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O cortiço Aluísio de Azevedo. Sobre o Autor Aluísio de Azevedo (São Luís, MA, 1857 – Buenos Aires, Argentina, 1913) era filho do português David Gonçalves.

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1 O cortiço Aluísio de Azevedo

2 Sobre o Autor Aluísio de Azevedo (São Luís, MA, 1857 – Buenos Aires, Argentina, 1913) era filho do português David Gonçalves de Azevedo e de Emília Amália Pinto de Magalhães. Seu pai era viúvo e a mãe era separada do marido, algo que configurava grande escândalo na sociedade da época. Foi irmão do dramaturgo e jornalista Artur Azevedo. Desde cedo dedicou-se ao desenho através de caricaturas e à pintura. Em 1876 viaja ao Rio de Janeiro, a fim de estudar Belas Artes, obtendo desde então sustento com seus desenhos para jornais.

3 Sobre o Autor Com o falecimento do pai em 1879, volta para o Maranhão, onde começa finalmente a escrever. E em 1881, publica O Mulato, obra que choca a sociedade pela sua forma crua ao desnudar a questão racial. O autor já era abolicionista convicto. O sucesso desta habilita-o a voltar para a Capital do Império, onde escreve incessantemente novos romances, contos, crônicas e até peças teatrais.

4 Sobre o Autor Sua obra é vista como irregular por diversos críticos, uma vez que oscilava entre o Romantismo açucarado, com cunho comercial e direcionado ao grande público, e outras mais elaboradas, pois deixava a sua marca de grande escritor naturalista. Feito diplomata, em 1895, serve em diversos países, inclusive o Japão. Chega finalmente, em 1910, a Buenos Aires, cidade onde veio a falecer menos de três anos depois.

5 OBRAS Folhetins romanescos. Romances realistas/naturalistas: O mulato, Casa de pensão, O cortiço etc. Contos: Demônios e Pegadas. Teatro: A flor de lis e Casa de Orates. Crônicas: O Touro Negro (publicação póstuma).

6 Influências da vida em sua obra A aproximação com o falar português, os arcaísmos e lusitanismos. A crítica à hipocrisia da vida provinciana. A técnica do pintor e do caricaturista.

7 Características do autor A)Obra heterogênea B)Romance social: agrupamentos humanos, habitações coletivas. C)Visão rigorosamente determinista do homem e da sociedade. D)Influências de Eça de Queirós e Émile Zola. E)Utilizou a técnica do tipo, personagens psicologicamente superficiais e vistas de fora. F)Diálogos marcados pela vivacidade, frase sempre incisiva.

8 NATURALISMO – CONTEXTO HISTÓRICO O Naturalismo, ao lado do Parnasianismo e do Realismo, compõe uma das correntes artísticas mais expressivas da segunda metade do século XIX até o início do século XX. Consolidação da burguesia, classe detentora do poder, capitalismo avançado (capital industrial). Exaltação da liberdade individual, rebeldia do romantismo dão lugar à ciência, progresso e razão (estabilização das conquistas).

9 NATURALISMO – CONTEXTO HISTÓRICO Apogeu da revolução industrial, avanço científico e tecnológico; Explosão urbana, locomotiva a vapor, eletricidade, telégrafo sem fio. As ideias de liberalismo e democracia ganham dimensões cada vez maiores.As ciências naturais desenvolvem-se e os métodos de experimentação e observação da realidade passam a ser encarados como os únicos capazes de explicar racionalmente o mundo.

10 DOUTRINAS CIENTÍFICO – FILOSÓFICAS 1) O POSITIVISMO Idealizado por Augusto Comte, defendia a importância da Ciência para a sociedade humana. Ele concluía que a Teologia e a Metafísica poderiam ser abandonadas, já que a realidade é concreta, objetiva e lógica, o que permitia a análise lógica e experimental; mais ainda: tudo poderia ser explicado e entendido por todos. Em outras palavras, atribuía à constituição e ao processo da ciência positiva importância capital para o progresso de qualquer província do conhecimento.

11 DOUTRINAS CIENTÍFICO – FILOSÓFICAS 2) O EVOLUCIONISMO A publicação de A Origem das Espécies, de Charles Darwin eliminou a aura de espiritualidade e misticismo que o idealismo romântico conferia ao ser humano, encarando-o como parte de uma grande cadeia alimentar, nivelando-o com outros seres vivos. O livro, que contou com a forte oposição da Igreja, teve um extraordinário sucesso de público, comprovando a curiosidade geral em torno do tema e das novas idéias evolucionistas. A teoria traz o homem como produto da evolução natural das espécies, tomado como ser animal, regido pelo instinto biológico, pelas mesmas leis que regem todos os animais. Daí vem o gosto pelo zoomorfismo, tão recorrente no Naturalismo.

12 DOUTRINAS CIENTÍFICO – FILOSÓFICAS 3) O DETERMINISMO Sistematizado por Hypolyte Taine, propõe que o comportamento humano seja determinado por forças biológicas (instinto, herança genética), sociológicas e ambientais (ecologia, meio social) e históricas. As circunstâncias externas determinam a natureza dos seres vivos, inclusive do homem; nem a razão nem a vontade escapam desse condicionamento. Toda a realidade passa por um processo evolutivo, dentro de um sistema de leis naturais absolutamente definidas.

13 DOUTRINAS CIENTÍFICO – FILOSÓFICAS 4) OUTRAS TEORIAS Proudhon, Marx, Engels (estudos políticos e sociais) Claude Bernard (Medicina) Ritter Ratzel (Antrpogeografia) Wundt e Lombroso (Materialismo Psicológico) Renan, Feuerbach e Strauss (Anticlericalismo) Hegel (dialética, tese antítese, síntese).

14 CARACTERÍSTICAS TEMÁTICAS E ESTILÍSTICAS 1) OBJETIVISMO Preocupação com a verdade exata, por meio da observação e da análise. Colocam-se, em primeiro plano, as impressões sensoriais, com um profundo interesse pelos detalhes. 2) IMPASSIBILIDADE O autor assume uma posição neutra, ausenta-se da narrativa. Há sempre uma explicação lógica e científica para o comportamento de uma personagem, à qual é vista por esse narrador desinteressado em seus destinos.

15 CARACTERÍSTICAS TEMÁTICAS E ESTILÍSTICAS 3) PERSONAGENS ESFÉRICAS No Romantismo, as personagens eram lineares, construídas em torno de uma qualidade: bem x mal, herói x vilão, reduzidas a tipos (mocinho pobre bem – intencionado, mocinha casadoira, pai tirano etc). Passam a ser esféricas, apresentam várias qualidades e tendências. Evoluem e têm profundidade psicológica, são dinâmicas. 4) TEMAS CONTEMPORÂNEOS Crítica social, denunciando as mazelas da burguesia e do clero, e a análise psicológica, voltada para a investigação dos motivos das ações humanas.

16 CARACTERÍSTICAS TEMÁTICAS E ESTILÍSTICAS 5) EXALTAÇÃO SENSORIAL Apreender o mundo com o sensorial, precisa ver, apalpar e experimentar fisicamente. Amor passa a ser visto pelo aspecto físico.

17 Comparação A)ROMANTISMO Ah! Vem, pálida virgem, se tens pena De quem morre por ti, e morre amando, Dá vida em teu alento à minha vida, Une nos lábios meus minhalma à tua! Eu quero ao pé de ti sentir o mundo Na tualma infantil; na tua fronte Beijar a luz de Deus; nos teus suspiros Sentir as virações do paraíso... E a teus pés, de joelhos, crer ainda Que não mente o amor que um anjo inspira, Que eu posso na tualma ser ditoso, Beijar-te nos cabelos soluçando E no teu seio ser feliz morrendo! Álvares de Azevedo.

18 Comparação B) REALISMO Odeio as virgens pálidas, cloróticas, Beleza de missal que o romantismo Hidrófobo apregoa em peças góticas, Escritas nuns acessos de histerismo. Sofismas de mulher, ilusões óticas, Raquíticos abortos de lirismo, Sonhos de carne, compleições exóticas, Desfazem-se perante o p realismo. Não servem-me esses vagos ideais Da fina transparência dos cristais, Almas de santa e corpo de alfenim. Prefiro a exuberância dos contornos, As belezas da forma, seus adornos, A saúde, a matéria, a vida enfim. Carvalho Júnior

19 ELEMENTOS DA NARRATIVA REALISTA – NATURALISTA A) Narrativa lenta, minuciosa, a ação e o enredo perdem importância para a caracterização das personagens. B)Predomina a denotação, metáfora colocada em segundo plano, cede lugar à metonímia. C)Preocupação formal, buscando a clareza, o equilíbrio, a harmonia da composição, além da correção gramatical.

20 NATURALISMO O Naturalismo deve ser visto como um desdobramento do Realismo. Diferenças a serem assinaladas. A)A visão do Naturalismo é mais determinista, mais mecanicista; ressalta-se o aspecto biofisiológico do Homem, visto como um animal, regido pelo instinto e pela fisiologia, não pelo espírito nem pela razão. B)Por influência do método científico da Medicina Experimental, de Claude Bernard, o naturalista faz do romance uma espécie de laboratório da vida, encarando o homem e a sociedade como um caso a ser analisado

21 NATURALISMO C)O autor naturalista, com sua preocupação científica e seus interesses universais, atém-se aos fatos e nada que esteja na Natureza é indigno da literatura. Isso implica certa indiferença, certo amoralismo, não importando a opinião sobre os atos, mas os atos em si mesmos. Daí a abordagem de temas escabrosos (sedução, adultério, incesto, homossexualismo, taras e vícios), tão ao gosto de determinados autores. A denúncia dos aspectos degradantes da condição humana faz0se com o propósito de melhoria as condições sociais que os geraram. D)As obras naturalistas pecam por esquematismo, presas que estão ao determinismo, à explicação cientificista e esquemática da vida. Restringem-se, muitas vezes, apenas à exterioridade, aos condicionamentos, incapazes de perfurar essa crosta e contemplar o homem em toda a sua complexidade.

22 COMPARAÇÃO REALISMONATURALISMO Origem: França, com Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert. Origem: França, com Thérèse Raquim (1867), de Émile Zola. Romance documental, apoiado na observação e na análise. Romance experimental, que pretende apoiar-se na experimentação científica. Acumula documentos, fotografa a realidade, para dar a impressão de vida real. Imagina experiências que remetem a conclusões a que não se chegaria apenas pela observação. Arte desinteressada, impassibilidade. Arte engajada, de denúncia: preocupação políticas e sociais.

23 COMPARAÇÃO REALISMONATURALISMO Seleciona os temas, tem aspirações estéticas, busca o belo. Detém-se nos aspectos mais torpes e degradantes. Reproduz a realidade exterior, bem como a interior, através da análise psicológica. Centra-se nos aspectos exteriores: atos, gestos, ambientes. Volta-se para a psicologia, para o indivíduo. Prefere a biologia, a patologia, centra-se mais no social. Retrata e critica as classes dominantes, a alta burguesia urbana. Espelha as camadas inferiores, o proletariado, os marginais.

24 COMPARAÇÃO ROMANTISMONATURALISMO É indireto na interpretação: o leitor tira sua conclusões. É direto na interpretação: expõe conclusões, cabendo ao leitor aceitá-las ou discuti-las. Grande preocupação com o estilo. O estilo é relegado a segundo plano; no primeiro, a denúncia.

25 O cortiço – Aspectos Centrais A) Romance social. Desistindo de montar um enredo em função de pessoas, Aluísio atinou com a fórmula que se ajustava ao seu talento: ateve-se à sequência de descrições muito precisas, onde cenas coletivas e tipos psicologicamente primários fazem, no conjunto, do cortiço a personagem mais convincente do nosso romance naturalista. (Alfredo Bosi). Todas as existências se entrelaçam e repercutem umas nas outra. O cortiço é o núcleo gerador de tudo e foi feito à imagem de seu proprietário, cresce, desenvolve- se e se transforma com João Romão.

26 O cortiço – Aspectos Centrais B) Crítica do capitalismo selvagem. O tema é a ambição e a exploração do homem pelo próprio homem. De um lado, João Romão, que aspira riqueza, e Miranda, já rico, que aspira à nobreza. Do outro, a gentalha, caracterizada como um conjunto de animais, movidos pelo instinto e pela fome. A redução das criaturas ao nível animal (zoomorfização) é característica do Naturalismo e revela a influência das teorias da Biologia do século XIX e o Determinismo.

27 O cortiço – Aspectos Centrais C) A força do sexo O sexo é, Em O cortiço, força mais degradante que a ambição e a cobiça. A supervalorização do sexo, típica do determinismo biológico e do naturalismo, conduz Aluíso a focalizar diversas formas de patologia sexual: acanalhamento das relações matrimoniais; adultério; prostituição; lesbianismo etc.

28 O cortiço – Aspectos Centrais D) A situação da mulher. As mulheres são reduzidas a três condições: primeiro de objeto, usadas e aviltadas pelo homem: Bertoleza e Piedade; segunda, de objeto e sujeito, simultaneamente; Rita Baiana; terceira, de sujeito, são as que se independem do homem, prostituindo-se: Leonie e Pombinha.

29 O cortiço – Personagens João Romão: português bronco e ambicioso, ajunta dinheiro a poder de penosos sacrifícios. Dono do cortiço, vive com Bertoleza, a quem enganou e da qual, posteriormente, tenta se livrar. Bertoleza: Escrava vizinha de João Romão, passa a trabalhar para ele arduamente, enganada pela carta de alforria que recebera. Miranda: português, marido de Estela, enriquecido de forma desonesta, aspira a títulos da nobreza.

30 O cortiço – Personagens Machona: Lavadeira gritalhona, cujos filhos não se pareciam uns com os outros. Alexandre: mulato pernóstico. Pombinha: moça franzina que se desencaminha por influência das más companhias. Rita Baiana: mulata faceira. Firmo: malandro valentão, capoeirista. Jerônimo: imigrante português, junto com sua mulher Piedade, blaster. Bruno, Leocádia, Henriquinho, Zulmirinha, Botelho.

31 O cortiço – Trechos O zunzum chegava ao seu apogeu. A fábrica de massas italianas, ali mesmo da vizinhança, começou a trabalhar, engrossando o barulho com o seu arfar monótono de máquina a vapor. As corridas até à venda reproduziam-se, transformando-se num verminar constante de formigueiro assanhado. Agora, no lugar das bicas apinhavam-se latas de todos os feitios, sobressaindo as de querosene com um braço de madeira em cima; sentia-se o trapejar da água caindo na folha. Algumas lavadeiras enchiam já as suas tinas; outras estendiam nos coradouros a roupa que ficara de molho. Principiava o trabalho. Rompiam das gargantas os fados portugueses e as modinhas brasileiras. Um carroção de lixo entrou com grande barulho de rodas na pedra, seguido de uma algazarra medonha algaraviada pelo carroceiro contra o burro.

32 O cortiço – Trechos E, durante muito tempo, fez-se um vaivém de mercadores. Apareceram os tabuleiros de carne fresca e outros de tripas e fatos de boi; só não vinham hortaliças, porque havia muitas hortas no cortiço. Vieram os ruidosos mascates, com as suas latas de quinquilharia, com as suas caixas de candeeiros e objetos de vidro e com o seu fornecimento de caçarolas e chocolateiras, de folha-de-flandres. Cada vendedor tinha o seu modo especial de apregoar, destacando-se o homem das sardinhas, com as cestas do peixe dependuradas, à moda de balança, de um pau que ele trazia ao ombro.

33 O cortiço – Trechos Nada mais foi preciso do que o seu primeiro guincho estridente e gutural para surgirem logo, como por encanto, uma enorme variedade de gatos, que vieram correndo acercar-se dele com grande familiaridade, roçando-se-lhe nas pernas arregaçadas e miando suplicantemente. O sardinheiro os afastava com o pé, enquanto vendia o seu peixe à porta das casinhas, mas os bichanos não desistiam e continuavam a implorar, arranhando os cestos que o homem cuidadosamente tapava mal servia ao freguês. Para ver-se livre por um instante dos importunos era necessário atirar para bem longe um punhado de sardinhas, sobre o qual se precipitava logo, aos pulos, o grupo dos pedinchões.

34 O cortiço – Trechos 1) Trata-se de uma descrição objetiva apoiada em impressões sensoriais nítidas, especialmente as auditivas, surgindo o ruidoso amanhecer no cortiço. A narrativa é lenta, detalhada, e o narrador, onisciente, coloca-se de fora, não participa da ação. 2) O ambiente descrito reporta-se às camadas inferiores da população (lavadeiras, mascates, sardinheiro), enfatizando as reações instintivas e a luta pela sobrevivência. 3) Através de símiles, o autor aproxima o homem ao animal, procedimento este chamado de zoomorfização. verminar constante de formigueiro assanhado... guincho gutural e estridente.

35 O cortiço – Trechos "E naquela terra encharcada o fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a fervilhar, a crescer um mundo, uma coisa viva, uma geração que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro e multiplicar-se como larvas no esterco. "As corridas até a vende reproduziam-se num verminar de formigueiro assanhado. "Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. ".. depois de correr meia légua, puxando uma carga superior às suas forças, caiu morto na rua, ao lado de carroça, estrompado como uma besta. 'Leandra... a Machona, portuguesa feroz, berradora, pulsos cabeludos e grossos, anca de animal do campo "Rita Baiana... uma cadela no cio".

36 O cortiço – Trechos "Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui. Ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas de fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras, era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso, era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; e/a era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, e muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras, embambecidas pela saudade de terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro da sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbam em tomo da Rita Baiana o espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca."

37 O cortiço – Tipos Humanos João Romão "E seu tipo baixote, socado, de cabelos à escovinha, a barba sempre por fazer, ia o vinha de pedreira para a venda, de vende As hortas é ao capinzal, sempre em mangas de camisa, tamancos, sem meras, olhando para todos os lados, com o seu eterno ar de cobiça, apoderando-se, com os olhos, de tudo aquilo de que ele não podia apoderar-se logo com as unhas". ".. possuindo-se de tal delírio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras privações. Dormia sobre o balcão da própria venda, em cima de uma esteira, fazendo travesseiro de um saco de estepe cheio de palha". Albino "Fechava a fila das primeiras lavadeiras, o Albino, um sujeito afeminado, fraco, cor de aspargo cozido e com um cabelinho castanho, deslavado e pobre, que lhe caía, numa só linha, até o pescocinho mole e tino. "

38 O cortiço – Tipos Humanos Botelho "Era um pobre-diabo caminhando para os setenta anos, antipático, cabelo branco, curto e duro como escova, barba e bigode do mesmo teor, muito macilento, com uns óculos redondos que lhe aumentavam o tamanho de pupila e davam-lhe à cara uma expressão de abutre, perfeitamente de acordo com o seu nariz adunco e com a sua boca sem lábios: viam-lhe ainda todos os dentes, mas, tão gastos, que pareciam limados até ao meio... foi lhe escapando tudo por entre as suas garras de ave de rapina ".

39 O cortiço – Desfecho do Romance Observe o exagero da cena, e a ironia do desfecho. "A negra, imóvel, cercada de escamas e tripas de peixe, com uma das mãos espalmada no chão e com a outra segurando a faca de cozinha, olhou aterrada para eles, sem pestanejar. Os policiais, vendo que ela se não despachava, desembainharam os sabres. Bertoleza então, erguendo- se com ímpeto de anta bravia, recuou de um salto, e entes que alguém conseguisse alcançá-la, já de um só golpe certeiro e fundo rasgara o ventre de lado a lodo.

40 O cortiço – Desfecho do Romance E depois emborcou para a frente, rungindo e esfocinhando moribunda numa lameira de sangue. João Romão fugira até o canto mais escuro do armazém, tapando o rosto com os mãos. Nesse momento parava à porta da rua uma carruagem. Era uma comissão de abolicionistas que vinha, de casaca, trazer-lhe respeitosamente o diploma de sócio benemérito."


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