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No clarear do dia vou para o roçado A capinar. Até de tarde tiro o meu eito: arranco inços, tranqueiras, Joás e bosta de bugiu que não serve nem para.

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2 No clarear do dia vou para o roçado A capinar. Até de tarde tiro o meu eito: arranco inços, tranqueiras, Joás e bosta de bugiu que não serve nem para esterco.... (O Roceiro)

3 Imagens não passam de incontinência do visual

4 Eu te invento, ó realidade

5 Mostrei a obra pra minha mãe. A mãe falou: Agora você vai ter que assumir as suas irresponsabilidades. Eu assumi: entrei no mundo das imagens (O Poeta)

6 Daqui vem que os poetas podem refazer o mundo por imagens, por eflúvios, por afeto... (Despalavra)

7 … Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra. Fotografei a existência dela… (O Fotografo)

8 E deixo o texto germinar sobre o branco do papel Na maior masturbação com as pedras e as rãs. (O Roceiro)

9 Imaginei as crinas soltas do vento a disparar pelos prados com o menino. Fotografei aquele vento de crinas soltas. (O vento)

10 Difícil fotografar o silêncio. Entretanto tentei.... (O Fotografo)

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12 O Fotógrafo Difícil fotografar o silêncio. Entretanto tentei. Eu conto: Madrugada a minha aldeia estava morta. Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa. Eram quase quatro da manhã. Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina. O silêncio era um carregador? Fotografei esse carregador. Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo. Tinha um perfume de jasmim num beiral de um sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada mais na existência do que na pedra. Fotografei a existência dela. Vi ainda azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Vi um paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre. Foi difícil fotografar o sobre.

13 Fotografei a Nuvem de calça e o poeta. no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir sua noiva. A foto saiu legal. Ninguém outro poeta ERRO DE CONCORDÂNCIA Por fim cheguei a Nuvem de calça. Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakovski - seu criador. INTERTEXTOINTERTEXTO

14 COMPARAMENTO Os rios recebem, no seu percurso, pedaços de pau, folhas secas, penas de urubu E demais trombolhos. Seria como o percurso de uma palavra antes de chegar ao poema. As palavras, na viagem para o poema, recebem nossas torpezas, nossas demências, nossas vaidades. E demais escorralhas. As palavras se sujam de nós na viagem. Mas desembarcam no poema escorreitas: como que filtradas. E livres das tripas do nosso espírito.

15 Auto –Retato Ao nascer eu não estava acordado,de forma que não vi a hora. Isso faz tempo. Foi na beira de um rio. Depois eu já morri 14 vezes. Só falta a última. Escrevi 14 livros E deles estou livrado. São todos repetições do primeiro. (posso fingir de outros, mas não posso fugir de mim). Já plantei dezoito árvores, mas pode que só quatro. Em pensamentos e palavras namorei noventa moças, mas pode que nove. Produzi desobjetos, 35, mas pode que onze. Cito os mais bolinados: um alicate cremoso, um abridor de amanhecer, uma fivela de prender silêncios, um prego que farfalha, um parafuso de veludo etc etc. Tenho uma confissão: noventa por cento do que escrevo é invenção; só dez por cento que é mentira. Quero morrer no barranco de um rio - Sem moscas na boca descampada! desobjetos NEOLOGISMO

16 O Fingidor O ermo que tinha dentro do olho do menino era um Defeito de nascença, como ter uma perna mais curta. Por motivo dessa perna mais curta a infância do Menino mancava. Ele nunca realizava nada. Fazia tudo de conta. Fingia que lata era um navio e viajava de lata. Fingia que o vento era cavalo e corria ventena. Quando chegou a quadra de fugir de casa, o menino Montava o lagarto e ia pro mato. Mas logo o lagarto virava pedra. Acho que o ermo que o menino herdara atrapalhava As suas viagens. O menino só atingia o que seu pai chamava de ilusão

17 Manoel de Barros é uma palpitação nas nossas vidas. O poeta humaniza as coisas, o tempo e o vento. deixe isso transcender e torne a sua vida poesia Andar a toa é coisa de ave Meu avo andava a toa (O Provedor)

18 Noventa por cento do que escrevo é invenção; só dez por cento que é mentira Manoel de barros


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