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Crítica do capitalismo - Propriedade privada: meios e instrumentos de produção - Exploração do trabalho: produto do trabalho apropriado pela burguesia - Burocracia - Privilégios econômicos e sociais; desigualdade - Falta de liberdade e independência

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Crítica do Estado e da democracia representativa - Dominação de classe é garantida pelo Estado (violência de classe) * Dominação da maioria por uma minoria de governantes - Estado tem o objetivo de manter/garantir a dominação capitalista (forma social de organização da burguesia) - Dois aspectos fundamentais do Estado: força e legitimidade. Força: Violência e coerção capitalista Legitimidade: Estímulo à ignorância das massas - Democracia representativa sustenta a sociedade de classes * Direitos civis (liberdade individual, expressão, reunião) e igualdade perante a lei são garantidos, na medida em que não coloquem em xeque interesses capitalistas * Não ameaça propriedade capitalista e reduz-se ao político (capitalistas continuam a controlar o econômico e o cultural; dominação econômica garante dominação política) * Encobre dominação burguesa com liberdades e garantias fictícias

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Sociedade de classes e luta de classes - Sociedade contemporânea é uma sociedade de classes * Classe capitalista * Classe trabalhadora (operários e camponeses) - Exploração e opressão - Luta de classes é o fator fundamental da estruturação da sociedade

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Crítica do socialismo de Estado e do “período de transição” - Socialistas que acreditam que o Estado pode ser utilizado pelos trabalhadores para sua emancipação: “Autoridade socialista e Estado proletário” - Revolucionários (bolcheviques) e reformistas (social-democratas) - Por meio do Estado, só se pode criar outro sistema de dominação * Estado retira iniciativa das massas, mata sua criatividade, sustenta uma cultura de submissão, promove a confiança cega em líderes * Meio “Estado proletário” torna-se fim, produzindo novas classes/castas privilegiadas - Oposição à ideia de período de transição dos socialistas estatistas - Necessidade imediata da revolução social

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Objetivo finalista: revolução social Processo de transformação necessariamente violento Protagonizada pelas massas, coloca fim imediato ao capitalismo e ao Estado e abre as portas para o início do comunismo libertário Deve levar à completa emancipação dos trabalhadores Deve desenvolver uma estratégia de defesa para enfrentar as forças da contrarrevolução

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Objetivo finalista: revolução social Defesa da revolução - Processos revolucionários muito conflitivos e longos (muitos anos) - Construir uma força capaz de impedir os intentos contrarrevolucionários: órgãos para defesa da revolução - Força guerrilheira com todos os trabalhadores e camponeses armados (início do processo): caráter de classe do exército - Com o tempo, estabelecimento de organizações militares libertárias - Estratégia militar comum: unidade de planejamento e comando; autonomia tática e operativa - Negação do militarismo de Estado com alistamento obrigatório; organismos voluntários e baseados na autodisciplina - Submissão total (política) do exército às organizações de massas de trabalhadores e camponeses

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Objetivo finalista: comunismo libertário Sistema federalista envolvendo organizações autogeridas de produção e consumo (sovietes/conselhos de operários e camponeses) - Conquista da base social da nova sociedade (meios que permitem a autogestão: terra, produção, funções de gestão etc.) - Relações sociais igualitárias, pautadas na liberdade e independência - Comunismo de aprimoramento constante: “de cada um segundo suas possibilidades, a cada um segundo suas necessidades”

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Objetivo finalista: comunismo libertário Coletivização/socialização da produção - Indústria pertence ao conjunto de trabalhadores: não há proprietários (privados ou do Estado) e todos têm os mesmos direitos - Supressão da exploração do trabalho e da burocracia - Antigos capitalistas e classe média integram a nova sociedade como trabalhadores ou a abandonam - Autogestão dos trabalhadores * Sovietes de trabalhadores * Comitês de fábricas - Articulação federalista (comunas, distritos, país) de baixo para cima - Tecnologia colocada à serviço dos trabalhadores

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Objetivo finalista: comunismo libertário Consumo - Objetivo: satisfação das necessidades de todos (menos os que se recusarem a trabalhar por razões contrarrevolucionárias); exceção crianças, velhos, incapazes etc. - Aproximação cidade-campo, com criação de cooperativas operárias e camponesas * Suporte das indústrias para industrialização do campo * Produção dos camponeses para as cidades

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Objetivo finalista: comunismo libertário Coletivização/socialização da terra - Terras pertencem ao conjunto de trabalhadores: não há proprietários (privados ou do Estado) e todos têm os mesmos direitos * Não podem ser compradas, vendidas, alugadas - Supressão da exploração do trabalho - Possibilidade de conciliar produção individual-familiar e coletiva; camponeses devem resolver essa questão * Ainda assim, anarquistas devem promover e incentivar a coletivização * Possibilidade de fundação de um sindicato de camponeses - Articulação federalista (comunas, distritos, país) de baixo para cima - Tecnologia colocada à serviço dos trabalhadores

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Estratégia anarquista - Força coletiva organizada (objetivos e caminhos claros) - Atuação antes e durante a revolução como agente determinante na influência das massas (referência ao Grupo Anarco-Comunista de Gulyai Polye, já em 1917) - Objetivo: Criar / participar ativamente das organizações de massas e impulsioná-las a protagonizar a revolução * Não são os anarquistas que deverão fazê-la e nem assumir uma posição de dominação e/ou substituição da classe

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Estratégia anarquista Antes da revolução - Organização em dois níveis (OEA/massas) - Estimular luta de classes das massas - A partir das práticas libertárias existentes nas massas, estimular consciência de classe, radicalização dos trabalhadores e consciência/defesa do modelo libertário de organização e luta Educação/propaganda e trabalho organizativo Durante a revolução - Anarquismo deve ser a principal concepção ideológica - Orientação / guia dos acontecimentos rumo ao socialismo - Não basta começar a revolução; ela deve levar à completa emancipação dos trabalhadores

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Estratégia anarquista: as massas - Sujeitos revolucionários: trabalhadores urbanos, camponeses, parte dos trabalhadores intelectuais - Massas são o principal agente da revolução * Possuem grande capacidade, demonstrada nos movimentos populares * Estão, em grande medida, dispersas - Tarefa dos anarquistas: * Criar e participar ativamente das organizações de massas * Estimular capacidade criativa e construtiva das massas * Suprimir obstáculos para que isso se manifeste

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Estratégia anarquista: as massas Sindicalismo (de intenção revolucionária) - Uma das formas do movimento revolucionário de trabalhadores * Ainda assim, é um agrupamento por necessidade que não possui ideologia definida e nem condições de sozinho, resolver as questões sociais em sua totalidade * Sem os anarquistas, toma outros rumos - Crítica à propaganda anarquista individual / pequenos grupos - Anarco-sindicalismo: um passo a frente, mas não necessariamente trabalha com dois níveis (insuficiente) - Atuação organizada dos anarquistas nos sindicatos * Estimular para que os sindicatos se tornem braços ativos da revolução social * Articular atividades do sindicato com outros setores da classe * Criar sindicatos anarquistas e participar de sindicatos existentes

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Estratégia anarquista: a organização anarquista - Reunião dos operários e camponeses anarquistas com objetivo de tornar-se a força preponderante na influência das massas Passar dos pequenos grupos dispersos para uma organização forte; reunir os melhores militantes do anarquismo Determinar os rumos dos acontecimentos pré-revolucionários e revolucionários (orientação e guia) Princípios da organização anarquista Unidade teórica / ideológica Unidade tática / Método coletivo de ação Responsabilidade coletiva Federalismo

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Estratégia anarquista: a organização anarquista - Unidade teórica / ideológica - Força que orienta a atividade política com objetivos determinados (linha política) - Comum a todos da organização - Táticas e estratégias em concordância com essa linha - Unidade tática / Método coletivo de ação - Todos militantes e grupos de acordo com estratégia e linha política - Linha comum evita desperdício de forças (cada um faz uma coisa; com ações que chegam a se contradizer) Concentração de forças, direção comum do caminhar orgânico, objetivos fixos

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Estratégia anarquista: a organização anarquista - Responsabilidade coletiva - Atividade revolucionária exige responsabilidade coletiva - Rejeição da atuação sob responsabilidade de um indivíduo; responsabilidade é sempre coletiva - União responsável do membro com a organização e da organização com o membro - Contra o individualismo

3. A PLATAFORMA 3.3 CONTEÚDO DO DOCUMENTO Estratégia anarquista: a organização anarquista - Federalismo - Deturpado por anarquistas que defendem a manifestação de seu próprio ego e são contrários à organização; essas posições devem ter fim - Contra a centralização e pela organização federativa - Estímulo ao espírito crítico, à iniciativa, à independência, à livre opinião, à liberdade individual - Concordância livre (indivíduos e organizações) para trabalhar coletivamente visando objetivos em comum - Cumprir deveres comuns, de acordo com decisões compartilhadas - Não podem haver decisões não executadas - OEA composta de diferentes grupos (células) com um secretariado (Comitê Executivo), orientando o trabalho político e técnico da organização - Comitê Executivo: executa decisões, orienta grupos e indivíduos menos articulados, monitora o estado da organização, faz as relações da organização (internas e externas)

4. DEBATE E DESDOBRAMENTOS Defensores da Síntese * Sébastien Faure (“A Síntese Anarquista, de 1928) * Volin (“A Síntese Anarquista”, de 1934) * Anarco-sindicalistas: Maximoff, Sobol, Schwartz, Fleshin etc. Argumentos fundamentais Falta autocrítica: “Culpa dos outros” Correntes do anarquismo (anarco-comunismo, anarco-sindicalismo e anarco-individualismo) são complementares. Comunismo (objetivo), sindicalismo (meio), individualismo (garantia preservação liberdade individual, emancipação e felicidade) Plataforma teria incorporado elementos do bolchevismo no contato na revolução Rússia / Ucrânia. União Geral partido bolchevique Confusão dos termos (reforçados pela tradução de Volin); direção, vanguarda etc. Questionamento da autonomia dos grupos na organização (linha única seria autoritária / não anarquista) Questionamento do Comitê Executivo (comitê central) Nome União “Geral” (obrigação de todos fazerem parte)

4. DEBATE E DESDOBRAMENTOS Defensores da organização anarquista (relativamente críticos da Plataforma) * Malatesta * Luigi Fabbri * Camilo Berneri Argumentos fundamentais Concordância parcial; alguns aceitam colaborar de fora Modelo poderia levar a uma “bolchevização” do anarquismo Grupos e indivíduos têm que ter autonomia para trabalhar com diferentes estratégias e táticas; não aceitam unidades Possível cooperação com individualistas Problema dos termos

4. DEBATE E DESDOBRAMENTOS Defensores da organização anarquista (apoiadores da Plataforma) * Poloneses Ranko, Ida Mett e Walecki (autores) * Pier Carlo Masini * Geoges Fontenis Desdobramentos concretos Bulgária: Entre 1926 e 1927 a Federação dos Anarco-Comunistas Búlgaros (FAKB) adotou a Plataforma França: Criação de organizações dissidentes da União Anarquista: Union Anarchiste Communiste Révolutionnaire (1927) e Fédération Communiste Libertaire (1934-1936); Organisation Pensée Bataille (1950). Itália: Grupos Anarquistas de Ação Proletaria (GAAP) Polônia: grupo de Ranko China: Chen Tentativa de Internacional Comunista Libertária (OPB, GAAP)

“Como o socialismo em geral e como qualquer outro movimento social, o anarquismo nasceu do povo. E só conservará sua vitalidade e sua força criadora enquanto permanecer popular.” Piotr Kropotkin Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL) www.anarquismosp.org oasl@riseup.net

FIM