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EVANGELHO SEGUNDO MATEUS ESCOLA BÍBLICA (Escola da Fé)

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Apresentação em tema: "EVANGELHO SEGUNDO MATEUS ESCOLA BÍBLICA (Escola da Fé)"— Transcrição da apresentação:

1 EVANGELHO SEGUNDO MATEUS ESCOLA BÍBLICA (Escola da Fé)

2 A VITÓRIA DA JUSTIÇA (Mateus 17,1-13) O ponto mais difícil de compreender e aceitar na boa notícia do Evangelho é o de que o triunfo acontece através do aparente fracasso, de que a justiça e vitoriosa através da aparente vitória da injustiça, de que a vida triunfa através do aparente triunfo da morte. Nós gostamos de coisas claras e lógicas, e ficamos atrapalhados com tudo isso. E que a lógica de Deus é diferente da nossa. Ele vê tudo e nós apenas uma parte. Resta-nos, portanto, crer, admitindo que a nossa visão é curta.

3 Jesus é o Messias esperado, mas um Messias que vai realizar a vontade do Pai através do aparente fracasso e derrota, julgado, condenado e morto como criminoso, subversivo da "ordem social" (reveja 16,21). Somos então seguidores de um bandido? Assim pensam aqueles que vivem da injustiça. O presente texto mostra que, do lado de Deus, as coisas são muito diferentes. Em Jesus a criação de Deus chegou a sua realização final. Ele é o modelo da humanidade realizada.

4 O reverso da tentação Jesus recusará a proposta do diabo na última tentação dominar o mundo através do poder e da riqueza (reveja Mt 4,8-10). Agora ele está novamente num alto monte, acompanhado dos discípulos mais próximos, exatamente seis dias depois - o que nos lembra o sexto dia da criação, quando Deus criou a humanidade (17,1). E a revelação do destino final de todos nós, se nos comprometermos com o projeto de Deus, profundamente desejado no Antigo Testamento, e finalmente revelado e realizado em Jesus é através dele.

5 O segredo e a justiça, a vontade de Deus que cria liberdade e vida para todos. O que acontecerá se nos comprometermos com ela? O mesmo que acontece com Jesus nesta cena. O homem glorioso Jesus acabara de anunciar a sua morte, e Pedro, o chefe da comunidade, resistirá. Como lutar tanto, e acabar derrotado? Era necessário mostrar o resultado final da luta. A luta de Jesus e dos seus seguidores não vai acabar na derrota da morte, mas na glória da ressurreição (17,2), porque a verdade, uma vez entrevista, jamais se

6 apagará. É bom nos lembrarmos de que já faz vinte séculos que Jesus foi morto, mas até hoje a lembrança da sua palavra e ação continua a mover o mundo. E como ele tantos outros, discípulos seus, declarados ou anônimos. Coisa que o salmo 112 já dizia: "a memória do justo é para sempre!" (Salmo 112,6). Em Jesus está a Bíblia inteira Moisés e Elias são um modo de falar de todo o Antigo Testamento (17,3-5). Moisés personifica a Lei e Elias o profetismo. Lei e Profetas era o modo como os judeus chamavam a Bíblia. E o conteúdo da Bíblia toda é o

7 anúncio e a busca da justiça, vontade de Deus e desejo da humanidade. Moisés e Elias conversam com Jesus. Sinal de que, se quisermos agora entender a Bíblia, temos que conversar com Jesus. Ele é quem pode explicar, através da sua palavra e ação, o que Deus quer e o que nós mesmos desejamos. Isso fica ainda mais claro com a voz do Pai que declara: "Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que diz". Daqui para frente é Jesus quem vai ensinar tudo o que Deus quer, em resposta ao nosso mais profundo desejo. Os discípulos que aí estavam ficaram com medo. Quem é que não teme

8 diante da vontade de Deus e do seu próprio desejo profundo, embora fosse justamente por isso que andava a procura? Ficar por aqui mesmo? Pedro é uma pessoa extraordinária, porque expressa a nossa espontaneidade e, talvez, a nossa ingenuidade. Ele quer reter aquele Jesus glorioso, junto com Moisés e Elias (17,4). As tendas são uma referência a Festa das Tendas, de caráter nacionalista e triunfalista. Seria tão bom ficar com esse Jesus glorioso. Esse é o nosso sonho de criança: a glória fácil. Não. A glória virá depois da

9 luta, o triunfo virá através da derrota, e a vida surgirá das cinzas da morte. A lógica de Deus é diferente da dos homens... Somente Jesus A visão maravilhosa se desfaz, e resta apenas Jesus com os discípulos (17,7-9). Fora apenas a antevisão do futuro. Agora é preciso lutar até o fim. A visão do triunfo não é para afastar da luta, mas para dar ânimo, a fim de que não desistamos da luta no meio do caminho. E aqui que está o grande segredo dos cristãos: eles não devem

10 contar a ninguém que viram o Jesus glorioso, antes que ele realmente esteja na glória, depois de toda a luta. Antes as pessoas não acreditariam. Quem acredita que a vitória de Deus vem através do nosso fracasso? A lógica de Deus é diferente da nossa... Primeiro o fracasso, depois a vitória Os judeus esperavam a volta de Elias, o pai dos profetas, que iria arranjar tudo para o Reino de Deus. Os discípulos consultavam Jesus sobre isso (17,1O-13). Era uma forma de saber algo de Jesus. Seria ele mesmo quem iria trazer o Reino de Deus? Jesus confirma: Elias

11 já tinha vindo, na pessoa de João Batista, que pedia conversão de vida e transformação das situações. Mas, o que a sociedade fez? Matou-o. Em geral, preferimos acabar com as pessoas em vez de mudar o nosso modo de viver. E é o que aconteceu com Jesus. Ele provocava mudanças tão profundas que preferiram acabar com ele, para não ter que deixar os próprios caprichos. Será que hoje as coisas mudaram?

12 Para refletir em grupos 1. O que acontece se renunciamos a tentação do poder e da riqueza? 2. Por que Jesus é a revelação do que seremos? 3. Toda a Bíblia está resumida em Jesus. Comente isso. 4. Às vezes temos a tentação de parar a luta pela justiça e nos acomodarmos no meio do caminho. Já aconteceu isso na comunidade? Por quê? 5. A vitória vem através da derrota. A comunidade já experimentou isso? Relembrem essas derrotas e vejam agora qual foi à vitória.

13 A FÉ SUSTENTA A LUTA (Mateus 17,14-27) A cena da transfiguração revela o destino final de Jesus, e também o destino de todos aqueles que se comprometem com a justiça que leva a realização do projeto de Deus. Daí nasce à humanidade nova, o homem glorioso que realmente é "imagem e semelhança" de Deus (cf. Genesis 1,26-27). Como consequência, a renovação de todas as relações econômicas, políticas e sociais que constroem o destino da sociedade e da história, voltadas agora para a liberdade e a vida de todos.

14 O panorama descortinado pela fé é grandioso e belo. Mas, na prática, as coisas não parecem tão fáceis. Primeiro é preciso desalienar o povo. Por que é que os discípulos não conseguiram realizar isso? Depois é preciso não esquecer que a vitória sai do ventre da derrota, que o que se vê em primeiro lugar é o triunfo da injustiça, e não da justiça. Como entender e aceitar? E, finalmente, enquanto as coisas não mudam, é preciso não provocar escândalo gratuito, que só atrapalharia a luta pela justiça.

15 Como realizar tudo isso? O ponto fundamental é a fé que, ao mesmo tempo, é um passo no escuro, esperar contra toda dificuldade e entregar-se ao compromisso com Deus e com Jesus, tentando, a cada momento, descobrir o que o projeto de justiça exige. Como vencer esse demônio? O menino epilético é figura do povo (17,14-21). Epilepsia é doença com ataques de vez em quando, durante os quais a pessoa fica temporariamente alienada, fora de si. Nesses momentos surgem reações extremamente violentas, como jogar-se no fogo ou na água. E o povo

16 tentando se libertar. O pai suplica a Jesus, e o seu gesto (ajoelhar-se) demonstra que ele tem fé. Mas aquele homem recorre agora a Jesus, depois de ter procurado antes os discípulos. Estes não conseguiram expulsar o demônio. Como assim, já que haviam recebido o poder para isso? (reveja 10,1). A censura de Jesus não se dirige ao povo, mas aos discípulos. Estes ainda não acreditam, isto é, ainda não descobriram que ter fé e entregar-se ao próprio Deus, para que ele aja através de nós, com a sua visão e ação. Pensar que a libertação depende da nossa capacidade ou

17 esforço é, no mínimo, ingenuidade e, no máximo, uma grande pretensão. O Reino da justiça é dom de Deus que se realiza através da nossa disponibilidade para com os interesses dele, e não os nossos. Por que é que os discípulos não conseguiram? A resposta de Jesus deixa bem claro que é a fé que transforma as situações. Ela é capaz de vencer todas as barreiras, inclusive transportar uma montanha. Certamente uma referência a montanha de Jerusalém, onde se reúnem os poderes econômico, político e ideológico que oprimem e exploram o povo, reduzindo-o a alienação. Mas,

18 finalmente, para realizar a ação libertadora é preciso oração e jejum, exatamente aquilo que Jesus fez antes de começar a sua atividade (reveja 4,1-11). Não adianta querer andar com os pés em duas canoas. É preciso decidir entre o projeto de Deus e o projeto do diabo. A oração nos mantém conscientes do projeto de Deus. O jejum leva-nos a romper com o mundo da injustiça, a fim de construir o mundo da justiça.

19 Mais um lembrete difícil Jesus torna a falar, agora de modo simples e rápido, do destino que o espera. Ele, o verdadeiro homem revelado na transfiguração, vai ser entregue nas mãos dos homens. Será morto por eles, mas no terceiro dia ressuscitará (17,22-23). Se compararmos com o primeiro anúncio de sua morte (16,21-23), perceberemos que já não se fala mais dos chefes do povo, mas simplesmente de "homens". Quem são eles? Não seria o próprio povo, que está sedento de libertação, mas na hora "h" rejeita a justiça como caminho para satisfazer a sua própria fome e sede?

20 Não se trata apenas do povo daquele tempo. E também o povo de hoje, e no meio dele nós, que em geral desejamos transformações, mas contanto que ninguém mexa com a nossa vida. Os discípulos ficaram tristes com o que Jesus dizia. E tristes ficamos nós, quando não compreendemos que a luta pela justiça não leva em primeiro lugar a glória, mas a desonra, perseguição, todo tipo de condenação e até a morte. Cuidado com o diabo das tentações! O sucesso e o triunfo podem indicar que não estamos realizando o caminho da justiça. A justiça sempre irá se chocar contra

21 a injustiça. A luta e tão grande que a vitória só pode vir de Deus. O horizonte da liberdade e da vida A questão do imposto é uma espécie de desafio (17,24- 27). Os fiscais perguntam se o Mestre Jesus não paga o imposto ao Templo. Ora, naquele tempo o Templo havia se tornado a sede de todos os poderes, mas era principalmente o lugar do tesouro nacional, uma espécie de "banco central". Por outro lado, os sacerdotes e muitos rabinos ou mestres estavam isentos de pagar esse

22 imposto. Os fiscais querem saber se Jesus, que é chamado Mestre, está gozando a mesma "mordomia". O fato de Jesus pagar mostra que ele já rompeu com essa sociedade injusta, onde os grandes tem privilégios à custa dos pobres. A conversa entre Jesus e Pedro é provocadora. Agora Jesus já fala do imposto cobrado pelos reis, isto é, o imposto e as taxas cobradas pelos estrangeiros. Ele denuncia, assim, a exploração internacional que empobrece os povos dominados e os faz viver na miséria.

23 Abre-se, portanto, o horizonte novo que um dia sê realizará: o autodesenvolvimento de cada povo que, liberto da exploração e opressão, poderá encontrar o seu lugar no mundo e o seu caminho na história. Mas voltemos ao imposto interno. Jesus paga para não provocar escândalo. Ainda não chegou o momento da tão esperada liberdade. Mas o curioso e que o dinheiro do imposto não sai da caixa comum do grupo, e sim, miraculosamente, da boca de um peixe. Por quê? Porque Deus atende, desde já, todas as necessidades dos seus filhos.

24 Para refletir em grupos 1. Por que muitas vezes falhamos ao tentar curar a alienação das pessoas? Quais são essas alienações? 2. Ter fé é o ponto fundamental para a comunidade. Mas, como é que a comunidade compreende a fé? 3. Por que a luta pela justiça primeiro parece fracassar? Deverá ser sempre assim? 4. O povo paga impostos. E o que recebe em troca? No lugar em que moramos, do que é que o povo tem mais necessidade? 5. Deus atende as necessidades dos seus filhos. Como isso acontece?

25 A COMUNIDADE E A JUSTIÇA (I) (Mateus 18,1-20) O seguimento de Jesus acaba reunindo num mesmo caminho todos aqueles que se comprometem com a justiça. Forma-se então a comunidade cristã, continuação e presença da pessoa e da ação de Jesus. Por isso ela é muito importante, e grande é a sua responsabilidade. Como deverá se comportar, e com que mística deverá viver? Todo o capítulo 18 é uma resposta. Aqui Mateus traça as linhas fundamentais que deverão nortear a vida inteira da comunidade.

26 Quais são os maiores problemas daqueles que escolheram seguir a Jesus, e juntos formar a comunidade-germe de uma sociedade que pratica a justiça? ACOLHER SEM LIMITES Quem é o maior na comunidade? Primeiro temos a competição: quem é o maior? (18,1-5). Aqui, o Reino do céu é a comunidade que pratica a justiça. Será que, no fim, depois de lutar ativamente pela justiça, ela vai acabar copiando o comportamento de

27 uma sociedade onde todos competem pela abundância e prestígio, poder e riqueza, justamente as tentações da injustiça que Jesus venceu? (reveja 4,1-11). Jesus responde com uma parábola viva. A palavra usada para "criança" pode significar tanto "criancinha" como "servo, empregado". Naquele tempo, a criança de menos de doze anos não era considerada socialmente, e muito menos o empregado. Ela é símbolo dos fracos, pobres e humildes, aquelas pessoas que não tem importância ou pretensão - aqueles que são continuamente esmagados pela sociedade injusta. Pois bem, diz Jesus, o maior na comunidade é aquele que deixa todas as ambições, para ser apenas alguém que serve despretensiosamente.

28 Cuidado com o escândalo! Agora os fracos, pobres e humildes são chamados de pequeninos (18,6-9; reveja 11,25-30), aqueles que, na sua sede de justiça, se comprometeram com Jesus e começaram a fazer parte da comunidade cristã. Qual o escândalo para eles? Certamente ver que a comunidade os oprime com a mesma injustiça que impera na sociedade. Ou seja, a busca de abundância e prestígio, poder e riqueza. O maior escândalo é ver alguém pregar a justiça e depois viver na injustiça. Quem é que não se escandaliza com isso?

29 Remédio? Jesus é extremamente duro: corte o mal pela raiz! Ou seja, mude o seu modo de ver (olho), o seu modo de agir (mão) e de caminhar (pé). Não há meio- termo. Sem mudança radical, a comunidade cai na maior das hipocrisias: falar uma coisa e fazer outra. E então, onde fica a luta pela justiça? Exigir dos outros o que não se vive? Não. Primeiro é preciso viver e praticar a justiça. Só depois temos o direito de anunciá-la e exigi-la.

30 Por que alguém se afasta da comunidade? Mateus mudou a situação original da parábola da ovelha perdida (18,1O-14; confira com Lucas 15). Agora a parábola é dirigida a comunidade cristã: por que alguém se afastaria ou se perderia, saindo da comunidade- rebanho que segue a Jesus? Certamente por causa do escândalo, ao ver que a comunidade está repetindo a mesma dose de injustiça que existe na sociedade injusta. A parábola, então, se torna um julgamento para a comunidade. Escandalizados com a hipocrisia, os fracos,

31 os pobres e humildes vão embora. Como fica a situação? Jesus deixa a comunidade (99 ovelhas) e vai procurar a ovelha que se perdeu, ou melhor, que foi perdida pela comunidade. E o julgamento é duro: Jesus fica mais contente ao encontrar a ovelha que se perdera, do que com as 99 que não se tinham perdido. Essa é a vontade do Pai: ele justamente mandou seu Filho ao mundo para salvar o que nós pensávamos estar irremediavelmente perdido. E mais: o que pensávamos estar perdido estava justamente junto do Pai... (18,10). Depois disso tudo, ficamos pensando: quem é que, afinal, está perdido? Os outros? Ou nós? Só a justiça de Deus pode nos fazer enxergar as coisas. E quando o irmão erra? Ninguém de nós é perfeito, e não é porque seguimos a Jesus que estamos livres de cometer erros. Antes Mateus falou daquele que se afasta da comunidade por causa do escândalo. Agora fala daquele que provocou o escândalo, do irmão que errou (18,15-20). O que fazer com ele? O procedimento conforme a justiça procura evitar a arbitrariedade, levando em conta que todo mundo tem direito a boa fama. Primeiro não se deve espalhar o erro do irmão para todo mundo, mas corrigi-lo a sós. Ele pode não acreditar no que você está falando, ou não aceitar. Direito dele. Então arranje uma testemunha. Se ele não aceitar, então, e só então, comunicar a toda a comunidade. Questão grave, e agora é a comunidade que vai decidir. Se o irmão não aceitar nem a palavra da comunidade, então ficará excluído dela, como um pagão ou cobrador de impostos. E daí? Tudo encerrado? Não. Agora a comunidade deve procurar o irmão, assim como o pastor procura a ovelha perdida. Jesus tinha predileção pelos perdidos, porque "ele veio para salvar o que estava perdido" (18,11). Notar que a comunidade recebe o mesmo poder que Pedro, o chefe da Igreja (conferir o v. 18 com 16,19). Em sua vida, a comunidade terá que tomar decisões importantes, como a de expulsar o irmão do seu meio. Mas ela não poderá agir com leviandade. Não. Precisará estar profundamente sintonizada com todos os irmãos e, acima de tudo, sintonizada com o espírito de Jesus, que é o espírito da justiça. Só então ela poderá estar certa de que a sua palavra e a palavra de Jesus. E depois? Agir como Jesus, procurando e recuperando aquilo que se perdeu. A regra é o Pai, que não quer que ninguém se perca (leia Ezequiel 18,23.32). Para refletir em grupos 1. Por que o espírito de competição introduz a injustiça na comunidade? 2. Que escândalos podem acontecer na comunidade? Por que eles são graves? 3. Alguém já se afastou da comunidade? Por quê? O que a comunidade fez depois em relação a essa pessoa? 4. O que as pessoas da comunidade fazem em relação a um irmão que cometeu um erro? 5. O que significa "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles" (v. 20)? A COMUNIDADE E A JUSTIÇA (II) (Mateus 18,21-35) PERDOAR SEM LIMITES Mateus é muito realista a respeito da comunidade cristã. Ele sabe que viver sozinho não é bom, mas sabe também que viver junto não é fácil. Em 18,1-20 ele falava das tentações humanas (busca de abundância, prestígio, poder, riqueza, e as consequências do escândalo, desprezo, abandono, expulsão fácil da convivência). Agora ele aborda a fraqueza humana, a convivência machucada pelos conflitos, atritos e ofensas. Na verdade, a comunidade cristã é um grupo de pessoas que se ofendem, e a vida em comum só é possível quando os irmãos repartem entre si o perdão que cada um recebeu de Deus. Quantas vezes devo perdoar? Agora não se trata de escândalo ou pecado público, mas de uma ofensa pessoal, dirigida contra um irmão. Como o irmão ofendido deve reagir? Os judeus diziam que o máximo de vezes a perdoar era quatro. Pedro é generoso: elevando o número para sete (simbolicamente "muitas vezes"), ele pensa chegar ao pensamento de Jesus. No fundo, tanto ele como os judeus estão preocupados com os limites, preocupação egoísta de quem não quer se entregar totalmente a misericórdia. Sem limites! Na resposta de Jesus está implícita uma questão fundamental: é o perdão que possibilita a própria existência e continuação da comunidade. Ela se constrói no amor que é fruto da justiça, mas é amor entre pessoas frágeis que sofrem todas as consequências do egoísmo das tentações. A outra face do amor deve ser o perdão, que testemunha e assegura a justiça do verdadeiro amor. A resposta de Jesus é dada em dois passos: Perdão proporcional ao desejo de vingança Jesus retoma o canto de vingança de Lamec (Gênesis 4,24: "Se a vingança de Caim valia por 7, a de Lamec Valerá por 77"), mas aplica-o ao perdão. O texto do evangelho permite ler 77 vezes ou 70 vezes 7, sendo que o significado é o mesmo: o perdão não tem limites, ou melhor, deve ser proporcional ao desejo de vingança. Só o perdão pode salvar e cimentar a vida da comunidade que se comprometeu com a justiça. Ela é constituída de homens ao mesmo tempo santos e pecadores (leia Romanos 7), que só continuam vivos porque Deus renuncia a vingança. O perdão não compartilhado A parábola de 18,23-35 explica por que o perdão entre as pessoas da comunidade não pode ter limites: a exigência do perdão fraterno decorre do perdão que cada um já recebeu de Deus em Jesus. Trata-se de lembrar a própria situação diante de Deus: a misericórdia do Pai tirou cada um da morte e da escravidão para o devolver a liberdade e a vida (confira Lucas 15). E em nome do perdão que Deus nos concedeu que devemos perdoar. O ambiente da parábola evoca o de uma corte oriental, e a história tem o aspecto de um drama em que todos os elementos são fantásticos, apontando para um significado maior. O início mostra que o Reino, ou a comunidade, é semelhante não ao Rei, mas a situação que o descrita na parábola. A soma que o empregado deve é fantástica: cada talento equivalia mais ou menos a 34 quilos de ouro! Tentemos imaginar quilos de ouro... Aquele homem estava perdido e, mesmo que fosse vendido com a família, jamais conseguiria pagar a divida. E o empregado suplica, não para que a dívida seja perdoada, mas para que lhe seja dado um prazo. Outro aspecto fantástico: de que modo ele pensava pagar uma divida tão grande? O mais fantástico vem agora: o Rei se compadece dele e concede, não o prazo pedido, mas o perdão de toda a divida! Somos então levados a perguntar quem é esse Rei. A seguir, o comportamento daquele empregado com o seu companheiro é igualmente espantoso. Ele já esqueceu a sua situação diante do Rei (a falta de memória é a raiz de todas as infidelidades). A soma que o companheiro lhe deve é irrisória (algo como o salário por cem dias de trabalho). O companheiro também lhe pede um prazo, mas o outro nem isso lhe concede. A reação dos outros companheiros talvez retrate o espanto dos cristãos ao verem os conflitos que existem nas comunidades. A repreensão do Rei traz o centro da questão: o empregado devia ter aprendido a ter compaixão (sofrer junto, ser sensível ao outro), assim como é pelo próprio fato de o Rei ter tido compaixão dele. O v. 34 mostra a sorte de quem não aprende a ser compassivo: a pessoa é excluída da graça que antes lhe fora concedida. O v.35 conclui não só a parábola, mas o capítulo inteiro. O evangelho salienta a gratuidade do perdão de Deus que possibilita a cada um entrar e fazer parte do povo de Deus, que se comprometeu com a justiça e herdou a liberdade e a vida. Acolhida e perdão fraternos não são condições para se ter a salvação, mas sim a consequência de se ter entrado para o povo de Deus, e também a coerência exigida para construir e cimentar a vida em comunidade. Por isso o perdão deve ser interiorizado - "de coração" - isto é, abranger o homem inteiro, no fundo da sua consciência. O homem perdoa porque Deus o perdoou (leia Colossenses 3,12-13). A medida do perdão é o perdão de Deus, ou seja, não tem medida. Aliás, isso é perenizado no Pai-nosso. Toda vez que dizemos "Pai, perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores" (6,12), estamos, no fundo, pedindo nossa própria salvação, ou condenação. Para refletir em grupos 1. A outra face da moeda do amor é o perdão. Comente isso. 2. Até onde estamos dispostos a perdoar? Quais os motivos que nos impedem de ir além disso? 3. Ler a parábola. Colocar-se dentro de cada uma das personagens da história, e depois comentar o que sentiu. 4. Perdoar não é fácil. Como interiorizar o perdão, para que ele seja uma atitude constante em nossa vida?

32 E quando o irmão erra? Ninguém de nós é perfeito, e não é porque seguimos a Jesus que estamos livres de cometer erros. Antes Mateus falou daquele que se afasta da comunidade por causa do escândalo. Agora fala daquele que provocou o escândalo, do irmão que errou (18,15-20). O que fazer com ele? O procedimento conforme a justiça procura evitar a arbitrariedade, levando em conta que todo mundo tem direito a boa fama. Primeiro não se deve espalhar o erro do irmão para todo mundo, mas corrigi-lo a sós. Ele

33 pode não acreditar no que você está falando, ou não aceitar. Direito dele. Então arranje uma testemunha. Se ele não aceitar, então, e só então, comunicar a toda a comunidade. Questão grave, e agora é a comunidade que vai decidir. Se o irmão não aceitar nem a palavra da comunidade, então ficará excluído dela, como um pagão ou cobrador de impostos. E daí? Tudo encerrado? Não. Agora a comunidade deve procurar o irmão, assim como o pastor procura a ovelha perdida. Jesus tinha predileção pelos perdidos, porque "ele veio para salvar o que estava perdido" (18,11).

34 Notar que a comunidade recebe o mesmo poder que Pedro, o chefe da Igreja (conferir o v. 18 com 16,19). Em sua vida, a comunidade terá que tomar decisões importantes, como a de expulsar o irmão do seu meio. Mas ela não poderá agir com leviandade. Não. Precisará estar profundamente sintonizada com todos os irmãos e, acima de tudo, sintonizada com o espírito de Jesus, que é o espírito da justiça. Só então ela poderá estar certa de que a sua palavra e a palavra de Jesus. E depois? Agir como Jesus, procurando e recuperando aquilo que se perdeu. A regra é o Pai, que não quer que ninguém se perca (leia Ezequiel 18,23.32).

35 Para refletir em grupos 1. Por que o espírito de competição introduz a injustiça na comunidade? 2. Que escândalos podem acontecer na comunidade? Por que eles são graves? 3. Alguém já se afastou da comunidade? Por quê? O que a comunidade fez depois em relação a essa pessoa? 4. O que as pessoas da comunidade fazem em relação a um irmão que cometeu um erro? 5. O que significa "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles" (v. 20)?


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