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Professora Camile Baccin. Morte e Vida Severina, escrito por João Cabral de Melo Neto em 1955 a pedido de Maria Clara Machado para encenação no teatro.

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1 Professora Camile Baccin

2 Morte e Vida Severina, escrito por João Cabral de Melo Neto em 1955 a pedido de Maria Clara Machado para encenação no teatro O Tablado. O poema foi ainda objeto de espetáculos que percorreram diversas capitais brasileiras e europeias.

3 …E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma, teimosamente, se fabrica, vê-la brotar como há pouco em nova vida explodida; mesmo quando é assim pequena a explosão, como a ocorrida; mesmo quando é uma explosão como a de há pouco, franzina; mesmo quando é a explosão de uma vida severina.

4 Morte e Vida Severina narra a saga de Severino, retirante que percorre longa jornada de sua cidade de origem no sertão nordestino até a capital Recife em busca de melhores condições de vida. Durante o percurso, Severino se depara com a morte muitas vezes e ela é representada em diversas situações, como no trecho em que o retirante encontra o rio Capibaribe com seu curso interrompido pela seca. Severino, desesperançado diante de tanta miséria e fome, pensa frequentemente em desistir e saltar fora da vida. Mas, o otimismo ressurge no trecho final do texto, quando Severino assiste ao nascimento de uma criança, que simboliza a explosão da vida e a esperança de um tempo mais justo.

5 João Cabral de Melo Neto nasceu no Recife em 09/01/1920 e foi um dos mais importantes escritores da geração pós-modernista da literatura brasileira, destacando- se pela objetividade e facilidade em descrever com realismo as situações do cotidiano. A partir de 1950, João Cabral de Melo Neto passou a preocupar- se mais com a realidade social, principalmente do nordeste. Daí surge, dentre outros, o poema Morte e Vida Severina, obra que popularizou o autor e que merece ser lida na íntegra, pela sua extrema beleza e lucidez.

6 Semântica, conotação, plurissignificados, ficcionalidade, esteticidade

7 O texto literário é repleto de subjetividade: ideias, modo pensar, estilo da época. O sertão é um bom exemplo, cada autor vê o sertão a seu modo: O sertão é dentro da gente. G.Rosa ESTÉTICA originia-se do grego AESTHESIS e significa emoção. BELO um conceito filosófico – sublime e imagem.

8 O MITO DE MARCISOO CORCUNDA DE NOTRE DAME

9 VERSOS ÍNTIMOS Vês?! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão - esta pantera - Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te a lama que te espera! O Homem que, nesta terra miserável, Mora entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera Toma um fósforo, acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro. A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa ainda pena a tua chaga Apedreja essa mão vil que te afaga. Escarra nessa boca de que beija! Augusto dos Anjos

10 O texto literário é ficção ainda que baseado em fatos reais. O texto ficcional provoca um diálogo antitético ou aproximado com a realidade. Verossimihança. A CONOTAÇÃO é a base da literariedade. O texto metafórico, simbólico, cheio de linguagem figurada é um texto absolutamente literário.

11 O vento varria as folhas, O vento varria os frutos, O vento varria as flores... E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De frutos, de flores, de folhas. O vento varria as luzes, O vento varria as músicas, O vento varria os aromas... E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De aromas, de estrelas, de cânticos. O vento varria os sonhos E varria as amizades... O vento varria as mulheres... E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De afetos e de mulheres. O vento varria os meses E varria os teus sorrisos... O vento varria tudo! E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De tudo. MANUEL BANDEIRA

12 O texto literário pode ser subjetivo, ficcional, esteticizante e conotativo permite ao leitor que o interprete de diversas formas, desde que inseridas no contexto. O texto pluri é portador de vários significados, e por isso motivador de várias significações. Narrativas em prosa, poemas (líricos), peças teatrais (os textos dramáticos).

13 Análise literária

14 Morte e Vida Severina, o texto mais popular de João Cabral de Melo Neto, é um auto de natal do folclore pernambucano e, também, da tradição ibérica. Foi escrito entre Naquela ocasião, Maria Clara Machado, que dirigia o teatro Tablado, no Rio, pedira que João Cabral escrevesse algo sobre retirantes. O poeta escreveu, então, um grupo de poemas dramáticos, para "serem lidos em voz alta" e os dedicou a Rubem Braga e Fernando Sabino, "que tiveram a idéia deste repertório". Morte Vida Severina tem como subtítulo Auto de Natal pernambucano e tem inspiração nos autos pastoris medievais ibéricos, além de espelhar-se na cultura popular nordestina.

15 Morte e Vida Severina estruralmente está dividida em 18 partes; no entanto, outra divisão muito nítida pode ser feita quanto à temática: da parte 1 a 9, compreende-se o périplo de Severino até o Recife, seguindo sempre o rio Capibaribe, ou o "fio da vida" que ele se dispõe a seguir, mesmo quando o rio lhe falta e dele só encontra a leve marca no chão crestado pelo sol. Da parte 10 a 18, o retirante está no Recife ou em seus arredores e sofridamente sabe que para ele não há nenhuma saída, a não ser aquela que presenciou no percurso: a morte.

16 Sua linha narrativa segue dois movimentos que aparecem no título: "morte" e "vida". No primeiro, temos o trajeto de Severino, personagem-protagonista, para Recife, em face da opressão econômico-social, Severino tem a força coletiva de uma personagem típica: representa o retirante nordestino. No segundo movimento, o da "vida", o autor não coloca a euforia da ressurreição da vida dos autos tradicionais, ao contrário, o otimismo que aí ocorre é de confiança no homem, em sua capacidade de resolver os problemas sociais. O auto de natal Morte e Vida Severina possui estrutura dramática: é uma peça de teatro. Severino, personagem, se transforma em adjetivo, referindo-se à vida severina, à condição severina, à miséria.

17 O retirante vem do sertão para o litoral, seguindo a trilha do rio Capibaribe. Quando atinge o Recife, depois de encontrar muitas mortes pelo caminho, desengana-se com o sonho da cidade grande e do mar. Resolve então "saltar fora da ponte e da vida", atirando-se no Capibaribe. Enquanto se prepara para morrer e conversa com seu José, uma mulher anuncia que o filho deste "saltou para dentro da vida" (nasceu). Severino assiste ao auto de natal (encenação comemorativa do nascimento). Seu José, mestre carpina, tenta demover Severino da resolução de "saltar fora da ponte e da vida".

18 O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI O meu nome é Severino, como não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria; como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias. Mas isso ainda diz pouco: há muitos na freguesia, por causa de um coronel que se chamou Zacarias e que foi o mais antigo senhor desta sesmaria. Como então dizer quem fala ora a Vossas Senhorias? Vejamos: é o Severino da Maria do Zacarias, lá da serra da Costela, limites da Paraíba. Mas isso ainda diz pouco: se ao menos mais cinco havia com nome de Severino filhos de tantas Marias mulheres de outros tantos, já finados, Zacarias, vivendo na mesma serra magra e ossuda em que eu vivia. Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra, no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas, e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta.

19 Neste trecho, Severino retirante se apresenta às pessoas e tenta, quando mais possa, logo de início individualizar-se. Para tanto, usa referências pessoais, de sobrenomes e nomes e geográficas. Inútil, ele é apenas um igual a tantos outros Severinos e, desse modo, difícil é desidentificar-se de maneira a distanciar-se deles, os seus iguais em sofrimento, dor, busca, no mesmo espaço geográfico da secura, fome, miséria e ignorância. A partir do 31 o verso, no entanto, sua fala deixa de ser individualizada. Ao observar que "somos muitos Severinos/iguais em tudo na vida:/na mesma cabeça grande/que a custo é que se equilibra..." o retirante funde sua saga à saga dos outros nordestinos, junta-se a eles no destino da retirada, da busca de saídas, da procura, pobreza, sofrimentos e sonhos

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