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O luto e suas relações com os estados maníaco-depressivos O luto e suas relações com os estados maníaco-depressivos.

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1 O luto e suas relações com os estados maníaco-depressivos O luto e suas relações com os estados maníaco-depressivos

2 Hipótese central A perda de uma pessoa amada reativa a posição depressiva infantil. A recuperação do luto depende da posição depressiva na infância;

3 O luto em Freud O teste de realidade revelou que o objeto amado não mais existe, de modo que o respeito pela realidade passa a exigir a retirada de toda a libido das relações anteriormente mantidas com esse objeto. Contra isso ergue-se então uma compreensível oposição. Afinal, como se pode observar, de modo geral o ser humano – mesmo quando um substituto já se delineia no horizonte – nunca abandona de bom grado uma posição anteriormente ocupada. Eventualmente, essa oposição pode vir a ser tão forte que ocorra uma fuga da realidade e o sujeito se agarre ao objeto por meio de uma psicose alucinatória de desejo; porém, ao final, o normal é que o respeito pela realidade saia vitorioso. Entretanto, essas exigências da realidade não são atendidas de imediato. Ao contrário, isso só ocorre pouco a pouco e com grande dispêndio de tempo e energia, enquanto, em paralelo a existência do objeto perdido continua a ser sustentada. Cada uma das lembranças e expectativas que vinculam a libido ao objeto é trazida à tona e recebe uma nova camada de carga, isto é, de sobreinvestimento. Em cada um dos vínculos vai se processando então uma paulatina dissolução dos laços de libido. (FREUD, 1917, p. 104)

4 O trabalho de luto Uma parte essencial do trabalho de luto é o teste de realidade, processo dispendioso economicamente e também muito doloroso; O trabalho de luto envolve um rompimento lento e gradual, no qual o objeto é sobreinvestido antes de ser desinvestido pela libido; A criança passa por estados mentais comparáveis ao luto no adulto quando vivenciam a posição depressiva infantil; O luto arcaico é revivido sempre que se sente algum pesar na vida ulterior;

5 Posição depressiva Sentimentos depressivos que atingem seu clímax durante a fase do desmame; O objeto que desperta o luto é o seio da mãe, juntamente com tudo aquilo que o seio e o leite passaram a representar na mente do bebê: amor, bondade e segurança; O bebê sente como se tudo isso tivesse perdido enquanto resultado de suas incontroláveis fantasias destrutivas dirigidas ao seio da mãe; Fase onde impera preocupação e pesar em torno da perda tão temida dos objetos bons;

6 Na construção do mundo interno, a introjeção dos pais é sentida ainda de maneira concreta, como se fossem pessoas vivas habitando o corpo da criança; A figura introjetada torna-se um duplo da figura externa: o mundo interior da criança tem natureza fantástica e não está acessível para o juízo da criança; Em função da natureza deste mundo interno, se faz necessário que a criança observe e se certifique do mundo externo dos objetos;

7 Podem surgir sérias dificuldades mentais no caso de crianças que sejam demasiadamente dominadas por seu mundo interior: suas ansiedades não são refutadas pelos aspectos agradáveis da relação com as pessoas; Certa quantidade de experiências desagradáveis são úteis para o teste de realidade da criança, pois ao superá-las ela pode perceber que podem manter seus objetos assim como o amor que sente por eles;

8 O aumento do amor e da confiança, junto com a redução do medo através de experiências felizes, ajudam o bebê a vencer gradualmente sua depressão e o sentimento do perda; Ao ser amado e sentir prazer e conforto junto aos outros, sua confiança na bondade das pessoas e de si mesmo é fortalecida,

9 Vivência de experiências desagradáveis ou falta de experiências prazerosas: Aumento da ambivalência, diminuição da confiança, pois há a confirmação das ansiedades a respeito da aniquilação interna e a perseguição externa; A cada etapa do desenvolvimento infantil, os objetos internos bons se estabelecem com mais força, sendo utilizados pelo ego como meio de superar a posição depressiva; A posição depressiva arcaica é trabalhada através da neurose infantil : dependência da vitória contra o caos interior

10 Mecanismos presentes no desenvolvimento do bebê Processos de introjeção e projeção são dominados pela agressividade – fantasias persecutórias; Medo de perder os objetos amados – posição depressiva; Primeiro conjunto de defesas: destruição dos perseguidores através de métodos violentos ou cheios de astúcia; Anseio pelo objeto amado: reúne os sentimentos de pesar, preocupação e o medo de perder os objetos amados;

11 Posição depressiva: perseguição e as defesas empregadas contra ela + anseio pelo objeto amado; Segundo conjunto de defesas: contra o anseio pelo objeto amado – de caráter maníaco: criação de fantasias onipotentes que estimulam todos os interesses, atividades e sublimações da criança; Idealização do objeto: parte essencial da posição maníaca marcada fortemente pela negação parcial da realidade psíquica;

12 Onipotência + negação + idealização ligadas à ambivalência: permitem que o ego reaja aos seus perseguidores internos e à dependência em relação aos objetos amados – novos avanços ao desenvolvimento; A criança pequena recorre à onipotência maníaca, pois ainda não consegue confiar nos seus sentimentos construtivos e reparadores – trata-se de um ego que ainda lida adequadamente com a culpa e a ansiedade;

13 O desejo de controlar o objeto, a gratificação sádica de dominá-lo e humilhá-lo, enfim, o triunfo sobre ele, podem participar com tanta força do ato de reparação que o círculo benigno iniciado por este ato se rompe; Conseqüência do ato fracassado de reparação: o ego se vê obrigado a recorrer constantemente às defesas maníacas e obsessivas;

14 Triunfo: elemento da posição maníaca que envolve o desejo de reverter a relação de dependência com o objeto, de ter poder para triunfar sobre ele. Envolve desejos voltados para a obtenção de sucesso, mas também fantasias de causar dano ao objeto; O triunfo sobre os objetos faz parte dos aspectos destrutivos da posição maníaca, perturbando a reparação e a recriação do mundo interno – prejudica o trabalho de luto;

15 Os dons e as habilidades crescentes da criança aumentam sua crença nas suas tendências construtivas, na sua capacidade de dominar e controlar não só os seus impulsos hostis, mas também os objetos maus internalizados; Por conseqüência, as ansiedades são aliviadas, gerando uma diminuição da agressividade e das suspeitas relacionadas a objetos maus internos e externos;

16 O ego fortalecido dotado de uma maior confiança nas pessoas pode avançar ainda mais em direção a unificação de suas imagos, atingindo um processo geral de integração; Importância do teste de realidade eterna: a criança ganha mais confiança em sua capacidade de amar, nos seus poderes reparadores - diminuição da onipotência maníaca e dos impulsos obsessivos voltados à reparação – SINAL DE QUE A NEUROSE INFANTIL CHEGOU AO FIM

17 Relação entre a posição depressiva infantil e o luto normal A dor trazida pela perda da pessoa amada é ampliada pela fantasia de que houve a perda dos objetos internos bons; Impressão de que restaram os objetos externos maus e que o mundo interno corre o risco de se desintegrar; Freud: a perda gera o impulso de reinstalar o objeto perdido dentro do ego; Melanie Klein: não apenas reinstala o objeto perdido dentro do ego, como também reinstala os objetos bons arcaicos internalizados;

18 Na vivência do luto, a posição depressiva arcaica é reativada, juntamente com as ansiedades, a culpa e os sentimentos de perda derivados da situação do desmame, do conflito edipiano dentre outras; A dor associada ao lento processo do teste de realidade durante o trabalho de luto se explicaria pela necessidade não só de renovar os elos com o mundo exterior, mas para reconstruir o mundo interno que parece destruído;

19 Durante o luto, o indivíduo passa por um estado maníaco-depressivo modificado e transitório: repetição dos processos vividos no desenvolvimento infantil normal; A presença de sentimentos de triunfo acabam por retardar o processo de luto, pois aumentam a dor e as dificuldades sentidas; Ódio do objeto – transforma o objeto bom em perseguidor – abala a crença do sujeito em seus objetos bons – perturba a idealização que funciona enquanto proteção – atrapalha a sensação de alívio sentida ao recordar da bondade da pessoa perdida;

20 O ódio contra a pessoa amada é ampliado pelo medo de que ela tivesse morrido como forma de punir o sujeito e impor-lhe privações; Gradualmente, retomando a confiança nos objetos externos é que a pessoa em luto consegue fortalecer a confiança na pessoa amada que perdeu, admitindo que esse objeto não era perfeito, sem perder a confiança no amor que sente por ele;

21 Quando o sofrimento é vivido ao máximo e o desespero atinge seu auge, o indivíduo enlutado vê novamente seu amor pelo objeto. Ele sente que a vida continua por dentro e por fora e que o objeto amado perdido pode ser preservado em seu interior; Todo avanço no processo de luto resulta num aprofundamento da relação do sujeito com seus objetos internos, na felicidade de reconquistá-los depois que eles foram considerados perdidos, gerando uma maior confiança nos mesmos;

22 Diferença central entre a posição depressiva e o luto normal No adulto. O pesar é fruto de uma perda real. O fato de ter estabelecido no início da vida uma mão boa dentro de si o ajuda a superar as situações de perda em sua vida; A criança encontra-se no auge de sua luta contra o medo de perder o objeto interno e externo, pois ainda não conseguiu o estabelecer com segurança dentro de si. A presença do objeto junto à criança é de grande importância para este processo;

23 Luto normal e estados maníaco- depressivos Nos estados maníaco-depressivos, houve um fracasso no trabalho de luto, dificultando o estabelecimento dos objetos bons na infância. A posição depressiva infantil nunca foi superada; No luto normal, ao restabelecer dentro de si os pais bons juntamente com a pessoa que acaba de perder e ao reconstruir seu mundo interior que se encontrava em perigo, a pessoa vence o seu pesar, volta a ter segurança conquistando um maior equilíbrio;

24 O que estou é velho. Cinqüenta anos pelo São Pedro. Cinqüenta anos perdidos, cinqüenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra essa casca espessa e vem a ferir cá dentro a sensibilidade embotada [...]

25 Ponho a vela no castiçal, risco um fósforo e acendo-a. Sinto um arrepio. A lembrança de Madalena persegue-me. Diligencio afasta-la e caminho ao redor da mesa. Aperto as mãos de tal forma que me firo com as unhas, e quando caio em mim estou mordendo os beiços a ponto de tirar sangue. De longe em longe sento-me fatigado e escrevo uma linha. Digo em voz baixa: - estraguei minha vida, estraguei-a estupidamente. [...]

26 Penso em Madalena com insistência. Se fosso possível recomeçarmos...Para que enganar-me? Se fosse possível recomeçarmos aconteceria exatamente o que aconteceu. Não consigo modificar-me. É o que mais me aflige [...].

27 Madalena entrou aqui cheia de bons sentimentos e bons propósitos. Os sentimentos e propósitos esbarram com a minha brutalidade e o meu egoísmo. Creio que nem sempre fui egoísta e brutal. A profissão é que me deu qualidades tão ruins. E a desconfiança terrível que me aponta inimigos em toda a parte! (...)

28 Julgo que sonhei com atoleiros, rios cheios e uma figura de lobisomem(...) É horrível! Se aparecesse alguém..estão todos dormindo..se ao menos a criança chorasse..nem se quer tenho a amizade de meu filho. Que miséria!Casemiro Lopes está dormindo. Marciano está dormindo. Patifes!E eu vou ficar aqui, às escuras, até não sei que horas,até que, morto de fadiga, encoste a cabeça à mesa e descanse por alguns minutos. GRACILIANO RAMOS, São Bernardo1934, p


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